Estive a Ler: 2001: Odisseia no Espaço




A seguir, ouviu‑se um som que Olha‑Lua não poderia ter identificado, pois nunca tinha sido ouvido antes na História do mundo.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO

Arthur C. Clarke (1917-2008) é um dos mais reconhecidos autores de ficção científica. Escreveu centenas de livros e mais de um milhar de contos e ensaios de ficção científica e ciência numa carreira que se estende por seis décadas. 2001: Odisseia no Espaço é uma das suas obras mais aclamadas. Nascido em Somerset, Inglaterra, Clarke estudou no King’s College, em Londres.

Trabalhou na Royal Air Force antes de se tornar escritor a tempo inteiro, em 1950. Recebeu dezenas de prémios e doutoramentos honorários. O seu nome foi atribuído a um asteróide e a uma espécie de dinossauro. Foi ordenado cavaleiro em 1998 pela Rainha Isabel II. A edição de 2021 de 2001: Odisseia no Espaço pela Saída de Emergência tem tradução de Renato Carreira e um total de 240 páginas.

Publicado a partir do filme homónimo, que Clarke escreveu em parceria com o renomeado cineasta Stanley Kubrick em 1968, 2001: Odisseia no Espaço é um hino à humanidade que questiona o nosso papel no Universo. Com uma escrita cuidada, é um livro que facilmente conquista os fãs de ficção científica e do filme, porque, de forma mais detalhada, carrega consigo a mesma aura pausada (e pesada) da película.

O livro é mais específico que o filme, perdendo alguma da sua carga enigmática, mas revela uma maior profundidade nas personagens e no ponto nevrálgico da trama. A escrita de Arthur C. Clarke é competente e elegante, arrastando o leitor através de diferentes eras até ao clímax que reside na interacção de David Bowman com o desconhecido.

A primeira parte ocorre na Aurora do Homem, quando os nossos antepassados homens-macacos encontram um monólito invulgar no seu lar, na actual África. Das suas aprendizagens passamos para a segunda fase, chamada de AMT-1. Ali acompanhamos o Dr. Heywood R. Floyd, que se desloca à Base Clavius para tentar perceber os acontecimentos estranhos que ali ocorrem.

Dezoite meses depois, a nave espacial Discovery I viaja a cento e cinquenta mil quilómetros por hora no espaço. A bordo da nave espacial encontra-se HAL 9000, um supercomputador cujo funcionamento cognitivo rivaliza com a mente humana. De facto, ele apenas vence 50% dos jogos de xadrez porque foi programado para isso. Enquanto os restantes cientistas estão em hibernação criogénica, David Bowman e Frank Poole revezam-se em turnos garantindo a manutenção da nave ao longo da viagem.

Foto sob direitos

Um dia, porém, a missão sofre um revés significativo quando as instruções de HAL 9000 despertam a sua desconfiança. O supercomputador seria incapaz de errar, dizem. As dúvidas sobre o que se trata o problema e a influência de um estranho monólito encontrado na Lua adensam-se, enquanto a sua própria solitude no cosmos é questionada.

Um épico com reminescências da Odisseia de Homero, 2001: Odisseia no Espaço conduz-nos a uma atmosfera densa e asfixiante, onde a humanidade é testada até ao limite e onde todas as questões ligadas a identidade, tempo e espaço desfilam perante os olhos de quem o lê. Ainda que seja um livro bastante visual, este clássico trabalha com as emoções de forma algo impessoal, que compensa com a elegância e a reflexão que nos exige.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 8/10

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