Sci-Fi Lx 2017

Boas! E que tal começar as férias com uma ida ao Sci-Fi Lx? Foi o que eu fiz. A Editorial Divergência havia-me convidado para estar a representar Os Monstros que nos Habitam na sessão de autógrafos de dia 15, mas por motivos profissionais e falta de preparativos, acabei por não conseguir comparecer. Ainda assim, não podia faltar ao evento e fiz a minha appearence hoje, no Pavilhão Central do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Entre vários eventos dedicados à Ficção Científica, o destaque vai para a palestra “Por Favor, Senhor Escritor, Não Faça Isto!” levada a cabo pelo distinto Luís Filipe Silva, no Auditório 1. Num debate cheio de boas dicas e caminhos a “não seguir”, fiquei com a sensação de que a preleção merecia um maior número de público. Estimados autores nacionais, não sabem aquilo que perderam. A conversa foi pertinente e bem construtiva.

Logo de seguida, assisti à apresentação do livro As Nuvens de Hamburgo do sempre inventivo Pedro Cipriano. A apresentação foi muito agradável e, quanto ao livro publicado pela Flybooks, irei escrever sobre ele muito, muito em breve. Para além de privar com o Pedro e com o Luís Filipe Silva, que só conheci no dia em que lhe “saquei” um autógrafo no Fórum Fantástico de 2014, ainda tive a oportunidade de adquirir o mais recente livro da Editorial Divergência, o Anjos do Carlos Silva, outro grande entusiasta da Ficção Especulativa que é sempre agradável encontrar. Claro está, tive direito a dedicatórias. Fiquem com as fotos:

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Flyer do evento
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Apresentação “As Nuvens de Hamburgo”
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“Por favor, Senhor Escritor, Não Faça Isto!” com Luís Filipe Silva

 

A Divulgar: “Anjos” pela Editorial Divergência

A maior convenção de ficção científica nacional está a chegar e o primeiro dia do Sci-Fi Lx conta com um lançamento há muito aguardado. Vencedor do Prémio Divergência 2015, Anjos de Carlos Silva é o primeiro livro de solarpunk português. O co-fundador da Imaginauta é um dos grandes entusiastas da ficção especulativa em Portugal e já publicou contos em Portugal e no Brasil, entre os quais está o “Pecado da Carne”, da antologia Proxy, comentado aqui no blogue em outubro do ano passado.

O lançamento está marcado para dia 15, o primeiro dia de um fim-de-semana dedicado à ficção científica com um programa bem interessante, no qual a Editorial Divergência estará muito bem representada. Poderás encontrar o Carlos e o seu Anjos no Instituto Superior Técnico de Lisboa, pelas 16:30, no Auditório 1.

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Capa Editorial Divergência

SINOPSE:

Numa Lisboa futurista, reconstruida após um terramoto ainda maior do que o de 1755, a informação é mais preciosa do que nunca. A mais delicada e desejada não pode correr o risco de circular pela omnipresente Internet — tem de voar sobre ela, nas mãos inefáveis daqueles que se auto-intitulam de Anjos. Mas nem eles estão seguros, agora que os seus inimigos sabem da terrível arma da qual são guardiões. Um engenho apenas possível no passado, capaz de inverter a balança do poder da nova cidade. O círculo está a apertar, cada vez mais letal. Ninguém sairá ileso.

Proxy

E um vírus? Ébola, influenza? Saca-se num torrent, faz-se facilmente num laboratório amador!

O texto seguinte pode conter spoilers do livro Proxy – Antologia Cyberpunk

Com prefácio de João Barreiros e contos de Vítor Frazão, Júlia Durand, Carlos Silva, Marta Santos Silva, José Pedro Castro e Mário Coelho, Proxy – Antologia Cyberpunk é uma experiência original no sub-género em Portugal e traz-nos um conceito pouco conhecido no nosso país, alimentado sobretudo pela cultura mangá e anime.

O cyberpunk é um braço da ficção científica, caracterizado por apresentar mundos em elevados níveis de desgaste ou depressão, mudanças tecnológicas imersivas e muitos, muitos corpos reconstruídos – total ou parcialmente – com recurso à cibernética avançada. Redes de alta tecnologia surgem normalmente ligadas a cérebros humanos e o virtual mescla-se ao autêntico em tons sombrios. Claro está, escusado será dizer que a grande maioria dos trabalhos apresentados pelo cyberpunk são passados num futuro distante ou em pleno espaço sideral.

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Olho ciperpunk (nikolasbadminton)

O prefácio de João Barreiros, com o título A Carregar… é uma triste constatação do espaço que este sub-género, e a FC no seu todo, ocupam nas prateleiras das nossas livrarias e nas bibliotecas dos portugueses. Um espaço ínfimo, para não dizer inexistente. Barreiros, na sua já habitual toada sardónica, lança a farpa às editoras pela sua falta de catálogo no que concerne ao género (que se foca em fast-foods como Star Wars), e sobretudo ao povo que ignora as poucas alternativas que vão surgindo. O relato das suas experiências do passado não podia ser mais atual, uma vez que a mentalidade coletiva pouco evoluiu nesse aspeto.

Não gosto desta chicha – berrou a criança, empurrando o prato para longe de si.

Os seis contos apresentados nesta antologia trazem-nos jovens autores nacionais cheios de talento. Vítor Frazão é arqueólogo. Júlia Durand musicóloga e guionista. Carlos Silva trabalha em laboratório e é um dos fundadores da Imaginauta. Marta Silva é jornalista, transmontana deslocada na capital e estreia-se na ficção. O madeirense José Pedro Castro é crítico literário e estudante de línguas. Mário Coelho é tradutor. Por fim, temos Anton Stark como editor deste pequeno livro da Editorial Divergência.

Em comum, contos cyberpunk muito bem escritos, com mulheres como protagonistas. São elas a Cleo, uma vendedora ilegal capaz de tudo para encher os bolsos; a Irissa, funcionária exemplar de uma multinacional, obstinada em ser promovida; a Kali, uma andróide determinada em denunciar o pecado da carne; a y e a t, duas amigas de infância com visões diferentes sobre a vida que levam; a sexagenária Maria, responsável por uma grande evolução tecnológica, que se esconde sob capa de livreira; e a Beatrice, líder natural de um grupo de hackers que se vê arrastado para uma armadilha bem montada. Cada um destes contos é um bom motivo para ler esta antologia.

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Capa Editorial Divergência
SINOPSE:

Bem-vindo, [Utilizador/a].

Proxy é o culminar de vários anos de trabalho e de estudo em leitura psico-criativa. Seis mentes, seis futuros que nunca existiram. Seis mundos. Os pináculos de Nova Oli e as entranhas de VitaVida. Modulações eléctrico-sonoras e o dilema da artificialidade. O poder da máquina e o desmoronar de uma simples equação.

Preste atenção. Aquilo que vai ler é estritamente confidencial.

Proxy é a primeira experiência antológica de cyberpunk em Português. Seis autores acompanharam-nos nesta viagem: Vitor Frazão, Júlia Durand, Carlos Silva, Marta Santos Silva, José Pedro Castro e Mário Coelho – seis dos melhores jovens autores de Ficção Especulativa nacional.

OPINIÃO:

Precisamos falar sobre esta antologia. Comprei-a no “Fórum Fantástico” e não é mais que um pequeno livrinho de 200 páginas, que se lê em dois dias. Proxy é uma iniciativa muito interessante por parte da Divergência, fruto de um trabalho exaustivo de investigação. É também a primeira antologia nacional com a temática do cyberpunk e foi recrutar alguns dos melhores jovens escritores de Ficção Especulativa do nosso país. Mas Proxy é muito mais do que isso. Os seis contos não têm qualquer filiação entre si, a não ser o sub-género apresentado. Coesos e extremamente visuais, acabam, no entanto, por ser bastante equilibrados, sendo difícil destacar um ou outro dos demais. Não vou, por isso, falar da escrita dos autores, porque qualquer um deles é ótimo. Vamos falar de conteúdo.

Deuses como Nós, de Vítor Frazão, tem um dos conceitos mais interessantes do livro. A venda ilegal de antiguidades, e uma vendedora em sarilhos, que se vê no meio de uma batalha entre os dois T-Rex lá do sítio. O conto pecou por um início algo confuso, que me atrasou a perceção da história. Os personagens também não conseguiram agarrar-me, por falta de aprofundamento, talvez. Modulação Ascendente, de Júlia Durand, consegue dar destaque ao poder da música numa envolvente cyberpunk, mas sobretudo fala-nos de competição no trabalho. Uma luta pelo poder original e muito bem tecida. Mas posso dizer que foi o Pecado da Carne de Carlos Silva que me injetou um maior entusiasmo pela antologia. Uma delegada de saúde andróide é trazida à vida, contra a sua vontade, e o mundo que agora vê mais não é que uma conspiração global. Como é hábito, contra o Zé – diga-se, a ralé.

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y+t é um conto muito original da autoria de Marta Silva (que escreve apenas com minúsculas). Cheio de cores cinzentas, é-nos apresentado um mundo marginal, onde duas amigas de infância vivem num alvéolo, uma construção “favo de mel”, como uma colónia de abelhas. Um ambiente fabril e de beco, uma narrativa cheia de debates morais e questões interessantes, e uma grande esfera como possível resposta para todas as perguntas. Não me fascinou, mas louvo o excelente trabalho da autora. Alma Mater de José Pedro Castro é uma divertida visita a uma Lisboa futurista, cheia de segredos por revelar, relações de soltar belas gargalhadas, fugas e tiroteios. Um conto à minha medida. Por fim, Bastet de Mário Coelho. Um grupo de hackers informáticos (os taditos não têm culpa de já não haver trabalhos honestos) é “convidado” a roubar uma caixa-negra com material tecnológico super importante. Um conto com um início algo arrastado, mas que me agradou no seu todo, a fazer lembrar um pouco as histórias de Scott Lynch.

Acabaram por ser os últimos dois contos a marcar-me mais pela positiva, graças ao tom leve e humorístico dos autores e por serem histórias mais ao meu jeito. Parabéns, Editorial Divergência.

Avaliação: 7/10