Estive a Ler: Abelterium


As duas bruxas voltaram-se para o herdeiro mais cobiçado de Abelterium e fingiram contrariedade, aborrecimento, recato.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO ABELTERIUM

Licenciada em Gestão, Lívia Borges é uma autora portuguesa de romance histórico e ficção científica. As suas primeiras obras foram de cariz histórico, com Julia Felix em 2011 e Vera e Fábio em 2014. A sua obra inclui várias fanfics em plataformas de autopublicação e contos em diversas antologias, como é o caso de “O Espírito do Vento”, conto publicado na antologia de fantasia rural O Resto É Paisagem da Editorial Divergência, passado na ilha de Porto Santo onde atualmente habita.

Também pela Divergência publicou em 2021 o seu primeiro livro de Ficção Científica, Futuro, a que se seguiu um romance intitulado Sonho de Verão, sob o pseudónimo Cristina V. Herbert, sobre a magia do futebol. Em 2022, as Edições Trebaruna, chancela da Divergência, publicam um novo romance histórico da autora, Abelterium, com um total de 356 páginas.

Abelterium é o mais recente livro de Lívia Borges e tive o privilégio de o ler previamente, uma vez que me foi solicitado um blurb para publicação nas primeiras páginas do livro. Confesso que não tive grandes receios em aceitar a proposta, uma vez que Lívia já não é uma desconhecida no meio e até agora o que li dela não me havia desapontado. Este livro foi mais uma experiência muito interessante de leitura.

“A prosa fluída e vívida de Lívia Borges amadurece as páginas deste livro com um relato coeso e verosímil.

A história é passada na localidade que dá título ao livro e que é, nem mais nem menos, que a Alter do Chão, localidade no distrito de Portalegre, à época romana. Conta a história de uma rapariga e acompanha a construção da casa onde habita, entre o século II e IV d.C, cujos enredos que a envolvem vão alterando as suas perspetivas do mundo e a fazem crescer como menina e mulher.

A ideia para o livro foi proposta por um arqueólogo aquando da descoberta de um importante mosaico romano em Alter do Chão. A autora viu-se perante uma estela funerária em barro, que fermentou na sua imaginação e a levou a uma grande pesquisa histórica que fez crescer aos seus olhos bruxas e lendas relacionadas com o domínio romano em Portugal, a antiga Lusitânia, à própria possibilidade de o imperador Adriano ter visitado a região durante as suas longas viagens.

A trama mostra a rapariga que protagoniza o livro diante do mosaico, descobrindo pela voz de Sunua as histórias que ali se viveram, o passado da cidade e da sua família. Houve um político barbaramente assassinado, o que motivou a visita do imperador romano, mas também rivalidades entre famílias, amores impossíveis e crenças múltiplas e misteriosas que alimentaram as oposições políticas e fizeram crescer o ambiente de tensão e desconfiança contínua.

A meu ver, este romance contribui para preencher uma lacuna que existe em Portugal: ficção histórica sobre o nosso próprio país. A prosa fluída e vívida de Lívia Borges amadurece as páginas deste livro com um relato coeso e verosímil. Através dele, deslizamos numa realidade distante, em simultâneo tão próxima. De salutar.

Ouvimos falar na Lusitânia nas aulas de História, no incrível Viriato e em todas as mudanças drásticas, bélicas e políticas, que formataram o Portugal que hoje conhecemos, mas aparte as ocasionais séries televisivas e meia dúzia de autores consagrados não se vêm muitos autores novos a escrever sobre Portugal. Foi incrível conhecer Abelterium e fiquei desejoso de ver mais obras desta natureza no nosso país.

Avaliação: 7/10

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