Resumo Trimestral de Leituras #11

O verão costuma ser uma estação menos dada a leituras, mas em 2017 acabei por conseguir ler mais do que nos anos anteriores durante este período. Se julho foi o mês em que li mais, com as bandas-desenhadas a conhecerem alguma predominância, agosto trouxe-me boas surpresas como Os Despojados de Ursula K. Le Guin ou Anjos de Carlos Silva. Já o mês de setembro ficou marcado pela conclusão de várias sagas que vinha a seguir, como é o caso da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Torre Negra de Stephen King e A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Destaque ainda para a leitura de vários autores nacionais, como Carlos Silva, Pedro Cipriano, Jay Luís ou Bruno Martins Soares. Foi A Súbita Aparição de Hope Arden, de Claire North, porém, o livro que mais me arrebatou, tornando-se a melhor leitura do ano até ao momento.

Regressos, Southern Bastards #3 – Jason Aaron e Jason Latour

O Homem Que Roubou o Mundo, Velvet #3 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Monge Guerreiro – Romulo Felippe

Despertar, Monstress #1 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Conquista da Liberdade, Rebeldes Europeus #1 – Jay Luís

As Nuvens de Hamburgo – Pedro Cipriano

A Jornada do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #4 – Robin Hobb

Os Despojados – Ursula K. Le Guin

Anjos – Carlos Silva

Os Mares do Destino, Elric #3 – Michael Moorcock

Bruxas | Wytches – Scott Snyder e Jock

A Forca, A Primeira Lei #2 – Joe Abercrombie

Os Dragões do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #5 – Robin Hobb

A Súbita Aparição de Hope Arden – Claire North

One-Punch Man #3 – One e Yusuke Murata

A Torre Negra, A Torre Negra #7 – Stephen King

Moving – Bruno Martins Soares

A Coroa, A Primeira Lei #3 – Joe Abercrombie

Fighting The Silent, The Dark Sea War Chronicles #1 – Bruno Martins Soares

Sem TítuloComecei julho com o terceiro volume de Southern Bastards, Regressos. É mais um capítulo da violenta saga sobre as gentes do Alabama criada por Jason Aaron e Jason Latour, autor e ilustrador norte-americanos. Focado em seis personagens, Regressos é ambientado no período do Homecoming, em que a equipa dos Reb’s prepara-se para receber os Warriors, um jogo ensombrado pelo suicídio de Big, que se sentira esmagado pela atitude conspiratória da população em torno da morte de Earl Tubb. Os dois autores conseguiram enriquecer a série e abrir novas perspectivas para a mesma, ao mesmo tempo em que submergiram o leitor num ritmo crescente. O Homem que Roubou o Mundo é o terceiro volume de Velvet, com argumento de Ed Brubaker, arte de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. A um ritmo alucinante, o leitor segue a espia Velvet Templeton na peugada de respostas sobre a cabala que a fez matar o homem que amava. Uma conspiração que a leva aos meandros do Caso Watergate e ao rapto do presidente Nixon. Uma conclusão de trilogia fantástica, cheia de ação, perseguições e tiroteios. Duas fantásticas BD’s trazidas até nós pelas mãos da G Floy Studio Portugal.

Sem títuloDo autor brasileiro Romulo Felippe, Monge Guerreiro é um ótimo livro histórico pincelado de fantasia. Vemos um templário montado num unicórnio, um dragão a perseguir o papa pelas cidades italianas e uma missão lançada por Luís IX de França para proteger duas relíquias sagradas: a Lança de Longinus e a Coroa de Espinhos. Com uma melhor revisão e um maior equilíbrio entre a primeira e a segunda metade, o livro seria fantástico. Com argumento de Marjorie Liu e arte de Sana Takeda, duas artistas ligadas à Marvel, Despertar é o primeiro volume de Monstress, a nova aposta das Edições Saída de Emergência. Num mundo de inspiração asiática, uma rapariga arcânica vê-se no cerne de uma disputa de anos entre humanos e arcânicos. Muito embora pareça inofensiva, Maika Meiolobo tem dentro de si um poder imensurável, o resquício de um mal muito antigo que tem permanecido adormecido. Brilhante na arte e com um argumento maravilhoso, Monstress atira-nos para um mundo que levamos tempo a compreender, no qual a liderança matriarcal e a linguagem crua e direta nos absorvem de forma natural desde o primeiro momento.

Sem títuloPrimeiro volume da série Rebeldes Europeus da autora nacional Jay Luís, publicada pela Pastel de Nata Edições, Conquista da Liberdade é uma distopia interessante sobre um grupo rebelde que tenta resgatar famílias para colónias espaciais quando o nosso mundo foi dominado por um tirano de origens islâmicas. Duas irmãs que fazem parte desse sistema lutam contra a tirania, ao mesmo tempo que tentam proteger a sua própria família. Um livro algo fraco a nível de escrita, com muito a ser melhorado num próximo volume. Num outro patamar de qualidade está o livro de Pedro Cipriano, As Nuvens de Hamburgo, publicado pela Flybooks. O autor faz-nos vestir a pele de Marta, uma estudante de Erasmus em Hamburgo que começa a ter visões de acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que tenta descobrir o que se passa consigo, procura usar o dom para fazer algo de importante. Um livro de leitura rápida e vocabulário simples que funcionou muito bem e agradou-me. O quarto volume da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Jornada do Assassino, não tem nada de muito original ou rasgos de génio, mas as ligações entre os personagens e entre os personagens e o leitor são incríveis e a escrita de Hobb é simplesmente maravilhosa. Respeitador avança na sua jornada para as Ilhas Externas acompanhado de Fitz, Breu, Obtuso e companhia, mas tanto o reencontro com a narcheska Eliânia como a procura do dragão não são exatamente como esperavam. Uma fantástica série publicada pela Edições Saída de Emergência.

Sem TítuloAgosto começou com ficção científica, também publicada pela Saída de Emergência. Escrito por Ursula K. Le Guin, Os Despojados narra a estadia de um físico natural de Anarres no seu planeta gémeo, Urras, de modo a conhecer melhor aquela civilização e a ajudá-los com os seus estudos. Rapidamente, porém, Shevek percebe o alcance da manipulação de que é alvo. Um livro bastante filosófico e político, acima de tudo uma dura crítica social aos regimes capitalistas, mas que acaba por mostrar que nenhuma civilização é perfeita e nenhum estado social consegue estar imune a vários e sérios problemas. Um livro que me deliciou, em parte graças à escrita envolvente de Ursula, mas que demorei a ler, por em determinados momentos ser algo confuso e aborrecido. Vencedor do Prémio Divergência em 2015, Anjos é o romance de estreia de Carlos Silva e o primeiro livro de solar punk em Portugal. Num futuro longínquo, o nosso país foi vítima de um terramoto. Seguiu-se um período de várias mudanças a nível social e tecnológico, que se traduziu num novo modo de vida. O Portugal que conhecíamos transformou-se. É um livro pequeno e por vezes pouco equilibrado na chuva de pontos de vista que nos quer mostrar, ainda assim de uma qualidade acima da média dentro da literatura nacional.

Sem títuloOs Mares do Destino é o terceiro volume da saga Elric de Michael Moorcock, e o último publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Nesta aventura do imperador albino, acompanhamo-lo através do Multiverso, conhecendo países e culturas que julgava impossíveis. Dos mares revoltos, onde conhece uma jovem predestinada, ao navio de um capitão onde encontra três facetas de si próprio, Elric percorre um gólgota de devastação onde a sua vida encontra-se sempre em risco. É quando conhece um duque careca e enfrenta um antepassado que a jornada ganha finalmente sentido, no encontro das suas origens e das origens do seu povo. Um volume de que gostei bastante, porque apesar de não acrescentar nada de novo à trama conseguiu envolver-me. Uma prova de que as velhas histórias de espada e feitiçaria continuam a fascinar-me. Lançado pela G Floy Studio Portugal, Bruxas | Wytches é um produto de sucesso de um dos principais argumentistas de Batman, Scott Snyder. Com ilustração de Jock, Wytches é uma história tensa e incrível sobre uma família que tenta ultrapassar uma tragédia que os marcou a todos e unir os fragmentos do que tinham. A jovem Sailor não se consegue adaptar à nova escola nem à nova vida, e nessa espiral depressiva descobre que a floresta à volta da casa nova está pejada de bruxas. Para piorar, ela está marcada para morrer. Estas bruxas de Snyder são, no entanto, bem mais monstruosas do que a visão comum das mesmas. Não me maravilhou, mas gostei bastante e a arte está brutal.

Sem títuloA minha última leitura de agosto foi A Forca, o segundo volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Enquanto Bayaz conduz Logen Novededos, Jezal dan Luthar, Ferro Maljinn, Malacus Quai e Pé-Longo até aos confins do mundo para encontrar um artefacto mágico capaz de salvar o mundo, o major West é obrigado a enfrentar os exércitos de Bethod e resistir à futilidade das ordens do príncipe Ladisla, a quem foi confiado. No sul, os exércitos gurkeses montam cerco a Dagoska, o último bastião da União naquelas paragens, e o inquisidor Glotka é enviado para lá não só para resistir ao cerco como para descobrir o que aconteceu ao seu antecessor. Arruinar uma conspiração torna-se, no entanto, o menor dos seus problemas. Foi um volume que melhorou em relação ao anterior, mas continuo sem gostar do núcleo principal. Os capítulos de Glotka, West e Cão foram, sem dúvida, o que salvou o livro. Uma edição 1001 Mundos. Pela Saída de Emergência, iniciei setembro com Os Dragões do Assassino. Numa toada semelhante à dos volumes anteriores, Robin Hobb desdobra a capa que encerrava todos os segredos no quinto e último volume da Saga O Regresso do Assassino. Os mistérios na Ilha de Aslevjal são finalmente descobertos, o dragão Fogojelo é arrancado da sua clausura sob o gelo e personagens como Castro, Fitz, Moli, Breu, Respeitador e Eliânia conhecem fins de maior ou menor felicidade. Um ciclo que foi encerrado com grande perícia e mestria por parte da autora canadiana, ainda assim houve algo que me fez não gostar tanto deste como dos anteriores.

Sem títuloO novo livro da autora Claire North, que já o ano passado havia surpreendido com As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, foi só a minha melhor leitura deste ano até ao momento. Envolvente, rico em pormenores e extremamente ambicioso, A Súbita Aparição de Hope Arden foca-se numa rapariga que desde os 16 anos viu toda a gente esquecer-se dela. Quando as pessoas deixam de a ver por segundos, esquecem-se do seu rosto e de quem ela é ou o que fez. Hope transformou-se numa rapariga esquecível, o que a obrigou a sobreviver por sua própria conta e risco e, à margem da sociedade, caiu no mundo do crime. A história é excelente mas foi sobretudo a escrita da autora que me encantou. Com argumento de One e ilustrações de Yusuke Murata, o terceiro volume de One-Punch Man, recentemente publicado pela Devir, leva os heróis Saitama e Genos a uma prova para determinarem a classe de super-heróis a que pertencem e verem os seus nomes registados na lista oficial. Depois, terão de lidar ainda com um motim de super-heróis e com monstros aborrecidos. Apesar de ter vários pormenores interessantes, a história vale sobretudo pelo braço-de-ferro entre Saitama e Genos e a insistência do ciborgue em ser ensinado por um homem que não está nem aí, nem sabe o que lhe haveria de ensinar. Parece-me, no entanto, um mangá que está longe de justificar o sucesso que obteve.

Sem títuloCheguei finalmente ao fim da saga A Torre Negra de Stephen King, publicado no nosso país pela Bertrand Editora. O último volume, com o mesmo nome, mostra Roland, Jake, Eddie, Susannah, Oi e o padre Callahan numa corrida contra o tempo para impedirem grandes males, mas a reta final da caminhada para a Torre Negra pertence exclusivamente a Roland de Gilead. Um livro que deixou a claro toda a simbologia criada pelo autor, foi uma história que me agradou imenso, os finais foram excelentes e as cenas de mortes incríveis. O pecado do livro, tal como havia verificado em livros anteriores da série, é o volume ostensivo de páginas, quando muitos capítulos são absurdamente dispensáveis. Já o conto do autor português Bruno Martins Soares disponível na Amazon, Moving, fala sobre livros (teimosos) e sobre Paulo, um homem averso a mudanças que é obrigado a aceitá-las. A escrita do Bruno é inteligente e fluída, mas também intimista, deixando-nos vestir a pele do personagem principal e nunca abandona a toada humorística durante a narração.

Sem TítuloTerceiro e último volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie, A Coroa é um desenrolar de acontecimentos frenéticos e plot-twists de cortar a respiração. Bayaz e Ferro foram os personagens de que gostei menos e toda a magia envolvida soou-me forçada e anti-natural, quebrando a fluidez narrativa que Joe demonstrou ao desenvolver personagens como Glotka, Collem West ou Cão. Ainda assim, os personagens Jezal e Logen melhoraram bastante e, ainda que não tenha “comprado” a história nem gostado muito do final, fica claro que é uma trilogia a não deixar de ler. Primeiro volume da série The Dark Sea War Chronicles, Fighting The Silent do autor nacional Bruno Martins Soares estará disponível já dia 1 de outubro na Amazon. Trata-se de uma série de ficção científica protagonizada por Byllard Iddo, onde a ação acontece num sistema solar longínquo. Ali, uma guerra é travada entre o reino de Torrance e a temida República Axx. Após o fatídico incidente, Byl juntou-se à Marinha Espacial, onde se tornou tenente na poderosa armada de Webbur, a nação aliada a Torrance que estará na linha da frente para receber o embate de uma incursão inimiga. É um livro pequeno, muito bem escrito e original.

Neste momento estou a ler Elantris de Brandon Sanderson, e autores como Steven Erikson, George R. R. Martin, Edgar Allan Poe e Andrzej Sapkowski serão seguramente comentados por mim aqui no NDZ no próximo trimestre. Também as BD’s não serão esquecidas e os novos volumes de Saga e Tony Chu não me escaparão. Fiquem atentos.

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Estive a Ler: One-Punch Man #3

Onde está? Será que estive sempre a atacar a sua sombra!?

O texto seguinte aborda o terceiro volume da série One-Punch Man (Formato BD)

Apesar das suas vitórias impressionantes, Saitama continua a ser um herói desconhecido… até encontrar Genos e ambos decidirem realizar o teste para a Lista dos Heróis. É esta a sinopse da Devir para o terceiro volume do mangá One-Punch Man, que inclui os números 16 ao 22,5 da edição original. One é o pseudónimo do argumentista que iniciou a publicação da série na internet, em 2009. Três anos depois, One-Punch Man tinha mais de 10 milhões de visualizações, o que levou à publicação em volumes em 2014.

One é também autor de Mob Psycho 100 e Makai no Ossan, enquanto Yusuke Murata, o ilustrador, é mais conhecido pelo seu trabalho em Eyeshield 21. Ganhou o 122º Prémio Hop Step com Partner, em 1995; e ficou em 2º lugar com Samui Hanashi, em 1998. Iniciou a colaboração em One-Punch Man em 2012, re-desenhando a série para a Young Jump Web Comics.

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Fonte: https://pt.aliexpress.com/store/product/One-punch-man-Action-Figures-Saitama-Sensei-PVC-24CM-Anime-Collection-Model-Toys-ONE-PUNCH-MAN/225720_32656549517.html

Antes de tecer qualquer comentário sobre One-Punch Man, é necessário ter em conta que a premissa desta série é, acima de tudo, parodiar o mundo dos super-heróis. Se o primeiro volume não me tinha convencido, fiquei ligeiramente mais agradado com o segundo. O protagonista prosseguiu na senda de enfrentar monstros por obrigação, mas a narrativa ganhou muito com a adição de Genos ao enredo e o próprio Saitama obteve um melhor desenvolvimento.

One-Punch Man não é nenhuma maravilha dos mangás. O humor acaba por ser o melhor dos livros até agora e, em várias ocasiões, ele é bem forçado. Ainda assim, apresenta-nos dois personagens fortes, não só superficialmente como em conteúdo, e os diálogos entre ambos lançam debates que podem, à primeira vista, parecer frívolos, mas sem a menor dúvida importantes para quem quiser estudar o que é ser um super-herói.

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Fonte: devir
NÃO VOU CONSEGUIR ESCREVER ISTO SEM SPOILERS, POR ISSO, ESTÁS AVISADO!

Saitama e Genos iniciam este terceiro volume numa prova. Trata-se de um teste de heróis, para determinar o seu nível e entrar para a Lista dos Heróis. Saitama dá-se maravilhosamente bem na prova de força, mas tem uma nota péssima no teste de inteligência, o que o coloca na Classe C dos heróis. Por sua vez, Genos, que continua empenhado em aprender com Saitama para se tornar um super-herói tão bom como ele, tem excelentes resultados, o que o coloca na Classe S, a supra-sumo de todas. Após as provas, há a revelação de que os mestres lá do sítio não parecem muito dispostos a ser ultrapassados pelos novatos, o que gera um conflito que pode terminar em corrupção ou passar mesmo por um confronto físico.

“O protagonista prosseguiu na senda de enfrentar monstros por obrigação, mas a narrativa ganhou muito com a adição de Genos ao enredo e o próprio Saitama obteve um melhor desenvolvimento.”

No segmento seguinte, Genos insiste em ir viver para a casa de Saitama. Quem leu os anteriores volumes sabe como ele é zeloso da sua privacidade e do seu sossego, e recusa-se determinantemente a viver junto com o ciborgue. Mas quando ele lhe coloca um maço de notas à frente dos olhos, a primeira coisa que lhe pergunta é se trouxe a sua escova de dentes. A partir daí, a narrativa foca-se em monstros, mas também no conflito entre vários heróis que medem forças para provar os seus valores.

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Fonte: devir

As cidades parecem ter sido abandonadas pelos civis, mobilizados para outros lugares; em sentido oposto, na cidade onde Saitama vive, os heróis surgem e competem entre si, de tal forma que os mostros aborrecem-se por não ter a quem aterrorizar e os heróis sentem-se entediados com a facilidade com que os conseguem derrotar, vendo-os mais como um entretenimento e medição de estatuto do que qualquer outra coisa. São os atritos entre os heróis que vêm a povoar as páginas restantes deste livro, sempre com uma toada leve e bem-humorada. A referência a SonGoku arrancou-me um sorriso e o encontro com Sonic um dos mais bem narrados por One até agora.

“Mas quando ele lhe coloca um maço de notas à frente dos olhos, a primeira coisa que lhe pergunta é se trouxe a sua escova de dentes.”

Foram os vários heróis apresentados e os seus génios peculiares o que mais me agradou neste volume. De destacar também o último segmento antes do capítulo final, que gravita à volta do Monstro do Boato e o horror que os boatos sobre ele espalharam à sua volta. Por fim, o flashback de Saitama, com que todos os volumes são concluídos, mostra a destreza e o grau de badass que o personagem foi adquirindo durante o seu crescimento, que é sempre digno de nota.

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Fonte: devir

Gostei bastante da secção inicial, passada nas provas, e acho que a interação entre Saitama e Genos acaba por ser o melhor da série. É impossível não gostar da teimosia que tanto um como o outro revelam na defesa das suas ideias, da crença exacerbada de Genos e da descrença generalizada de Saitama. Genos espera ansiosamente por ser ensinado pelo herói careca, e o seu professor não sabe como explicar-lhe que não tem nada para lhe ensinar, que tudo o que sabe deve-o, puro e simplesmente, ao treino. Nada mais do que isso. Mas, ao fim e ao cabo, talvez tanto um como o outro tenham muito, tanto para ensinar como para aprender.

“São os atritos entre os heróis que vêm a povoar as páginas restantes deste livro, sempre com uma toada leve e bem-humorada.”

A arte, pelas mãos de Yusuke Murata, volta a ser digna de nota. O traço a carvão é brilhante em algumas pranchas, o pormenor nunca é descurado e acima de tudo nas cenas de maior carga de velocidade e ação acho o seu trabalho muito bem executado. O contraste entre as cenas de ação e as de humor continua bem definido, adequado a cada situação.

Em jeito de conclusão, resta-me dizer que gostei deste terceiro volume, mas One-Punch Man continua a parecer-me fraquinho para as minhas expectativas. Todo o alarido em torno deste mangá não parece grande razão de ser, quando o compararmos a One Piece, Attack on Titan ou mesmo Dragon Ball. Ainda assim, não deixam de ser um bom entretenimento e continuarei a leitura do mangá, enquanto for publicado por cá.

Avaliação: 6/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

#2 One-Punch Man Vol. 02

#3 One-Punch Man Vol. 03

Resumo Trimestral de Leituras #10

Chegámos ao meio do ano e como tal chegou a hora de proceder a um novo balanço trimestral de leituras. Neste segundo trimestre, o destaque vai para Robin Hobb, não só porque organizei um desafio relativo à autora californiana, mas também porque li três livros dela que andaram perto de ser os melhores deste trimestre. Melhor que Hobb só Patrick Rothfuss. Li as duas partes de O Medo do Homem Sábio, e embora a primeira tenha sido significativamente melhor, a Crónica do Regicida tornou-se uma das minhas sagas preferidas. As minhas leituras nos meses de abril, maio e junho foram:

One-Punch Man #1 – One e Yusuke Murata

O Diário do Meu Pai – Jiro Taniguchi

Poder e Vingança, Império das Tormentas #1 – Jon Skovron

Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi

Presas Fáceis – Miguelanxo Prado

As Águias de Roma Livro V – Enrico Marini

O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1 – Robin Hobb

Como Falar com Raparigas em Festas – Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Dejah Thoris #1 – Frank J. Barbiere e Francesco Manna

A Dança das Andorinhas – Zeina Abirached

O Rei Macaco – Silverio Pisu e Milo Manara

Imperador dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #3 – Mark Lawrence

A Fortaleza da Pérola, Elric #2 – Michael Moorcock

A História de um Rato Mau – Bryan Talbot

Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6 – John Layman e Rob Guillory

Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2 – Robin Hobb

Os Senhores do Norte, Crónicas Saxónicas #3 – Bernard Cornwell

A Louca do Sacré Coeur – Alejandro Jodorowsky e Moebius

A Garagem Hermética – Moebius

Nimona – Noelle Stevenson

O Medo do Homem Sábio Parte 1, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

All is Lost, The Walking Dead #28 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Medo do Homem Sábio Parte 2, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

One-Punch Man #2 – One e Yusuke Murata

Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

Duas Vezes Contado, Harrow County #2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Sangue do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #3 – Robin Hobb

Sem TítuloComecei o segundo trimestre com a leitura de alguma banda-desenhada. Publicado pela Devir, o primeiro volume da edição em mangá de One-Punch Man apresenta um super-herói entediado com a facilidade com que derrota os adversários. A Humanidade é frequentemente atacada por monstros, que parecem não ter fim. No entanto, este herói parece mais preocupado em manter o seu apartamento inviolado. Uma história provocadora, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, que não me fascinou pessoalmente. Depois, li duas novelas gráficas da Levoir, da autoria de Jiro Taniguchi, autor falecido em fevereiro deste ano. Para além de tocante e reflexivo, O Diário do Meu Pai mostra que aquilo que compreendemos nem sempre está próximo da realidade. O outro álbum, Terra de Sonhos, apresenta cinco contos que mesclam a ternura à reflexão. Um casal sem filhos sofre com os últimos dias do seu animal de estimação, e quando ele morre juram não mais adotar nenhum outro. Mas quando uma gata persa, grávida, lhes surge nas vidas, tudo muda.

Sem títuloPoder e Vingança é o primeiro livro de Jon Skovron no registo fantasia adulta, com a marca de qualidade Saída de Emergência. Divertido e cheio de ritmo, o Império das Tormentas é um mundo bem construído que apresenta Esperança Sombria e Ruivo, dois personagens que vêm os seus percursos cruzar-se quando os criminosos que controlam Círculo do Paraíso começam a colaborar com os biomantes, servos místicos do Imperador. A escrita do autor não me convenceu, mas foi uma boa leitura. Piratas e ladrões, coleccionadores de arte e inventores, samurais, mutações humanas e perseguições sem fim. Disfarçado de alegoria, a BD da Levoir Presas Fáceis, da autoria do autor espanhol Miguelanxo Prado, é uma história inquietante sobre os interesses nefastos da banca. A burla é o tema central. Uma série de homicídios de pessoas ligadas à banca e o suicídio de um casal de idosos arrasta a inspetora Olga Tabares para uma investigação que levanta um sério debate moral. Saltei para o livro V da série gráfica As Águias de Roma, que oferece ao leitor um sucedâneo de emoções. Da revelação da paternidade de Tito à denúncia dos planos de Armínio, Enrico Marini desenha com precisão o clima bélico da Roma Antiga e coloca o embate entre Marco e o seu irmão de criação num patamar superior. Excelente álbum das Edições Asa, que prossegue a um ritmo altíssimo.

Sem TítuloComecei a segunda série de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário. O primeiro volume de O Regresso do Assassino mostra-nos o protagonista quinze anos mais velho. O mundo pensa que ele morreu, mas a verdade é que estabeleceu-se como camponês ao lado do seu lobo Olhos-de-Noite e acolheu um jovem órfão chamado Zar. A visita do seu amigo Bobo, agora transformado em Dom Dourado, e a revelação que o príncipe Respeitador desapareceu misteriosamente, colocam de novo Fitz na órbita de Torre do Cervo e das suas intricadas intrigas. Um volume que me fascinou do primeiro ao último momento, melhorando substancialmente em relação à primeira série. Depois de já ter lido o conto, há dois anos atrás, na antologia Coisas Frágeis, foi de bom grado que li a adaptação para BD de Como Falar com Raparigas em Festas. Pelas mãos da dupla brasileira Fábio Moon e Gabriel Bá, esta história de Neil Gaiman sobre dois jovens adolescentes nos anos 70 que, dedicados a fazer sucesso numa festa cheia de raparigas, descobrem que elas não são bem aquilo que pensavam, revelou-se uma lufada de ar-fresco. Divertido e despretensioso, é mais um excelente álbum trazido para o nosso país, desta feita pelas mãos da Bertrand.

Sem títuloCom argumento de Frank J. Barbiere e ilustrações de Francesco Manna, a BD Dejah Thoris é o primeiro volume de uma série da Dynamite Entertainment sobre a princesa de Marte da obra de Edgar Rice Burroughs. Casada com o terráqueo John Carter, Dejah vê-se vítima de um complot dentro do palácio para afastar a sua família do poder, fazendo desaparecer o seu pai e culpando-a por isso. Dejah Thoris é assim obrigada a fugir da cidade e mudar de identidade. Apesar de o argumento ser relativamente bom, foi também previsível e ficou um pouco aquém das expetativas. O mesmo para a arte, que valeu pela cor. Publicada na Colecção Novela Gráfica da Levoir com o jornal Público, A Dança das Andorinhas, da libanesa Zeina Abirached, encanta pela forma inocente e quase cómica com que um grupo de pessoas lida com a guerra. Separados do mundo e refugiados num átrio, os personagens são obrigados a encarar a vida como ela lhes é oferecida. Foi uma BD que não me apaixonou, mas fez-me refletir.

Sem título 2Entrei em maio com a BD O Rei Macaco da Arte de Autor. Com arte de Milo Manara e argumento de Silverio Pisu, trata-se de um mergulho nas tradições orientais. É uma releitura da Jornada para o Oeste, para encontrar o Jovem Macaco em busca da eternidade, com o Imperador de Jade disposto a dificultar-lhe a tarefa. Apesar de ser uma obra de referência, muito bem humorada, a nível de arte já vi melhor de Manara, o que se compreende uma vez que este foi um dos seus primeiros trabalhos. O terceiro e último volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, publicado pela TopSeller, Imperador dos Espinhos veio cimentar a minha opinião sobre a obra. O autor convence com a escrita, mas a história continuou confusa, sem uma proposta clara ou um plot bem definido. Um livro mediano, numa trilogia mediana. A Fortaleza da Pérola, de Michael Moorcock, mostra-nos Elric na cidade de Quarzhasaat, onde é chantageado por um nobre local a dar-lhe uma pérola desaparecida no deserto em troca de um antídoto para a droga que lhe haviam dado. Elric inicia assim uma viagem pelo deserto que o levará a Varadia, uma menina que ficou em estado comatoso desde que viu a sua integridade violentada. Mais uma excelente leitura, como Moorcock já nos habituou.

Sem títuloBaseado na história de vida da autora de livros infantis Beatrix Potter, o autor Bryan Talbot escreveu e desenhou uma BD tocante e metafórica sobre uma jovem que, vítima dos maus tratos dos pais e sentindo-se culpada pelos abusos sexuais que sofreu, acaba nas ruas de Londres, a sobreviver como sem-abrigo. A História de Um Rato Mau foi uma leitura reflexiva, que não me agradou no seu todo pelo peso que tomou, em certo ponto. Das novelas gráficas da Levoir passei para os grandes lançamentos da G Floy. Bolos Janados é mais uma aventura do detective mais louco da BD, Tony Chu, desta feita protagonizada pela sua irmã-gémea, Antonelle. Desde um leilão polémico até a um casamento de final abrupto, passando por uma aliança inusitada entre a NASA, a FDA e a USDA, somos convidados a percorrer uma série de aventuras com a participação sempre especial do galo Poyo. A história não desilude, mantendo-se fresca, colorida, bem-humorada e com muitas, muitas vísceras à mostra. Geniais, John Layman e Rob Guillory mantêm a toada. No seguimento do meu desafio com o apoio da Saída de Emergência li Os Dilemas do Assassino de Robin Hobb. FitzCavalaria continua mais perdido do que nunca, agora que é um homem adulto e tem de lidar com uma série de questões políticas e com a imaturidade dos mais jovens. Este segundo volume tem mais mistérios e alguma magia, relacionada com um rapaz de pele escamada e com a narcheska Eliânia, mas também referências a dragões e a navivivos, que me agradou.

Sem títuloTerceiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, Os Senhores do Norte mostra-nos Uthred a caminho do norte, enraivecido com o Rei Alfredo pela ridícula recompensa que lhe deu depois de tudo o que fez para que vencesse a importante Batalha de Ethandun. Disposto a recuperar a Bebbanburg que o viu nascer, Uthred “tropeça” em Guthred, um dinamarquês convertido ao Cristianismo que pretendia reclamar para si o norte. Mais um magnífico livro cheio de passagens belas e inquietantes, com o selo de qualidade Bernard Cornwell e Saída de Emergência. Escrito por dois dinossauros da BD, Alejandro Jodorowsky e Moebius, A Louca do Sacré Coeur conta a história de um professor de filosofia da Sorbonne, tradicionalmente vestido de lilás que, assediado por uma das suas alunas, sucumbe à tradicional crise de meia-idade e vê-se arrastado para uma parafernália de rituais bizarros que mesclam o religioso e o misticismo a práticas sexuais completamente lunáticas. Um livro que me agradou nas ideias e no desenho, mas que achei um pouco mal executado, ou pelo menos sem brilho. Outra grande obra de Moebius pelas mãos da Levoir, A Garagem Hermética é uma história confusa de ficção científica que gira à volta do Major Grubert. O misterioso personagem concebe um asteróide que cabe no seu bolso através de treze geradores. Porém, no interior desse corpo existem três mundos e vida, possivelmente tão real como a nossa. Mas quem será este enigmático Major Grubert? Gostei imenso, mesmo não percebendo muito da história.

Sem TítuloO mês de junho começou com Nimona, da norte-americana Noelle Stevenson, que marca o regresso da Saída de Emergência à publicação de BD’s. Nasceu como um trabalho universitário da autora, mas foi como webcomic que alcançou o sucesso e transformou autora e personagem em celebridades. Dona de um traço único e de um humor aguçado, Stevenson aborda temas como a amizade, a falsidade, o controlo dos media pelas forças de poder e a homossexualidade, de forma simples e divertida, num mundo marcadamente medieval com televisões, computadores e tecnologias futuristas. Em senda de leituras maravilhosas, seguiu-se o segundo volume da Crónica do Regicida (Parte 1 e Parte 2), publicado em português pela ASA/1001 Mundos. O Medo do Homem Sábio traz-nos de volta ao mundo escrito por Patrick Rothfuss. Depois de sobreviver às artimanhas de Ambrose, Kvothe sobrevive na Universidade, pagando as “propinas” com a música que faz em Imre, a cidade vizinha, e com os empréstimos que forja com Devi, a lendária ex-aluna da Universidade. É quando uma acusação antiga lhe bate à porta que surge a oportunidade de arranjar um mecenas, o que o leva para longe, para a distinta Vintas. Enquanto a primeira parte foi, muito possivelmente, dos melhores livros que já li na vida, o segundo perdeu bastante em comparação, ainda que a escrita do autor continue como uma das maravilhas da série.

Sem títuloMais um brilhante volume da BD The Walking Dead, All is Lost prossegue na rota de sucesso do argumentista Robert Kirkman, com a arte sempre consensual de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano. Hilltop caiu e uma legião de walkers foi canalizada pelos Sussurradores em direção a Alexandria. Negan e Rick defendem a comunidade, mas os portões caem e Rick vê no seu antigo adversário um amigo improvável, o único que consegue ajudá-lo quando tudo parece desmoronar-se à sua volta. Mais um volume excelente e uma morte impactante com repercussões no futuro das BD’s. Li também o segundo volume do mangá One-Punch Man de One e Yusuke Murata, com quem tinha iniciado o trimestre. Uma série de apontamentos divertidos fazem-me olhar com agrado para este álbum, cuja proposta ou mesmo linha narrativa não oferecem nada de original ou interessante. E regressei a Robert Kirkman. Depois de ter lido o primeiro volume no início do ano, eis que chegou às bancas o segundo álbum de Outcast, Uma Ruína Sem Fim, com argumento do autor de The Walking Dead e ilustrações de Paul Azaceta. Argumento e arte casam na perfeição numa história sobre possessões que começa a dar maiores sinais de interesse, e com os mistérios a adensarem-se. Apesar de a história parecer demorar a avançar, notam-se os laivos de genialidade que atiraram Kirkman para as bocas do mundo.

Sem título 2Tal como o álbum de Outcast, Duas Vezes Contado foi um dos mais recentes lançamentos da G Floy no nosso país, lançado no Festival de BD de Beja. O segundo volume da BD de horror Harrow County, com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, revela um maior amadurecimento por parte do artista, ainda que o argumento não me tenha agradado por aí além. À medida que a protagonista Emmy vem aprendendo a lidar com os seus poderes e com as criaturas sobrenaturais que habitam Harrow County, tem também de proteger a povoação de um novo inimigo: a própria irmã gémea, Kammi. E terminei o trimestre com o terceiro volume da Saga O Regresso do Assassino. Em Sangue do Assassino, Robin Hobb volta a não desiludir. Vemos o protagonista FitzCavalaria arrastado para uma chuva de situações inusitadas, desde a ganância pela magia do seu velho mentor, à preocupação com os filhos, rumores de homossexualidade e principalmente a ameaça dos pigarços à sua integridade e à da família real. A obra, porém, oferece muito mais do que isso. Oferece pessoas reais, com defeitos e virtudes, e problemas que podiam ser partilhados por qualquer um de nós. Uma história enriquecedora.

Neste momento, estou a ler o livro Monge Guerreiro do autor brasileiro Romulo Felippe, e deverei continuar com as BD’s Southern Bastards, Velvet, Monstress e mais alguns livrinhos. Entre os nomes que pretendo ler nos meses de verão estão Ursula K. Le Guin e Joe Abercrombie, mas irei também concluir a Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb.

Estive a Ler: One-Punch Man #2

Aconselhamos que se afastem de imediato do local caso encontrem uma pessoa careca na rua.

O texto seguinte pode conter spoilers do segundo volume da série One-Punch Man (Formato BD)

Foi cerca de dois meses após a publicação do primeiro volume, que a Devir lançou o segundo álbum de One-Punch Man, o mangá que relata a história de um herói que derrota os maiores monstros com um único murro. A publicação foi iniciada pelo argumentista One em 2009, através de uma webcomic. Em junho de 2012 a série tinha mais de 10 milhões de visualizações.

One, conhecido pelo trabalho em One-Punch Man, é também autor de Mob Psycho 100 e Makai no Ossan, enquanto Yusuke Murata, o ilustrador, notabilizou-se em Eyeshield 21, ao vencer o 122º Prémio Hop Step com o livro Partner, de 1995. Três anos depois alcançou o segundo lugar na corrida ao prémio, com Samui Hanashi.

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Prancha Devir

Um herói normal

O segundo volume começa com Saitama e o seu discípulo, o ciborgue Genos, na pegada do criador deste. O cientista criou um exército de ciborgues concebidos à sua imagem e semelhança, mas uma ou outra criatura não saiu bem executada, tornando-se aberrações. Saitama pensa enfrentar os seus novos inimigos com a facilidade que lhe é habitual, mas derrubar facilmente todo o edifício onde o cientista se havia sediado não resolveu o problema. É que o sujeito se escondeu num bunker subterrâneo.

É lá que convoca a aberração que ali se esconde para enfrentar o adversário que se avizinha. Saitama e o monstro medem forças e não só os inimigos como o próprio Genos ficam incrédulos quando ele revela que todo o seu poder se deve a mero treino. Um treino de três anos que se baseou em: 100 flexões, 100 abdominais, 100 agachamentos e 10 quilómetros de corrida. No entanto, Genos alerta-o para um problema: ele não está registado como super-herói.

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Prancha Devir

Vilões preguiçosos

Após o encontro com o cientista – que tencionava encontrar o soldado perfeito através dos seus clones ciborgues -, Saitama regressa à sua vida normal quando é surpreendido nos noticiários de que a cidade foi atacada por um grupo de vilões carecas que tencionavam reinvindicar o direito a não trabalhar diante da casa do homem mais rico da cidade. Saitama não teria ficado muito preocupado com isso, se os homens não tivessem a sua aparência. Confundido com um membro desse grupo, o herói não perde tempo em intervir.

Uma série de mal-entendidos levam Saitama a enfrentar esse bando de preguiçosos. O álbum termina, tal como aconteceu no primeiro volume, com um flashback do passado de Saitama. Ele mostra os tempos de estudante do protagonista, os treinos contínuos e os primeiros adversários que conheceu até se tornar finalmente no herói que a história apresenta.

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Capa Devir
SINOPSE:

Saitama conhece Genos – um ciborgue que quer descobrir o segredo atrás dos seus superpoderes e a sua vida desinteressante muda drasticamente! 

OPINIÃO:

O primeiro volume de One-Punch Man não me convenceu por aí além, apresentando um herói tipicamente invencível e uma série de antagonistas fracos – para além de um humor tão rebuscado que sempre me parecia forçado. Este segundo álbum, porém, melhorou em alguns aspetos. Saitama continuou a sua rota frívola de enfrentar monstros com uma grande leviandade e até tédio, pela falta de desafio que eles revelaram, mas de uma maneira ou de outra acabou por se desenvolver melhor como personagem do que havia sido feito no primeiro livro.

Boa aposta da Devir, a obra de One e Yusuke Murata alia um desenho cativante a uma narrativa episódica com bons momentos. Sem muitas falas, Saitama é carismático e ousado, e os personagens coadjuvantes contribuem em muito para lhe dar todo o protagonismo, pela importância que dão aos seus feitos. O melhor deste volume foi, mais do que a narrativa em si, os picos em que a fórmula funcionou.

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Prancha Devir

Estou a referir-me, mais concretamente, ao humor utilizado. Grande parte da minha pontuação deve-se às saídas cómicas dos personagens, que me fizeram achar uma leitura que valesse a pena. Irónico e divertido, o álbum foi permeado de cenas hilariantes ao longo das suas páginas.

O que menos funcionou, para mim, foi a narrativa em si. Os episódios trazem o tradicional embate herói contra monstro que a cultura japonesa (e não só) já nos habituou, tentando sem sucesso reverter o shounen cliché. Saitama é um personagem engraçado e convence o leitor pela sua invencibilidade, mas todos os encontros parecem repetições uns dos outros, e só o carácter subversivo do argumento consegue fazê-los interessantes. Não há um rumo para o herói. Não há um objetivo. Tudo é vago e muito igual. É uma leitura bem agradável, mas não prende nem motiva por aí além.

Avaliação: 7/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

#2 One-Punch Man Vol. 02

#3 One-Punch Man Vol. 03

 

 

One-Punch Man #1

Raaaiooos! Mais uma luta que acabou com um único golpe.

O texto seguinte pode conter spoilers do primeiro volume da série One-Punch Man (Formato BD)

One-Punch Man é a mais recente coqueluche da Devir no nosso país. Depois de um início auspicioso em 2009, como webcomic, One-Punch Man tornou-se rapidamente um mangá de culto, com adaptação para anime.

Argumentista de Makai no Ossan e Mob Psycho 100, One é o pseudónimo do autor, cuja publicação de One-Punch Man no mundo virtual catapultou-o para o sucesso. Em meados de 2012, a série tinha já mais de dez milhões de visualizações. Dois anos depois, começou a sair em livro. A arte é responsabilidade de Yusuke Murata, famoso pela sua participação em Eyeshield 21. Alcançou o 122º Prémio Hop Step com Partner no ano de 1995 e ficou em segundo lugar com Samui Hanashi, em 1998.

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Capa Devir

Um herói entediado

Somos apresentados a um super-herói com pouco de tradicional. Saitama é um herói por mero desporto. Ele treinou de forma tão intensa e dedicada que ficou super-poderoso. Pelo caminho, perdeu o cabelo. Estamos num mundo futurista, em que monstros de todos os tipos surgiram, destruindo a humanidade povoação atrás de povoação. Foi para os deter que Saitama se treinou, depois de sofrer na pele uma juventude marcada pela violência dos mais velhos (onde travou um primeiro embate com um porquinho-mealheiro gigante) e de se tornar um jovem recém-desempregado, quando salvou um rapaz de queixo protuberante de ser morto por um homem caranguejo.

Saitama habituou-se a resolver com facilidade qualquer despique, trajando um fato amarelo. E essa facilidade tornou-o misantropo. Se, por um lado, ele tornou-se herói para salvar os mais fracos e oprimidos, por outro, os inimigos não pararam de aparecer. Para sua infelicidade, Saitama ficou tão forte que é capaz de derrotar os inimigos com um só murro. Mas isso não lhe traz felicidade. É que por muitos que mate, eles parecem nascer de todos os cantos, impedindo-o de viver com harmonia a sua vida naquele mundo macerado pelo terror.

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Prancha Devir

Uma invasão de mosquitos

A povoação onde vive Saitama, assim como as cidades adjacentes, são violentadas frequentemente por esses ataques de monstros vis de características singulares. Para Saitama, salvar os locais é um divertimento, e salvar o seu quarto, uma necessidade basilar. A sua vida muda, porém, quando uma grande invasão de mosquitos aproxima-se da cidade, atacando todos no seu caminho, mesmo os mais temerosos.

É quando Saitama se decide a enfrentar esse obstáculo que cruza-se com Genos, um jovem rapaz de dezanove anos cheio de estilo e conhecimentos de defesa. Rapidamente Saitama percebe que Genos é um ciborgue, após um terrível incidente que obrigou um cientista a reabilitá-lo através da robótica. Genos vê em Saitama uma inspiração, numa substituição simbólica do homem que lhe salvou a vida. Dessa forma, Saitama aceita formar uma dupla com ele, ainda que não aceite bem ser visto como um professor.

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Prancha Devir
SINOPSE:

Um herói que derrota monstros incríveis com um só murro? Acreditam mesmo que isto é um mangá de lutas infindáveis?
Mesmo quando se pode resolver tudo com um soco, restam tantos outros problemas na vida.

Um fantástico mangá, que começou na internet, sobre um personagem banal, que não quer ser super-herói – a sua força desmesurada é para ele uma fonte de problemas pois não tendo adversários à altura aborrece-se e os combates não o estimulam.

Uma história plena de ironia e reflexão sobre a nossa sociedade atual e os limites práticos do uso da violência.

OPINIÃO:

Depois de ter assistido, o ano passado, ao primeiro episódio do anime desenvolvido da webcomic One-Punch Man, foi com um misto de apreensão e interesse que me aventurei pelo mangá. O argumento de One, um dos autores mais provocadores da nova geração mangá, desconstruiu o estereotipo shounen, marca indelével da cultura japonesa que nos apresenta um protagonista em busca das suas capacidades, e brincou com o conceito de super-herói na criação de Saitama.

A fuga ao cliché não se revelou evidente neste primeiro volume. De facto, somos apresentados a um protagonista divertido com maior interesse em manter intacto o seu quarto do que salvar a Humanidade, embora também o faça de uma forma algo casual. Saitama é, ainda assim, um personagem e tanto, à volta do qual a ação acontece, sempre na forma de ataques de monstros. 

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Prancha Devir

Para quem segue o anime, percebe que as cenas são idênticas, passadas a papel-químico, com um início um pouco repetitivo. Desde a forma como somos confrontados com um herói frustrado, a curiosidade em redor de como ele se tornou aquilo que é e os motivos que o norteiam. A grande virtude de One no argumento é o objetivo – ou falta dele – por parte do protagonista, e a forma como ele o humaniza. Saitama revela-se uma pessoa comum, com os seus defeitos e qualidades, com um quotidiano estabelecido e uma vida bastante comum. De resto, achei que a narrativa melhorou bastante com a aparição de Genos, apresentando um paradigma de vida e de vontades com alguns toques de humor.

Se a narração divertiu q. b., a ilustração não perde em comparação. O desenho de Murata conquista pela irreverência, com uma panóplia de detalhes em cenas de ação, onde o protagonista adquire uma expressão badass, e uma simplicidade de traços suaves e até caricaturais nas cenas mais passivas e de alívio cómico. 

Avaliação: 6/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

#2 One-Punch Man Vol. 02

#3 One-Punch Man Vol. 03

Dallas, Umbrella Academy #2

Deixa-te de mariquices e limpa o sebo àqueles dois filhos de uma égua.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Dallas”, segundo volume da série Umbrella Academy (Formato BD)

Depois de o primeiro volume de Umbrella Academy levar o Prémio Eisner e Harvey em 2008, Gerard Way (vocalista da extinta banda My Chemical Romance) e o ilustrador brasileiro Gabriel Bá voltaram a juntar-se para conceber uma nova aventura, completamente bizarra e surreal.

O segundo volume leva os super-heróis da Umbrella Academy às profundezas dos Estados Unidos da América, numa sequência de volte-faces e viagens no tempo. Animais falantes, vampiros e extraterrestres fazem parte deste mundo paralelo, tão parecido com o nosso. Extravagantes, complexos e divertidos, os filhos adoptivos de Reginald Hargreeves voltam a surpreender.

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Prancha de Dallas (Devir)

A “família” está fraturada após o final do primeiro volume, que terminou com a morte de Dr. Pogo, o chimpanzé falante. Violino Branco (que desempenhara o papel de vilã no primeiro livro) está acamada e sem memória. Rumor perdeu a sua arma, a voz. Seance tornou-se vítima do vedetismo. SpaceBoy caiu numa depressão, passando os dias a ver televisão e a engordar. Número 5 está desaparecido. Apenas Kraken se mantém em forma, colaborando com as autoridades na luta contra o crime, mas altamente paranóico. Há ainda a figura que chamam de Mãe, que não é mais que uma boneca com vida.

É em Número 5 que este volume incide. A sua versão original (antes de ficar preso num corpo de dez anos) foi alvo de experiências científicas, agregando o ADN dos maiores assassinos. Viajando pelo tempo e lidando com Carmichael, um peixe numa cabeça de aquário sobre um corpo robótico, mas também com um par de psicopatas apaixonados por açúcar, Hazel e Cha-Cha, Número 5 vai tentar impedir que o seu outro eu cometa um dos homicídios mais famosos da História: o assassinato de John F. Kennedy.

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Carmichael (Dark Horse)

Para isso, vai precisar fugir às perseguições de que é alvo e tentar unir os seus “irmãos”. Rumor é alvo de um ultimato. Seance é morto, mas depara-se com um Deus cowboy, que o manda de volta. SpaceBoy continua deprimido, mas arrasta-se atrás de Kraken, mesmo no Vietname, onde terão de lidar com vampiros vietnamitas. No fim, os irmãos acabam por se unir, sendo diretamente responsáveis pelo atentado que vitimou John F. Kennedy.

Nas sombras, Reginald Hargreeves aparece como um marionetista que não consegue mais controlar aquilo que criou. O livro inclui ainda esboços de alguns personagens e a pequena banda-desenhada Qualquer Lugar Longe Daqui, onde Violino Branco, que estivera adormecida durante todo o volume, finalmente ressurge. A relação entre ela e os seus irmãos de criação é explorada ao longo do pequeno folhetim.

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Capa Devir
SINOPSE:

Após a morte de Pogo, o estimado mentor da Umbrella Academy, o grupo perdeu o ânimo. Todos estão absortos em problemas pessoais muito reais. A Violino Branco está acamada graças a um trágico tiro na cabeça. A Rumor perdeu a voz – a fonte do seu poder. Spaceboy comeu até entrar em estado catatónico… Dallas, a segunda aventura da série Umbrella Academy, é uma epopeia cheia de ação que irá transformar a História numa viagem através do tempo, do Espaço e do Vietname, culminando no assassinato de JFK. Este volume inclui a história “Qualquer Lugar Longe Daqui”, com os irmãos Vanya e Kraken, e um caderno de esboços com arte de Gerard Way e Gabriel Bá. Criado e escrito por Gerard Way, com a arte de Gabriel Bá. Série campeã de vendas do New York Times e vencedora dos prémios Eisner e Harvey de 2008.

OPINIÃO:

Tortas, cowboys e chimpanzés vestidos de Marilyn Monroe. O segundo volume de Umbrella Academy, Dallas, é um hino ao absurdo. Se depois de Suíte do Apocalipse achei difícil que a dupla Gerard Way e Gabriel Bá me voltasse a surpreender, estava enganado. Conseguiram criar um volume cheio de perseguições e viagens no tempo, intenções dúbias e atos dissimulados, e ao mesmo tempo presentear-nos com um um rol de piadas sucessivas. O humor é, cada vez mais, o segredo de sucesso das bandas-desenhadas.

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Prancha de Dallas (Devir)

É difícil apontar quais são os vilões e os heróis nesta carismática série. Todos têm as suas fraquezas e maldades, mesmo quando pensam estar a salvar o mundo. É isso que enriquece a trama e os personagens, as várias camadas de subtilezas que nos podem trazer mais pormenores sobre cada um. Subversivo e espirituoso, Dallas é uma sátira ao olhar que o mundo tem sobre os EUA, aos seus ídolos e maldições, mas também aos seus heróis e vilões. É, acima de tudo, uma sátira aos estereótipos.

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Número 5 (Dark Horse)

Gerard Way prova que não é um mero músico, mas também um argumentista de fôlego. O desenho de Gabriel Bá, virtuoso e expressivo, é outro dos maiores motivos do sucesso. As pranchas são equilibradas e bem definidas, as vinhetas marcantes e os balões espaçados, e acima de tudo o traço é vivo. A arte final de cores diversas imprime uma sensação de movimento, que coroa o bolo com sucesso.

Resta esperar que a dupla volte a publicar mais aventuras desta Umbrella Academy, uma vez que o terceiro volume ainda não tem previsão de lançamento. Uma série que recomendo a todos os que gostem de humor, ação e bizarrices.

Avaliação: 7/10

Umbrella Academy (Devir):

#1 Suíte do Apocalipse

#2 Dallas

Suíte do Apocalipse, Umbrella Academy #1

Lá se vão os meus sapatos.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Suíte do Apocalipse”, primeiro volume da série Umbrella Academy (Formato BD)

Umbrella Academy é uma série de banda-desenhada norte-americana de grande sucesso, que foi lançada no final do ano passado no nosso país, pelas mãos da Devir. Gerard Way, vocalista do grupo musical My Chemical Romance, estreia-se como argumentista no género. O brasileiro Gabriel Bá é o ilustrador. Juntos são os responsáveis por esta série extrovertida de super-heróis que nada têm de convencional. Em 2008, recebeu o Prémio Eisner de melhor série limitada.

Suíte do Apocalipse, o volume inaugural, inclui os primeiros seis números do arco de história inicial, os primeiros esquissos dos personagens principais e pequenas sequências de outras obrasWay apresenta-nos personagens com tanto de inverosímil como excêntrico, um cientista extraterrestre, chimpanzés falantes, uma Torre Eiffel louca e uma série de super-heróis manietados pelos laços familiares.

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Os irmãos reencontram-se para um funeral (Dark Horse)

Tudo começa quando nascem quarenta e três crianças do ventre de mulheres que não haviam demonstrado qualquer sintoma de gravidez, crianças que logo são abandonadas. É assim que Sir Reginald Hargreeves, mais conhecido como O Monóculo, famigerado cientista, recolhe sete delas e encarrega-se da sua educação. O objetivo, no entanto, é estudar a sua peculiaridade e depressa descobre que elas têm poderes especiais. É assim que nasce a Umbrella Academy, sete crianças diferentes, criadas sobre a batuta de um homem das ciências.

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Number 5 (FIMFiction)

SpaceBoy tem uma cabeça implantada no corpo de um gorila gigante, Kraken revela talento para o manuseamento de facas, Rumor altera a realidade sempre que conta uma mentira, Séance é medium e telecinético, Número 5 pode viajar no tempo e Horror possui monstros debaixo da pele. No entanto, se seis dos personagens são sobredotados, Vanya não é como os “irmãos”. A menina não apresenta nenhum dom especial, o que a torna, de algum modo, discriminada pelo preletor. Reginald ganha aversão à filha pela falta de talentos, mas também pela forma como ela inveja os “irmãos”. As primeiras pranchas mostram a educação dos jovens talentosos e como os primeiros laços são forjados.

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Prancha Umbrella Academy (Dark Horse)

Dá-se um salto temporal e vemos os personagens já adultos, excepto o Número 5, que ficou preso no tempo e por isso mantém o corpo de dez anos. Cada um seguiu o seu rumo, com um dos irmãos já morto. É a morte de Reginald que os volta a unir. Todos comparecem ao funeral, excepto Vanya, que ninguém sabe onde está. Enquanto os irmãos de criação se vêem envolvidos numa sequência de aventuras destinada a parar o fim-do-mundo, descobrem que nem tudo o que parece é. Vanya, aliciada por uma orquestra muito pouco ortodoxa, descobre que afinal também tem um talento invulgar e é usada como arma para a destruição do mundo. De cada vez que toca violino numa determinada escala, tudo à sua volta é destruído como se uma bomba atómica fosse ativada. Assim sendo, só os seus irmãos de criação a podem parar.

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Capa Devir
SINOPSE:
Durante um acontecimento inexplicável, quarenta e três crianças foram geradas espontaneamente por mulheres que não apresentavam sinais de gravidez.
Sete dessas crianças foram adotadas por Sir Reginald Hargreeves e formaram a Umbrella Academy, uma família disfuncional de super-heróis com poderes bizarros. Na sua primeira aventura, essas crianças enfrentam uma Torre Eiffel enlouquecida. Quase uma década depois, a equipa separa-se, mas estes irmãos, desiludidos, reúnem-se a tempo de salvar o mundo outra vez.
OPINIÃO:

Suíte do Apocalipse, de Gerard Way e Gabriel Ba, é uma promissora história de super-heróis com forte componente familiar. O absurdo e o cómico andam de mãos dadas, os personagens não seguem grandes arquétipos e a narrativa é bem-conseguida, com linguagem adulta e credível camuflada pela imagem infantil e pela bizarrice da composição.

Aqui somos convidados a conhecer Hargreeves, um cientista eclético e presunçoso, com poucos dotes educacionais. Conhecemos também os seis super-heróis, estranhos e diferentes, com poucas parecenças aos tradicionais Homem-Aranha, Homem de Ferro ou Wolverine. São estranhos e extravagantes. As relações entre eles são bem exploradas, mas as personalidades, tirando dois ou três, foram pouco desenvolvidas. Aqui os vilões também fogem ao banal. Desta vez, temos uma orquestra sinfónica a querer destruir o mundo, com um propósito indefinido e nenhuma história paralela.

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Kraken, SpaceBoy e White Violin (comicvine)

Se a premissa é muito interessante e os pormenores deliciosos, a história fica por aí. Não existe nada de muito desenvolvido nos personagens ou na narrativa, talvez por ser o volume inaugural (apesar de compreender seis números e corresponder a uma mini-série completa). O livro foca-se na apresentação dos personagens; numa primeira fase acompanha a sua educação, numa sequência rápida de acontecimentos muito vagos que agradou-me pela leveza com que foram desvendados, e depois revelando pouco a pouco como as relações se encontravam passados dez anos, descortinando ligeiramente as suas personalidades e relacionamentos.

A atmosfera negra, acompanhada por uma toada leve e divertida, conciliou bem com a arte de Gabriel Bá. O traço leve e definido transmitiu a ideia com cor e vitalidade, primando pela imagem de movimento e extravagância produzida pelo absurdo em que estes heróis vivem. Bá deu uma casa à ideia de Way, com a preciosa ajuda de Dave Stewart, responsável pelas cores. Uma ideia bem concebida que soube-me a pouco, embora tenha gostado da forma como foi contada, do tom divertido e do ritmo constante.

Avaliação: 7/10

Umbrella Academy (Devir):

#1 Suíte do Apocalipse

#2 Dallas

A Cidade do Pecado, Sin City #1

Eu estou diante de uma deusa. Ela diz que me quer. E ela fala como se quisesse mesmo. Não vou perder nem mais um segundo a perguntar-me como foi que eu me tornei um tipo tão sortudo. Ela tem o perfume que os anjos devem ter.
O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “A CIDADE DO PECADO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE SIN CITY (FORMATO BD)

A Cidade do Pecado é o primeiro volume da famosa série de bandas-desenhadas Sin City, levada para os grandes ecrãs pelas mãos de Robert Rodriguez, Quentin Tarantino e o próprio autor das bd’s, Frank Miller. Publicada originalmente em 1991 em pequenos números da revista Dark Horse PresentsSin City ganhou rapidamente um lugar de destaque no mundo dos quadradinhos, não só porque o seu criador era Frank Miller – responsável por recuperar as tramas do Demolidor e Batman – como também pela sua própria identidade. Sin City alia um clima noir a uma narração tensa e adulta, onde a violência e a desgraça dos personagens ganham o protagonismo. Em Portugal foi publicado pela Devir.

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Marv (Devir)

Basin City, mais conhecida como Sin City, é literalmente a cidade do pecado, onde a corrupção, o estupro e a prostituição fazem parte do dia-a-dia dos seus protagonistas. Esta primeira história fala-nos de Marv, um sujeito feio e fracassado, que se vê, sem saber como, nos braços de uma mulher linda e exuberante: Goldie. Na manhã seguinte, ao acordar, essa mulher está morta. Marv depressa percebe que alguém o quis incriminar, e usa-se de todo o seu instinto de sobrevivência para pôr as mãos no assassino.

Sem confiar na polícia, Marv apenas pode contar com Lucille, uma bela advogada a quem recorre por momentos. Mas também ela cai nas mãos de uma dupla de assassinos, com evidentes tendências canibais. Marv  obtém o apoio das prostitutas da cidade velha, onde se encontra a irmã-gémea da sua musa assassinada, que mais tarde lhe oferece o seu conforto lascivo, deixando-o chamá-la por Goldie, depois do herói alcançar a sua justiça e antes de ser executado por ela.

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Capa Devir
SINOPSE:

O primeiro volume de Sin City começa com um crime. Marv, feio e bruto como é, não tem muita sorte com as mulheres e quando matam Goldie, a deusa com quem passou uma noite de sonho, decide descobrir o que se passou, fazendo justiça pelas suas próprias mãos.

OPINIÃO:

Este primeiro volume de Sin City obedeceu às minhas elevadas expectativas. Um discurso derrotista, falas e pensamentos épicos, cenas de ação credíveis e um profundo respeito ao estilo noir, rescendendo à podridão dos sistemas. A nível narrativo, Sin City transmite tanto quanto as imagens: sensações, cheiros e desgraças são apresentados de uma forma fortemente visual. A história de Marv é um hino ao perdedor nato, com pequenos vislumbres de glória numa envolvente enegrecida.

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Marv (Devir)

As pranchas revelam por si só uma história, sem que seja necessária descrição, que apenas vem complementar de forma genial cada momento representado. Os seus quadrados pretos e brancos, sem cinzentos, apenas são coloridos em motivos de destaque (como roupas ou batons com influência para a trama), e transmitem a dureza das vidas que desfilam por cada capítulo, de uma forma bastante eloquente. De resto, a densidade das imagens confunde-se com a densidade das tramas, numa composição convincente que recomendo a quem gostar de histórias brutais, carregadas de desgraça. A linguagem é bastante adulta e introspetiva, que pessoalmente me agradou imenso.

Avaliação: 8/10

Sin City (Devir):

#1 A Cidade do Pecado

#2 Mulher Fatal

#3 Aquele Sacana Amarelo

#4 A Grande Matança

#5 Valores Familiares

#6 Copos, Balas e Gajas

#7 Inferno, Ida e Volta

Viver Entre Eles, The Walking Dead #12

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Viver Entre Eles”, décimo segundo volume da série The Walking Dead (Formato BD)

Com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn e Charlie Adlard, The Walking Dead regressa para o décimo segundo volume, que compreende os números 67 ao 72.

Após a morte de Dale, o grupo regressa à estrada, levando consigo o padre Gabriel, em busca de provisões. Rapidamente a fome torna-se um grande obstáculo à sua sobrevivência, e algumas estradas são intrasitáveis graças aos aglomerados de mortos-vivos. No caminho, Rick descobre que o aparelho com que Eugene se comunicava com Washington não tem pilhas, e o cientista é obrigado a admitir que a sua história sobre a investigação da cura para o vírus foi uma mentira que inventou para que o protegessem. Abraham fica furioso e descarrega nele toda a sua violência.

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Aaron (Image Comics)

Ainda a digerir a notícia, o grupo dá de caras com Aaron, um simpático sujeito que se diz recrutador de uma comunidade segura. Mantêm-no sobre interrogatório durante algum tempo, mas com a fome e a falta de segurança a torturá-los, não têm muitas hipóteses. Com Aaron e o seu namorado Eric, o grupo enfrenta algumas adversidades mas finalmente chegam à cidade fortificada de Alexandria, onde são muito bem recebidos por Douglas Monroe, um antigo político que lidera a comunidade. A cada um dos novos membros é-lhes dada uma função, e apesar de perceberem, pouco a pouco, que podem confiar naquelas pessoas, tudo ainda é muito estranho para o grupo de Rick.

Capa Devir
SINOPSE:

O grupo de Rick trava conhecimento com Aaron, que os apresenta a uma comunidade de sobreviventes, presidida por um homem chamado Douglas Monroe. A receção ao grupo é uma agradável surpresa, por contraste ao modo de vida que têm levado até agora. Mas Rick suspeita que nem tudo é como aparenta ser.

OPINIÃO:

Um novo volume, novas surpresas. The Walking Dead não pára de surpreender e esta edição traz ao grupo um oásis no deserto árido em que têm vivido. Apesar do início desolador que tem início após a morte de Dale, com a confissão de Carl ao seu pai sobre a morte de Billy e a revelação das mentiras de Eugene, as esperanças do grupo vão-se renovando com a aparição de Aaron e a consequente chegada a Alexandria. Pessoalmente, foi um volume que não me agradou, comparativamente aos anteriores, talvez pela falta de emoção ou por não me surpreender.

A nível narrativo, só tenho elogios a tecer. As dúvidas, as incertezas, as inquietações, a aceitação daquilo que o mundo em que vivem os tornou, personagens muito bem desenvolvidos como Carl, Rick e Abraham, tornam esta série um caso sério de credibilidade numa envolvente fantasista como é um apocalipse zombie. E depois da crueldade pela qual passaram, os receios em voltar a confiar, a incapacidade de se ambientarem e de acharem normal uma vida pacífica, é mais do que natural. Kirkman consegue fazê-lo com mestria.

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Douglas Monroe (Image Comics)

Este volume abarca grande parte dos acontecimentos adaptados para a tv na segunda metade da quinta temporada, com grande semelhança. Porém, aqui somos apresentados a um líder muito mais empático e cordial – Douglas Monroe – que, para além de acreditar em Rick e esconder um estranho incidente do passado na comunidade, tenta seduzir Andrea, sem sucesso.

Também a personagem Michonne é aqui uma grande aliada de Rick Grimes, mas não se consegue ambientar às trivialidades da comunidade. Depois de já ter manifestado o interesse em Morgan, no volume anterior, ela aqui não perde tempo em aproximar-se dele. Denota-se uma grande carência afetiva na personagem, pela forma rápida com que seduziu inicialmente Tyreese, e atualmente Morgan, o que me leva a especular que talvez veja neles algo do namorado que perdeu antes da sua aparição. É uma edição mais calma e que sugere tempos de bonança, apesar do final curioso que deixou claro que Rick pode ser, na verdade, o maior perigo para aquela comunidade.

Avaliação: 6/10

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

Temam os Caçadores, The Walking Dead #11

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Temam os Caçadores”, décimo-primeiro volume da série The Walking Dead (Formato BD)

As edições 61 à 66 da BD The Walking Dead compõem o décimo primeiro volume da saga escrita por Robert Kirkman e ilustrada por Charlie Adlard.

Após os acontecimentos da prisão, Dale ambicionava fixar-se algures, com Andrea e os gémeos que acolheram como filhos. Enfim, ter uma vida pacata e passar assim o resto dos seus dias. Mas primeiro veio Rick, sempre carregando consigo a morte, depois Abraham, Eugene e Rosita, que os levaram da quinta, e agora, quando finalmente parecia ter convencido Andrea que a estrada não era lugar para eles, perde os meninos.

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Rick e Abraham a ser vigiados pelos Caçadores (Image Comics)

Durante um ataque de walkers, Dale é ferido, mas oculta o facto para não preocupar Andrea. À noite, no entanto, procura nas sombras do bosque o seu fim, e é aí que lhe põem as mãos em cima. O grupo está a ser vigiado, e depressa se dão conta disso. Refugiados na igreja do Padre Gabriel, percebem que o homem está mesmo sozinho, e em desespero conta que ficou ali fechado, negando a entrada a pobres mulheres e crianças que procuravam na igreja uma fuga aos walkers.

Num parque escondido no bosque, Dale acorda, para perceber que foi capturado por um grupo de canibais, que estão a comer a sua perna. O que eles não sabiam, era que ele já procurava a sua morte ao entrar naquele bosque, uma vez que estava infectado. Enojados, o grupo chamado de Caçadores liberta o corpo de Dale à porta da igreja, moribundo e sem pernas. O que esse grupo não estava à espera, era da vingança que Rick Grimes preparou para eles.

Capa Devir
SINOPSE:

Durante a viagem até D.C., Rick Grimes e o seu grupo começam a suspeitar que estão a ser seguidos por alguém na floresta. Dale é raptado durante a noite e Rick, Abraham, Michonne, e Andrea são enviados para o encontrar e fazer parar este novo perigo desconhecido. Mas, será que a humanidade destes sobreviventes prevalece, com as ações que levam a cabo, para se proteger uns aos outros?

OPINIÃO:

Um volume mais curtinho, mas igualmente emocionante. Este pequeno arco de história trouxe mudanças incontornáveis ao grupo de sobreviventes, como a perda de um dos seus pilares, assim como mostra um Rick no papel do verdadeiro badass da história. Após o arco do Governador, não existe clemência para qualquer inimigo.

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N.º 62, com Andrea (Image Comics)

Enquadramo-nos nos acontecimentos iniciais da quinta temporada televisiva, mas aqui não existe Beth, nem hospitais. O grupo está unido e coeso, e invariavelmente nada será igual com a perda de um dos personagens capitais até aqui – Dale. A morte registada neste volume foi substituída por uma bem menos sofrível na série, a do personagem Bob, que não era mais que um personagem secundário.

Fica a expectativa para os livros seguintes. Os canibais foram um adversário muito fácil de ultrapassar, que novos desafios esperam o grupo?

Avaliação: 7/10

The Walking Dead (Devir/ Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8 Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms