The Whisperer War, The Walking Dead #27

Certo… Certo… Conseguimos.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “THE WHISPERER WAR”, VIGÉSIMO SÉTIMO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

Chegou finalmente o último número de The Whisperer War. Este álbum inclui os números 157 a 162 da BD The Walking Dead e, tal como os volumes anteriores, conta com o argumento de Robert Kirkman e as ilustrações de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano.

A batalha aproxima-se

Uma batalha entre os habitantes das comunidades e os exércitos de Sussurradores (uma legião de nómadas que se disfarça entre os walkers) aproxima-se. A defesa de Alexandria, liderada por Dwight, avista Negan. Apesar de determinado em disparar contra ele, Dwight é instigado pelos seus pares a refrear-se. Uma vez que não possui qualquer arma, Negan é conduzido a Rick, mostrando a cabeça de Alpha, a líder dos Sussurradores, que decapitou para provar a sua lealdade. Após um longo debate, Rick acede em deixar Negan juntar-se às suas tropas na guerra contra os Sussurradores, usando-o como carne para canhão.

Depois da morte de Eric e recuperando dos seus ferimentos em Hilltop, Aaron torna-se cada vez mais próximo de Jesus, prevendo-se um romance entre os dois. Michonne organiza a investida contra os Sussurradores, contando com um grande número de soldados oriundos de Hilltop, disponibilizados por Maggie. À frente do Reino, William também apoia Rick com os seus homens, embora nem todos os subalternos se mostrem recetivos a deixar a comunidade indefesa.

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Beta (Image Comics)

Em Alexandria, Eugene mantém contacto por rádio com uma estranha, Stephanie, que alega estar em Ohio. Aquele que foi outrora visto como um cobarde é agora o responsável por toda a tecnologia, condições de vida e armamento de que a comunidade dispõe.

A horda de Sussurradores avança. O exército de Dwight também, com o padre Gabriel num posto de vigia e o grupo de Magna posicionado num local estratégico, pronto para flanquear o inimigo.

O conflito

A escaramuça inicia-se e o exército de Rick vê no padre Gabriel a sua primeira baixa. Negan luta selvaticamente contra os inimigos, enfrentando cara a cara Beta, o líder dos Sussurradores. O seu rival é gravemente ferido, mas Negan parte Lucille, uma perda que o afeta emocionalmente, permitindo a Beta ser resgatado pelos seus homens. Mais tarde, Negan procede a um funeral simbólico à arma, onde se percebe que Lucille seria um antigo amor do anti-herói, que ele viria a transportar simbolicamente para o bastão farpado. A fação de Dwight parece vencer a batalha, mas surgem mais Sussurradores, o que os obriga a mudar de estratégia.

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Rick Grimes (Image Comics)

Os Sussurradores parecem concentrar a sua atenção em Hilltop, agora que se encontra parcialmente desguarnecida, para resgatar Lydia, a filha de Alpha, e controlar a comunidade. No interior da fortaleza, Dante corteja Maggie, mas ela parece obstinada em honrar a memória de Glenn. O ataque inicia-se, com casas a arder por todo o lado. Lydia recusa ir embora com os Sussuradores, lutando bravamente contra eles. Sophia salva o pequeno Hershel de um incêndio e Carl salva Maggie, mas fica inconsciente no meio dos fogos e destroços. É Aaron, que rasteja, ainda combalido dos seus ferimentos, para o salvar. A enorme entreajuda entre os locais faz com que a defesa da comunidade vença os atacantes, apesar de Hilltop ter-se reduzido a destroços. William, o governante do Reino, decide ele mesmo rumar a Hilltop com os seus homens, mas chega tarde demais.

Dwight regressa a Alexandria em glória, comunicando a Rick a vitória dos seus exércitos. Quando fala nas centenas de adversários que enfrentaram, o seu líder fica em choque. Rick Grimes viu o tamanho das legiões de Sussurradores, e não se tratavam de centenas, mas sim de milhares. A guerra pode estar apenas no início.

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Dwight coordena as tropas (Image Comics)
SINOPSE:

The time has come. The forces are aligning. The war has begun! Has Rick brought about the demise of everything he’s built? Or will he triumph once again? Know this… there will be a cost.
Collects THE WALKING DEAD #157-162.

OPINIÃO:

Focado em questões militares e pensamento estratégico, o volume 27 de The Walking Dead trouxe uma narrativa muito bem oleada e um ritmo altíssimo. The Whisperer War prometia ser o fim de um ciclo, mas foi apenas a primeira batalha efetiva de uma guerra que pode estar para durar. Acontecimentos que podem ser considerados chocantes são ultrapassados com frivolidade, sendo sucedidos por cenas mais banais de uma forma credível. Mérito de Robert Kirkman, o argumentista.

O personagem Negan, anteriormente considerado o mais terrível vilão de todos os tempos, continua a não ser um personagem digno de confiança, mas neste momento é, acima de tudo, o alívio cómico da sequência. Todas as suas falas e aparições são uma lufada de ar fresco no clima tenso da guerra.

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Negan quebra Lucille (Image Comics)

Se o argumento de Kirkman está bem e recomenda-se, o lápis de Adlard e companhia continua a cumprir o seu papel. A arte está encastoada na narrativa de uma forma tão adequada que não chama a atenção. No seu todo, um volume muito positivo que dá ação e promete ainda mais e melhor.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War

Resumo Trimestral de Leituras #7

Por norma, o trimestre de verão acaba por ser mais parco em leituras, mas acabei por conseguir compôr a coisa neste último mês. Ainda assim, não deixa de ser um registo abaixo do habitual, o que é norma em época estival. Aqui fica a listagem do que andei a ler nos meses de julho, agosto e setembro:

A Vingança do Assassino, A Saga do Assassino #4 – Robin Hobb

Call To Arms, The Walking Dead #26 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Stefano Gaudiano e Cliff Rathburn

Mão Crua – Sílvia Gil

A Demanda do Visionário, A Saga do Assassino #5 – Robin Hobb

Histórias de Vigaristas e Canalhas – Org. George R. R. Martin e Gardner Dozois

Aqui Jaz Um Homem, Southern Bastards #1 – Jason Aaron e Jason Latour

Herança, Ciclo da Herança #4 – Christopher Paolini

Antes do Crepúsculo, Velvet #1 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Sangue e Suor, Southern Bastards #2 – Jason Aaron e Jason Latour

Watchmen – Alan Moore e Dave Gibbons

O Último Reino, Crónicas Saxónicas #1 – Bernard Cornwell

Sem título 2O mês de julho foi dedicado à conclusão da primeira série do Assassino de Robin Hobb. O quarto volume, A Vingança do Assassino, não me fascinou. Tanto o mundo quanto as personagens foram bem construídos e desenvolvidos, mas as cenas pareceram-me repetitivas, os dilemas idem e os acontecimentos descritos ad nauseam. Apesar da série, no seu todo, ser bastante maçuda e repetitiva, A Demanda do Visionário, o quinto volume, conseguiu satisfazer-me mais, com muito mais ação e revelações sobre os personagens. Voltarei para a segunda série um dia. O volume 26 da minha comic favorita foi impressionante. Robert Kirkman não pára de surpreender. Com ilustrações de Charlie Adlard, Stefano Gaudiano e Cliff Rathburn, The Walking Dead apresenta o mais recente volume dos quadradinhos mais sangrentos da atualidade. Negan consolida-se como um personagem fantástico, e é difícil perceber, neste momento, de que lado ele está.

Sem título 2A pedido da autora, li Mão Crua, de Sílvia Gil. A história é aliciante e desenvolve-se rápido, sem tempos mortos. É necessário ter uma mente aberta, porque o livro foca-se num lado mais fetichista e sádico dos prazeres da carne. Esse aspeto não me impressionou, mas achei um livro muito pobre a nível de escrita. E posso dizer que o mês de agosto foi praticamente todo dedicado ao excelente Histórias de Vigaristas e Canalhas. O livro é de leitura rápida, mas as férias não me deixaram ler mais. Trata-se da segunda parte da antologia Rogues organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois. Um conjunto de contos bastante diversificado, com policial, fantasia e ficção científica. Achei este volume mais equilibrado que o primeiro, mas alguns contos desagradaram-me. O meu destaque vai para os contos de Steven Saylor, Joe Abercrombie e Daniel Abraham, que se evidenciaram dos restantes.

sem-titulo-3O mês de setembro marcou o meu regresso às BD’s. Descobri a fantástica série Southern Bastards (Vol. 1 e Vol. 2), com argumento de Jason Aaron e ilustração de Jason Latour. Os dois criadores são originários do sul dos EUA, e trouxeram para o comic o pior do que lá existe. No primeiro volume, Earl Tubb, ex-capitão da equipa de futebol local, regressa a casa para lidar com um ninho de gente corrupta e mal-formada. Filho do antigo xerife, que foi morto pela população local, terá de engolir ódios antigos e tentar pôr fim ao cinismo daquele povo, mas pode estar demasiado velho para isso. No segundo volume conhecemos o homem por detrás de todas as injustiças. Através de reflexões, visualizamos o passado de Euless Boss, o treinador, e compreendemos como se transformou neste miserável vilão. Concluí a série de literatura fantástica Ciclo da Herança, de Christopher Paolini. Em Herança, o último volume, é notória a evolução na escrita do autor, mas a história continuou amarrada às referências do mesmo, o que o prejudicou em muito. O final foi esparso e pouco consistente, sendo também exaustivo. A falta de originalidade do autor é uma das suas grandes lacunas. Ainda assim, é melhor do que a maioria das fantasias juvenis que já me aventurei a ler.

sem-tituloLi o primeiro volume da comic Velvet, Antes do Crepúsculo. Pelas mãos da G Floy chega mais uma obra de Ed Brubaker (autor de Fatale), com desenho de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. Velvet Templeton é secretária do diretor de uma agência secreta, muito embora tenha sido uma agente no terreno, nos seus tempos áureos. Quando X-14 é morto, no entanto, é obrigada a voltar a vestir o “fato macaco”, para desvendar uma conspiração que, ao que parece, gira à sua volta. Sem fugir aos clichés da literatura de espionagem, esta BD apresenta um volume inaugural de grande nível. Ainda melhor é a icónica Watchmen. Há muito que queria ler esta novela gráfica de renome, e não fiquei minimamente arrependido. A obra prima de Alan Moore, com desenho de Dave Gibbons, apresenta-nos um grupo de super-heróis envelhecido, num mundo estranhamente real em que os EUA venceram a Guerra do Vietname e Nixon foi reeleito. Os vilões foram exterminados há muito e as pessoas começaram a olhar de lado para os vigilantes. A própria polícia realiza manifestações contra os super-heróis, e as comics que se vendem são sobre piratas. É neste contexto que o super-herói Comediante é morto, Ozymandias sofre um atentado e Dr. Manhattan é desacreditado na imprensa, acusado de provocar cancro àqueles com quem interage. Certo que os super-heróis estão a ser alvos de uma conspiração, Rorschach lança a escada para que, junto dos seus velhos companheiros, se inicie uma longa escalada em busca da verdade. Original, complexo e delicioso, Watchmen lança uma série de questões pertinentes sobre política, física e humanidade. Imperdível.

sem-titulo-3Primeiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, O Último Reino convida-nos a conhecer o jovem Uthred, um rapaz saxão de dez anos que é feito prisioneiro pelos vikings na batalha em que o pai morre. Desde logo torna-se protegido de Ragnar, o Destemido, que o vê como um filho. Mas os anos passam-se e Uthred percebe que nem todos os dinamarqueses são tão benévolos como Ragnar e a sua família, e o apelo do sangue volta a fervilhar dentro de si. A quem será Uthred fiel? Aos dinamarqueses ou aos saxões? Excelente relato de vida de um jovem que vai sendo talhado como um herói, quando assim podia não ser. Cornwell é exímio em contar histórias e em descrever ambientes de batalha, e O Último Reino empolga-nos da primeira à última página. Este livro foi gentilmente cedido pela Edições Saída de Emergência no âmbito da parceria existente.

De momento estou a ler a antologia Proxy, da Editorial Divergência, mas tenho já uma fila de livros em espera. Stephen King, Joe Abercrombie e Bernard Cornwell são os nomes que se seguem, e espero continuar a acompanhar algumas BD’s de grande qualidade. E vocês, já leram algum destes livros?