Resumo Trimestral de Leituras #11

O verão costuma ser uma estação menos dada a leituras, mas em 2017 acabei por conseguir ler mais do que nos anos anteriores durante este período. Se julho foi o mês em que li mais, com as bandas-desenhadas a conhecerem alguma predominância, agosto trouxe-me boas surpresas como Os Despojados de Ursula K. Le Guin ou Anjos de Carlos Silva. Já o mês de setembro ficou marcado pela conclusão de várias sagas que vinha a seguir, como é o caso da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Torre Negra de Stephen King e A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Destaque ainda para a leitura de vários autores nacionais, como Carlos Silva, Pedro Cipriano, Jay Luís ou Bruno Martins Soares. Foi A Súbita Aparição de Hope Arden, de Claire North, porém, o livro que mais me arrebatou, tornando-se a melhor leitura do ano até ao momento.

Regressos, Southern Bastards #3 – Jason Aaron e Jason Latour

O Homem Que Roubou o Mundo, Velvet #3 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Monge Guerreiro – Romulo Felippe

Despertar, Monstress #1 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Conquista da Liberdade, Rebeldes Europeus #1 – Jay Luís

As Nuvens de Hamburgo – Pedro Cipriano

A Jornada do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #4 – Robin Hobb

Os Despojados – Ursula K. Le Guin

Anjos – Carlos Silva

Os Mares do Destino, Elric #3 – Michael Moorcock

Bruxas | Wytches – Scott Snyder e Jock

A Forca, A Primeira Lei #2 – Joe Abercrombie

Os Dragões do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #5 – Robin Hobb

A Súbita Aparição de Hope Arden – Claire North

One-Punch Man #3 – One e Yusuke Murata

A Torre Negra, A Torre Negra #7 – Stephen King

Moving – Bruno Martins Soares

A Coroa, A Primeira Lei #3 – Joe Abercrombie

Fighting The Silent, The Dark Sea War Chronicles #1 – Bruno Martins Soares

Sem TítuloComecei julho com o terceiro volume de Southern Bastards, Regressos. É mais um capítulo da violenta saga sobre as gentes do Alabama criada por Jason Aaron e Jason Latour, autor e ilustrador norte-americanos. Focado em seis personagens, Regressos é ambientado no período do Homecoming, em que a equipa dos Reb’s prepara-se para receber os Warriors, um jogo ensombrado pelo suicídio de Big, que se sentira esmagado pela atitude conspiratória da população em torno da morte de Earl Tubb. Os dois autores conseguiram enriquecer a série e abrir novas perspectivas para a mesma, ao mesmo tempo em que submergiram o leitor num ritmo crescente. O Homem que Roubou o Mundo é o terceiro volume de Velvet, com argumento de Ed Brubaker, arte de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. A um ritmo alucinante, o leitor segue a espia Velvet Templeton na peugada de respostas sobre a cabala que a fez matar o homem que amava. Uma conspiração que a leva aos meandros do Caso Watergate e ao rapto do presidente Nixon. Uma conclusão de trilogia fantástica, cheia de ação, perseguições e tiroteios. Duas fantásticas BD’s trazidas até nós pelas mãos da G Floy Studio Portugal.

Sem títuloDo autor brasileiro Romulo Felippe, Monge Guerreiro é um ótimo livro histórico pincelado de fantasia. Vemos um templário montado num unicórnio, um dragão a perseguir o papa pelas cidades italianas e uma missão lançada por Luís IX de França para proteger duas relíquias sagradas: a Lança de Longinus e a Coroa de Espinhos. Com uma melhor revisão e um maior equilíbrio entre a primeira e a segunda metade, o livro seria fantástico. Com argumento de Marjorie Liu e arte de Sana Takeda, duas artistas ligadas à Marvel, Despertar é o primeiro volume de Monstress, a nova aposta das Edições Saída de Emergência. Num mundo de inspiração asiática, uma rapariga arcânica vê-se no cerne de uma disputa de anos entre humanos e arcânicos. Muito embora pareça inofensiva, Maika Meiolobo tem dentro de si um poder imensurável, o resquício de um mal muito antigo que tem permanecido adormecido. Brilhante na arte e com um argumento maravilhoso, Monstress atira-nos para um mundo que levamos tempo a compreender, no qual a liderança matriarcal e a linguagem crua e direta nos absorvem de forma natural desde o primeiro momento.

Sem títuloPrimeiro volume da série Rebeldes Europeus da autora nacional Jay Luís, publicada pela Pastel de Nata Edições, Conquista da Liberdade é uma distopia interessante sobre um grupo rebelde que tenta resgatar famílias para colónias espaciais quando o nosso mundo foi dominado por um tirano de origens islâmicas. Duas irmãs que fazem parte desse sistema lutam contra a tirania, ao mesmo tempo que tentam proteger a sua própria família. Um livro algo fraco a nível de escrita, com muito a ser melhorado num próximo volume. Num outro patamar de qualidade está o livro de Pedro Cipriano, As Nuvens de Hamburgo, publicado pela Flybooks. O autor faz-nos vestir a pele de Marta, uma estudante de Erasmus em Hamburgo que começa a ter visões de acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que tenta descobrir o que se passa consigo, procura usar o dom para fazer algo de importante. Um livro de leitura rápida e vocabulário simples que funcionou muito bem e agradou-me. O quarto volume da Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb, A Jornada do Assassino, não tem nada de muito original ou rasgos de génio, mas as ligações entre os personagens e entre os personagens e o leitor são incríveis e a escrita de Hobb é simplesmente maravilhosa. Respeitador avança na sua jornada para as Ilhas Externas acompanhado de Fitz, Breu, Obtuso e companhia, mas tanto o reencontro com a narcheska Eliânia como a procura do dragão não são exatamente como esperavam. Uma fantástica série publicada pela Edições Saída de Emergência.

Sem TítuloAgosto começou com ficção científica, também publicada pela Saída de Emergência. Escrito por Ursula K. Le Guin, Os Despojados narra a estadia de um físico natural de Anarres no seu planeta gémeo, Urras, de modo a conhecer melhor aquela civilização e a ajudá-los com os seus estudos. Rapidamente, porém, Shevek percebe o alcance da manipulação de que é alvo. Um livro bastante filosófico e político, acima de tudo uma dura crítica social aos regimes capitalistas, mas que acaba por mostrar que nenhuma civilização é perfeita e nenhum estado social consegue estar imune a vários e sérios problemas. Um livro que me deliciou, em parte graças à escrita envolvente de Ursula, mas que demorei a ler, por em determinados momentos ser algo confuso e aborrecido. Vencedor do Prémio Divergência em 2015, Anjos é o romance de estreia de Carlos Silva e o primeiro livro de solar punk em Portugal. Num futuro longínquo, o nosso país foi vítima de um terramoto. Seguiu-se um período de várias mudanças a nível social e tecnológico, que se traduziu num novo modo de vida. O Portugal que conhecíamos transformou-se. É um livro pequeno e por vezes pouco equilibrado na chuva de pontos de vista que nos quer mostrar, ainda assim de uma qualidade acima da média dentro da literatura nacional.

Sem títuloOs Mares do Destino é o terceiro volume da saga Elric de Michael Moorcock, e o último publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Nesta aventura do imperador albino, acompanhamo-lo através do Multiverso, conhecendo países e culturas que julgava impossíveis. Dos mares revoltos, onde conhece uma jovem predestinada, ao navio de um capitão onde encontra três facetas de si próprio, Elric percorre um gólgota de devastação onde a sua vida encontra-se sempre em risco. É quando conhece um duque careca e enfrenta um antepassado que a jornada ganha finalmente sentido, no encontro das suas origens e das origens do seu povo. Um volume de que gostei bastante, porque apesar de não acrescentar nada de novo à trama conseguiu envolver-me. Uma prova de que as velhas histórias de espada e feitiçaria continuam a fascinar-me. Lançado pela G Floy Studio Portugal, Bruxas | Wytches é um produto de sucesso de um dos principais argumentistas de Batman, Scott Snyder. Com ilustração de Jock, Wytches é uma história tensa e incrível sobre uma família que tenta ultrapassar uma tragédia que os marcou a todos e unir os fragmentos do que tinham. A jovem Sailor não se consegue adaptar à nova escola nem à nova vida, e nessa espiral depressiva descobre que a floresta à volta da casa nova está pejada de bruxas. Para piorar, ela está marcada para morrer. Estas bruxas de Snyder são, no entanto, bem mais monstruosas do que a visão comum das mesmas. Não me maravilhou, mas gostei bastante e a arte está brutal.

Sem títuloA minha última leitura de agosto foi A Forca, o segundo volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie. Enquanto Bayaz conduz Logen Novededos, Jezal dan Luthar, Ferro Maljinn, Malacus Quai e Pé-Longo até aos confins do mundo para encontrar um artefacto mágico capaz de salvar o mundo, o major West é obrigado a enfrentar os exércitos de Bethod e resistir à futilidade das ordens do príncipe Ladisla, a quem foi confiado. No sul, os exércitos gurkeses montam cerco a Dagoska, o último bastião da União naquelas paragens, e o inquisidor Glotka é enviado para lá não só para resistir ao cerco como para descobrir o que aconteceu ao seu antecessor. Arruinar uma conspiração torna-se, no entanto, o menor dos seus problemas. Foi um volume que melhorou em relação ao anterior, mas continuo sem gostar do núcleo principal. Os capítulos de Glotka, West e Cão foram, sem dúvida, o que salvou o livro. Uma edição 1001 Mundos. Pela Saída de Emergência, iniciei setembro com Os Dragões do Assassino. Numa toada semelhante à dos volumes anteriores, Robin Hobb desdobra a capa que encerrava todos os segredos no quinto e último volume da Saga O Regresso do Assassino. Os mistérios na Ilha de Aslevjal são finalmente descobertos, o dragão Fogojelo é arrancado da sua clausura sob o gelo e personagens como Castro, Fitz, Moli, Breu, Respeitador e Eliânia conhecem fins de maior ou menor felicidade. Um ciclo que foi encerrado com grande perícia e mestria por parte da autora canadiana, ainda assim houve algo que me fez não gostar tanto deste como dos anteriores.

Sem títuloO novo livro da autora Claire North, que já o ano passado havia surpreendido com As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, foi só a minha melhor leitura deste ano até ao momento. Envolvente, rico em pormenores e extremamente ambicioso, A Súbita Aparição de Hope Arden foca-se numa rapariga que desde os 16 anos viu toda a gente esquecer-se dela. Quando as pessoas deixam de a ver por segundos, esquecem-se do seu rosto e de quem ela é ou o que fez. Hope transformou-se numa rapariga esquecível, o que a obrigou a sobreviver por sua própria conta e risco e, à margem da sociedade, caiu no mundo do crime. A história é excelente mas foi sobretudo a escrita da autora que me encantou. Com argumento de One e ilustrações de Yusuke Murata, o terceiro volume de One-Punch Man, recentemente publicado pela Devir, leva os heróis Saitama e Genos a uma prova para determinarem a classe de super-heróis a que pertencem e verem os seus nomes registados na lista oficial. Depois, terão de lidar ainda com um motim de super-heróis e com monstros aborrecidos. Apesar de ter vários pormenores interessantes, a história vale sobretudo pelo braço-de-ferro entre Saitama e Genos e a insistência do ciborgue em ser ensinado por um homem que não está nem aí, nem sabe o que lhe haveria de ensinar. Parece-me, no entanto, um mangá que está longe de justificar o sucesso que obteve.

Sem títuloCheguei finalmente ao fim da saga A Torre Negra de Stephen King, publicado no nosso país pela Bertrand Editora. O último volume, com o mesmo nome, mostra Roland, Jake, Eddie, Susannah, Oi e o padre Callahan numa corrida contra o tempo para impedirem grandes males, mas a reta final da caminhada para a Torre Negra pertence exclusivamente a Roland de Gilead. Um livro que deixou a claro toda a simbologia criada pelo autor, foi uma história que me agradou imenso, os finais foram excelentes e as cenas de mortes incríveis. O pecado do livro, tal como havia verificado em livros anteriores da série, é o volume ostensivo de páginas, quando muitos capítulos são absurdamente dispensáveis. Já o conto do autor português Bruno Martins Soares disponível na Amazon, Moving, fala sobre livros (teimosos) e sobre Paulo, um homem averso a mudanças que é obrigado a aceitá-las. A escrita do Bruno é inteligente e fluída, mas também intimista, deixando-nos vestir a pele do personagem principal e nunca abandona a toada humorística durante a narração.

Sem TítuloTerceiro e último volume da série A Primeira Lei de Joe Abercrombie, A Coroa é um desenrolar de acontecimentos frenéticos e plot-twists de cortar a respiração. Bayaz e Ferro foram os personagens de que gostei menos e toda a magia envolvida soou-me forçada e anti-natural, quebrando a fluidez narrativa que Joe demonstrou ao desenvolver personagens como Glotka, Collem West ou Cão. Ainda assim, os personagens Jezal e Logen melhoraram bastante e, ainda que não tenha “comprado” a história nem gostado muito do final, fica claro que é uma trilogia a não deixar de ler. Primeiro volume da série The Dark Sea War Chronicles, Fighting The Silent do autor nacional Bruno Martins Soares estará disponível já dia 1 de outubro na Amazon. Trata-se de uma série de ficção científica protagonizada por Byllard Iddo, onde a ação acontece num sistema solar longínquo. Ali, uma guerra é travada entre o reino de Torrance e a temida República Axx. Após o fatídico incidente, Byl juntou-se à Marinha Espacial, onde se tornou tenente na poderosa armada de Webbur, a nação aliada a Torrance que estará na linha da frente para receber o embate de uma incursão inimiga. É um livro pequeno, muito bem escrito e original.

Neste momento estou a ler Elantris de Brandon Sanderson, e autores como Steven Erikson, George R. R. Martin, Edgar Allan Poe e Andrzej Sapkowski serão seguramente comentados por mim aqui no NDZ no próximo trimestre. Também as BD’s não serão esquecidas e os novos volumes de Saga e Tony Chu não me escaparão. Fiquem atentos.

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Estive a Ler: Anjos

A missão já tinha terminado. Era tempo da recompensa há muito prometida. Muito mais valiosa do que a enorme soma monetária que lhe tinha depositado, muito mais prazerosa do que qualquer outra coisa que lhe poderiam oferecer. Finalmente, vingança!

O texto seguinte pode conter spoilers do livro Anjos

Lançado no passado dia 15 de julho no Instituto Superior Técnico de Lisboa, no âmbito do Sci-Fi Lx, Anjos foi o livro vencedor do Prémio Divergência 2015. Pelas mãos da Editoral Divergência, esta obra de Ficção Científica é rotulada como o primeiro livro de “solarpunk” made in Portugal. O autor, Carlos Silva, é uma das figuras proativas da Ficção Especulativa no nosso país, quer através da escrita, quer através dos inúmeros projetos em que se tem envolvido, sendo a Imaginauta, da qual foi um dos fundadores, um dos empreendimentos que tem obtido maior expressão.

Com 290 páginas e edição de Anton Stark, Anjos é o primeiro romance publicado de Carlos Silva, que já havia dado nas vistas não só com os vários projetos desenvolvidos, como também pelos inúmeros contos que publicou em antologias e revistas especializadas, tanto no nosso país como no Brasil. Mais recentemente, o autor começou também a escrever para BD e cinema.

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Fonte: http://divergencia.pt/balanco-do-sci-fi-lx-2017/

Que YHVH observe todos os teus passos. Boas leituras. Foi esta a mensagem que o Carlos Silva garatujou no meu exemplar quando o adquiri durante o Sci-Fi Lx. Se a vontade para conhecer o livro do Carlos já era muita, esta “dedicatória” enigmática deixou-me ainda com mais vontade de devorar o livro. Já conhecia a escrita do autor, nomeadamente da antologia Proxy, onde o conto “O Pecado da Carne” foi um dos meus favoritos, e garanto que Anjos não me desiludiu. Carlos Silva é uma das novas vozes da literatura de género em Portugal e a qualidade do seu trabalho merece o meu louvor.

Anjos é um livro com 38 capítulos plenos de ação e de reviravoltas, sob o ponto de vista de uma série de personagens que deixam bem ao critério do leitor quem deve ou não ser considerado o protagonista. Somos transportados para uma Lisboa futurista, onde o nosso país não é bem aquilo que podemos imaginar. Pessoalmente, tenho alguma dificuldade em escrever sobre Portugal, mas é inegável que faz falta ficção sobre a nossa identidade coletiva e o Carlos conseguiu fazê-lo com êxito e originalidade.

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Fonte: http://divergencia.pt

Algures no nosso futuro, um abanão tectónico com proporções maiores e mais terríveis do que o sismo de 1755 abalou os alicerces do nosso país. Monumentos como o Castelo de S. Jorge, por exemplo, disseram adeus à sua singela existência. Em seu lugar, foram construídos outros edifícios, mais sofisticados e de arquitetura vanguardista, mas também – e aqui fica uma das adições mais incríveis por parte do autor – ecológica. A Lisboa prenhe de arranha-céus que podes imaginar está lá, mas esses edifícios têm os terraços cheios de jardins, colorindo a cidade de verde, o que transforma este livro num “solarpunk”.

“Carlos Silva é uma das novas vozes da literatura de género em Portugal e a qualidade do seu trabalho merece o meu louvor.”

Pode-se dizer que estamos perante um mundo mais sofisticado e otimista, graças ao trabalho desmedido de uma mão cheia de pessoas que não olharam a esforços para construir um país melhor. A Reconstrução veio suprir muitas das dificuldades e falhas do mundo antigo, muito embora, com o passar dos anos, ninguém se lembre ou saiba muito bem quem foram aqueles que contribuíram para este avanço social/tecnológico. Nestes dias futuristas, a Internet tem um poder incomensurável, capaz de detetar ou de conhecer o perfil psicológico de qualquer pessoa, baseando-se meramente nos seus dados pessoais de registos eletrónicos ou perfis nas redes sociais.

O YHVH é o maior e o mais poderoso desses computadores, que poderia trazer o caos ao mundo se caísse nas mãos erradas. Foi para evitar isso que os Anjos se apoderaram dele. Uma sociedade restrita, os Anjos são, na prática, uma empresa de estafetas que transporta informações confidenciais manualmente, devido à impossibilidade de obter qualquer tipo de privacidade ou secretismo através da Internet. Pejados de interfaces e de um sem-número de recursos tecnológicos, estes mensageiros têm um papel ativo na sociedade, atuando clandestinamente como justiceiros.

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Fonte: http://hopesandfears.com

Serafim, Miguel e Raquel foram os fundadores deste grupo invulgar. Em tempos, foram os melhores amigos, cheios de ideias inovadoras e de soluções para os problemas do mundo. Juntou-se-lhes Rita, um génio informático. A relação de Serafim e Miguel, porém, foi-se degradando com os conflitos resultantes das suas diferenças ideológicas. Essa cisão acentuou-se com o homicídio de Raquel. Miguel enveredou por um grupo mais interventivo que os Anjos, chamado Socorristas, e Serafim ocupou-se da liderança dos Anjos. Com o tempo, o grupo evoluiu e novos formandos foram adicionados à equipa, como Isabel, Gabriel e Uriel. A história de Anjos tem início quando o jovem Uriel é cruelmente assassinado.

“A Reconstrução veio suprir muitas das dificuldades e falhas do mundo antigo, muito embora, com o passar dos anos, ninguém se lembre ou saiba muito bem quem foram aqueles que contribuíram para este avanço social/tecnológico.”

Ana é a inspetora encarregue do caso. As desconfianças de que a vítima mortal seja um membro da empresa de Serafim são alimentadas pelo inspetor João Noronha, com quem é obrigada a dividir o caso. Noronha foi um dos homens responsáveis pela Reconstrução, de quem quase ninguém se lembra, e apesar de se mostrar cética em relação às suas crenças, Ana segue os seus impulsos. Em boa verdade, porque Noronha é uma das suas referências, o exemplo que a levou a seguir aquela profissão. Para o inspetor, os Anjos estão metidos naquilo até ao pescoço; um dos trabalhos da sua vida tem sido reunir provas sobre os trabalhos clandestinos do grupo.

Gostei imenso do trabalho desenvolvido pelo autor. A história é muito interessante e até inesperada, tanto a nível de estrutura base como a nível de desenvolvimento narrativo. Também a escrita é fluída e competente. Se, em alguns momentos, pareceu que o passado dos personagens era demasiado vincado pelo autor, de forma talvez repetitiva, temo que o corte dessas informações pudesse criar maior confusão ao leitor. O mundo é novo, mas somos inseridos nele de forma gradual e perfeitamente esclarecedora.

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Fonte: http://alchetron.com/Cyborg-2318169-W

Anjos faz-nos refletir sobre a sociedade e sobre o futuro que nos espera, sobre corrupção, sobre justiça e sobre partilha de informação. Acima de tudo, porém, é um thriller pleno de investigações e de perseguições, em que tanto a identidade do herói como a do vilão permanece incógnita até ao final. A revelação do rosto por detrás dos homicídios é, na verdade, a única desilusão do livro. Não só faz todo o sentido, como foi a minha primeira suspeita, mas entra em choque narrativo com uma cena anterior, passada sob o ponto de vista do personagem.

Outra crítica a apontar é a falta de profundidade de alguns personagens. Ana precisava de mais alguns capítulos com destaque. Isabel e Gabriel tiveram os seus picos de protagonismo, mas não consegui distingui-las uma da outra, quer através de perfil físico ou psicológico, quase inexistentes. Na verdade, seria difícil dar igual ênfase a tantos personagens num livro único e de dimensões reduzidas como o é Anjos, mas ainda assim penso que o autor se saiu bem. Pessoalmente, escolheria menos personagens para lhes dar pontos de vista.

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Fonte: http://businessinsider.com/teenage-mutant-ninja-turtles-is-all-about-megan-fox-2014-8

Por outro lado, temos em Serafim o personagem mais bem construído e desenvolvido. Tanto a forma como é apresentado como desenvolvido são fenomenais, tornando-o facilmente o meu personagem preferido de todo o livro. Aquilo que ele foi, aquilo que ele é e aquilo em que se torna, leva-nos a refletir se o que somos consiste no que sentimos ou naquilo que fazemos. Rita, Miguel, Noronha ou Ana são outros personagens que trago com apreço deste livro.

“A história é muito interessante e até inesperada, tanto a nível de estrutura base como a nível de desenvolvimento narrativo.”

Os últimos três capítulos são qualquer coisa de muito bom. A ação é permanente ao longo das páginas, mas no terço final ela supera-se. O ritmo é altíssimo e os acontecimentos sucedem-se de forma fluída, com eventos inesperados e volte-faces de tirar o fôlego. Anjos pode não ser um livro arrebatador, mas não perde para alguns best-sellers mundiais. Deixo os meus parabéns ao Carlos e à Editorial Divergência, mas acima de tudo um aviso à navegação: no duvidoso mercado nacional há livros com qualidade e o Anjos é um claro exemplo disso.

Avaliação: 7/10

Sci-Fi Lx 2017

Boas! E que tal começar as férias com uma ida ao Sci-Fi Lx? Foi o que eu fiz. A Editorial Divergência havia-me convidado para estar a representar Os Monstros que nos Habitam na sessão de autógrafos de dia 15, mas por motivos profissionais e falta de preparativos, acabei por não conseguir comparecer. Ainda assim, não podia faltar ao evento e fiz a minha appearence hoje, no Pavilhão Central do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Entre vários eventos dedicados à Ficção Científica, o destaque vai para a palestra “Por Favor, Senhor Escritor, Não Faça Isto!” levada a cabo pelo distinto Luís Filipe Silva, no Auditório 1. Num debate cheio de boas dicas e caminhos a “não seguir”, fiquei com a sensação de que a preleção merecia um maior número de público. Estimados autores nacionais, não sabem aquilo que perderam. A conversa foi pertinente e bem construtiva.

Logo de seguida, assisti à apresentação do livro As Nuvens de Hamburgo do sempre inventivo Pedro Cipriano. A apresentação foi muito agradável e, quanto ao livro publicado pela Flybooks, irei escrever sobre ele muito, muito em breve. Para além de privar com o Pedro e com o Luís Filipe Silva, que só conheci no dia em que lhe “saquei” um autógrafo no Fórum Fantástico de 2014, ainda tive a oportunidade de adquirir o mais recente livro da Editorial Divergência, o Anjos do Carlos Silva, outro grande entusiasta da Ficção Especulativa que é sempre agradável encontrar. Claro está, tive direito a dedicatórias. Fiquem com as fotos:

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Flyer do evento
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Apresentação “As Nuvens de Hamburgo”
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“Por favor, Senhor Escritor, Não Faça Isto!” com Luís Filipe Silva

 

A Divulgar: “Anjos” pela Editorial Divergência

A maior convenção de ficção científica nacional está a chegar e o primeiro dia do Sci-Fi Lx conta com um lançamento há muito aguardado. Vencedor do Prémio Divergência 2015, Anjos de Carlos Silva é o primeiro livro de solarpunk português. O co-fundador da Imaginauta é um dos grandes entusiastas da ficção especulativa em Portugal e já publicou contos em Portugal e no Brasil, entre os quais está o “Pecado da Carne”, da antologia Proxy, comentado aqui no blogue em outubro do ano passado.

O lançamento está marcado para dia 15, o primeiro dia de um fim-de-semana dedicado à ficção científica com um programa bem interessante, no qual a Editorial Divergência estará muito bem representada. Poderás encontrar o Carlos e o seu Anjos no Instituto Superior Técnico de Lisboa, pelas 16:30, no Auditório 1.

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Capa Editorial Divergência

SINOPSE:

Numa Lisboa futurista, reconstruida após um terramoto ainda maior do que o de 1755, a informação é mais preciosa do que nunca. A mais delicada e desejada não pode correr o risco de circular pela omnipresente Internet — tem de voar sobre ela, nas mãos inefáveis daqueles que se auto-intitulam de Anjos. Mas nem eles estão seguros, agora que os seus inimigos sabem da terrível arma da qual são guardiões. Um engenho apenas possível no passado, capaz de inverter a balança do poder da nova cidade. O círculo está a apertar, cada vez mais letal. Ninguém sairá ileso.

A Divulgar: “Os Monstros que nos Habitam” pela Editorial Divergência

Este nome não vos deve ser nada estranho. Pois é, a nova antologia da Editorial Divergência, que inclui o meu conto “A Maldição de Odette Laurie”, tem data de lançamento. É já no último fim-de-semana de abril que ocorrerá a apresentação de Os Monstros que nos Habitam. Dia 29, na Biblioteca São Lázaro, em Arroios, Lisboa, pelas 17:30, e dia 30, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, pelas 16:00, não podem perder esta colectânea de histórias de terror e fantasia com a chancela de qualidade Editorial Divergência. Os lançamentos terão a presença de alguns dos autores desta obra (eu estarei presente) e é uma ótima ocasião para comprarem o vosso exemplar por apenas 11,99. Não faltem.

Os Monstros Que Nos Habitam

SINOPSE:

NO AR PAIRA ALGO MALIGNO…

Os mortos erguem-se das campas, os espíritos rondam a calçada, os demónios caçam almas para torturar e os cientistas tentam encontrar a fórmula para ressuscitar os mortos.

* * *

Na Essência do Mal, de Alexandra Torres, após escapar das garras do marido, Clara encontra refúgio num casarão. Contudo, por detrás da aparência débil, Amadeu guarda um segredo do qual se quer ver livre. E Clara parece ser a pessoa idónea para o conseguir.

Em Vento Parado, de Ângelo Teodoro, César compra uma casa longe de tudo para escrever o seu novo romance. Mas um homem insiste que aquela casa lhe pertence e que César tem três dias para sair de lá. E o tempo já começou a contar: 3…

Páginas Assassinas, de Carina Rosa, descreve uma série de mortes que estão a acontecer numa faculdade enquanto Liliana e Sandra tentam descobrir quem é o autor dos homicídios.

A Maldição de Odette Laurie, de Nuno Ferreira, conta como Odette foi expulsa da sua aldeia após ter sido acusada de bruxaria. Anos mais tarde regressa para concluir a sua maldição.

No Canto da Sereia, de Soraia Matos, Amanda parte em busca de respostas em relação ao seu passado e aos seus pais, tentando fugir daqueles que a querem ver presa.

Em Génesis, de Patrícia Morais, Fiona descobre que o Doutor Darwin está a fazer experiência ilegais com humanos e só ela o poderá deter a tempo de evitar o caos.

A Divulgar: “Lovesenda” pela Editorial Divergência

Se o nome António de Macedo já não é uma novidade para “quase” ninguém, podemos dizer que finalmente temos material novo deste célebre cineasta e escritor nacional para promover. Trata-se de um romance fantástico intitulado Lovesenda ou O Enigma das Oito Portas de Cristal, que mistura o ambiente mais extravagante da fantasia com influências da nossa História medieval. A apresentação é já este sábado, dia 18 de fevereiro, às 16:30 na Biblioteca São Lázaro, em Lisboa.

Para os mais distraídos, aqui fica um pequeno excerto da vasta biografia do autor, disponibilizada no site da editora:

António de Macedo nasceu em Lisboa em 1931. Escritor, cineasta e professor universitário, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade Clássica (Curso de Ciências Pedagógicas e antigo curso de Literaturas Clássicas — Grega, Latina e Portuguesa) e a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde se formou em Arquitectura em 1958. Exerceu durante alguns anos a profissão de arquitecto que abandonou em 1964 para se dedicar à actividade de cineasta, escritor e professor. Inclui na sua extensa filmografia dezenas de documentários, programas televisivos e filmes de intervenção sociopolítica, bem como onze longas-metragens de ficção.

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Capa Editorial Divergência

Data 1ª Edição: Fevereiro 2017
Nº de Edição:
ISBN: 978-989-98996-4-3
Nº de Páginas: 507
Dimensões: 170x240mm

SINOPSE:

Altos Príncipes, Senhores de mim, sacerdotisas minhas irmãs — impacientais-vos? Quereis ouvir sem delongas a história abominável da arrebatada paixão da donzela Lovesenda, filha do conde Diogo Enheguiz, por um espectro? A história que está na raiz da sacrílega situação em que me despenhei? Aguardai porém um momento, suplico-vos: toda a alma tem paragens desconhecidas que somos obrigados a percorrer, por mais obscuras, e a alma da donzela Lovesenda e as inconfessáveis impaciências que nela desde cedo se alojaram exibem feias chagas que lhe foram abertas por uma fieira de medonhas investidas do outro mundo, tão feias como as dos secretos e despudorados procederes do conde Diogo, seu pai, e da condessa Châmoa Telles, sua mãe — cada um com sua traição para com o outro, e qual delas a pior.

Resumo Trimestral de Leituras #8

Chego ao final do ano com a sensação de objetivos cumpridos e um ano pleno de excelentes leituras. Este último trimestre foi rico em obras diversificadas, com algumas das melhores avaliações do ano a ocorrerem neste período. Podem ver a lista anual aqui e segue em baixo os livros lidos no último trimestre:

Proxy: Antologia Cyberpunk – Vários Autores

O Cavaleiro da Morte, Crónicas Saxónicas #2 – Bernard Cornwell

Fome de Vencer, Tony Chu: Detective Canibal #5 – John Layman e Rob Guillory

A Canção de Susannah, A Torre Negra #6 – Stephen King

Suíte do Apocalipse, Umbrella Academy #1 – Gerard Way e Gabriel Bá

As Primeiras Quinze Vidas de Harry August – Claire North

Saga Vol. 5 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

A Lâmina, A Primeira Lei #1 – Joe Abercrombie

Dallas, Umbrella Academy #2 – Gerard Way e Gabriel Bá

Prelúdios e Nocturnos, Sandman #1 – Neil Gaiman

Jardins da Lua, Saga do Império Malazano #1 – Steven Erikson

Casa de Bonecas, Sandman #2 – Neil Gaiman

Terra do Sonho, Sandman #3 – Neil Gaiman

Rei dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #2 – Mark Lawrence

The Horror in the Museum – H. P. Lovecraft

Aniquilação, Área X #1 – Jeff Vandermeer

The Walking Dead: The Alien – Brian K. Vaughan e Marcos Martin

Estação das Brumas, Sandman #4 – Neil Gaiman

O Terceiro Desejo, The Witcher #1 – Andrzej Sapkowski

sem-tituloO mês de outubro começou com a leitura de uma excelente coletânea de contos portugueses. Antologia da Editorial Divergência, Proxy: Antologia Cyberpunk conta com alguns dos autores nacionais mais talentosos. Reúne seis histórias mirabolantes passadas em mundos futuristas que conquistam pela originalidade. Todos os contos são protagonizados por mulheres; os que mais me agradaram foram Alma Mater de José Pedro Castro e Bastet de Mário Coelho. Logo depois li O Cavaleiro da Morte. O segundo volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell traz-nos um Uthred imaturo e intempestivo, que continua dividido entre o sangue saxão que lhe corre nas veias, e o fervor guerreiro dos viquingues, que o criaram. As contingências colocam-no do mesmo lado que Alfredo, o Rei saxão, e contra o seu irmão de criação. Uma escrita brilhante, um dos melhores romances históricos que já li.

sem-titulo-2Em Fome de Vencer, com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, a banda-desenhada Tony Chu: Detective Canibal volta a surpreender. Neste quinto volume, a filha de Tony Chu é raptada pelo terrível Mason Savoy, enquanto ele e o seu parceiro são despromovidos. Mais tarde, o próprio Chu é raptado por um jornalista desportivo, que quer usar os seus dons cibopáticos para descobrir os podres das principais estrelas de futebol. A Canção de Susannah é o penúltimo volume da saga visionária de Stephen King, A Torre Negra. Soberbo em toda a sua largura, King consegue oferecer um livro cheio de ação e suspense, dividindo o ka-tet (grupo de protagonistas) em três grupos. Susannah, grávida de um demónio, caminha para o parto na Nova Iorque de 1999; Jake, Oi e o Padre Callahan seguem as pistas na sua peugada, enquanto Roland e Eddie viajam para o passado, onde se encontram com um jovem escritor chamado Stephen King e o obrigam a escrever a história de A Torre Negra. Um livro cheio de referências e twists deliciosos, como o autor já nos habituou. Umbrella Academy (Vol. 1 e Vol. 2) é uma série de banda-desenhada divertidíssima, escrita pelo vocalista da extinta banda My Chemical Romance, Gerard Way, e com ilustrações do brasileiro Gabriel Bá. 43 crianças nascem do ventre de mulheres que não teriam dado qualquer sinal de gravidez, e todas mostram super-poderes. Ou… quase todas. Reginald Hargreeves, um cientista, recolhe 7 dessas crianças e educa-as na sua mansão, criando uma escola de super-heróis, The Umbrella Academy. Porém, as relações entre eles virão a fraturar-se, com o passar dos tempos. O segundo e último volume já publicado revelou-se ainda melhor que o primeiro.

sem-titulo-2Em novembro comecei por ler As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, livro de Claire North, pseudónimo da britânica Catherine Webb. Harry August é um jovem ruivo, fruto de uma violação, criado por um casal de origens humildes. Não sabe nada sobre as suas origens, até morrer. Mas Harry volta à sua data de nascimento, e poucos anos depois, tem consciência de que tudo aquilo já lhe aconteceu. Morte após morte, Harry volta ao ponto de partida, recordando-se de tudo o que ficou para trás. Certo dia, descobre que não é o único a possuir esse dom. Brilhante livro de suspense e mistério, contado na primeira pessoa, o livro perde por saltar de vida para vida como alguém que conta uma história e volta para trás por se ter esquecido de algum pormenor. Li também o quinto volume da série de banda-desenhada Saga, escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Mais uma vez brilhante, neste volume acompanhamos a demanda de Marko e Robot IV, declarados inimigos, em busca dos seus filhos raptados por Dengo, enquanto Gwendolyn e Marca procuram sémen de dragão para curar o freelancer Vontade. Claro está, cenas hilariantes, disparates, sexo e sátiras não faltam. Simplesmente delicioso.

sem-tituloHá muito que queria ler Joe Abercrombie e a trilogia A Primeira Lei. Sand dan Glotka foi em tempos um soldado promissor, mas a guerra inutilizou-lhe a perna e foi capturado pelo temido Império Gurkhul. Quando regressou, coxo e sem dentes, tornou-se um inquisidor, aplicando a tortura a prisioneiros para conseguir as confissões que mais fossem convenientes aos seus superiores. Logen Novededos é um guerreiro famoso no Norte, bárbaro sanguinário que incutiu massacres às ordens do terrível Bethod. Agora, com o advento de criaturas horripilantes no norte e a perda dos seus companheiros, Logen decide lutar contra Bethod. Jezal dan Luthar é um jovem capitão de linhagem nobre. Egoísta e vaidoso, prefere passar os dias a jogar e a embebedar-se, do que a cumprir os seus deveres. É Bayaz, o famigerado Primeiro dos Magos, que irá unir estes três homens tão diferentes, com um único propósito. A Lâmina não me conquistou, porque tinha as expectativas altas e esperava algo mais credível, ainda assim os personagens são incríveis, e a história promissora. Continuei o mês a ler boa fantasia. Escrito por Steven Erikson, Jardins da Lua é o primeiro volume da Saga do Império Malazano. O continente de Genabackis está sob fogo cruzado. De um lado, o Império em expansão, com os exércitos de Dujek Umbraço a ganhar terreno graças ao apoio dos moranthianos e dos Altos Magos. Do outro, as últimas cidades livres, com a proteção dos Tiste Andii liderados por Anomander Rake e Caladan Brood. A cidade de Pale é destruída e ocupada pelos homens de Umbraço; entre eles está o sargento Whiskeyjack, que inclui no seu pelotão uma recruta possuída por um Ascendente. Após o cerco a Pale, Darujhistan torna-se a única cidade livre. Repleta de personagens riquíssimos, Darujhistan é uma cidade governada por um conselho corrupto e por uma sociedade de assassinos, embora sejam os magos a deter o verdadeiro poder, vinculados a Anomander Rake. Um grupo de amigos que se reune frequentemente numa taberna torna-se o centro de toda a ação. Esta foi, de longe, a melhor leitura do ano de 2016.

sem-titulo-3Terminei novembro e comecei dezembro a ler a BD Sandman de Neil Gaiman (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4). Se o primeiro e o terceiro volumes da icónica série de banda-desenhada não me conquistaram, parecendo mantas de retalhos cheias de referências e com pouco conteúdo, o segundo e o quarto volumes apresentaram histórias bem amarradas, cheias de tramas paralelas que se entrelaçaram e revelações credíveis sobre os personagens apresentados. Prelúdios e Noturnos é focado no cativeiro em que o Senhor dos Sonhos esteve submetido, depois de ter sido convocado acidentalmente para o mundo real, onde permaneceu durante 70 anos sob uma redoma de vidro. Casa de Bonecas foca-se em várias mulheres (e no seu papel para a sociedade). Rose Walker é uma menina que, por uma qualquer estranha razão, causou um distúrbio no mundo dos sonhos, de onde fugiram vários pesadelos. Terra do Sonho divide-se em várias short stories intrigantes que, ainda assim, não me encheram as medidas, limitando-se a aumentar o significado simbólico da mitologia concebida por Gaiman.  O quarto volume, Estação das Brumas, foi melhor. Com genialidade, o autor humaniza o protagonista ao colocá-lo com problemas de consciência. Lúcifer comunica a Sonho que libertou todas as criaturas, e entrega-lhe as chaves do Inferno para que ele possa fazer dele o que quiser.

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Rei dos Espinhos é o segundo volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence. Aliando uma escrita cuidada e de qualidade a um background pós-apocalíptico cheio de deliciosas referências, Lawrence escreveu mais um livro com um dos personagens mais badass da fantasia moderna, Jorg Ancrath. No entanto, as boas ideias não conseguiram cativar-me. As várias linhas temporais confusas e uma condução de história deficiente e pouco credível desiludiram-me. Já o elegi The Horror in the Museum como o melhor conto que li este ano. Escrito por Lovecraft como ghost writer de Hazel Heald, apresenta-nos um protagonista cético que julga louco o escultor de um museu de cera, uma vez que este alega que as criações que apresenta não são esculturas mas sim monstros que caçou e enbalsamou. É uma fantástica narrativa que consegue inspirar ao leitor o mais profundo e inquietante dos terrores. The Alien é um volume isolado da BD The Walking Dead escrito por Brian K. Vaughan, o autor de Saga. Sem uma história propriamente original ou muito diferente, apresenta-nos dois personagens na cidade de Barcelona, no início da propagação do vírus. Apesar de pequeno e cliché, apresentou algumas surpresas.

sem-titulo-3Li este mês aquele que elegi o melhor livro de ficção científica deste ano. Primeiro volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer, Aniquilação é o relato de uma bióloga que se voluntariou para estudar uma área selvagem abandonada pelos humanos, depois de o seu esposo ter regressado de lá como uma sombra do que um dia foi. Envolvente e cheio de suspense, faz-nos pensar sobre os segredos da natureza e da evolução humana. A última leitura do ano foi O Terceiro Desejo. O primeiro volume de The Witcher apresenta uma sequência de contos protagonizados por Geralt de Rivia, um bruxo que mata monstros a troco de pagamento. Obstinado em afirmar que não trabalha como assassino a soldo, Geralt enfrenta vampiros, elfos e génios, num livro muito bem escrito por Andrzej Sapkowski. Para o ano há mais. Votos de um 2017 cheio de felicidades e boas leituras para todos os seguidores do blogue.

Proxy

E um vírus? Ébola, influenza? Saca-se num torrent, faz-se facilmente num laboratório amador!

O texto seguinte pode conter spoilers do livro Proxy – Antologia Cyberpunk

Com prefácio de João Barreiros e contos de Vítor Frazão, Júlia Durand, Carlos Silva, Marta Santos Silva, José Pedro Castro e Mário Coelho, Proxy – Antologia Cyberpunk é uma experiência original no sub-género em Portugal e traz-nos um conceito pouco conhecido no nosso país, alimentado sobretudo pela cultura mangá e anime.

O cyberpunk é um braço da ficção científica, caracterizado por apresentar mundos em elevados níveis de desgaste ou depressão, mudanças tecnológicas imersivas e muitos, muitos corpos reconstruídos – total ou parcialmente – com recurso à cibernética avançada. Redes de alta tecnologia surgem normalmente ligadas a cérebros humanos e o virtual mescla-se ao autêntico em tons sombrios. Claro está, escusado será dizer que a grande maioria dos trabalhos apresentados pelo cyberpunk são passados num futuro distante ou em pleno espaço sideral.

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Olho ciperpunk (nikolasbadminton)

O prefácio de João Barreiros, com o título A Carregar… é uma triste constatação do espaço que este sub-género, e a FC no seu todo, ocupam nas prateleiras das nossas livrarias e nas bibliotecas dos portugueses. Um espaço ínfimo, para não dizer inexistente. Barreiros, na sua já habitual toada sardónica, lança a farpa às editoras pela sua falta de catálogo no que concerne ao género (que se foca em fast-foods como Star Wars), e sobretudo ao povo que ignora as poucas alternativas que vão surgindo. O relato das suas experiências do passado não podia ser mais atual, uma vez que a mentalidade coletiva pouco evoluiu nesse aspeto.

Não gosto desta chicha – berrou a criança, empurrando o prato para longe de si.

Os seis contos apresentados nesta antologia trazem-nos jovens autores nacionais cheios de talento. Vítor Frazão é arqueólogo. Júlia Durand musicóloga e guionista. Carlos Silva trabalha em laboratório e é um dos fundadores da Imaginauta. Marta Silva é jornalista, transmontana deslocada na capital e estreia-se na ficção. O madeirense José Pedro Castro é crítico literário e estudante de línguas. Mário Coelho é tradutor. Por fim, temos Anton Stark como editor deste pequeno livro da Editorial Divergência.

Em comum, contos cyberpunk muito bem escritos, com mulheres como protagonistas. São elas a Cleo, uma vendedora ilegal capaz de tudo para encher os bolsos; a Irissa, funcionária exemplar de uma multinacional, obstinada em ser promovida; a Kali, uma andróide determinada em denunciar o pecado da carne; a y e a t, duas amigas de infância com visões diferentes sobre a vida que levam; a sexagenária Maria, responsável por uma grande evolução tecnológica, que se esconde sob capa de livreira; e a Beatrice, líder natural de um grupo de hackers que se vê arrastado para uma armadilha bem montada. Cada um destes contos é um bom motivo para ler esta antologia.

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Capa Editorial Divergência
SINOPSE:

Bem-vindo, [Utilizador/a].

Proxy é o culminar de vários anos de trabalho e de estudo em leitura psico-criativa. Seis mentes, seis futuros que nunca existiram. Seis mundos. Os pináculos de Nova Oli e as entranhas de VitaVida. Modulações eléctrico-sonoras e o dilema da artificialidade. O poder da máquina e o desmoronar de uma simples equação.

Preste atenção. Aquilo que vai ler é estritamente confidencial.

Proxy é a primeira experiência antológica de cyberpunk em Português. Seis autores acompanharam-nos nesta viagem: Vitor Frazão, Júlia Durand, Carlos Silva, Marta Santos Silva, José Pedro Castro e Mário Coelho – seis dos melhores jovens autores de Ficção Especulativa nacional.

OPINIÃO:

Precisamos falar sobre esta antologia. Comprei-a no “Fórum Fantástico” e não é mais que um pequeno livrinho de 200 páginas, que se lê em dois dias. Proxy é uma iniciativa muito interessante por parte da Divergência, fruto de um trabalho exaustivo de investigação. É também a primeira antologia nacional com a temática do cyberpunk e foi recrutar alguns dos melhores jovens escritores de Ficção Especulativa do nosso país. Mas Proxy é muito mais do que isso. Os seis contos não têm qualquer filiação entre si, a não ser o sub-género apresentado. Coesos e extremamente visuais, acabam, no entanto, por ser bastante equilibrados, sendo difícil destacar um ou outro dos demais. Não vou, por isso, falar da escrita dos autores, porque qualquer um deles é ótimo. Vamos falar de conteúdo.

Deuses como Nós, de Vítor Frazão, tem um dos conceitos mais interessantes do livro. A venda ilegal de antiguidades, e uma vendedora em sarilhos, que se vê no meio de uma batalha entre os dois T-Rex lá do sítio. O conto pecou por um início algo confuso, que me atrasou a perceção da história. Os personagens também não conseguiram agarrar-me, por falta de aprofundamento, talvez. Modulação Ascendente, de Júlia Durand, consegue dar destaque ao poder da música numa envolvente cyberpunk, mas sobretudo fala-nos de competição no trabalho. Uma luta pelo poder original e muito bem tecida. Mas posso dizer que foi o Pecado da Carne de Carlos Silva que me injetou um maior entusiasmo pela antologia. Uma delegada de saúde andróide é trazida à vida, contra a sua vontade, e o mundo que agora vê mais não é que uma conspiração global. Como é hábito, contra o Zé – diga-se, a ralé.

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y+t é um conto muito original da autoria de Marta Silva (que escreve apenas com minúsculas). Cheio de cores cinzentas, é-nos apresentado um mundo marginal, onde duas amigas de infância vivem num alvéolo, uma construção “favo de mel”, como uma colónia de abelhas. Um ambiente fabril e de beco, uma narrativa cheia de debates morais e questões interessantes, e uma grande esfera como possível resposta para todas as perguntas. Não me fascinou, mas louvo o excelente trabalho da autora. Alma Mater de José Pedro Castro é uma divertida visita a uma Lisboa futurista, cheia de segredos por revelar, relações de soltar belas gargalhadas, fugas e tiroteios. Um conto à minha medida. Por fim, Bastet de Mário Coelho. Um grupo de hackers informáticos (os taditos não têm culpa de já não haver trabalhos honestos) é “convidado” a roubar uma caixa-negra com material tecnológico super importante. Um conto com um início algo arrastado, mas que me agradou no seu todo, a fazer lembrar um pouco as histórias de Scott Lynch.

Acabaram por ser os últimos dois contos a marcar-me mais pela positiva, graças ao tom leve e humorístico dos autores e por serem histórias mais ao meu jeito. Parabéns, Editorial Divergência.

Avaliação: 7/10

Fórum Fantástico 2016

A ficção especulativa em Portugal já viu melhores dias, mas são eventos como o “Fórum Fantástico” que me levam a acreditar que os resilientes defensores do género estão longe de a deixar morrer. Mais um ano em que tive a oportunidade de ir a Telheiras, à Biblioteca Orlando Ribeiro, conhecer pessoas e novidades, e ouvir discutir temas diversos à volta da literatura e do mundo que lhe serve de inspiração.

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Cheguei no final do painel “To Fandom Or Not To Fandom?”, onde o anfitrião Rogério Ribeiro, o Carlos Silva da “Imaginauta”, o António Monteiro do “Sustos às Sextas” e o André Silva do “SciFiLX” falaram sobre a disseminação de eventos deste género para levar ao público o que de melhor se vai fazendo com o fantástico, a ficção científica e o terror como tema. A sessão “Outra História, Outro Portugal” proporcionou um debate muito interessante sobre o conceito distopia e sobre o que o futuro reserva à nossa Europa. A apresentação da antologia cyberpunk Proxy (Editorial Divergência), com introdução de João Barreiros e contos de Vítor Frazão, Mário Coelho, Marta Santos Silva, Júlia Durand e José Pedro Castro, foi outro dos momentos interessantes. Escusado será dizer que adquiri o livro, e tenho muita curiosidade para o ler.

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De destacar que mais uma vez tive o privilégio de conhecer um amigo do “Cantinho do Fiacha”, desta vez o Luís Silva, uma pessoa 5 estrelas, e estar com o meu grande amigo Paulo, mais conhecido nesta blogosfera como Fiacha O Corvo Negro. Afinal, conhecer pessoas e estar com amigos é boa parte da razão de ir a eventos desta natureza, para além dos motivos literários. Vale registar dois apontamentos de grande interesse: em novembro teremos Brandon Sanderson em Lisboa e… o lançamento pela Saída de Emergência de Jardins da Lua, o primeiro volume da complexa obra de fantasia de Steven Erikson.

 

Está aí: Fórum Fantástico 2016

É já no próximo fim-de-semana que a Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, abre as portas para apresentar o Fórum Fantástico, um evento anual dedicado à ficção especulativa, com especial incidência para aquela que “ainda” é praticada no nosso país. Aqui fica o cartaz do evento, sujeito a alterações.

Sexta-feira, 23 Setembro

14:30 Abertura Oficial

15:00 Sessão “Apresentação do Seminário BD, Estética e Pensamento Político” (Com Hélder Mendes e Rogério Ribeiro)

15:30 Sessão “Investigando Fantasia e Ficção Científica na FCSH” (Com Maria do Rosário Monteiro, Jorge Rosa e Teresa Botelho)

16:30 Intervalo

17:00 Sessão “Planetas: Ciência e Ficção” (Com Nuno Galopim, João Barreiros e Joana Lima)

18:00 Sessão “Metamorfoses Musicais” (Com João Morales)

19:00 Sessão “Os Contos Não Vendem” (Gravação de programa de rádio com Joana Neves)

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Sábado, 24 Setembro

10:30 Workshop “Introdução à Impressão 3D” (Com Artur Coelho)

12:00 Intervalo

14:00 Sessão “To Fandom Or Not To Fandom?” (Com Carlos Silva (Imaginauta), André Silva (SciFiLX), António Monteiro (Sustos às Sextas) e Rogério Ribeiro (Fórum Fantástico))

15:00 Sessão “Outra História, Outro Portugal” (Com Miguel Real, André Morgado e Miguel Vale de Almeida)

16:00 Apresentação da Antologia CyberPunk Proxy (Com Editorial Divergência)

17:00 Intervalo

17:30 Sessão “À Conversa com a Oficina de Escrita Polícia Bom, Polícia Mau” (Com Rui Bastos, Leonor Macedo, Joel Gomes, Elsa Cruz, Júlia Pinheiro, Rogério Ribeiro e Luís Filipe Silva)

18:30 Sessão “Indústrias Criativas” (Com Nuno Duarte, Ricardo Venâncio, Ana Fragateiro e Tiago Pimentel (Credo Quia Absurdum))

19:30 Intervalo

20:00 Jantar (Devoradores de Livros @ FF 2016)

Domingo, 25 Setembro

14:00 Sessão “Gaming” (Com Ricardo Correia e João Campos)

15:00 Sessão “Sugestões de Literatura e Cinema” (Com João Barreiros, Artur Coelho e Ana Cristina Alves)

16:00 Apresentação de Galxmente (Com Luís Filipe Silva (Saída de Emergência))

16:30 Intervalo

17:00 Sessão “Banda Desenhada Fantástica” (Com Geraldes Lino, Sérgio Santos, Patrik Caetano, João Raz, Miguel Jorge e Filipe Melo)

18:00 Sessão “Take It Easy” (Com Bruno Caetano e Jerónimo Rocha), com exibição das curtas O Encoberto – Director’s Cut e Arcana.

19:00 Encerramento

Vale realçar que as entradas são livres e gratuitas, e que, durante o evento, estará disponível uma Feira do Livro Fantástico, gerida pela livraria Dr. Kartoon, assim como uma banca da Credo Quia Absurdum, das editoras Divergência e Saída de Emergência, e autores independentes. Estarei presente no dia 24 neste evento a que nenhum adepto de literatura fantástica, ficção científica ou terror deve faltar.