Estive a Ler: Caim


Gente, neste amplo e generoso sentido, são igualmente alguns animais de que muito se fala em certos círculos estritos que cultivam o esoterismo, mas que nunca ninguém se pôde gabar de ter visto.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO CAIM

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga. Em 1947 publicou o seu primeiro livro, Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Clarabóia, publicado apenas após a sua morte. Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 foi nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.

Recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel da Literatura em 1998, elevando o nome de Portugal ao estrito elenco de laureados. Um dos autores mais conhecidos da História da literatura portuguesa, Saramago tem em Caim é um dos seus livros mais controversos. A edição da Porto Editora tem 146 páginas.

Caim, de José Saramago, foi uma experiência de leitura ao mesmo tempo enriquecedora e decepcionante. Enriquecedora porque ele clarifica em tábua rasa a nossa relação com Deus, faz-nos questionar, religiosos e não religiosos, se há outro Deus para além de nós e até onde vai a sua culpa. Até onde vai a nossa.

Sobretudo, para os sentimentos que me costumam envolver os seus livros.”

De forma peculiar, Saramago toma a liberdade de cruzar personagens bíblicas e contar a sua versão da história, mas muitas vezes cai num ridicularizar vazio. O livro defraudou-me um pouco não pela sua visão, mas pelo que oferece como leitura. São poucas páginas, e mesmo assim muitas delas com pouca substância, repletas dos tradicionais fillers, o que chamamos na gíria de enche-chouriços.

Sem eles, o livro passaria por um conto muito interessante. Passa-me a ideia, agora que o terminei e que percebi ter sido lançado um ano antes da sua morte, que foi uma publicação já na fase descendente da carreira do autor, à sombra de todo o seu sucesso anterior. Não posso, porém, apresentar tal impressão como crítica, devendo o benefício da dúvida a Saramago de que viu nesse livro um trabalho de qualidade da sua parte.

De forma inteligente e mordaz, o autor conduz-nos ao início dos tempos, onde Adão e Eva sofrem com problemas conjugais e logísticos. Somos então apresentados a Caim, o eterno vilão bíblico que matou o irmão Abel e de Deus lhe foi atribuída uma marca, que impedia que qualquer um o pudesse matar.

Na visão divertida de Saramago, é debatida a culpa do crime, enquanto o protagonista atravessa uma série de peripécias, camuflado com o nome do irmão que morreu, Abel. É destaque o seu envolvimento com a sensual Lilith, a personagem mais interessante do livro e que levanta também ela uma série de reflexões.

Caim acompanha os eventos que antecedem e ocorrem durante o Grande Dilúvio, e embora conceda que possa ser eficaz nas questões levantadas (Saramago utiliza o Deus de Caim como uma metáfora para o nosso eu interior), acabou por me saber a pouco para as expectativas que o autor me suscita. Sobretudo, para os sentimentos que me costumam envolver os seus livros.

Avaliação: 6/10

Um comentário em “Estive a Ler: Caim

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