Estive a Ler: O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1

Com toda a honestidade, não existe forma de matar alguém misericordiosamente. Há aqueles que não consideram crime afogar um recém-nascido imperfeito em água aquecida, como se o bebé não lutasse desesperadamente por encher os pulmões de ar.

O texto seguinte aborda o livro “O Assassino do Bobo”, primeiro volume da série Saga Assassino e o Bobo

Margaret Lindholm Ogden, também conhecida pelos pseudónimos Megan Lindholm e sobretudo Robin Hobb, é considerada como uma das autoras que definiu a fantasia épica como é vista nos dias de hoje. O Reino dos Antigos é a macro-série que começou a publicar em 1995, que inclui, para além de duas séries anexas sem a participação de FitzCavalaria Visionário, as três trilogias protagonizadas pelo famoso assassino que dá título a este livro.

Em Portugal, a Saga do Assassino e a Saga O Regresso do Assassino catapultaram o nome Robin Hobb para os píncaros da fantasia atual, e esta Saga Assassino e o Bobo vem apenas cimentar essa condição. Com tradução de Jorge Candeias e um total de 624 páginas, a edição nacional do primeiro volume, O Assassino do Bobo foi lançado pelas mãos da Saída de Emergência, que anunciou, inclusive, a vinda da autora a Portugal para o Festival Bang! de 2018.

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Fonte: https://robinhobb.deviantart.com/gallery/50931509/Fitz-and-the-Fool

Pergunto-me várias vezes o que mudou na narrativa de Robin Hobb para eu ter torcido o nariz à primeira série e começar a amar a história de FitzCavalaria e do Reino dos Antigos a partir da segunda. Muito possivelmente deveu-se à forma como Hobb desenvolveu o seu mundo. A primeira saga começa com um mundo marcadamente medieval, em que o jovem bastardo de um rei torna-se aprendiz de um velho assassino. A premissa não marcou pela originalidade.

No entanto, Robin Hobb apenas usou-se dos clichés como ponto de partida. O final abrupto e talvez exageradamente fantasioso da primeira série desagradou a muitos, mas a mim particularmente marcou-me como um ponto de viragem, depois da lentidão cansativa a que havia sido sujeito. As personagens foram desenvolvidas de forma absurdamente credível, com especial foco nas relações humanas. E é esse foco de desenvolvimento individual e coletivo que diferencia Robin Hobb dos restantes autores.

É a escrita, porém, que a coloca no meu top de autores prediletos. Envolvente, suave, elegante e charmosa, a prosa de Hobb cativa pela forma fluída e detalhada com que descreve cenários e emoções com igual ritmo. Lento, é certo, mas não um lento maçante. Antes um lento que nos delicia e faz saborear a história como ela deve ser saboreada. Como um chocolate quente e cheio de natas numa noite gelada de inverno. Neste quesito, dedico um louvor particular ao trabalho de tradução; como vem sendo hábito, o trabalho de Jorge Candeias faz jus às qualidades da autora.

“Robin Hobb consegue fazer-nos sofrer, vibrar e conhecer um homem, personagem fictício, como poucas vezes conhecemos pessoas que vivem connosco no dia-a-dia.”

O Assassino do Bobo tem todos estes ingredientes e mais alguns. Um livro com mais de 600 páginas, praticamente todo ele passado na mesma casa / propriedade e com um lote restrito de personagens, e mesmo assim consegue maravilhar com dezenas de acontecimentos, de assaltos a mortes e nascimentos, mas acima de tudo com as dúvidas e inseguranças de um homem que nós, leitores, conhecemos desde a infância.

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Fonte: http://www.robinhobb.com/2013/10/the-fools-assassin/

FitzCavalaria conseguiu finalmente voltar para Moli, reconquistá-la depois de anos entregue aos braços de Castro. Fixos em Floresta Mirrada com os filhos dela e com a velha Paciência, o casal parece mais feliz do que nunca, muito embora tenham que enfrentar uma dura realidade. Os anos passaram por eles. Especialmente por Moli, uma vez que uma cura da magia hereditária chamada Talento mitigou a dureza dos anos no corpo de Fitz.

A vida parece correr de feição para o casal, mas o espetro de Torre do Cervo e das redes de espiões do Trono Visionário ainda paira sobre eles, principalmente agora que Urtiga, a única filha de Fitz e Moli e legítima proprietária de Floresta Mirrada, se tornou Mestra do Talento no Castelo de Torre do Cervo. Paralelamente a isso, o antigo assassino tem ainda de lidar com as idiossincrasias dos seus muitos empregados, e a forma como eles o encaram e respeitam, agora que todos o conhecem como Depositário Tomé Texugo.
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De um repente, todas as tramas parecem voltar a conduzi-lo para lá. Um aprendiz de assassino chamado Lante é visto como pouco qualificado para essa tarefa por Breu, e cabe a Fitz vir a protegê-lo e arranjar-lhe utilidade. Urtiga continua a tratar Fitz com mais frieza do que a relação de um pai e de uma filha devia impor, enquanto Enigma se estabelece cada vez mais como o grande amor da jovem e um verdadeiro amigo para o pai desta, conquanto as decisões deste não a embaracem.

É nas relações humanas que Hobb expande o seu mundo, deixando-nos curiosos com os povos e acontecimentos que são apenas abordados para nos fazer morder o anzol, porque sabemos que mais tarde ou mais cedo eles irão emergir na trama para virar o mundo de Fitz novamente ao contrário e arrancá-lo da realidade para mais uma demanda impossível em que será, queira ou não, o protagonista. A autora californiana conhece o seu Fitz como ninguém, e também parece não cansar-se de fazê-lo sofrer.

Todo um espetro do passado de Fitz volta à tona, quando personagens morrem, quando outras que não davam sinais de vida há décadas surgem num roldão de novas tramas, perspetivas e tarefas. Até personagens que haviam morrido ressurgem nas recordações, nos sonhos e nos sentidos. Cheiros, sensações e detalhes saltam de cada página com uma intensidade e verosimilhança notáveis.

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Fonte: https://www.pinterest.com/twayhatch/robin-hobb/

Robin Hobb consegue fazer-nos sofrer, vibrar e conhecer um homem, personagem fictício, como poucas vezes conhecemos pessoas que vivem connosco no dia-a-dia. Cada tonalidade de personalidade, cada reserva, cada vertente emocional, cada detalhe da sua pessoa. Arrisco-me, no entanto, a dizer que FitzCavalaria está longe de ser a única razão por que esta saga é incrível. Abelha, Moli, Urtiga, Breu, Enigma, Esquiva, Lante, Kettricken, assim como o enigmático Bobo, são todas elas bem construídas, que encantam pela credibilidade com que são pinceladas.

“A relação entre estes dois protagonistas transcende o amor romântico ou fraternal, porque o Profeta Branco e o Catalisador completam-se como um só.”

Olharmos para a história deste personagem, que vivemos na pele através da leitura dos livros anteriores, faz arrepiar. Faz-nos considerar as nossas próprias histórias e a dos nossos pais e avós, e pensar que a panorâmica com que as olhamos hoje pode não estar nem perto daquela que eles vivenciaram. A forma como os filhos de Moli e de Fitz encaram Castro, por exemplo, aquela personagem que deu tanto a esta trama, pode ser tão confusa para eles como incrível para nós.

A forma como Hobb escreveu este livro também foi especial. Ao contrário de um salto de tempo abrupto, ela ofereceu-nos a passagem do tempo por Fitz como gradual, um pouco à imagem do que havia feito no primeiro volume de O Regresso do Assassino. De uma mensageira misteriosa num Festival de Inverno, até ao crescimento de uma criança que vem a ganhar tanto destaque como pontos de vista. Pela primeira vez, a trama não foi exclusivamente contada pelo protagonista, ainda que ele continue sempre atolado em problemas para resolver em simultâneo.

Desenganem-se, porém, se pensam que a alusão ao Bobo no título é um logro. Visível ou não, sentimo-lo presente ao longo de toda a narrativa, sobretudo nos momentos em que Fitz mais parece sentir a sua ausência. A relação entre estes dois protagonistas transcende o amor romântico ou fraternal, porque o Profeta Branco e o Catalisador completam-se como um só. Especialmente estes dois.

Mas poderão as profecias do Bobo terem sido erradas? A questão do Filho Inesperado é abordada neste livro, questionando a exatidão das previsões do Profeta Branco e, mais especialmente, a sua interpretação. Mas, na verdade, tanto a filosofia do Bobo como a sua participação acabam por estar num segundo patamar neste livro, ganhando apenas destaque no final. O livro foca-se em Fitz e na sua família, assim como nas suas capacidades para lidar com ela e com pequenas trivialidades do dia-a-dia.

“O final de O Assassino do Bobo foi qualquer coisa que me surpreendeu.”

As relações com personagens do passado também se alteraram, conforme elas amadureceram ou se separaram. Podemos não ver Esporana ou Eliânia, ter breves vislumbres de Respeitador e Obtuso, e ver a relação filial de mentor e aprendiz entre Fitz e Breu a tornar-se uma quase inimizade quando o instinto protetor que há no assassino o vê como ameaça, mas os laços que os ligam a todos estão lá e movem-se subtilmente, fazendo-se sentir nos momentos mais determinantes. Abelha, a maior adição à trama, é uma lufada de ar fresco por que, penso, ninguém podia estar à espera.
O final de O Assassino do Bobo foi qualquer coisa que me surpreendeu. E deixou-me de água na boca, tantos foram os mistérios que ficaram por resolver. Ficou não só a vontade de descodificar todos os mistérios, como de ver o discorrer daqueles acontecimentos a materializar-se. A interpretação dos Servos sobre Abelha, a génese de Esquiva e Lante e a verdade sobre o Bobo são questões pendentes que me fazem querer o segundo volume, A Revelação do Bobo, o quanto antes.
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Abstenho-me a revelar pormenores sobre a trama porque acredito que a experiência de leitura deste livro pode ser tremendamente afetada por eles. A grande magia deste volume em particular, para além de tudo o supracitado, é irmos sendo surpreendidos com as mais incríveis mudanças que vão acontecendo no transcorrer do livro. E sim, apesar do ritmo aparentemente lento, elas estão sempre a acontecer. Estamos a falar de um livro lindíssimo, e tudo o que ele me inspira é ternura.
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Avaliação: 10/10
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O Reino dos Antigos:
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Saga do Assassino (Saída de Emergência):#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

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A Divulgar: “Firemane” de Raymond E. Feist em 2018

O famoso autor da série O Mago, publicada em Portugal pela Edições Saída de Emergência, tem um novo projeto entre mãos. Trata-se de uma trilogia até ao momento conhecida como Firemane. Ao contrário das suas publicações mais recentes, a nova trilogia de Raymond E. Feist não será ambientada em Midkemia, mas no mundo de Garn. Pelas mãos da HarperVoyager, o primeiro volume, King of Ashes, chegará às livrarias britânicas a 5 de abril do próximo ano e às norte-americanas a 8 de maio.

Segundo o autor californiano, Firemane trará novas personagens, magia e política. O protagonista, Sefan, foi vítima de uma tentativa de assassinato que vitimou a sua família, acabando por sobreviver nas ruas, onde, adquirindo o nome Hatushaly, se envolve emocionalmente com uma rapariga chamada Hava. Já Declan é um ferreiro especializado na forja de espadas que se vê arrastado para uma trama política. Os cinco reinos de Tembria parecem viver de forma pacífica há anos, mas quando quatro desses reinos se unem para trair Ithrace, o Reino das Chamas, terá início um confronto épico conhecido como A Guerra da Traição.

King of Ashes será então o primeiro volume de Firemane, enquanto King of Ambers e King of Flames serão o segundo e terceiro, respetivamente. Uma nova trilogia de um dos autores mais importantes no que à literatura fantástica diz respeito, Raymond E. Feist, que conta já com 9 livros publicados em Portugal e que começa agora a navegar em novos mares depois de trinta anos dedicados ao The Riftwar Cycle.

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Fonte: https://www.pinterest.co.uk/ledmachine/midkemia/

A Divulgar: “Alias Vol. 4” pela G Floy Studio

Chega amanhã a quiosques e livrarias de todo o país o quarto e último volume da série protagonizada por Jessica Jones, ALIAS, com argumento de Brian Michael Bendis e ilustrações de Michael Gaydos. Trata-se da história que conta a origem secreta da personagem, e portanto, o arco que mais diretamente influenciou a série de TV da Netflix. Este volume é considerado por muitos o melhor da saga e revela as origens dos super-poderes da heroína, juntando todas os fios narrativos dos volumes anteriores numa só direção, um verdadeiro “romance gráfico” em vez de uma série de comics, no que confluem os mais variados géneros: super-heróis, crime e policial, romance…

Na primeira parte do volume (números #22-23), Michael Gaydos destaca-se ao apresentar um flashback que transporta o leitor para o passado de Jessica com um desenho completamente diferente do normal, que evoca o estilo Marvel antigo, contando as origens dos poderes de Jessica e a sua vida no mesmo liceu em que foi colega de Peter Parker. Depois de tal introdução, a história chega ao seu ápice, com a intervenção dramática Homem-Púrpura.

As histórias incluídas neste volume foram nomeadas para dois Prémios Eisner em 2004, Melhor Série em Continuação e Melhor Arco de História. Não percam, por todas estas razões, a conclusão desta série, e lembrem-se… Jessica Jones regressará para o ano, em mais uma série de volumes.

https://cld.pt/dl/download/00cffc74-a86e-4d32-8125-35e6c12fcc87/Alias%20vol.%204/PT%20Alias%204%20%5BMucha%5D%20Cover%20Hi-Res_v2.jpg

SINOPSE:

AS ORIGENS SECRETAS DE JESSICA JONES, a história que inspirou a primeira temporada da série da NETFLIX!

Jessica Jones é uma detective privada implacável, e o submundo negro do Universo Marvel é o seu território, como vimos em três volumes de casos complexos, muitos dos quais envolveram super-heróis. Mas nem sempre foi assim.

Em tempos, Jessica foi ela também uma super-heroína, e aqui, pela primeira vez, descobriremos os seus segredos – como ganhou os seus poderes, como se tornou numa heroína, e o momento terrível e negro da história do Universo Marvel que mudou a sua vida para sempre. Com muitos convidados especiais, desde o Homem-Aranha e Jean Grey, aos Vingadores e ao temível Killgrave.

ALIAS volume 4

Brian Michael Bendis e Michael Gaydos

Reúne os #22-28 da série original de ALIAS

Álbum, formato comic, 176 pgs a cores, capa dura. PVP: 14,99€

ISBN: 978-84-16510-49-8

PREVIEWS:

Estive a Ler: O Deus no Sarcófago

Arus, o vigia, sentiu as mãos que seguravam a besta tremerem, e pingos de suor pegajoso surgirem à flor da pele ao descobrir o corpo tombado no chão de mármore diante de si. Não lhe agradava nada deparar-se com a Morte naquele local desolado durante a noite.

O texto seguinte aborda o conto “O Deus no Sarcófago”

“The God in the Bowl” é um dos contos originais do herói de espada & feitiçaria Conan, O Cimério, escrito pelo autor americano Robert E. Howard. Publicado somente após a morte do autor, o conto passa-se na Era Hiboriana e conta como Conan rouba um museu do Templo de Kallian Público e, ao fazê-lo, se vê enredado numa sequência de acusações e de eventos bizarros.

A história foi publicada pela primeira vez em setembro de 1952 na Space Science Fiction e foi reproduzida muitas vezes desde então. A versão que li, traduzida por Luís Filipe Silva para a coletânea A Rainha da Costa Negra das Edições Saída de Emergência em setembro de 2007, foi chamada “O Deus no Sarcófago”.

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Fonte: https://io9.gizmodo.com/what-is-best-in-life-to-see-brand-new-conan-the-barbar-1753300337

Continuo então a participar no ciclo de leituras em volta de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição, que dura até meados de dezembro. “O Deus no Sarcófago” é mais um belo exemplo daquilo que o autor americano conseguiu fazer com o seu protagonista. Mais uma vez, Howard deixa claro que foi muito mais que o pai de um herói fanfarrão, dançando entre o policial e o horror com carisma e um talento irrevogável.

“Uma noite no município de Numalia, a segunda maior cidade de Nemedia, Conan entra num lugar incrível: um edifício antiquíssimo que os leigos chamavam Templo de Kallian Publico.”

A proficiência de Howard salta à vista neste conto, onde não só testemunhamos a ginástica narrativa de Howard com um certo encanto não deliberado, como compreendemos como este herói pulp se consegue transmutar nas mais diversas contingências. Leio e releio a obra de Howard e só consigo dizer que Conan é muito mais do que os media fizeram chegar até nós.

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Fonte: https://grimdarkalliance.com/2016/12/07/the-god-in-the-bowl-by-robert-e-howard/

Uma noite no município de Numalia, a segunda maior cidade de Nemedia, Conan entra num lugar incrível: um edifício antiquíssimo que os leigos chamavam Templo de Kallian Publico. Ele planeia roubar o museu do templo, mas vê-se arrastado para uma investigação de assassinato quando o cadáver estrangulado do dono e curador do templo é encontrado por um vigia noturno.

Embora Conan seja o principal suspeito, tanto o magistrado investigador, Demetrio, como o prefeito da polícia, Dionus, oferecem-lhe o benefício da dúvida, permitindo-lhe não só permanecer livre, como também manter a espada enquanto os seus homens procuram provas que o condenem ou absolvam no interior daquelas instalações sombrias. Muita dessa tolerância deveu-se, porém, à imponência e brutalidade que a figura de Conan lhes inspirava.

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Fonte: https://guilhermeon.wordpress.com/page/2/

À medida que a investigação se desenrola, o magistrado é informado por Promero, funcionário do Kallian Publico, que o templo recebeu da Stygia um estranho sarcófago, semelhante a uma tigela, que encontram aberto e vazio. Diz-se tratar-se de uma relíquia inestimável, encontrada entre os túmulos escuros muito abaixo das pirâmides estigias e enviada para Caranthes de Hanumar, sacerdote de Ibis, “por causa do amor que o remetente prestava ao sacerdote de Ibis”.

Apoderando-se desse artefacto raro, os funcionários do Templo acreditavam que o sarcófago continha o lendário diadema dos reis gigantes, cujos parentes primordiais moravam naquela terra do sul escuro antes que os ancestrais dos stygianos lá chegassem. No entanto, claramente, o objeto no interior não era qualquer diadema, mas algo muito mais terrível.

“Sem adjetivos para além do muito satisfatório, considero este um dos contos de Robert E. Howard que mais me surpreendeu”

Enquanto o magistrado e os seus homens se preocupavam em investigar sobre tal informação, a hipótese de que o conservador do Templo tenha sido atacado por algo inumano ganha forma, ainda que as suspeitas sobre Conan não sejam afastadas de todo. Com vários dedos apontados para si, Conan revela o seu propósito naquela noite e prepara-se para enfrentar o mal ali encerrado com a sua espada.

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Fonte: https://whitedevilblog.wordpress.com/2014/03/26/frank-frazetta-chained/

Já tinha lido este conto há tantos anos, que não me lembrava sequer da história. Por isso, foi com a surpresa de quem lê algo pela primeira vez que me senti enredado neste conto, suspeitando de tudo e de todos, até mesmo do protagonista. A história começa como um policial envolvente, com vários detalhes e pormenores a serem considerados, fazendo-me lembrar dos romances de investigação criminal do século passado.

De uma aura Agatha Christie, o conto toca o exótico, o suspense, a aventura e o horror lovecraftiano, de forma consistente e, para lá de bem escrita, credível. Sem adjetivos para além do muito satisfatório, considero este um dos contos de Robert E. Howard que mais me surpreendeu, embora não seja das melhores histórias curtas do autor norte-americano.

Avaliação: 8/10

A Divulgar: “The Warrior Bards” de Juliet Marillier em 2019

A famosa autora da trilogia Blackthorn & Grim e da série Sevenwaters está a trabalhar numa nova série de fantasia adulta, conhecida até agora como The Warrior Bards. É o tão esperado regresso de Juliet Marillier, uma escritora com provas dadas no género. Foi através do seu blogue que a autora neo-zelandesa revelou que o primeiro volume desta nova série, porém, só chegará às livrarias norte-americanas em 2019. O que significa que demorará ainda bastante até o público nacional ter acesso ao novo trabalho de uma das suas escritoras de eleição no género.

Publicada pela Penguin, a nova série de Juliet Marillier terá uma carga histórica e algumas ligações com anteriores séries da autora. Harp of Kings, o primeiro volume, será protagonizado por dois irmãos, Liobhan e Brocc, que competirão com dezenas de guerreiros por um papel de destaque na elite bélica de uma ilha ao norte da Irlanda, a Ilha Swan. Por agora, os fãs nacionais da autora podem adquirir a mais recente edição de A Filha da Floresta, lançada em outubro deste ano pela Editorial Planeta, ou O Covil dos Lobos, último volume de Blackthorn and Grim, publicado em julho.

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Fonte: http://fairytalenewsblog.blogspot.pt/2014/06/aussies-n-fairy-tales-week-juliet.html

 

A Divulgar: “Tolkien, Construtor de Mundos” na Faculdade de Letras de Lisboa

Pelo quinto ano consecutivo, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa organiza um seminário internacional em volta do famigerado autor britânico J. R. R. Tolkien. A edição deste ano ocorrerá no dia 6 de dezembro, no Auditório 1 da Faculdade de Letras.

Desenganem-se, porém, se julgam que o V Seminário Internacional focado em Tolkien não explorará outros nomes da literatura. Ursula K. Le Guin, George R. R. Martin e William Morris serão alguns dos nomes em debate, com várias panorâmicas sobre os seus trabalhos e os paralelismos com a obra do autor nascido em África, um dos pioneiros da literatura fantástica como a conhecemos hoje. Fiquem com o programa completo.

A Divulgar: Nova Série de R. A. Salvatore em 2018

Child of a Mad God é o título do próximo livro de R. A. Salvatore, que será publicado pela Tor Books em fevereiro de 2018. Ao contrário do que se podia pensar, esta nova série não é passada no mundo do elfo negro Drizzt Do’Urden, mas num mundo completamente novo.

A nova história, cuja série chamar-se-á The Coven, é protagonizada pela filha de uma bruxa, nascida sob a Lua de Sangue, que se encontra sozinha com uma tribo de bárbaros ferozes. A intenção da editora passa por garantir os velhos fãs de Salvatore, assim como angariar uma nova leva de leitores. A capa do primeiro volume é da autoria de Larry Rostant.

Estive a Ler: Nocturno

Ele pensa que morreu e que está condenado a errar pelo mundo. Pensa que os peixes são almas que flutuam e que o vento são demónios que sussurram palavras que lhe causam dor.

O texto seguinte aborda o livro Nocturno (Formato BD)

Radicado na Europa, o autor mexicano Tony Sandoval regressa aos escaparates nacionais com o novo título da Kingpin Books. Nocturno foi uma personagem criada pelo autor no discorrer da sua juventude, posteriormente retocado com maior maturidade. A figura familiar do justiceiro mascarado traz uma nova face, na perspetiva de Sandoval de um cantor de rock caído em desgraça.

Depois de As Serpentes de Água, Rendez-vous em Phoenix e Mil Tormentas, a Kingpin Books volta a apostar em Tony Sandoval e na singularidade do seu traço, fomentando o portfolio já relevante da editora nacional. Trata-se da edição completa de Nocturno, originalmente publicado em 2008 e 2009 no formato comic. O formato em capa dura contém 242 páginas e foi publicado no primeiro semestre do ano.

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Fonte: https://www.metal-archives.com/artists/Tony_Sandoval/245173

Uma leitura de caráter íntimo que transpira tanto o amor pela música como pelos elementos marinhos, Nocturno não é uma novela gráfica de super-heróis, como podem facilmente pensar, mas uma reflexão sobre o mundo em que vivemos, sobre as inseguranças e pequenas obsessões do ser humano e do papel que desempenha no mundo.

Os tons fortes e negros são outro dos chamarizes do álbum. As pranchas desfilam com elegância e fluidez, carregando de significados o mundo de Seck e as incongruências da vida que levou. A tentativa de mudar é linear, ainda que a forma como o faça nem sempre corresponda às expectativas. Um personagem forte e cheio de quês a que Sandoval deu vida com um toque único e singular.

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Fonte: Kingpin Books

Desde logo conhecemos Seck como um carismático vocalista da banda de rock Kraneus. O cantor vive acossado pelas visões do pai, então falecido, que parece querer ditar o destino do filho mesmo após a morte. Ao subir ao palco, porém, todas as suas fragilidades e inseguranças dissipam-se. O talento tornou-o uma lenda viva do rock e o seu potencial garante que qualquer banda que integre seja um sucesso, o que se revela um pau de dois gumes. Muitos são os invejosos que o tentam subverter.

“A transfiguração de Seck revela muito do génio criativo de Tony Sandoval.”

Esse sentimento de desdém gratuito pelo sucesso de Seck resulta num ato de violência que leva o seu melhor amigo à morte e o deixa como desaparecido. Dado como morto, vagueia pelos bosques, num estado traumático que o deixa permeável aos vários espíritos e vozes que lhe povoam o espírito. É desse combate de identidades que nasce Nocturno, um justiceiro sem par.

Claro está, não podia faltar o par amoroso. Karen é uma jovem repórter que sonha com leviatãs dos mares e avista-os em transe durante as barulhentas actuações dos Kraneus, a banda de Seck. A união entre os dois é palpável e após o desaparecimento do músico a jornalista entra em desespero, fazendo-a olhar de outro modo para a relação de ambos quando ele reaparece.

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Fonte: Kingpin Books

A transfiguração de Seck revela muito do génio criativo de Tony Sandoval. Não sendo um álbum que apele às massas, sem a espetacularidade que o género tende a fomentar, Nocturno tem um estilo inconfundível, alimentando aquilo que pode ser considerada uma mitologia de autor, aludindo aos elementos marinhos e à míriade de simbologias que os definem. O mar como início de tudo é também uma imagem que dificilmente passará indiferente durante a assistência do reerguer da personagem principal.

“…todo um mundo de caminhos incertos a desbravar e demónios interiores a enfrentar.”

Se o roteiro exibe uma estética singular neste género de álbuns, que torna a marca de autor discernível ao longo das suas pranchas, confesso que foi o estilismo gráfico de Tony Sandoval a agradar-me sobremaneira neste livro. Os tons negros e a acutilância do traço maduro do autor mexicano são sem sombra de dúvida um dos maiores atrativos de Nocturno. Visualmente apelativo e igualmente sombrio, o estilo de Sandoval tem poucas similaridades em outros autores dentro do seu nicho.

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Fonte: Kingpin Books

Um álbum descomplexado e revigorante, que encerra com as notas de autor, os esquissos e as pistas sobre a origem de Nocturno, um personagem que Sandoval criou ainda durante a adolescência. Foi uma história que não me assoberbou, mas cativou pela aura intimista em que somos convidados a entrar, todo um mundo de caminhos incertos a desbravar e demónios interiores a enfrentar.

Avaliação: 8/10

 

 

A Divulgar: Ilustrações de “Oathbringer” de Brandon Sanderson

Oathbringer é o título do tão aguardado terceiro volume de The Stormlight Archive, a obra-prima de Brandon Sanderson que tem deixado os fãs em grande ansiedade. A edição americana chegou finalmente às bancas, e um dos detalhes que tem feito mais sucesso tem sido a ilustração do livro. Para além da fantástica capa de Michael Whelan, o livro conta com ilustrações de Dan dos Santos (que já havia ilustrado a Edição Comemorativa dos 10 anos de O Nome do Vento) e de Howard Lyon, que destacam alguns dos personagens mais lendários da história.

Os dois primeiros desenhos, trabalho de Dan, representam Ishtar e Shalash, enquanto as duas obras de Lyon ilustram Jezerezeh e Vedeledev. Os quatro personagens são Heralds, uma facção mística de Roshar que, exaustos pelo sem-número de batalhas, puseram um ponto final nas guerras contra os enigmáticos Voidbringer, comunicando ao mundo a sua vitória.

Figuras de destaque na mitologia, os Heralds fundaram a Ordem dos Knight Radiants, na qual cada uma das suas dez secções seria dedicada aos Heralds originais, onde cada um exerce um par de artes mágicas que poderiam ser combinadas entre si. Segundo consta, os Heralds regressarão quando chegar a hora de lutar contra a Desolação, mas tanto eles como a ordem que fundaram terão desaparecido. Significarão estas ilustrações que estão de regresso?

 

Estive a Ler: Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2

— Tens andado a contar histórias sobre mim, Hume?

O texto seguinte aborda o livro “Liberdade e Revolução”, segundo volume da série Império das Tormentas

Após a chegada de Poder e Vingança, o primeiro volume do Império das Tormentas de Jon Skovron, em março, eis que a Saída de Emergência não perde tempo em lançar o segundo volume, publicado pelo autor em fevereiro deste ano. Conhecido dentro do género Young Adult, onde escreveu livros como Misfit, Man Made Boy e This Broke Wondrous World, Skovron sai da sua área de conforto para conceber o Império das Tormentas, uma trilogia de fantasia adulta passada num mundo onde piratas e feiticeiros coexistem com hostilidade.

Jon Skovron tem vários contos publicados em revistas como a ChiZine e a Baen’s Universe, assim como em antologias como Summer Days e Summer Nights, da Harlequin Teen. Vive com os dois filhos e os gatos nas proximidades de Washington, nos Estados Unidos. Bane and Shadow, o segundo volume de Império das Tormentas foi publicado pela Saída de Emergência como Liberdade e Revolução, um livro de 432 páginas com tradução de Maria João Trindade.

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Fonte: https://www.orbitbooks.net/2015/07/23/meet-jon-skovron/

Quando falamos de fantasia é difícil não comparar um autor com outro, mas por vezes tal empresa é ingrata. O Império das Tormentas de Jon Skovron dificilmente seria comparado a um Robert E. Howard ou a uma Robin Hobb, uma vez que tanto as temáticas como o estilo são incomensuravelmente distintos. Agora, se estivermos a falar de um Scott Lynch ou de um Brandon Sanderson, são nomes que me vêm à cabeça de imediato, tal a semelhança a nível de ambiente e plot utilizados. Infelizmente, ao estabelecermos tal comparação, Jon Skovron fica a perder por larga escala.

Alquimistas malignos, ninjas, piratas, gangues, ladrões e prostitutas são alguns dos ingredientes que Skovron nos oferece neste Império das Tormentas. O worldbuilding tem grande qualidade e a ambientação é das que mais me agradam neste género de fantasia. O que falta ao autor para chegar ao nível de alguns dos melhores escritores da nova geração é mesmo mais credibilidade, senso de continuidade narrativa e um maior propósito em fazer o leitor comprar a história. Mas… já lá vamos. Sinceramente, acho que este segundo volume trouxe um salto qualitativo em relação ao primeiro.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/liberdade-e-revolucao/

A história de Liberdade e Revolução começa um ano após os acontecimentos narrados em Poder e Vingança. Se não leste o primeiro volume, aviso que este texto trará spoilers. Se podíamos esperar ver o Ruivo amarrado ou feito prisioneiro numa cela às mãos dos biomantes, encontramo-lo mais endiabrado e irreverente do que nunca. Ele é usado pelos biomantes e treinado por eles, mas vive uma tranquila vida de lorde no Palácio Imperial de Pico da Pedra. Aliás, os servos do Imperador encarregaram-se de eliminar o seu avô para atribuir-lhe o título de Lorde Pastinas mas, apesar da rédea curta, Ruivo passeia-se pelo Palácio e redondezas a seu bel-prazer.

Conhecemos também a família imperial, de quem nem sequer conhecíamos os nomes no volume inaugural da história. Durante o ano que ninguém viu, o protagonista – filho de uma pintora e de um prostituto, que sobrevivera nos bairros da lata de Círculo do Paraíso após a morte destes – tornou-se amigo íntimo do Príncipe Leston. O príncipe é tímido e inseguro, para além de não conhecer muito do que se passa para lá das suas próprias paredes e nem suspeitar da malignidade dos biomantes. Sim, os alquimistas do Imperador fazem experiências com homens e animais e sequestram pessoas em todos os cantos do Império para esse efeito.

“Alquimistas malignos, ninjas, piratas, gangues, ladrões e prostitutas são alguns dos ingredientes que Skovron nos oferece neste Império das Tormentas.”

Já o Imperador Martarkis é praticamente apenas a casca de um homem, com mais de um século de vida. Usou o poder dos biomantes para se rejuvenescer, permitindo-lhe conceber um filho que prolongasse a sua dinastia, mas nos dias de hoje permite que o Conselho de Biomantes faça a gestão do Império a seu bel-prazer. A fragilidade do Imperador é conhecimento da população, tanto que várias figuras da cidade tramam uma conspiração para depor o imperador e colocar no trono o seu filho, Leston. Isto fez-me lembrar Elantris, muito embora a atitude deste príncipe não se equipare à da personagem de Brandon Sanderson.

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Leston é gentil mas solitário, e tenta desesperadamente fugir ao cerco das suas pretendentes, usando Ruivo para o ajudar. O que Ruivo não previa era que ele próprio caísse na pretensão de uma das damas da corte. Com um humor apurado e um espírito leve, lady Merivale Hempist é uma das melhores personagens do livro e aquela que mais me agradou. Ela ajudará Ruivo a fugir de apuros… quando não for ela o seu maior apuro. Já a mãe de Leston, a Imperatriz Pysetcha, refugiou-se em Ponta do Ocaso, na península, possivelmente para estar longe das tramas dos biomantes.

Um dos principais motivos pelo qual as ações aberrantes dos biomantes são encaradas tão levianamente é a perspetiva de salvaguarda que eles tentam demonstrar. Não são apenas um grupo de alquimistas poderosos tentando dominar o mundo com a sua prepotência e com as suas artes, eles acreditam e levam a acreditar, que o seu comportamento é uma defesa para o futuro. As suas experiências têm como resultado desejável toda a sorte de recursos para proteger o Império dos inimigos. Segundo a profecia do Mago Negro, um povo estrangeiro virá para os esmagar a todos, e o único povo estrangeiro com uma civilização tão sofisticada que fosse capaz de ombrear com o Império é Aukbontar.

Por isso, quando Pico de Pedra recebe uma delegação de Aukbontar com o intuito de encetar alianças com o Império, delegação essa encabeçada pela embaixadora Nea Omnipora e por um curioso estudioso da flora chamado Etcher, os biomantes começam a mover os seus cordelinhos para os silenciarem. Cabe ao príncipe Leston e a Ruivo enfrentá-los, mesmo que o preço a pagar seja, quiçá, demasiado caro.

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A mulher por quem Ruivo se apaixonou, a guerreira Vinchen Esperança Sombria, procura desesperadamente encontrar soluções para resgatar Ruivo às mãos dos biomantes. Durante o ano que se passou espalhou o terror pelos mares do Império, sob o título Terrível Desgraça, acompanhada por Brigga Lin, o biomante que mudara de sexo e desafiara a ordem, e pelos velhos amigos de Ruivo, Urtigas, Grosso, Sadie, Ausente Finn e o primo Alash. Ao conquistarem o navio Guardião, capitaneado pelo corajoso capitão Brice Vaderton, Grosso e Urtigas reconhecem o pequeno Jillen como Jilly, uma menina de Círculo do Paraíso que se fizera grumete para procurar a mãe.

“Sem a necessidade de apresentar a sua linguagem peculiar, a introdução das falas típicas daquele mundo pareceu-me muito mais fluída neste Liberdade e Revolução.”

A guerra contra os biomantes, porém, ainda nem sequer começara. Quando surgem evidências de que os biomantes andam a sequestrar centenas de meninas para formar exércitos sobrenaturais, Esperança Sombria recorre à Velha Yammy, a velha amiga de Ruivo com o dom da adivinhação, mas também ela havia desaparecido. A maré leva Urtigas e Grosso de novo a Círculo de Paraíso, com o intuito de recrutar gente para a sua causa, mas tudo o que encontram é morte e vingança, enquanto Esperança procura recuperar a fé e a sua própria esperança.

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A nível de escrita, a gíria criada por Jon Skovron para o seu mundo não teve tanto impacto neste livro como no primeiro. Não me parece, porém, que tal se deva somente ao entranhar da mesma na minha mente. Sem a necessidade de apresentar a sua linguagem peculiar, a introdução das falas típicas daquele mundo pareceu-me muito mais fluída neste Liberdade e Revolução.

“Em suma, Liberdade e Revolução é um livro descomplexado e sem grandes propósitos, mas que se lê muito bem.

De facto, este volume é todo ele mais fluído e maduro do que o primeiro, assim como exibe uma aura mais negra. As personagens apresentadas no primeiro volume são bem desenvolvidas, e as adições ao elenco são refrescantes e bem-vindas. Adorei Merivale, Heme, Vassoura e a bela Lymestria, assim como a história do passado de Urtigas e os deliciosos Moxy Poxy e Senhor Chapeleira. Toda a ação foi intensa e o ritmo elevadíssimo. E somos surpreendidos. Vimos personagens importantes a morrer.

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O livro só não é aquela coca-cola toda porque, de facto, se Ruivo continua carismático e fora da caixa, por vezes de tal forma exagerado que faz o livro parecer um mangá, Esperança Sombria continuou sem expressão, sem a fibra que me parecia ser necessária para realizar tudo o que ela realizou. Já Brigga Lin, que era suposto ser outra personagem mega badass, passou-me completamente ao lado. Não gostei dela nem um pouco.

A verdade é que, se a magia fosse explicada e não parecesse tão básica e fácil, e se o autor não se focasse tanto nos problemas amorosos e lamechices das personagens, este seria um livro extraordinário. Se já havia gostado da Batalha dos Três Cálices no primeiro volume, os núcleos de Círculo do Paraíso, de Pico da Pedra e o discorrer de batalhas navais foram todos eles bem desenvolvidos neste novo livro. Em suma, Liberdade e Revolução é um livro descomplexado e sem grandes propósitos, mas que se lê muito bem.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 7/10

Império das Tormentas:

#1 Poder e Vingança

#2 Liberdade e Revolução