TAG A a Z

Viva, seguidores do NDZ. Hoje venho trazer-vos mais uma TAG literária, desta vez uma TAG de A a Z, uma adaptação minha do original do blogue Perpetual – Page Turner (vê aqui). Sintam-se à vontade para responder.

Autor Preferido:

Scott Lynch.

Blogue Preferido (para além do teu):

É difícil nomear um, visito mais regularmente o tor.com mas sou fã dos brasileiros The Bookworm Scientist, Intocados e Me Livrando. Em Portugal destaco o Bran Morrighan, o Leituras do Fiacha ou o Estante de Livros.

Capa Preferida da Estante:

Jardins da Lua de Steven Erikson.

Desafio Goodreads 2018:

Ler 80 livros.

E-book ou livro físico:

Ambos, mas preferencialmente físico.

Fórum Fantástico:

Um dos melhores eventos nacionais do género.

Género Preferido:

Fantasia (high fantasy, flintlock, steampunk).

Herói da Ficção:

Tyrion Lannister pode ser considerado um herói?

Imaginas-te a Viver em:

Al-Rassan, de Os Leões de Al-Rassan (Guy Gavriel Kay). Afinal, é inspirado na Península Ibérica.

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Autor Preferido: https://en.wikipedia.org/wiki/Scott_Lynch

Jogo Preferido:

Muito mais que um jogo, mas sem dúvida tudo o que esteja relacionado com LEGO.

Kindle ou Kobo:

Kindle.

Livro Preferido:

As Mentiras de Locke Lamora de Scott Lynch.

Melhor Hora para Ler:

Noite, madrugada dentro.

Número de Estantes em Casa:

7.

Sem título
Séries Pendentes: http://www.saidadeemergencia.com/

Ódio Literário:

O Palácio da Meia-Noite de Carlos Ruiz Zafon.

Personagem Que Mais Te Marcou:

Ellen de Os Pilares da Terra, Ken Follett.

Quero Muito Ler:

Mistborn Era 2 de Brandon Sanderson.

Ressaca Literária Mais Forte:

O final de Os Reinos do Caos. A espera por Os Ventos do Inverno de George R. R. Martin é dolorosa. Não haver mais nada para ler de Cavalheiros Bastardos (Scott Lynch) e Crónica do Regicida (Patrick Rothfuss) também me deixa com vontade de arrancar cabelos a alguém.

Séries Pendentes:

Para além das supracitadas, que ainda não estão acabadas, tenho de continuar a Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb, Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, Anjo da Noite de Brent Weeks, Saga do Império Malazano de Steven Erikson, The Witcher de Andzej Sapkowski, A Espada de Shannara de Terry Brooks, Área X de Jeff VanderMeer, Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell e Império das Tormentas de Jon Skovron. A nível de BDs, estou a acompanhar Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, Tony Chu: Detective Canibal de John Layman e Rob Guillory, Monstress de Marjorie Liu e Sana Takeda, The Walking Dead e Outcast de Robert Kirkman, The Wicked + The Divine de Kieron Gillen e Jamie McKelvie, Wytches de Scott Snyder e Jock, Southern Bastards de Jason Aaron e Jason Latour e Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook.

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Tenho Vontade de Reler

Tenho Vontade de Reler:

Tudo o que li de Scott Lynch, Robin Hobb e Steven Erikson, mas não passa de vontade. Há muito por ler antes de pensar em reler os meus preferidos.

Última Leitura:

O Homem Pintado de Peter V. Brett.

Vou Ler Hoje:

A Lança do Deserto de Peter V. Brett.

Walter Scott ou Bernard Cornwell:

Maurice Druon (Joking). Cornwell, mas também adorei ler Scott.

X-Men ou Área X:

Área X.

YA ou Adult:

Adult, please.

Zafon ou Zelazny:

Tive a má sorte de começar por um dos livros mais fracos de Zafon, o que me afastou completamente do autor. De Zelazny não li nada, mas tenho ideia de ler Nove Príncipes de Âmbar este ano.

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“Espada que Sangra” no Catálogo Divergência 2018

A Editorial Divergência lançou o seu press release habitual de início do ano, e um dos destaques da editora para 2018 é a publicação do meu livro Espada que Sangra. «Mas… Nuno, esse livro não foi já publicado?» Alguns dos meus seguidores mais distraídos podem mesmo ficar com esta dúvida. De facto, o livro foi publicado em setembro de 2014 pela Chiado Editora, mas assim que percebi o mecanismo de funcionamento da empresa, do não retorno financeiro de um investimento inicial, à quebra de expectativas no que diz respeito a apoio editorial, percebi que, mais do que um esforço incomportável da minha parte, continuar a publicar pela Chiado seria alimentar um negócio com o qual não concordava.

A excelente crítica ao livro, porém, fez-me adentrar por certos círculos literários, onde conheci pessoas e janelas abriram-se. Houve projetos que se iniciaram e não chegaram a vias de facto, muitos caminhos foram trilhados mas, de repente, chegou-me o interesse de uma editora independente, a Editorial Divergência, em publicar o Espada, sem qualquer contrapartida para além do meu trabalho. Claro que seria em outros moldes, o livro teria de ser bem mais reduzido em tamanho, mas… ser publicado pela editora que mais apoia os autores nacionais de Ficção Especulativa foi para mim uma honra, mas também a prova que me faltava de que tinha mesmo algum talento.

Depois de várias reticências na nossa relação, acabei por me congratular por conseguir rescindir contrato com a Chiado de forma amigável. O primeiro passo estava dado. O ano de 2017 foi passado em grande proximidade com a Divergência. Publicamos o conto “A Maldição de Odette Laurie” na antologia Os Monstros que nos Habitam e trabalhamos bastante no novo Espada que Sangra. Ainda estamos a trabalhar nele. Mas não se assustem. A história do livro é a mesma e poucos foram os capítulos cortados. Simplesmente, muita informação era dispensável e atenuava o prazer da leitura. Mesmo a minha escrita melhorou bastante em três anos. Tenho para mim que, quem quiser reler este livro, irá gostar ainda mais da nova versão.

Se me perguntarem se é necessário ler a versão nova para compreender o segundo volume, eu respondo que não. Como disse, a história é a mesma. Mas aposto que a experiência de leitura será significativamente maior se o fizerem. O novo Espada que Sangra está a chegar (façamos figas para que seja em abril) e faz parte de um catálogo ambicioso por parte da Divergência, que inclui antologias em parceria com editoras da Finlândia e do Reino Unido, assim como novas obras de autores consagradíssimos como João Barreiros ou António de Macedo, falecido em outubro. Consulta o site aqui.

Desafio 2018

2018 chegou, e com ele dou as boas-vindas a todos os seguidores do NDZ. Espero que o ano que agora chega vos traga tudo o que mais desejam, todas aquelas coisinhas boas que se tornaram cliché desejar nesta época do ano, muita alegria de espírito e, como não podia deixar de ser, muitos e bons livros. Cá para nós, há poucas coisas melhores.

Para mim, desejo que seja tão bom quanto foi 2017.  Se 2016 já havia sido produtivo aqui no site, com o fecho de parcerias, o uso do meu nome para publicidade editorial e um crescimento significativo de seguidores em relação aos anos anteriores, 2017 veio coroar essa tendência. Das 31.809 visualizações que alcancei até ao último dia do pretérito ano, 15.397 foram verificadas em 2017, o que é sensivelmente metade das visitas efectuadas em cinco anos e meio de publicações. A média diária é de 50 visitantes e 70 visualizações. Num país pequeno como o nosso, e tendo em conta as circunstâncias que a Ficção Especulativa vive no nosso país, são números que me impressionam positivamente.

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Também o número de visitantes, likes e seguidores duplicou. Muito embora nos primeiros anos de existência o NDZ tenha existido apenas para “consumo interno”, desde o final de 2014 que o site estava exposto à comunidade, pelo que o crescimento sustentado tem sido visível, quer em convites para parcerias, apresentação de eventos ou participação em outros blogues, revistas e projectos conjuntos. O desafio “Vamos Viajar com Robin Hobb” foi o embrião do que poderá ser um futuro mais estruturado em termos de desafios e passatempos literários.

Criei em 2017, finalmente, uma página de Facebook para o blogue, ainda com pouco alcance mas que ganhará volume mais tarde ou mais cedo. Pessoalmente, mudanças a nível de trabalho e o facto de “juntar os trapinhos” com a minha namorada não prejudicaram o ritmo de leituras. Depois das 95 leituras de 2016, voltei a quebrar o recorde com 96 leituras em 2017. Também não parei de escrever. A publicação do meu livro online Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer foi um sucesso, com um feedback muito mais positivo do que almejei.

Os trabalhos como autor não se ficaram pela publicação online. Pela Editorial Divergência saiu em finais de abril o livro Os Monstros que nos Habitam, uma antologia que inclui o meu conto de terror sobrenatural “A Maldição de Odette Laurie”. 2018 seguirá pela mesma senda, com a nova edição do meu livro Espada que Sangra a ser lançada pela Divergência no primeiro semestre do ano. Outros desafios literários seguir-se-ão, encontrando-me a estudar alguns convites para eventos e a possibilidade de os conjugar com outros projetos pessoais.

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Por aqui, o meu trabalho como crítico e parceiro literário continuará, respondendo com honestidade a todos os desafios que me são lançados. Em 2018 pretendo somar pelo menos 80 leituras, participar ativamente em tantos, ou mais, eventos literários que em 2017 (espero comparecer a todos os que me sejam propostos, desta vez) e colaborar com editoras mais efetivamente do que até aqui. Pretendo ainda realizar um novo desafio literário, como o que em 2017 realizei em volta de Robin Hobb, talvez com maior alcance.

Resta-me ainda agradecer-vos a todos por continuarem desse lado a incentivarem o meu trabalho, porque para mim é tão importante ser olhado com respeito pelo meu trabalho como escritor, como pelo meu papel na divulgação da cultura como fundador e criador de conteúdos neste site. Desejo-vos um 2018 maravilhoso e fiquem com os meus artigos mais populares em 2017:

 

 

Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.

As Escolhas de 2017

O ano de 2017 está à beira do fim e chegou a altura dos balanços literários. De modo geral, acabou por ser um ano sensivelmente idêntico ao anterior, com mais de 90 leituras no seu todo, embora este ano tenham sido significativamente mais livros e menos BDs que no ano pretérito, conforme podem conferir na minha listagem de leituras de 2017. 44 livros de bandas desenhadas, 44 livros em prosa e mais alguns contos soltos perfazem um ano cheio de surpresas e boas leituras.

Robin Hobb (6 livros), Neil Gaiman (7 BDs e 2 livros), Brandon Sanderson (2 livros, 1 BD e 1 conto) e Robert Kirkman (5 BDs) foram os autores que mais li este ano, mas vários foram aqueles de que repeti a “dose”. Conheci nomes como Patrick Rothfuss (li tudo o que havia do nosso Kvothe), Michael Moorcock (três volumes de Elric), Jon Skovron (dois volumes de Império das Tormentas), Brent Weeks (dois volumes de Anjo da Noite) e Noelle Stevenson (Nimona) e terminei várias séries que tinha em suspenso, como a Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, A Primeira Lei de Joe Abercrombie ou A Torre Negra de Stephen King.

Fiquem, então, com as minhas escolhas literárias do ano de 2017.

MELHOR LIVRO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Praticamente empatado com A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North nas minhas preferências literárias de 2017, O Assassino do Bobo talvez tenha a vantagem de pertencer ao género que mais me agrada, a fantasia épica. Profundo, dramático, bem desenvolvido e até enternecedor, o primeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb foi a minha melhor leitura do presente ano. Na minha escolha, pesou também o facto de ter lido os 5 livros da série anterior este ano, e todos com nota elevada. Hobb merece a medalha de ouro.

MELHOR FANTASIA

Sem título

O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Pensei seriamente que seria mais difícil escolher o melhor livro de fantasia do ano, quando a pouco mais de um mês para o final, Robin Hobb facilitou-me a tarefa. Ainda assim, foi um ano fantástico para mim como amante do género. Deslumbrei-me com Elantris e Warbreaker de Brandon Sanderson, amei os livros da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss e ainda tive direito à primeira parte de Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson.

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA

Sem título

A Súbita Aparição de Hope Arden, Claire North

aqui a opinião

Quem também me facilitou a tarefa foi Claire North, com algumas ressalvas. Este livro está normalmente catalogado num sub-género de Fantasia, magia urbana, é também um thriller mas, acima de tudo, a trama gira em torno de uma aplicação futurista para smartphones, o que justifica encontrá-lo tantas vezes vinculado à FC, e razão pela qual acabei por incluí-lo nesta categoria. O romance venceu o The World Fantasy Award 2017 com todo o mérito. No entanto, leituras como Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe Silva, Autoridade de Jeff VanderMeer, Os Despojados de Ursula K. Le Guin e a space opera Saga (formato BD) de Brian K. Vaughan e Fiona Staples também me ficaram na retina.

MELHOR HORROR

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Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe, Edgar Allan Poe

aqui a opinião

Entre alguns contos de Robert E. Howard e BDs como Harrow County e Outcast, acabou por ser esta lindíssima coletânea da Saída de Emergência, com ilustrações de 28 artistas nacionais, o livro que mais me marcou dentro do género Horror em 2017. Os contos que mais me agradaram foram “A Queda da Casa de Usher” e “Os Crimes da Rua Morgue”. Em 2018 espero ler mais histórias dentro deste género especulativo.

MELHOR ROMANCE HISTÓRICO

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Um Mundo Sem Fim, Ken Follett

aqui e aqui a opinião

Uma vez mais, a minha escolha no género Romance Histórico ficou dividida entre Ken Follett e Bernard Cornwell, acabando por ser o primeiro a vencer. Embora ambos sejam ótimos, a escrita de Follett encanta-me com uma profundidade a que o autor das Crónicas Saxónicas ainda não me conseguiu chegar. Um Mundo Sem Fim, dividido em Portugal em dois volumes, foi publicado pela Editorial Presença, enquanto o terceiro volume das Crónicas de Cornwell, Os Senhores do Norte, chegou até nós pelas mãos da Saída de Emergência.

MELHOR ANTOLOGIA / COLETÂNEA

Sem título

Mulheres Perigosas, Organização George R.R. Martin e Gardner Dozois

aqui a opinião

Embora tenha lido algumas coletâneas de contos, esta acabou por ser a melhor antologia que li em 2017. Permeada de autores renomeados como Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Brandon Sanderson, Joe Abercrombie e Megan Abbott, a antologia da Saída de Emergência oscilou entre os contos muito bons e outros menos. Sam Sykes foi a grande surpresa do conjunto e George R. R. Martin voltou a mostrar aquilo que vale.

MELHOR CONTO

Sem Título

Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno, Brandon Sanderson

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Incluído em Mulheres Perigosas, o conto “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno” foi não só o melhor conto da antologia, como o melhor que li em 2017. Ambientada no universo da Cosmere, a história de uma mulher cheia de recursos que gere uma estalagem numa floresta prenhe de fantasmas cativou-me. Mais um pequeno exemplo de que Brandon Sanderson é um dos autores que deve, urgentemente, voltar a ser publicado em Portugal. Destaque ainda para o ciclo de leituras em que estou a participar, no qual revisito vários dos contos de Robert E. Howard, que merecem as minhas menções de honra.

MELHOR BANDA-DESENHADA

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Saga Volume 7, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

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Este ano, Saga conseguiu suplantar The Walking Dead como a minha BD favorita, embora ambas continuem ótimas. Se o volume 6 da space opera já me havia fascinado, no 7.º o enredo só melhora. Resta-me enaltecer o trabalho da G Floy Studio neste segmento. Num ano em que li mais de 40 BDs, entre elas toda a coleção Sandman de Neil Gaiman, livros como A Garagem Hermética e A Louca do Sacré-Coeur de Moebius, acabaram por ser as BDs da Image Comics que a G Floy tem trazido até nós a marcarem-me.

Wytches, The Witched + The Divine, a trilogia Velvet, Southern Bastards, Tony Chu: Detective Canibal e Outcast são alguns dos destaques do ano, e provas de que a G Floy está a crescer a olhos vistos. Quero, porém, deixar ainda um louvor para as excelentes Nocturno de Tony Sandoval (Kingpin), Monstress: Despertar de Marjorie Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência), Nimona de Noelle Stevenson (Saída de Emergência) e Como Falar Com Raparigas em Festas de Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá (Bertrand).

MELHOR LANÇAMENTO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

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Não podia deixar de vencer em todas as categorias em que se insere. O Assassino do Bobo foi lançado em maio pela Saída de Emergência, mas só em novembro é que o li, porque ainda me faltava ler a segunda série protagonizada por Fitz antes de mergulhar nesta terceira. Ainda assim, este ano foi fantástico em lançamentos, nomeadamente pela Saída de Emergência no que diz respeito à fantasia e também com a sua nova incursão no mundo das bandas-desenhadas. Outros livros que foram lançados este ano e merecem o meu destaque, mas não só a nível nacional como internacional, foram Origem de Dan Brown (Bertrand) e Mitologia Nórdica de Neil Gaiman (Editorial Presença), que li neste último semestre do ano.

MELHOR NACIONAL

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Terrarium, João Barreiros e Luís Filipe Silva

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2017 foi mais um ano com espaço para a literatura nacional. Li a antologia Os Monstros que nos Habitam (que inclui um conto meu), A Nuvem de Hamburgo de Pedro Cipriano, Anjos de Carlos Silva, Moving, Fighting the Silent e Mission in the Dark de Bruno Martins Soares, La Dueña de José Augusto Alves e Conquista da Liberdade de Jay Luis, mas foi a nova edição de Terrarium, revista e aumentada pelos dois autores, e publicada pela Saída de Emergência, que mais me agradou. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os mestres da FC no nosso país e merecem todo o destaque que lhes possa ser dado, para que o seu talento possa chegar a mais e a mais pessoas.

Deixo-vos com os mais sinceros votos de um ano de 2018 cheio de boas surpresas e que para o próximo ano continuem a acompanhar as minhas indicações literárias. Boas leituras para todos.

ComicCon 2017

A quarta edição da Comic Con Portugal aconteceu no passado fim-de-semana, na Exponor, em Matosinhos. Be Whatever You Want foi o lema da edição 2017 e o cosplay marcou presença por todo o certame. As portas do recinto abriram-se na quinta-feira, pelas 14h00, e logo depois começaram as sessões de interação com os vários convidados.

Os fãs das mais diversas temáticas da cultura pop, do Star Wars à Liga da Justiça, tiveram muito por onde escolher e circular. Uma área de 500 m2 foi inteiramente dedicada a Star Wars, no dia de estreia do novo filme, incluindo o Imperial Combat Assault Tank do filme Rogue One, o caça rebelde T-65 X-Wing e um Funko Pop! em tamanho gigante do robô C3-P0.

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Edward James Olmos (Battlestar Gallactica) foi o nome mais sonante do dia, em cuja sessão sublinhou a importância de não esquecermos as nossas origens e identidade. A BD e a literatura não foram esquecidas. Andzej Sapkowski, o renomeado autor da série The Witcher compareceu a convite da Editora Saída de Emergência e não perdeu tempo em dar autógrafos. Do mundo da BD ainda figuraram nomes como Nuno Plati, Alberto Jimenez Albuquerque, Pepe Larraz e David Lafuente.

“A estrela de Prison Break confirmou a sexta temporada da série.”

Katherine McNamara foi a estrela do segundo dia do evento, que abriu as portas às 10h00. A atriz de Shadowhunters interagiu com os visitantes, falou sobre sucesso e sobre a importância de nunca desistir e de nunca parar de aprender. Giorgio Cavazzano, com um reconhecido trabalho nos quadradinhos da Disney, deu uma sessão de autógrafos e os presentes tiveram ainda direito a assistir à antestreia da sequela de Jumanji com Dwayne Johnson.

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O sábado foi um dos dias mais preenchidos. Felipe Melo e Juan Cavia, responsáveis por obras de BD como Dog Mendonça e Pizzaboy e Os Vampiros, lançaram o seu novo livro. Comer/Beber é a nova aposta da editora Tinta da China e foi um sucesso durante a convenção.

“Um evento que recebeu este ano, pelos números da organização, mais de 100 mil pessoas.”

O Canal Hollywood Portugal e a Lisbon Film Orchestra deliciaram os fãs ao reproduzir vários temas icónicos do mundo pop, pertences às bandas sonoras de Piratas das Caraíbas, Star Wars e E.T, por exemplo. Andrzej Sapkowski, sempre assessorado pela editora da Saída de Emergência Safaa Dib, distribuiu autógrafos no stand da editora. O grande destaque do dia foi, porém, Dominic Purcell. A estrela de Prison Break confirmou a sexta temporada da série.

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Purcell voltaria a estar presente no domingo, último dia do evento, para responder a questões e participar de um debate moderado pelo sempre bem-humorado Luís Filipe Borges. Kirsten Vangsness, de Mentes Criminosas, participou numa sessão moderada por João Paulo Sousa, mas os grandes destaques do dia foram mesmo Daniela Ruah e Clark Gregg. A atriz portuguesa que protagoniza NCIS: Los Angeles falou da sua carreira e das diferenças que encontrou entre trabalhar em Portugal e no estrangeiro. Já o ator que interpreta a personagem Phil Coulson nos filmes da Marvel e na série Agents of S.H.I.E.L.D, garantiu o retorno da personagem, ainda que os moldes sejam desconhecidos, e elogiou o nosso país.

Claire North, autora britânica de As Primeiras Quinze Vidas de Harry August e A Súbita Aparição de Hope Arden, foi a convidada da Saída de Emergência para o último dia do evento, tendo-se mostrado sempre simpática para com o público. Fica o pequeno resumo de um evento que recebeu este ano, pelos números da organização, mais de 100 mil pessoas. Ainda não foi em 2017 que tive a oportunidade de estar presente, mas o NDZ esteve bem representado pelo José Augusto Alves, a quem agradeço a reportagem fotográfica.

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Itália 2017

Um ambiente charmoso, uma gastronomia deliciosa e destinos turísticos lindíssimos são aquilo que o país em forma de bota mais promete – e cumpre – àqueles que o visitam. A minha visita deste ano a Itália coincidiu ainda com os dias mais amenos de outono, mas pude experimentar já um pouco do frio húmido que o norte do país reserva a quem o visita. E que faz do nosso frio invernal um pouco mais agradável em comparação. O ano passado, na mesma época, porém, senti-o com maior intensidade.

Foi uma viagem familiar, uma vez que a minha companheira é italiana e fomos visitar a família, mas também deu para passear bastante. Entre shoppings, pizzas e visitas a monumentos, assisti a um concerto de música clássica numa igreja, conheci a cidade de Milão e desbravei um pouco mais da citá alta de Bérgamo em noite de Halloween. Em Milão, visitei várias igrejas, o Castelo Sforzesco e os seus museus, o Parco Sempione – onde andei no ascensor da Torre Branca – e as ruas glamourosas, como por exemplo a famosíssima Galeria Vittorio Emanuele. Também assisti ao magnífico pôr-do-sol no terraço do Duomo de Milão, a não esquecer. Enfim, mais uma viagem incrível que espero repetir sempre que possa, naquele que considero já o segundo país em que me sinto em casa.

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XV Gala do Fado

Venho, mais uma vez, trazer-vos a reportagem [OFF-TOPIC] de uma gala de fado por mim apresentada. Aconteceu no passado sábado, pelas 22 horas, no Clube União de Recreios de Moita do Norte, freguesia de Vila Nova da Barquinha. Após a receção dos artistas e dos convidados, comecei por agradecer aos mais de 200 presentes por encherem a casa uma vez mais. O programa artístico começou com uma guitarrada, protagonizada pelos músicos da noite. À guitarra portuguesa tínhamos o professor Arménio de Melo, à viola de fado Francisco do Carmo e na viola baixo Gilberto Silva.

A primeira fadista a subir ao palco foi Andreia Matias. Venceu o concurso Bravo Bravíssimo em 98 e em 99 a Grande Noite do Fado. 2013 marcou o lançamento do seu primeiro disco, intitulado “Recanto”. Seguiram-se os dotes vocais de Luís Capão. Natural de Alter-do-Chão, o fadista alentejano começou a carreira aos 13 anos no concurso Uma Canção Para Ti, a que se seguiram inúmeras atuações em Portugal e no estrangeiro, frequente convidado de talk-shows televisivos e de casas de fado lisboetas, com uma média de 80 atuações por ano.

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Sónia Santos começou a cantar muito cedo, aos 7 anos. Aos 20, a fadista de Elvas lançou o primeiro disco, mais virado para as sonoridades latinas e pop, e só aos 25 anos vinculou-se ao fado, quando começou a cantar em casas de fado lisboetas. Sónia teve uma longa participação na edição 2016 do concurso The Voice Portugal, depois de ter vencido, em 2011, a rubrica Há Fado na Praça, do programa Praça da Alegria da RTP1. Sem haver necessidade de grandes apresentações, chamei ao palco Emanuel Soares, que tem sido figura assídua nos últimos dois anos. Natural de Peniche, começou a cantar fado aos 27 anos na Casa do Benfica de Torres Vedras, e deixou a sua profissão de PSP para se dedicar à música.

Quem também não precisou de apresentações foi Ana Lains. Com discos vendidos em mais de 30 países, a fadista deu os primeiros passos na nossa casa e pertence tanto a ela como pertence ao mundo. Depois de cada um deles cantar três músicas, deu-se lugar ao intervalo para o habitual caldo verde e chouriço assado, após o qual os fadistas voltaram a (en)cantar, despedindo-se com uma alegre desgarrada. Para o ano há mais.

Fórum Fantástico 2017

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Mais um ano, mais uma ida ao Fórum Fantástico. O certame anual dedicado à Ficção Especulativa regressou à Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, de 29 de setembro a 1 de outubro. Organizado por Rogério Ribeiro, João Morales e a Épica (Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes), o Fórum Fantástico deste ano trouxe várias surpresas, entre elas a existência de uma banca exterior de venda de livros usados, a realização em simultâneo da EuroSteamCon e a presença do autor Mike Carey, conhecido argumentista de X-Men e Lucifer, que lançou recentemente no nosso país, pela Nuvem de Tinta o livro A Rapariga que Sabia Demais.

Este ano tive o privilégio de estar presente no dia 30 de manhã e à tarde, onde registei com agrado uma grande afluência de participantes, especialmente devido à colaboração do pessoal do cosplay e do steampunk. O meu destaque vai, no entanto, para o workshop que decorreu no Auditório a partir das 10:30. Pedro Cipriano e Bruno Martins Soares partilharam com o público algumas ideias muito interessantes sobre Mundicriação e Escrita Criativa (e o Bruno ainda atirou uma melancia ao público xD). À tarde, Rogério Ribeiro esteve À Conversa com o Especulatório, onde pudemos conhecer muitas das atividades em que este grupo empreendedor e peculiar tem desenvolvido com especial incidência para os jogos de RPG.

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Da esquerda para a direita: Paulo Dores (Fiacha O Corvo Negro), o meu primo Ruben Lopes, a minha companheira e eu

A apresentação do trabalho de Pedro Cipriano, Ana Luz e Joel Gomes foi uma sessão interessante, denominada Identidades Autorais, onde pudemos saber mais sobre os três escritores. Conhecer mais da Revolução Steampunk, em especial o projeto do Nirvana Studios, foi outro momento grande da tarde, uma vez que não fazia ideia do envolvimento gigante que move o grupo e o trabalho que tem vindo a desenvolver. Para coroar a tarde, o lançamento do Almanaque Steampunk foi mais uma sessão interessante, que demonstrou o esforço hercúleo de 34 autores, do grupo do steampunk e da Editorial Divergência na concretização do mesmo. A tarde prosseguiu com a sessão I See Dead People com Mike e Linda Carey, que já não tive a possibilidade de assistir.

Foi mais um evento dedicado ao Fantástico que mostrou bem que este género tem muito ainda por ser explorado e muitas pessoas a trabalhar para desenvolver a Ficção Especulativa nacional. Acima de tudo, foi um momento bem passado, em que tive a possibilidade de estar com amigos e conhecidos do mundo do fantástico, conversar sobre livros, aconselhar outros e debater temas pertinentes dentro do género. Resta-me ainda dar os parabéns ao Luís Filipe Silva e ao João Barreiros, que receberam os Prémios Adamastor 2017 com todo o mérito. O trabalho que têm vindo a realizar na ficção científica nacional faz com que todos os aficcionados lhes devam muito, e é importante que o reconhecimento chegue em bom tempo.

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Apresentação do Almanaque Steampunk no Auditório da Biblioteca

Resumo Trimestral de Leituras #11

O verão costuma ser uma estação menos dada a leituras, mas em 2017 acabei por conseguir ler mais do que nos anos anteriores durante este período. Se julho foi o mês em que li mais, com as bandas-desenhadas a conhecerem alguma predominância, agosto trouxe-me boas surpresas como Os Despojados de Ursula K. Le Guin ou Anjos de Carlos Silva. Já o mês de setembro ficou marcado pela conclusão de várias sagas que vinha a seguir, como é o caso da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Torre Negra de Stephen King e A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Destaque ainda para a leitura de vários autores nacionais, como Carlos Silva, Pedro Cipriano, Jay Luís ou Bruno Martins Soares. Foi A Súbita Aparição de Hope Arden, de Claire North, porém, o livro que mais me arrebatou, tornando-se a melhor leitura do ano até ao momento.

Regressos, Southern Bastards #3 – Jason Aaron e Jason Latour

O Homem Que Roubou o Mundo, Velvet #3 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Monge Guerreiro – Romulo Felippe

Despertar, Monstress #1 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Conquista da Liberdade, Rebeldes Europeus #1 – Jay Luís

As Nuvens de Hamburgo – Pedro Cipriano

A Jornada do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #4 – Robin Hobb

Os Despojados – Ursula K. Le Guin

Anjos – Carlos Silva

Os Mares do Destino, Elric #3 – Michael Moorcock

Bruxas | Wytches – Scott Snyder e Jock

A Forca, A Primeira Lei #2 – Joe Abercrombie

Os Dragões do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #5 – Robin Hobb

A Súbita Aparição de Hope Arden – Claire North

One-Punch Man #3 – One e Yusuke Murata

A Torre Negra, A Torre Negra #7 – Stephen King

Moving – Bruno Martins Soares

A Coroa, A Primeira Lei #3 – Joe Abercrombie

Fighting The Silent, The Dark Sea War Chronicles #1 – Bruno Martins Soares

Sem TítuloComecei julho com o terceiro volume de Southern Bastards, Regressos. É mais um capítulo da violenta saga sobre as gentes do Alabama criada por Jason Aaron e Jason Latour, autor e ilustrador norte-americanos. Focado em seis personagens, Regressos é ambientado no período do Homecoming, em que a equipa dos Reb’s prepara-se para receber os Warriors, um jogo ensombrado pelo suicídio de Big, que se sentira esmagado pela atitude conspiratória da população em torno da morte de Earl Tubb. Os dois autores conseguiram enriquecer a série e abrir novas perspectivas para a mesma, ao mesmo tempo em que submergiram o leitor num ritmo crescente. O Homem que Roubou o Mundo é o terceiro volume de Velvet, com argumento de Ed Brubaker, arte de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. A um ritmo alucinante, o leitor segue a espia Velvet Templeton na peugada de respostas sobre a cabala que a fez matar o homem que amava. Uma conspiração que a leva aos meandros do Caso Watergate e ao rapto do presidente Nixon. Uma conclusão de trilogia fantástica, cheia de ação, perseguições e tiroteios. Duas fantásticas BD’s trazidas até nós pelas mãos da G Floy Studio Portugal.

Sem títuloDo autor brasileiro Romulo Felippe, Monge Guerreiro é um ótimo livro histórico pincelado de fantasia. Vemos um templário montado num unicórnio, um dragão a perseguir o papa pelas cidades italianas e uma missão lançada por Luís IX de França para proteger duas relíquias sagradas: a Lança de Longinus e a Coroa de Espinhos. Com uma melhor revisão e um maior equilíbrio entre a primeira e a segunda metade, o livro seria fantástico. Com argumento de Marjorie Liu e arte de Sana Takeda, duas artistas ligadas à Marvel, Despertar é o primeiro volume de Monstress, a nova aposta das Edições Saída de Emergência. Num mundo de inspiração asiática, uma rapariga arcânica vê-se no cerne de uma disputa de anos entre humanos e arcânicos. Muito embora pareça inofensiva, Maika Meiolobo tem dentro de si um poder imensurável, o resquício de um mal muito antigo que tem permanecido adormecido. Brilhante na arte e com um argumento maravilhoso, Monstress atira-nos para um mundo que levamos tempo a compreender, no qual a liderança matriarcal e a linguagem crua e direta nos absorvem de forma natural desde o primeiro momento.

Sem títuloPrimeiro volume da série Rebeldes Europeus da autora nacional Jay Luís, publicada pela Pastel de Nata Edições, Conquista da Liberdade é uma distopia interessante sobre um grupo rebelde que tenta resgatar famílias para colónias espaciais quando o nosso mundo foi dominado por um tirano de origens islâmicas. Duas irmãs que fazem parte desse sistema lutam contra a tirania, ao mesmo tempo que tentam proteger a sua própria família. Um livro algo fraco a nível de escrita, com muito a ser melhorado num próximo volume. Num outro patamar de qualidade está o livro de Pedro Cipriano, As Nuvens de Hamburgo, publicado pela Flybooks. O autor faz-nos vestir a pele de Marta, uma estudante de Erasmus em Hamburgo que começa a ter visões de acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que tenta descobrir o que se passa consigo, procura usar o dom para fazer algo de importante. Um livro de leitura rápida e vocabulário simples que funcionou muito bem e agradou-me. O quarto volume da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Jornada do Assassino, não tem nada de muito original ou rasgos de génio, mas as ligações entre os personagens e entre os personagens e o leitor são incríveis e a escrita de Hobb é simplesmente maravilhosa. Respeitador avança na sua jornada para as Ilhas Externas acompanhado de Fitz, Breu, Obtuso e companhia, mas tanto o reencontro com a narcheska Eliânia como a procura do dragão não são exatamente como esperavam. Uma fantástica série publicada pela Edições Saída de Emergência.

Sem TítuloAgosto começou com ficção científica, também publicada pela Saída de Emergência. Escrito por Ursula K. Le Guin, Os Despojados narra a estadia de um físico natural de Anarres no seu planeta gémeo, Urras, de modo a conhecer melhor aquela civilização e a ajudá-los com os seus estudos. Rapidamente, porém, Shevek percebe o alcance da manipulação de que é alvo. Um livro bastante filosófico e político, acima de tudo uma dura crítica social aos regimes capitalistas, mas que acaba por mostrar que nenhuma civilização é perfeita e nenhum estado social consegue estar imune a vários e sérios problemas. Um livro que me deliciou, em parte graças à escrita envolvente de Ursula, mas que demorei a ler, por em determinados momentos ser algo confuso e aborrecido. Vencedor do Prémio Divergência em 2015, Anjos é o romance de estreia de Carlos Silva e o primeiro livro de solar punk em Portugal. Num futuro longínquo, o nosso país foi vítima de um terramoto. Seguiu-se um período de várias mudanças a nível social e tecnológico, que se traduziu num novo modo de vida. O Portugal que conhecíamos transformou-se. É um livro pequeno e por vezes pouco equilibrado na chuva de pontos de vista que nos quer mostrar, ainda assim de uma qualidade acima da média dentro da literatura nacional.

Sem títuloOs Mares do Destino é o terceiro volume da saga Elric de Michael Moorcock, e o último publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Nesta aventura do imperador albino, acompanhamo-lo através do Multiverso, conhecendo países e culturas que julgava impossíveis. Dos mares revoltos, onde conhece uma jovem predestinada, ao navio de um capitão onde encontra três facetas de si próprio, Elric percorre um gólgota de devastação onde a sua vida encontra-se sempre em risco. É quando conhece um duque careca e enfrenta um antepassado que a jornada ganha finalmente sentido, no encontro das suas origens e das origens do seu povo. Um volume de que gostei bastante, porque apesar de não acrescentar nada de novo à trama conseguiu envolver-me. Uma prova de que as velhas histórias de espada e feitiçaria continuam a fascinar-me. Lançado pela G Floy Studio Portugal, Bruxas | Wytches é um produto de sucesso de um dos principais argumentistas de Batman, Scott Snyder. Com ilustração de Jock, Wytches é uma história tensa e incrível sobre uma família que tenta ultrapassar uma tragédia que os marcou a todos e unir os fragmentos do que tinham. A jovem Sailor não se consegue adaptar à nova escola nem à nova vida, e nessa espiral depressiva descobre que a floresta à volta da casa nova está pejada de bruxas. Para piorar, ela está marcada para morrer. Estas bruxas de Snyder são, no entanto, bem mais monstruosas do que a visão comum das mesmas. Não me maravilhou, mas gostei bastante e a arte está brutal.

Sem títuloA minha última leitura de agosto foi A Forca, o segundo volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Enquanto Bayaz conduz Logen Novededos, Jezal dan Luthar, Ferro Maljinn, Malacus Quai e Pé-Longo até aos confins do mundo para encontrar um artefacto mágico capaz de salvar o mundo, o major West é obrigado a enfrentar os exércitos de Bethod e resistir à futilidade das ordens do príncipe Ladisla, a quem foi confiado. No sul, os exércitos gurkeses montam cerco a Dagoska, o último bastião da União naquelas paragens, e o inquisidor Glotka é enviado para lá não só para resistir ao cerco como para descobrir o que aconteceu ao seu antecessor. Arruinar uma conspiração torna-se, no entanto, o menor dos seus problemas. Foi um volume que melhorou em relação ao anterior, mas continuo sem gostar do núcleo principal. Os capítulos de Glotka, West e Cão foram, sem dúvida, o que salvou o livro. Uma edição 1001 Mundos. Pela Saída de Emergência, iniciei setembro com Os Dragões do Assassino. Numa toada semelhante à dos volumes anteriores, Robin Hobb desdobra a capa que encerrava todos os segredos no quinto e último volume da Saga O Regresso do Assassino. Os mistérios na Ilha de Aslevjal são finalmente descobertos, o dragão Fogojelo é arrancado da sua clausura sob o gelo e personagens como Castro, Fitz, Moli, Breu, Respeitador e Eliânia conhecem fins de maior ou menor felicidade. Um ciclo que foi encerrado com grande perícia e mestria por parte da autora canadiana, ainda assim houve algo que me fez não gostar tanto deste como dos anteriores.

Sem títuloO novo livro da autora Claire North, que já o ano passado havia surpreendido com As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, foi só a minha melhor leitura deste ano até ao momento. Envolvente, rico em pormenores e extremamente ambicioso, A Súbita Aparição de Hope Arden foca-se numa rapariga que desde os 16 anos viu toda a gente esquecer-se dela. Quando as pessoas deixam de a ver por segundos, esquecem-se do seu rosto e de quem ela é ou o que fez. Hope transformou-se numa rapariga esquecível, o que a obrigou a sobreviver por sua própria conta e risco e, à margem da sociedade, caiu no mundo do crime. A história é excelente mas foi sobretudo a escrita da autora que me encantou. Com argumento de One e ilustrações de Yusuke Murata, o terceiro volume de One-Punch Man, recentemente publicado pela Devir, leva os heróis Saitama e Genos a uma prova para determinarem a classe de super-heróis a que pertencem e verem os seus nomes registados na lista oficial. Depois, terão de lidar ainda com um motim de super-heróis e com monstros aborrecidos. Apesar de ter vários pormenores interessantes, a história vale sobretudo pelo braço-de-ferro entre Saitama e Genos e a insistência do ciborgue em ser ensinado por um homem que não está nem aí, nem sabe o que lhe haveria de ensinar. Parece-me, no entanto, um mangá que está longe de justificar o sucesso que obteve.

Sem títuloCheguei finalmente ao fim da saga A Torre Negra de Stephen King, publicado no nosso país pela Bertrand Editora. O último volume, com o mesmo nome, mostra Roland, Jake, Eddie, Susannah, Oi e o padre Callahan numa corrida contra o tempo para impedirem grandes males, mas a reta final da caminhada para a Torre Negra pertence exclusivamente a Roland de Gilead. Um livro que deixou a claro toda a simbologia criada pelo autor, foi uma história que me agradou imenso, os finais foram excelentes e as cenas de mortes incríveis. O pecado do livro, tal como havia verificado em livros anteriores da série, é o volume ostensivo de páginas, quando muitos capítulos são absurdamente dispensáveis. Já o conto do autor português Bruno Martins Soares disponível na Amazon, Moving, fala sobre livros (teimosos) e sobre Paulo, um homem averso a mudanças que é obrigado a aceitá-las. A escrita do Bruno é inteligente e fluída, mas também intimista, deixando-nos vestir a pele do personagem principal e nunca abandona a toada humorística durante a narração.

Sem TítuloTerceiro e último volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie, A Coroa é um desenrolar de acontecimentos frenéticos e plot-twists de cortar a respiração. Bayaz e Ferro foram os personagens de que gostei menos e toda a magia envolvida soou-me forçada e anti-natural, quebrando a fluidez narrativa que Joe demonstrou ao desenvolver personagens como Glotka, Collem West ou Cão. Ainda assim, os personagens Jezal e Logen melhoraram bastante e, ainda que não tenha “comprado” a história nem gostado muito do final, fica claro que é uma trilogia a não deixar de ler. Primeiro volume da série The Dark Sea War Chronicles, Fighting The Silent do autor nacional Bruno Martins Soares estará disponível já dia 1 de outubro na Amazon. Trata-se de uma série de ficção científica protagonizada por Byllard Iddo, onde a ação acontece num sistema solar longínquo. Ali, uma guerra é travada entre o reino de Torrance e a temida República Axx. Após o fatídico incidente, Byl juntou-se à Marinha Espacial, onde se tornou tenente na poderosa armada de Webbur, a nação aliada a Torrance que estará na linha da frente para receber o embate de uma incursão inimiga. É um livro pequeno, muito bem escrito e original.

Neste momento estou a ler Elantris de Brandon Sanderson, e autores como Steven Erikson, George R. R. Martin, Edgar Allan Poe e Andrzej Sapkowski serão seguramente comentados por mim aqui no NDZ no próximo trimestre. Também as BD’s não serão esquecidas e os novos volumes de Saga e Tony Chu não me escaparão. Fiquem atentos.