A Divulgar: “Os Irmãos Karamázov”, “Um Estranho Numa Terra Estranha Vol. 2” e “O Tempo do Desprezo” pela Saída de Emergência

As novidades não param de sair pelas mãos da Saída de Emergência e o mês de julho começará da melhor maneira. A 6 de julho estará disponível em livrarias o clássico de Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov. A obra é considerada uma das obras primas do escritor russo, um apelo à reflexão sobre ideologias culturais e religiosas nos anos taciturnos do século XIX. Nesse mesmo dia ficará disponível o quarto volume da saga The Witcher do autor polaco Andrzej Sapkowski, intitulado O Tempo do Desprezo. Neste novo volume da série de fantasia, os bruxos Geralt e Yennefer terão de colocar as desavenças de parte para proteger a pequena Ciri, a leozinha de Cintra.

Alguns dias mais tarde, no dia 13, ficará disponível o segundo volume de Um Estranho Numa Terra Estranha, obra de relevo de Robert A. Heinlein que relata os estranhos eventos que se sucedem após a tragédia ocorrida numa exploração espacial. Mas Valentine, o único sobrevivente, cresce em Marte e o retorno à Terra não se revelará pacífico. Quem comprar este segundo volume através do site da editora, receberá de bónus o livro Aniquilação de Jeff VanderMeer. Tudo bons motivos para continuar a apostar na Saída de Emergência.

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/-o-202127/romance-historico/os-irmaos-karamaov/

SINOPSE:

A maior obra da História. Sigmund Freud

Os Irmãos Karamázov foi um dos últimos livros escritos por Dostoiévski e é uma das suas obras primas. Considerado por muitos um romance filosófico, nesta apaixonante história o autor explora as questões existenciais da fé religiosa e da dúvida, do livre-arbítrio e da moralidade.
Com a família Karamázov, através dos seus dramas, mistérios e triângulos amorosos, Dostoiévski retrata a Rússia do século XIX naquela que foi a idade de ouro e um ponto de viragem trágico na cultura russa.

Chancela: Saida de Emergência

Data 1ª Edição: 06/07/2018

ISBN: 9789897731129

Nº de Páginas: 768

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Preço Capa: 25,75 €

Preço Final: 23,17 €

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/o-tempo-do-desprezo/

SINOPSE:

Venha conhecer os livros que inspiraram o popular jogo The Witcher

Geralt, o bruxo, lutou contra monstros e demónios por toda a terra, mas até ele pode não estar preparado para o que está a acontecer com o seu mundo. Há intrigas, divergências e rebeliões por todo lado. Reis e exércitos estão a posicionar-se, ansiando por guerra e sangue. Os elfos ainda sofrem depois de décadas de repressão e o número de refugiados nas florestas aumenta a cada dia. Os Magos lutam entre si, alguns a soldo dos reis, outros na defesa dos elfos. E, neste caos, Geralt e Yennefer precisam de proteger Ciri, a criança da profecia que todos procuram. Pois quer viva quer morra, Ciri tem o poder de salvar o mundo… ou de o destruir.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 292

Saga/Série: Saga The Witcher Nº: 4

Data 1ª Edição: 06/07/2018

ISBN: 9789897731112

Nº de Páginas: 304

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Preço Capa: 16,76 €

Preço Final: 15,08 €

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/um-estranho-numa-terra-estranha-vol-ii-oferta-aniquilacao/

SINOPSE:

Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente.

Valentine Michael Smith encontra na Terra uma realidade muito diferente da que experienciou em Marte. As crenças e os rituais sagrados que aprendeu em Marte em nada se assemelham aos que encontra na Terra. A própria existência de Valentine torna-o alvo de uma intriga política.

Neste 2.º volume de Um Estranho numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein continua a apresentar-nos a história de Valentine e do seu processo de integração numa cultura marcada pela anarquia, partilha, amor livre e vida comunitária. Este clássico da ficção científica ainda hoje nos leva a questionar as nossas aspirações mais profundas e continua a despertar sentimentos fortes – por vezes contraditórios – nos leitores.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 293

Data 1ª Edição: 13/07/2018

ISBN: ESTRANHOANIQUILACAO

Nº de Páginas: 336

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Preço Capa: 17,70 €

Preço Final: 15,93 €

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Estive a Ler: O Olho do Mundo, A Roda do Tempo #1

A folha vive o tempo que lhe cabe, e não luta contra o vento que a leva embora.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “O OLHO DO MUNDO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE A RODA DO TEMPO

Robert Jordan foi o nome com que ficou mais conhecido James Oliver Rigney Jr. no mundo da literatura, mais concretamente no âmbito do fantástico, graças à sua famigerada série A Roda do Tempo. Nascido em Charleston, na Carolina do Sul, Jordan foi militar no Vietname entre 1968 e 1970, vindo mais tarde a destacar-se como engenheiro nuclear. Começou a escrever em 1977, embora nunca tenha vindo a terminar a sua obra maior, que publicara de 1990 até à data da sua morte.

Em 2005, Robert Jordan soube que lhe restava pouco tempo de vida e então dedicou-se profundamente ao último volume da série, que se tornaria um manuscrito enorme. Após a sua morte em 2007, a viúva do escritor contactou o então quase desconhecido Brandon Sanderson para adaptar aquele manuscrito e dar um final digno à saga do marido, que acabou por resultar nos últimos três livros de uma série de 14. A versão nacional do primeiro volume, pela Bertrand Editora, tem um total de 814 páginas.

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Fonte: https://geekandsundry.com/the-wheel-of-time-is-officially-coming-to-television/

Andei dois meses a pegar e a largar este livro e terminei com uma sensação de indiferença absurda. Atenção: O Olho do Mundo tem as suas qualidades, simplesmente não é um livro para mim. Talvez se o tivesse lido há dez anos atrás, estas aventuras e desventuras de um grupo de miúdos escolhidos contra um Senhor das Trevas me dissesse algo. Hoje em dia, este tema só me apaixona se for tratado de maneira subversiva, o que aqui claramente não foi.

“Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram, mas as mulheres continuam a conseguir manusear a magia e a esconder os antigos segredos.

Gostei do início e tentei abstrair-me aos traços óbvios que a narrativa “comprou” a J. R. R. Tolkien.  A escrita do autor é competente, mas sem grandes dotes e, na grande maioria das vezes, exageradamente descritiva. É raro acontecer comigo, mas adormeci a ler este livro. Isso significa que o achei enfadonho? Não necessariamente. O livro tem muitas cenas cheias de ação e ritmo, mas muitas vezes o autor perdeu capítulos inteiros só para descrever uma cidade.

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Fonte: https://www.bertrandeditora.pt/produtos/ficha/o-olho-do-mundo/194919

A premissa do livro é interessante. Uma divindade conhecida como o Criador criou o universo e a Roda do Tempo. A Roda não tem fim nem início, ela apenas existe e tece os dias na Terra. Ela roda graças ao Poder Único, obtido da Fonte Verdadeira, composta da energia de metades masculinas e femininas (saidin e saidar, respectivamente). Humanos que conseguem manipular essa força são chamados de canalizadores, e a principal organização mencionada nos livros capaz disso são as Aes Sedai, na atualidade apenas composta por mulheres.

O Criador aprisionou Shai’tan no momento da criação, mas uma experiência fracassada das Aes Sedai libertou acidentalmente a sua energia maligna no mundo. O Tenebroso (Shai’tan) é, portanto, o dark lord da série, prometendo poder e imortalidade para aqueles que aceitam juntar-se a ele. Um século após a sua fuga, iniciam-se guerras abertas entre as forças do Tenebroso e os seguidores da Luz, tendo estas como seu líder Lews Therin Telamon, o Dragão.

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Fonte: https://www.imagekind.com/x-Lan-and-Moiraine-from-the-Wheel-of-Time_art?IMID=cb1c46f1-90a6-4fd4-9e22-f987d6652f91

O Dragão liderou um grupo de homens e conseguiu selar novamente a prisão do Tenebroso, mas a repercussão foi nociva para eles, uma vez que os os saidin saíram de lá maculados pelo Shai’Than. Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram e causaram a ruptura do mundo, dando fim à Era das Lendas. As profecias diziam que um dia “O Sangue do Dragão Renascido sobre as pedras de Shayol Ghul libertará a humanidade da Sombra”.

“O livro tem muitas cenas cheias de ação e ritmo, mas muitas vezes o autor perdeu capítulos inteiros só para descrever uma cidade.”

Em O Olho do Mundo conhecemos Rand al’Thor, Matrim Cauthon e Perrin Aybara, que podem ser considerados os três grandes protagonistas da história. Uma vez que comungam da idade e da origem, Dois Rios, são os mais bem cotados para serem aquele de que falam as profecias, o Dragão Renascido. A Rand, Mat e Perrin juntam-se Egwene, o interesse amoroso de Rand, Nynaeve, a Sabedoria de Dois Rios, Tom Merrilin, um menestrel, e dois estranhos visitantes, Moiraine, uma Aes Sedai bastante sábia e misteriosa e Lan, um Guardião taciturno.

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Fonte: https://www.dynamite.com/htmlfiles/viewProduct.html?PRO=C72513018417702211

Após o ataque à aldeia de Dois Rios, perpetrado por Trollocs e Semi-Homens, que deixou Tam, o pai de Rand, gravemente ferido, é através de Moiraine que eles sabem que estão a ser perseguidos pelas forças do Tenebroso, oferecendo-lhes ajuda a chegarem a Tar Valon, onde as Aes Sedai os poderão proteger e explicar a sua importância para a Roda do Tempo. Os Aes Sedai masculinos enlouqueceram, mas as mulheres continuam a conseguir manusear a magia e a esconder os antigos segredos.

Um dos grande problemas de A Roda do Tempo é a semelhança gritante com O Senhor dos Anéis, de que o autor era fã. Apesar de introduzir elementos do hinduísmo e do budismo no conceito da Roda e das culturas islâmicas e mesmo cristãs, evidentes na dualidade Criador – Shai’tan (Shaytan é a palavra árabe para Diabo), não só as personagens como a estrutura narrativa assemelham-se largamente à obra de J. R. R. Tolkien. E há muito tempo que me cansei destas imitações.

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Fonte: ww.denofgeek.com/us/tv/wheel-of-time/263967/wheel-of-time-tv-series-moves-forward

Dois Rios é uma povoação passada a papel químico do Shire tolkieniano, os Myrddraal são semelhantes aos espectros do anel, os Trollocs são uma espécie de orcs (embora tenham focinhos de animais), para além de não faltar o clássico grupo de jovens heróis quase acidentais que se tornam a única esperança da Humanidade na clássica luta bem contra o mal, que o zoroastrismo transformou no drama literário dos últimos séculos.

Ao mesmo tempo, Jordan confere à história um cunho pessoal e consegue fugir aos estereótipos numa ou noutra ocasião, deixando o painel de protagonistas desenvolver-se em igual medida, sem deixar um único demarcar-se dos demais por si só. Gostei bastante de Lan e da história dos Falsos Dragões. A garantia de que a história melhora nos próximos volumes faz-me ponderar se continuarei A Roda do Tempo, mas, no global, O Olho do Mundo não foi seguramente nenhuma experiência enriquecedora.  

Avaliação: 4/10

A Roda do Tempo (Bertrand Editora):

#1 O Olho do Mundo

Estive a Ler: One-Punch Man #7

Para de palrar. Já acabou?

O texto seguinte aborda o sétimo volume da série One-Punch Man (Formato mangá)

O sétimo volume de One-Punch Man, a série de sucesso criada por One, foi publicado em Portugal no passado mês de maio. Neste tankobon, originalmente publicado em 2014 no Japão, estão reproduzidos os capítulos #35 a #37 da publicação original. Tal como é habitual nesta série, o livro inclui várias bandas desenhadas bónus, desta feita em número de três.

One é o pseudónimo do argumentista que iniciou a publicação de One-Punch Man na internet em 2009. Em junho de 2012, a série tinha mais de 10 milhões de visualizações, começando a ser publicada em volumes a partir de 2014. É também autor de Mob Psycho 100 e Makai no Ossan.

Yusuke Murata, o ilustrador, é mais conhecido pelo seu trabalho em Eyeshield 21. Ganhou o 122º Prémio Hop Step com Partner, em 1995 e ficou em 2º lugar com Samui Hanashi, em 1998. Iniciou a colaboração em One-Punch Man em 2012, redesenhando a série para a Young Jump Web Comics.

Fonte: Devir

Os heróis de Classe S tentam defender a Terra contra uma invasão de extraterrestres. Dentro da nave-mãe, o nosso herói Saitama luta com Boros, mas enfrenta um poder terrível. Será ele capaz de defender o mundo desta ameaça alienígena? Bang, Genos, Puri Puri, Tormenta e os restantes membros da Classe S fazem o que podem, mas será Saitama a decidir os destinos do mundo.

“Este álbum é um óbvio exemplo das razões que o levaram a tornar-se uma das obras mais emblemáticas do mangá moderno.”

A batalha, a revelação do poder de Boros e a colisão são os principais destaques deste álbum, publicados em 2014 no Japão. A premissa da série é muito boa. Apesar de derrotar seres extremamente fortes que até mesmo os maiores heróis da associação são incapazes de derrotar, Saitama é desrespeitado devido à sua aparência física, e alguns o apontam como um falso herói. Apenas um pequeno número de indivíduos reconhecem seu incrível talento. Por tudo isto, não admira que, em dezembro de 2015, o acesso ao site de One tivesse atingido mais de 100 000 visualizações diárias.

Fonte: Devir

One-Punch Man é uma série que comecei por desfavorecer, só me vindo realmente a conquistar a partir do terceiro volume para diante e, afirmo sem hesitações, tem melhorado de álbum para álbum, chegando a este sétimo como um caso sério de qualidade para um mangá. Com apenas três números com outros três de bónus, One e Murata conseguem transmitir toda uma série de emoções prancha atrás de prancha.

E isto num arco de história com pouquíssimos diálogos, com uma batalha que se revela rápida e fácil, ainda que inste à participação de todas as personagens envolvidas. A panóplia de personagens vem a revelar-se incrivelmente bem “implantada” nesta série, ainda que pouco desenvolvida. Todavia, a grande mais-valia do livro é mesmo a arte de Murata. Que cenas extraordinárias!

Fonte: Devir

Visualmente arrebatador, o volume 7 de One-Punch Man coloca a fasquia lá bem alto, fechando o arco de história e deixando o leitor na expectativa do que se seguirá. Pessoalmente, agradar-me-ia que desenvolvessem agora mais as personagens secundárias, mas não me queixo se a série continuar a mostrar cenas de combate como as deste álbum.

One tem muito mérito no sucesso deste One-Punch Man, mas acredito muito que foi a arte de Murata, que só começou a ilustrar a série já ela era um sucesso na Internet, que lhe deu o prestígio que hoje se lhe conhece. Este álbum é um óbvio exemplo das razões que o levaram a tornar-se uma das obras mais emblemáticas do mangá moderno. Fico à espera do próximo.

Avaliação: 8/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

#2 One-Punch Man Vol. 02

#3 One-Punch Man Vol. 03

#4 One-Punch Man Vol. 04

#5 One-Punch Man Vol. 05

#6 One-Punch Man Vol. 06

#7 One-Punch Man Vol. 07

Espada que Sangra: Apresentação em Vila Nova da Barquinha

Aconteceu no passado dia 10 de junho, pelas 18 horas, no auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, a apresentação da nova edição do Espada que Sangra pela Editorial Divergência. Após os agradecimentos iniciais, passei a palavra à vereadora do pelouro da cultura, Marina Honório, que se congratulou pela quantidade e qualidade de autores no município, a que se seguiu uma pequena introdução do editor Pedro Cipriano. O fundador da Editorial Divergência falou do trajeto e da missão da editora no nosso país e da importância do projeto num meio fustigado pelos interesses corporativos.

Depois de o Pedro apresentar a editora e a sua aposta clara nos autores nacionais como uma rampa de lançamento e mesmo de formação, foi a minha vez de apresentar o livro. De uma forma simples, contei como nasceu a minha ideia para o escrever, do meu desenvolvimento enquanto escritor e de toda a estrada que percorri até o Espada que Sangra chegar à obra de referência que temos hoje. Falei um pouco da repercussão que o Espada tem alcançado e da importância de ler e divulgar este projeto, que hoje é tanto meu quanto da Editorial Divergência

Fiquem com algumas fotos:

 

Estive a Ler: O Gigante Enterrado

Talvez tivesse havido um tempo em que tivessem vivido mais perto do fogo, na companhia dos filhos.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO O GIGANTE ENTERRADO

Vendedor do Prémio Nobel da Literatura de 2017, Kazuo Ishiguro é um autor japonês que vive em Inglaterra desde os cinco anos e que já escreveu uma variedade de romances, contos e argumentos para cinema, tendo vencido o Booker Prize em 1989 com a sua magnum opus Os Despojos do Dia, tendo sido nomeado para o mesmo prémio com outros dos seus romances.

Em 1995, Ishiguro foi feito Oficial da Ordem do Império Britânico, por serviços prestados à literatura, e em 1988 recebeu a condecoração honorífica francesa de Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres. A sua obra foi traduzida em mais de 28 países e o mais recente dos seus livros é precisamente O Gigante Enterrado, publicado em 2015. Em Portugal, foi publicado pela Gradiva, com um total de 412 páginas.

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Fonte: http://flavorwire.com/610422/kazuo-ishiguro-is-this-years-nobel-prize-winner-for-literature

A ação do livro acontece num passado longínquo, numa Bretanha macerada pelas guerras entre saxões e bretões.  Axl e Beatrice são um casal de idosos que vive numa gruta profunda, numa comunidade que não gosta muito de falar do passado, até porque ninguém se lembra muito bem dele. Certo dia, o casal decide que devem procurar o filho que não vêem há muito tempo, do qual não se recordam da voz nem do rosto, nem se recordam sequer de ele ter ido embora. 

“Os momentos de maior aflição e suspense foram resolvidos de forma simplista, e as descrições de combates rapidíssimas e bem infantis.”

Esse esquecimento é provocado por uma névoa que paira no ar. E as dúvidas são permanentes nas mentes de Axl e Beatrice. Eles não sabem o que foram ou o que são, se tiveram sequer filhos ou porque estão tão longe, eles perguntam-se se o amor que sentem acabará por definhar com o esquecimento ou se é a ausência de memórias que o torna tão forte. Estas questões provocam uma incerteza e uma dualidade permanente nos seus avanços.

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Fonte: http://catalogorbca.cm-arganil.pt/Pacwebv3/SearchResultDetail.aspx?MFN=161615&pageformat=np405

Mas eles decidem ir ao encontro do seu filho, e iniciam então uma demanda que os leva a cruzar-se com outras personagens, do guerreiro saxão Wistan ao jovem Edwin e a Sir Gawain, cavaleiro do Rei Artur. Porém, são muitas as criaturas com quem se deparam ao longo do seu trajeto, de fadas a ogres, de gigantes a dragões, todo o tipo de seres imagináveis travam a sua marcha confusa rumo à aldeia do seu filho. E à medida que avançam, constatam o quanto o seu amor é genuíno e forte, não obstante as dúvidas e as adversidades.

Na altura em que foi publicado, O Gigante Enterrado suscitou uma enorme polémica quando Kazuo Ishiguro, enveredando pela primeira vez na literatura fantástica, afirmou que o livro não pertencia ao género. Muitas vozes apoiaram essa ideia, realçando que era um livro introspetivo e alegórico, com uma mensagem profunda sobre a humanidade que há em nós. Possivelmente, tanto o Kazuo como essas vozes nunca foram leitores de boa literatura fantástica. Poucos são os livros bons, dentro do género, que não tragam esse tipo de profundidade.

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Fonte: http://robertfrankhunter.com/work/the-buried-giant/

O Gigante Enterrado é, claramente, um livro de fantasia. E dos mais tradicionais, até um pouco fraco se pensarmos que foi já escrito nesta década. Antes de mais, devo dizer que os primeiros capítulos e o último valem por todo o livro. Sufocante e até opressivo, este livro acaba por ser uma bela história de amor que nos obriga a reflectir sobre a importância das memórias, sobre o quão de bom ou de mau elas nos podem trazer. E há uma cumplicidade enternecedora entre os dois protagonistas.

“E à medida que avançam, constatam o quanto o seu amor é genuíno e forte, não obstante as dúvidas e as adversidades.”

Ishiguro aborda o significado e importância da memória individual e da memória coletiva, obrigando-nos a parar, a parar de nos preocupar com o destino das personagens e convidando-nos a olhar para o passado, a descortinar o que foi daqueles dois e quem foram eles, afinal.

O Gigante Enterrado é um livro de fantasia tépido. Magistral na mensagem, no desenvolvimento de relações, no convite à reflexão. Fraquíssimo na abordagem, no desenvolvimento da trama, no circuito narrativo. Axl e Beatrice revelaram-se duas personagens incríveis, mas as suas aventuras foram sempre muito aleatórias e os encontros que se sucederam não enriqueceram em nada a narrativa. Os momentos de maior aflição e suspense foram resolvidos de forma simplista, e as descrições de combates rapidíssimas e bem infantis.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=BAj_JE5BqKo

Talvez, desta forma, o autor quisesse agradar a miúdos e graúdos, mas sempre ouvi dizer que não se consegue agradar a gregos e troianos e a mim, sinceramente, não me agradou muito, como um todo. Senti-me extremamente aborrecido em algumas passagens, senti-me subestimado e até “gozado” em outras, e seguramente que não vejo neste livro uma clara noção do porquê de Ishiguro ter vencido o Nobel.

Mas cabe-me ser totalmente sincero, e se a grande maioria do livro me desagradou, aquela mensagem sobre as memórias fez-me reflectir e a relação entre Axl e Beatrice fez-me sorrir. E é o final do livro que me faz dar-lhe uma nota positiva. Adorei a conclusão. A verdade sobre o passado do casal, sobre o seu filho, as decisões a que eles chegaram. A dor e a cumplicidade dos dois velhos. E a forma como Ishiguro conclui a jornada. Sim, vale a pena ler aquela tortura de encontros pouco convincentes para chegar a este final maravilhoso. 

Avaliação: 6/10

A Divulgar: Brandon Sanderson Tem Novo Projeto Multimédia

Da parceria da FremantleMedia North America e da Random House Studio com o autor norte-americano Brandon Sanderson, nasce um novo projeto multimédia chamado Dark One. Trata-se de um drama sobre um jovem com visões de um mundo de fantasia que está destinado a destruir. O projeto estará disponível em várias plataformas, entre elas televisão, novela gráfica, uma série de livros e um podcast. Sanderson deseja desenvolver a série de TV, bem como escrever a BD e a série literária, vindo a explorar os eventos num podcast.

Fica com a sinopse oficial de Dark One“Dark One will be a dramatic fantasy adventure spolighting a young man who sees visions of strange and fantastical worlds, which he is told are just hallucinations. But this dark and deadly fantasy world that keeps coming to him is actually a real vision of another world – one where he has been prophesied to become a tyrant and destroy this land of interesting creatures, sporadic electrical currents and a darkening landscape. 

Fonte: tor.com

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Fonte: https://www.deseretnews.com/article/865666448/Utah-author-Brandon-Sanderson-spins-fantasy-tales-read-by-millions-around-the-world.html

Estive a Ler: Quem Teme a Morte

Mas eu ainda tinha de lidar com o meu medo. E a única maneira de fazê-lo era enfrentá-lo. Foi uma semana depois, num Dia de Descanso.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO QUEM TEME A MORTE

Quem Teme a Morte é um romance pós-apocalíptico da autora nigeriana e americana Nnedi Okorafor, conhecida pelo seu trabalho nos géneros da fantasia, ficção científica e realismo mágico para adultos e crianças. É professora na Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, e vive com a sua família em Illinois, EUA. As suas obras incluem Quem Teme a Morte, a trilogia Binti, The Book of Phoenix, a série Akata e Lagoon.

Foi vencedora dos Prémios Hugo, Nebula e World Fantasy Award e este seu romance Quem Teme a Morte tem prevista uma adaptação televisiva pela emissora HBO, com a mão de George R. R. Martin, conforme noticiamos aqui no NDZ. A edição portuguesa da Saída de Emergência é uma das mais recentes apostas da Coleção BANG! com um total de 384 páginas, marcando a primeira publicação em Portugal desta consagrada autora de Ficção Especulativa.

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Fonte: http://forreadingaddicts.co.uk/adaptations/fears-death-not-george-r-r-martin/19772/attachment/who-fears-death-novel

Leve, despretensioso e envolvente, Quem Teme a Morte é um livro pós-apocalíptico que nos remete às próprias raízes de África. Não fossem as aparições ocasionais de computadores e motas, podia até pensar-se tratar de um mundo passado, tal é a desolação e a mendicância daqueles redutos. Somos atirados de chofre a um mundo de feitiçarias, de enigmas e de morte, com propósitos malignos escondidos a cada recanto.

“A história de Onyesonwu é, mais do que uma luta para matar o seu pai, uma luta para mitigar as desigualdades na sociedade fraturada em que cresceu.

Mas apesar de todos esses elementos fantasiosos, não é só sobre fantasia que o livro fala. E atrevo-me a dizer que também não é sobre vingança, embora seja esse o principal móbil da protagonista ao longo do livro. Ele fala sobre relações humanas e sobre confiança, sobre preconceitos e sobre como eles moldam o ser humano. A protagonista, Onyesonwu, é obrigada a fazer escolhas e a encarar de frente a forma como o mundo a discrimina.

Sem título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/quem-teme-a-morte-oferta-os-pilares-do-mundo/

Num Sudão futurista que sobreviveu a um holocausto nuclear, as classes estão divididas entre Nurus e Okekes. Os primeiros são agressivos por natureza, conhecidos como estupradores e seguidores do Grande Livro, que os incita a exterminar a população Okeke. Após um violento confronto em que apenas uma mulher sobreviveu à destruição de uma aldeia, ela é violada por um Nuru. Najirba consegue escapar e sobreviver ao deserto, mas rapidamente descobre estar grávida.

À filha decide chamar Onyesonwu, que significa Quem Teme a Morte numa língua antiga. A rapariga é uma Ewu (nascida da dor), ou seja, mestiça entre Nuru e Okeke, com cabelo e pele da cor da areia, e desde logo todos pressupõem que é o fruto de um estupro. Rapidamente ela se molda à sociedade onde a sua mãe a conduz, aprende os seus ritos e estabelece amizades, mas nem sempre é capaz de agir de sorriso feito perante o preconceito.

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Fonte: https://www.tor.com/2017/11/07/hope-and-vengeance-in-post-apocalyptic-sudan-who-fears-death-by-nnedi-okorafor/

Jwahir é a terra onde elas se fixam e onde somos apresentados a Fadil Ogundimir, o ferreiro do local, e vemos como Onyesonwu contribuiu para que ele a mãe se viessem a casar. Conhecemos também Mwita, que partilha com Onyesonwu a cor da pele e alguns dons “especiais”, muito embora nunca tenha conseguido tornar-se feiticeiro. Vários personagens destacam-se nesta sociedade, como Binta, Diti e Luyu, as amigas de Onyesonwu, Fanasi, o noivo de Diti, Aro, um poderoso feiticeiro ou mesmo Ada, uma anciã.

“Somos atirados de chofre a um mundo de feitiçarias, de enigmas e de morte, com propósitos malignos escondidos a cada recanto.

Mas o mistério que mais me envolveu na primeira metade do livro, mais do que as metamorfoses físicas e espirituais da protagonista, foi aquele que apresentou a Casa de Osugbo, um edifício misterioso com vida própria e um significado bem alegórico. O rito de circuncisão das raparigas também foi um bom espelho das tradições seculares de alguns povos que influenciaram esta obra, bem como a aura suave e melodiosa que a autora deu ao livro.

Da metade para a frente conhecemos outros povos e tradições, como o Povo Vermelho, mas acima de tudo assistimos ao desvanecer de relações e à fragmentação que o convívio no deserto deixou nas personagens. A demanda de Onyesonwu pelo seu pai Daib revelou-se uma jornada de vingança pessoal, mas não obstante o cliché do Olho Que Tudo Vê que a perseguiu ao longo do livro, Nnedi Okorafor soube jogar com as emoções do leitor. Desde logo, ao sabermos desde cedo como seria a sua morte.

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Fonte: https://thenovelettesblog.wordpress.com/2014/03/09/nnedi-okorafors-who-fears-death-a-review/

A representatividade foi um dos focos da autora ao longo de Quem Teme a Morte, mostrando a maravilhosa protagonista no seu melhor e no seu pior, sempre como um ser humano com defeitos e virtudes e não como uma heroína tradicional. Depois, ao criticar o racismo e o preconceito em todas as suas facetas, jogando ainda com um livro canónico, O Grande Livro, que estimula esses mesmos preconceitos, uma crítica visível aos nossos lugares-comuns religiosos.

Apesar da aura decadente, Quem Teme a Morte fala muito de esperança. E fala de resiliência, de ultrapassar as dificuldades, de enfrentar os estereótipos e aqueles que se julgam superiores. Fala de opressão e da dor que ela pode inflingir sem que nós, à distância, a consigamos compreender. A história de Onyesonwu é, mais do que uma luta para matar o seu pai, uma luta para mitigar as desigualdades na sociedade fraturada em que cresceu.

É em pequenos pormenores que espelham o nosso mundo que compreendemos a sua fome de mudança. Com uma escrita ágil e escorreita, bastante simples, Nnedi Okorafor consegue envolver-nos e transportar-nos para um mundo de sensações e de pormenores ambíguos, onde o terror e a beleza andam de mãos dadas. Conhecemos personagens credíveis e poderosas, e somos convidados a sobreviver com elas.

Avaliação: 8/10

A Divulgar: “Afirma Pereira” e “Harrow County Vol. 4: Laços de Família” pela G Floy Studio

Viva! Chegou já a bancas e a livrarias a novidade da G Floy Studio Afirma Pereira, a adaptação para BD do romance homónimo de Antonio Tabucchi pelo artista francês Pierre-Henry Gomont. O autor esteve entre nós no Festival de BD de Beja, onde fizeram enorme sucesso os seus maravilhosos autógrafos desenhados, e também na Fnac do Chiado e na Kingpin Books, com igual sucesso. Esta é sem dúvida uma das mais maravilhosas adaptações a BD da editora. Com um romance algo cerebral e discursivo, Gomont conseguiu tornar esta história extraordinariamente visual, fazendo de Lisboa uma das personagens do livro.

E está já disponível também mais um volume daquela que se está a tornar a série de terror creepy mais adorada pelos leitores portugueses: Harrow County, de Cullen Bunn e Tyler Crook! Em “Laços de Família”, Emily vai descobrir a sua família, um bizarro conjunto de individualidades com poderes tremendos e quase divinos. Mas as reuniões de família podem ser algo problemáticas, já se sabe!

AFIRMA PEREIRA

SINOPSE:

“Afirma Pereira é um romance existencial decididamente optimista.” Antonio Tabucchi

Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo no seu país, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. Um verdadeiro retrato duplo: o de um homem cheio de sensibilidade humanista, e o de uma Lisboa ao mesmo tempo plena de cor e de melancolia.

Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, é um dos mais belos romances do escritor italiano, que era quase um português por adopção e por paixão pelo nosso país. E é também um dos mais interessantes e complexos romances para adaptar a banda desenhada: o artista francês Pierre-Henry Gomont aceitou o desafio lançado pela sua editora, a Sarbacane, e produziu um dos mais belos e mais premiados livros de BD de 2016, num estilo que é uma verdadeira homenagem aos céus e cores do nosso país, e à sua capital, Lisboa.

Artista vindo de um meio completamente diferente (era sociólogo e professor universitário!), Gomont entrou na BD na vertente mais independente e alternativa, antes de assinar o seu primeiro sucesso, Rouge Karma (com argumento de Eddy Simon), com o qual vencerá o Prémio Polar de Angoulême (que distingue a melhor história policial ou thriller do ano). Desafiado pelo editor Frédéric Lavabre a adaptar o romance de Tabucchi, Gomont, que já se tinha apaixonado pela adaptação de grandes romances literários à arte sequencial, vai produzir aquele que será o seu mais aclamado livro até hoje, e o mais premiado. Não só foi nomeado como um dos cinco finalistas do Prémio da Crítica francesa (Prix ACBD) para 2017, mas venceu o prestigiado Prix RTL, escolhido de entre as bandas desenhadas seleccionadas por essa popular cadeia de rádio francesa, e acabou por vencer também o Prix Château de Cheverny para a banda desenhada histórica de 2017.

“Tudo funciona maravilhosamente nesta BD” – Le Monde

“Uma BD que é uma paixão!” – France Inter

“O olhar do leitor perde-se nas pranchas fabulosas que nos mostram o clima abafado daquele Portugal dos anos 30” – Les Inrockuptibles

“…O Doutor Pereira é alguém que sofre de uma espécie de Bovarismo, que vive a sua vida por livros interpostos, mas vão ser as escolhas de um jovem, o Monteiro Rossi, que lhe vão permitir mudar. Este livro constitui uma declaração de amor à literatura politicamente empenhada e ao percurso que um livro pode fazer na vida duma pessoa e de um país. Afirma que as palavras e a escrita são também elas uma maneira de estar presente no mundo. Mas este romance é mais um livro sobre o empenhamento político do que propriamente um livro politicamente empenhado, e Pereira é uma personagem muito contemporânea, uma espécie de símbolo de reacção do dia-a-dia face a ameaças contra a democracia.” Pierre-Henry Gomont, in dBD (Setembro 2016)

AFIRMA PEREIRA de Pierre-Henry Gomont

Formato álbum, 20,5 x 28, capa dura, 160 pgs. a cores.

PVP: 18€

ISBN: 978-84-16510-67-2

PREVIEWS:

HARROW COUNTY VOL. 4

SINOPSE:

BEM-VINDOS A HARROW COUNTY…

 Emmy acredita que é única, que não há mais ninguém no mundo com as suas… potencialidades. Mas, quando começam a chegar uma série de estranhos a Harrow County, vai descobrir que estava muito enganada. Mas serão todos estes seres que surgiram de repente, cada um deles dono de estranhas e assustadoras habilidades sobrenaturais… da família dela?

Este volume reúne os números #13-16 de Harrow County, uma história de terror ao estilo southern gothic, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

“Em Harrow County, há sempre algo desconhecido à nossa espera, escondido entre vinhetas e desenhos, a desafiar-nos para o imaginarmos melhor ainda… Uma série que é o epítome da narrativa  cativante.” – Bounding into Comics

 “O tipo de livro que nos faz sempre estar a olhar por cima do ombro e a ligar as luzes à noite.” – SciFiPulse

Cullen Bunn é um autor de comics americanos, bem conhecido pelas histórias que escreveu para a Marvel, em particular as suas mini-séries de Deadpool, que a G.Floy irá editar já a partir desta Primavera. Como romancista, Cullen Bunn já foi nomeado para o Bram Stoker Award (que distingue a melhor ficção de terror), e como escritor de comics para dois Eisners, um dos quais por Harrow County. Tyler Crook trabalhou durante anos na indústria de videojogos, até ao lançamento, em 2011, de Petrograd, uma novela gráfica escrita por Phillip Gelatt, que marcou a sua estreia na BD. Crook venceu também um Russ Manning Award, um prémio atribuído durante os Eisners, e que premeia o trabalho de um estreante no mundo da BD.

Reúne os #13 a 16 de Harrow County. Originalmente prevista para seis volumes, o sucesso da série levou a que fosse prolongada para um total de oito. O volume 4 inclui também um exemplo da passagem de argumento a desenho, um exemplo da colaboração entre Bunn e Crook, e um caderno de esboços e estudos de personagens.

Harrow County foi considerada:

Melhor Série em Continuação 2015

Melhor Escritor 2015

– Horror News Network

Melhor Série em Continuação 2015

Melhor Escritor 2015

– Ghastly Awards

Harrow County volume 4: Laços de Família

Álbum, 120 pgs a cores, capa dura. PVP: 11€

ISBN: 978-84-16510-68-9

PREVIEWS:

Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.

 

Estive a Ler: Cem Anos de Solidão

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO CEM ANOS DE SOLIDÃO

Publicado em 1967, Cem Anos de Solidão é uma das obras mais incontornáveis de Gabriel Garcia Márquez, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1982 e falecido em 2014 na Cidade do México. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, Márquez foi um dos escritores mais admirados e traduzidos em todo o mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas. Foi considerado o pai do chamado realismo mágico, um subgénero de Ficção Especulativa difundido nos países da América Latina.

Foi com Cem Anos de Solidão, que viria a ser considerada uma das maiores obras-primas contemporâneas e traduzida em todas as línguas do mundo, que Garcia Márquez atingiu o reconhecimento. E foi o sucesso deste livro, a biografia fictícia da família Buendía-Iguaran, que o levaria a colecionar prémios, entre eles o tão famoso Prémio Nobel. Li a edição da Dom Quixote, com um total de 336 páginas e tradução de Margarida Santiago.

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Fonte: https://nuevocronica.es/las-claves-periodisticas-de-cien-anos-de-soledad-en-los-cursos-de-verano-de-la-urjc-36651

Não é difícil perceber porque Cem Anos de Solidão se tornou uma obra tão célebre em todo o mundo. Num livro de tamanho relativamente pequeno, Gabriel Garcia Márquez escrutina as peculiaridades mais virtuosas e as mais negras da face humana, sempre numa toada leve e com um diálogo extremamente fluído, uns toques de humor aqui e ali e o claro intuito de subverter convenções. O autor fez aquilo a que se comprometeu, mesmo que não me tenha empolgado.

“Cem Anos de Solidão é acima de tudo um convite à reflexão.

A escrita do autor colombiano é bastante boa, as passagens sucedem-se e não tenho qualquer problema em confessar que li o livro em dois dias. A história também tem qualidade. As peculiaridades da família protagonista são bem interessantes e os volte-faces que aquelas personagens vivem têm muito de intemporalidade, bem como de reflexão sobre a natureza humana. Porém, como um todo, achei que o livro podia ter sido uma experiência bem mais enriquecedora.

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Fonte: http://www.dquixote.pt/pt/literatura/romance-traduzido/cem-anos-de-solidao/

Digo isto porque, a dado momento, achei que para além de as histórias se repetirem sem muito que as demarcasse umas das outras, e para além de as personagens terem quase todas os mesmos nomes, o que me provocou alguma confusão em determinados momentos da leitura, não consegui criar grande empatia com elas. E creio que é aqui que encontrei o meu maior problema com o texto do autor colombiano, e digo “meu problema” porque não tenho como o apontar como um erro, uma vez que se trata de uma escolha narrativa.

Garcia Márquez escreveu o livro como quem narra uma história de forma oral, tudo bem que com linhas de diálogo aqui e ali, mas a maior parte do tempo contando como foi, em vez de nos mostrar realmente o dia a dia daqueles atores literários. Por vezes senti que quando me estava a afeiçoar a uma personagem, o autor mudava a direção da história para outro. Ainda assim, gostei do estilo de prosa do autor, que por vezes nos spoilou com mortes antes de elas acontecerem.

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Fonte: https://exame.abril.com.br/mundo/cem-anos-de-solidao-o-dom-quixote-latino-americano/

A história passa-se numa aldeia fictícia da América Latina chamada Macondo, fundada pela família Buendía-Iguarán. A primeira geração desta família peculiar é formada por José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, que tiveram três filhos: José Arcadio, um rapaz forte, viril e trabalhador; Aureliano, filosófico, calmo e introvertido; e Amaranta, a típica dona de casa de uma família de classe média do século XIX. A estes, juntar-se-ia Rebeca, que foi enviada da antiga aldeia de José Arcadio e Úrsula, sem pais.

“Não é difícil perceber porque Cem Anos de Solidão se tornou uma obra tão célebre em todo o mundo.”

A história desenrola-se à volta desta geração e dos seus filhos, netos, bisnetos e trisnetos, com a particularidade de que todas as gerações foram acompanhadas por Úrsula, que viveu entre 115 a 122 anos. É através dela que temos a perceção de que as características físicas e psicológicas dos seus herdeiros estão associadas a um nome: todos os José Arcadio são impulsivos, extrovertidos e trabalhadores enquanto que os Aurelianos são pacatos, estudiosos e muito fechados no seu mundo interior.

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Fonte: http://praler.org/2012/03/23/sete-geracoes-em-cem-anos-de-solidao/

Os Aurelianos têem, ao longo do livro, a missão de desvendar os misteriosos pergaminhos de Melquíades, o Cigano, que foi amigo de José Arcadio Buendía, pergaminhos estes que encerram o futuro de todos os membros da família, apenas decifrados quando o último da estirpe estiver às portas da morte. Pairado de uma aura quase mágica, especialmente nos escritos do cigano, nas visões de Úrsula e nos rabos de porco que nascem a alguns membros da família, Cem Anos de Solidão é acima de tudo um convite à reflexão.

Gostei do livro, tanto das introspecções a que ele nos obriga, como da crítica sócio-política à América Latina no mundo em que o autor cresceu e se desenvolveu. Mas sinto que andei à deriva em muitos momentos, por situações que não levaram absolutamente a lugar nenhum, sem que houvesse um momento para nos afeiçoar às personagens, sem qualquer profundidade narrativa. Foi um livro com uma temática interessante e uma prosa lindíssima, que se perdeu na abordagem.

Avaliação: 6/10

Feira do Livro de Lisboa 2018

Como não podia deixar de ser, voltei a marcar presença na Feira do Livro de Lisboa. A edição número 88 de um dos certames de literatura mais emblemáticos da cidade trouxe algumas novidades em relação aos anos anteriores, como a adição de mais espaços virados para a restauração bem como a expansão do evento por mais 3 mil metros quadrados. A colocação estratégica do auditório logo à entrada da feira pareceu-me uma boa medida, bem como a grande variedade de espaços logísticos ao longo do Parque Eduardo VII.

Este ano não consegui ir ao fim de semana, pelo que não me foi possível realizar o habitual encontro com bloggers amigos ou mesmo deparar-me com algum autor de renome durante a minha visita. Ainda assim, acabei por passar uma tarde muito agradável que começou cinzenta e ventosa mas que rapidamente se tornou quente e solarenga.  A 88.ª Feira do Livro de Lisboa decorre de 25 de maio até dia 13 de junho, sempre com várias atividades, 294 pavilhões, lançamentos, workshops e showcookings distribuídos estrategicamente pelo espaço verde e acolhedor com que o Parque Eduardo VII habitualmente nos oferece.

Fica com as minhas fotos:

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