XV Gala do Fado

Venho, mais uma vez, trazer-vos a reportagem [OFF-TOPIC] de uma gala de fado por mim apresentada. Aconteceu no passado sábado, pelas 22 horas, no Clube União de Recreios de Moita do Norte, freguesia de Vila Nova da Barquinha. Após a receção dos artistas e dos convidados, comecei por agradecer aos mais de 200 presentes por encherem a casa uma vez mais. O programa artístico começou com uma guitarrada, protagonizada pelos músicos da noite. À guitarra portuguesa tínhamos o professor Arménio de Melo, à viola de fado Francisco do Carmo e na viola baixo Gilberto Silva.

A primeira fadista a subir ao palco foi Andreia Matias. Venceu o concurso Bravo Bravíssimo em 98 e em 99 a Grande Noite do Fado. 2013 marcou o lançamento do seu primeiro disco, intitulado “Recanto”. Seguiram-se os dotes vocais de Luís Capão. Natural de Alter-do-Chão, o fadista alentejano começou a carreira aos 13 anos no concurso Uma Canção Para Ti, a que se seguiram inúmeras atuações em Portugal e no estrangeiro, frequente convidado de talk-shows televisivos e de casas de fado lisboetas, com uma média de 80 atuações por ano.

Sem Título

Sónia Santos começou a cantar muito cedo, aos 7 anos. Aos 20, a fadista de Elvas lançou o primeiro disco, mais virado para as sonoridades latinas e pop, e só aos 25 anos vinculou-se ao fado, quando começou a cantar em casas de fado lisboetas. Sónia teve uma longa participação na edição 2016 do concurso The Voice Portugal, depois de ter vencido, em 2011, a rubrica Há Fado na Praça, do programa Praça da Alegria da RTP1. Sem haver necessidade de grandes apresentações, chamei ao palco Emanuel Soares, que tem sido figura assídua nos últimos dois anos. Natural de Peniche, começou a cantar fado aos 27 anos na Casa do Benfica de Torres Vedras, e deixou a sua profissão de PSP para se dedicar à música.

Quem também não precisou de apresentações foi Ana Lains. Com discos vendidos em mais de 30 países, a fadista deu os primeiros passos na nossa casa e pertence tanto a ela como pertence ao mundo. Depois de cada um deles cantar três músicas, deu-se lugar ao intervalo para o habitual caldo verde e chouriço assado, após o qual os fadistas voltaram a (en)cantar, despedindo-se com uma alegre desgarrada. Para o ano há mais.

Anúncios

Fórum Fantástico 2017

Sem título

Mais um ano, mais uma ida ao Fórum Fantástico. O certame anual dedicado à Ficção Especulativa regressou à Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, de 29 de setembro a 1 de outubro. Organizado por Rogério Ribeiro, João Morales e a Épica (Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes), o Fórum Fantástico deste ano trouxe várias surpresas, entre elas a existência de uma banca exterior de venda de livros usados, a realização em simultâneo da EuroSteamCon e a presença do autor Mike Carey, conhecido argumentista de X-Men e Lucifer, que lançou recentemente no nosso país, pela Nuvem de Tinta o livro A Rapariga que Sabia Demais.

Este ano tive o privilégio de estar presente no dia 30 de manhã e à tarde, onde registei com agrado uma grande afluência de participantes, especialmente devido à colaboração do pessoal do cosplay e do steampunk. O meu destaque vai, no entanto, para o workshop que decorreu no Auditório a partir das 10:30. Pedro Cipriano e Bruno Martins Soares partilharam com o público algumas ideias muito interessantes sobre Mundicriação e Escrita Criativa (e o Bruno ainda atirou uma melancia ao público xD). À tarde, Rogério Ribeiro esteve À Conversa com o Especulatório, onde pudemos conhecer muitas das atividades em que este grupo empreendedor e peculiar tem desenvolvido com especial incidência para os jogos de RPG.

Sem título
Da esquerda para a direita: Paulo Dores (Fiacha O Corvo Negro), o meu primo Ruben Lopes, a minha companheira e eu

A apresentação do trabalho de Pedro Cipriano, Ana Luz e Joel Gomes foi uma sessão interessante, denominada Identidades Autorais, onde pudemos saber mais sobre os três escritores. Conhecer mais da Revolução Steampunk, em especial o projeto do Nirvana Studios, foi outro momento grande da tarde, uma vez que não fazia ideia do envolvimento gigante que move o grupo e o trabalho que tem vindo a desenvolver. Para coroar a tarde, o lançamento do Almanaque Steampunk foi mais uma sessão interessante, que demonstrou o esforço hercúleo de 34 autores, do grupo do steampunk e da Editorial Divergência na concretização do mesmo. A tarde prosseguiu com a sessão I See Dead People com Mike e Linda Carey, que já não tive a possibilidade de assistir.

Foi mais um evento dedicado ao Fantástico que mostrou bem que este género tem muito ainda por ser explorado e muitas pessoas a trabalhar para desenvolver a Ficção Especulativa nacional. Acima de tudo, foi um momento bem passado, em que tive a possibilidade de estar com amigos e conhecidos do mundo do fantástico, conversar sobre livros, aconselhar outros e debater temas pertinentes dentro do género. Resta-me ainda dar os parabéns ao Luís Filipe Silva e ao João Barreiros, que receberam os Prémios Adamastor 2017 com todo o mérito. O trabalho que têm vindo a realizar na ficção científica nacional faz com que todos os aficcionados lhes devam muito, e é importante que o reconhecimento chegue em bom tempo.

Sem título
Apresentação do Almanaque Steampunk no Auditório da Biblioteca

Resumo Trimestral de Leituras #11

O verão costuma ser uma estação menos dada a leituras, mas em 2017 acabei por conseguir ler mais do que nos anos anteriores durante este período. Se julho foi o mês em que li mais, com as bandas-desenhadas a conhecerem alguma predominância, agosto trouxe-me boas surpresas como Os Despojados de Ursula K. Le Guin ou Anjos de Carlos Silva. Já o mês de setembro ficou marcado pela conclusão de várias sagas que vinha a seguir, como é o caso da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Torre Negra de Stephen King e A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Destaque ainda para a leitura de vários autores nacionais, como Carlos Silva, Pedro Cipriano, Jay Luís ou Bruno Martins Soares. Foi A Súbita Aparição de Hope Arden, de Claire North, porém, o livro que mais me arrebatou, tornando-se a melhor leitura do ano até ao momento.

Regressos, Southern Bastards #3 – Jason Aaron e Jason Latour

O Homem Que Roubou o Mundo, Velvet #3 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Monge Guerreiro – Romulo Felippe

Despertar, Monstress #1 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Conquista da Liberdade, Rebeldes Europeus #1 – Jay Luís

As Nuvens de Hamburgo – Pedro Cipriano

A Jornada do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #4 – Robin Hobb

Os Despojados – Ursula K. Le Guin

Anjos – Carlos Silva

Os Mares do Destino, Elric #3 – Michael Moorcock

Bruxas | Wytches – Scott Snyder e Jock

A Forca, A Primeira Lei #2 – Joe Abercrombie

Os Dragões do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #5 – Robin Hobb

A Súbita Aparição de Hope Arden – Claire North

One-Punch Man #3 – One e Yusuke Murata

A Torre Negra, A Torre Negra #7 – Stephen King

Moving – Bruno Martins Soares

A Coroa, A Primeira Lei #3 – Joe Abercrombie

Fighting The Silent, The Dark Sea War Chronicles #1 – Bruno Martins Soares

Sem TítuloComecei julho com o terceiro volume de Southern Bastards, Regressos. É mais um capítulo da violenta saga sobre as gentes do Alabama criada por Jason Aaron e Jason Latour, autor e ilustrador norte-americanos. Focado em seis personagens, Regressos é ambientado no período do Homecoming, em que a equipa dos Reb’s prepara-se para receber os Warriors, um jogo ensombrado pelo suicídio de Big, que se sentira esmagado pela atitude conspiratória da população em torno da morte de Earl Tubb. Os dois autores conseguiram enriquecer a série e abrir novas perspectivas para a mesma, ao mesmo tempo em que submergiram o leitor num ritmo crescente. O Homem que Roubou o Mundo é o terceiro volume de Velvet, com argumento de Ed Brubaker, arte de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. A um ritmo alucinante, o leitor segue a espia Velvet Templeton na peugada de respostas sobre a cabala que a fez matar o homem que amava. Uma conspiração que a leva aos meandros do Caso Watergate e ao rapto do presidente Nixon. Uma conclusão de trilogia fantástica, cheia de ação, perseguições e tiroteios. Duas fantásticas BD’s trazidas até nós pelas mãos da G Floy Studio Portugal.

Sem títuloDo autor brasileiro Romulo Felippe, Monge Guerreiro é um ótimo livro histórico pincelado de fantasia. Vemos um templário montado num unicórnio, um dragão a perseguir o papa pelas cidades italianas e uma missão lançada por Luís IX de França para proteger duas relíquias sagradas: a Lança de Longinus e a Coroa de Espinhos. Com uma melhor revisão e um maior equilíbrio entre a primeira e a segunda metade, o livro seria fantástico. Com argumento de Marjorie Liu e arte de Sana Takeda, duas artistas ligadas à Marvel, Despertar é o primeiro volume de Monstress, a nova aposta das Edições Saída de Emergência. Num mundo de inspiração asiática, uma rapariga arcânica vê-se no cerne de uma disputa de anos entre humanos e arcânicos. Muito embora pareça inofensiva, Maika Meiolobo tem dentro de si um poder imensurável, o resquício de um mal muito antigo que tem permanecido adormecido. Brilhante na arte e com um argumento maravilhoso, Monstress atira-nos para um mundo que levamos tempo a compreender, no qual a liderança matriarcal e a linguagem crua e direta nos absorvem de forma natural desde o primeiro momento.

Sem títuloPrimeiro volume da série Rebeldes Europeus da autora nacional Jay Luís, publicada pela Pastel de Nata Edições, Conquista da Liberdade é uma distopia interessante sobre um grupo rebelde que tenta resgatar famílias para colónias espaciais quando o nosso mundo foi dominado por um tirano de origens islâmicas. Duas irmãs que fazem parte desse sistema lutam contra a tirania, ao mesmo tempo que tentam proteger a sua própria família. Um livro algo fraco a nível de escrita, com muito a ser melhorado num próximo volume. Num outro patamar de qualidade está o livro de Pedro Cipriano, As Nuvens de Hamburgo, publicado pela Flybooks. O autor faz-nos vestir a pele de Marta, uma estudante de Erasmus em Hamburgo que começa a ter visões de acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que tenta descobrir o que se passa consigo, procura usar o dom para fazer algo de importante. Um livro de leitura rápida e vocabulário simples que funcionou muito bem e agradou-me. O quarto volume da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Jornada do Assassino, não tem nada de muito original ou rasgos de génio, mas as ligações entre os personagens e entre os personagens e o leitor são incríveis e a escrita de Hobb é simplesmente maravilhosa. Respeitador avança na sua jornada para as Ilhas Externas acompanhado de Fitz, Breu, Obtuso e companhia, mas tanto o reencontro com a narcheska Eliânia como a procura do dragão não são exatamente como esperavam. Uma fantástica série publicada pela Edições Saída de Emergência.

Sem TítuloAgosto começou com ficção científica, também publicada pela Saída de Emergência. Escrito por Ursula K. Le Guin, Os Despojados narra a estadia de um físico natural de Anarres no seu planeta gémeo, Urras, de modo a conhecer melhor aquela civilização e a ajudá-los com os seus estudos. Rapidamente, porém, Shevek percebe o alcance da manipulação de que é alvo. Um livro bastante filosófico e político, acima de tudo uma dura crítica social aos regimes capitalistas, mas que acaba por mostrar que nenhuma civilização é perfeita e nenhum estado social consegue estar imune a vários e sérios problemas. Um livro que me deliciou, em parte graças à escrita envolvente de Ursula, mas que demorei a ler, por em determinados momentos ser algo confuso e aborrecido. Vencedor do Prémio Divergência em 2015, Anjos é o romance de estreia de Carlos Silva e o primeiro livro de solar punk em Portugal. Num futuro longínquo, o nosso país foi vítima de um terramoto. Seguiu-se um período de várias mudanças a nível social e tecnológico, que se traduziu num novo modo de vida. O Portugal que conhecíamos transformou-se. É um livro pequeno e por vezes pouco equilibrado na chuva de pontos de vista que nos quer mostrar, ainda assim de uma qualidade acima da média dentro da literatura nacional.

Sem títuloOs Mares do Destino é o terceiro volume da saga Elric de Michael Moorcock, e o último publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Nesta aventura do imperador albino, acompanhamo-lo através do Multiverso, conhecendo países e culturas que julgava impossíveis. Dos mares revoltos, onde conhece uma jovem predestinada, ao navio de um capitão onde encontra três facetas de si próprio, Elric percorre um gólgota de devastação onde a sua vida encontra-se sempre em risco. É quando conhece um duque careca e enfrenta um antepassado que a jornada ganha finalmente sentido, no encontro das suas origens e das origens do seu povo. Um volume de que gostei bastante, porque apesar de não acrescentar nada de novo à trama conseguiu envolver-me. Uma prova de que as velhas histórias de espada e feitiçaria continuam a fascinar-me. Lançado pela G Floy Studio Portugal, Bruxas | Wytches é um produto de sucesso de um dos principais argumentistas de Batman, Scott Snyder. Com ilustração de Jock, Wytches é uma história tensa e incrível sobre uma família que tenta ultrapassar uma tragédia que os marcou a todos e unir os fragmentos do que tinham. A jovem Sailor não se consegue adaptar à nova escola nem à nova vida, e nessa espiral depressiva descobre que a floresta à volta da casa nova está pejada de bruxas. Para piorar, ela está marcada para morrer. Estas bruxas de Snyder são, no entanto, bem mais monstruosas do que a visão comum das mesmas. Não me maravilhou, mas gostei bastante e a arte está brutal.

Sem títuloA minha última leitura de agosto foi A Forca, o segundo volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Enquanto Bayaz conduz Logen Novededos, Jezal dan Luthar, Ferro Maljinn, Malacus Quai e Pé-Longo até aos confins do mundo para encontrar um artefacto mágico capaz de salvar o mundo, o major West é obrigado a enfrentar os exércitos de Bethod e resistir à futilidade das ordens do príncipe Ladisla, a quem foi confiado. No sul, os exércitos gurkeses montam cerco a Dagoska, o último bastião da União naquelas paragens, e o inquisidor Glotka é enviado para lá não só para resistir ao cerco como para descobrir o que aconteceu ao seu antecessor. Arruinar uma conspiração torna-se, no entanto, o menor dos seus problemas. Foi um volume que melhorou em relação ao anterior, mas continuo sem gostar do núcleo principal. Os capítulos de Glotka, West e Cão foram, sem dúvida, o que salvou o livro. Uma edição 1001 Mundos. Pela Saída de Emergência, iniciei setembro com Os Dragões do Assassino. Numa toada semelhante à dos volumes anteriores, Robin Hobb desdobra a capa que encerrava todos os segredos no quinto e último volume da Saga O Regresso do Assassino. Os mistérios na Ilha de Aslevjal são finalmente descobertos, o dragão Fogojelo é arrancado da sua clausura sob o gelo e personagens como Castro, Fitz, Moli, Breu, Respeitador e Eliânia conhecem fins de maior ou menor felicidade. Um ciclo que foi encerrado com grande perícia e mestria por parte da autora canadiana, ainda assim houve algo que me fez não gostar tanto deste como dos anteriores.

Sem títuloO novo livro da autora Claire North, que já o ano passado havia surpreendido com As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, foi só a minha melhor leitura deste ano até ao momento. Envolvente, rico em pormenores e extremamente ambicioso, A Súbita Aparição de Hope Arden foca-se numa rapariga que desde os 16 anos viu toda a gente esquecer-se dela. Quando as pessoas deixam de a ver por segundos, esquecem-se do seu rosto e de quem ela é ou o que fez. Hope transformou-se numa rapariga esquecível, o que a obrigou a sobreviver por sua própria conta e risco e, à margem da sociedade, caiu no mundo do crime. A história é excelente mas foi sobretudo a escrita da autora que me encantou. Com argumento de One e ilustrações de Yusuke Murata, o terceiro volume de One-Punch Man, recentemente publicado pela Devir, leva os heróis Saitama e Genos a uma prova para determinarem a classe de super-heróis a que pertencem e verem os seus nomes registados na lista oficial. Depois, terão de lidar ainda com um motim de super-heróis e com monstros aborrecidos. Apesar de ter vários pormenores interessantes, a história vale sobretudo pelo braço-de-ferro entre Saitama e Genos e a insistência do ciborgue em ser ensinado por um homem que não está nem aí, nem sabe o que lhe haveria de ensinar. Parece-me, no entanto, um mangá que está longe de justificar o sucesso que obteve.

Sem títuloCheguei finalmente ao fim da saga A Torre Negra de Stephen King, publicado no nosso país pela Bertrand Editora. O último volume, com o mesmo nome, mostra Roland, Jake, Eddie, Susannah, Oi e o padre Callahan numa corrida contra o tempo para impedirem grandes males, mas a reta final da caminhada para a Torre Negra pertence exclusivamente a Roland de Gilead. Um livro que deixou a claro toda a simbologia criada pelo autor, foi uma história que me agradou imenso, os finais foram excelentes e as cenas de mortes incríveis. O pecado do livro, tal como havia verificado em livros anteriores da série, é o volume ostensivo de páginas, quando muitos capítulos são absurdamente dispensáveis. Já o conto do autor português Bruno Martins Soares disponível na Amazon, Moving, fala sobre livros (teimosos) e sobre Paulo, um homem averso a mudanças que é obrigado a aceitá-las. A escrita do Bruno é inteligente e fluída, mas também intimista, deixando-nos vestir a pele do personagem principal e nunca abandona a toada humorística durante a narração.

Sem TítuloTerceiro e último volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie, A Coroa é um desenrolar de acontecimentos frenéticos e plot-twists de cortar a respiração. Bayaz e Ferro foram os personagens de que gostei menos e toda a magia envolvida soou-me forçada e anti-natural, quebrando a fluidez narrativa que Joe demonstrou ao desenvolver personagens como Glotka, Collem West ou Cão. Ainda assim, os personagens Jezal e Logen melhoraram bastante e, ainda que não tenha “comprado” a história nem gostado muito do final, fica claro que é uma trilogia a não deixar de ler. Primeiro volume da série The Dark Sea War Chronicles, Fighting The Silent do autor nacional Bruno Martins Soares estará disponível já dia 1 de outubro na Amazon. Trata-se de uma série de ficção científica protagonizada por Byllard Iddo, onde a ação acontece num sistema solar longínquo. Ali, uma guerra é travada entre o reino de Torrance e a temida República Axx. Após o fatídico incidente, Byl juntou-se à Marinha Espacial, onde se tornou tenente na poderosa armada de Webbur, a nação aliada a Torrance que estará na linha da frente para receber o embate de uma incursão inimiga. É um livro pequeno, muito bem escrito e original.

Neste momento estou a ler Elantris de Brandon Sanderson, e autores como Steven Erikson, George R. R. Martin, Edgar Allan Poe e Andrzej Sapkowski serão seguramente comentados por mim aqui no NDZ no próximo trimestre. Também as BD’s não serão esquecidas e os novos volumes de Saga e Tony Chu não me escaparão. Fiquem atentos.

NDZ: 5.º Aniversário

Viva!

Parece que foi ontem que vim aqui falar-vos do 4.º aniversário do blogue e aqui estou eu a escrever sobre o 5.º aniversário. Cinco anos de qualquer coisa é sempre uma marca importante, e este ano tinha a ideia de preparar algo em grande para comemorar convosco esta data tão especial. Acontece que as férias algo agitadas e o regressar súbito ao trabalho me retirou espaço de manobra para elaborar algo, mas não queria de maneira nenhuma deixar de passar a data em branco.

Nuno Ferreira

Por isto, hoje é dia de comemorar em grande este aniversário. Não tenho nada para vos oferecer ao nível do blogue, mas quem quiser pode-se juntar a mim nestas comemorações. O aniversário do blogue tornou-se quase um apêndice ao meu aniversário, talvez por ocorrer poucos dias depois, e é sempre maravilhoso receber o feedback dos seguidores, em ambas as datas. Se as dezenas de visualizações diárias e os pontuais mails de congratulação me deixam sempre motivado a continuar a escrever, mais e melhor, neste cantinho online, também estes momentos são importantes para estimular a nossa conexão.

Cada vez mais organizada, a plataforma NDZ é hoje muito mais respeitada do que há um ano atrás, o que em muito me satisfaz. Estes cinco anos não são representativos de nada, uma vez que permaneci quase anónimo nos primeiros dois, quando praticamente só escrevia para consumo interno. Agora, com parcerias, várias publicações semanais e conteúdos de importância sumária para quem comunga dos meus gostos literários, o NDZ atravessa um período de clara ascendência. Mesmo com a sensação de que os tempos são de mudança e que os próximos meses obrigar-me-ão a escrever menos, trarei para vós também inúmeras novidades que não deixarão ninguém indiferente.

Muito obrigado por continuarem desse lado.

Com grande estima,

Nuno Ferreira

Fados Solidários e Danças de Salão 2017

Mais uma vez fujo ao tema do blogue para vos falar de um evento apresentado por mim. Foi ontem, no Pavilhão Municipal de Vila Nova da Barquinha, que se realizou um espetáculo de Fado e Danças de Salão com a finalidade de angariar fundos para o desenvolvimento da Associação de Paralisia Cerebral de Vila Nova da Barquinha.

O evento foi organizado pelo Clube União de Recreios de Moita do Norte com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha. Mais de 300 pessoas estiveram presentes para apoiar a causa, mas não foram os únicos. Para além daqueles que pagaram bilhete e não puderam comparecer, houve ainda muitos que contribuíram com donativos para a organização do evento e outros que colaboraram com o seu próprio trabalho.

Sem título

A noite começou com uma bela guitarrada. Bruno Chaveiro é uma das maiores revelações portuguesas na guitarra portuguesa, tendo acompanhado nos últimos tempos alguns dos maiores nomes do fado em Portugal e além-fronteiras. À viola de fado, foi acompanhado por João Domingos, e no baixo esteve Zé Ganchinho, uma vez que Miguel Silva, que estava no programa, não pôde estar presente.

Silvina Pereira foi a primeira fadista a subir ao palco. Natural da Marinha Grande, começou no teatro, e foi na revista à portuguesa que descobriu o seu talento para o fado, área por onde enveredou. Ao terceiro fado que cantou, vários dançarinos subiram aos respetivos palcos para abrilhantarem ainda mais a sua atuação.

Sem título

De origens alentejanas, “Buba” Espinho foi um dos que muito contribuiu para elevar o cante alentejano a Património Imaterial da UNESCO. Depois, dedicou-se ao fado, onde tem colaborado com alguns dos grandes nomes da arte. Seguiu-se Beatriz Felício. A fadista, natural da Damaia, é grande fã de Amália Rodrigues e notabilizou-se ao concorrer aos concursos Uma Canção Para Ti e The Voice. Este ano, participou do Festival da Canção.

O alentejano José Geadas venceu a Grande Noite do Fado RTP aos 9 anos, ao que se seguiu um segundo lugar no programa Uma Canção Para Ti. Agora, aos 20, é já um nome de referência no fado. A primeira parte terminou com a brilhante atuação de Silvana Peres. A fadista começou nas danças de salão, chegando a campeã nacional, mas foi no fado que construiu uma carreira sólida, tornando-se um dos grandes nomes da nova geração.

Sem título

A segunda parte iniciou-se com o espetáculo de danças de salão. Um par com Trissomia 21, o Paulo e a Beatriz, iniciaram a sessão com Merengue. A acompanhá-los, os restantes dançarinos da Escola de Dança Desportiva do Clube União de Recreios de Moita do Norte coloriram a noite. Samba, ChaChaCha, Rumba, Paso Doble e Jive foram as modalidades apresentadas.

Os fados regressaram logo em seguida com os mesmos fadistas, antecedidos por mais um sol de guitarra de arrepiar. Os dançarinos acompanharam Silvina Pereira no seu último fado e na última atuação, quando todos os fadistas partilharam uma desgarrada de quadras soltas. Fica o profundo agradecimento a todos os presentes tanto pela comparência como pelo silêncio que revelou grande respeito pela arte em execução.

 

Sci-Fi Lx 2017

Boas! E que tal começar as férias com uma ida ao Sci-Fi Lx? Foi o que eu fiz. A Editorial Divergência havia-me convidado para estar a representar Os Monstros que nos Habitam na sessão de autógrafos de dia 15, mas por motivos profissionais e falta de preparativos, acabei por não conseguir comparecer. Ainda assim, não podia faltar ao evento e fiz a minha appearence hoje, no Pavilhão Central do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Entre vários eventos dedicados à Ficção Científica, o destaque vai para a palestra “Por Favor, Senhor Escritor, Não Faça Isto!” levada a cabo pelo distinto Luís Filipe Silva, no Auditório 1. Num debate cheio de boas dicas e caminhos a “não seguir”, fiquei com a sensação de que a preleção merecia um maior número de público. Estimados autores nacionais, não sabem aquilo que perderam. A conversa foi pertinente e bem construtiva.

Logo de seguida, assisti à apresentação do livro As Nuvens de Hamburgo do sempre inventivo Pedro Cipriano. A apresentação foi muito agradável e, quanto ao livro publicado pela Flybooks, irei escrever sobre ele muito, muito em breve. Para além de privar com o Pedro e com o Luís Filipe Silva, que só conheci no dia em que lhe “saquei” um autógrafo no Fórum Fantástico de 2014, ainda tive a oportunidade de adquirir o mais recente livro da Editorial Divergência, o Anjos do Carlos Silva, outro grande entusiasta da Ficção Especulativa que é sempre agradável encontrar. Claro está, tive direito a dedicatórias. Fiquem com as fotos:

Sem Título
Flyer do evento
Sem título
Apresentação “As Nuvens de Hamburgo”
Sem título
“Por favor, Senhor Escritor, Não Faça Isto!” com Luís Filipe Silva

 

Está aí: Sci-Fi Lx 2017

É verdade, o Sci-Fi Lx é já este fim-de-semana. Dias 15 e 16 de julho, no Instituto Superior Técnico de Lisboa (Alameda), podes assistir ao maior evento nacional dedicado à Ficção Científica, com o intuito de envolver o público numa espiral de criação, desenvolvimento e promoção do género no nosso país, onde ainda é um nicho bastante reduzido. No evento, podes encontrar palestras, sessões de autógrafos, lançamentos de livros, jogos, workshops, debates e muitas, muitas surpresas. Fica com o programa completo e não faltes ao evento. As entradas são livres.

Sem Título

SÁBADO

10:00 às 18:00 – Pinturas Faciais | Bazar Intergaláctico

10:00 – Jedi Trial 1 | Astrolounge

11:00 – Demonstrações de X-Wing | Game Zone

11:00 – Sessão Espírita Vitoriana – Descobre o Assassino! | Auditório 3

11:00 – Treino Silver Blade | Astrolounge

12:00 – Demonstrações de X-Wing | Game Zone

12:00 – The Bullshit Art of Game Design | Salão Nobre

12:00 – Jedi Trial 2 | Workshops 1

12:45 – Sustainable Virtuality | Salão Nobre

13:30 – Second Person Narrative | Salão Nobre | Workshop

14:00 – Redes Sociais para Cosplayers | Workshops 2

14:00 – A Tua Mãe É Capaz De Ser Um Ciborgue | Auditório 2 | Palestra

14:00 – Torneio Hearthstone Sci-Fi Tavern | Game Zone

14:00 – Torneio Overwatch Sci-Fi Duels | Game Zone

14:00 – Histórias de (Mis)Antropoceno/Parábolas de (In)sustentabilidade num Futuro Próximo: Sem Tempo, Her e Outras Imagens do Futuro Como Epílogo | Salão Nobre | Palestra

14:30 – Oportunidades de publicar em Portugal | Auditório 1 | Palestra

15:00 – Escrever para o Estrangeiro | Auditório 1 | Palestra

15:00 – Star Wars: Do “Chaos” e Do Cosmos | Auditório 2 | Palestra

15:00 – Bring your Own Book | Bazar Intergaláctico

15:00 – Um Universo Steampunk Sustentável | Auditório 3 | Palestra

15:00 – Treino Silver Blade | Astrolounge

15:00 – Demonstrações de X-Wing | Game Zone

15:00 – Torneio Nacional de Pandemic Survival | Game Zone

15:00 – Concurso e Desfile de Cosplay | Salão Nobre

15:00 – Introdução ao Crochet | Workshops 1

15:00 – Introdução à Pintura de Miniatura | Workshops 2

15:30 – Enredos Inacreditáveis | Auditório 1 | Palestra

15:30 – Sessão de Autógrafos “Proxy” | Mesa do Autor

16:00 – Awakening: Um Olhar por Detrás da Exposição | Auditório 2 | Palestra

16:00 – Explicações em Grupo – Level 7 [Invasion] | Game Zone

16:00 – Debate Star Wars vs. Star Trek | Salão Nobre

16:30 – Lançamento “Anjos” | Auditório 1 | Palestra

17:00 – Ciência e Sci-Fi | Auditório 2 | Palestra

17:00 – Duelos de Chás | Auditório 3

17:00 – Torneio de Space Walk | Game Zone

17:00 – Sustentaibilidade e Sci-Fi: a abordagem dos meios culturais | Salão Nobre

17:00 – Impressão 3D: Manufactura Aditiva e Sustentabilidade | Workshops 1

17:30 – Alimentopia | Auditório 1 | Palestra

17:30 – Sessão de Autógrafos “Anjos” | Mesa do Autor

18:00 – Saúde Mental e Necessidades Psicológicas dos Astronautas | Auditório 2 | Palestra

18:00 – Sessão Espírita Vitoriana – Descobre o Assassino! | Auditório 3

18:00 – Cerimónia de Condecoração Jedi | Salão Nobre

19:00 – Oficina Mundicriação | Auditório 1 | Palestra

19:00 – Pandemia Gigante | Exterior do Pavilhão Central

19:00 – A BD e a Importância da Formação | Salão Nobre

20:00 – DJ Set Voodoo Attacks | Astrolounge

21:00 – Cinema VHS Nights – Millennium | Salão Nobre

DOMINGO

10:00 às 17:00 – Star Wars Clube Portugal

10:00 às 18:00 – Pinturas Faciais | Bazar Intergaláctico

10:30 – Torneio Android Netrunner | Game Zone

11:00 – Sessão Espírita Vitoriana – Descobre o Assassino! | Auditório 3

11:00 – Treino Silver Blade | Astrolounge

11:00 – Workshop Infantil de Máscaras | Workshops 1

12:00 – Stormtroopers Bootcamp | Astrolounge

12:00 – Desfile Infantil do Workshop de Máscaras | Salão Nobre

14:00 – Steampunks Dungeons & Clockwork Dragons | Auditório 3

14:00 – O Idílio Interrompido: Uma Leitura Comparada dos Filmes Princesa Mononoke e Avatar | Auditório 2 | Palestra

14:30 – Apresentação Antologia Fantasia Rural | Auditório 1

15:00 – Em BD a União Faz a Força | Auditório 1

15:00 – Um Primeiro Saque Sobre o Labirinto de Westworld | Auditório 2 | Palestra

15:00 – Bring Your Own Book | Bazar Intergaláctico

15:00 – Treino Silver Blade | Astrolounge

15:00 – Torneio de Panic Lab | Game Zone

15:00 – Apresentação Inner Ghosts | Salão Nobre

15:00 – Sessão de Introdução a Técnicas de Amigurum | Workshops 1

15:00 – Introdução à Pintura de Miniaturas | Workshops 2

16:00 – Por Favor, Senhor/a Escritor/a, Nâo Faça Isto! | Auditório 1

16:00 – Produção Cinematográfica Low-Budget | Auditório 2 | Palestra

16:00 – Sessão de Autógrafos Apocryphus | Bazar Intergaláctico

16:00 – Explicações em Grupo – Eve: Conquests | Game Zone

16:00 – What is Procedural Generation? | Salão Nobre | Palestra

17:00 – Lançamento Nuvens de Hamburgo | Auditório 1

17:00 – Duelos de Chás | Auditório 3

17:00 – Podem os Robots Amar? | Salão Nobre | Palestra

17:00 – Workshop de Introdução a Gunpla | Workshops 1

18:00 – Artistas no Fim do Mundo | Auditório 2 | Palestra

18:00 – Sessão Espírita Vitoriana – Descobre o Assassino! | Auditório 3

18:00 – Sessão de Autógrafos Nuvens de Hamburgo | Bazar Intergaláctico

18:00 – Painel Lançamentos de Videojogos | Salão Nobre

19:00 – Cerimónia de Encerramento | Salão Nobre

ACTIVIDADES PERMANENTES (Sábado & Domingo)

Galeria Central

Exposição Awakening, Kahina Spirit

Expo SCI-FI LX/H-ALT, H-Alt

Exposição Posters Caseiros – Black Mirror Edition, Edgar Ascensão

Game Zone

Jogos de Tabuleiro, Grupo de Boardgames de Lisboa

Jogos Narrativos, Grupo de Roleplayers de Lisboa

Jogos de Miniaturas

Videojogos

Explicações a pedido

Ludoteca

Planetarium

Coordenação Núcleo de Física do IST

Planetário

Experiências Científicas

Auditório 3

Banca de venda de acessórios steampunk e victorianos | Liga Steampunk de Lisboa

Exposição de peças criadas e recolhidas pela Liga | Liga Steampunk de Lisboa

Jogos de Tabuleiro Temáticos  | Liga Steampunk de Lisboa

Vamos Viajar com Robin Hobb: Menções de Honra

Olá, olá! Espero encontrá-los bem desse lado. Como sabem, ou deviam saber, hoje é o último dia do desafio Vamos Viajar com Robin Hobb, um passatempo que tive muito gosto em organizar e que me proporcionou muitos e bons momentos nos últimos dois meses. Este desafio consistiu em ler livros da autora Robin Hobb, de 8 de maio a 8 de julho, no âmbito do lançamento nacional do livro O Assassino do Bobo. Como estive mais atrasado na leitura, acabei por ler os livros Os Dilemas do Assassino e Sangue do Assassino, da série anterior, durante este período.

Sem título 2
Breu Tombastrela (Fonte: moriadat.deviantart.com)

Quero agradecer a todos os que se disponibilizaram a colaborar comigo neste passatempo, nomeadamente à Edições Saída de Emergência, pelos livros cedidos, e a todos os que participaram. Organizei uma ida à Feira do Livro de Lisboa, onde estive com o Ruben Lopes (blogue Enjoy Story), o Paulo Dores (blogue Fiacha O Corvo Negro) e a São Bernardes (blogue Folhas do Mundo), um sorteio do livro O Assassino do Bobo, que foi feito em direto na minha página de facebook e que ditou a Helena Isabel Bracieira (blogue As Horas… que me Preenchem de Prazer) como vencedora, e chegou por fim a hora de encerrar este desafio com as respetivas menções de honra.

Desde o primeiro momento, o objetivo deste desafio passou por ler livros de Robin Hobb durante o período supracitado, resenhando-os em seguida. Os comentários deveriam ser-me entregues para a devida publicação neste post final. Comecei o desafio com quatro “voluntários”, número que ascendeu aos seis e que acabou pela metade, ou porque não terminaram os livros a tempo, ou porque tiveram “preguiça” para escrever uma opinião. De qualquer forma, agradeço a todos por terem participado, em especial à Mirtila Pratz, ao Paulo Dores e ao José Voller de Barros, por terem concluído os comentários a tempo (desconfio que o fariam mesmo sem o desafio 😀 ).

Sem título
Capa Saída de Emergência

Os Dilemas do Assassino (por Nuno Ferreira):

“Um mar de conflitos e de intrigas, Os Dilemas do Assassino é mais uma prova de que Robin Hobb é muito mais do que apresentou na primeira trilogia. Elegante, fluída e cheia de ritmo, esta leitura revelou-se bem mais célere e estimulante do que eu a imaginava. A promoção de reflexões interiores e a discussão sobre temas comuns a todos nós como a juventude, a honestidade e o bem-estar emocional foram maravilhosamente decompostos pela autora californiana, que em nenhum momento deixou cair o gume da sua “pena”.

Hobb apresenta-nos a um mundo fantástico e torna-o credível e isso é, sinceramente, o que mais me apraz em ler um livro. Ela relata com beleza cada cenário, sem excluir as ervas daninhas que, irrefutavelmente, povoam cada realidade. Se os momentos de introspeção, em outros momentos, me deixaram entediado com as aventuras de Fitz, aquelas que tenho agora oportunidade de ler surgem como um intervalo após cada acontecimento, levando-me a pensar sobre o mesmo, a maturar as questões e a respirar fundo. Cada introspeção revela-se tão ou mais deliciosa que os eventos em si.”

O Assassino do Bobo (por Miss Lamora):

“É com imenso gosto que escrevo esta opinião. Robin Hobb é uma das minhas autoras favoritas e desde que a Saída de Emergência começou a editar cá os seus livros que os tenho lido. Ora, depois de duas sagas maravilhosas, é uma delícia poder voltar a entrar neste reino e a visitar os Seis Ducados, Torre do Cervo e, principalmente, a encontrar FitzCavalaria Visionário, a minha personagem literária favorita. Ao começar este livro foi como se voltasse atrás no tempo ou como se voltasse a uma memória ou acontecimento muito querido. Deu-me uma sensação e emoção únicas e foi com grande alegria que me deixei levar pelas páginas desta brilhante aventura.

Robin Hobb é única. Mais uma vez dá-nos uma história que só ela podia ter escrito. As personagens continuam iguais, cheias de força e carisma, os locais também continuam a transmitir a mesma serenidade emocionante. A escrita continua a ser como que uma viagem serena, pacifica. É como um maravilhoso conto de antigamente, contado oralmente, no princípio dos tempos. Tudo neste livro faz lembrar os anteriores, tudo e nada. ”

Sem título-003
Vamos Viajar com Robin Hobb (Mapa Oficial dos Seis Ducados)
.
Sangue do Assassino (por Nuno Ferreira):
.
“Se a ação deste livro não se desenvolveu rapidamente ou de forma apaixonante, posso dizer que dificilmente seria um livro melhor se tal tivesse sucedido. A maravilha desta história não é a narrativa em si, mas sim a forma como é contada. A Saga Regresso do Assassino não se foca em magias, em sede de poder ou em batalhas, mas sim na natureza humana. Temas como o estigma e o preconceito são bastante debatidos, através das várias nuances de personagens. Fez-me rir que um personagem como Fitz, estigmatizado e até “arrancado ao mundo” primeiro por ser bastardo e depois por ser manhoso, se tenha mostrado tão desconcertado com suspeitas de homossexualidade.
.
Ainda assim, a evolução do herói é digna de registo. Em alguns momentos, Fitz consegue ser mais maduro que o próprio Breu e, muito embora revele algum amadorismo na educação de Zar, os seus conselhos e advertências revelam muito do seu amadurecimento. A grande mais-valia de ler Robin Hobb é conhecer personagens credíveis e imperfeitos como Gina, a bruxa ambulante, que consegue ser uma pessoa tão palpável, real, que impressiona.”
.
O Assassino do Bobo (por José Voller de Barros):
.
“Robin Hobb desafia o «Viveram Felizes para Sempre” neste novo livro da Saída de Emergência. O último livro da autora já o li há alguns anos, mas mantenho presente a forma clássica com que Hobb provoca a empatia entre leitor e personagem principal, seja ainda exactamente a frustração do personagem que dê interesse ao livro. Robin Hobb joga com algo intrinsecamente humano que é a vontade de seguir a desgraça alheia, e reproduz com alguma destreza as amarguras de um personagem e as guinadas que ele tenta dar à vida, geralmente infrutíferas, para as ultrapassar.
.
O Assassino do Bobo é uma sequela aliciante, partindo de um “Viveram Felizes para Sempre” para mais um carrosel vertiginoso de desgraça e cabeçada. É fidedigno o cenário psicológico montado por Hobb para o personagem-chave. Ela define o que significa acreditar numa coisa e perceber que perdeu tudo o que devia ser seu por causa disso. Fitz é um instrumento dos Visionário e a vida dele uma brincadeira de deuses. Eda e El num novelo. É preciso esperar para conhecer desenvolvimentos de relevo mas o sprint final é brilhante e a perda de um personagem surpreendeu. Desejam registar um nome? Fixem Abelha.”
Sem título
Robin Hobb (Fonte: Agnes Meszaros)
O Assassino do Bobo (por Paulo Dores):
.
“Torna-se fácil considerar Robin Hobb a minha escritora favorita a nível de fantasia e sinceramente nunca esperei sentir-me tão maravilhado por regressar a Torre do Cervo e rever muitas das personagens por quem tanto sofri e adorei e ainda assim a escritora consegue surpreender-me deixando-me em muitos momentos comovido e com os sentimentos à flor da pele.
.
As personagens são todas elas cativantes, a grande maioria já as conhecemos e mantém-se bem construídas, carismáticas, cheias de mistérios. Ainda assim a escritora consegue acrescentar algo deixando o leitor a suspirar por saber mais sobre as mesmas. Gostei do rumo que deu a várias e teve a coragem de nos dar um valente KO com uma que nos é bastante querida, mas que acaba por dar um grande volte face ao enredo que até ai estava a ser cativante mas sem avançar muito.
.
Sério candidato a livro do ano, pelo menos na rubrica da Fantasia já não deve haver outro que me cative tanto.”
.

Obrigado a todos por lerem, comentarem, ou simplesmente passarem por cá. Espero que tenham gostado de participar deste desafio (quem sabe em breve organize outro). Por cá, o desafio acabou, mas ler Robin Hobb está para durar. De momento, estou a ler A Jornada do Assassino. Fiquem atentos!

Resumo Trimestral de Leituras #10

Chegámos ao meio do ano e como tal chegou a hora de proceder a um novo balanço trimestral de leituras. Neste segundo trimestre, o destaque vai para Robin Hobb, não só porque organizei um desafio relativo à autora californiana, mas também porque li três livros dela que andaram perto de ser os melhores deste trimestre. Melhor que Hobb só Patrick Rothfuss. Li as duas partes de O Medo do Homem Sábio, e embora a primeira tenha sido significativamente melhor, a Crónica do Regicida tornou-se uma das minhas sagas preferidas. As minhas leituras nos meses de abril, maio e junho foram:

One-Punch Man #1 – One e Yusuke Murata

O Diário do Meu Pai – Jiro Taniguchi

Poder e Vingança, Império das Tormentas #1 – Jon Skovron

Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi

Presas Fáceis – Miguelanxo Prado

As Águias de Roma Livro V – Enrico Marini

O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1 – Robin Hobb

Como Falar com Raparigas em Festas – Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Dejah Thoris #1 – Frank J. Barbiere e Francesco Manna

A Dança das Andorinhas – Zeina Abirached

O Rei Macaco – Silverio Pisu e Milo Manara

Imperador dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #3 – Mark Lawrence

A Fortaleza da Pérola, Elric #2 – Michael Moorcock

A História de um Rato Mau – Bryan Talbot

Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6 – John Layman e Rob Guillory

Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2 – Robin Hobb

Os Senhores do Norte, Crónicas Saxónicas #3 – Bernard Cornwell

A Louca do Sacré Coeur – Alejandro Jodorowsky e Moebius

A Garagem Hermética – Moebius

Nimona – Noelle Stevenson

O Medo do Homem Sábio Parte 1, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

All is Lost, The Walking Dead #28 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Medo do Homem Sábio Parte 2, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

One-Punch Man #2 – One e Yusuke Murata

Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

Duas Vezes Contado, Harrow County #2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Sangue do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #3 – Robin Hobb

Sem TítuloComecei o segundo trimestre com a leitura de alguma banda-desenhada. Publicado pela Devir, o primeiro volume da edição em mangá de One-Punch Man apresenta um super-herói entediado com a facilidade com que derrota os adversários. A Humanidade é frequentemente atacada por monstros, que parecem não ter fim. No entanto, este herói parece mais preocupado em manter o seu apartamento inviolado. Uma história provocadora, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, que não me fascinou pessoalmente. Depois, li duas novelas gráficas da Levoir, da autoria de Jiro Taniguchi, autor falecido em fevereiro deste ano. Para além de tocante e reflexivo, O Diário do Meu Pai mostra que aquilo que compreendemos nem sempre está próximo da realidade. O outro álbum, Terra de Sonhos, apresenta cinco contos que mesclam a ternura à reflexão. Um casal sem filhos sofre com os últimos dias do seu animal de estimação, e quando ele morre juram não mais adotar nenhum outro. Mas quando uma gata persa, grávida, lhes surge nas vidas, tudo muda.

Sem títuloPoder e Vingança é o primeiro livro de Jon Skovron no registo fantasia adulta, com a marca de qualidade Saída de Emergência. Divertido e cheio de ritmo, o Império das Tormentas é um mundo bem construído que apresenta Esperança Sombria e Ruivo, dois personagens que vêm os seus percursos cruzar-se quando os criminosos que controlam Círculo do Paraíso começam a colaborar com os biomantes, servos místicos do Imperador. A escrita do autor não me convenceu, mas foi uma boa leitura. Piratas e ladrões, coleccionadores de arte e inventores, samurais, mutações humanas e perseguições sem fim. Disfarçado de alegoria, a BD da Levoir Presas Fáceis, da autoria do autor espanhol Miguelanxo Prado, é uma história inquietante sobre os interesses nefastos da banca. A burla é o tema central. Uma série de homicídios de pessoas ligadas à banca e o suicídio de um casal de idosos arrasta a inspetora Olga Tabares para uma investigação que levanta um sério debate moral. Saltei para o livro V da série gráfica As Águias de Roma, que oferece ao leitor um sucedâneo de emoções. Da revelação da paternidade de Tito à denúncia dos planos de Armínio, Enrico Marini desenha com precisão o clima bélico da Roma Antiga e coloca o embate entre Marco e o seu irmão de criação num patamar superior. Excelente álbum das Edições Asa, que prossegue a um ritmo altíssimo.

Sem TítuloComecei a segunda série de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário. O primeiro volume de O Regresso do Assassino mostra-nos o protagonista quinze anos mais velho. O mundo pensa que ele morreu, mas a verdade é que estabeleceu-se como camponês ao lado do seu lobo Olhos-de-Noite e acolheu um jovem órfão chamado Zar. A visita do seu amigo Bobo, agora transformado em Dom Dourado, e a revelação que o príncipe Respeitador desapareceu misteriosamente, colocam de novo Fitz na órbita de Torre do Cervo e das suas intricadas intrigas. Um volume que me fascinou do primeiro ao último momento, melhorando substancialmente em relação à primeira série. Depois de já ter lido o conto, há dois anos atrás, na antologia Coisas Frágeis, foi de bom grado que li a adaptação para BD de Como Falar com Raparigas em Festas. Pelas mãos da dupla brasileira Fábio Moon e Gabriel Bá, esta história de Neil Gaiman sobre dois jovens adolescentes nos anos 70 que, dedicados a fazer sucesso numa festa cheia de raparigas, descobrem que elas não são bem aquilo que pensavam, revelou-se uma lufada de ar-fresco. Divertido e despretensioso, é mais um excelente álbum trazido para o nosso país, desta feita pelas mãos da Bertrand.

Sem títuloCom argumento de Frank J. Barbiere e ilustrações de Francesco Manna, a BD Dejah Thoris é o primeiro volume de uma série da Dynamite Entertainment sobre a princesa de Marte da obra de Edgar Rice Burroughs. Casada com o terráqueo John Carter, Dejah vê-se vítima de um complot dentro do palácio para afastar a sua família do poder, fazendo desaparecer o seu pai e culpando-a por isso. Dejah Thoris é assim obrigada a fugir da cidade e mudar de identidade. Apesar de o argumento ser relativamente bom, foi também previsível e ficou um pouco aquém das expetativas. O mesmo para a arte, que valeu pela cor. Publicada na Colecção Novela Gráfica da Levoir com o jornal Público, A Dança das Andorinhas, da libanesa Zeina Abirached, encanta pela forma inocente e quase cómica com que um grupo de pessoas lida com a guerra. Separados do mundo e refugiados num átrio, os personagens são obrigados a encarar a vida como ela lhes é oferecida. Foi uma BD que não me apaixonou, mas fez-me refletir.

Sem título 2Entrei em maio com a BD O Rei Macaco da Arte de Autor. Com arte de Milo Manara e argumento de Silverio Pisu, trata-se de um mergulho nas tradições orientais. É uma releitura da Jornada para o Oeste, para encontrar o Jovem Macaco em busca da eternidade, com o Imperador de Jade disposto a dificultar-lhe a tarefa. Apesar de ser uma obra de referência, muito bem humorada, a nível de arte já vi melhor de Manara, o que se compreende uma vez que este foi um dos seus primeiros trabalhos. O terceiro e último volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, publicado pela TopSeller, Imperador dos Espinhos veio cimentar a minha opinião sobre a obra. O autor convence com a escrita, mas a história continuou confusa, sem uma proposta clara ou um plot bem definido. Um livro mediano, numa trilogia mediana. A Fortaleza da Pérola, de Michael Moorcock, mostra-nos Elric na cidade de Quarzhasaat, onde é chantageado por um nobre local a dar-lhe uma pérola desaparecida no deserto em troca de um antídoto para a droga que lhe haviam dado. Elric inicia assim uma viagem pelo deserto que o levará a Varadia, uma menina que ficou em estado comatoso desde que viu a sua integridade violentada. Mais uma excelente leitura, como Moorcock já nos habituou.

Sem títuloBaseado na história de vida da autora de livros infantis Beatrix Potter, o autor Bryan Talbot escreveu e desenhou uma BD tocante e metafórica sobre uma jovem que, vítima dos maus tratos dos pais e sentindo-se culpada pelos abusos sexuais que sofreu, acaba nas ruas de Londres, a sobreviver como sem-abrigo. A História de Um Rato Mau foi uma leitura reflexiva, que não me agradou no seu todo pelo peso que tomou, em certo ponto. Das novelas gráficas da Levoir passei para os grandes lançamentos da G Floy. Bolos Janados é mais uma aventura do detective mais louco da BD, Tony Chu, desta feita protagonizada pela sua irmã-gémea, Antonelle. Desde um leilão polémico até a um casamento de final abrupto, passando por uma aliança inusitada entre a NASA, a FDA e a USDA, somos convidados a percorrer uma série de aventuras com a participação sempre especial do galo Poyo. A história não desilude, mantendo-se fresca, colorida, bem-humorada e com muitas, muitas vísceras à mostra. Geniais, John Layman e Rob Guillory mantêm a toada. No seguimento do meu desafio com o apoio da Saída de Emergência li Os Dilemas do Assassino de Robin Hobb. FitzCavalaria continua mais perdido do que nunca, agora que é um homem adulto e tem de lidar com uma série de questões políticas e com a imaturidade dos mais jovens. Este segundo volume tem mais mistérios e alguma magia, relacionada com um rapaz de pele escamada e com a narcheska Eliânia, mas também referências a dragões e a navivivos, que me agradou.

Sem títuloTerceiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, Os Senhores do Norte mostra-nos Uthred a caminho do norte, enraivecido com o Rei Alfredo pela ridícula recompensa que lhe deu depois de tudo o que fez para que vencesse a importante Batalha de Ethandun. Disposto a recuperar a Bebbanburg que o viu nascer, Uthred “tropeça” em Guthred, um dinamarquês convertido ao Cristianismo que pretendia reclamar para si o norte. Mais um magnífico livro cheio de passagens belas e inquietantes, com o selo de qualidade Bernard Cornwell e Saída de Emergência. Escrito por dois dinossauros da BD, Alejandro Jodorowsky e Moebius, A Louca do Sacré Coeur conta a história de um professor de filosofia da Sorbonne, tradicionalmente vestido de lilás que, assediado por uma das suas alunas, sucumbe à tradicional crise de meia-idade e vê-se arrastado para uma parafernália de rituais bizarros que mesclam o religioso e o misticismo a práticas sexuais completamente lunáticas. Um livro que me agradou nas ideias e no desenho, mas que achei um pouco mal executado, ou pelo menos sem brilho. Outra grande obra de Moebius pelas mãos da Levoir, A Garagem Hermética é uma história confusa de ficção científica que gira à volta do Major Grubert. O misterioso personagem concebe um asteróide que cabe no seu bolso através de treze geradores. Porém, no interior desse corpo existem três mundos e vida, possivelmente tão real como a nossa. Mas quem será este enigmático Major Grubert? Gostei imenso, mesmo não percebendo muito da história.

Sem TítuloO mês de junho começou com Nimona, da norte-americana Noelle Stevenson, que marca o regresso da Saída de Emergência à publicação de BD’s. Nasceu como um trabalho universitário da autora, mas foi como webcomic que alcançou o sucesso e transformou autora e personagem em celebridades. Dona de um traço único e de um humor aguçado, Stevenson aborda temas como a amizade, a falsidade, o controlo dos media pelas forças de poder e a homossexualidade, de forma simples e divertida, num mundo marcadamente medieval com televisões, computadores e tecnologias futuristas. Em senda de leituras maravilhosas, seguiu-se o segundo volume da Crónica do Regicida (Parte 1 e Parte 2), publicado em português pela ASA/1001 Mundos. O Medo do Homem Sábio traz-nos de volta ao mundo escrito por Patrick Rothfuss. Depois de sobreviver às artimanhas de Ambrose, Kvothe sobrevive na Universidade, pagando as “propinas” com a música que faz em Imre, a cidade vizinha, e com os empréstimos que forja com Devi, a lendária ex-aluna da Universidade. É quando uma acusação antiga lhe bate à porta que surge a oportunidade de arranjar um mecenas, o que o leva para longe, para a distinta Vintas. Enquanto a primeira parte foi, muito possivelmente, dos melhores livros que já li na vida, o segundo perdeu bastante em comparação, ainda que a escrita do autor continue como uma das maravilhas da série.

Sem títuloMais um brilhante volume da BD The Walking Dead, All is Lost prossegue na rota de sucesso do argumentista Robert Kirkman, com a arte sempre consensual de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano. Hilltop caiu e uma legião de walkers foi canalizada pelos Sussurradores em direção a Alexandria. Negan e Rick defendem a comunidade, mas os portões caem e Rick vê no seu antigo adversário um amigo improvável, o único que consegue ajudá-lo quando tudo parece desmoronar-se à sua volta. Mais um volume excelente e uma morte impactante com repercussões no futuro das BD’s. Li também o segundo volume do mangá One-Punch Man de One e Yusuke Murata, com quem tinha iniciado o trimestre. Uma série de apontamentos divertidos fazem-me olhar com agrado para este álbum, cuja proposta ou mesmo linha narrativa não oferecem nada de original ou interessante. E regressei a Robert Kirkman. Depois de ter lido o primeiro volume no início do ano, eis que chegou às bancas o segundo álbum de Outcast, Uma Ruína Sem Fim, com argumento do autor de The Walking Dead e ilustrações de Paul Azaceta. Argumento e arte casam na perfeição numa história sobre possessões que começa a dar maiores sinais de interesse, e com os mistérios a adensarem-se. Apesar de a história parecer demorar a avançar, notam-se os laivos de genialidade que atiraram Kirkman para as bocas do mundo.

Sem título 2Tal como o álbum de Outcast, Duas Vezes Contado foi um dos mais recentes lançamentos da G Floy no nosso país, lançado no Festival de BD de Beja. O segundo volume da BD de horror Harrow County, com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, revela um maior amadurecimento por parte do artista, ainda que o argumento não me tenha agradado por aí além. À medida que a protagonista Emmy vem aprendendo a lidar com os seus poderes e com as criaturas sobrenaturais que habitam Harrow County, tem também de proteger a povoação de um novo inimigo: a própria irmã gémea, Kammi. E terminei o trimestre com o terceiro volume da Saga O Regresso do Assassino. Em Sangue do Assassino, Robin Hobb volta a não desiludir. Vemos o protagonista FitzCavalaria arrastado para uma chuva de situações inusitadas, desde a ganância pela magia do seu velho mentor, à preocupação com os filhos, rumores de homossexualidade e principalmente a ameaça dos pigarços à sua integridade e à da família real. A obra, porém, oferece muito mais do que isso. Oferece pessoas reais, com defeitos e virtudes, e problemas que podiam ser partilhados por qualquer um de nós. Uma história enriquecedora.

Neste momento, estou a ler o livro Monge Guerreiro do autor brasileiro Romulo Felippe, e deverei continuar com as BD’s Southern Bastards, Velvet, Monstress e mais alguns livrinhos. Entre os nomes que pretendo ler nos meses de verão estão Ursula K. Le Guin e Joe Abercrombie, mas irei também concluir a Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb.

Vamos Viajar com Robin Hobb: E a Vencedora É…

Sem título
Livro em sorteio (Saída de Emergência)

Foi pelas 13 horas que se deu, em direto na página de facebook do NDZ, o sorteio do livro O Assassino do Bobo de Robin Hobb.

E a vencedora é…

Helena Isabel Bracieira

Sem título
Foto: página de facebook

… do blogue “As Horas… que me preenchem de prazer”. A blogger, natural de Beja, receberá em breve o seu exemplar, que será enviado pela editora. Quero agradecer à Edições Saída de Emergência pela colaboração neste passatempo. Quanto à feliz contemplada, os meus parabéns. Depois quero o feedback do livro.

Para aqueles que ainda quiserem participar do desafio e ver o seu nome mencionado no post final, podem enviar-me até à data limite, através do formulário de contacto na barra lateral ou por mensagem no facebook, uma mensagem com a opinião a um livro da autora Robin Hobb, lido entre 8 de maio e 8 de julho. Até lá.