One-Punch Man #1

Raaaiooos! Mais uma luta que acabou com um único golpe.

O texto seguinte pode conter spoilers do primeiro volume da série One-Punch Man (Formato BD)

One-Punch Man é a mais recente coqueluche da Devir no nosso país. Depois de um início auspicioso em 2009, como webcomic, One-Punch Man tornou-se rapidamente um mangá de culto, com adaptação para anime.

Argumentista de Makai no Ossan e Mob Psycho 100, One é o pseudónimo do autor, cuja publicação de One-Punch Man no mundo virtual catapultou-o para o sucesso. Em meados de 2012, a série tinha já mais de dez milhões de visualizações. Dois anos depois, começou a sair em livro. A arte é responsabilidade de Yusuke Murata, famoso pela sua participação em Eyeshield 21. Alcançou o 122º Prémio Hop Step com Partner no ano de 1995 e ficou em segundo lugar com Samui Hanashi, em 1998.

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Capa Devir

Um herói entediado

Somos apresentados a um super-herói com pouco de tradicional. Saitama é um herói por mero desporto. Ele treinou de forma tão intensa e dedicada que ficou super-poderoso. Pelo caminho, perdeu o cabelo. Estamos num mundo futurista, em que monstros de todos os tipos surgiram, destruindo a humanidade povoação atrás de povoação. Foi para os deter que Saitama se treinou, depois de sofrer na pele uma juventude marcada pela violência dos mais velhos (onde travou um primeiro embate com um porquinho-mealheiro gigante) e de se tornar um jovem recém-desempregado, quando salvou um rapaz de queixo protuberante de ser morto por um homem caranguejo.

Saitama habituou-se a resolver com facilidade qualquer despique, trajando um fato amarelo. E essa facilidade tornou-o misantropo. Se, por um lado, ele tornou-se herói para salvar os mais fracos e oprimidos, por outro, os inimigos não pararam de aparecer. Para sua infelicidade, Saitama ficou tão forte que é capaz de derrotar os inimigos com um só murro. Mas isso não lhe traz felicidade. É que por muitos que mate, eles parecem nascer de todos os cantos, impedindo-o de viver com harmonia a sua vida naquele mundo macerado pelo terror.

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Prancha Devir

Uma invasão de mosquitos

A povoação onde vive Saitama, assim como as cidades adjacentes, são violentadas frequentemente por esses ataques de monstros vis de características singulares. Para Saitama, salvar os locais é um divertimento, e salvar o seu quarto, uma necessidade basilar. A sua vida muda, porém, quando uma grande invasão de mosquitos aproxima-se da cidade, atacando todos no seu caminho, mesmo os mais temerosos.

É quando Saitama se decide a enfrentar esse obstáculo que cruza-se com Genos, um jovem rapaz de dezanove anos cheio de estilo e conhecimentos de defesa. Rapidamente Saitama percebe que Genos é um ciborgue, após um terrível incidente que obrigou um cientista a reabilitá-lo através da robótica. Genos vê em Saitama uma inspiração, numa substituição simbólica do homem que lhe salvou a vida. Dessa forma, Saitama aceita formar uma dupla com ele, ainda que não aceite bem ser visto como um professor.

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Prancha Devir
SINOPSE:

Um herói que derrota monstros incríveis com um só murro? Acreditam mesmo que isto é um mangá de lutas infindáveis?
Mesmo quando se pode resolver tudo com um soco, restam tantos outros problemas na vida.

Um fantástico mangá, que começou na internet, sobre um personagem banal, que não quer ser super-herói – a sua força desmesurada é para ele uma fonte de problemas pois não tendo adversários à altura aborrece-se e os combates não o estimulam.

Uma história plena de ironia e reflexão sobre a nossa sociedade atual e os limites práticos do uso da violência.

OPINIÃO:

Depois de ter assistido, o ano passado, ao primeiro episódio do anime desenvolvido da webcomic One-Punch Man, foi com um misto de apreensão e interesse que me aventurei pelo mangá. O argumento de One, um dos autores mais provocadores da nova geração mangá, desconstruiu o estereotipo shounen, marca indelével da cultura japonesa que nos apresenta um protagonista em busca das suas capacidades, e brincou com o conceito de super-herói na criação de Saitama.

A fuga ao cliché não se revelou evidente neste primeiro volume. De facto, somos apresentados a um protagonista divertido com maior interesse em manter intacto o seu quarto do que salvar a Humanidade, embora também o faça de uma forma algo casual. Saitama é, ainda assim, um personagem e tanto, à volta do qual a ação acontece, sempre na forma de ataques de monstros. 

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Prancha Devir

Para quem segue o anime, percebe que as cenas são idênticas, passadas a papel-químico, com um início um pouco repetitivo. Desde a forma como somos confrontados com um herói frustrado, a curiosidade em redor de como ele se tornou aquilo que é e os motivos que o norteiam. A grande virtude de One no argumento é o objetivo – ou falta dele – por parte do protagonista, e a forma como ele o humaniza. Saitama revela-se uma pessoa comum, com os seus defeitos e qualidades, com um quotidiano estabelecido e uma vida bastante comum. De resto, achei que a narrativa melhorou bastante com a aparição de Genos, apresentando um paradigma de vida e de vontades com alguns toques de humor.

Se a narração divertiu q. b., a ilustração não perde em comparação. O desenho de Murata conquista pela irreverência, com uma panóplia de detalhes em cenas de ação, onde o protagonista adquire uma expressão badass, e uma simplicidade de traços suaves e até caricaturais nas cenas mais passivas e de alívio cómico. 

Avaliação: 6/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

Dallas, Umbrella Academy #2

Deixa-te de mariquices e limpa o sebo àqueles dois filhos de uma égua.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Dallas”, segundo volume da série Umbrella Academy (Formato BD)

Depois de o primeiro volume de Umbrella Academy levar o Prémio Eisner e Harvey em 2008, Gerard Way (vocalista da extinta banda My Chemical Romance) e o ilustrador brasileiro Gabriel Bá voltaram a juntar-se para conceber uma nova aventura, completamente bizarra e surreal.

O segundo volume leva os super-heróis da Umbrella Academy às profundezas dos Estados Unidos da América, numa sequência de volte-faces e viagens no tempo. Animais falantes, vampiros e extraterrestres fazem parte deste mundo paralelo, tão parecido com o nosso. Extravagantes, complexos e divertidos, os filhos adoptivos de Reginald Hargreeves voltam a surpreender.

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Prancha de Dallas (Devir)

A “família” está fraturada após o final do primeiro volume, que terminou com a morte de Dr. Pogo, o chimpanzé falante. Violino Branco (que desempenhara o papel de vilã no primeiro livro) está acamada e sem memória. Rumor perdeu a sua arma, a voz. Seance tornou-se vítima do vedetismo. SpaceBoy caiu numa depressão, passando os dias a ver televisão e a engordar. Número 5 está desaparecido. Apenas Kraken se mantém em forma, colaborando com as autoridades na luta contra o crime, mas altamente paranóico. Há ainda a figura que chamam de Mãe, que não é mais que uma boneca com vida.

É em Número 5 que este volume incide. A sua versão original (antes de ficar preso num corpo de dez anos) foi alvo de experiências científicas, agregando o ADN dos maiores assassinos. Viajando pelo tempo e lidando com Carmichael, um peixe numa cabeça de aquário sobre um corpo robótico, mas também com um par de psicopatas apaixonados por açúcar, Hazel e Cha-Cha, Número 5 vai tentar impedir que o seu outro eu cometa um dos homicídios mais famosos da História: o assassinato de John F. Kennedy.

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Carmichael (Dark Horse)

Para isso, vai precisar fugir às perseguições de que é alvo e tentar unir os seus “irmãos”. Rumor é alvo de um ultimato. Seance é morto, mas depara-se com um Deus cowboy, que o manda de volta. SpaceBoy continua deprimido, mas arrasta-se atrás de Kraken, mesmo no Vietname, onde terão de lidar com vampiros vietnamitas. No fim, os irmãos acabam por se unir, sendo diretamente responsáveis pelo atentado que vitimou John F. Kennedy.

Nas sombras, Reginald Hargreeves aparece como um marionetista que não consegue mais controlar aquilo que criou. O livro inclui ainda esboços de alguns personagens e a pequena banda-desenhada Qualquer Lugar Longe Daqui, onde Violino Branco, que estivera adormecida durante todo o volume, finalmente ressurge. A relação entre ela e os seus irmãos de criação é explorada ao longo do pequeno folhetim.

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Capa Devir
SINOPSE:

Após a morte de Pogo, o estimado mentor da Umbrella Academy, o grupo perdeu o ânimo. Todos estão absortos em problemas pessoais muito reais. A Violino Branco está acamada graças a um trágico tiro na cabeça. A Rumor perdeu a voz – a fonte do seu poder. Spaceboy comeu até entrar em estado catatónico… Dallas, a segunda aventura da série Umbrella Academy, é uma epopeia cheia de ação que irá transformar a História numa viagem através do tempo, do Espaço e do Vietname, culminando no assassinato de JFK. Este volume inclui a história “Qualquer Lugar Longe Daqui”, com os irmãos Vanya e Kraken, e um caderno de esboços com arte de Gerard Way e Gabriel Bá. Criado e escrito por Gerard Way, com a arte de Gabriel Bá. Série campeã de vendas do New York Times e vencedora dos prémios Eisner e Harvey de 2008.

OPINIÃO:

Tortas, cowboys e chimpanzés vestidos de Marilyn Monroe. O segundo volume de Umbrella Academy, Dallas, é um hino ao absurdo. Se depois de Suíte do Apocalipse achei difícil que a dupla Gerard Way e Gabriel Bá me voltasse a surpreender, estava enganado. Conseguiram criar um volume cheio de perseguições e viagens no tempo, intenções dúbias e atos dissimulados, e ao mesmo tempo presentear-nos com um um rol de piadas sucessivas. O humor é, cada vez mais, o segredo de sucesso das bandas-desenhadas.

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Prancha de Dallas (Devir)

É difícil apontar quais são os vilões e os heróis nesta carismática série. Todos têm as suas fraquezas e maldades, mesmo quando pensam estar a salvar o mundo. É isso que enriquece a trama e os personagens, as várias camadas de subtilezas que nos podem trazer mais pormenores sobre cada um. Subversivo e espirituoso, Dallas é uma sátira ao olhar que o mundo tem sobre os EUA, aos seus ídolos e maldições, mas também aos seus heróis e vilões. É, acima de tudo, uma sátira aos estereótipos.

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Número 5 (Dark Horse)

Gerard Way prova que não é um mero músico, mas também um argumentista de fôlego. O desenho de Gabriel Bá, virtuoso e expressivo, é outro dos maiores motivos do sucesso. As pranchas são equilibradas e bem definidas, as vinhetas marcantes e os balões espaçados, e acima de tudo o traço é vivo. A arte final de cores diversas imprime uma sensação de movimento, que coroa o bolo com sucesso.

Resta esperar que a dupla volte a publicar mais aventuras desta Umbrella Academy, uma vez que o terceiro volume ainda não tem previsão de lançamento. Uma série que recomendo a todos os que gostem de humor, ação e bizarrices.

Avaliação: 7/10

Umbrella Academy (Devir):

#1 Suíte do Apocalipse

#2 Dallas

Suíte do Apocalipse, Umbrella Academy #1

Lá se vão os meus sapatos.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Suíte do Apocalipse”, primeiro volume da série Umbrella Academy (Formato BD)

Umbrella Academy é uma série de banda-desenhada norte-americana de grande sucesso, que foi lançada no final do ano passado no nosso país, pelas mãos da Devir. Gerard Way, vocalista do grupo musical My Chemical Romance, estreia-se como argumentista no género. O brasileiro Gabriel Bá é o ilustrador. Juntos são os responsáveis por esta série extrovertida de super-heróis que nada têm de convencional. Em 2008, recebeu o Prémio Eisner de melhor série limitada.

Suíte do Apocalipse, o volume inaugural, inclui os primeiros seis números do arco de história inicial, os primeiros esquissos dos personagens principais e pequenas sequências de outras obrasWay apresenta-nos personagens com tanto de inverosímil como excêntrico, um cientista extraterrestre, chimpanzés falantes, uma Torre Eiffel louca e uma série de super-heróis manietados pelos laços familiares.

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Os irmãos reencontram-se para um funeral (Dark Horse)

Tudo começa quando nascem quarenta e três crianças do ventre de mulheres que não haviam demonstrado qualquer sintoma de gravidez, crianças que logo são abandonadas. É assim que Sir Reginald Hargreeves, mais conhecido como O Monóculo, famigerado cientista, recolhe sete delas e encarrega-se da sua educação. O objetivo, no entanto, é estudar a sua peculiaridade e depressa descobre que elas têm poderes especiais. É assim que nasce a Umbrella Academy, sete crianças diferentes, criadas sobre a batuta de um homem das ciências.

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Number 5 (FIMFiction)

SpaceBoy tem uma cabeça implantada no corpo de um gorila gigante, Kraken revela talento para o manuseamento de facas, Rumor altera a realidade sempre que conta uma mentira, Séance é medium e telecinético, Número 5 pode viajar no tempo e Horror possui monstros debaixo da pele. No entanto, se seis dos personagens são sobredotados, Vanya não é como os “irmãos”. A menina não apresenta nenhum dom especial, o que a torna, de algum modo, discriminada pelo preletor. Reginald ganha aversão à filha pela falta de talentos, mas também pela forma como ela inveja os “irmãos”. As primeiras pranchas mostram a educação dos jovens talentosos e como os primeiros laços são forjados.

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Prancha Umbrella Academy (Dark Horse)

Dá-se um salto temporal e vemos os personagens já adultos, excepto o Número 5, que ficou preso no tempo e por isso mantém o corpo de dez anos. Cada um seguiu o seu rumo, com um dos irmãos já morto. É a morte de Reginald que os volta a unir. Todos comparecem ao funeral, excepto Vanya, que ninguém sabe onde está. Enquanto os irmãos de criação se vêem envolvidos numa sequência de aventuras destinada a parar o fim-do-mundo, descobrem que nem tudo o que parece é. Vanya, aliciada por uma orquestra muito pouco ortodoxa, descobre que afinal também tem um talento invulgar e é usada como arma para a destruição do mundo. De cada vez que toca violino numa determinada escala, tudo à sua volta é destruído como se uma bomba atómica fosse ativada. Assim sendo, só os seus irmãos de criação a podem parar.

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Capa Devir
SINOPSE:
Durante um acontecimento inexplicável, quarenta e três crianças foram geradas espontaneamente por mulheres que não apresentavam sinais de gravidez.
Sete dessas crianças foram adotadas por Sir Reginald Hargreeves e formaram a Umbrella Academy, uma família disfuncional de super-heróis com poderes bizarros. Na sua primeira aventura, essas crianças enfrentam uma Torre Eiffel enlouquecida. Quase uma década depois, a equipa separa-se, mas estes irmãos, desiludidos, reúnem-se a tempo de salvar o mundo outra vez.
OPINIÃO:

Suíte do Apocalipse, de Gerard Way e Gabriel Ba, é uma promissora história de super-heróis com forte componente familiar. O absurdo e o cómico andam de mãos dadas, os personagens não seguem grandes arquétipos e a narrativa é bem-conseguida, com linguagem adulta e credível camuflada pela imagem infantil e pela bizarrice da composição.

Aqui somos convidados a conhecer Hargreeves, um cientista eclético e presunçoso, com poucos dotes educacionais. Conhecemos também os seis super-heróis, estranhos e diferentes, com poucas parecenças aos tradicionais Homem-Aranha, Homem de Ferro ou Wolverine. São estranhos e extravagantes. As relações entre eles são bem exploradas, mas as personalidades, tirando dois ou três, foram pouco desenvolvidas. Aqui os vilões também fogem ao banal. Desta vez, temos uma orquestra sinfónica a querer destruir o mundo, com um propósito indefinido e nenhuma história paralela.

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Kraken, SpaceBoy e White Violin (comicvine)

Se a premissa é muito interessante e os pormenores deliciosos, a história fica por aí. Não existe nada de muito desenvolvido nos personagens ou na narrativa, talvez por ser o volume inaugural (apesar de compreender seis números e corresponder a uma mini-série completa). O livro foca-se na apresentação dos personagens; numa primeira fase acompanha a sua educação, numa sequência rápida de acontecimentos muito vagos que agradou-me pela leveza com que foram desvendados, e depois revelando pouco a pouco como as relações se encontravam passados dez anos, descortinando ligeiramente as suas personalidades e relacionamentos.

A atmosfera negra, acompanhada por uma toada leve e divertida, conciliou bem com a arte de Gabriel Bá. O traço leve e definido transmitiu a ideia com cor e vitalidade, primando pela imagem de movimento e extravagância produzida pelo absurdo em que estes heróis vivem. Bá deu uma casa à ideia de Way, com a preciosa ajuda de Dave Stewart, responsável pelas cores. Uma ideia bem concebida que soube-me a pouco, embora tenha gostado da forma como foi contada, do tom divertido e do ritmo constante.

Avaliação: 7/10

Umbrella Academy (Devir):

#1 Suíte do Apocalipse

#2 Dallas

A Cidade do Pecado, Sin City #1

Eu estou diante de uma deusa. Ela diz que me quer. E ela fala como se quisesse mesmo. Não vou perder nem mais um segundo a perguntar-me como foi que eu me tornei um tipo tão sortudo. Ela tem o perfume que os anjos devem ter.
O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “A CIDADE DO PECADO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE SIN CITY (FORMATO BD)

A Cidade do Pecado é o primeiro volume da famosa série de bandas-desenhadas Sin City, levada para os grandes ecrãs pelas mãos de Robert Rodriguez, Quentin Tarantino e o próprio autor das bd’s, Frank Miller. Publicada originalmente em 1991 em pequenos números da revista Dark Horse PresentsSin City ganhou rapidamente um lugar de destaque no mundo dos quadradinhos, não só porque o seu criador era Frank Miller – responsável por recuperar as tramas do Demolidor e Batman – como também pela sua própria identidade. Sin City alia um clima noir a uma narração tensa e adulta, onde a violência e a desgraça dos personagens ganham o protagonismo. Em Portugal foi publicado pela Devir.

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Marv (Devir)

Basin City, mais conhecida como Sin City, é literalmente a cidade do pecado, onde a corrupção, o estupro e a prostituição fazem parte do dia-a-dia dos seus protagonistas. Esta primeira história fala-nos de Marv, um sujeito feio e fracassado, que se vê, sem saber como, nos braços de uma mulher linda e exuberante: Goldie. Na manhã seguinte, ao acordar, essa mulher está morta. Marv depressa percebe que alguém o quis incriminar, e usa-se de todo o seu instinto de sobrevivência para pôr as mãos no assassino.

Sem confiar na polícia, Marv apenas pode contar com Lucille, uma bela advogada a quem recorre por momentos. Mas também ela cai nas mãos de uma dupla de assassinos, com evidentes tendências canibais. Marv  obtém o apoio das prostitutas da cidade velha, onde se encontra a irmã-gémea da sua musa assassinada, que mais tarde lhe oferece o seu conforto lascivo, deixando-o chamá-la por Goldie, depois do herói alcançar a sua justiça e antes de ser executado por ela.

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Capa Devir
SINOPSE:

O primeiro volume de Sin City começa com um crime. Marv, feio e bruto como é, não tem muita sorte com as mulheres e quando matam Goldie, a deusa com quem passou uma noite de sonho, decide descobrir o que se passou, fazendo justiça pelas suas próprias mãos.

OPINIÃO:

Este primeiro volume de Sin City obedeceu às minhas elevadas expectativas. Um discurso derrotista, falas e pensamentos épicos, cenas de ação credíveis e um profundo respeito ao estilo noir, rescendendo à podridão dos sistemas. A nível narrativo, Sin City transmite tanto quanto as imagens: sensações, cheiros e desgraças são apresentados de uma forma fortemente visual. A história de Marv é um hino ao perdedor nato, com pequenos vislumbres de glória numa envolvente enegrecida.

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Marv (Devir)

As pranchas revelam por si só uma história, sem que seja necessária descrição, que apenas vem complementar de forma genial cada momento representado. Os seus quadrados pretos e brancos, sem cinzentos, apenas são coloridos em motivos de destaque (como roupas ou batons com influência para a trama), e transmitem a dureza das vidas que desfilam por cada capítulo, de uma forma bastante eloquente. De resto, a densidade das imagens confunde-se com a densidade das tramas, numa composição convincente que recomendo a quem gostar de histórias brutais, carregadas de desgraça. A linguagem é bastante adulta e introspetiva, que pessoalmente me agradou imenso.

Avaliação: 8/10

Sin City (Devir):

#1 A Cidade do Pecado

#2 Mulher Fatal

#3 Aquele Sacana Amarelo

#4 A Grande Matança

#5 Valores Familiares

#6 Copos, Balas e Gajas

#7 Inferno, Ida e Volta

Viver Entre Eles, The Walking Dead #12

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Viver Entre Eles”, décimo segundo volume da série The Walking Dead (Formato BD)

Com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn e Charlie Adlard, The Walking Dead regressa para o décimo segundo volume, que compreende os números 67 ao 72.

Após a morte de Dale, o grupo regressa à estrada, levando consigo o padre Gabriel, em busca de provisões. Rapidamente a fome torna-se um grande obstáculo à sua sobrevivência, e algumas estradas são intrasitáveis graças aos aglomerados de mortos-vivos. No caminho, Rick descobre que o aparelho com que Eugene se comunicava com Washington não tem pilhas, e o cientista é obrigado a admitir que a sua história sobre a investigação da cura para o vírus foi uma mentira que inventou para que o protegessem. Abraham fica furioso e descarrega nele toda a sua violência.

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Aaron (Image Comics)

Ainda a digerir a notícia, o grupo dá de caras com Aaron, um simpático sujeito que se diz recrutador de uma comunidade segura. Mantêm-no sobre interrogatório durante algum tempo, mas com a fome e a falta de segurança a torturá-los, não têm muitas hipóteses. Com Aaron e o seu namorado Eric, o grupo enfrenta algumas adversidades mas finalmente chegam à cidade fortificada de Alexandria, onde são muito bem recebidos por Douglas Monroe, um antigo político que lidera a comunidade. A cada um dos novos membros é-lhes dada uma função, e apesar de perceberem, pouco a pouco, que podem confiar naquelas pessoas, tudo ainda é muito estranho para o grupo de Rick.

Capa Devir
SINOPSE:

O grupo de Rick trava conhecimento com Aaron, que os apresenta a uma comunidade de sobreviventes, presidida por um homem chamado Douglas Monroe. A receção ao grupo é uma agradável surpresa, por contraste ao modo de vida que têm levado até agora. Mas Rick suspeita que nem tudo é como aparenta ser.

OPINIÃO:

Um novo volume, novas surpresas. The Walking Dead não pára de surpreender e esta edição traz ao grupo um oásis no deserto árido em que têm vivido. Apesar do início desolador que tem início após a morte de Dale, com a confissão de Carl ao seu pai sobre a morte de Billy e a revelação das mentiras de Eugene, as esperanças do grupo vão-se renovando com a aparição de Aaron e a consequente chegada a Alexandria. Pessoalmente, foi um volume que não me agradou, comparativamente aos anteriores, talvez pela falta de emoção ou por não me surpreender.

A nível narrativo, só tenho elogios a tecer. As dúvidas, as incertezas, as inquietações, a aceitação daquilo que o mundo em que vivem os tornou, personagens muito bem desenvolvidos como Carl, Rick e Abraham, tornam esta série um caso sério de credibilidade numa envolvente fantasista como é um apocalipse zombie. E depois da crueldade pela qual passaram, os receios em voltar a confiar, a incapacidade de se ambientarem e de acharem normal uma vida pacífica, é mais do que natural. Kirkman consegue fazê-lo com mestria.

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Douglas Monroe (Image Comics)

Este volume abarca grande parte dos acontecimentos adaptados para a tv na segunda metade da quinta temporada, com grande semelhança. Porém, aqui somos apresentados a um líder muito mais empático e cordial – Douglas Monroe – que, para além de acreditar em Rick e esconder um estranho incidente do passado na comunidade, tenta seduzir Andrea, sem sucesso.

Também a personagem Michonne é aqui uma grande aliada de Rick Grimes, mas não se consegue ambientar às trivialidades da comunidade. Depois de já ter manifestado o interesse em Morgan, no volume anterior, ela aqui não perde tempo em aproximar-se dele. Denota-se uma grande carência afetiva na personagem, pela forma rápida com que seduziu inicialmente Tyreese, e atualmente Morgan, o que me leva a especular que talvez veja neles algo do namorado que perdeu antes da sua aparição. É uma edição mais calma e que sugere tempos de bonança, apesar do final curioso que deixou claro que Rick pode ser, na verdade, o maior perigo para aquela comunidade.

Avaliação: 6/10

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

Temam os Caçadores, The Walking Dead #11

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Temam os Caçadores”, décimo-primeiro volume da série The Walking Dead (Formato BD)

As edições 61 à 66 da BD The Walking Dead compõem o décimo primeiro volume da saga escrita por Robert Kirkman e ilustrada por Charlie Adlard.

Após os acontecimentos da prisão, Dale ambicionava fixar-se algures, com Andrea e os gémeos que acolheram como filhos. Enfim, ter uma vida pacata e passar assim o resto dos seus dias. Mas primeiro veio Rick, sempre carregando consigo a morte, depois Abraham, Eugene e Rosita, que os levaram da quinta, e agora, quando finalmente parecia ter convencido Andrea que a estrada não era lugar para eles, perde os meninos.

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Rick e Abraham a ser vigiados pelos Caçadores (Image Comics)

Durante um ataque de walkers, Dale é ferido, mas oculta o facto para não preocupar Andrea. À noite, no entanto, procura nas sombras do bosque o seu fim, e é aí que lhe põem as mãos em cima. O grupo está a ser vigiado, e depressa se dão conta disso. Refugiados na igreja do Padre Gabriel, percebem que o homem está mesmo sozinho, e em desespero conta que ficou ali fechado, negando a entrada a pobres mulheres e crianças que procuravam na igreja uma fuga aos walkers.

Num parque escondido no bosque, Dale acorda, para perceber que foi capturado por um grupo de canibais, que estão a comer a sua perna. O que eles não sabiam, era que ele já procurava a sua morte ao entrar naquele bosque, uma vez que estava infectado. Enojados, o grupo chamado de Caçadores liberta o corpo de Dale à porta da igreja, moribundo e sem pernas. O que esse grupo não estava à espera, era da vingança que Rick Grimes preparou para eles.

Capa Devir
SINOPSE:

Durante a viagem até D.C., Rick Grimes e o seu grupo começam a suspeitar que estão a ser seguidos por alguém na floresta. Dale é raptado durante a noite e Rick, Abraham, Michonne, e Andrea são enviados para o encontrar e fazer parar este novo perigo desconhecido. Mas, será que a humanidade destes sobreviventes prevalece, com as ações que levam a cabo, para se proteger uns aos outros?

OPINIÃO:

Um volume mais curtinho, mas igualmente emocionante. Este pequeno arco de história trouxe mudanças incontornáveis ao grupo de sobreviventes, como a perda de um dos seus pilares, assim como mostra um Rick no papel do verdadeiro badass da história. Após o arco do Governador, não existe clemência para qualquer inimigo.

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N.º 62, com Andrea (Image Comics)

Enquadramo-nos nos acontecimentos iniciais da quinta temporada televisiva, mas aqui não existe Beth, nem hospitais. O grupo está unido e coeso, e invariavelmente nada será igual com a perda de um dos personagens capitais até aqui – Dale. A morte registada neste volume foi substituída por uma bem menos sofrível na série, a do personagem Bob, que não era mais que um personagem secundário.

Fica a expectativa para os livros seguintes. Os canibais foram um adversário muito fácil de ultrapassar, que novos desafios esperam o grupo?

Avaliação: 7/10

The Walking Dead (Devir/ Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8 Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

Aquilo Em Que Nos Tornámos, The Walking Dead #10

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Aquilo Em Que Nos Tornámos”, décimo volume da série The Walking Dead (Formato BD)

Kirkman, Adlard e Rathburn chegam ao volume 10 da BD The Walking Dead com muito para desenvolver. Se no volume anterior tivemos um grande desenvolvimento psicológico, e emocional, de cada um dos sobreviventes aos ataques da prisão, neste vemos o grupo na estrada, dirigindo-se a Washington, em busca de uma resposta à cura do vírus zombie que o cientista Eugene diz ter cura.

Nesta edição (que reúne os números 55 a 60), a relação entre Rick e Abraham torna-se cada vez mais tensa. Rick acredita não ter mais capacidade de liderar e deixa-se arrastar à margem do grupo, mas rapidamente percebe que todos dependem do seu instinto. Maggie tenta suicidar-se, mas os problemas não ficam por aí. Os conflitos adensam-se e Dale mostra-se cada vez mais decidido em deixar o grupo, fixando-se em algum lugar com Andrea e os gémeos.

Rick sugere regressarem à sua terra de origem, Atlanta, para rever Morgan e roubar armas ao posto de polícia. Abraham, Rick e Carl são destacados para a tarefa, ficando os restantes à sua espera na estrada. Acontecimentos sucedem-se. Um grupo de sujeitos pouco confiáveis aborda-os, tentando violar Carl, mas a raiva de Rick Grimes é imparável. É nessa dicotomia entre o que é certo e o errado que Rick e Abraham se compreendem, e finalmente, passam a respeitar-se.

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Morgan (Image Comics)

Em Atlanta, Rick encontra Morgan enlouquecido, matando viajantes para alimentar o seu filho, transformado em walker. Conseguem salvá-lo, mas arrastam consigo uma manada de zombies até à estrada. Um dos gémeos, sem noção de vida ou morte, mata o irmão, sabendo que ele irá regressar como walker. Andrea e Dale ficam em choque, mas viram-se contra o grupo ao perceber que todos julgam que o mais sensato é assassinar o menino homicida. Carl tem a coragem de fazer o que mais ninguém tem, sem que ninguém o descubra. Como uma estranha ironia, encontram um padre, no meio da estrada. Gabriel garante estar sozinho e desarmado, mas será este sujeito digno de confiança?

Capa Devir
SINOPSE:

O grupo volta de novo à estrada, com destino a Washington, D.C….As tensão na relação de Rick e Abraham agrava-se durante a viagem, mas Rick fica a conhecer os antecedentes de Abraham e a sua trágica história desde o começo da epidemia de zombies.Rick é mais uma vez posto à prova e tem que decidir até onde está disposto a ir para proteger a família que lhe resta.

OPINIÃO:

Eis um volume que me agradou no seu todo, aprofundando as questões psicológicas já exploradas na edição passada, e pautado por imensas cenas de ação. A tentativa de suicídio de Maggie, que quase fez Abraham assassiná-la, cenas marcantes da série de tv como a tentativa de estupro de Carl, a adição de Morgan Jones ao grupo (aqui diferente), a morte de uma das crianças à mão da outra e a aparição do padre Gabriel, tudo no mesmo volume, fazem deste um livro recheado de emoção.

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Padre Gabriel (Image Comics)

Ao contrário da série de TV, aqui não existe Terminus, aquela cidade-emboscada onde viviam os canibais, e o grupo está junto muito antes disso, passando diretamente da morte das crianças (aqui é o pequeno Carl quem tem o sangue-frio de assassinar o menino psicopata) para o encontro com o Padre Gabriel. Por outro lado, vemos um Abraham muito mais completo e durão, capaz de ombrear com Rick Grimes na liderança e até menosprezá-lo. A existência de Daryl na série de tv roubou espaço a dois grandes personagens dos livros originais: primeiro Tyreese, e depois Abraham, cujas adaptações não mostraram a profundidade e rudeza dos seus personagens.

Este é um volume marcado pela ação contínua, pela adição de novos personagens e pelo desenvolvimento inegável dos que já existiam. Continua bem encaminhado.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/ Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

 

Aqui Permanecemos, The Walking Dead #9

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Aqui Permanecemos”, nono volume da série The Walking Dead (Formato BD)

A prisão caiu. Os sobreviventes estão perdidos. A esperança é ínfima. The Walking Dead tem a capacidade incrível de nos inquietar, discutindo temas abruptos como o sentimento de perda e a capacidade de lidar com as nossas próprias emoções em momentos de desespero. Robert Kirkman fá-lo como ninguém através desta graphic novel. Este é o nono volume da série, que compreende os números 49 ao 54.

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Abraham e Eugene (Image Comics)

Nesta edição encontramos Rick e Carl a chorar as perdas sofridas, sozinhos e devastados. Rapidamente encontram uma casa onde repousar, mas as ameaças dos walkers são constantes e Rick está bastante doente. Carl regista algum amadurecimento, e as mortes sofridas tornam-no mais duro; no entanto, ao julgar que o pai se transformou num walker, baixa a guarda e dá-se conta que não é mais do que uma criança.

As dificuldades aumentam, mas a esperança de Rick renova-se ao ouvir um telefone e perceber que existem sobreviventes, algures, dispostos a auxiliá-lo. O que ele não esperava era começar a ouvir a voz da sua esposa falecida, o que o faz achar que está louco. Rapidamente encontram um rosto familiar, Michonne, que andou perdida desde a queda da prisão; mais tarde, encontram Glenn e Maggie, a cavalo, que lhes contam ter estado todo esse tempo na fazenda de Hershel, para onde os levam e encontram o restante do grupo: Dale, Andrea, e as crianças: Sophia e os gémeos. No entanto, as mortes sofridas abalaram-nos a todos, e apenas a aparição de três novos personagens: o sargento Abraham, o cientista Eugene e a bela Rosita, lhes poderá dar algum alento.

The Walking Dead 9
Capa Devir
SINOPSE:

Após a luta com o Governador e os seus homens, Rick e Carl tentam encontrar abrigo numa cidade próxima. À medida que a história evolui, Carl torna-se mais independente e preocupa-se com o estado psicológico e físico de Rick. Será que vão conseguir encontrar os restantes sobreviventes do grupo e sobreviver aos grupos de zombies que os perseguem?

OPINIÃO:

Este, para mim, foi o volume mais fraco até ao momento. Talvez, por me remeter de imediato à segunda parte da quarta temporada televisiva, em que os personagens caminhavam e caminhavam, em episódios isolados, e nada de especial acontecia. A história original é bem mais dinâmica, e os sobreviventes – aqui em menor número – depressa se reencontram.

O grande mérito deste volume vai para o aspeto dado ao psicológico de cada um. Rick está notoriamente perturbado por não ter conseguido salvar a esposa e a filha bebé, mas pelo filho, não lhe passa pela cabeça desistir. O simbolismo em torno do telefone é grande, porque embora saiba que está a ficar louco, Rick não abdica do objeto, talvez seja ele a sua forma de compreender o que aconteceu e de se perdoar pelo que não conseguiu fazer.

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Carl pensa ter perdido o pai (Image Comics)

O regresso à fazenda de Hershel é uma lufada de ar fresco, mas os personagens que ali se encontram não estão num estado muito mais lúcido. Michonne continua a falar para o namorado já morto, Sophia parece negar que tenha tido uma mãe chamada Carol, e afirma que a sua mãe é e sempre foi Maggie. Maggie está assolada pela morte de toda a família… e Dale parece estar desassossegado com tanta gente à sua volta. A chegada de três novos personagens à quinta traz alguma desconfiança ao grupo, mas as afirmações de Eugene fazem sentido. Abraham é um tipo duro, mas está disposto a tudo para levar o cientista em segurança até Washington, e depressa todos concordam que a quinta de Hershel já não é um lugar seguro para viver. A estrada está à sua espera.

Um volume que destaca muito mais o factor emocional e o psicológico do que a ação propriamente dita, mas sem dúvida, assombrosamente credível e emocionante.

Avaliação: 7/10

The Walking Dead (Devir/ Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

Feitos para Sofrer, The Walking Dead #8

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Feitos para Sofrer”, oitavo volume da série The Walking Dead (Formato BD)

O oitavo volume da BD The Walking Dead e um dos mais polémicos traz Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn no seu melhor. Ele contém as edições 43 à 48.

O Governador está às portas da prisão. Graças à ajuda de Bob, alcóolatra que foi, em tempos, médico do exército, o Governador recuperou dos graves ferimentos que Michonne lhe deixou, e convence o seu povo que Rick e os seus voltarão para terminar o que começaram. Numa tentativa de protegerem a sua cidade e ocupar a prisão, quiçá um lugar mais seguro, eles criam um pelotão fortemente armado com a ideia de tomar o estabelecimento prisional.

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Andrea (Image Comics)

Rick e o seu grupo são apanhados de surpresa, mas contam com a excelente performance de Andrea na torre, e com os inúmeros walkers em volta das cercas a impedir-lhes a passagem. Axel, Andrea e Rick saem feridos do tiroteio e o Governador exige uma retirada, uma vez que o seu povo não está preparado e estão tão ou mais confusos que os ocupantes da prisão.

Durante o tempo em que Rick está inconsciente, decisões são tomadas. Dale convence Andrea a fugir da prisão antes que os seus inimigos regressem, e com eles levam os gémeos, Sophia, Glenn e Maggie. Tyreese e Michonne elaboram um plano para apanhar o Governador de surpresa, atacando-os no lugar onde estejam reagrupados. Algo corre extremamente errado, Tyreese é apanhado pelos homens do Governador e Michonne é dada como morta.

Quando Rick acorda e vê que na prisão apenas ficou ele, a esposa e os filhos, a médica Alice, o ferido Axel, Patrícia, Hershel e Billy, sabe que as suas hipóteses de sobrevivência são nulas. O Governador regressa sozinho, empunhando a katana de Michonne como um troféu e Tyreese como refém. Após esse acontecimento, as tropas do governador regressam, ainda desorientados e desalentados, mas com a morte escrita nos canos das armas. Andrea ainda regressa para ajudar o grupo, mas não chega a tempo de evitar um massacre.

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Capa Devir
SINOPSE:

O Governador encontra finalmente a prisão onde Rick se encontra, atacando-a com um grande exército. O grupo de Rick divide-se na resposta ao ataque; alguns decidem ficar dentro de grades, outros avançam para enfrentar os atacantes. O número de mortos de ambas as fações aumenta, mas as coisas nunca mais serão as mesmas para Rick Grimes e os seus companheiros.

OPINIÃO:

Encerra-se aqui um ciclo. Tal como se esperava, o Governador não ia ficar quieto e Michonne paga caro por tê-lo deixado vivo. É um volume soberbo, aquele que corresponde à mid-season finale da quarta temporada da série de tv. Na BD, o choque é ainda mais sentido, uma vez que o ataque do Governador ocorre em várias investidas, e o massacre é ainda mais brutal. Mais de metade dos personagens é morto, incluindo o próprio vilão, vítima da sua própria crueldade, quando uma das suas atiradoras se horroriza ao ver que ele a obrigou a matar um bebé .

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O Governador ameaça Tyreese com a katana de Michonne (Image Comics)

Incrível a nostalgia deixada no ar, o sofrimento dos personagens narrado de uma forma plausível e o terrível sentimento de perda transmitido através de uma banda-desenhada. No final, ficamos tão perdidos quanto os personagens que sobreviveram ao massacre. Tudo fica em aberto, mas o número de personagens mortos aqui é enorme e nada será como antes, ainda que os sobreviventes se reagrupem. Adorei esta edição, apesar de achar a morte de um personagem capital na trama demasiado frívola.

Avaliação: 9/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8 Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone| #14No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17Something To Fear| #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams| #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

A Calma Antes, The Walking Dead #7

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Calma Antes”, sétimo volume da série The Walking Dead (Formato BD)

Em equipa que ganha não se mexe e mais uma vez Robert Kirkman lidera uma equipa genial no novo volume de The Walking Dead, que reúne as edições 37 à 42. Cliff Rathburn e Charlie Adlard têm já larga experiência como ilustradores, incluindo várias participações no Universo Marvel.

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Glenn e Maggie beijam-se (Image Comics)

No volume que se esperava mais tranquilo, após os momentos intensos da última edição, somos presenteados com uma tempestade de acontecimentos. Tyreese, Axel, Michonne, Glenn, Maggie e Andrea saem no trailer, em busca de munições no posto da polícia, mas no caminho encontram um supermercado e decidem abastecer-se. São aí surpreendidos com alguns dos gorilas de Woodbury, que foram alertados para a sua presença. O grupo é facilmente desbaratado, mas Glenn sofre um tiro, salvando-se apenas por usar uma armadura.

Lori tenta confessar a Rick a sua traição com Shane, enquanto Maggie e Glenn decidem casar-se e discutem a possível construção de uma família. Passam-se algumas semanas. O casamento é abençoado por Hershel e o bebé de Lori nasce, com a ajuda indispensável de Alice, a jovem médica que Rick trouxera de Woodbury. No entanto, o nascimento da pequena Judith é apenas o preâmbulo de uma sucessão de acontecimentos emocionantes.

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Capa Devir
SINOPSE:

No meio de revelações e infortúnios o grupo de Rick recebe uma união feliz que cria um clima de normalidade na prisão, mas rapidamente voltam à realidade da situação em que se encontram.
Uma série de eventos colocam as vidas de alguns membros em perigo e no final desta montanha russa de perigos e pequenas alegrias estão o Governador e os seus homens armados.

OPINIÃO:

A Calma Antes. Este volume não só consolida as relações entre os personagens, como as coloca ao seu mais alto nível. O título sugere momentos de acalmia, que antecedem momentos de tensão. Mais uma vez, ele é enganador. Este volume, que se adivinhava calmo, foi uma sucessão de acontecimentos que, não só desenvolveram personagens como Lori, mostrando os seus sinais de arrependimento e amor verdadeiro para com Rick, mas também a relação de Carl e Sophia, o amor e os ciúmes entre vários personagens, dando consistência e credibilidade ao mundo criado. Cada vez mais esta história mostra que nos fala sobre humanidade, e é isso que se reflete nas pranchas apresentadas.

Por muito que eu goste da Maggie da série de televisão, ela não podia ser mais diferente da sua homónima original. Aqui, ela é rebelde, uma maria-rapaz, asneirenta e muito sexual. Quando pensamos que ela não nos pode surpreender, algo acontece para agitar a trama e a sua vontade em constituir família mostra-nos que estas pessoas ainda mantêm a sua esperança num futuro.

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Dale é mordido (Image Comics)

O nascimento de Judith é outro dos momentos altos, que coincide com o acidente que faz Dale perder a perna. Momentos de ciúmes sucedem-se, a relação entre Andrea e Tyreese estreita-se, ao mesmo tempo que Dale se sente ultrapassado e Carol mostra-se cada vez mais desesperada por uma companhia. Um incidente brutal deixa o grupo em choque e uma morte é sentida com pesar, mais por uns, do que por outros. No final, quando cada um parece encontrar o seu lugar, e as coisas parecem serenar, eis que um velho inimigo surge aos portões da prisão e o título, finalmente, ganha um certo sentido. A ação não pára de melhorar.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone| #14No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear| #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms