A Divulgar: Brandon Sanderson Tem Novo Projeto Multimédia

Da parceria da FremantleMedia North America e da Random House Studio com o autor norte-americano Brandon Sanderson, nasce um novo projeto multimédia chamado Dark One. Trata-se de um drama sobre um jovem com visões de um mundo de fantasia que está destinado a destruir. O projeto estará disponível em várias plataformas, entre elas televisão, novela gráfica, uma série de livros e um podcast. Sanderson deseja desenvolver a série de TV, bem como escrever a BD e a série literária, vindo a explorar os eventos num podcast.

Fica com a sinopse oficial de Dark One“Dark One will be a dramatic fantasy adventure spolighting a young man who sees visions of strange and fantastical worlds, which he is told are just hallucinations. But this dark and deadly fantasy world that keeps coming to him is actually a real vision of another world – one where he has been prophesied to become a tyrant and destroy this land of interesting creatures, sporadic electrical currents and a darkening landscape. 

Fonte: tor.com

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Fonte: https://www.deseretnews.com/article/865666448/Utah-author-Brandon-Sanderson-spins-fantasy-tales-read-by-millions-around-the-world.html
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Estive a Ler: Os Braceletes da Perdição, Mistborn 2.ª Era #3

Flor bonita – disse o kandra. – Posso ficar com o seu esqueleto quando você morrer?

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “OS BRACELETES DA PERDIÇÃO”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

Publicado em janeiro de 2016, The Bands of Mourning é o terceiro livro da chamada Segunda Era Mistborn, também conhecida informalmente como a saga Wax & Wayne. Ao contrário da primeira série, porém, não se trata do último livro da saga, faltando ainda um volume, The Lost Metal, previsto para 2019. Após a leitura deste livro, é recomendada a pequena história Mistborn: Secret History, que explica mais detalhadamente o que foi aquele epílogo.

O livro é mais uma das criações inventivas do autor norte-americano Brandon Sanderson. Li a versão brasileira da Leya, com um total de 384 páginas e tradução de Alexandre Martins, incluída no box lançado na ComicCon de São Paulo do ano passado, que incluiu os três livros da série já publicados internacionalmente pela Tor. O título em português ficou Os Braceletes da Perdição, nome bem familiar para quem acompanhou a primeira trilogia, já publicada em Portugal.

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Fonte: https://botanicaxu.deviantart.com/art/Wax-and-Wayne-532612812

Alguém falou em organização? Steris Harms chamada à caixa.

Antes de avançar no dissecar deste enredo e em explicar mais detalhadamente o que gostei mais ou menos neste livro, quero deixar claro uma coisa: o segundo volume, As Sombras de Si Mesmo, é o meu preferido até agora de Mistborn, o que não significa que este terceiro volume tenha sido muito inferior. A respeito da Cosmere, o universo compartilhado, o mundo foi aqui muito mais explorado, e mesmo as personagens principais foram bem mais desenvolvidas.

A questão é que Brandon Sanderson habituou-nos a um ambiente meio faroeste, nos primórdios da Indústria, com toda uma parafernália de coches, salões de festa e vestidos de época convencionais, para de repente nos fazer avançar a 300 km / hora para um outro tipo de tecnologias. Nada contra, mas meio que a história perdeu a mística que vinha a criar. Se já no segundo volume havia uma certa estranheza com os primeiros carros a motor, o que dizer agora de

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aeronaves movidas a alomância? 

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-3-os-braceletes-da-perdicao/

E não é só isso. As Sombras de Si Mesmo trouxe uma investigação incrível no interior de Elendel, com perseguições e lutas alomânticas extraordinárias, com estratégia policial e uma história à Sherlock Holmes envolvendo kandras – e quem leu a Primeira Era sabe bem das peculiaridades destes “bichinhos”. A trama foi toda muito bem amarrada e terminamos o livro com a sensação de desfrute, alívio e realização.

“A segunda metade do livro é bem mais corrida, mas penso que o livro todo teve um ritmo coerente e bem equilibrado.”

Os Braceletes da Perdição é um livro bem mais pretensioso. E enrola-te mais o cérebro – o que não é mau. Achei a primeira metade do livro algo parada, com dificuldade em desenvolver-se. Ainda assim, teve algumas das minhas passagens preferidas, como um ataque a um comboio e uma incursão noturna a um cemitério, por exemplo, bem como a estranheza do nosso protagonista ao encontrar um telefone, mal sabia ele o que viria a encontrar de seguida. Houve ainda uma espécie de casamento, que – tipo – meteu água. 

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/421860690076262168/

A segunda metade do livro é bem mais corrida, mas penso que o livro todo teve um ritmo coerente e bem equilibrado. E acima de tudo, soube desenvolver bem as personagens. Confesso que na minha cabeça tenho ainda dificuldade em distinguir Steris e Marasi. Tudo bem que têm o tal parentesco, mas apesar de serem bem diferentes em personalidade, olho para elas com traços físicos semelhantes e mesmo as falas delas parecem-me iguais.

Wax e Wayne voltaram a ter o destaque da série, ou não fossem eles – será? – os protagonistas. Apesar disso, o painel de personagens femininas é bem mais extenso e Marasi reclama cada vez mais para si o papel que Vin desempenhou na Primeira Era. Ainda assim, também Steris, MeLaan e Telsin revelaram-se personagens incríveis. Se as piadas de Wayne já não me pareceram tão frescas neste volume, o mesmo não posso dizer de MeLaan. Posso ter uma kandra daquelas? Tipo… de estimação?

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Fonte: http://www.gramunion.com/zelloss.tumblr.com?page=12

Mistborn deu um passo em frente na evolução. Descobrimos mais sobre outros povos, sobre Harmonia, sobre o mundo em si. Afinal, Elendel pode estar bem menos evoluída do que o resto de Scadrial. Wax, Wayne, Marasi e companhia saíram de Elendel, depois do kandra ReLuur ter descoberto a localização dos famosos Braceletes da Perdição, as incríveis mentes de metal do Senhor Soberano, e lhe ter sido removida uma estaca, para o deixar sem memória.

“A trama [do volume anterior] foi toda muito bem amarrada e terminamos o livro com a sensação de desfrute, alívio e realização.”

Ao mesmo tempo que eles acreditam que o Grupo, comandado pelo enigmático Senhor Elegante, está envolvido no assunto, Wax descobre que ele mantém a sua irmã Telsin, que não vê desde criança, como prisioneira. E é para a salvar que ele empreende uma jornada heróica que inclui mil e uma aventuras e mil e dois saltos alomânticos. Passamos de um clássico de faroeste a uma aventura de ficção científica num piscar de olhos, para assistirmos a uma fita de Indiana Jones no último quarto do livro.

Todas estas mudanças fazem-me gostar mais do segundo volume, mas a verdade é que não desgostei da forma como me foram apresentadas tanto as tecnologias como as mudanças de cenários. Mistborn está cada vez mais fluída e surpreendente, e apesar de não ter gostado de uma morte e de um encontro com Deus que não deu em nada, acho que esse lado supra-fantasioso do Sanderson vai estar sempre nas suas obras, gostemos ou não.

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Fonte: https://www.pinterest.co.uk/pin/759138080911129336/

Porém, ainda gostava que ele voltasse a ter o sangue-frio da Primeira Era na hora de matar de forma definitiva as suas personagens. Até aqui ainda não aconteceu, mas espero que o último volume venha a fechar todas as tramas e até optar por uma maior crueldade na hora de encerrar portas. Porém, ele parece estar mais interessado em ressuscitar um e outro e mais outro, do que em matar personagens. 

Quanto a este livrinho, os momentos mais Woow! acabam por ser a aparição de Hoid (que entra em quase todos os livros de Brandon Sanderson) e a moeda que ele dá a Wax, em que uma das faces revela um rosto com um olho coberto por uma estaca, bem como aquele epílogo de cortar a respiração. Que venha The Lost Metal! Até lá, talvez leia Secret History para compreender o que aquele “nosso velho amigo que quem leu sabe e mais não posso dizer” estava ali a fazer. E, claro, que venham mais cavalgadas e viagens de comboio no próximo volume.

Avaliação: 7/10

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

 

 

Estive a Ler: As Sombras de Si Mesmo, Mistborn 2.ª Era #2

Ele estava tentado a chamar este dia de o pior da sua vida, mas isso certamente seria um exagero. O pior dia da sua vida seria quando ele morresse.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO AS SOMBRAS DE SI MESMO, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

Shadows of Self no original, As Sombras de Si Mesmo é o segundo volume da segunda era Mistborn, também apelidada de série Wax & Wayne. O autor é o famoso Brandon Sanderson, um dos mais comentados aqui no NDZ que, não satisfeito em criar todo um universo para as suas séries de ficção, a Cosmere, decidiu também mostrar a evolução desses mundos. Mistborn é a série que narra a vida no mundo de Scadrial.

O autor tem em mente fazer quatro eras para este mundo, sendo que ainda lhe falta finalizar o quarto e último livro desta segunda era, que será chamado The Lost Metal. Se a primeira era apresentou um mundo pós-apocalíptico com inspiração mais medieval, os eventos desta era passam-se trezentos anos depois, com a América do início do século XX como inspiração. Li a versão brasileira da Leya, com tradução de Márcia Blasques e um total de 336 páginas.

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Fonte: https://br.pinterest.com/pin/856387685361773104/

As Sombras de Si Mesmo é um livro repleto de ação, adrenalina e plot-twists, como vem sendo apanágio do autor. Para mim, é seguramente um dos melhores volumes de Mistborn que já li até ao momento, se não mesmo o melhor. Não porque as revelações me tenham deixado on fire, como é comum acontecer, mas porque senti mais maturidade por parte do autor, um entrosamento bem sólido e, mais do que isso, finalmente Brandon Sanderson consegue trazer aquela irreverência e humor que lhe faltou na primeira trilogia.

“As Sombras de Si Mesmo é um ótimo livro de ficção fantástica, com uma reta final repleta de revelações surpreendentes.”

Depois de encontrar no primeiro volume um western mais tradicional, apesar de conter vários elementos tipicamente Mistborn, este segundo começou mais morno, sendo até bastante lento até ao final do primeiro terço do livro. No entanto, isso serviu para dar consistência ao volume, um pouco à imagem do que acontecera no segundo romance da primeira era, O Poço da Ascensão. Vamos então dissecar um pouco as personagens principais deste livro, sem spoilers que uma sinopse não traga.

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-2-as-sombras-de-si-mesmo/

Waxillium Landrian é quase o Batman lá do sítio, embora não precise de se esconder atrás de uma máscara. Um justiceiro admirado por uns e odiado por outros, bem por conta das suas origens abastadas que muitos julgam não merecer. Nunca superou totalmente a morte da esposa, mas isso não o impediu de forjar um casamento por conveniência, que pode ditar o destino da sua Casa. É o grande protagonista da série, e apesar de ser perspicaz e emocional, é nas cenas de ação que ele se destaca, ao conseguir usar tanto a alomância como a feruquimia.

Wayne é o alívio cómico da série. Apesar de ser visto como o co-protagonista desta segunda era, Wayne tem um papel e uma importância muito menor do que Wax nas problemáticas de Mistborn. Ele existe praticamente só para gozar o prato, imitar sotaques e queixar-se da falta de chapéus, e não diz uma frase sem lançar uma piada. Neste volume, as interações entre Wayne e a kandra MeLaan foram simplesmente deliciosas, bem ao nível dos Gentleman Bastards de Scott Lynch. Aquela competição sobre quem arrotava mais alto foi um must.

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Fonte: https://inkthinker.deviantart.com/art/Mistborn-RPG-Alloy-Heroic-Archetypes-477273243

Marasi Colms é o terceiro vértice deste triângulo. Apesar da importância de outras mulheres nesta segunda era, como Steris, que aparece pouquíssimas vezes mas convence quando o faz, MeLaan, Lessie, Ranette ou Paalm, a Sangradora, Marasi é a única com pontos de vista. Ela é uma polícia de secretária com ocasionais trabalhos de campo, tenente sob a autoridade do alto comissário Claude Aradel. Inventiva, metódica, simples e empenhada, Marasi mostra-nos que a sociedade pode ser melhor se trabalharmos para isso.

“Sanderson soube jogar com o saudosimo dos leitores, mas essa está longe de ser a maior qualidade deste livro.

A cidade de Elendel é o palco de uma perseguição desenfreada à la Anjos e Demónios. Devido ao crescimento do desemprego e da corrupção, alguém decidiu virar o tabuleiro ao contrário. Anda um kandra louco à solta, e a vida do governador Replar Innate pode estar em perigo. Após a morte do seu irmão Winsting, num massacre que vitimou a grande maioria dos mafiosos de Elendel, o caos foi lançado na cidade e o governador tem um alvo na testa. Padres são assassinados, a comunicação social está em polvorosa, e cabe às autoridades assegurar o bem-estar da população.

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Fonte: https://www.pinterest.com/raremetaphor/brandon-sanderson/

Se em A Liga da Lei, o primeiro volume desta era, o ambiente tinha muito mais sinais de western, seja através dos tiroteios, bandidos de rosto coberto, armazéns abandonados, fabrico de armas, viagens de comboio e poeira no ar, este segundo volume é mais concentrado no centro da cidade, logo traz uma aura um pouco mais avançada, com maior destaque para a organização da polícia e para o dealbar dos primeiros automóveis a motor, que ainda causam estranheza ao comum dos mortais.

Ainda assim, momentos como a ida de Wax ao interior da cidade, onde se esconde uma vila terrisana, traz uma ideia de povoação indígena, e fica claro que esta Elendel vive num mundo que deveria ter evoluído mais, como sugerem as palavras de Harmonia. Monumentos e ruas são dedicados aos heróis da primeira era, como Vin, Elend, SustoBrisa ou Kelsier, mas mais do que isso, a partir deste segundo volume temos muitas mais referências ao Senhor Soberano e aos nossos velhos conhecidos.

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Fonte: https://calebrostedt.wordpress.com/2016/04/19/mistborn-second-era-review-wax-wayne-and-kelsier/

Não gostei particularmente que Wax tenha sido um escolhido pessoal de Harmonia, até porque prefiro abordagens mais casuais e menos fantasiosas, mas voltar a “ver” personagens como Sazed ou TenSoon foi uma sensação bem agradável, depois da breve aparição de um outro velho amigo, Marsh, em A Liga da Lei. Sanderson soube jogar com o saudosimo dos leitores, mas essa está longe de ser a maior qualidade deste livro.

Como referi antes, o humor de Wayne e MeLaan e as perseguições de Marasi e Wax à Sangradora foram excelentes, bem como as cenas de luta alomântica do protagonista, mas também as descrições dos eventos com o governador e a incrível festa em que Wayne se disfarçou de cientista ficaram-me bem marcadas na retina. As Sombras de Si Mesmo é um ótimo livro de ficção fantástica, com uma reta final repleta de revelações surpreendentes.

Avaliação: 8/10

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

Estive a Ler: A Liga da Lei, Mistborn 2.ª Era #1

Era uma boa arma, não tão boa quanto as de Ranette, mas pequena e adequada para um cavalheiro. Tinha decidido que seria um lorde, e não um homem da lei, mas isso não significava que sairia por aí desarmado. Isso… bem, isso seria simplesmente insano.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A LIGA DA LEI”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

A Liga da Lei surgiu como um mero exercício de escrita, quando Brandon Sanderson preparava-se para começar a trabalhar no décimo terceiro livro da aclamada série A Roda do Tempo de Robert Jordan, a qual foi incumbido de terminar após a morte do autor. Embora tenha sido escrito de forma leve e descontraída, Brandon acabou por decidir juntar este livro ao cânone da sua série Mistborn, tornando-o uma ponte entre a primeira e a segunda trilogia. Tornou-se, porém, o primeiro dos quatro livros da segunda fase, também chamada de série Wax & Wayne.

Mistborn é uma das séries mais aclamadas do autor do Nebraska. Atualmente, Brandon vive com a esposa e os filhos no Utah e dá aulas de escrita criativa na Brigham Young University. É um dos autores mais populares da atualidade, reconhecido pelas suas imensas séries em produção contínua. Esta edição brasileira da Leya tem um total de 288 páginas e tradução de Petê Rissati, tendo sido lançado num box conjunto com os primeiros três livros na última ComicCon de São Paulo.

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Fonte: http://www.pelatocadocoelho.com.br/noticias/leya-lanca-box-da-segunda-era-de-mistborn-na-ccxp/

Pois é, voltei a Scadrial, o fragmento de mundo da Cosmere onde se passa Mistborn. Se andas desatualizado, a Cosmere é o universo compartilhado da grande maioria das obras do autor norte-americano Brandon Sanderson. A primeira era de Mistborn apresentou-nos uma história sobre minorias e superação, um sistema de magia que se dividia em alomânticos, feruquimistas e hemalúrgicos, em bom português uma variedade de personagens com capacidades incríveis graças às alterações metabólicas que a ingestão de metais, o uso de braceletes ou o contacto com aço na pele podem causar a quem possui determinada ascendência familiar.

“Wax vê-se envolvido numa conspiração sem precedentes, ao mesmo tempo que tenta resolver os problemas da família.”

Mas o mundo que conhecemos na primeira era de Mistborn mudou. Passaram-se trezentos anos e vive-se agora numa Era Industrial, com os primeiros automóveis a aparecerem, armas de fogo a serem sacadas dos coldres e toda uma parafernália de tecnologias a despontar. Não esperem a escala de épico que testemunharam na primeira era. Este livro é quase um western puro e duro, meio que tipo… com super-heróis, se olharmos dessa forma para alomânticos e companhia.

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-1-a-liga-da-lei/

A Liga da Lei é um bom livro de entretenimento. Ele não te traz em nenhum momento uma dimensão de incrível, mas vale muito a pena, não só pelas intermináveis sequências de ação em que vês cowboys a voar, Puxar e Empurrar, criar bolhas de tempo, aumentar e diminuir força, como tens uma investigação policial a resolver e ainda as larachas sempre bem metidas de um dos protagonistas. Em boa verdade, não fosse o humor, o livro não tinha metade da qualidade.

Wax e Wayne são os dois protagonistas do livro. Eles são uma espécie de justiceiros nas Terras Brutas, determinados em levar a lei aos povoados mais desprotegidos. São descendentes de terrisanos, por isso possuem não só as capacidades mágicas dos alomânticos (como Vin, Kelsier e companhia), como as dos feruquimistas (como Sazed), o que os faz serem chamados de duplonatos. Wax é o diminutivo de Waxillium Landrian, um homem da lei de origens abastadas que encontrou o amor nas Terras Brutas, onde se fixou com Lessie, a mulher.

Uma série de acontecimentos, envolvendo a morte de familiares, faz com que Wax regresse a Elendel – a antiga Luthadel – uma cidade cosmopolita onde é obrigado a manter as aparências e a gerir uma imensa propriedade. É aqui que conhecemos Tillaume, o velho mordomo, bem como o estado calamitoso das finanças da família. Para tentar salvar a situação, é proposto que Wax venha a casar com Steris, filha do senhor Harms, um acordo de conveniência que deixa os Harms ligados ao bom nome dos Landrian e os Landrian com o dinheiro dos Harms.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/377809856216404111/

Tudo isto parecia fácil de concretizar, não fosse o nobre vir ainda acompanhado por uma rapariga algo tímida chamada Marasi Colms, que de uma forma ou de outra cativa mais Wax que a própria Steris, ou se o “diabólico” Wayne, com os seus milhões de disfarces e respostas na ponta da língua, não se metesse ao barulho. Para piorar a situação, um grupo de foras-da-lei tem atacado a cidade, sequestrando mulheres, sem as devolver nem exigir um resgate. Wax vê-se envolvido numa conspiração sem precedentes, ao mesmo tempo que tenta resolver os problemas da família.

Outras personagens enriquecem a história, como o antigo parceiro de Wax, Miles, com as suas capacidades de regeneração incríveis, a profícua inventora e fabricante de armas Ranette ou o Braço de Peltre Tarson, um cowboy com sangue de colosso. Apesar de ser um elenco mais diminuto que aquele que conhecemos na primeira era, temos várias referências a velhos conhecidos. Elendel deve o nome ao personagem Elend, a religião do Sobrevivente (Kelsier) continua em voga e Vin, a Guerreira Ascendente, é uma personagem mitológica, bem como Marsh, o Olhos de Ferro.

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Fonte: https://brandonsanderson.com/books/mistborn/the-alloy-of-law/alloy-of-law-maps-and-illustrations/

É uma trama mais bem limada e fechadinha que aquela que encontramos em O Império Final, por exemplo, embora a proposta seja completamente diferente. Aqui não queremos salvar a Humanidade de um deus-rei egocêntrico, só queremos resolver uma série de raptos. Como tal, a escala de épico é obrigatoriamente menor. Ainda assim, a evolução de Scadrial faz todo o sentido e tudo indica que a sequência aumente a dimensão do mundo, se olharmos para este livro como uma introdução para esta nova era.

“Em termos de narrativa, funcionou como um “policial”, embora esperasse mais ligações à proposta e à explosão de sentimentos que foi a primeira era.”

Pessoalmente, estava bastante empolgado para conhecer este mundo de fantasia com aura de faroeste, e embora não me tenha impressionado em nenhum momento (ok, Brandon, como conseguiste arranjar uma piada em cada fala do Wayne?) também não me desapontou. Wax e Wayne são dois protagonistas incríveis, capazes de “dançar” nos céus com as suas capas desfiadas a levitar e um revólver em cada mão, acelerar a velocidade das balas, diminuir o tempo envolvente ou até preservar saúde.

Fonte: https://brandonsanderson.com/books/mistborn/the-alloy-of-law/alloy-of-law-maps-and-illustrations/

Em termos de narrativa, funcionou como um “policial”, embora esperasse mais ligações à proposta e à explosão de sentimentos que foi a primeira era. A escrita de Brandon Sanderson continua a cumprir pelos requisitos mínimos, ágil e acessível, sem qualquer preocupação com efeitos linguísticos ou vocabulário, o que torna a leitura bem fluída, mas deixa a sensação de que lhe falta bagagem para merecer ser o verdadeiro fenómeno literário em que se tornou. Ainda assim, A Liga da Lei é um livro muito bom. E aqueles recortes de jornais fictícios entre os capítulos foram muito bem metidos!

Avaliação: 7/10

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

Estive a Ler: Coração de Aço, Executores #1

Muitos de vocês provavelmente sabem da cicatriz na bochecha de Coração de Aço. Bem, até onde posso determinar, sou a única pessoa viva que sabe como ele a conseguiu.

Eu já vi Coração de Aço sangrar.

E o verei sangrar de novo.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “CORAÇÃO DE AÇO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE EXECUTORES

Que Brandon Sanderson é um dos mais proativos autores de fantasia da nova geração não é novidade, mas ele sempre consegue reinventar e trazer algo de novo ao género. Com a série Executores, Brandon volta a marcar pela diferença, abordando a temática dos super-heróis destinada a um público mais juvenil.

O autor de Mistborn, Elantris e Stormlight Archive publicou o primeiro livro desta trilogia, Steelheart (Coração de Aço em português) lá pelo ano de 2013, tendo chegado ao Brasil três anos mais tarde pelas mãos da editora Aleph. Foi nessa edição que eu coloquei as mãos, um volume de 376 páginas com tradução de Isa Prospero.

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Fonte: https://newburgart.deviantart.com/art/Steelheart-385444376

Brandon Sanderson é assim um dos autores que eu tenho lido mais recorrentemente ao longo dos últimos anos, e embora tenha gostado mais de uns do que de outros, os seus trabalhos não me deixam indiferente, ou decerto não os continuaria a ler com tanta assiduidade. Esta série dos Reckoners nunca me seduziu, mas uma vez que me ofereceram o livro eu não ia negar o repto, não é?

“A ação é digna de um blockbuster e apesar de não comprar os plot-twists finais, eles enriquecem este volume.”

Vou explicar o porquê de essa série não ter entrado nos meus planos. Em primeiro lugar, ela é destinada ao público YA e os deuses sabem o quanto esse sub-género me faz comichão. Protagonistas juvenis e quartetos amorosos deixam-me enfastiado, para além de que raramente conseguem ser minimamente credíveis. Depois, esta série não é ambientada na Cosmere e ainda tenho muito para desbravar nesse universo. É um livro de super-heróis, e apesar de não desgostar do tema, não tenho grande paciência para o explorar.

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Fonte: https://www.saraiva.com.br/coracao-de-aco-serie-executores-livro-i-9386204.html

Esse preconceito todo prejudicou a minha experiência de leitura? Penso que não. Ler Brandon Sanderson faz-nos sempre pensar, que é uma maneira fofinha de dizer colocar-nos o cérebro num nó, e esse livro não é excepção. Coração de Aço tem muitos problemas, não é certamente um livro que agrade a todos os fãs do autor, mas posso dizer que não desgostei.

Assim sendo, chegou a hora de catalogar o que podia ter sido melhor, na minha ótica. Acima de tudo, uma explicação lógica para as falhas de seres excepcionais que atuam como deuses, os tais super-heróis aqui denominados de Épicos. Todos eles têm o seu ponto fraco, mas se Brandon se supera em explicações mais ou menos científicas, como quer que o leitor compre a ideia da morte daquele personagem que os que leram o livro sabem?

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Fonte: http://lytherus.com/2013/09/29/exclusive-video-interview-brandon-sanderson-dives-world/

Ter um protagonista bobinho não ajudou à festa. David Charleston é um rapaz normal, que aos oito anos viu o pai ser morto por um Épico no interior de um banco, e então dedicou a vida à sua vingança. Ele coleciona uma vasta pesquisa sobre o Épico conhecido como Coração de Aço e o mundo que este erigiu à sua volta, o que o transforma no típico nerd lá do sítio. Apesar de também ter as suas habilidades para se desenrascar em perseguições e confrontos, parece um verdadeiro retardado quando está apaixonado (ou seja, durante todo o livro).

“Coração de Aço é o típico livro pop corn, que te mantém entusiasmado mesmo que estejas consciente da irrealidade de tudo aquilo.

Até ao terço final nada de grandioso aconteceu, exceptuando os eventos do prólogo, para além de uma pesquisa avançada por parte de um grupo de rebeldes humanos acerca dos pontos fracos dos Épicos. Felizmente, essa pesquisa acaba por ser bem relatada e os acontecimentos alucinantes do terço final dão a volta às fragilidades do livro. A ação é digna de um blockbuster e apesar de não comprar os plot-twists finais, eles enriquecem este volume.

Coração de Aço é um livro pós-apocalíptico passado no nosso mundo. Algo aconteceu, uma estrela vermelha apareceu nos céus e ali se firmou. Chamaram-na de Calamidade, e o que é certo é que de alguma forma ela deu vários poderes sobrenaturais a uma grande diversidade, aparentemente aleatória, de pessoas. Por alguns tempos, os humanos comuns olharam para esses sobredotados como heróis, mas as suas ilusões rapidamente se desfizeram.

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Fonte: http://www.17thshard.com/forum/gallery/image/234-deathpoint/

Os Épicos começaram a criar cadeias de poder, a matar e a escravizar os humanos. Tornaram-se cruéis. Coração de Aço ganhou o poder entre eles, nos antigos Estados Unidos agora chamados de Estados Fracturados. Ele é normalmente acompanhado pelos seus guarda-costas, Tormenta de Fogo e Punho de Noite.

O primeiro aparenta-se com uma tocha humana, mas o seu dom é o do ilusionismo, enquanto o segundo é permeável à luz, o que fez Coração de Aço tornar perene a noite. Em Nova Chicago, a sede do seu poder, é sempre noite. Por sua vez, o mais poderoso dos Épicos consegue transformar todas as coisas sem vida própria à sua volta em aço, e é imune a qualquer ataque direto que lhe seja endereçado.

Para os combater, nasceram os Executores. São um grupo de pesquisa e combate que, sabendo que nunca conseguirá fazer mossa aos Épicos mais poderosos, ocupa-se de eliminar Épicos menores na cadeia de poder. Eles são Prof, o líder e fundador do grupo, Megan, uma beldade que se ocupa do trabalho de campo, Thia, a rapariga das tecnologias, Cody, o hilariante descendente de escoseses, e Abraham, o senhor músculos responsável pela artilharia pesada.

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Fonte: http://www.barrytheartguy.com/package-design/

Encontram-se a caçar um Épico chamado Fortuidade quando se cruzam com David, o que resulta numa grande mudança nos seus propósitos. É que eles nunca pensariam em atacar o todo-o-poderoso Coração de Aço. E não o fariam, se não descobrissem que David já vira Coração de Aço a sangrar.

O rapaz mostra-lhes o seu stock de informações coligidas ao longo dos anos sobre os Épicos e as suas permeabilidades e Prof acede a deixá-lo integrar o grupo. A partir daqui, a trama desenrola-se de forma metódica mas expectável, até ao momento em que Brandon começa a adensar os mistérios, alguns dos quais não demoram muito tempo a serem resolvidos.

A escrita de Brandon Sanderson é extremamente simples, em alguns trechos relativamente pobre, mas é ágil e consegue manter-te colado ao livro sem que percas o interesse nele. Coração de Aço é o típico livro pop corn, que te mantém entusiasmado mesmo que estejas consciente da irrealidade de tudo aquilo.

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Fonte: http://www.17thshard.com/forum/gallery/image/875-megan-tarash/

Um dos problemas deste livro é não ter nenhum personagem que me tenha agradado por aí além. Cody e Abraham são os melhores personagens, mas não tiveram grande tempo de antena. Coração de Aço acabou por ser o mais carismático, mas não creio que a subversão do super-herói tradicional tenha corrido 100% bem. Ele só apareceu no princípio e no fim do livro e o seu final foi puro e simplesmente irrisório.

Isso significa que estamos perante um mau livro? Bem, se eu gostei, não posso dizer que é um mau livro. Brandon Sanderson consegue sempre colar-me às páginas, e por pouco consistentes que sejam as reviravoltas, elas conseguem sempre surpreender e fazer algum sentido, mesmo que desafiem a coerência do todo. Assim sendo, posso dizer que Coração de Aço é um bom início de jornada.

Teve os seus momentos mais infantis, como o relacionamento platónico do protagonista, mas este acabou sendo elevado a outro patamar com as revelações do final do volume, pelo que me parece que muito está em aberto e há ainda vários mistérios por desvendar nos livros seguintes da trilogia.

Avaliação: 6/10

Executores (Aleph):

#1 Coração de Aço

Resumo Trimestral de Leituras #13

É verdade, já se passaram três meses em 2018 e o NDZ continua no radar das melhores publicações de Ficção Especulativa no nosso país. Janeiro, fevereiro e março trouxeram-me ótimas leituras, continuando ao mesmo ritmo que vinha trazendo o ano anterior. Os meus destaques vão para a série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, de que li três volumes, enquanto que nas BDs li todos os seis álbuns da série Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez. Quanto a séries terminadas, para além da supracitada, terminei a trilogia Área X de Jeff VanderMeer, com o livro Aceitação.

Melhor livro: A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2), Robin Hobb

Melhor BD: O Sangue (Monstress #2), Marjorie Liu e Sana Takeda

Pior avaliação: A Espada de Shannara (A Espada de Shannara #1), Terry Brooks

Sem título

Comecei 2018 em grande. Passada no shardworld Sel, o mesmo mundo de Elantris, The Emperor’s Soul é uma novella de Brandon Sanderson cheia de pequenas subtilezas bem originais. Shai, a protagonista, é uma ladra perita num tipo de magia chamada Forgery. Ela invade o palácio do Imperador para roubar um artefacto antigo e substituí-lo por uma reprodução idêntica, mas é apanhada e colocada atrás das grades. Muito embora o Império considere a Forgery uma abominação, não vêm outra alternativa para recuperar o seu Imperador, caído em total apatia após a morte da esposa, do que usá-la em seu proveito. Pelas Edições Gailivro, Se Acordar Antes de Morrer é uma coletânea de contos escritos por João Barreiros, na minha opinião o melhor autor de ficção científica nacional. Sentia bastante expectativa para os dois primeiros contos, “Brinca Comigo” e “Disney no Céu entre os Dumbos”, mas para quem já leu bastante do autor, acabei por achar as ideias um tanto repetitivas. No entanto, fui surpreendido por uma mão cheia de contos que achei bem interessantes. Nas suas histórias podemos encontrar um exército fortemente armado com a missão de aniquilar o Pai Natal ou uma série de zombies bastante desagradados por não conseguirem comer um robot.

Sem Título

Sykes, dos franceses Pierre Dubois e Dimitri Armand, é um western gráfico bem violento e cheio de texturas. Somos apresentados a um marshall, que se une a um irlandês e a um índio para perseguir uma quadrilha de malfeitores, conhecidos pelo saque, homicídio e violação. A perseguição de “Sentence” Sykes aos Clayton é bem cliché no género, mas agradará certamente a todos os fãs. Pessoalmente, adorei o desenho de Armand e gostei de ver um autor de fantástico juvenil como Dubois, a trabalhar numa história com este índice de violência. O Sangue dos Elfos é o terceiro volume da série The Witcher de Andrzej Sapkowski, publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Pode-se dizer que é a partir daqui que a história começa, uma vez que os dois primeiros livros, escritos em forma de contos, foram uma prequela e este pode ser visto como um prólogo para a história central. Gostei bastante do livro e achei que subiu de qualidade em relação aos antecessores, mostrando o treino da pequena Ciri e as relações que daqui surgem. A escrita foi uma das maiores qualidades do livro, faltou a meu ver maior harmonia e sensatez nos saltos temporais.

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O primeiro volume da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Welcome To Lovecraft apresenta-nos uma família curiosa, os Locke. O pai, um professor, decide envolver os filhos nas tarefas campestres, mas quando um grupo de rufias invade a casa e decide vingar-se do professor e matá-lo, os restantes familiares são obrigados a mudar de vida e a ir viver para a antiga mansão de família, em Lovecraft. Já no segundo volume, Head Games, a história adensa-se. Bode, Tyler e Kinsey, os três filhos do professor assassinado, começam a sentir-se familiarizados com os mistérios da mansão, e nem uma chave mágica que consegue abrir cabeças e mudar memórias é o suficiente para os assombrar. Gostei bastante. Primeiro volume da trilogia Espada de Shannara de Terry Brooks, com o mesmo nome, este livro da Saída de Emergência tem um design lindíssimo e uma edição muito bem cuidada. Pena o conteúdo não lhe fazer justiça. A escrita de Brooks oscila entre um vocabulário rico e uma escrita algo infantil, principalmente nos diálogos. Mas o principal defeito do livro é mesmo a sua enorme semelhança à trilogia O Senhor dos Anéis. Espero que o segundo volume seja bem mais original a esse respeito.

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Publicado pela Coleção 1001 Mundos da Gailivro, o primeiro volume da série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, O Homem Pintado, foi uma agradável surpresa. Todas as noites, os nuclitas atacam. São demónios que assumem diferentes formas e respeitam uma ordem natural de entreajuda, rivalidade ou estratificação entre eles. Quando a noite cai, erguem-se do Núcleo e materializam-se, correndo atrás de vidas humanas para delas se alimentarem. É aqui que surgem Arlen, Leesha e Rojer, três crianças que, cada um à sua maneira, e cada um a viver numa povoação distinta, é vítima destes demónios e moldam a sua personalidade de acordo com a sua coragem para dizer Basta! A escrita do autor norte-americano é simples, mas revela conhecimento e grande maturidade. Não gostei tanto do último terço, mas é um livro ótimo. Li o segundo volume já em fevereiro, A Lança do Deserto, cuja primeira metade do livro é dedicada a Jardir, uma personagem até então bastante secundária. Jardir acredita ser o Libertador que irá livrar o mundo dos demónios, mas a forma como tenta unir os povos é através da guerra, avançando com as suas tropas do deserto para as chamadas terras verdes. Depois, vemos como os três protagonistas agem na defesa dos seus povos e como lidam com os “fantasmas” do passado. Um livro muito bom e consistente, ao nível do primeiro.

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Li o mais recente álbum da BD Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook, que tem sido publicada em Portugal pela G Floy Studio. O terceiro, A Encantadora de Serpentes, conta com a participação especial de duas artistas convidadas, Carla Speed McNeil e Hannah Christenson. Este volume distancia-se da história principal, focando-se em histórias paralelas do povo que dá título à série. Apesar de achar interessante o plot de umas serpentes que endoidecem a população ou ver o Rapaz sem Pele à procura de respostas, achei um volume mais fraco que os antecessores. A arte das convidadas foi notavelmente fraca, em comparação com o traço de Crook. Já O Sangue é um livro lindíssimo que consegue combinar de certo modo o melhor das comics americanas ao mangá, imprimindo nas pranchas emoções e subtilezas como poucos o fazem. Segundo volume da BD Monstress de Marjorie Liu e Sana Takeda, publicada pela Saída de Emergência, trata-se de uma história para adultos, que embora apresente gatinhos e crianças fofinhas, traz também palavrões, olhos arrancados e dedos cortados, entre muitas outras coisas. Maika Meio Lobo continua em busca de respostas sobre a obsessão da sua mãe pela Imperatriz-Xamã, enquanto a guerra entre arcânicos e humanos parece longe do fim.

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Se O Assassino do Bobo foi a minha melhor leitura de 2017, A Revelação do Bobo foi a melhor, até agora, do presente ano. Apesar de ter ficado ligeiramente frustrado por a ação não avançar aquilo que eu esperava, o segundo volume da Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb foi uma maré de revelações e de acontecimentos de se ficar com a boca aberta. Com Abelha nas mãos dos Servos, cabe a Fitz assumir as consequências das suas escolhas e corrigir os erros do passado. Uma escrita maravilhosa, mais um livro lindíssimo. Pelas mãos da G Floy chega Luta de Poderes, o primeiro volume da famosa série O Legado de Júpiter, com argumento de Mark Millar e arte de Frank Quitely. Gostei bastante da ideia e da composição; abraçamos um mundo de super-heróis atípico, com uma forte componente de crítica social e política. A história começa em 1932, quando uma expedição liderada por Sheldon Sampson, a sua família e amigos, encontra uma misteriosa ilha no Oceano Atlântico que os transforma a todos em super-heróis. Mas, anos mais tarde, os seus filhos parecem estar mais interessados na frivolidade das suas vidas como celebridades, do que realmente em preocupar-se com o mundo que os rodeia.

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Continuei a leitura da BD Locke & Key, com mais um divertido e bizarro volume da série escrita por Joe Hill e ilustrada por Gabriel Rodriguez. Em Crown of Shadows, abrir cabeças e extrair ou implantar memórias, vaguear como um fantasma, aumentar de tamanho, reparar loiça partida ou controlar as sombras são apenas alguns dos poderes que as chaves da mansão dos Locke providenciam. Mais do que deslindar estes mistérios, este volume vem adensá-los numa profusão de quebra-cabeças e engodos. Descender foi uma das novidades de fevereiro da G Floy. Estrelas de Lata, o primeiro volume, foca-se no Dr. Jin Quon e no pequeno andróide TIM-21, que descobre, dez anos após um conflito que colocou robots contra humanos no planeta Niyrata, que possui sentimentos. A trama começou dispersa, mas o desenvolvimento de vários personagens como a Capitã Telsa, o cão robot Bandit e o dróide mineiro Broca vieram canalizar o álbum para um final implacável que me encheu de expectativas para os álbuns seguintes. O argumento de Jeff Lemire foi crescendo de qualidade, e a arte de Dustin Nguyen, que inicialmente me desagradou, acabou por casar muito bem com a narrativa.

Sem Título

Quem já é caso sério de sucesso na G Floy Studio é Tony Chu, o Detective Canibal. No oitavo volume, Receitas de Família, a genialidade de John Layman (argumento) e de Rob Guillory (arte) supera-se. Polícias, bandidos, cozinheiros, canibais, frangos psicadélicos e poderes paranormais são uma vez mais o destaque num álbum cheio de extravagâncias alimentares e imagens sensacionais que tanto podem provocar enjoos como gargalhadas. Adorei. Ao nível dos volumes interiores da série Ciclo dos Demónios, A Guerra Diurna veio cimentar a minha opinião sobre o autor Peter V. Brett. O mundo não me entusiasma e o foco em flashbacks trava um pouco a leitura em determinados momentos. Ainda assim, os personagens continuam a ser muito bem desenvolvidos e adorei o cliffhanger final. A escrita do autor revela-se simples, mas madura. Terminei fevereiro com o conto de Robert E. Howard O Colosso Negro. Ele conta como um mago poderoso tenta apoderar-se da cidade de Corajá, seduzindo a irmã do rei, e como ela vê na nomeação de Conan para um posto elevado do seu exército a salvação para os seus maiores pesadelos. Com um início algo confuso, ainda assim apresenta uma escrita deliciosa e um desenvolvimento auspicioso, com cenas de batalha excelentes.

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Comecei março com O Fiel Jardineiro de John le Carré, publicado pelas Edições D. Quixote. Trata-se de uma trama envolvente, contada de vários pontos de vista, que procura encontrar a verdade para um mistério terrível: a morte de uma activista dos Direitos Humanos e de um médico, às margens do lago Turkana, no Quénia. As verdades que o seu esposo encontra são tão inconvenientes como credíveis, bem diferentes daquilo que amigos e Imprensa tentaram passar. Uma obra-prima que parece real mesmo sendo uma história fictícia. Seguiu-se o primeiro volume da série Imperatriz, com argumento de Mark Millar e arte de Stuart Immonen, editado pela G Floy. A história não apresenta grandes inovações, a esposa de um rei tirano quer fugir do marido e com a ajuda do capitão da guarda, pega nos três filhos e foge. O volume narra uma aventura cheia de peripécias, com o grupo a saltar de planeta em planeta graças a um tele-transportador. Com várias nuances a fazerem lembrar Star Wars, uma linguagem bem agradável e um desenho lindíssimo e colorido, é mais uma série a seguir.

Sem título

O último volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer chegou às minhas mãos precisamente na altura em que a adaptação do primeiro, Aniquilação, chegou à Netflix. Um dos lançamentos de fevereiro da Saída de Emergência, Aceitação coloca um ponto final numa história densa e cheia de mistérios, contada do ponto de vista de Control, do Pássaro Fantasma, da Diretora e do Faroleiro. As respostas não são concretas, dependendo muito da nossa interpretação dos factos, mas não deixa de ser desconcertante e, independentemente dos gostos, genial. Publicado pela Editorial Presença, Uma Chama Entre as Cinzas foi um sucesso internacional quando saiu, em 2015. Trata-se de um livro Young Adult com vários traços de fantasia adulta. Com inspiração na Roma Antiga e no Médio Oriente, Sabaa Tahir convida-nos a conhecer os Eruditos, um povo escravizado, e os Ilustres, dos quais os Máscaras são o representante de toda a sua crueldade. Quando o irmão é capturado e pede ajuda à Rebelião para o libertar, a jovem Laia é obrigada a conhecer a crueldade de Keris Veturia, mas também o amor do filho desta, Elias. Com menos foco na parte amorosa e uma linha narrativa que não me lembrasse tanto The Hunger Games, este livro estaria facilmente entre os melhores lidos este ano. A escrita da autora é lindíssima e o mundo bem construído.Sem título
Uma das últimas novidades da G Floy Studio, Antes do Dilúvio é o primeiro volume da série Os Malditos, que alia uma dupla já famosa pela série Scalped: Jason Aaron e r. m. Guéra. Com o magnífico trabalho de Giulia Brusco nas cores, o álbum convenceu-me pelo visceral e pelo sujo, mas também pelo grafismo apetecível. Somos convidados a enveredar pela jornada de Caim, castigado por Deus a viver a vida eterna, e no seu percurso encontra personagens como o fanático Noé, mas também propósitos que o levam a olhar para a vida com outros olhos. Não me fascinou, mas o plot-twist final deixou-me pelo menos com a certeza de que vou continuar a série. Quarto volume da série As Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, publicado em Portugal pela Saída de Emergência, A Canção da Espada traz de novo Uthred de Bebbanburg em busca do reconhecimento sucessivamente negado pelo seu senhor, o rei Alfredo. Desta vez, é um morto que lhe diz que deverá trair Alfredo para tornar-se rei da Mércia, mas um complot organizado por antigos e novos aliados levá-lo-á mais uma vez a lutar pelos saxões. Apaixonante e vibrante, Cornwell continua a não desiludir.Resultado de imagem para keys to the kingdom locke and key
Para terminar o trimestre, li os três últimos volumes da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Keys to the Kingdom, Clockworks e Alpha & Omega. Foram, sem margem para dúvidas, os melhores álbuns da série, com reviravoltas e revelações de deixar o leitor a chorar por mais. Toda a bizarrice da composição (cabeças a serem abertas, sombras a atacarem pessoas e pessoas a assumirem formas de animais, por exemplo) funde-se com um realismo palpável na interação de uma família disfuncional, os Locke, com aquilo que os rodeia. Dodge, o grande vilão, alcança uma dimensão estonteante e os seus propósitos tornam-se muito mais claros, para culminar num final repleto de ação e coerente. Gostei bastante. Neste momento, estou a terminar o livro Sonho Febril de George R. R. Martin, e as leituras seguintes serão Nove Príncipes de Âmbar de Roger Zelazny e Carbono Alterado de Richard Morgan. Continuem por aí!

TAG País das Maravilhas

Boas, amigos e seguidores do NDZ. Hoje trago-vos mais uma TAG literária. Desta vez, uma que encontrei no Resenhas à La Carte. Façam a vossa e continuem por aí!

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=iLYTHo7FWbg
Alice

Um livro que te fez cair num mundo completamente diferente:

O Sangue, o segundo volume de Monstress, de Marjorie Liu e Sana Takeda. A série gráfica apresenta um mundo original e refrescante a todos os níveis, fazendo-nos cair de pára-quedas num conflito complexo cuja origem remonta a tempos imemoriais. Diferente, maduro e muito compensador.

Sem título

CHAPELEIRO LOUCO

Um livro com um protagonista completamente louco:

Assim como os dois volumes anteriores da série The Gentleman Bastards, República de Ladrões de Scott Lynch tem o protagonista mais louco e irreverente que já li, independentemente do género literário: Locke Lamora. Também por isso esta é uma das minhas séries preferidas.

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Coelho Branco

Um livro que atrasou as tuas leituras:

O livro O Assassino do Bobo de Robin Hobb atrasou as minhas leituras por um bom motivo. A vontade de degustar lentamente o sabor aveludado da sua escrita e as emoções que a autora tão bem imprime nos seus personagens levou-me a ler este livro com bastante mais lentidão que o normal. A Saga Assassino e o Bobo é a melhor que li da autora até ao momento.

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Gato Risonho

Um livro que te fez rir muito:

Se há série que me faz rir, é a comic Tony Chu: Detective Canibal, com argumento de John Layman e arte de Rob Guillory. As situações que se sucedem são tão bizarras como bem humoradas, e o mais recente volume publicado em português, Receitas de Família, é um bom exemplo disso.

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Lagarta Azul

Um livro que te fez refletir:

São raros os livros que não me fazem refletir, mas um dos mais enriquecedores, dentro do género fantástico, é o segundo volume da saga Mistborn de Brandon Sanderson. Apesar de não ser o meu preferido do escritor, O Poço da Ascensão escrutina bastante bem as relações interpessoais, assim como discute política, estratégia e religião.

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Tweedledee e Tweedledum

Dois livros que são parecidos:

Mais do que parecidos, A Espada de Shannara de Terry Brooks é uma cópia fraca da trilogia O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien. Uma pena, porque a escrita do autor até tem potencial, algo escondido, e a edição portuguesa é lindíssima.

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Rainha de Copas

Um livro cujo autor adora matar personagens:

A minha mente voou para o George R. R. Martin, mas para fugir ao cliché, vou apontar o livro Os Portões da Casa dos Mortos, o segundo volume da Saga do Império Malazano de Steven Erikson. Este é outro dos autores mais sanguinários da atualidade.

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Já leram algum destes livros? Responderiam igual em algum tópico? Fiquem por aí, divulgações, opiniões e passatempos não param de chegar. Em breve haverá novidades por aqui.

Estive a Ler: The Emperor’s Soul

“Her aunt Sol had once told Shai to smile at the worst insults and snap at the minor ones. That way, no man would know your heart.”

O texto seguinte aborda a novella The Emperor’s Soul

O quê? Vamos começar o ano a falar de Sanderson? Parece-me que sim. The Emperor’s Soul é uma novella do autor norte-americano, publicada em 2012 pela Tachyon Publications e, posteriormente, incluída na coletânea Arcanum Unbounded: The Cosmere Collection, que inclui outros trabalhos do autor. Em 2013, venceu o Hugo Award para Melhor Novella.

A ação de The Emperor’s Soul é passada no shardworld de Sel, o mesmo planeta onde ocorrem os eventos do livro Elantris, embora tanto o sistema de magia como a política vigentes sejam muito diferentes. No entanto, permitam-me assegurar-vos que ambos são deliciosos para o bom apreciador de literatura fantástica.

Brandon Sanderson não é dos meus autores preferidos; falta-lhe maior maturidade literária e aquilo que gosto de chamar de “senso de credibilidade” para entrar no topo das minhas preferências, mas tanto as extravagâncias do seu universo compartilhado, a Cosmere, como a riqueza de plot-twists e originalidade do autor vêm cimentá-lo, a pouco e pouco, como um dos nomes maiores da literatura fantástica deste século. Quando me são solicitadas recomendações, Sanderson é um dos primeiros nomes que me vêm à mente.

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Fonte: http://www.17thshard.com/forum/topic/24294-sanderson-memes/?page=69

Querem saber do que se trata The Emperor’s Soul?

Num ambiente de inspiração chinesa, o Império é ameaçado com as exigências dos insurgentes e com a forte oposição das facções separatistas. Uma das ações rebeldes atentou contra a vida do Imperador Ashravan, e muito embora ele tenha sobrevivido, as sequelas foram terríveis. A esposa do Imperador faleceu. Ele, danificado mentalmente pelos adversários, permanece vegetativo na sua alcova, enquanto os seus Árbitros cantam ao mundo que ele se encontra de luto pela esposa. O luto, porém, não durará para sempre.

“Os personagens têm um grande potencial, assim como as relações estabelecidas na narrativa.

É aqui que entra Shai. A protagonista da história é uma jovem Forger. A Forgery é o sistema de magia apresentado. Imaginem a arte de reproduzir peças de arte. É necessário um molde, assim como conhecer na perfeição o objeto a reproduzir. É um pouco assim que funciona a Forgery… mas este sistema de magia não só serve para reproduzir obras de arte, como também qualquer objeto ou… almas humanas. Até porque, segundo a protagonista, todas as coisas têm alma.

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Fonte: https://www.amazon.co.uk/Emperors-Soul-Elantris-Book-ebook/dp/B00A1XOPE8

Shai invade o palácio do Imperador para roubar um artefacto antigo e substituí-lo por uma reprodução idêntica, mas é apanhada e colocada atrás das grades. Muito embora o Império considere a Forgery uma abominação, não vêm outra alternativa para recuperar o seu Imperador. Então, através de uma série de recursos, inclusive um outro sistema de magia chamado Bloodseal, conseguem manter Shai reclusa e em seu poder. Dando-lhe para as mãos os diários do Imperador, dão-lhe 98 dias para replicar a mente de Ashravan e recuperá-lo para o mundo.

Muito embora sinta alguma empatia para com o velho Gaotona, o árbitro que a ajuda a forjar a “nova” alma, Shai acredita que irão matá-la, consiga ou não terminar a tarefa a tempo. Por isso, ao mesmo tempo que conhece, a pouco e pouco, os meandros de Ashravan, Shai vai pensando como fugir com vida do seu cativeiro. Para isso, terá de lidar com a extração de sangue do seu corpo, e com a guarda armada que a vigia, encabeçada pelo capitão Zu.

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Fonte: https://www.goodreads.com/book/show/13578175-the-emperor-s-soul

O que dizer então? A novella está muito bem escrita, o sistema de magia muito bem explicado, os personagens são riquíssimos. The Emperor’s Soul foi uma leitura excelente, como já adivinhava que seria. Na verdade, foi mesmo para começar 2018 em bom que escolhi esta como a primeira leitura do ano. A Cosmere é um universo que me fascina cada vez mais, e Sanderson, embora use sempre um esqueleto similar, acaba por reinventar-se a cada história.

“A Forgery é mais um sistema de magia a juntar às criações super originais de Brandon Sanderson.

Acho que esta podia ser um pouco maior ou mesmo ter sequências. Os personagens têm um grande potencial, assim como as relações estabelecidas na narrativa. A empatia de Shai para com Gaotona, e sobretudo para com Ashravan, pedem isso. Muito ficou por ver das relações que poderiam advir entre eles, até porque são personagens que, desenvolvidos, marcariam seguramente mais do que já o fizeram. Que, para mim, já foi bastante.

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Fonte: http://www.17thshard.com/forum/gallery/image/683-tes-shai/

A Forgery é mais um sistema de magia a juntar às criações super originais de Brandon Sanderson. O autor teve a ideia ao observar uma técnica de esculpir carimbos chineses num museu em Taiwan, e resultou. Esta novella tem mais uma história cheia de potencial e gostaria de ver, num futuro breve, uma correlação entre a história de The Emperor’s Soul e a de Elantris, uma vez que ocorrem no mesmo mundo.

Avaliação: 8/10

 

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.

As Escolhas de 2017

O ano de 2017 está à beira do fim e chegou a altura dos balanços literários. De modo geral, acabou por ser um ano sensivelmente idêntico ao anterior, com mais de 90 leituras no seu todo, embora este ano tenham sido significativamente mais livros e menos BDs que no ano pretérito, conforme podem conferir na minha listagem de leituras de 2017. 44 livros de bandas desenhadas, 44 livros em prosa e mais alguns contos soltos perfazem um ano cheio de surpresas e boas leituras.

Robin Hobb (6 livros), Neil Gaiman (7 BDs e 2 livros), Brandon Sanderson (2 livros, 1 BD e 1 conto) e Robert Kirkman (5 BDs) foram os autores que mais li este ano, mas vários foram aqueles de que repeti a “dose”. Conheci nomes como Patrick Rothfuss (li tudo o que havia do nosso Kvothe), Michael Moorcock (três volumes de Elric), Jon Skovron (dois volumes de Império das Tormentas), Brent Weeks (dois volumes de Anjo da Noite) e Noelle Stevenson (Nimona) e terminei várias séries que tinha em suspenso, como a Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, A Primeira Lei de Joe Abercrombie ou A Torre Negra de Stephen King.

Fiquem, então, com as minhas escolhas literárias do ano de 2017.

MELHOR LIVRO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Praticamente empatado com A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North nas minhas preferências literárias de 2017, O Assassino do Bobo talvez tenha a vantagem de pertencer ao género que mais me agrada, a fantasia épica. Profundo, dramático, bem desenvolvido e até enternecedor, o primeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb foi a minha melhor leitura do presente ano. Na minha escolha, pesou também o facto de ter lido os 5 livros da série anterior este ano, e todos com nota elevada. Hobb merece a medalha de ouro.

MELHOR FANTASIA

Sem título

O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Pensei seriamente que seria mais difícil escolher o melhor livro de fantasia do ano, quando a pouco mais de um mês para o final, Robin Hobb facilitou-me a tarefa. Ainda assim, foi um ano fantástico para mim como amante do género. Deslumbrei-me com Elantris e Warbreaker de Brandon Sanderson, amei os livros da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss e ainda tive direito à primeira parte de Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson.

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA

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A Súbita Aparição de Hope Arden, Claire North

aqui a opinião

Quem também me facilitou a tarefa foi Claire North, com algumas ressalvas. Este livro está normalmente catalogado num sub-género de Fantasia, magia urbana, é também um thriller mas, acima de tudo, a trama gira em torno de uma aplicação futurista para smartphones, o que justifica encontrá-lo tantas vezes vinculado à FC, e razão pela qual acabei por incluí-lo nesta categoria. O romance venceu o The World Fantasy Award 2017 com todo o mérito. No entanto, leituras como Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe Silva, Autoridade de Jeff VanderMeer, Os Despojados de Ursula K. Le Guin e a space opera Saga (formato BD) de Brian K. Vaughan e Fiona Staples também me ficaram na retina.

MELHOR HORROR

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Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe, Edgar Allan Poe

aqui a opinião

Entre alguns contos de Robert E. Howard e BDs como Harrow County e Outcast, acabou por ser esta lindíssima coletânea da Saída de Emergência, com ilustrações de 28 artistas nacionais, o livro que mais me marcou dentro do género Horror em 2017. Os contos que mais me agradaram foram “A Queda da Casa de Usher” e “Os Crimes da Rua Morgue”. Em 2018 espero ler mais histórias dentro deste género especulativo.

MELHOR ROMANCE HISTÓRICO

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Um Mundo Sem Fim, Ken Follett

aqui e aqui a opinião

Uma vez mais, a minha escolha no género Romance Histórico ficou dividida entre Ken Follett e Bernard Cornwell, acabando por ser o primeiro a vencer. Embora ambos sejam ótimos, a escrita de Follett encanta-me com uma profundidade a que o autor das Crónicas Saxónicas ainda não me conseguiu chegar. Um Mundo Sem Fim, dividido em Portugal em dois volumes, foi publicado pela Editorial Presença, enquanto o terceiro volume das Crónicas de Cornwell, Os Senhores do Norte, chegou até nós pelas mãos da Saída de Emergência.

MELHOR ANTOLOGIA / COLETÂNEA

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Mulheres Perigosas, Organização George R.R. Martin e Gardner Dozois

aqui a opinião

Embora tenha lido algumas coletâneas de contos, esta acabou por ser a melhor antologia que li em 2017. Permeada de autores renomeados como Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Brandon Sanderson, Joe Abercrombie e Megan Abbott, a antologia da Saída de Emergência oscilou entre os contos muito bons e outros menos. Sam Sykes foi a grande surpresa do conjunto e George R. R. Martin voltou a mostrar aquilo que vale.

MELHOR CONTO

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Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno, Brandon Sanderson

aqui a opinião

Incluído em Mulheres Perigosas, o conto “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno” foi não só o melhor conto da antologia, como o melhor que li em 2017. Ambientada no universo da Cosmere, a história de uma mulher cheia de recursos que gere uma estalagem numa floresta prenhe de fantasmas cativou-me. Mais um pequeno exemplo de que Brandon Sanderson é um dos autores que deve, urgentemente, voltar a ser publicado em Portugal. Destaque ainda para o ciclo de leituras em que estou a participar, no qual revisito vários dos contos de Robert E. Howard, que merecem as minhas menções de honra.

MELHOR BANDA-DESENHADA

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Saga Volume 7, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

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Este ano, Saga conseguiu suplantar The Walking Dead como a minha BD favorita, embora ambas continuem ótimas. Se o volume 6 da space opera já me havia fascinado, no 7.º o enredo só melhora. Resta-me enaltecer o trabalho da G Floy Studio neste segmento. Num ano em que li mais de 40 BDs, entre elas toda a coleção Sandman de Neil Gaiman, livros como A Garagem Hermética e A Louca do Sacré-Coeur de Moebius, acabaram por ser as BDs da Image Comics que a G Floy tem trazido até nós a marcarem-me.

Wytches, The Witched + The Divine, a trilogia Velvet, Southern Bastards, Tony Chu: Detective Canibal e Outcast são alguns dos destaques do ano, e provas de que a G Floy está a crescer a olhos vistos. Quero, porém, deixar ainda um louvor para as excelentes Nocturno de Tony Sandoval (Kingpin), Monstress: Despertar de Marjorie Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência), Nimona de Noelle Stevenson (Saída de Emergência) e Como Falar Com Raparigas em Festas de Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá (Bertrand).

MELHOR LANÇAMENTO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

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Não podia deixar de vencer em todas as categorias em que se insere. O Assassino do Bobo foi lançado em maio pela Saída de Emergência, mas só em novembro é que o li, porque ainda me faltava ler a segunda série protagonizada por Fitz antes de mergulhar nesta terceira. Ainda assim, este ano foi fantástico em lançamentos, nomeadamente pela Saída de Emergência no que diz respeito à fantasia e também com a sua nova incursão no mundo das bandas-desenhadas. Outros livros que foram lançados este ano e merecem o meu destaque, mas não só a nível nacional como internacional, foram Origem de Dan Brown (Bertrand) e Mitologia Nórdica de Neil Gaiman (Editorial Presença), que li neste último semestre do ano.

MELHOR NACIONAL

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Terrarium, João Barreiros e Luís Filipe Silva

aqui a opinião

2017 foi mais um ano com espaço para a literatura nacional. Li a antologia Os Monstros que nos Habitam (que inclui um conto meu), A Nuvem de Hamburgo de Pedro Cipriano, Anjos de Carlos Silva, Moving, Fighting the Silent e Mission in the Dark de Bruno Martins Soares, La Dueña de José Augusto Alves e Conquista da Liberdade de Jay Luis, mas foi a nova edição de Terrarium, revista e aumentada pelos dois autores, e publicada pela Saída de Emergência, que mais me agradou. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os mestres da FC no nosso país e merecem todo o destaque que lhes possa ser dado, para que o seu talento possa chegar a mais e a mais pessoas.

Deixo-vos com os mais sinceros votos de um ano de 2018 cheio de boas surpresas e que para o próximo ano continuem a acompanhar as minhas indicações literárias. Boas leituras para todos.