Estive a Ler: Os Olhos do Dragão


Este homem era Flagg, o mágico do rei.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO OS OLHOS DO DRAGÃO

Stephen King nasceu em 1947, em Portland, no Maine. Filho de um marinheiro mercante, que abandonou a família em 1950, foi criado pela mãe, em Durham, juntamente com o seu irmão David. A mãe viu-se forçada a trabalhar precariamente para poder sustentar os seus filhos. O autor viria a enveredar por uma carreira como romancista de terror, sendo muitas vezes apelidado como o mestre do género. Na sua obra contam-se livros como Carrie, The Shining, It – A Coisa, Salem’s Lot, Samitério de Animais ou a saga A Torre Negra.

O autor norte-americano viveu vários momentos de grande impasse na sua vida, desde os vícios da juventude até ao acidente que quase o vitimou, em 1999. Passou a maior parte da sua carreira como romancista em Bangor, no estado do Maine. Em Portugal, a sua obra tem sido publicada pela Bertrand. Os Olhos do Dragão é um romance publicado pela chancela 11×17 da Bertrand, com um total de 456 páginas e tradução de Lídia Geer.

Os Olhos do Dragão foi escrito por Stephen King para a sua filha em 1984, uma vez que a menina não gostava dos livros do pai. Desta incursão pela fantasia tradicional nasceu um dos maiores vilões do universo de Stephen King, o terrível Randall Flagg, bem conhecido dos leitores de The Stand e de A Torre Negra. Trata-se de um livro infanto-juvenil, com uma história nada inventiva para os padrões atuais da fantasia.

Simples em concepção e em conteúdo, Os Olhos do Dragão é um livro perfeitamente agradável para a literatura que era feita nos anos 80, mas que não envelheceu da melhor forma.

Tendo por base o estereotipo medieval, a trama conta com personagens que viriam a ser mais amplamente conhecidos na sua fantástica saga A Torre Negra. O enredo é básico, com mentiras, traição e inveja, mas fiquei agradado com a roupagem, com as nuances de personalidade dos protagonistas e com a história dos seus progenitores. Ainda assim, o desenvolvimento e conclusão acabam por se revelar básicos e previsíveis.

A história é morosa e descrita em mais de 400 páginas, podendo facilmente ser contada com minúcia num terço das mesmas. A escrita de King é sempre algo divertida, apesar de morosa, e este livro não é excepção, mas pareceu-me que aqui foi ainda mais arrastada do que o habitual, talvez por não haver tanto assim para contar.

Num reino distante, chamado Delain, viviam o rei Roland e seus dois filhos, Peter e Thomas. Apesar dos seus esforços para não prejudicar o povo, o rei nunca obteve grandes conquistas ou feitos. Já sua esposa, a rainha Sasha, era adorada pela população, equilibrando o governo do marido com conselhos decisivos. No entanto, embora a sua bondade tivesse conquistado o povo, alimentou o ódio de um inimigo perigoso: Flagg, o feiticeiro do reino.

Nem quando a rainha morreu de forma súbita e suspeita, Flagg se deu por satisfeito. Com planos para dominar o reino, o feiticeiro revela-se disposto a eliminar todos no seu caminho. Para começar, precisava livrar-se de Roland, depois afastar o jovem Peter e levar ao trono o pequeno Thomas – a quem Flagg tem a certeza de que consegue controlar.

O reino de Delain vive momentos de grande turbulência quando o rei Roland morre e Peter, o príncipe herdeiro, tem de lutar para conseguir o que é seu por direito. O feiticeiro põe em prática o seu plano assombroso mas, como todos os planos, este tem as suas falhas, como por exemplo o terrível segredo de Thomas.

Alexander Skarsgaard como Randall Flagg em The Stand | Fonte: https://villains.fandom.com/wiki/Randall_Flagg

Com o seu naipe abastado de recursos disponíveis, Stephen King constrói um conto de fadas alternativo que envolve príncipes amaldiçoados, feiticeiros malévolos, venenos, dragões e servos verdadeiramente leais. No fio da navalha entre o bem e o mal, a vida do reino de Delain repousa nas mãos de dois jovens irmãos bastante diferentes entre si, que se vêm diante de desafios complexos para conquistar aquilo a que têm direito. O direito à justiça.

Simples em concepção e em conteúdo, Os Olhos do Dragão é um livro perfeitamente agradável para a literatura que era feita nos anos 80, mas que não envelheceu da melhor forma. Ainda assim, é um tijolo importante no universo de Stephen King e agradável para quem conhece a saga A Torre Negra ou a pretende ler. É uma leitura quentinha e aconchegante, que pouco acrescenta a um leitor de fantasia.

Avaliação: 5/10

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