Estive a Ler: Os Anos


O tempo, em constante mudança, punha nuvens azuis e purpúreas a voar sobre a terra.

Virginia Woolf nasceu em Londres a 25 de janeiro de 1882, filha de Sir Leslie Stephen, escritor e historiador ilustre da Inglaterra vitoriana. Desde cedo ligada a grupos de intelectuais, casou em 1912 com Leonard Woolf e com ele fundou a editora Hogarth Press, responsável pela revelação de autores como Katherine Mansfield e T. S. Eliot e pela publicação das suas próprias obras.

Reconhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo britânico, destacam-se entre os seus trabalhos os romances Mrs Dalloway (1925), Orlando (1928) e As Ondas (1931), assim como o ensaio Um Quarto que Seja Seu (1929). Após sucessivas crises depressivas e não suportando o isolamento provocado pelo agravar da Segunda Guerra Mundial, Virginia suicida-se a 28 de março de 1941, em Lewes. Os Anos foi publicado pela Editorial Presença, com um total de 376 páginas e tradução de Fernanda Pinto Rodrigues.

Os Anos de Virginia Woolf foi um livro que me arrebatou logo de início; a escrita da autora é magnífica e mantém a beleza estética até ao final – sem dúvida a grande mais-valia do romance. No decorrer da leitura, no entanto, senti as minhas expectativas defraudadas. O romance torna-se pastoso, bolorento, sem desenvolvimentos dignos de nota.

Enalteço a escrita da autora, que realmente consegue transformar um texto morno numa experiência lindíssima de leitura.

É caso para dizer que os anos se passam, as personagens se aprofundam – uma profundidade casual, que não surpreende – e nada de relevante acontece. É um livro para se ir lendo calmamente e desfrutar da escrita, camada sob camada, porque é na sensibilidade literária da autora que o livro toca.

Fonte: Editorial Presença

Datado de 1937, este é o penúltimo livro de Virginia Woolf antes de se suicidar em Março de 1941. Os Anos traça a vida de três gerações da família Pargiter desde 1880 até à década de 30 do século XX. Ao longo de 50 anos, acompanhamos os irmãos Edward, Eleanor, Morris, Delia, Milly, Martin e Rose até ao presente da obra (aproximadamente 1930).

O livro desenvolve estas personagens desde a juventude, assim como nas primas Maggie, Sally e Kitty, todos eles com pontos de vista que se vão alternando. Cada capítulo intitula-se com o ano em que decorre, mostrando com a família reage aos constantes desafios impostos pela guerra, numa sociedade patriarcal e capitalista, onde o fascismo ganha expressão.

Os confrontos dão-se, geralmente entre gerações, mas a autora sabe capitalizar as personagens numa tónica de esperança e de reflexão. O livro fala muito sobre o sentido da vida, a importância da beleza, a solitude, o resultado das escolhas de cada um e a implicação delas para o futuro da família.

Os Anos marcam assim a carreira de Virginia Woolf como a obra que a celebrizou. É uma leitura complexa em sentimentos e interessante de desbravar, mas pessoalmente não me acrescentou nada de novo. Enalteço a escrita da autora, que realmente consegue transformar um texto morno numa experiência lindíssima de leitura.

Avaliação: 7/10

2 comentários sobre “Estive a Ler: Os Anos

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