Espada que Sangra: Apresentação em Vila Nova da Barquinha

Aconteceu no passado dia 10 de junho, pelas 18 horas, no auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, a apresentação da nova edição do Espada que Sangra pela Editorial Divergência. Após os agradecimentos iniciais, passei a palavra à vereadora do pelouro da cultura, Marina Honório, que se congratulou pela quantidade e qualidade de autores no município, a que se seguiu uma pequena introdução do editor Pedro Cipriano. O fundador da Editorial Divergência falou do trajeto e da missão da editora no nosso país e da importância do projeto num meio fustigado pelos interesses corporativos.

Depois de o Pedro apresentar a editora e a sua aposta clara nos autores nacionais como uma rampa de lançamento e mesmo de formação, foi a minha vez de apresentar o livro. De uma forma simples, contei como nasceu a minha ideia para o escrever, do meu desenvolvimento enquanto escritor e de toda a estrada que percorri até o Espada que Sangra chegar à obra de referência que temos hoje. Falei um pouco da repercussão que o Espada tem alcançado e da importância de ler e divulgar este projeto, que hoje é tanto meu quanto da Editorial Divergência

Fiquem com algumas fotos:

 

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Feira do Livro de Lisboa 2018

Como não podia deixar de ser, voltei a marcar presença na Feira do Livro de Lisboa. A edição número 88 de um dos certames de literatura mais emblemáticos da cidade trouxe algumas novidades em relação aos anos anteriores, como a adição de mais espaços virados para a restauração bem como a expansão do evento por mais 3 mil metros quadrados. A colocação estratégica do auditório logo à entrada da feira pareceu-me uma boa medida, bem como a grande variedade de espaços logísticos ao longo do Parque Eduardo VII.

Este ano não consegui ir ao fim de semana, pelo que não me foi possível realizar o habitual encontro com bloggers amigos ou mesmo deparar-me com algum autor de renome durante a minha visita. Ainda assim, acabei por passar uma tarde muito agradável que começou cinzenta e ventosa mas que rapidamente se tornou quente e solarenga.  A 88.ª Feira do Livro de Lisboa decorre de 25 de maio até dia 13 de junho, sempre com várias atividades, 294 pavilhões, lançamentos, workshops e showcookings distribuídos estrategicamente pelo espaço verde e acolhedor com que o Parque Eduardo VII habitualmente nos oferece.

Fica com as minhas fotos:

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Sunshine Blogger Award: Fui Nomeado!

Boa tarde a todos.
Esta semana fui nomeado para o Sunshine Blogger Award, pelo que agradeço à Neuza o privilégio! Deixo o link do seu blogue para o conhecerem melhor:
https://peradoceblog.blogspot.com/

Regras do Concurso:

O que tens de fazer?

– Agradecer ao blogger que te nomeou;

– Responder às 11 perguntas que te foram dadas;

– Nomear 11 bloggers e fazer-lhes 11 perguntas;

– Colocar as regras e incluir o logótipo do prémio no post.

Perguntas da Neuza:

1Qual o tema ou temas mais abordados no teu blog?

O meu blog sempre foi voltado para a crítica literária, tornando-se também uma plataforma de divulgação dos meus livros e das editoras parceiras nos últimos anos. Literatura fantástica e ficção científica são os géneros mais visitados no Notícias de Zallar.

2Com que frequência publicas no teu blog?

Não tenho uma estimativa muito linear, porque há semanas em que publico mais do que outras, mas em média publico 5 posts por semana, a maior parte das vezes produzidos num dia em que tenha mais tempo e agendados para o longo da semana.

3Qual ou quais as tuas actividades que mais gostas de fazer nos teus tempos livres?

Para além de ler e escrever, adoro caminhar ou estar descontraído numa esplanada. Escusado será dizer que a minha actividade preferida é namorar.

4Gostas mais de cidade, campo ou praia? Porquê?

Gosto mais de cidades, tanto para viver como para visitar, mas faz sempre falta um pouco de ar puro de quando em quando, e assim que chegam os dias de maior calor, começo a sentir necessidade de ver o mar e de apanhar sol. No verão, não vivo sem praia.

5Profissionalmente fazes o que gostas? Se não o que te faria feliz?

Gosto do que faço, o que não significa que seja o meu emprego de sonho ou que não tenha outras ambições. O mundo editorial e a escrita são, sem dúvida, os meus tetos para a vida profissional.

6Gostas de viajar? Qual é a tua viagem de sonho?

Adoro viajar. Só conheço Portugal, Espanha, França e Itália, mas adoraria fazer uma viagem por várias capitais europeias e mesmo conhecer a América.

7Diz um sonho que tenhas realizado e outro que te falta realizar.

Um sonho que tenha realizado: escrever um livro.

Um sonho que me falte realizar: (tantos) ver os meus livros espalhados por esse mundo fora. :p

8O que te faz feliz? E o que te põe triste?

Faz-me feliz ver as pessoas à minha volta felizes. Estar com os meus. Põe-me triste ver injustiças e falta de consideração pelas pessoas.

9Qual o teu principal objectivo em relação ao teu blog?

Divulgar o melhor da Ficção Especulativa mundial da melhor forma, para dar ao género a visibilidade que ele merece. Também pretendo ser reconhecido como um dos melhores blogs de literatura nacionais, como já começa a ser em alguns círculos.

10Qual é a atitude do ser humano que mais te decepciona?

A falsidade. A falsa gentileza, a falsa inocência, a tentativa de agradar ao outro para obter daí benefícios, o sorriso amarelo.

11Diz algo sobre ti que pouca gente sabe.

Tenho uma doença endócrina.

Nomeados

1 – Maria Catita Lifestyle

2 – Vanessa Simões

3 – Laura Maria

4 – Lost in my Blog

5 – Another Design Blogg’irl

6 – Ununseptiium

7 – Desencaixotando a Vida

8 – Maria Correia

9 – Quem é Bia?

10 – Na Minha Pele

11 – Gente Sentada

Perguntas Para os Nomeados

1 – Qual a tua profissão?

2 – Há quantos anos tens um blog?

3 – O que te levou a criar um blog?

4 – Até que ponto de importas com aquilo que as tendências ditam?

5 – Gostas de ler? Qual o teu escritor preferido?

6 – Qual a viagem mais longa que já fizeste?

7 – Se soubesses que irias morrer amanhã, o que farias hoje?

8 – Tens ídolos? Quais são?

9 – Quantas visualizações tiveste no teu blog no último mês?

10 – Quais as características que mais te agradam numa pessoa?

11 – Qual o teu prato preferido?

Obrigado pela atenção. Ficarei à espera das respostas.

Entrevista a Nuno Ferreira por Maria Inês Nunes

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Boas! Hoje trago-vos uma entrevista que a professora e jornalista Maria Inês Nunes me fez a semana passada, no âmbito da revista escolar “Ler Portugal”. Aqui vai:

Olá Nuno. Vamos começar pelas perguntas mais básicas: o que te levou a ser escritor?

Olá. Acho que a paixão pela escrita está comigo desde que me conheço enquanto indivíduo. Na adolescência já escrevia histórias de aventura que pouco tinham de prosa, em boa verdade, mas foram o início de algo. Fui muito embalado pelo primeiro filme do “Senhor dos Anéis”, pelos livros-jogo “Aventuras Fantásticas” do Ian Livingstone e pelos livros das “Crónicas de Allaryia” do Filipe Faria, nos meus 17, 18 anos, mas posso dizer que foram os romances policiais da Agatha Christie e “O Código DaVinci” do Dan Brown que me fizeram apaixonar pela arte de escrever. Lá pelos 20 já tinha decidido que iria ser tão bom quanto os meus ídolos.

Uma pequena pretensão (risos).

Um autor terá sempre dificuldade em ultrapassar os seus ídolos, mas é a trabalhar para isso que conseguirá ser pelo menos bom. Eu neste momento ando a trabalhar para ser melhor que Brandon Sanderson, George R. R. Martin ou Steven Erikson, que são os nomes mais sonantes do género a que me dediquei. Não significa que venha algum dia a sê-lo, mas obrigatoriamente significa que amanhã serei melhor escritor do que sou hoje. É uma competição comigo mesmo, estabelecendo balizas e desafios constantes. Um autor só melhora se nunca permanecer estanque. Metade da graça disto é permanecer um fanboy pela vida toda, afinal estamos sempre a aprender.

O “Espada que Sangra” obteve algum sucesso na internet aquando da sua primeira edição. O que falta para que o Nuno seja mais reconhecido?

O “Espada que Sangra” obteve algum sucesso porque eu fui atrás dele, instiguei meia dúzia de bloggers a ler o livro e como estes tinham parceria com a Chiado Editora acabaram por ler e espalhar a palavra. Houve muita gente que não comprou por não quererem “dar dinheiro” a editoras vanity-press, e percebo isso perfeitamente, mas agora que ele foi publicado pela Editorial Divergência, já não há essa desculpa. Mas ainda há preconceitos. Preconceito por autores nacionais, preconceito pelo género fantástico, e ainda tenho de juntar a isso o preconceito por ter publicado originalmente numa vanity. A única coisa que falta para o “Espada” ter mais sucesso é as pessoas lerem o livro.

zallar

O ano passado publicaste um livro online, correto? De alguma maneira ele e o “Espada que Sangra” interligam-se? 

Em meados de 2016 acabei de escrever as “Histórias Vermelhas de Zallar”, que é a saga de cinco livros do “Espada que Sangra”, e tive vontade de escrever algo diferente, fazer um exercício de escrita que me desafiasse e, ao mesmo tempo, que mostrasse ao mundo o meu trabalho de forma gratuita. Publiquei um capítulo quinzenalmente no Wattpad e terminei-o em setembro de 2017. Atualmente, só se encontra disponível para leitura no meu site e chama-se “Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer”. Apesar de ser um tipo de fantasia diferente, está relacionado com o “Espada que Sangra” porque pertencem ao mesmo universo. Na minha saga, uma das crenças do povo namantisquano é que o mundo resultou da violação de Khsem a Mallaya, e desse ato nasceram três planetas gémeos. Eles são Zallar, Semboula e Bhaset. Enquanto o “Espada” se passa em Zallar, o “Língua de Ferro” passa-se em Semboula.

Um pouco à semelhança do que Brandon Sanderson faz com o seu universo compartilhado. 

Inspirado por essa ideia incrível do Sanderson, seguramente, mas uma visão astronómica muito mais ligada à mitologia. Sanderson eleva homens a deuses, mostra-nos os deuses, assegura-nos de que eles são reais. Eu não. Sou muito mais Martin neste aspeto. A questão de fundo é: será que existe um deus por detrás de tudo, ou uma variedade deles? Os deuses de Zallar serão os mesmos de Semboula e de Bhaset? Haverá um deus verdadeiro, ou são os homens que criam os seus próprios deuses? É muito uma questão de crença. No que diz respeito ao universo, já escrevi um conto futurista em que alguns destes planetas são referidos e se, no futuro, me dedicar a alguma space opera, seguramente que todos eles serão incluídos.

Então existem mais mundos, para além destes três. Li aqui que escreveu um conto para a Divergência em 2017. Ele também faz parte deste universo?

Escrevi “A Maldição de Odette Laurie” na antologia “Os Monstros que nos Habitam”. É um conto de zombies, passado num mundo que podia ser perfeitamente o nosso, mas não é. A que mundo ele pertence, eu ainda não decidi, e se tenho uma ideia para isso, não a quero revelar para já. Prefiro que se surpreendam com um futuro crossover.

Já falamos em Martin e em Sanderson. Estes autores são uma inspiração?

Obviamente. Brandon Sanderson tem uma linha de produção invejável, ideias incríveis e sabe explodir com a mente dos leitores. George R. R. Martin faz a fantasia parecer real. Li as “Crónicas de Gelo e Fogo” enquanto escrevia o “Espada que Sangra”. Mas há ainda melhores. Scott Lynch é o meu escritor favorito. O humor, a irreverência, o mundo, tudo fora da caixa. Robin Hobb é a melhor escritora que eu conheço. O que dizer de Steven Erikson, que une ideias brutais, crueldade à flor da pele e uma escrita do “outro mundo”? E depois, fora da fantasia, temos Ken Follett, Bernard Cornwell, John le Carré, Maurice Druon, que eu adoro.

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Quando começas a escrever um livro, já sabes como vai acabar?

Posso ter uma ideia vaga, mas seguramente que não. Quando começo a escrever, penso quais serão os fios narrativos e onde eles me podem levar. Faço um esquema simples da história central até ligeiramente a meio, e as ramificações que daí podem surgir. Um esqueleto. Depois, pouco a pouco, vou enchendo esse esqueleto com carne e ao escrever estou a dar-lhe músculo. Quando chego ao primeiro terço do livro, reavalio aquilo que tinha pensado, mas é certo e seguro que quando chegar à metade, já tenho outras ideias para as personagens e para a história. Nessa altura defino os finais e como chegar a eles, porque a segunda metade de um livro tem de ser bem estudada e confeccionada de modo a confluir no final desejável. Se continuar a escrever ao sabor do vento, chego ao último terço com imensos pontos de interrogação e não conseguirei escrever um final credível, na menos má das hipóteses será um final apressado. Por isso gosto de definir os finais e como chegar a eles a meio de um livro.

Quais são as principais diferenças entre o “Espada que Sangra” e o “Língua de Ferro”?

O “Espada que Sangra” é uma série, o que te dá a liberdade de expandires o mundo a teu bel-prazer. No “Espada que Sangra” apresento-te Zallar, mas não tenho a preocupação de te mostrar cada cantinho daquele mundo. Ele foca-se em duas ou três cidades, uma muralha e um deserto. É o que basta, porque sabes que a seu tempo tudo o resto terá terreno desbravado. Consegues ser fluído, consistente, incisivo, e é isso que mais me agrada. O “Língua de Ferro” foi… complicado. Um desafio a todos os níveis. Tinha de apresentar aquele mundo num único volume, e uma vez que foi publicado quinzenalmente, não podia voltar para trás para corrigir acontecimentos anteriores. Aquele esqueleto de que falei antes era muito frágil. Foi um livro escrito ao sabor do vento, e se fosse hoje tomaria outras decisões narrativas, mas considero que correu muito bem para o expectável.

E quando voltaremos a ler mais de Zallar? Estás a escrever algum livro neste momento?

A saga de Zallar está escrita, mas ainda tenho muito trabalho pela frente com revisões. Este ano irei trabalhar no segundo volume, “Garras Gélidas”, para que fique pronto o quanto antes. Estou a terminar de escrever um livro passado em Bhaset, “Embaixada”, uma trama onde política, mistério e poderes sobrenaturais andam de mãos dadas. Inspirei-me na Europa pós-Revolução Francesa, com referências a Napoleão, Hitler e até a Fernando Pessoa, mas mais não posso dizer. Depois penso em escrever alguns contos.

Para terminar, o que dirias a alguém que está indeciso em ler o “Espada que Sangra”?

Diria que comprem, que leiam, e que espalhem a palavra. Sinto-me realmente afortunado por ter encontrado uma editora que apostasse em mim, a Editorial Divergência, que tem feito um trabalho incrível na divulgação da Ficção Especulativa nacional, mas isso não basta. Se não querem que vivamos num país em que os autores nacionais tenham obrigatoriamente que pagar para publicar o seu trabalho (o que é um contra-senso terrível), temos de apoiar os autores nacionais e as editoras tradicionais. Mais do que isso, o “Espada que Sangra” tem tido um reconhecimento incrível por aqueles que o lêem, por isso não vais querer ficar de fora.

Obrigado, Nuno!

Obrigado à Maria Inês pela entrevista e pela simpatia.

30 Influências em “Espada que Sangra”

IMG_20180407_130831.jpgTodo o autor é pautado por referências na hora de escrever um livro, sejam elas conscientes ou não. Enquanto alguns pecam na hora de as moldar e acabam por obter, como resultado, uma imitação pálida do original, outros acabam por ser eles mesmos originais graças ao tratamento cuidado e personalizado que oferecem às suas obras, dando-lhes muito de si e da sua visão pessoal, confeccionando uma sopa rica em referências sem que se lhe denote marcas gritantes do que lhe esteve por detrás. E é a capacidade de personalizar esses ingredientes que confere alma e singularidade à criação.

Embora o meu Espada que Sangra traga alguma originalidade ao género da fantasia, muito por tentar fintar a influência dos lugares-comuns na ficção fantástica, as minhas referências mais conscientes derivaram tanto da História da Humanidade quanto da cultura pop na qual cresci. Mas para além das inspirações mais visíveis, como o Game of Thrones e a Antiguidade Clássica, imaginarias tu que a Hamsha deve o seu nome ao Yamcha do Dragon Ball, ou que o Aggert é uma mistura entre o Wolverine dos X-Men e o Heihachi do Tekken, ou que a Ezzila foi inspirada na rainha Ranavalona de Madagáscar? Conhece esta e outras peculiaridades neste artigo especialíssimo sobre influências literárias.

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Fonte: https://geekculture.co/get-your-dragon-ball-z-fighting-fix-early-with-half-life-now/
1. Dragon Ball

Como eterno fanboy do anime criado por Akira Toryiama, Dragon Ball é uma das minhas maiores referências e uma das minhas ideias originais para Espada que Sangra foi criar um “Dragon Ball na Grécia Antiga”. Na prática, muito pouco ficou a nível de história, embora tenha bebido bastante desta fonte na conceção das personagens. Hamsha deve o seu nome ao Yamcha, enquanto ela própria é quase uma fusão peculiar entre a esposa de Goku, Chichi, com a rainha Cleópatra.

Já os irmãos Mysee, Tyttertop e Tazz são abertamente inspirados na versão futura e presente do Trunks, enquanto que Hymadher tem muito de Goku e Adilar de Piccolo (Coraçãozinho de Satã na versão nacional).

Welder Uw-Abblard é fisicamente inspirado no C-17, embora seja mais parecido com o Vegeta em termos de personalidade. A raça el’ak tem traços comportamentais similares aos dos habitantes do planeta Namek. Outros animes como Samurai X ou Samurai 7 acompanharam o meu crescimento, e embora não lhes veja nenhuma influência direta, acabaram por fomentar o meu gosto pela fantasia.

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Fonte: https://www.hbo.com/rome
2. Grécia Antiga

As “espadas” de Terra Parda tiveram como referência as cidades-estado da Grécia Antiga, e tanto nos hábitos, na religião e nas indumentárias, muito do que é apresentado no mundo de Zallar está ligado à Antiguidade Clássica, especialmente à Grécia. Tanto o modo de vida das personagens como a própria geografia do local recende a esse período, embora também pisque o olho a outros períodos mais avançados, inclusive o Renascentista.

3. Império Romano

Assim como a Grécia, também o Império Romano foi uma grande fonte de inspiração, na minha tentativa de fugir ao estereotipo medieval na fantasia. Um forte exemplo é a existência da Guarda Ameriliana, abertamente inspirada na Guarda Pretoriana. Futuramente, algumas espadas não apresentadas neste livro revelarão traços mais evidentes desta influência. A série Rome da HBO foi um dos meus maiores referenciais durante a escrita do livro, embora tenha sido a mais recente Spartacus da STARZ a oferecer-me mais conteúdo visual. Goròn foi levemente inspirado em Batiatus, Hamsha tem muito de Lucretia (ou não fosse Lucy Lawless uma das minhas atrizes preferidas) e mesmo Adilar bebe um pouco de Oenomaus.

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Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ranavalona_III
4. Ranavalona

Lazard Ezzila, uma das protagonistas do livro, nasceu na minha cabeça de uma combinação entre a Ester de Ben-Hur, a Cersei de Game of Thrones e a Bulma do Dragon Ball, mas quando lhe dei forma, fui buscar conteúdo a uma personagem real, que fisicamente não tem absolutamente nada a ver com ela. Trata-se de Ranavalona, a última rainha de Madagáscar, que lutou arduamente contra o governo francês e os seus interesses coloniais, tentando salvar a sua pátria com alianças comerciais e políticas com o Reino Unido e com os Estados Unidos da América. Ambas foram mulheres fortíssimas, obrigadas a casar com o seu primeiro-ministro por conveniência política.

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Fonte: http://www.nme.com/blogs/nme-blogs/game-of-thrones-does-jon-snow-have-a-secret-sibling-8366
5. Game of Thrones

Foi o Game of Thrones que me fez acreditar que era possível criar fantasia, sem deixar de ser credível, capaz de fazer o leitor olhar para aquilo que escrevo como real. Primeiro a série, e depois os livros, Game of Thrones foi não só o motor para o Espada que Sangra, como uma inspiração clara. As muralhas de Smitt-Woles, Raos e Myok são inspiradas na Muralha de Gelo, aqui localizadas no deserto, o mundo é ameaçado pelas criaturas que vivem do lado de lá e a intriga e os jogos políticos permeiam o dia-a-dia dos que vivem no interior. Se Ezzila tem, fisicamente, traços de Cersei Lannister, Aggert tem algo de Cão de Caça e Goròn muito de Mindinho. Acabou por ser uma das influências menos conscientes da minha parte, uma vez que li toda a saga durante a conceção do livro.

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Fonte: http://www.ancient-origins.net/unexplained-phenomena/unanswered-mystery-7000-year-old-ubaid-lizardmen-001116
6. Divindades Sumérias

Os mahlan do Espada que Sangra são humanóides com pernas similares às de avestruzes, cabeças de lagartos e têm todo o corpo coberto de penas negras. Eles são inspirados nos deuses reptilianos encontrados nas pirâmides e artefactos datados do período sumério. São também descendentes da primeira raça humana que habitou em Zallar, o que logo gera um paralelismo com a ascendência destas criaturas que a investigação especulativa tanto tem perseguido ao longo dos tempos.

7. Civilizações Meso-Americanas

O Palácio Real do Unicórnio tem a base na forma de uma meia-pirâmide, Lopp tem uma aparência meio inca e do que é permitido saber sobre as Terras Quentes, muito faz lembrar a nossa América Central e as civilizações Inca, Maia e Asteca, como por exemplo a adoração à serpente e às aves. Foi, porém, a expansão espanhola nessas terras, que ditou o fim dessas civilizações, que me inspirou a incluir vários nomes de sonoridade espanhola a viver em Welçantiah, justificando-as na trama com o fluxo de refugiados que derivou da queda de cidades como Lopp e Sonnor.

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Fonte: https://magic.wizards.com/en/story/planeswalkers/narset
8. Os Borgia

As controvérsias da família Borgia foram sempre um foco de interesse e de investigação para mim, desde que li O Príncipe de Maquiavel. Nomeadamente a série com Jeremy Irons e a BD Blood for the Pope, com argumento de Alejandro Jodorowsky e arte de Milo Manara, tiveram alguma influência durante a escrita deste livro. Foi durante a leitura desse álbum que nasceu a imagem de Dyekken Jacoh na minha cabeça, inspirado no desenho de Gaspar Malatesta.

9. Magic The Gathering

Nunca joguei, mas tempos houve em coleccionei cartas Magic The Gathering e as ilustrações sempre tiveram um certo fascínio em mim, ao ponto de criar nomes e histórias para imagens que eu via. Em Espada que Sangra não aconteceu muito, mas Kaya, Samut, Huatli ou Narset deram-me inspiração para Hamsha e cartas como Incremental Growth fomentaram a mitologia zallariana na minha mente. Baralhar e voltar a dar essas cartas é sempre um exercício de criatividade que me dá uma certa agilidade narrativa.

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Fonte: https://pt.aliexpress.com
10. A Reconquista Cristã

A ideia de colocar os mahlan a organizarem-se para voltar a Terra Parda, tantos séculos depois, veio depois de alguma pesquisa sobre a Reconquista Cristã na Península Ibérica. Afinal, se os Homens Demónio foram escorraçados de Terra Parda pelos humanos, atirando-os para os desertos até que se tornassem meros animais necrófagos, não será natural que eles voltem a evoluir de alguma forma para fazer justiça aos seus antepassados, cumprindo assim um ciclo? A incursão dos mahlan e a forma como se organizaram tão rapidamente está envolta em mistério, mas esta ideia de reconquista vem muito da nossa própria História.

11. Antigo Egipto

Sou um apaixonado pelo Antigo Egipto, como tal ele não podia deixar de estar de alguma forma em Zallar. Várias construções piramidais, uma mitologia aqui e ali a piscar o olho à Antiguidade Egípcia, os soldados das Terras Quentes montados em bigas e quadrigas, toda a atmosfera escura e quente faz-nos lembrar o Egipto. E Ezzila, que tem tanto de Cleópatra na personalidade como Hamsha em fisionomia, encontra um objeto precioso no sarcófago que guarda uma múmia. A civilização hyldegardiana, sendo a que tem o tom de pele mais branco e a cultura mais evoluída, com traços renascentistas, acaba por ser a que tem mais influência direta do Antigo Egipto, através de uma inversão clara.

Também a raça el’ak foi buscar muita influência aos egípcios e aos núbios, tanto nos seus rituais e cor de pele como nas representações do sagrado. A série Hieroglyph foi cancelada antes da estreia, mas o trailer deu-me imensas ideias que comecei a desenvolver neste livro, nomeadamente a inclusão de vampiros num mundo de inspiração egípcia.

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Fonte: http://www.epilogue.net/art/31316-orcs-v-red-coats
12. Ocultismo e Cátaros

A Sociedade Sem Voz foi inspirada em sociedades secretas como a Maçonaria ou a Sociedade Rosa-Cruz, mas acima de tudo foi o catarismo que me inspirou a desenhar a sociedade, embora seja bem diferente em ideologia. Os cátaros defendiam uma duologia divina bem e mal, enquanto a Sociedade Sem Voz acredita na divinização de alguns heróis lendários, não obstante ser uma criação de alguns notáveis hyldegardianos com base em descobertas arqueológicas. A recusa dos sacramentos e do batismo cristãos são outras das características dos albigenses, enquanto os Sem Voz partilham da maioria dos credos que a religião em voga.

13. Bernard Cornwell

Foi este autor, nomeadamente com o seu livro Fogo Cruzado, que me fez querer incluir armas de fogo neste mundo de aspecto greco-romano. Nunca tinha lido nada parecido e achei as descrições de guerra com pólvora incríveis, de tal forma que mais incrível na minha cabeça foi poder ter armas de fogo no mundo que eu tinha criado de antemão, tão marcadamente clássico. Afinal, podia perfeitamente substituir qualquer tipo de magia mais tradicional (ou mesmo um kamehameha do Goku) por uns bons tiros de mosquete, não? Esperem para ver, lá pelo terceiro volume, um vampiro montado num canhão rolante.

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Fonte: https://nosbastidores.com.br/street-fighter-capcom-lanca-enquete-para-fas-votarem-no-seu-personagem-favorito/
14. Street Fighter

Devem estar a perguntar-se: WTF? Onde raios está Street Fighter no Espada que Sangra? E eu respondo. Amarion foi ligeiramente inspirado no Mr. Bison, Gogo é um misto entre um dothraki do Game of Thrones com o Akuma, há um deus chamado Dhalsim, e se Calttor tem algo de Zangief, Zamora Dane também tem qualquer coisa de Sagat. E ainda não conheceram Paragas, o rei de Somoros, que tem muito de Viserys Targaryen mas também do nosso incrível Vega. Gouken também é uma personagem que serviu de inspiração para Fel Manny, embora tenha sido mais inspirado na figura do ator John Rhys-Davies.

15. Tekken

Se o Wolverine dos X-Men teve muita influência na personalidade da personagem Monroy Aggert, assim como o Cão de Caça do Game of Thrones, o seu aspeto físico é bem mais similar ao personagem Heihachi dos videojogos Tekken. Que tipo, hein? Para além de que imagino o rei Dayyon Yahya com uma máscara na forma da cabeça do Yoshimitsu.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/399272323191369394/
16. Malazan Book of The Fallen

Ainda não tinha lido nada da saga do Steven Erikson quando comecei a escrever o Espada que Sangra, mas a verdade é que das imagens que fui vendo pela internet, acabei por me deixar influenciar. O nome Mysee dos irmãos Tyttertop deriva de uma senhora adorável chamada Meese, enquanto que a existência de dinossauros no meu mundo veio daqui. Quando finalmente li Jardins da Lua, encontrei um mundo e personagens bem diferentes do meu, mas com vários pontos convergentes. Histórias Vermelhas de Zallar e Malazan Book of The Fallen partilham ambição e proposta, com linhas e tecidos bem diferentes.

17. Ken Follett

Tom Construtor não inspirou Hymadher nem Ellen inspirou Hamsha. Ou será que…? Inconscientemente, não digo que não. Os Pilares da Terra foi um dos melhores romances históricos que já li, e seria um pouco negligenciar a obra de Ken Follett dizer que não teve nenhuma influência quando escrevi este livro. Acho que as obras de Follett sempre me irão influenciar de algum jeito, escreva eu aquilo que escreva. E o que dizer daquele ambiente cálido do Egipto na época nazi de A Chave para Rebecca? Houve muitas pequenas sensações que vieram daqui.

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Fonte: http://www.internationalhero.co.uk/i/ivanhoe.htm
18. Ivanhoe

A obra de Walter Scott é marcadamente medieval, narrando a célebre Guerra das Rosas que inspirou George R. R. Martin em A Game of Thrones. E eu estava à procura de inspiração para o meu livro quando me decidi a beber das mesmas fontes de Martin. Ivanhoe foi uma das opções. Se ficou alguma coisa deste livro em Espada que Sangra? Não sei dizer. Sei que havia um personagem chamado Aymer, com que baptizei um dos meus, e fiquei com o referencial de um bom livro de ficção histórica.

19. Os Reis Malditos

Outra das obras que li durante a fase de pesquisa foi Os Reis Malditos de Maurice Druon, mais concretamente o primeiro volume, O Rei de Ferro. A obra conquistou-me e personagens como Filipe O Belo tornaram-se irremediavelmente vitais para a composição do meu livro. Hymadher tem muito de Filipe, apesar de ter uma personalidade marcadamente diferente, mais cordial e indulgente. Também a escrita de Druon fomentou alguma formação didática da minha parte em termos de fluidez narrativa.

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Fonte: http://www.digitalspy.com/movies/news/a836800/the-lion-king-mufasa-death-change/
20. Aventuras Fantásticas

Os livros para jogar de Ian Livingston e Steve Jackson ocuparam grande parte da minha juventude. Era raro o intervalo da escola em que não me perdia na biblioteca a seguir as trajetórias daquelas personagens. Os Homens Demónio têm muito dos Homens Lagarto dessas histórias, e muitos foram os ambientes e criaturas que, bem inconscientemente, povoaram o meu imaginário. Por Telak, é bem provável que encontres mais referências do que eu mesmo.

21. O Rei Leão

Lembro-me de querer ver este filme mal ele saiu nos cinemas, em 94. Não fui vê-lo, e será que fiquei traumatizado com isso? Poucos anos mais tarde, os meus pais compraram-me um filme em cassete do Rei Leão, e eu fiquei com as expectativas a mil. Mas era Leo: o Rei Leão, e não o filme da Disney, e fiz uma birra delicada. Muitos anos mais tarde vi o filme pela primeira vez e fiquei tão encantado como se o tivesse visto aos 9 anos, quando ele saiu. Haverá algo de Mufasa e Scar na relação entre Ameril Hymadher e o seu irmão Goròn? Sabem que sim.

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Fonte: http://www.allaryia.com/pearnon/?p=931
22. As Crónicas de Allaryia

Goste-se muito, pouco ou nada, sabemos que Filipe Faria foi um dos percursores do género fantástico em Portugal. E eu fui, como tantos outros, um fanboy que lhe quis seguir as pisadas. Nunca concluí a leitura da série, faltam-me dois, e sinceramente já não olho para a escrita do Filipe com o prazer de outrora, mas não deixou de me fascinar e de ser um marco na época em que saiu. Aewyre inspirou-me a escrever Hymadher, não o personagem que hoje conhecem em Espada que Sangra, mas um outro com o mesmo nome, então príncipe, que concebi aos dezassete, dezoito anos. As personagens crescem, e nós também.

23. Battlestar Gallactica

Nunca vi o filme, mas a série tornou-se uma das minhas preferidas de ficção científica. Podes encontrar muito pouco ou nada de Battlestar Gallactica em Espada que Sangra, mas estão lá as disputas e as discussões de caráter militar e também estão lá os inimigos reptilianos, ah pois estão.

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Fonte: http://starwars.wikia.com/wiki/Gungan_Basic
24. Star Wars

A influência é escassa, mas o ambiente de Tatooine foi uma das principais fontes de inspiração para o mundo de Zallar, bem como as confusões nas tabernas, como a Cantina de Mos Eisley, estão sempre na minha mente quando escrevo cenas como a da passagem de Hymadher e Manny na Ruína de Welçantiah. E, digam-me lá, o Hlazaral Les não tem algo do Watto e o Stelbun Odd-Mai umas certas parecenças com o rei dos Gungan?

25. Marvel Heroes

Escrevi em cima que Wolverine serviu de inspiração para Monroy Aggert, e assim é, tanto ao nível de personalidade como na relação com os outros, nomeadamente com as mulheres do livro. Porém, Welder Uw-Abblard também tem uns traços dele, que descobrirão adiante na série. E se as relações de irmandade no seio da Guarda Ameriliana têm algo de X-Men, os hurkk foram levemente inspirados na personagem Arcanjo, com qualquer coisa de Visão.

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Fonte: http://lanntair.com/aladdin-1992-large-picture/
26. O Corcunda de Notre Damme

O filme da Disney. Não há nenhum corcunda neste livro, mas há personagens como Hamsha ou Aala que têm algo de Esmeralda, Hymadher é tão galante como o Febus e Amarion tem muito, mas muito mesmo de Frollo. Não foi uma inspiração propositada, mas esta animação faz parte do meu imaginário de menino, coleccionei figuras e sem dúvida que teve o seu papel no meu processo de construção.

27. Aladino

Também o filme da Disney. Fiz puzzles e assisti à animação, em criança, e de cada vez que vejo Jafar lembro-me que inventei uma deusa chamada Jaffaz, e de cada vez que vejo o Aladino com um macaquinho ao seu ombro lembro-me que inventei uma raça de macaquinhos-capuchinho chamados orakin. O subconsciente é capaz de pregar-nos partidas.

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Fonte: https://www.empireonline.com/movies/prince-persia-sands-time/
28. Pré-História

Apesar de não serem muito frequentes, há dinossauros no meu livro. Os mahlan vêm montados em ooti, que não são mais do que pterodáctilos, e há testemunhos de crânios-duros (triceratopos) e espinhosos (estegossauros) em Namantisqua. O meu conto Servimos Miúdas Mortas, que esteve para ser publicado na antologia erótica da Saída de Emergência que nunca foi avante, explora a vida num arquipélago namantisquano e mostra a diversidade de dinossauros que por ali há. E tal como a ciência nos revelou, eles são revestidos de penas. As indóias são uns animais pouco amigáveis inspirados no indohyus, uma criatura peludinha que foi o ancestral das baleias.

29. O Príncipe da Pérsia

Embora não lhe distinga uma ligação direta (ok, há um irmão a tentar matar outro irmão pelo poder), olho muito para o ambiente do Espada que Sangra com uma aura Príncipe da Pérsia, tanto o filme com Jake Gyllenhaal como o videojogo. Aquilo que ele me transmite é uma velocidade, uma poeira e uma coloração quente com que me identifico bastante.

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Fonte: https://www.vanityfair.com/hollywood/2018/04/walking-dead-season-8-finale-recap-morgan-maggie-villain-did-rick-kill-negan
30. The Walking Dead

Acompanho a série há oito temporadas e a BD há dois anos e é difícil que não tivesse a sua quota-parte de influência na construção deste mundo. “Por enquanto” não há mortos vivos por aí, mas Ameril Hymadher consegue ter tantos traços de Rick Grimes como de Ganoes Paran, Son Goku, Aewyre Thoryn ou do Marco António de James Purefoy em Rome. E depois há os Scrimley e a sua fazenda, que foram inspirados nos Greene da série de TV. Larny tem algo de Hershel e Marthyna muito de Maggie.

Para além destas, encontraram mais alguma evidência em que eu me tenha inspirado? Gostaram do artigo? Espero ter esclarecido algumas dúvidas. Se ficaste curioso e ainda não leste, não percas tempo e reserva aqui o teu exemplar do meu livro Espada que Sangra. Boas leituras!

Dia Mundial do Livro: 10 Livros Que Não Podes Deixar de Ler

Hoje, 23 de abril, é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor e o NDZ vem indicar-te 10 livros que, cá para mim, não podes deixar de ler. Claro está, tratam-se de alguns daqueles que mais me conquistaram o coração ao longo da minha vida de leitor. Fica com a listinha:

10 . OS PILARES DA TERRA

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Se nunca leste nada de Ken Follett, esta é a sugestão mais do que óbvia. Não que seja obrigatoriamente o melhor livro do autor, mas é seguramente um dos mais marcantes. É o livro perfeito para quem gosta de um bom romance de época, com um pano de fundo histórico bem consistente e vilões que dão vontade de lhes pregar um belo par de chapadas. Os Pilares da Terra é considerado o melhor livro passado em Kingsbrigde, mas Um Mundo Sem Fim e Uma Coluna de Fogo também são livros que precisas de ler deste autor incrível.

9. O NOME DO VENTO

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Se gostas de fantasia, Patrick Rothfuss é um nome obrigatório. Apesar de estar há anos para concluir a trilogia, A Crónica do Regicida destaca-se sobretudo pela escrita maravilhosa do autor norte-americano, bem como pelo intrincado de pistas sobre o mundo e sobre as personagens que ele vai polvilhando pelo caminho. Nesse sentido, se O Nome do Vento é bom, o segundo volume é ainda melhor. Podes ficar frustrado pela falta de grandes acontecimentos, mas também podes ficar apaixonado pela complexidade da narrativa.

8. OS MISERÁVEIS

A escrita de Victor Hugo não é para qualquer um e em alguns momentos consegue chegar a ser maçante, mas não é isso que retira valor a este livro. Os Miseráveis foi um dos que mais me apaixonou ao longo da minha vida, fazendo-me sentir na pele os dramas e as alegrias de Jean Valjean e da pequena Cosethe. Penso que a leitura deste livro é obrigatória para qualquer um.

7. A GUERRA DOS TRONOS

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Este foi o livro que me “ensinou” que era possível escrever fantasia, sem deixar de ser credível e coerente. O mundo de A Guerra dos Tronos é incrivelmente bem desenhado e a escrita de George R. R. Martin é um espetáculo à parte. Li todos os 10 livros já publicados em português e é difícil encontrar um autor que me entusiasme tanto. Embora os últimos tenham sido mais fracos, posso dizer que não houve um volume que me desiludisse. O hype em torno da saga passou, mas o impacto que teve em mim permanecerá.

6. A SÚBITA APARIÇÃO DE HOPE ARDEN

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Uma das minhas melhores leituras do ano passado, A Súbita Aparição de Hope Arden é um thriller intenso sobre uma rapariga de quem toda a gente se esquece pouco tempo depois de lhe tirarem os olhos de cima, o que a transformou numa criminosa. Mas se a premissa parece incrível, nada bate a escrita alucinante de Claire North que consegue, neste livro, ultrapassar o sucesso que já havia registado em As Primeiras Quinze Vidas de Harry August. Imperdível.

5. WARBREAKER

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Este livro não está publicado em português, mas pode ser encontrado gratuitamente no site do escritor. Warbreaker foi o livro que mais me fascinou até agora do escritor Brandon Sanderson, a par com Elantris. Ele apresenta uma intriga política convincente, mesclando deuses com humanos e questionando algumas assunções da humanidade, ao mesmo tempo que apresenta um sistema de magia que envolve cores. Se nunca leste nada do autor, aconselho Mistborn: Nascida nas Brumas, uma trilogia já concluída no nosso país.

4. JARDINS DA LUA

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Um outro livro de fantasia bastante recomendado lá fora. A Saga do Império Malazano tem dez livros centrais e uma série de outros romances paralelos, estando já publicados dois livros no nosso país. Não recomendo este Jardins da Lua a quem não esteja familiarizado com fantasia, porque ele pode ser realmente complicado de compreender. Mas essa é também uma das suas maiores virtudes. Ele faz o leitor juntar as peças como um quebra-cabeças e apaixonar-te por uma narrativa épica sem igual. Se isso não bastasse, a escrita de Erikson é fantástica.

3. A CHAVE PARA REBECCA

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Está longe de ser um dos maiores êxitos de Ken Follett, mas talvez por ter sido um dos primeiros que dele li, A Chave para Rebecca marcou-me como poucos o fizeram. O clima intenso do Egipto no período nazi, a tensão da espionagem, o romance e a traição, mas sobretudo o enorme plot-twist em relação a vilão e protagonista, colocaram este livro como um dos meus preferidos de sempre. Será difícil encontrar um livro de espionagem que me estusiasme tanto.

2. O ASSASSINO DO BOBO

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Foi a minha melhor leitura do ano passado. É o primeiro volume da última trilogia dedicada a FitzCavalaria Visionário, pelo que aconselho a leitura de todos os outros desde O Aprendiz de Assassino, mas esta série é, na minha opinião, claramente a melhor. Ainda assim, todos os livros de Robin Hobb têm um denominador comum: a escrita cuidada e elegante da autora, só comparável a Ursula K. Le Guin dentro do género. Foi uma autora que demorou a convencer-me, e quando conseguiu, tornou-se uma das minhas preferidas.

1. AS MENTIRAS DE LOCKE LAMORA

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Esta é uma escolha muito minha. Comparando-o a outros autores de fantasia supracitados, e mesmo a outros de que não falei, Scott Lynch não estará entre os mais bem cotados. Pessoalmente, As Mentiras de Locke Lamora tornou-se o meu livro preferido, acima de tudo pela escrita “doidivanas” do autor, pela irreverência das suas personagens e pelo cenário criado, de inspiração renascentista. Scott alia o bom humor a uma escrita competente e a um mundo credível, e mesmo os livros seguintes, considerados inferiores pela crítica, encheram-me largamente as medidas.

BÓNUS. ESPADA QUE SANGRA

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E como não recomendar ainda o meu próprio livro? Recentemente publicado numa nova edição pela Editorial Divergência, Espada que Sangra é o primeiro volume de uma saga de cinco, já escritos, intitulada Histórias Vermelhas de Zallar. Aquando da primeira edição, em 2014, o livro foi muito bem recebido pela crítica, mas tenho a dizer que esta nova versão está muito mais bem cuidada. Se quiseres apoiar a literatura nacional, clica aqui para reservares o teu exemplar.

E tu, já leste algum destes livros?

Espada que Sangra: Lançamento

Palácio Baldaya, um edifício peculiarmente vestido de azul na Estrada de Benfica, em Lisboa. 7 de abril de 2018, pelas 14 horas. Teve início o lançamento do meu livro Espada que Sangra, primeiro volume da série Histórias Vermelhas de Zallar, integrado no Festival Contacto, organização da Imaginauta, Palácio Baldaya e Junta de Freguesia de Benfica. Após uma pequena e lisonjeira apresentação por parte do editor Pedro Cipriano em nome da Editorial Divergência, tive o prazer de falar à assistência sobre os primórdios de Zallar, as minhas fontes de inspiração e o processo que culminou neste “pequeno” livro de fantasia adulta.

Aquilo que começou como a ideia de uma fantasia inspirada em “Dragon Ball na Grécia Antiga” ganhou uma identidade muito própria a partir do momento em que, em finais de 2011, a série Game of Thrones me instou a escrever uma fantasia credível, mínima em elementos fantasiosos e que conseguisse captar os traços mais vívidos da nossa História. Assim nasceu o Espada que Sangra, um livro publicado inicialmente em 2014 numa vanity-press, que viria a conquistar primeiro a blogosfera até chegar a proposta da Divergência. Agora, chegou a vez do monstro brilhar numa edição de referência. Uma versão reduzida e melhorada, para todos os que adoram fantasia.

SINOPSE:

São loucos aqueles que pensam que as espadas não sangram.

Que o digam Ameril Hymadher e Lazard Ezzila, herdeiros de uma nação portentosa que se vê a braços com um descalabro militar sem paralelo. Quando os mahlan, hominídeos reptilianos que vagueiam pelos desertos, organizam uma investida que faz tremer as muralhas da Liga Parda, é a idoneidade de toda a raça humana que fica em perigo. Mas, por entre a poeira das estepes e os tiros de mosquetes, serão os movimentos subtis dos traidores a fazer sangrar as cidades?

LANÇAMENTO:

Espada que Sangra: First Look

Através do site da Divergência, podes já encomendar o teu exemplar do meu livro Espada que Sangra. Trata-se de uma fantasia adulta sem qualquer complacência pelos seus personagens, comparada a ícones do género como As Crónicas de Gelo e Fogo ou Saga do Império Malazano. A edição de 2018 inclui uma lista de personagens, bem como um mapa de Zallar, mundo em que decorre a ação do livro.

Primeiro volume da série Histórias Vermelhas de Zallar, o Espada que Sangra começou a ser trabalhado em 2011, com a ideia de ser uma fantasia inspirada em Dragon Ball passada numa Grécia Antiga alternativa, mas essa matéria inicial foi moldada várias vezes até ganhar uma identidade muito própria. Após a publicação original, que em 2014 conquistou a blogosfera, o livro foi revisto e melhorado até chegar à versão que conhecemos hoje.  Fica com a sinopse e vê as magníficas imagens do livro disponibilizadas pela editora:

São loucos aqueles que pensam que as espadas não sangram.

Que o digam Ameril Hymadher e Lazard Ezzila, herdeiros de uma nação portentosa que se vê a braços com um descalabro militar sem paralelo. Quando os mahlan, hominídeos reptilianos que vagueiam pelos desertos, organizam uma investida que faz tremer as muralhas da Liga Parda, é a idoneidade de toda a raça humana que fica em perigo. Mas, por entre a poeira das estepes e os tiros de mosquetes, serão os movimentos subtis dos traidores a fazer sangrar as cidades?

Fonte: http://divergencia.pt/espada-que-sangra-primeiro-olhar-sobre-os-livros/

Resumo Trimestral de Leituras #13

É verdade, já se passaram três meses em 2018 e o NDZ continua no radar das melhores publicações de Ficção Especulativa no nosso país. Janeiro, fevereiro e março trouxeram-me ótimas leituras, continuando ao mesmo ritmo que vinha trazendo o ano anterior. Os meus destaques vão para a série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, de que li três volumes, enquanto que nas BDs li todos os seis álbuns da série Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez. Quanto a séries terminadas, para além da supracitada, terminei a trilogia Área X de Jeff VanderMeer, com o livro Aceitação.

Melhor livro: A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2), Robin Hobb

Melhor BD: O Sangue (Monstress #2), Marjorie Liu e Sana Takeda

Pior avaliação: A Espada de Shannara (A Espada de Shannara #1), Terry Brooks

Sem título

Comecei 2018 em grande. Passada no shardworld Sel, o mesmo mundo de Elantris, The Emperor’s Soul é uma novella de Brandon Sanderson cheia de pequenas subtilezas bem originais. Shai, a protagonista, é uma ladra perita num tipo de magia chamada Forgery. Ela invade o palácio do Imperador para roubar um artefacto antigo e substituí-lo por uma reprodução idêntica, mas é apanhada e colocada atrás das grades. Muito embora o Império considere a Forgery uma abominação, não vêm outra alternativa para recuperar o seu Imperador, caído em total apatia após a morte da esposa, do que usá-la em seu proveito. Pelas Edições Gailivro, Se Acordar Antes de Morrer é uma coletânea de contos escritos por João Barreiros, na minha opinião o melhor autor de ficção científica nacional. Sentia bastante expectativa para os dois primeiros contos, “Brinca Comigo” e “Disney no Céu entre os Dumbos”, mas para quem já leu bastante do autor, acabei por achar as ideias um tanto repetitivas. No entanto, fui surpreendido por uma mão cheia de contos que achei bem interessantes. Nas suas histórias podemos encontrar um exército fortemente armado com a missão de aniquilar o Pai Natal ou uma série de zombies bastante desagradados por não conseguirem comer um robot.

Sem Título

Sykes, dos franceses Pierre Dubois e Dimitri Armand, é um western gráfico bem violento e cheio de texturas. Somos apresentados a um marshall, que se une a um irlandês e a um índio para perseguir uma quadrilha de malfeitores, conhecidos pelo saque, homicídio e violação. A perseguição de “Sentence” Sykes aos Clayton é bem cliché no género, mas agradará certamente a todos os fãs. Pessoalmente, adorei o desenho de Armand e gostei de ver um autor de fantástico juvenil como Dubois, a trabalhar numa história com este índice de violência. O Sangue dos Elfos é o terceiro volume da série The Witcher de Andrzej Sapkowski, publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Pode-se dizer que é a partir daqui que a história começa, uma vez que os dois primeiros livros, escritos em forma de contos, foram uma prequela e este pode ser visto como um prólogo para a história central. Gostei bastante do livro e achei que subiu de qualidade em relação aos antecessores, mostrando o treino da pequena Ciri e as relações que daqui surgem. A escrita foi uma das maiores qualidades do livro, faltou a meu ver maior harmonia e sensatez nos saltos temporais.

Sem Título

O primeiro volume da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Welcome To Lovecraft apresenta-nos uma família curiosa, os Locke. O pai, um professor, decide envolver os filhos nas tarefas campestres, mas quando um grupo de rufias invade a casa e decide vingar-se do professor e matá-lo, os restantes familiares são obrigados a mudar de vida e a ir viver para a antiga mansão de família, em Lovecraft. Já no segundo volume, Head Games, a história adensa-se. Bode, Tyler e Kinsey, os três filhos do professor assassinado, começam a sentir-se familiarizados com os mistérios da mansão, e nem uma chave mágica que consegue abrir cabeças e mudar memórias é o suficiente para os assombrar. Gostei bastante. Primeiro volume da trilogia Espada de Shannara de Terry Brooks, com o mesmo nome, este livro da Saída de Emergência tem um design lindíssimo e uma edição muito bem cuidada. Pena o conteúdo não lhe fazer justiça. A escrita de Brooks oscila entre um vocabulário rico e uma escrita algo infantil, principalmente nos diálogos. Mas o principal defeito do livro é mesmo a sua enorme semelhança à trilogia O Senhor dos Anéis. Espero que o segundo volume seja bem mais original a esse respeito.

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Publicado pela Coleção 1001 Mundos da Gailivro, o primeiro volume da série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, O Homem Pintado, foi uma agradável surpresa. Todas as noites, os nuclitas atacam. São demónios que assumem diferentes formas e respeitam uma ordem natural de entreajuda, rivalidade ou estratificação entre eles. Quando a noite cai, erguem-se do Núcleo e materializam-se, correndo atrás de vidas humanas para delas se alimentarem. É aqui que surgem Arlen, Leesha e Rojer, três crianças que, cada um à sua maneira, e cada um a viver numa povoação distinta, é vítima destes demónios e moldam a sua personalidade de acordo com a sua coragem para dizer Basta! A escrita do autor norte-americano é simples, mas revela conhecimento e grande maturidade. Não gostei tanto do último terço, mas é um livro ótimo. Li o segundo volume já em fevereiro, A Lança do Deserto, cuja primeira metade do livro é dedicada a Jardir, uma personagem até então bastante secundária. Jardir acredita ser o Libertador que irá livrar o mundo dos demónios, mas a forma como tenta unir os povos é através da guerra, avançando com as suas tropas do deserto para as chamadas terras verdes. Depois, vemos como os três protagonistas agem na defesa dos seus povos e como lidam com os “fantasmas” do passado. Um livro muito bom e consistente, ao nível do primeiro.

Sem título

Li o mais recente álbum da BD Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook, que tem sido publicada em Portugal pela G Floy Studio. O terceiro, A Encantadora de Serpentes, conta com a participação especial de duas artistas convidadas, Carla Speed McNeil e Hannah Christenson. Este volume distancia-se da história principal, focando-se em histórias paralelas do povo que dá título à série. Apesar de achar interessante o plot de umas serpentes que endoidecem a população ou ver o Rapaz sem Pele à procura de respostas, achei um volume mais fraco que os antecessores. A arte das convidadas foi notavelmente fraca, em comparação com o traço de Crook. Já O Sangue é um livro lindíssimo que consegue combinar de certo modo o melhor das comics americanas ao mangá, imprimindo nas pranchas emoções e subtilezas como poucos o fazem. Segundo volume da BD Monstress de Marjorie Liu e Sana Takeda, publicada pela Saída de Emergência, trata-se de uma história para adultos, que embora apresente gatinhos e crianças fofinhas, traz também palavrões, olhos arrancados e dedos cortados, entre muitas outras coisas. Maika Meio Lobo continua em busca de respostas sobre a obsessão da sua mãe pela Imperatriz-Xamã, enquanto a guerra entre arcânicos e humanos parece longe do fim.

Sem título

Se O Assassino do Bobo foi a minha melhor leitura de 2017, A Revelação do Bobo foi a melhor, até agora, do presente ano. Apesar de ter ficado ligeiramente frustrado por a ação não avançar aquilo que eu esperava, o segundo volume da Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb foi uma maré de revelações e de acontecimentos de se ficar com a boca aberta. Com Abelha nas mãos dos Servos, cabe a Fitz assumir as consequências das suas escolhas e corrigir os erros do passado. Uma escrita maravilhosa, mais um livro lindíssimo. Pelas mãos da G Floy chega Luta de Poderes, o primeiro volume da famosa série O Legado de Júpiter, com argumento de Mark Millar e arte de Frank Quitely. Gostei bastante da ideia e da composição; abraçamos um mundo de super-heróis atípico, com uma forte componente de crítica social e política. A história começa em 1932, quando uma expedição liderada por Sheldon Sampson, a sua família e amigos, encontra uma misteriosa ilha no Oceano Atlântico que os transforma a todos em super-heróis. Mas, anos mais tarde, os seus filhos parecem estar mais interessados na frivolidade das suas vidas como celebridades, do que realmente em preocupar-se com o mundo que os rodeia.

Sem Título

Continuei a leitura da BD Locke & Key, com mais um divertido e bizarro volume da série escrita por Joe Hill e ilustrada por Gabriel Rodriguez. Em Crown of Shadows, abrir cabeças e extrair ou implantar memórias, vaguear como um fantasma, aumentar de tamanho, reparar loiça partida ou controlar as sombras são apenas alguns dos poderes que as chaves da mansão dos Locke providenciam. Mais do que deslindar estes mistérios, este volume vem adensá-los numa profusão de quebra-cabeças e engodos. Descender foi uma das novidades de fevereiro da G Floy. Estrelas de Lata, o primeiro volume, foca-se no Dr. Jin Quon e no pequeno andróide TIM-21, que descobre, dez anos após um conflito que colocou robots contra humanos no planeta Niyrata, que possui sentimentos. A trama começou dispersa, mas o desenvolvimento de vários personagens como a Capitã Telsa, o cão robot Bandit e o dróide mineiro Broca vieram canalizar o álbum para um final implacável que me encheu de expectativas para os álbuns seguintes. O argumento de Jeff Lemire foi crescendo de qualidade, e a arte de Dustin Nguyen, que inicialmente me desagradou, acabou por casar muito bem com a narrativa.

Sem Título

Quem já é caso sério de sucesso na G Floy Studio é Tony Chu, o Detective Canibal. No oitavo volume, Receitas de Família, a genialidade de John Layman (argumento) e de Rob Guillory (arte) supera-se. Polícias, bandidos, cozinheiros, canibais, frangos psicadélicos e poderes paranormais são uma vez mais o destaque num álbum cheio de extravagâncias alimentares e imagens sensacionais que tanto podem provocar enjoos como gargalhadas. Adorei. Ao nível dos volumes interiores da série Ciclo dos Demónios, A Guerra Diurna veio cimentar a minha opinião sobre o autor Peter V. Brett. O mundo não me entusiasma e o foco em flashbacks trava um pouco a leitura em determinados momentos. Ainda assim, os personagens continuam a ser muito bem desenvolvidos e adorei o cliffhanger final. A escrita do autor revela-se simples, mas madura. Terminei fevereiro com o conto de Robert E. Howard O Colosso Negro. Ele conta como um mago poderoso tenta apoderar-se da cidade de Corajá, seduzindo a irmã do rei, e como ela vê na nomeação de Conan para um posto elevado do seu exército a salvação para os seus maiores pesadelos. Com um início algo confuso, ainda assim apresenta uma escrita deliciosa e um desenvolvimento auspicioso, com cenas de batalha excelentes.

Sem título

Comecei março com O Fiel Jardineiro de John le Carré, publicado pelas Edições D. Quixote. Trata-se de uma trama envolvente, contada de vários pontos de vista, que procura encontrar a verdade para um mistério terrível: a morte de uma activista dos Direitos Humanos e de um médico, às margens do lago Turkana, no Quénia. As verdades que o seu esposo encontra são tão inconvenientes como credíveis, bem diferentes daquilo que amigos e Imprensa tentaram passar. Uma obra-prima que parece real mesmo sendo uma história fictícia. Seguiu-se o primeiro volume da série Imperatriz, com argumento de Mark Millar e arte de Stuart Immonen, editado pela G Floy. A história não apresenta grandes inovações, a esposa de um rei tirano quer fugir do marido e com a ajuda do capitão da guarda, pega nos três filhos e foge. O volume narra uma aventura cheia de peripécias, com o grupo a saltar de planeta em planeta graças a um tele-transportador. Com várias nuances a fazerem lembrar Star Wars, uma linguagem bem agradável e um desenho lindíssimo e colorido, é mais uma série a seguir.

Sem título

O último volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer chegou às minhas mãos precisamente na altura em que a adaptação do primeiro, Aniquilação, chegou à Netflix. Um dos lançamentos de fevereiro da Saída de Emergência, Aceitação coloca um ponto final numa história densa e cheia de mistérios, contada do ponto de vista de Control, do Pássaro Fantasma, da Diretora e do Faroleiro. As respostas não são concretas, dependendo muito da nossa interpretação dos factos, mas não deixa de ser desconcertante e, independentemente dos gostos, genial. Publicado pela Editorial Presença, Uma Chama Entre as Cinzas foi um sucesso internacional quando saiu, em 2015. Trata-se de um livro Young Adult com vários traços de fantasia adulta. Com inspiração na Roma Antiga e no Médio Oriente, Sabaa Tahir convida-nos a conhecer os Eruditos, um povo escravizado, e os Ilustres, dos quais os Máscaras são o representante de toda a sua crueldade. Quando o irmão é capturado e pede ajuda à Rebelião para o libertar, a jovem Laia é obrigada a conhecer a crueldade de Keris Veturia, mas também o amor do filho desta, Elias. Com menos foco na parte amorosa e uma linha narrativa que não me lembrasse tanto The Hunger Games, este livro estaria facilmente entre os melhores lidos este ano. A escrita da autora é lindíssima e o mundo bem construído.Sem título
Uma das últimas novidades da G Floy Studio, Antes do Dilúvio é o primeiro volume da série Os Malditos, que alia uma dupla já famosa pela série Scalped: Jason Aaron e r. m. Guéra. Com o magnífico trabalho de Giulia Brusco nas cores, o álbum convenceu-me pelo visceral e pelo sujo, mas também pelo grafismo apetecível. Somos convidados a enveredar pela jornada de Caim, castigado por Deus a viver a vida eterna, e no seu percurso encontra personagens como o fanático Noé, mas também propósitos que o levam a olhar para a vida com outros olhos. Não me fascinou, mas o plot-twist final deixou-me pelo menos com a certeza de que vou continuar a série. Quarto volume da série As Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, publicado em Portugal pela Saída de Emergência, A Canção da Espada traz de novo Uthred de Bebbanburg em busca do reconhecimento sucessivamente negado pelo seu senhor, o rei Alfredo. Desta vez, é um morto que lhe diz que deverá trair Alfredo para tornar-se rei da Mércia, mas um complot organizado por antigos e novos aliados levá-lo-á mais uma vez a lutar pelos saxões. Apaixonante e vibrante, Cornwell continua a não desiludir.Resultado de imagem para keys to the kingdom locke and key
Para terminar o trimestre, li os três últimos volumes da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Keys to the Kingdom, Clockworks e Alpha & Omega. Foram, sem margem para dúvidas, os melhores álbuns da série, com reviravoltas e revelações de deixar o leitor a chorar por mais. Toda a bizarrice da composição (cabeças a serem abertas, sombras a atacarem pessoas e pessoas a assumirem formas de animais, por exemplo) funde-se com um realismo palpável na interação de uma família disfuncional, os Locke, com aquilo que os rodeia. Dodge, o grande vilão, alcança uma dimensão estonteante e os seus propósitos tornam-se muito mais claros, para culminar num final repleto de ação e coerente. Gostei bastante. Neste momento, estou a terminar o livro Sonho Febril de George R. R. Martin, e as leituras seguintes serão Nove Príncipes de Âmbar de Roger Zelazny e Carbono Alterado de Richard Morgan. Continuem por aí!

Vozes do Fado 2018

Aconteceu no último sábado, dia 24 de março, mais uma edição da gala Vozes do Fado, no Clube União de Recreios de Moita do Norte, e que tive mais uma vez o privilégio de apresentar. Após o jantar com os fadistas, aconteceu a receção aos cerca de 260 espectadores pelas 21:30, que encheram o recinto com o seu silêncio e presença avassaladora. As luzes apagaram-se e o espetáculo começou pelas 22. Os irmãos Silva, Ricardo à guitarra e João à viola, começaram a noite com um sol de guitarra, brilhantemente acompanhados por Carlos Almeida no viola baixo. A primeira fadista a subir ao palco foi Catarina Silva Rosa, jovem lisboeta que venceu a Grande Noite do Fado na categoria juvenil em 2003 e desde então nunca mais parou, sendo uma das coqueluches do Café Luso.

Depois de três fados, seguiu-se Carlos Leitão. Desde pequeno que este fadista de origens alentejanas queria ser jornalista, mas aos 11 anos venceu a Grande Noite do Fado no Coliseu dos Recreios e foi para o fado que a vida o encaminhou. Foram muitas as histórias que Carlos viveu no CUR com o seu irmão e o pai, onde tocou viola em muitas noites fadistas, mas foi com a sua voz que ele veio deslumbrar esta noite, uma voz já conhecida e difundida um pouco por todo o mundo. A terceira fadista da noite foi Carla Arruda. Neta de um fadista, nasceu e cresceu na melhor tradição do fado lisboeta, mas foi no Clube Lisboa Amigos do Fado onde ela se destacou.

Rodrigo Costa Félix foi o artista que se seguiu. Uma das novas vozes do fado mais conhecidas do grande público, é figura de destaque em espetáculos um pouco por todo o mundo, onde Amália Rodrigues é uma das suas maiores homenageadas. Fadista profissional desde os 17 anos, Rodrigo é presença assídua em programas televisivos e espetáculos de grande envergadura. Para terminar a primeira parte em beleza, convidámos uma das fadistas do concelho, Rita Inácio, que nos deslumbrou com a sua voz poderosa. A artista natural das Limeiras fechou com chave de ouro a primeira parte da noite.

Às 23:15 deu-se o intervalo, onde se procedeu à distribuição do caldo verde, chouriço assado, arroz doce e café d’avó, momento de confraternização que durou sensivelmente até à meia-noite, hora em que se deu início a segunda parte. O momento inicial congelou uma vez mais a sala, quando o guitarra portuguesa Ricardo Silva cantou o Fado Falado de João Villaret. Os fadistas voltaram a atuar na ordem da primeira parte, desta feita com duas músicas cada, e fecharam as “hostilidades” com uma desgarrada à antiga portuguesa, perto das 02:00. Em outubro há mais.