Estive a Ler: A Coroa, A Primeira Lei #3

— Estás sempre bêbedo a esta hora da manhã?

— Eminência, ofende-me. — Nicomo Cosca sorriu. — Habitualmente, embebedo-me muitas horas antes.

O texto seguinte aborda o livro “A Coroa”, terceiro volume da série A Primeira Lei 

Joe Abercrombie nasceu em Lancaster em 1974 e atualmente mora em Bath com a esposa e os filhos. Foi editor freelancer de filmes e trabalhou em vários documentários e eventos musicais, até dedicar-se a corpo inteiro à escrita. A Lâmina (The Blade Itself), o seu primeiro romance, viu os direitos vendidos para 24 países, conquistando o público que se havia apaixonado pelas histórias de George R. R. Martin.

Em 2008, Abercrombie foi finalista do prémio John W. Campbell na categoria Autor Revelação, graças ao sucesso da trilogia A Primeira Lei. A série, cujo livro A Coroa (The Last Argument of Kings) é o terceiro volume, foi publicada em Portugal pela Edições Asa / 1001 Mundos. Com tradução de Renato Carreira, este terceiro livro encerra a trilogia com um tomo de 636 páginas que se tornaram um marco indelével da alta fantasia moderna.

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Fonte: http://firstlaw.wikia.com/wiki/First_Law_Wiki

Tenho motivos de sobra para dizer que Joe Abercrombie é um dos novos autores de fantasia com maior potencial. A sua prosa é algo banal, mas competente, e as suas histórias cativam com facilidade qualquer bom amante de literatura fantástica. Ainda assim, termino esta que é a série mais elogiada do autor com um sabor agridoce, o que está relacionado às escolhas narrativas de Joe.

Quem leu as minhas opiniões aos livros anteriores, sabe que eu adorei alguns núcleos e odiei outros, que julguei que a jornada de Bayaz, Logen, Ferro e companhia aos Limites do Mundo para encontrar uma pedra mágica era completamente out, e mais out ficou quando compreendemos o que ali se passou. Todos os capítulos deles no segundo volume serviram somente para o desenvolvimento de personagens e de relações. Tudo o resto foi pura perda de tempo.

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Fonte: 1001 Mundos

Com alguns spoilers do primeiro terço do livro, posso dizer que encontramos o grupo a regressar a Adua no início deste terceiro volume. Acabam por separar-se e cada um segue o seu caminho, com Logen a rumar ao norte para enfrentar Bethod, Jezal a tentar ser um homem melhor e a encontrar o amor nos braços de Ardee e Ferro a manter-se próxima de Bayaz, uma vez que pretende cobrar a promessa de vingança que este lhe deu. Malacus Quai e Pé Longo mantêm-se próximos, com participações decisivas no transcorrer da história.

“Tenho motivos de sobra para dizer que Joe Abercrombie é um dos novos autores de fantasia com maior potencial.”

Mas o coração da União está dilacerado após a morte dos herdeiros ao trono, e o Conselho Fechado move as suas peças desesperadamente, para impedir que a futura e mais do que certa morte do rei coloque um inimigo no trono. É ao Conselho Aberto que cabe a votação, e votos são comprados, jogadas são dadas, braços medem forças à margem dos olhares comuns. O juiz superior Marovia e o arquileitor Sult parecem ser os mais influentes, defrontando-se em jogos de bastidores que deixam claro que o rei é pouco mais do que um fantoche.

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Fonte: https://darey-dawn.deviantart.com/art/The-First-Law-trilogy-483682777

Sand dan Glotka, o torturador, vê-se entre a espada e a parede quando o seu superior oficial, Sult, e os seus financiadores secretos, a misteriosa firma bancária Valint e Balk, o empurram em direções opostas. Com o seu lado mais emocional à tona de água quando o assunto é Ardee West, a irmã do seu melhor amigo a quem prometeu que cuidaria, Glotka terá de lidar com várias pontas soltas e só poderá contar com os seus melhores amigos: os instrumentos de tortura.

Dos práticos Severard e Frost, à ruiva Vitari, passando pelo sempre charmoso Nicomo Cosca e a sua grande língua, Glotka é obrigado a chamar todos os recursos para se livrar da grande embrulhada em que o meteram, e a aparição inesperada de Carlot dan Eider, que havia libertado por comiseração, não o ajuda a resolver os problemas em mãos, principalmente quando ela é um deles. O anúncio de uma guerra iminente é a gota de água que poderá conduzi-lo definitivamente à ruína… ou uma janela de oportunidade única de ascensão.

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Fonte: https://dejan-delic.deviantart.com/art/His-Majesty-s-Inquisition-429415014

A norte, a ação concertada entre o exército da União e os nortenhos dissidentes a Bethod não parece dar frutos, com a saúde fragilizada do marechal Burr e os constantes braços-de-ferro entre os generais Kroy e Poulder a não contribuírem para os tão almejados progressos. É em Collem West e no nortenho Cão que as esperanças parecem recair, mas os dois homens sofreram demasiadas perdas para que a responsabilidade pareça, de facto, mais do que uma esperança vaga.

“Glotka terá de lidar com várias pontas soltas e só poderá contar com os seus melhores amigos: os instrumentos de tortura.”

A Primeira Lei é uma série que explica que o mundo onde vivem foi, no início dos tempos, palco de demónios e criaturas malignas. Um dia, tanto as criaturas como todo o tipo de magias foram atirados para o Outro Lado, tornando-se proibitivo entrar em contacto com ele: esta é a Primeira Lei. Duas leis foram decretadas, sendo que a segunda tratava de proibir o consumo de carne humana. Kanedias, o Criador, e Juvens, o mago original, defrontaram-se, assim como alguns dos seus discípulos. No fim, sobraram poucos, mas Bayaz, o Primeiro dos Magos, continuou a medir forças com Khalul, que se havia tornado influente em Gurkhul.

No centro de tudo estava a paixão de Bayaz pela filha de Kanedias, Tolomei, que conduziu a uma rixa com o Criador e à consequente morte de pai e filha. Várias perspetivas são projetadas sobre esta história, enquanto Bayaz digere a desilusão de não ter encontrado a Semente, a pedra que lhe permitiria contactar diretamente o Outro Lado, uma ferramenta para repelir Khalul e os seus devoradores. Enquanto isso, faz o seu jogo político que atinge o zénite quando o rei Guslav V morre.

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Fonte: http://firstlaw.wikia.com/wiki/Category:Characters_from_the_Union

Posso garantir que, sem recurso a magias, a saga A Primeira Lei tornar-se-ia possivelmente uma das minhas favoritas. A magia apresentada não tem qualquer explicação e a História dos magi é insípida. Bayaz seria um personagem muito mais interessante se se limitasse ao campo político / científico. Como foi apresentado, juntou-se à amuada Ferro como um dos piores personagens da série. A única porção de sobrenatural que achei bem executado na saga foi a que esteve relacionada à Segunda Lei. Os devoradores foram um dos pontos mais positivos.

A própria História do mundo criado é estéril, fazendo parecer que Casamir, Arnault e Harod foram os únicos reis da União, tantas as vezes em que os mesmos nomes foram referidos e sublinhados. Assim como as lutas antigas de Logen foram recitadas até à exaustão. Em comparação com o segundo volume, as batalhas brilhantemente descritas onde Cão e West participaram, e a estadia de Glotka em Dagoska, este último livro perdeu qualidade.

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Fonte: https://darey-dawn.deviantart.com/art/The-First-Law-trilogy-483682777

Ainda assim, todos os capítulos e secções focados em Glotka foram geniais. Que personagem! Tornou-se facilmente um dos meus preferidos, e todos os volte-faces e jogadas em que participou são memoráveis. Também West e Cão mantiveram a toada, sendo dos restantes personagens os que mais me agradaram, e sobremaneira. Ardee West surpreendeu-me e muito pela positiva neste volume final, e ainda um louvor adicional aos secundários Eider, os práticos Severard e Frost, o juiz Marovia e o sargento Pike. Fantásticas criações do autor.

“Em comparação com o segundo volume, as batalhas brilhantemente descritas onde Cão e West participaram, e a estadia de Glotka em Dagoska, este último livro perdeu qualidade.”

Também Jezal e Logen melhoraram em relação ao segundo volume. Vimos Jezal dan Luthar de regresso à casa de partida, a tornar-se um homem melhor, fez-me lembrar a construção de Elend ao longo da trilogia Mistborn, conseguindo ser mais rico como personagem, mas os seus capítulos tornaram-se francamente deprimentes com o nível de auto-comiseração do mesmo. Já Logen Novededos finalmente mostrou ao que veio, mostrando ser o personagem que o autor prometia desde o início e que nunca tinha sido até então. A partir do momento em que se junta à campanha militar, a sua performance melhora consideravelmente.

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Fonte: https://geeklyinc.com/geekly-guide-to-authors-joe-abercrombie/

A trilogia também vive muito de personagens-fantasma. Marovia só aparece em carne e osso praticamente neste último volume, Malacus Quai e Pé Longo foram meras ferramentas narrativas, porque se tiveram um ou dois momentos de protagonismo não foram mais que promessas, e há uma série de nomes que quem não ler os três livros de seguida vai ter dificuldade em lembrar-se deles. Salem Rews é um exemplo, apesar de ser um foreshadowing bem interessante. Yoru Sulfur, outro personagem importante na narrativa, apareceu de pára-quedas sem que me recordasse de onde ele tinha vindo.

“A trilogia também vive muito de personagens-fantasma.”

Não posso afiançar que foi problema de tradução, se uma vontade do autor, mas a repetição exagerada de certas expressões incomodou-me um pouco. O termo “rosado”, tão ostensivamente repetido nos POV’s de Ferro e a expressão “se disserem alguma coisa de Logen, digam que…”, como exemplos, irritaram-me. A própria edição da 1001 Mundos não inspira grande confiança: erros ortográficos ocasionais, capas pouco atrativas e títulos que não fazem justiça aos originais.

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Fonte: https://dejan-delic.deviantart.com/art/Northmen-519093474

Em jeito de conclusão, é um livro e uma saga que levo com carinho. Não comprei o plot central da narrativa, tanto em redor da Primeira Lei, como as movimentações forçadas de Bayaz, e o final deixou-me a pensar “a sério que isto acabou assim?”, quando depois de tantos volte-faces e plot-twists de nos deixar a chorar por mais tanto ficou por dizer, mas é uma série bem “comestível”, com personagens bem construídos e mudanças improváveis.

O livro surpreendeu-me com os jogos políticos, mas foram sobretudo as descrições de batalhas, o percurso de Collem West e a peculiaridade do personagem Sand dan Glotka o que mais me agradou. Uma mão cheia de personagens incríveis e uma história bem escrita da qual gostei, mas os factores negativos também pesam e quando a desilusão trai as expectativas, há que fazer justiça ao que sentimos. Não custa sublinhar, porém, que Glotka é um dos melhores personagens da literatura fantástica e A Primeira Lei uma série de leitura obrigatória.

Avaliação: 7/10

A Primeira Lei (1001 Mundos):

#1 A Lâmina

#2 A Forca

#3 A Coroa

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A Divulgar: Rainbow Rowell no Facebook da Saída de Emergência

No dia 15 de setembro foi lançado o mais recente livro da autora norte-americana Rainbow Rowell, Carry On. Conhecida por escrever YA e romances adultos contemporâneos (Eleanor & Park, Fangirl e Anexos são os seus livros mais populares no nosso país), Rainbow foi convidada pela Edições Saída de Emergência para contactar os seus fãs nacionais. Assim sendo, amanhã, dia 20, a autora norte-americana estará na página de facebook da editora para responder, das 16h às 17h, a todas as questões dos seus leitores. Uma ótima oportunidade para os fãs interagirem com ela e descobrirem mais sobre a autora.

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Fonte: http://saidadeemergencia.com
SINOPSE:
Esta é a história de Simon Snow, a personagem fictícia que povoava a vida e imaginação de Cath em Fangirl, o fabuloso romance de Rainbow Rowell

Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma!
Carry On – A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell – mas muito, muito mais monstros.

A Divulgar: Festival Bang! 2017

Está a chegar o novo evento nacional organizado pelas Edições Saída de Emergência, e promete trazer muitas surpresas. A Coleção Bang! da Saída de Emergência é uma das coleções de literatura fantástica mais reconhecidas de Portugal e vai passar a ter o seu próprio evento anual, o Festival Bang!. Nele vais poder encontrar palestras, sessões de autógrafos, uma exposição sobre Edgar Allan Poe (agora que saiu o livro Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe, com ilustrações de 28 artistas nacionais), várias  demonstrações de cosplay e momentos musicais. Para além disso vais poder contar com a presença da convidada de honra desta primeira edição, Anne Bishop, que estará em Portugal para conversar com os fãs sobre a sua obra literária.

Podes comprar já o teu bilhete no ticketline. A entrada está interdita a menores de 6 anos, dos 6 aos 10 o bilhete é gratuito e a partir dos 10, o valor da entrada é de 5 euros, valor que será descontado na compra de qualquer livro durante o evento. Na sessão de autógrafos com Anne Bishop, só será permitido autografar um máximo de três livros por pessoa, e estes deverão pertencer às edições publicadas pela Saída de Emergência. O evento será dia 28 de outubro, no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa.

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Fonte: Saída de Emergência

A Divulgar: Fórum Fantástico 2017

De 29 de setembro a 1 de outubro, a Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras acolhe mais uma edição do tradicional Fórum Fantástico, o certame destinado a todos os fãs de Ficção Especulativa, Cosplay e Videojogos. Ontem decorreu a apresentação oficial do evento, na FNAC do Chiado, onde foi revelado o programa dos três dias de exposições, debates e tertúlias. Eu não vou faltar, e vocês? Fiquem com o programa:

29 de Setembro, Sexta-feira

10:00 – Workshop “Vem conhecer os Animais e Animenos”, com Rita Taborda Duarte e Pedro Proença

Local: Espaço Infantojuvenil

14:00 – Workshop “A Oficina do Animalário Científico”, com Rogério Ribeiro

Local: Espaço Infantojuvenil

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

Local: Auditório

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Local: Auditório

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

Local: Auditório

17:30 – INTERVALO

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

Local: Auditório

18:30 – Sessão “Talking about comics…”, com Mike Carey, José de Hartvig Freitas e Filipe Melo

Local: Auditório

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30 de Setembro, Sábado

10:30 – Workshop “Mundicriação e Escrita Criativa”, com Pedro Cipriano e Bruno Martins Soares

Local: Auditório

10:30 – Workshop “Impressão 3D para Jogos de Tabuleiro”, com Artur Coelho e José Brito

Local: Biblioteca

11:00 – Abertura do Bazar de Crafts – EuroSteamCon 2017

Local: Pátio central e Pátio superior

11:00 – Animação “O Grande Caso dos Pequenos Detetives”, com Liga Steampunk de Lisboa

Local: Espaço Infantojuvenil

12:30 – INTERVALO

14:00 – Sessão “À Conversa com Especulatório”, com Maria Inês Santos, Inês Fragata e Carlos Almeida

Local: Auditório

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Local: Auditório

14:30 – Abertura do Espaço de Jogos, com Liga Steampunk de Lisboa, Clube de Estratégia do Seixal, Morapiaf e Imaginauta (até às 19:30)

Local: Biblioteca, piso térreo

15:00 – Workshop “Constrói o teu Zeppelin”, com Anna Ildefonso

Local: Espaço Infantojuvenil

15:15 – Sessão “Revolução Steampunk”, com Michel Alex (Nirvana Studios), Pedro Guerra e Catarina Leal

Local: Auditório

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Local: Auditório

16:30 – Sessão “I See Dead People!”, com Mike Carey e Linda Carey

Local: Auditório

17:00 – Duelos de Chá, com Liga Steampunk de Lisboa

Local: Pátio central

17:15 – INTERVALO / Sessões de autógrafos

17:30 – Workshop Cosplay “Como fazer Armaduras e Props”, com Angélica Elfic

Local: Espaço Infantojuvenil

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

Local: Auditório

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Local: Auditório

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Local: Auditório

19:15 – INTERVALO / Sessões de autógrafos

20:00 – JANTAR FF2017: Os Velhos do Califa

Local: Chimarrão do Campo Grande

1 de Outubro, Domingo

10:15 – Workshop “Escrita Steampunk”, com Leonor Ferrão, Diana Pinguicha, Tixa Guerreiro e Cláudia Silva

Local: Auditório

10:30 – Jogo Literário, com Especulatório

Local: Pátio central e Biblioteca, 2º piso

11:45 – Jogos Lúdicos, com Liga Steampunk de Lisboa (até às 19:00)

Local: Biblioteca, piso térreo

11:45 – Workshop “Steam it Up: Workshop de Dança de fusão Steampunk”, com Sofia Franco

Local: Espaço Infantojuvenil

11:45 – Sessão “Literatura Steampunk vs Literatura Vitoriana”, com Leonor Ferrão, Diana Pinguicha e Cláudia Silva

Local: Auditório

12:00 – Duelos de Nerfs, com Liga Steampunk de Lisboa

Local: Pátio central

14:00 – Jogos de Personagem para miúdos, com Especulatório

Local: Biblioteca

14:15 – Concurso de Cosplay, organizado por Liga Steampunk de Lisboa

Local: Auditório

14:30 – Sessão “Novas Apostas Editoriais”, com Vítor Rodrigues (Sulfúria), Sara Lutas (Minotauro) e Pedro Cipriano (Divergência)

Local: Biblioteca

15:00 – Masterclass de Ilustração “Hanuram, O Dourado”, com Ricardo Venâncio

Local: Biblioteca

15:00 – Jogos de Personagem (RPGs) para graúdos, com Especulatório

Local: Biblioteca

15:00 – Workshop “Vamos imprimir um robô?”, com Artur Coelho

Local: Espaço Infantojuvenil

15:30 – Sessão “Novas Metamorfoses Musicais”, com João Morales

Local: Biblioteca, 2º piso

16:15 – INTERVALO

16:30 – Sessão “As Escolhas do Ano”, com João Barreiros, Cristina Alves e Artur Coelho

Local: Auditório

16:30 – Workshop Cosplay “Como fazer Armaduras e Props”, com Angélica Elfic

Local: Espaço Infantojuvenil

17:15 – Sessão “Dos Corpos à Inteligência Artificial”, com Leonel Moura, Luís Carlos, Pedro Lomba e Manuel Lopes Rocha

Local: Auditório

18:00 – INTERVALO

18:15 – Sessão “Cinema Fantástico”, com João Alves, Paulo Leite, José Pedro Lopes e Cláudio Jordão

Local: Auditório

19:00 – Sessão “Orelhas de Spock, ao vivo!”, com Filipe Homem Fonseca e Nuno Duarte

Local: Auditório

19:30 – ENCERRAMENTO

Todos os dias: Durante o evento estará disponível a exposição “Hanuram, O Dourado”, com o apoio da ComicHearts, no espaço de exposições do piso térreo da biblioteca. Estará também disponível um bar, gerido pela Cacaoati, uma Feira do Livro Fantástico, gerida pela livraria Leitúria, assim como uma banca de banda desenhada da Dr. Kartoon, bancas da Credo quia Absurdum, das editoras Divergência, Saída de Emergência, e autores independentes.

Estará também disponível, no sábado e domingo, uma Feira de crafts de temática steampunk.

Organização: Épica

Curadores: Rogério Ribeiro e João Morales

Cartaz: Luís Melo

Vídeo: Luís Melo e Francisco Furtado

Organização EuroSteamCon: Liga Steampunk de Lisboa.

Aviso: O programa agora divulgado está sujeito a correções e adições até ao evento, portanto aconselha-se a consulta frequente do blogue https://forumfantastico.wordpress.com/.

Fonte: https://forumfantastico.wordpress.com/programa-ff-2017/

Estive a Ler: Moving

Moving é um conto do autor nacional Bruno Martins Soares, disponível na Amazon. O autor, mais conhecido pela Saga de Alex 9, que escreveu em português para a Edições Saída de Emergência, passou parte da sua vida no Funchal e a outra metade em Lisboa. Escreve ficção desde os 12 anos e em 1994 ganhou uma menção honrosa no Concurso Nacional de Jovens Criadores, tendo vencido a edição de 1996 do mesmo concurso.

O prémio levou-o a Turim, onde representou Portugal na Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo de 1997, e onde o seu conto «Mindsweeper», publicado originalmente em Contos Inéditos – Selecção dos Concursos Jovens Criadores ‘96 pelo Clube Português de Artes e Ideias em 1996, foi traduzido e publicado em italiano na colectânea Quattordici Giovani Narratori Dei Mediterraneo, pela editora Lindau.

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Fonte: http://www.kotostudios.com/php/gallery/bruno-martins-soares/

Bruno participou ainda nas Bienais de Roma em 1999 e na de Sarajevo em 2001. Entretanto, e em colaboração com a Associação GEIC (Grupo Experimental de Intervenção Cultural), criou uma colecção de livros de jovens autores inéditos denominada O Homem do Saco, que deu a conhecer nomes como os de Rui Pires Cabral e Possidónio Cachapa, e onde publicou a sua primeira colectânea de contos, O Massacre, em 1996.

Profissionalmente, é licenciado em Gestão de Empresas pela European University e foi Practice Leader de Change & Internal Communications na Hill & Knowlton Portugal. A sua carreira também o levou à imprensa: colaborou regularmente com jornais e revistas tanto nacionais como estrangeiros, entre os quais o Diário de Notícias, a Ideias & Negócios, o Washington Post e a Jane’s Defence Weekly (de quem foi correspondente em Portugal durante três anos). Atualmente, trabalha como freelancer.

Fonte: Edições Saída de Emergência / Goodreads

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Fonte: https://www.amazon.com/Bruno-Martins-Soares/e/B0754WSPL2

É já dia 1 de outubro que Bruno Martins Soares lançará o seu próximo livro, Fighting the Silent, na Amazon, o primeiro volume da saga The Dark Sea War Chronicles, escrita em inglês. Como tal, e uma vez que o conto do premiado autor, entitulado Moving, se encontrava gratuitamente disponível na plataforma Amazon, não hesitei em descarregá-lo. Em Moving, Bruno Martins Soares mostra o porquê de ser um dos mais respeitados autores nacionais de Ficção Especulativa.

Não foi, no entanto, o meu primeiro contacto com a escrita do Bruno. Aqui há uns anos, quando a Saga de Alex 9 foi lançada, lembro-me de ter lido alguns capítulos disponibilizados pela editora, e apesar de não me ter desagradado, não me prendeu o suficiente para prosseguir. Determinado em ler e maravilhar-me com a nova saga de Bruno Martins Soares, comecei por aventurar-me em Moving, um conto bastante engraçado e peculiar.

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Fonte: http://amazon.com/

Não irei soltar muitos spoilers nem revelar nada que possa estragar o prazer da leitura, mas não dá para escrever muito sobre contos sem desvendar uma ponta ou outra dos mesmos. Posso apenas dizer que o conto é protagonizado por um sujeito chamado Paulo, muito apegado a rotinas e à estabilidade e, por isso, com uma certa aversão a mudanças. No entanto, mais tarde ou mais cedo, elas acontecem nas nossas vidas, e também ele tem de aceitar essa situação.

“Em Moving, Bruno Martins Soares mostra o porquê de ser um dos mais respeitados autores nacionais de Ficção Especulativa.”

O pior é mesmo encaixotar os livros e levá-los para a casa nova. O que acontece quando os livros se “recusam” a mudar-se? Moving é uma história engraçada que fala sobre mudanças e sobre o que elas podem trazer de positivo (ou não) às nossas vidas. A vida de Paulo irá certamente mudar, principalmente quando conhece uma rapariga que se mostra também ela fã de leitura e admiradora confessa de Orgulho e Preconceito.

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Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/simple-ways-read-5x-more-books-amit-somani/

Apesar de não ser propriamente fluente em inglês, não tive grandes dificuldades em ler o conto e gostei bastante da linguagem utilizada, tanto do estilo de prosa do Bruno como da forma intimista com que ele tratou os personagens e como tratou o leitor. Desde o primeiro parágrafo que nos faz sentir “em casa”, expondo-nos às obstinações e perceções do personagem como se lhe vestíssemos a pele.

“Moving é uma história engraçada que fala sobre mudanças e sobre o que elas podem trazer de positivo (ou não) às nossas vidas.”

O autor também deixa transparecer alguma diversão na forma como conta a história. Moving é um conto de leitura rápida, que nos apresenta uma narrativa de negação e contrariedade de uma forma leve e com um certo sentido de humor. Uma lufada de ar fresco que aconselho veementemente a quem quiser começar a ler algo deste excelente autor nacional.

Avaliação: 7/10

Estive a Ler: A Torre Negra, A Torre Negra #7

Bebé lindo, quero que tragas,

Bebé adorado, as tuas bagas

Chussit, chissit, chassit!

Vem encher esta cestinha!

O texto seguinte aborda o livro “A Torre Negra”, sétimo volume da série A Torre Negra

A Torre Negra é o último volume da série homónima, a conclusão épica para a visionária história concebida por Stephen King ao longo de trinta anos de paragens e arranques. O autor dispensa apresentações. Famoso autor de thrillers de terror e suspense, como It, Under The Dome, Carrie ou Shinning, King transporta para as páginas os medos mais básicos do ser humano, contando histórias mais ou menos credíveis com uma mestria ímpar.

A Bertrand Editora chega, em 2017, à publicação do último volume da saga, um livro com 888 páginas que narra a chegada do pistoleiro Roland de Gilead à tão almejada Torre Negra. A edição conta com tradução de Rosa Amorim e com ela é assente um pesado tijolo como conclusão para a história épica de Stephen King, um autor que se torna ele próprio personagem no mundo criado, um personagem-chave, que se insere tão bem nesse mundo como os personagens de outras obras, como é o padre Callahan.

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Fonte: http://www.rollingstone.com/culture/features/stephen-king-the-rolling-stone-interview-20141031

Vim acompanhando, durante os últimos anos, a travessia do deserto de Stephen King que foi esta A Torre Negra. Na nota de autor, ele deixa claro que esteve longe de ser um trabalho bem sucedido no seu todo, mas não existem livros ou séries perfeitas e eu estou perto de sublinhar essa afirmação. Foi uma saga escrita ao sabor do vento, com nomes e criaturas e simbologias criadas do pé para a mão, por auto-recriação do autor. Foi uma série permanentemente em aberto, onde a imaginação de King imperou quando lhe faltava uma linha a seguir, o que se notou permanentemente.

Se houve um esqueleto previamente determinado para a saga A Torre Negra, ele transformou-se em pó ainda no primeiro terço do caminho. A partir do quarto livro, ficou claro que King andava ao sabor do vento, criando novas temáticas e símbolos para desenvolver a narrativa. E a verdade é que funcionou muito, mas muito bem, a partir do momento em que percebemos que os tão falados números 19 e 99, que apareciam permanentemente, cada um num dos mundos, estavam diretamente relacionados à data em que o autor foi atropelado durante uma caminhada a pé.

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Fonte: Bertrand Editora

Claro está, o volume final de A Torre Negra está repleto de duelos interessantes e grandes confrontos, mortes, confissões, perdas e esperanças. Não irei estragar a surpresa aos possíveis leitores, mas o texto seguinte contem alguns spoilers dos volumes anteriores. Não muitos. Estás por tua conta e risco.

“Na nota de autor, ele deixa claro que esteve longe de ser um trabalho bem sucedido no seu todo, mas não existem livros ou séries perfeitas e eu estou perto de sublinhar essa afirmação.”

A partir do momento em que Stephen King, ainda no volume A Canção de Susannah, se torna ele mesmo um personagem da saga, muitos dos disparates inventados por King começam – forçadamente ou não – a fazer sentido e a apontar para o final apoteótico desta grande saga literária. Apoteótico pode não ser a palavra adequada e o final não me parece ter enchido grandemente as medidas a ninguém, nem sequer ao autor, mas foi o final mais coerente e sentenciador que se podia esperar.

Este volume final começa com Jake, Oi e o padre Callahan a entrarem no Dixie Pig de armas em punho. O bar estava empestado de canibais, fossem eles vampiros, taheen ou outras coisas hediondas. O grupo estava separado, devido às diferentes missões que foram atribuídas aos diferentes membros do ka-tet, mas no mundo real, estes três personagens estavam destinados a tentar salvar Susannah, que havia sido levada por ali por Richard Sayre, um terrível vampiro.

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Fonte: http://darktower.wikia.com/wiki/Dark_Tower

Susannah e Mia podiam ser vistas como uma e a mesma pessoa, muito embora não o fossem. Mia era uma criatura faminta e carente que necessitava absurdamente de ser mãe. Susannah fora a hospedeira, engravidando no momento em que haviam aberto o portal para Jake entre os mundos e ela fora obrigada a fornicar com um demónio para o distrair. Assim sendo, a criança teria duas mães (Susannah e Mia) e dois pais (Roland e o Rei Rubro). Sayre levou-a para o trabalho de parto através do Dixie Pig, numa sala confinada onde finalmente nasceu Mordred. O menino parecia um bebé normal, mas rapidamente se transformou numa aranha com cabeça de bebé. E com os olhos de Roland.

Roland Deschain de Gilead e Eddie Dean de Nova Iorque, por sua vez, viajaram para outro quando do nosso mundo, na tentativa de encontrar Stephen King e obrigá-lo a escrever a história da Torre Negra, de modo a salvar o Feixe. Tarefa concluída, são obrigados a tratar de certos pormenores para impedir certos paradoxos e decidem-se a reencontrar os seus companheiros, usando a palavra mágica Chassit.

O restante da história é um arrastar de acontecimentos viciante, dos confrontos armados no Dixie Pig, ao assalto a Algul Siento, à corrida contra o tempo para salvar King, às participações mais do que especiais de Sheemie, Ted Brautigan, Moses Carver, Joe Cullum e Patrick Danville. Só posso revelar que, no fim, Roland de Gilead encontra a Torre Negra e é mesmo uma torre e é mesmo negra, tal como o nosso imaginário coletivo a reproduz, embora possa não ser exatamente aquilo que Roland esperava. A caça de Mordred ao seu pai e o encontro com o Rei Rubro (com as suas sneetches do Harry Potter) são alguns dos momentos mais tensos da obra, sem deixar de lado uma certa dose de diversão.

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Fonte: https://www.inverse.com/article/32091-stephen-king-books-the-dark-tower-cujo

Em vários momentos da reta final, o livro fez-me lembrar o Senhor dos Anéis. O tom de desolação, a atração da Torre, o mal que nela vive, a sensação de que alguém espia os personagens, remete bastante para a perseguição de Gollum aos hobbits e àquela última caminhada de Frodo e Sam em direção a Mordor. Mas a descrição de Stephen King inebria-nos com o cheiro das rosas, com os sons na cabeça de Roland, com a dor e com os sentimentos que florescem no personagem. King é dono de um poder de descrição que nos transporta de pronto para os lugares imaginados.

Mas é quando mata personagens que ele se supera. As cenas de mortes são as melhores dos livros e compensam largamente os momentos de literal palha que permeiam a série. Porque sim, são muitos. Este volume final tem quase 900 páginas e podia perfeitamente ser cortado pela metade e contar a mesma história. King enche chouriços com diálogos imensos e alguns até absurdos, capítulos do ponto de vista de personagens novos e sem importância só para os ver a morrer a seguir, por exemplo.

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Fonte: https://www.theverge.com/2017/8/3/16088532/dark-tower-movie-review-adaptation-stephen-king-idris-elba

Vi-me, durante várias passagens do livro, a pensar por que raio escolheram Idris Elba para protagonista do filme quando o autor sublinha várias vezes que Roland é parecido com Clint Eastwood. E dei por mim a sorrir quando, num dos trechos finais do livro, há uma voz qualquer que diz ao personagem que ele vai obscurecer e mudar de cor. Faça sentido ou não, continuo a não gostar da escolha para o papel, mas como diz o povo, isso são outros quinhentos.

“Mas é quando mata personagens que ele se supera.”

É uma série que recomendo. Não entra no topo das minhas favoritas, mas é uma saga com cabeça, tronco e membros, com muitos momentos divertidos, com uma simbologia única e incrível que remete grandemente para a própria vida do autor e para outras das suas obras, e que nos faz criar uma conexão muito grande com o grupo protagonista. É impossível não passar ao lado do final que King reservou para cada um deles. Obrigado-sai. Longos dias e noites agradáveis.

Avaliação: 8/10

A Torre Negra (Bertrand Editora):

#1 O Pistoleiro

#2 A Escolha dos Três

#3 As Terras Devastadas

#4 O Feiticeiro e a Bola de Cristal

#4,5 A Lenda do Vento

#5 Lobos de Calla

#6 A Canção de Susannah

#7 A Torre Negra

A Divulgar: Comic Con 2017

Faltam cerca de três meses para mais uma edição nacional do evento pop mais conceituado no nosso país: o Comic Con. Da edição deste ano, que segundo a imprensa será a última passada em Matosinhos (2018 trará o certame para Lisboa), ainda não são muitas as informações, mas os nomes de presenças confirmadas são notáveis. Dominic Purcell, o Lincoln Burrows da série televisiva Prison Break, parece-me ser o nome mais sonante até ao momento. Do mundo do cinema, Edward James Olmos, mais conhecido pelas suas participações em Battlestar Gallactica e Predador, é outra das presenças confirmadas, assim como Katherine McNamara, famosa pelos papéis em Maze Runner e Shadowhunters.

Do mundo da literatura, o destaque vai para Andrzej Sapkowski e Claire North, autores de ficção fantástica e científica que já foram publicados por mais do que uma vez pela Edições Saída de Emergência no último ano. O autor polaco é o responsável pela saga The Witcher que deu origem ao famoso videojogo, enquanto North é uma autora britânica que chegou até nós através dos livros As Primeiras Quinze Vidas de Harry August e A Súbita Aparição de Hope Arden, este último a minha melhor leitura do ano até ao momento. Ótimas razões para visitar o Comic Con.

A BD não é descurada e o ilustrador brasileiro Rafael Albuquerque, responsável pela arte de American Vampire e colaborações várias no mundo da DC como Robin, Batgirl e Superman/Batman, é outra das presenças asseguradas. E se já ouviram falar na série televisiva Jeremiah, saibam que se trata da adaptação da BD homónima de Hermann, um autor e ilustrador belga que marcará também presença na edição do Comic Con deste ano. Também presentes estarão dois ilustradores portugueses: Nuno Plati, que desenvolveu a mini-série Marvel Universe: Ultimate Spider-man e Nuno Saraiva, professor português, com obras de referência como ilustrador e autor de trabalhos gráficos como Filosofia de Ponta e Tudo Isto É Fado. De 14 a 17 de dezembro, na EXPONOR, estes serão apenas alguns dos atrativos para não faltar à Comic Con Portugal de 2017.

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Fonte: http://www.seriesdatv.pt/comic-con-portugal-2017-dias-14-15-16-e-17-de-dezembro/
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Fonte: https://filmspot.pt/artigo/dominic-purcell-na-comic-con-portugal-2017-10120/

A Divulgar: Ken Follett e Dan Brown em Portugal

O Grupo Bertrand parece, definitivamente, apostar todas as fichas nesta rentrée literária, e não é para menos. Após a revelação das novas apostas da editora, como Nada de Janne Teller, uma obra que chegou a ser proibida na Dinamarca, ou Creta 1941 de Anthony Beevor, a Bertrand Editora anunciou a presença em Portugal de Dan Brown para apresentar a sua mais recente e tão aguardada obra, Origem. Também a Editorial Presença convidou Ken Follett a estar no nosso país no âmbito do lançamento da sua mais recente publicação.

Ken Follett estará em Portugal já no próximo dia 24 de setembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, para apresentar o seu novo romance, Uma Coluna de Fogo, passado no mesmo cenário – o priorado de Kingsbrigde – que os seus grandes sucessos Os Pilares da Terra e Um Mundo Sem Fim (podes ler as minhas opiniões aos livros aqui, aqui, aqui e aqui). O novo livro já se encontra nas bancas, lançado no passado dia 12 de setembro. Para estar com o autor britânico pessoalmente, é só ir ao CCB no dia 24. O evento é de entrada gratuita.

Quatro anos depois de Inferno (lê a minha opinião aqui), o autor norte-americano Dan Brown regressa às estantes nacionais com um novo thriller repleto de enigmas e simbologias protagonizado pelo já habitual Robert Landgon. Desta vez, Langdon irá procurar respostas para as origens do Homem. Origem será lançado em Portugal a 4 de outubro, e o autor estará também no Centro Cultural de Belém para apresentar o livro no dia 15, um domingo. Será um evento aberto ao público e com entrada gratuita que promete uma forte aderência, graças ao imenso sucesso de Dan Brown no nosso país. Dois dos mais populares autores mundiais, dois eventos literários que ninguém vai querer perder.

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Fonte: Editorial Presença

 

Especial: Introdução ao Império Malazano de Erikson

Montanhas voadoras, dragões, zombies, deuses a jogar o jogo dos tronos e cães horríveis cheios de raiva a verter das mandíbulas. É muito disto o que nos oferece Steven Erikson no seu livro inaugural, Jardins da Lua, publicado em Portugal pela Saída de Emergência no outono de 2016. É para dissecar os eventos do primeiro livro e para conhecer mais ao pormenor este mundo completamente louco que escrevo uma breve introdução ao Império Malazano. Em boa verdade, não nos é permitido conhecer muito mais antes de sair o segundo livro, mas esta saga começa com imensas informações que são importantes reter antes de continuar a leitura da mesma, ainda que no segundo volume, Deadhouse Gates, apenas quatro personagens transitem do livro inaugural.

O acontecimento conhecido como Cerco de Pale pode ser considerado como o momento chave do livro de Steven Erikson Jardins da Lua, não só porque é o ponto de partida dramático para a série, como é o primeiro momento onde nós – os leitores – nos conseguimos de facto situar na história e perceber o que está ali a acontecer. O cerco é descrito de forma pouco precisa mas esclarecedora que baste para o rumo da história, e os eventos narrados são de um cuidado maravilhoso e com um tom de decadência e queda que deixa claros os dotes literários do autor canadiano.

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Fonte: https://bibliosanctum.com/2016/02/15/short-sweet-review-gardens-of-the-moon-by-steven-erikson/

Mas quem é este tal de Erikson?

Nascido em 1959 em Toronto (Canadá), Steven Erikson é o pseudónimo de Steve Rune Lundin, um escritor formado em arquelogia e antropologia. Depois de casar-se, viveu no Reino Unido com a família, mas regressou ao Canadá, onde se fixou em Winnipeg. Erikson iniciou-se no mundo das letras com um ciclo de contos intitulados A Ruin of Feathers sobre um arqueólogo da América Central, a que se seguiram vários livros. Com o pseudónimo Steven Erikson, porém, viria a ganhar notoriedade quando se dedicou à fantasia, mais concretamente com a saga de grande envergadura Malazan Book of The Fallen, conhecida em Portugal como Saga do Império Malazano.

Que série é esta?

O universo Malazan foi criado por Steven Erikson e Ian C. Esslemont no início dos anos 80, para uma campanha de RPG, inspirado no jogo de mesa Dungeons & Dragons e na obra de Glen Cook, The Black Company, autor que viria a considerar Malazan uma obra-prima da imaginação e uma possível marca de água futura para o género fantástico. Erikson escreveu os dez volumes da série The Malazan Book of The Fallen, do qual Jardins da Lua é o primeiro de dez, mas para além desta sequência, existe uma série de contos e prequelas escritas pelos dois criadores, Erikson e Esslemont. Amigo pessoal de Erikson, o co-criador do universo é também ele um arqueólogo de origem canadiana que viria a publicar a sua própria série de seis volumes, Novels of the Malazan Empire.

“Ao ler Jardins da lua, as pessoas vão odiar ou amar o meu trabalho. Não há meio-termo. […] Os livros dessa série não são para leitores preguiçosos. Não é possível apenas passar por eles. Para piorar, o primeiro romance começa no meio do que parece ser uma maratona: ou você entra a correr e consegue manter-se em pé ou então fica para trás.” Steven Erikson

Erikson não perde muito tempo a narrar-nos batalhas nem momentos concretos das mesmas. Não nos conta como o personagem x chegou ali e porquê, não nos conta o que o personagem y andou a fazer antes ou qual o seu propósito específico. Ele apresenta-nos a imagem do que está a acontecer em primeiro plano, e geralmente, a sua narrativa ocorre após determinadas calamidades. O pós-guerra, o pós-morte, a depressão daí resultante, é o momento mais querido e explorado pelo autor ao longo do livro, assim como o pré-traição, o pré-colapso, na fase final.

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Steven Erikson | Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=5FljiPBUc18

Se os acontecimentos após o Cerco de Pale são os mais depressivos e tensos, é quando a luta pela resistência dos povos livres se estreita e Darujhistan se torna o centro de todas as atenções, que conhecemos alguns dos personagens mais incríveis e os momentos mais ativos e intensos da história. Uma história de literatura fantástica que todo o fã do género deve ler – e mais do que uma vez – na vida. Os parágrafos seguintes contêm SPOILERS de Jardins da Luapor isso estás por tua própria conta e risco.

As partes envolvidas

O Cerco a Pale é o momento de guerra aberta mais evidente ao longo do primeiro volume, mas o clima de tensão e disputa está presente em todo o livro. De um lado, está o Império, representado pela Imperatriz Laseen, do outro as Cidades Livres de Genabackis, que são obrigadas a recorrer às forças de exércitos de mercenários como a Guarda Escarlate e os Tiste Andii. A Cria da Lua, uma montanha voadora cheia de corvos, vigia as Cidades Livres e tanto pode disparar raios como enviar corvos e dragões para defender as terras visadas.

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Fonte: https://www.tor.com/2016/09/19/a-beginners-guide-to-malazan-characters-gardens-of-the-moon/
O IMPÉRIO

Os Manda-Chuvas do Império

Eles podem ser considerados os chefões lá do sítio. Laseen fora comandante da Garra, a principal força armada do Império, mas traiu o Imperador Kellanved e tornou-se Imperatriz. Lorn é a sua conselheira, uma mulher enigmática com várias fragilidades, que ainda assim não deixa de ser uma guerreira exímia, sem medo de sujar as mãos ou de percorrer o mundo em jornada para alcançar os seus intentos (como ressuscitar múmias, por exemplo). Usa uma espada de otaratal. Tayschreen é o Alto Mago, o homem forte da magia para a Imperatriz. Mas é uma pessoa tão mesquinha que nem os seus sequazes parecem muito dispostos a confiar nele. Dujek Umbraço é, por sua vez, o Alto Punho. Rosto do exército, é um homem a percorrer o outono da vida, que não obstante a sua lealdade ao Império, não deixa de ver a atual Imperatriz como uma traidora.

Os Queimadores de Pontes

O Nono Pelotão dos Queimadores de Pontes é um dos instrumentos da Imperatriz. Whiskeyjack é o sargento. Fora um dos homens mais poderosos do Império, mas com a queda de Kellanved perdeu estatuto e poder, embora todos se recordem de quem ele foi um dia. Ben Ligeiro é um mago poderoso, escuro e delgado, pode viajar entre Labirintos. Kalam é um ex-assassino da Garra, também de pele escura. O pelotão inclui ainda Piedade, uma assassina de aspeto inofensivo, Azarve e Violinista, escavadores, Trote, um guerreiro barghastiano e Marreta, um curandeiro.

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Fonte: https://www.tor.com/2016/09/19/a-beginners-guide-to-malazan-characters-gardens-of-the-moon/

Os Magos

Hairlock é um mago muito especial. Especialmente porque é cortado ao meio da primeira vez que aparece em cena, durante a batalha às portas de Pale. Ainda assim, continua na história, com a mente transportada para um boneco. Tattersail, por sua vez, é a feiticeira mais poderosa apresentada no livro. Meio gordinha e com alguns problemas pessoais, mas isso nada que tem a ver para o caso. Se ela quisesse, poderia ser a Alta Maga do Império sem problemas. A cena em que enfrenta um cão é das mais bem escritas do livro e graças a uma carta que lhe sai no baralho dos dragões, uma moeda vai andar boa parte da narrativa a girar.

Mesmo agora, ao aproximar-se da tenda de comando, o som fraco continuava dentro da sua cabeça, como ficaria durante algum tempo, acreditava ela. A moeda girava e girava. Oponn rodopiava duas caras para o cosmos, mas era a aposta da Senhora. Continua a girar, prata. Continua a girar.

Ganoes Paran

Pode-se considerar o Macho Alfa lá do sítio. Paran aparece, ainda em criança, no Prólogo, é visto como o homem certo para desempenhar as tarefas mais arriscadas, é capitão do exército, enviado pela Conselheira Lorn para aniquilar uma miúda possuída por um Ascendente (ao melhor estilo Exorcista), são dele os momentos Nicholas Sparks do livro, fica “amigo” do grupo mais badass do exército, é morto, enfrenta seres do além, ressuscita e ainda tem tempo de proteger os pobres e necessitados. Um aparte: é o herói da história mas está do lado dos maus. Caput?

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Fonte: http://subterraneanpress.com/gardens-of-the-moon
A RESISTÊNCIA

Anomander Rake

É o senhor de quem se fala, A Juba do Caos, Senhor da Cria da Lua e um daqueles papões de quem o Império deve temer. Sim, é dele a imagem da capa do livro e é mesmo tão badass como imaginam. Trata-se de um Tiste Andii de cabelo prateado, dois metros de altura, pele negra e uma imensa espada às costas, chamada Dragnipur. As Cidades Livres podem contar com a sua experiência e perícia em combate inigualável. Até se pode transformar em dragão, por curiosidade. As suas intenções, no entanto, são dúbias. Alegadamente, é aliado de Caladan Brood, um senhor da guerra lendário que lidera as companhias terrenas de Tiste Andii.

O Conselho de Darujhistan

A cidade é governada pelo Conselho, um grupo de nobres pouco ortodoxos, em que se incluem Lady Simtal, Turban Orr e Estrasyan D’Arle. Estes são ricos e todos cheios de não-me-toques, mas em vez de se preocuparem com a segurança da cidade e com a sua liberdade, parecem mais interessados em enrolarem-se uns com os outros, fazer festas e trocar favores. São todos eles meio frívolos, meio conspiradores, e estão diretamente relacionados com os personagens centrais da trama.

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Fonte: http://malazan.wikia.com/wiki/Gardens_of_the_Moon

A Sociedade dos Assassinos

A Sociedade dos Assassinos é liderada por Vorcan, uma mulher enigmática. Eles trocam favores e encetam acordos com o Conselho, mas medem forças com o escol conselhio pela liderança de Darujhistan. É muito comum encontrar assassinos desta sociedade a saltitarem pelos telhados da cidade, e também a matar gente por encomenda, aqui e ali.

A Cabala

O Conselho e a Sociedade de Assassinos pensam que controlam Darujhistan, mas a verdade é que existe uma cabala de magos, onde se encontra por exemplo Mammot, um historiador, e Baruk, um alquimista, que move as peças a seu bel-prazer. Baruk é frequentemente visitado por Anomander Rake e pela sua mensageira, um corvo peculiar chamado Bruxa.

O Centro de Tudo

O centro de tudo podia muito bem ser a Taberna da Fénix, até porque é onde os personagens principais da segunda metade do livro se encontram sempre. Kruppe é um homem de grande apetite e humor apurado, que interfere nas principais ações da trama… nos seus sonhos. Coll é um antigo nobre caído em desgraça. Rallick Nom, um assassino da Sociedade. Murillio, um jovem atraente que seduz mulheres de poder. E o jovem ladrão Crokus Jovemão, o sobrinho de Mammot, pode ser visto como o Frodo, o Jon Snow lá do sítio, porque a moeda que não para de girar cai-lhe nas mãos do nada e ele torna-se o special one, o escolhido, o maravilhoso Crokus. Um pormenor: vai-se apaixonar pela miúda do Exorcista.

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Fonte: http://malazan.wikia.com/wiki/Gardens_of_the_Moon/Dramatis_Personae
QUANDO OS MUNDOS CHOCAM

Tudo explode. Bem, nem tudo. A verdade é que os Queimadores de Pontes e Paran se encaixam na perfeição à narrativa de Darujhistan, revêm um pouco os seus valores, há personagens que morrem, outros transformam-se, outros cruzam-se e ficam amiguinhos, há combates nos telhados da cidade em que estamos a seguir a escrita do autor e não sabemos quem é quem, há combates através de Labirintos – o sistema de magia – e uma ressurreição a fazer lembrar muito o Imhotep e algumas passagens do filme A Múmia, mas tudo bem, e armadilhas e planos por baixo de planos e pessoas a mudar de lado e um baile a acontecer quando o mundo está para acabar. Mas o mundo de Malazan está longe do fim, ainda que nem todos os lugares ou personagens possam dizer o mesmo.

WORLDBUILDING

Só nos é dado a conhecer um bocadinho do Império Malazano, principalmente o território entre Pale e Darujhistan no continente de Genabackis. Sabemos que o Império foi fundado no ano de 1058 do Sono da Cresta na pequena ilha de Malaz. Posteriormente, Kellanved nomeou como capital do Império Unta, uma das Sete Cidades, sendo que Sete Cidades é o nome pelo qual é conhecido o maior continente de todos. Neste mundo, para além das raças supracitadas, há espécies que já foram extintas e só existem ainda como zombies, cheias de nomes estranhos, jaghut, t’lan imass e afins, há os exércitos de moranthianos que têm como transporte voador uma espécie de abelhas gigantes, os Qorl; há os barghastianos, os vários graus de Tiste, e outros que ainda haveremos de ouvir falar.

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Fonte: https://www.reddit.com/r/Malazan/comments/5226fh/gardens_of_the_moon/
OS ASCENDENTES

Esta espécie de seres divinos são muito importantes na trama, porque eles podem aparecer quando bem lhes apetece e interferir na história. Em nenhum momento senti o “deus na máquina”, porque eles são muito mais importantes do que isso. Eles têm objetivos específicos, tiveram vida e têm uma história e um passado, como podem mexer-se a favor do Império ou das Cidades Livres, dependendo dos seus interesses. Sim, porque se há coisa que Oponn, Cotillion, Trono Sombrio e afins são é interesseiros.

A MAGIA

A magia é um dos aspetos mais interessantes de Jardins da Lua. Os Labirintos são dimensões a que magos e Ascendentes podem recorrer e retirar deles o seu poder, assim como usá-los para percorrer grandes distâncias em pouquíssimo tempo, se possuírem tal habilidade. Os Labirintos são lugares em que se pode entrar e sair, todos eles com uma geografia e história própria. Existem Labirintos próprios de magos humanos, como o Thyr, usado por Tattersail, ou os Labirintos Ancestrais, como o Kurald Galain usado por Anomander Rake e o poderoso Omtose Phellack, o Labirinto Jaghut usado pela “múmia”, o Tirano Jaghut. E o Ligeirinho tem a capacidade de aceder a vários Labirintos em simultâneo, o que o transforma num personagem para lá de maravilhoso.

PS: A única coisa capaz de anular o poder de um Labirinto é o minério conhecido como otaratal, e já vos disse quem é que tem uma espada feita de otaratal, não já?

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Fonte: http://www.fantasybookreview.co.uk/blog/top-10-fantasy-series/
CONCLUSÃO

Entrar em Jardins da Lua pode não parecer fácil. Eu, por exemplo, adorei a escrita de Erikson, principalmente na primeira metade do livro, muito embora seja ótima em todo, mas a grande maioria do fandom odiou o prólogo, por isso quem ainda não leu não desanime às primeiras. Em muitos, mas muitos momentos mesmo, vi-me obrigado a andar páginas para trás para compreender o que estava ali a acontecer, se tinha sido eu que não tinha lido bem, se estava meio a dormir ou distraído, mas a narrativa é mesmo complexa e obriga a alguma atenção para não deixar passar pormenores ao lado. Apesar disso, a história é muito boa e não é exagero meu considerar esta uma das melhores estreias literárias no género nos últimos anos. Malazan não deve muito à consistência temporal, como já foi dito pelo próprio autor, mas é uma saga que entra facilmente no top de favoritas de qualquer apaixonado pelo género.

Estive a Ler: One-Punch Man #3

Onde está? Será que estive sempre a atacar a sua sombra!?

O texto seguinte aborda o terceiro volume da série One-Punch Man (Formato BD)

Apesar das suas vitórias impressionantes, Saitama continua a ser um herói desconhecido… até encontrar Genos e ambos decidirem realizar o teste para a Lista dos Heróis. É esta a sinopse da Devir para o terceiro volume do mangá One-Punch Man, que inclui os números 16 ao 22,5 da edição original. One é o pseudónimo do argumentista que iniciou a publicação da série na internet, em 2009. Três anos depois, One-Punch Man tinha mais de 10 milhões de visualizações, o que levou à publicação em volumes em 2014.

One é também autor de Mob Psycho 100 e Makai no Ossan, enquanto Yusuke Murata, o ilustrador, é mais conhecido pelo seu trabalho em Eyeshield 21. Ganhou o 122º Prémio Hop Step com Partner, em 1995; e ficou em 2º lugar com Samui Hanashi, em 1998. Iniciou a colaboração em One-Punch Man em 2012, re-desenhando a série para a Young Jump Web Comics.

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Fonte: https://pt.aliexpress.com/store/product/One-punch-man-Action-Figures-Saitama-Sensei-PVC-24CM-Anime-Collection-Model-Toys-ONE-PUNCH-MAN/225720_32656549517.html

Antes de tecer qualquer comentário sobre One-Punch Man, é necessário ter em conta que a premissa desta série é, acima de tudo, parodiar o mundo dos super-heróis. Se o primeiro volume não me tinha convencido, fiquei ligeiramente mais agradado com o segundo. O protagonista prosseguiu na senda de enfrentar monstros por obrigação, mas a narrativa ganhou muito com a adição de Genos ao enredo e o próprio Saitama obteve um melhor desenvolvimento.

One-Punch Man não é nenhuma maravilha dos mangás. O humor acaba por ser o melhor dos livros até agora e, em várias ocasiões, ele é bem forçado. Ainda assim, apresenta-nos dois personagens fortes, não só superficialmente como em conteúdo, e os diálogos entre ambos lançam debates que podem, à primeira vista, parecer frívolos, mas sem a menor dúvida importantes para quem quiser estudar o que é ser um super-herói.

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Fonte: devir
NÃO VOU CONSEGUIR ESCREVER ISTO SEM SPOILERS, POR ISSO, ESTÁS AVISADO!

Saitama e Genos iniciam este terceiro volume numa prova. Trata-se de um teste de heróis, para determinar o seu nível e entrar para a Lista dos Heróis. Saitama dá-se maravilhosamente bem na prova de força, mas tem uma nota péssima no teste de inteligência, o que o coloca na Classe C dos heróis. Por sua vez, Genos, que continua empenhado em aprender com Saitama para se tornar um super-herói tão bom como ele, tem excelentes resultados, o que o coloca na Classe S, a supra-sumo de todas. Após as provas, há a revelação de que os mestres lá do sítio não parecem muito dispostos a ser ultrapassados pelos novatos, o que gera um conflito que pode terminar em corrupção ou passar mesmo por um confronto físico.

“O protagonista prosseguiu na senda de enfrentar monstros por obrigação, mas a narrativa ganhou muito com a adição de Genos ao enredo e o próprio Saitama obteve um melhor desenvolvimento.”

No segmento seguinte, Genos insiste em ir viver para a casa de Saitama. Quem leu os anteriores volumes sabe como ele é zeloso da sua privacidade e do seu sossego, e recusa-se determinantemente a viver junto com o ciborgue. Mas quando ele lhe coloca um maço de notas à frente dos olhos, a primeira coisa que lhe pergunta é se trouxe a sua escova de dentes. A partir daí, a narrativa foca-se em monstros, mas também no conflito entre vários heróis que medem forças para provar os seus valores.

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Fonte: devir

As cidades parecem ter sido abandonadas pelos civis, mobilizados para outros lugares; em sentido oposto, na cidade onde Saitama vive, os heróis surgem e competem entre si, de tal forma que os mostros aborrecem-se por não ter a quem aterrorizar e os heróis sentem-se entediados com a facilidade com que os conseguem derrotar, vendo-os mais como um entretenimento e medição de estatuto do que qualquer outra coisa. São os atritos entre os heróis que vêm a povoar as páginas restantes deste livro, sempre com uma toada leve e bem-humorada. A referência a SonGoku arrancou-me um sorriso e o encontro com Sonic um dos mais bem narrados por One até agora.

“Mas quando ele lhe coloca um maço de notas à frente dos olhos, a primeira coisa que lhe pergunta é se trouxe a sua escova de dentes.”

Foram os vários heróis apresentados e os seus génios peculiares o que mais me agradou neste volume. De destacar também o último segmento antes do capítulo final, que gravita à volta do Monstro do Boato e o horror que os boatos sobre ele espalharam à sua volta. Por fim, o flashback de Saitama, com que todos os volumes são concluídos, mostra a destreza e o grau de badass que o personagem foi adquirindo durante o seu crescimento, que é sempre digno de nota.

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Fonte: devir

Gostei bastante da secção inicial, passada nas provas, e acho que a interação entre Saitama e Genos acaba por ser o melhor da série. É impossível não gostar da teimosia que tanto um como o outro revelam na defesa das suas ideias, da crença exacerbada de Genos e da descrença generalizada de Saitama. Genos espera ansiosamente por ser ensinado pelo herói careca, e o seu professor não sabe como explicar-lhe que não tem nada para lhe ensinar, que tudo o que sabe deve-o, puro e simplesmente, ao treino. Nada mais do que isso. Mas, ao fim e ao cabo, talvez tanto um como o outro tenham muito, tanto para ensinar como para aprender.

“São os atritos entre os heróis que vêm a povoar as páginas restantes deste livro, sempre com uma toada leve e bem-humorada.”

A arte, pelas mãos de Yusuke Murata, volta a ser digna de nota. O traço a carvão é brilhante em algumas pranchas, o pormenor nunca é descurado e acima de tudo nas cenas de maior carga de velocidade e ação acho o seu trabalho muito bem executado. O contraste entre as cenas de ação e as de humor continua bem definido, adequado a cada situação.

Em jeito de conclusão, resta-me dizer que gostei deste terceiro volume, mas One-Punch Man continua a parecer-me fraquinho para as minhas expectativas. Todo o alarido em torno deste mangá não parece grande razão de ser, quando o compararmos a One Piece, Attack on Titan ou mesmo Dragon Ball. Ainda assim, não deixam de ser um bom entretenimento e continuarei a leitura do mangá, enquanto for publicado por cá.

Avaliação: 6/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

#2 One-Punch Man Vol. 02

#3 One-Punch Man Vol. 03