Estive a Ler: As Armas Secretas


Tão natural que Víctor tivesse passado para visitar a mamã e lhe perguntasse pelos ausentes.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO AS ARMAS SECRETAS

Escritor argentino, Julio Cortazár nasceu a 26 de agosto de 1914, em Bruxelas, na Bélgica, durante uma viagem de negócios empreendida pelos seus pais. Em 1918 a família regressou a Buenos Aires, onde Cortázar veio a estudar, obtendo, em 1935, habilitações como professor do ensino secundário pela Escuela Normal de Professores Mariano Acosta. Ingressou depois na Universidade de Buenos Aires e deu aulas nas escolas secundárias de Bolívar, de Chivilcoy e de Mendonza.

Em 1944 conseguiu uma posição como professor de Literatura Francesa na Universidade de Cuyo, em Mendonza, onde se envolveu numa manifestação contra a política populista e sindicalista de Juan Domingo Peron, pelo que foi encarcerado. Posto em liberdade pouco tempo depois, viu, no entanto, vedada a sua carreira académica. Assumiu então, e em 1946, a direção de uma editora em Buenos Aires, funções que desempenhou até 1948, altura em que completou a sua licenciatura em Direito e Línguas.

Cortázar trabalhou como tradutor. Em 1975 lecionou, como professor convidado, nas Universidades de Oklahoma e do Barnard College de Nova Iorque. Em 1981 tomou a nacionalidade francesa e, dois anos depois, foi-lhe autorizado visitar de novo a Argentina.

Somos convidados a experimentar uma realidade labiríntica e obsessiva, alucinante, que pode ser tão actual no ano em que o livro foi escrito – 1959 – como hoje.

Faleceu a 12 de fevereiro de 1984, em Paris. Embora seja geralmente aceite como causa da sua morte uma leucemia, existe também a opinião de que o autor tenha sido vítima de SIDA, nesse tempo ainda não diagnosticável. As Armas Secretas foi publicado em 2014 pela editora Cavalo de Ferro, com um total de 152 páginas e tradução de Pedro Carvalho.

As Armas Secretas é uma composição de cinco contos, considerados obras-primas no género, que constituem importantes marcos na escrita de Julio Cortázar. Complexos, com uma escrita densa e passíveis de várias interpretações, os contos pegam em coisas triviais do quotidiano, em peripécias, em pensamentos e desvarios que se transformam em compulsões desmedidas.

Somos convidados a experimentar uma realidade labiríntica e obsessiva, alucinante, que pode ser tão actual no ano em que o livro foi escrito – 1959 – como hoje. Cortázar tem um estilo muito próprio, não muito agradável a quem espera uma leitura limpinha e de fácil entendimento, mas a sua escrita é ela própria um tratado sobre a literatura, sobre os limites em que separam o real do imaginário, piscando o olho ao realismo mágico e ao terror.

Entre a Europa e a América do Sul, nomeadamente as urbes de Paris e Buenos Aires, os contos são extremamente cosmopolitas, apresentando-nos protagonistas tão despidos de pretensões e de rótulos que se embebedam com o seu próprio quotidiano. São facilmente identificáveis pelo leitor, dando azo a sentimentos de surpresa e de ledo engano.

Os contos que mais apreciei foram “As babas do diabo”, adaptado ao cinema por Michelangelo Antonioni no filme Blow-up – História de um Fotógrafo e “O Perseguidor”, protagonizado pelo saxofonista Johnny e pelo jornalista Bruno, baseado nos derradeiros dias do músico de jazz Charlie Parker. Não sendo um livro que me tenha entusiasmado minimamente, não deixo de ver grande mérito na escrita do autor.

Avaliação: 6/10

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