Resumo Trimestral de Leituras #26


O segundo trimestre de 2021 chegou ao fim. Foram meses repletos de leituras medianas, com alguns apontamentos mais interessantes, tendo lido 10 livros em abril, 7 em maio e 9 em junho. Voltei a acompanhar os novos lançamentos, ao mesmo tempo que procurei saciar a minha vontade de desbravar clássicos e livros que queria ler há muito tempo. No verão deverei diminuir um pouco o ritmo, mas espero ser surpreendido com mais e melhores leituras.

Dentro do que li neste segundo semestre, destaco pela positiva Dança, Dança, Dança de Haruki Murakami, Tempos de Tempestade de Andrzej Sapkowski, Rythm of War de Brandon Sanderson e O Portador da Chama de Bernard Cornwell. Aqueles autores que figuram sempre nas minhas preferências, certo? Pela negativa, não pude deixar de ficar bastante desiludido com O Garfo, a Bruxa e o Dragão de Christopher Paolini e com a extrema falta de originalidade de C. J. Tudor em Levaram Annie Thorne. Fica com o meu resumo trimestral:

Comecei abril com O Garfo, a Bruxa e o Dragão de Christopher Paolini. Publicado pelas Edições ASA, é um regresso a Alagaësia, o mundo em que ocorre Eragon e as suas sequências. Se o Ciclo da Herança me agradou, apesar da franca imaturidade do autor na escrita e da parca inventividade na narrativa, as minhas expectativas para com este livro eram algumas, uma vez que o autor cresceu e teve muito tempo para amadurecer. No entanto, o livro é um autêntico vazio de conteúdo, sendo menos interessante que a saga inicial.

Espíritos dos Mortos é uma adaptação gráfica de Richard Corben à obra de Edgar Allan Poe, transformando vários dos seus contos mais famosos em banda-desenhada. Não fiquei propriamente arrebatado pelo traço, mas as representações fizeram uma justa homenagem à obra do conceituado autor. As minhas passagens favoritas foram alguns contos que já conhecia, como “O Corvo” e “A Queda da Casa de Usher”, que foram muito bem replicadas nesta publicação da G Floy Studio.

Pela Alfaguara chegou-me a adaptação do romance homónimo 1984 de George Orwell, pelas mãos do brasileiro Fido Nesti. É um livro que faz jus ao original, bastante harmonioso no traço e na ilustração, com uma mensagem poderosa e que, desta forma, torna obrigatória a sua leitura, mesmo a quem não é dado à leitura. 1984 é um clássico intemporal, que nunca nos esteve tão próximo como agora, quando há pretensões de reescrever hoje a História de ontem.

Pela G Floy Studio chegou-me Abrir Fogo, o primeiro volume da série A Velha Guarda de Greg Rucka e Leandro Fernández. A história acompanha um grupo de personagens quase imortais que já viveram uma série de conflitos militares, um enredo que já foi adaptado pela Netflix, com Charlize Theron no papel de Andy. Fiquei bastante agradado pelo desenvolvimento narrativo mas sobretudo pela arte, ainda que a premissa não me tenha sido muito atractiva.

O Pentóculo é o quarto volume de Gideon Falls de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino, também publicado em Portugal pela G Floy Studio. Da arte maravilhosa de Sorrentino, que se tem transformado rapidamente num dos meus artistas preferidos, ao enredo vertiginoso e estupendo de Jeff Lemire, Gideon Falls está a atingir um patamar de excelência no que diz respeito às bandas-desenhadas. Da originalidade à complexidade, esta série não pára de se superar.

Outra série que atravessou alguns volumes mais mornos e que começa a destacar-se é The Promised Neverland, com argumento de Kaiu Shirai e arte de Posuka Demizu. Ao sexto volume, com o título B06-32, ganha um grande avanço que me deixa ao mesmo tempo intrigado e empolgado. Este mangá em específico acabou por revelar-se muito agradável, com várias revelações e adições impressionantes. Uma publicação da editora Devir.

Um comic que me deixou com um misto de sensações foi Hex Wives, com argumento de Ben Blacker e ilustração da italiana Mirka Andolfo. Apesar de ser algo confusa e pouco credível o argumento, degustei imenso das ilustrações inusitadas, do clima de bruxaria e do realce ao poder da mulher num mundo que sempre foi dominado por homens. A ideia podia ter sido melhor concretizada, mas foi uma experiência agradável. Trata-se de um álbum da coleção Vertigo da DC Comics.

Pela Casa das Letras li o livro Dança, Dança, Dança de Haruki Murakami. Os duplos sentidos, as camadas, o detalhe, o aprofundar na natureza humana são fenomenais, aquela maneira de ser muito peculiar dos japoneses que sempre me faz reflectir sobre as sensibilidades e nuances de comportamento dos seres humanos. Esta jornada de solidão tem apontamentos de fantasia, de erotismo, de thriller, de policial, de mistério, mas é sobretudo um hino à humanidade e ao nosso lugar no mundo.

Os Olhos do Dragão é um romance de Stephen King publicado em Portugal pela chancela 11×17 da Bertrand. Foi escrito pelo autor para a sua filha em 1984, uma vez que a menina não gostava dos livros do pai. Desta incursão pela fantasia tradicional nasceu um dos maiores vilões do universo de Stephen King, o terrível Randall Flagg, bem conhecido dos leitores de The Stand e de A Torre Negra. Simples em concepção e em conteúdo, é um livro perfeitamente agradável para a literatura que era feita nos anos 80, mas não envelheceu da melhor forma.

Pela Editorial Planeta chegou-me Levaram Annie Thorne de C. J. Tudor.  Embora nem sempre tenha apreciado o fio narrativo, que explorou pouco as personagens secundárias e focou-se demasiado no anda para cá e para lá do protagonista, a trama vale pelo clima de suspense e ritmo elevado. A autora continua, porém, sem mostrar um trabalho de fundo, sem grande pesquisa e mesmo pouca inventividade, porque Levaram Annie Thorne tem exatamente a mesma ideia de base que Pet Sematary de Stephen King, revelando-se nada mais que uma fanfic.

Comecei o mês de maio com Tempos de Tempestade, o nono volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, que me foi enviado pela Saída de Emergência. Embora a saga em si tenha terminado no livro anterior, este volume é uma prequela que, ainda assim, e muito por culpa dos interlúdios e epílogo protagonizados por Nimue, deve ser lido apenas o final da série. É uma história isolada protagonizada por Geralt de Rivia, com muitas aventuras e reviravoltas que incluem um novo relacionamento por parte do protagonista e também pelo roubo das suas espadas, o que proporciona uma série de peripécias dignas de referência.

Também pela Saída de Emergência, Guerreiros da Tempestade é uma leitura obrigatória para quem quer retomar a saga As Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell. Recheado de combates empolgantes, argúcia estratégica e humor másculo, é uma viagem no tempo que prepara o terreno para o que há de vir, sem avanços significativos.

O Caso do Rei de Paus é o terceiro volume da série de banda-desenhada Stumptown de Greg Rucka. A partir deste volume, Justin Greenwood passou a ser o ilustrador, substituindo Matthew Southworth que havia ilustrado os dois primeiros. Mais uma genial publicação da G Floy Studio, este álbum volta a mostrar Dex Parios na sua melhor forma, aqui envolvida sentimentalmente num enigma doloroso. Senti-me mais ligado a este álbum do que aos anteriores, também já me habituei à “cena” de Rucka e fiquei mais satisfeito do que com os anteriores.

Criminal é um prato cheio de emoção, violência e criminalidade. A banda desenhada de Ed Brubaker e Sean Phillips publicada em Portugal pela G Floy Studio continua a sua senda de corrupção. Apesar de ser mais adepto da qualidade gráfica e dos diálogos do que das histórias em si apresentadas nesta série, este volume acabou por ser algo divertido, ao ler bandas-desenhadas de fantasia e de terror pelos olhos das personagens de Criminal. O arco de Teeg Lawless na prisão foi o meu preferido das três histórias apresentadas.

O décimo segundo álbum do mangá One-Punch Man, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, editado em Portugal pela Devir, trouxe novos desenvolvimentos nomeadamente no que diz respeito aos preparativos de Saitama para o embate com Bakuzan. Os adversários mostram-se cada vez mais fortes e o nosso protagonista não parece propriamente empenhado em arregaçar as mangas. Pareceu-me mais um volume de show-off, sem grande conteúdo.

Pela Gradiva li O Nome da Rosa de Umberto Eco. Era um dos clássicos da literatura mundial que mais vontade tinha de ler, em parte por nunca ter pegado em nada de Umberto Eco, em parte por me parecer ter todos os requisitos necessários para me agradar: a busca por um homicida, profecias apocalípticas, história, intriga política e religião. O romance foi uma boa surpresa.

Outra boa surpresa foi O Homem dos Sussurros de Alex North, publicado em Portugal pela TopSeller. Após a morte da mulher, um escritor muda-se com o seu filho de 7 anos para uma pacata povoação em busca de um recomeço. Mas Featherbank tem um passado sombrio, várias crianças têm sido assassinadas ao longo dos anos e a casa para onde vão viver tem um aspecto sinistro. É um policial que fala de problemas como a solidão, a violência doméstica, a dependência do álcool, luto e superação, pisca o olho ao terror sobrenatural e envolve-nos de forma muito pessoal.

Comecei o mês de junho com Rythm of War, o quarto volume da saga The Stormlight Archive de Brandon Sanderson. É mais um volume maravilhoso da melhor saga de fantasia actualmente em curso. Sanderson desconstrói o paradigma da guerra e mostra como ela não traz qualquer tipo de glória, apenas desgaste e efeitos colaterais devastadores. As personagens sofrem e lidam com doenças mentais, tentando sobreviver numa sociedade quebrada. Não foi o melhor livro da série até ao momento, mas mesmo assim foi ótimo.

Planeta X é o quarto volume dos New X-Men escrito por Grant Morrison e publicado em Portugal pela G Floy Studio. Neste último volume, a ilustração fica a cargo de Phil Jimenez e Marc Silvestri e posso dizer que a arte é absolutamente incrível e o que mais me arrebatou, ainda que o argumento de Morrison tenha sido bastante inventivo e arrebatador.

Também pela G Floy li o primeiro volume de Ascender, A Galáxia Assombrada, com argumento de Jeff Lemire e arte de Dustin Nguyen. Trata-se de uma sequência da série Descender, dos mesmos autores, cujos eventos ocorrem uma década após o termo da mesma. Mila é uma protagonista carismática, filha de duas das personagens que mais me apaixonaram na série original; mas há outros. Ascender traz o melhor que Descender ofereceu, agora num mundo mais fantasioso e menos voltado para a ficção científica.

Death Note, o mangá com argumento de Tsugumi Ohba e ilustrações de Takeshi Obata, foi publicado numa black edition pela Devir. Sempre tinha tido muita curiosidade sobre esta obra e penso que cheguei a ver alguns episódios do anime homónimo. Se ignorarmos alguns diálogos mais juvenis, sobretudo no início da história, os dois primeiros volumes revelam um produto de qualidade, com bastante mistério e enigmas, para além de ocasionais volte-faces que transformam a premissa mais fantasiosa num suspense com toques de policial.

A Relógio D’Água editou o mês de maio a adaptação do clássico Fahrenheit 451 por Tim Hamilton, publicada originalmente em 2009 com a aprovação do autor, Ray Bradbury, que inclusive escreveu o prefácio à obra. Ainda que não tenha ficado fã do ilustrador, ele consegue captar na perfeição a essência do livro e os vários escritores que deram o seu cunho à adaptação foram também eficazes, ainda que a BD não substitua, de forma nenhuma, a experiência do livro original.

Pela Saída de Emergência li o livro O Portador da Chama, décimo volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell. O livro avança bastante na história central; ele mostra um Uthred extremamente experiente, inteligente e até mesmo amargo, mas essa maturidade só aguçou ainda mais o seu humor retorcido. Trata-se de mais um ótimo volume da série, com todos os seus combates e estratégias deliciosas.

Terminei o mês de junho com os dois últimos volumes das Crónicas de Allaryia de Filipe Faria, publicados pela Editorial Presença. Depois de muitos anos, decidi terminar as aventuras de Aewyre, Lhiannah, Quenestil e companhia e fi-lo em boa hora. Ainda que o cenário e a caracterização das personagens seja uma manta de retalhos de muito do que já foi feito na fantasia, Filipe Faria soube montar as peças de uma maneira criativa e empolgante. Crónicas de Allaryia é uma saga com muitas lacunas mas são também muitas as suas virtudes, e sem dúvida levá-la-ei para sempre no coração.

Neste momento estou a ler 2001: Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke, mas o verão terá ainda para mim Robert E. Howard, John le Carré, Ian Mc Ewan e Jeff Lemire, entre muitos outros. Fiquem por aí.

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