Estive a Ler: As Águias de Roma #5

Armínio é o Cavalo de Tróia dos germanos! Está na altura de o perceberem!

O texto seguinte contém spoilers do quinto volume da série As Águias de Roma (formato BD)

Enrico Marini é um autor já bem conhecido pelos portugueses. Depois da publicação de Rapaces, A Estrela do Deserto ou O Escorpião, a Edições ASA apostou na série As Águias de Roma, uma emocionante história de guerra, irmandade e amor situada nos anos conturbados da Roma Antiga. O Livro V foi lançado em dezembro do ano passado.

Marco e Armínio foram criados como irmãos, instruídos na educação romana. Mas Armínio não é o seu nome verdadeiro. Ele é um germânico, adotado e protegido por um senhor romano. Como as runas predisseram, será Ermanamer – nome de nascença de Armínio – quem irá unir as tribos da Germânia e contribuir para a capitulação de Roma. Para isso, tem de desafiar o Império, as suas convicções e as suas promessas. Assim como o seu irmão de criação.

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O princípio do fim

Depois de várias tentativas de alertar Varo para as intenções de Armínio, todas elas goradas graças à confiança cega do governador no seu sequaz, Marco é confinado a um transporte para cativos, onde é obrigado a tolerar um companheiro de cela provocador. No caminho, encontra Priscilla, a sua amada, e faz o seu segurança prometer que a protege, assim como ao filho de ambos, do pesadelo que está para vir. Lépido, o esposo de Priscilla, enfrenta um Marco enclausurado, e percebe que o seu rival é o verdadeiro pai de Tito, o menino que pensava ser seu.

A tensão emerge nas fileiras romanas com o crescente poderio militar dos germânicos. Armínio move as suas peças e consegue o apoio de Segestes, o pai da sua amada Thusnelda, o que reforça a sua posição. As forças romanas são desbaratadas. Também a formação que acompanha a cela de Marco é atacada, e o romano vê aí uma oportunidade para fugir.

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A vitória do lobo

O lobo e a águia digladiam-se mais uma vez, em termos metafóricos, tal como nas visões de Marco. Com bastante perícia, ele combate contra os germânicos e consegue escapar-se-lhes, ainda que a legião romana perca o embate. Marco corre para Varo com o relato do ocorrido.

O general guarda reservas em acreditar que Armínio o traiu, mas o relato de um outro sobrevivente, este sim de confiança, vem-lhe trazer a verdade amarga. Varo liberta Marco e ruge as suas ordens. Tardiamente. Ao descobrir que é filho de Marco, o pequeno Tito reage com horror e foge, mas o pai tudo faz para garantir a sua segurança. A investida de Armínio é letal. Ainda que Marco lute com valentia, o seu irmão de criação é um estratega militar sem igual, esmagando os exércitos romanos com a sua força de armas. As mortes de Varo e Lépido vêm, inevitavelmente, trazer mudanças na trama.

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SINOPSE:

Prestes a atacar, o lobo mantêm-se até ao fim ao lado das Águias de Roma…. Quem poderia imaginar que Armínio, em quem o general romano tinha absoluta confiança, se havia tornado chefe de guerra dos Germanos? O que é certo é que a sua traição surtiu efeito: o exército romano é atacado por todos os lados e Marco, prisioneiro, vê-se completamente impotente. Por detrás das grades, ele não consegue nem combater o seu antigo irmão de sangue nem proteger Priscilla e o seu filho…

OPINIÃO:

Dinâmico e intenso, o enredo de As Águias de Roma continua a narrar os feitos inesquecíveis de Armínio, a história de uma traição que embaraçou o Império Romano. Pelas mãos de Enrico Marini, esta série é um marco na BD francófona recente e com razões para isso.

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A história avança a bom ritmo. Simples e atraente, a narrativa de Marini envolve-nos numa sequência de ações de aparente casualidade que revelam não só uma fluidez de enredo como também a capacidade de contar histórias do autor franco-belga. A história não revela grandes novidades, mas consegue manter o leitor preso na vontade de saber o que se sucederá.

A arte de Marini tem na expressividade o seu maior destaque. Os desenhos são bem definidos e do que tenho visto em BD, poucos são os artistas contemporâneos que se lhe conseguem equiparar. A cor é outra da grande qualidade desta série. Não transmitindo “verdade”, transmite clareza, o que é, a bem dizer, o mais importante para o sucesso de um álbum gráfico.

Avaliação: 8/10

As Águias de Roma (Asa):

#1 Livro I

#2 Livro II

#3 Livro III

#4 Livro IV

#5 Livro V

Resumo Trimestral de Leituras #6

Passado mais um trimestre, é hora de fazer um novo resumo de leituras. Os meses de abril, maio e junho foram prósperos em muitas bandas-desenhadas, mas todos os livros lidos foram muito bons e espero conseguir ler ainda mais nos próximos meses. Nomes como Alan Moore, Frank Miller, Frank Herbert, Robert Kirkman, Stephen King e Mark Lawrence acompanharam-me nos últimos meses. Aqui fica a minha ordem de leituras:

Ao Gosto do Freguês, Tony Chu: Detective Canibal #1 –  John Layman e Rob Guillory

Sabor Internacional, Tony Chu: Detective Canibal #2 – John Layman e Rob Guillory

Enfarda Brutos, Tony Chu: Detective Canibal #3 – John Layman e Rob Guillory

Too Far Gone, The Walking Dead #13 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

No Way Out, The Walking Dead #14 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

We Find Ourselves, The Walking Dead #15 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Larger World, The Walking Dead #16 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Something To Fear, The Walking Dead #17 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

What Comes After, The Walking Dead #18 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Balada de Antel – Eric M. Souza

Prelúdio Para as Trevas, Vampirella – Nancy A. Collins e Christian Zamora

The Statement of Randolph Carter – H. P. Lovecraft

March To War, The Walking Dead #19 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

All Out War (Part 1), The Walking Dead #20 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

All Out War (Part 2), The Walking Dead #21 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Colossus, X-Men Origins #1 – Chris Yost e Trevor Hairsine

Jean Grey, X-Men Origins #2 – Sean McKeever e Myke Mayhew

A New Beginning, The Walking Dead #22 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Golpe em Argos Parte 3, Conan o Bárbaro #6 – Brian Wood, James Harren e Dave Stewart

300 – Frank Miller e Lynn Varley

Fúria na Fronteira, Conan o Bárbaro #7 – Brian Wood, Becky Cloonan e Dave Stewart

Whispers Into Screams, The Walking Dead #23 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Life and Death, The Walking Dead #24 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Messias de Duna, Crónicas de Duna #2 – Frank Herbert

A Cidade do Pecado, Sin City #1 – Frank Miller

No Turning Back, The Walking Dead #25 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Saga #4 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

As Águias de Roma #1 – Enrico Marini

Sopa de Letras, Tony Chu: Detective Canibal #4 – John Layman e Rob Guillory

Lobos de Calla, A Torre Negra #5 – Stephen King

As Águias de Roma #2 – Enrico Marini

As Águias de Roma #3 – Enrico Marini

Príncipe dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #1 – Mark Lawrence

Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy – Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa

As Águias de Roma #4 – Enrico Marini

A Morte Persegue-me, Fatale #1 – Ed Brubaker e Sean Phillips

V de Vingança – Alan Moore e David Lloyd

Sem TítuloSe terminei o mês de março a ler excelentes bandas-desenhadas, o mês de abril continuou na mesma senda. Li a graphic novel Tony Chu (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4).  É uma série muito divertida com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, em que somos apresentados a um detetive com um dom raro: ele vê o percurso de vida daquilo que come, e é utilizado no seu departamento de polícia para isso – ao provar as vítimas, descobre quem as matou. Numa realidade em que o consumo de frango foi proibido pelo governo após uma terrível gripe aviária, Chu tem a função de denunciar casos insólitos relacionados com uma rede ilegal de tráfico de frango. Uma história cheia de ação, intriga e muita comédia. Também prossegui com a leitura da BD The Walking Dead (Vol. 13, Vol. 14, Vol. 15, Vol. 16, Vol. 17, Vol. 18, Vol. 19, Vol. 20, Vol. 21, Vol. 22, Vol. 23, Vol 24 e Vol. 25). Com argumento de Robert Kirkman e arte de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano, estes volumes lidos compreendem a ação desde pouco depois da chegada do grupo de Rick Grimes a Alexandria, até à atualidade dos lançamentos internacionais, ou, para quem segue a série de tv, corresponde à ação desde o final da 5.ª temporada, até ao que será, eventualmente, meados da 8.ª. Viciante e tensa, continua a manter-se a um nível altíssimo.

Sem título 2Vencedor do Prémio Bang! da editora Saída de Emergência, A Balada de Antel, escrito por Eric M. Souza, foi uma agradável surpresa. Somos apresentados a um mundo imaginário, inspirado na Antiguidade Clássica, onde duas nações defrontam-se há muito tempo, sem nenhuma sair vencedora. O advento de um novo senhor da guerra torna-se a mais-valia dessa civilização. Antel é o homem de quem todos falam. Armado de duas espadas com cristais que lhe dão vigor, e com um séquito de homens e mulheres fascinados pelo seu líder, Antel irá viver uma batalha de vida ou morte contra Ajedurala, uma governante fria e implacável, conhecida pelos seus métodos cruéis e pelo filho irresponsável. Vivendo uma homossexualidade clandestina, Ajedurala esconde muitos podres, mas também muitos trunfos na manga, o que não será suficiente para parar o carismático herói. Prelúdio Para as Trevas é a BD que nos leva a conhecer a fantástica personagem Vampirella, uma vampira que trabalha para uma agência secreta da Igreja, que visa combater demónios e outras criaturas das trevas. Com argumento de Nancy A. Collins e ilustração de Christian Zamora, esta revista mostrou duas aventuras. Na primeira, Vampirella disfarça-se de freira para desvendar a série de desaparecimentos misteriosos numa catedral francesa. Na segunda história, que acontece antes de ela se juntar à Igreja, encontramos Vampirella como ajudante de um mágico que, a bordo de um cruzeiro, torna-se a escolhida por um temível monstro como merenda sacrificial.

Sem título 2The Statement of Randolph Carter é mais um conto de terror de H. P. Lovecraft. Apesar de muito curto, foi também bastante saboroso. Randolph Carter é vítima de um interrogatório policial, após o desaparecimento do seu amigo Harley Warren. Os dois investigavam livros antigos em línguas ininteligíveis, e seguiram pistas até a um cemitério, onde Warren entrou numa cripta e pediu a Carter para ficar no exterior. O que ele encontrou foi algo medonho. O medo sentido por Carter é extremamente palpável. Gostei imenso da história e tive pena de ser tão curta. Ainda em abril li duas BD’s da série X-Men Origins. Colossus, escrita por Chris Yost e ilustrada por Trevor Hairsine, narra a origem do personagem dos X-Men Colossus. Piotr Rasputin ficou perturbado após a morte do seu irmão Michail, que o jurara proteger, e foi viver para uma quinta comunitária na Antiga União Soviética. Ali viu nascer a sua outra irmã, Ilyana, que viu como fuga para o seu desgosto. Às escondidas, num celeiro, ele transformava a sua pele em aço, uma habilidade que escondia do mundo, e a sua pequena irmã adorava vê-lo transformar-se. Revista boa a nível gráfico, história simples. Na BD dedicada a Jean Grey, com argumento de Sean McKeever e arte de Myke Mayhew, somos apresentados à origem da personagem dos X-Men. Tudo começou quando ela viu a melhor amiga a morrer atropelada e descobriu os seus dons de ler a mente. Fechou-se no quarto, completamente isolada do mundo. Os seus pais recorrem ao professor Charles Xavier, que a ajudou durante algum tempo, criando barreiras psíquicas e ensinando-a a controlar os seus poderes. A história foi arrastada, e a ilustração foi horrível para aquilo que a Marvel já me habituou. Não gostei.

Sem TítuloLi dois exemplares da BD Conan, o Bárbaro (Vol. 6 e Vol. 7) de Brian Wood. Após os eventos em Messantia, nos quais Conan e Belit vergaram os cruéis habitantes da cidade-portuária com a sua brutalidade, Conan leva a rainha dos piratas para a Ciméria, sua terra natal, onde ela não é aceite pela população. Ou, pelo menos, não da forma que ela esperava. Sou suspeito para falar, porque sou grande fã de Conan e as suas histórias raramente me desiludem. Icónica graphic novel de Frank Miller, 300 narra a Batalha de Termópilas, na qual 300 espartanos, sob o comando de Leónidas, mostram a Xerxes e aos exércitos persas que têm uma palavra a dizer. Um livro muito visual, que destaca o estoicismo dos espartanos e a forma como o seu sacrifício viria a mudar o rumo da Grécia Antiga. Messias de Duna foi um livro publicado originalmente em 1969, por Frank Herbert. É o segundo volume das Crónicas de Duna. Depois de Paul Atreides ter derrotado os seus inimigos Harkonnen e deposto o imperador do planeta Arrakis, tornando-se Imperador e Deus, neste volume vemos os acontecimentos 12 anos após a sua tomada de posse. Apesar do seu povo, os Fremen, serem responsáveis por imensos genocídios feitos em seu nome, Paul está de mãos e pés atados, dependente das suas visões e temente dos que o rodeiam. Uma conspiração é levada a cabo para o destruir, assim como à sua irmã Alia. Um livro mais calmo e meditativo do que o primeiro, com muitas questões filosóficas e políticas. Gostei bastante.

Sem título 2O mês de maio começou com o primeiro volume de Sin City, outra obra de Frank Miller. Destaque para os tons negros e brancos, imagens bastante fortes que conseguem, só por si, contar uma história. Marv é um perdedor nato que se vê envolvido numa perseguição sem limites, depois de ter a sorte, ou o azar, de passar uma noite com a maravilhosa Goldie. Um trama delirante em que as sensações de injustiça e de barbaridade são quase palpáveis. Voltei à graphic novel Saga. No quarto volume da famosa space opera com argumento de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples, a história continua incrível, entremeando ação e humor nas doses certas. Este volume conta como Alana e Marko se separaram, e mostra uma versão da pequena Hazel mais crescida. Entretanto, no planeta Robot, o pequeno príncipe nasce e um servo mata a mãe e rapta-o. Li os quatro volumes publicados em Portugal da BD As Águias de Roma (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3, Vol. 4). Enrico Marini une uma narrativa adulta e coesa, com intriga, lutas e muito sexo, a uma arte gráfica cheia de cor e expressividade. Marco e Armínio foram criados juntos, mas depressa as suas diferenças vêm à tona quando Marco se apaixona e Armínio usa todas as armas ao seu alcance para prejudicar o amigo. Mais tarde, Marco percebe que o seu irmão de criação pode estar envolvido numa rebelião contra Roma.

Sem título 2Quinto volume da saga A Torre Negra de Stephen King, Lobos de Calla mostra o ka-tet formado por Roland, Eddie, Susannah, Jake e Oi a chegar à povoação de Calla Bryn Sturgis, uma comunidade de rancheiros onde é frequente as crianças nascerem gémeos. De tempos a tempos, um grupo de cavaleiros com cabeças de lobo visita a região, levando consigo um exemplar de cada par de gémeos. Passado pouco tempo, um comboio devolve as crianças, mas elas vêm com deficiências mentais e crescem de forma anormal até morrerem em agonia. O grupo é obrigado a resolver esse problema, ao mesmo tempo que descobrem que o padre esconde uma bola de cristal negra sob a Igreja, conduzindo-os a Nova Iorque quando adormecem. Gostei muito. Comecei junho com Príncipe dos Espinhos, o primeiro volume da Trilogia de Espinhos de Mark Lawrence. Narrado pelo personagem principal, o livro conta-nos a história do príncipe Jorg Ancrath, filho mais velho do Rei Olidar, que é atirado para um espinheiro por um membro da guarda, que o salva da chacina a que o irmão mais novo e a mãe são alvos. Com os espinhos a perfurar-lhe a pele, Jorg vê a família ser assassinada e jura vingança. À frente de uma companhia de saqueadores, Jorg jura a si mesmo que será Rei quando completar 15 anos. Gostei bastante do mundo criado – pós-apocalíptico com aparência medieval – e da escrita do escritor. Peca por desenvolver muito pouco os personagens secundários e o desenrolar dos acontecimentos. A edição da TopSeller é muito boa.

Sem TítuloEscrito por Filipe Melo, com ilustrações de Juan Cavia e cores de Santiago Villa, Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy é a primeira BD portuguesa a ser publicada primeiro nos E.U.A. que em Portugal, e a primeira deste século a tornar-se best-seller. Peca pelas poucas páginas, narrando as origens do lobisomem de Tondela, Dog Mendonça, de forma hilariante. Recomendo. Com argumento de Ed Brubaker e arte de Sean Phillips, o primeiro volume da BD Fatale, A Morte Persegue-me não tem muitos acontecimentos, mas apresenta-nos o mistério relacionado à morte de um escritor, à inscrição estranha na sua lápide e aos seus escritos mais antigos. Tudo gira em volta de uma mulher que parece atrair a fatalidade para onde quer que ela vá. Um volume promissor, carregado de ambiente noir. Chegou finalmente a Portugal a BD V de Vingança, do icónico Alan Moore, com arte de David Lloyd. Na Inglaterra distópica dos anos 90, um governo totalitário condena as minorias raciais e sexuais a campos de concentração e mantém as ruas vigiadas por câmaras. É nesse cenário que surge um anti-herói mascarado, que se apresenta como V e começa a fazer justiça pelas próprias mãos. Uma novela gráfica surpreendente, que vai melhorando no decorrer da leitura e só pecou por alguns problemas de revisão/ tradução.

Foi um trimestre em que acabei por ler mais BD’s, mas todos os livros que li foram bons. Quero deixar os meus parabéns à G Floy Portugal, Edições Tinta da China e TopSeller pela forte aposta atual no mercado. Neste momento estou a ler os dois últimos volumes da primeira Saga do Assassino de Robin Hobb. E vocês, já leram algum destes livros?

TAG – Meio Ano de Leituras

Estamos a chegar ao final do primeiro semestre, como tal é a altura propícia para responder a uma TAG sobre os livros lidos durante os primeiros seis meses do ano. Divirtam-se.

#1 A maior surpresa

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Saga é uma graphic novel repleta de bom humor com elementos sci-fi e fantásticos. Acompanhamos a par e passo a fuga de Alana e Marko, com a sua bebé, a pequena Hazel. Uma lufada de ar fresco a todos os níveis, com argumento de Brian K. Vaughan e ilustrações de Fiona Staples.

#2 O melhor final

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A saga Mistborn nunca me “encheu as medidas”, por assim dizer, mas o último volume veio amarrar pontas soltas. Posso dizer que toda a trilogia de Brandon Sanderson me deixou com um sabor agridoce. Momentos geniais e outros forçados, história super original fustigada por uma escrita banal, um mundo com muitas lacunas salvo por um ambiente bem agradável. No fim, ficam as melhores recordações da série e o final surpreendeu-me muito, o que foi ótimo. Ainda assim, tenho o primeiro volume como o melhor da trilogia.

#3 A melhor saga

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Na lista das minhas séries preferidas consta A Torre Negra de Stephen King (não é por acaso que é esta a saga que tem lugar de honra na minha mesa-de-cabeceira). E com monstros como Scott Lynch e George R. R. Martin nas suas pausas sabáticas, é a saga de King a escolhida para liderar as minhas preferências do primeiro semestre, no que diz respeito a sagas. Lobos de Calla, o quinto volume, não me desapontou.

#4 O melhor livro

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Os Pilares da Terra, de Ken Follett, foi seguramente a melhor leitura até ao momento. Um rol de personagens fascinantes, descrições deliciosas e uma composição de personalidades sublimes. Segredos sobre segredos e a construção de uma catedral servem de motor narrativo para uma história densa e emocionante sobre os problemas entre a Coroa e a Igreja na Inglaterra do século XII.

#5 A melhor BD

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Embora Saga e Tony Chu tenham sido as maiores surpresas neste género, The Walking Dead foi, seguramente, a melhor BD. Li todos os vinte e cinco volumes até agora publicados e, no seu todo, fascinaram-me. Os instintos de sobrevivência e o drama vivido após o apocalipse walker são explorados ao máximo, ao ponto de comportamentos serem discutidos e a dicotomia bem e mal ser posta à prova. Um trabalho genial de Robert Kirkman.

#6 O mais bem humorado

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A par de Saga, as aventuras do cibopata Tony Chu foram as mais divertidas que li este ano. Após uma terrível gripe aviária, o comércio de frango foi proibido e começou a ser traficado como uma droga ilegal. É nesse contexto que uma entidade reguladora de saúde do governo norte-americano contrata Chu, um homem capaz de “ler” o percurso de vida de tudo aquilo que ingere. A série divertiu-me desde o início, mas demorou a deslumbrar-me. Neste momento é uma das minhas BD’s preferidas.

#7 A maior desilusão

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Depois de ler as Histórias de Aventureiros e Patifes e ter ficado fascinado com a escrita de Gillian Flynn, vim para este Em Parte Incerta com as expectativas bem altas. O livro desapontou-me em toda a largura. Desenvolvimento forçado, personagens desinteressantes e escrita cansativa.

#8 A melhor capa

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Gostei imenso da capa do quarto volume de As Águias de Roma, de Enrico Marini. A cena bélica é cativante e a expressão do rosto coaduna-se ao personagem Armínio. Podia escolher as capas dos outros volumes da série, ou até mesmo uma das muitas e excelentes capas da BD The Walking Dead, mas esta acabou por ser mesmo a que achei mais cativante.

#9 A pior capa

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A capa do livro A Balada de Antel, de Eric M. Souza, acabou por me cativar somente pelas cores utilizadas. As expressões faciais têm um aspeto estranho e o livro merecia um trabalho gráfico mais elaborado por parte da editora Saída de Emergência.

#10 A melhor composição gráfica

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Podia referir alguma BD, mas escolhi o livro Príncipe dos Espinhos, de Mark Lawrence. O trabalho gráfico da TopSeller agradou-me imenso. Não só manteve a capa original, como todo o interior foi trabalhado com bom gosto, em tons negros e brancos para sublinhar o carácter dark da obra. Deu-me muito gosto desfolhar este pequeno livro.


Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG do primeiro semestre. 🙂

As Águias de Roma #4

Muitos deles sacrificaram-se na Ilíria e ainda não receberam o saque que lhes foi prometido. O seu ódio contra Roma aumenta dia após dia.

O texto seguinte contém spoilers do quarto volume da série As Águias de Roma (formato BD)

A série em banda-desenhada de Enrico Marini chega ao clímax neste quarto volume, publicado em Portugal pela Edições ASA. No livro anterior, Marco descobriu que o seu irmão de criação, Armínio, organizava uma rebelião germânica contra Roma, e este volume começa precisamente com uma batalha entre as forças de Marco e as de Loktar, libertado por Armínio. Em Visurgis, no quartel-general de Varo, Armínio salva a vida ao governador, ganhando assim mais uma dívida de gratidão e um voto de confiança.

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Armínio (Marini)

Regressado da guerra, Lépido aterroriza a mulher, Priscilla, e tenta violá-la em frente ao filho, embora o menino acabe por fugir e ser instigado por Armínio a matá-lo. Depois, Armínio regressa para junto dos clãs germânicos e engendra um encontro com Thusnelda, a filha de Segestes, com quem vive um romance proibido.

Nesse momento, Loktar e Marco enfrentam-se em batalha e Marco é aprisionado, sendo levado a Armínio. Quando um bárbaro germânico reclama a liderança dos clãs e desafia o jovem estratega para um combate corpo a corpo, o prisioneiro Marco recebe uma visita inesperada, que o liberta e ajuda a fugir. Encontra as forças de Segestes, o seu aliado germânico, e regressam a Visurgis, tentando convencer Varo da traição de Armínio. Envenenado pelas palavras deste, o romano não acredita em Marco e manda prendê-lo, depois de uma testemunha o acusar de ter assassinado o seu servo Nektarius. Nas masmorras, Armínio revela as suas intenções ao antigo amigo, enquanto o pequeno filho de Marco e Priscilla surpreende Lépido com uma faca.

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Capa Edições Asa
SINOPSE:

As runas já o haviam anunciado: ele era aquele que iria unir as tribos da Germânia. Mesmo que para isso tivesse de trair Roma, que tudo lhe deu, que fez dele o homem que ele é agora. Armínio vai então desafiar o império romano. E Marco vai afrontar Armínio, o seu irmão de sangue. Assim se cumprem os destinos, desprezando a história e a amizade. E, quem sabe, também o amor… Porque, embora Marco seja soldado e romano, quem vive no seu coração não é o império, mas sim Priscilla. Priscilla que, mais uma vez, parece escapar-lhe. Renunciará ele à sua amada e àquele filho que chama «pai» a outro homem?

OPINIÃO:

O quarto volume de As Águias de Roma é um desfile de acontecimentos, batalhas e volte-faces que apenas vem consolidar a minha opinião positiva sobre a série. Os dois personagens principais, Marco e Armínio, demonstram desde o primeiro volume um desenvolvimento gradual, um desdobramento de comportamentos e ações que refletem a forma como cada um encara os princípios e valores em que foram gerados. Ao mesmo tempo que são a antítese um do outro, os dois personagens complementam-se.

De forma consistente e credível, Marini constrói um jogo de acontecimentos emocionantes com bastante sumo narrativo, levando o leitor a sentir os dramas dos personagens e conduzindo-o numa guerra entre dois homens que foram um dia os melhores amigos. A história fictícia antecede um facto real, a batalha da Floresta de Teutoburgo, onde Armínio massacrou as legiões romanas.

Mais um volume repleto de detalhes notáveis a nível gráfico, que consolidam este como o trabalho mais conceituado de Enrico Marini. O traço expressivo consegue inquietar e excitar, tanto nas cenas de volúpia como nas descrições de batalha, e a variância de tons continua a ser um fator muito positivo para a “leitura” das pranchas. Resumindo, posso considerar este como uma das melhores produções gráficas dentro do género histórico que já li, seguindo o melhor da tradição franco-belga.

Avaliação: 8/10

As Águias de Roma (Asa):

#1 Livro I

#2 Livro II

#3 Livro III

#4 Livro IV

#5 Livro V

 

 

 

As Águias de Roma #3

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Mas agora eu me pergunto: onde estão esses valorosos soldados? Só vejo um bando de miseráveis.

O texto seguinte contém spoilers do terceiro volume da série As Águias de Roma (formato BD)

Continuam as aventuras de Marco e Armínio, escritas e ilustradas por Enrico Marini e editadas em Portugal pelas Edições ASA. Neste terceiro volume de As Águias de Roma, encontramos Armínio entre os germânicos, conhecendo as suas gentes e ganhando influência sobre elas. Ali percebe-se que o ponto fraco da Germânia face aos romanos é o facto de estar dividida em muitas tribos. Ao tomar conhecimento de uma profecia, Armínio vira o jogo e une os clãs para enfrentar Roma, enquanto finge continuar do seu lado.

Por sua vez, encontramos Marco mais amadurecido, saindo de Roma como perfeito para fazer face aos germânicos. É quando discute os planos de combate com o impiedoso Varo que reencontra Priscilla, a sua amada. Ela está com o esposo e tem um filho. É também nesse momento que reencontra Armínio, que por essa altura faz jogo duplo com Roma e Germânia, onde foi prometido à filha de Segestes, o líder de uma das tribos. Marco é surpreendido por Priscilla, com quem se envolve. Entre juras de amor, ela revela que o pequeno Tito é filho de Marco, e ele compromete-se com ela para a vida.

Sob as ordens do Imperador, Marco começa a trabalhar num posto-avançado de Varo, um forte onde os homens parecem preguiçosos e pouco resistentes. Enquanto progride e tenta preparar o forte a um cerco germânico, Marco é convidado pelo líder de uma das tribos germânicas à sua casa. Segestes pretende casar Marco com a sua filha, traindo assim o pacto pré-estabelecido com Armínio. Depois de o receber, unem-se para enfrentar um grupo de salteadores vestidos com peles e cabeças de lobo, que vencem facilmente. É quando encontram uma mulher caída em desgraça, deixada para morrer por adultério.

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Priscilla e Marco (Marini)

É levada por Marco, que faz dela sua amante. Armínio, percebendo as movimentações de Marco e a intenção de levar Loktar, seu aliado, como prisioneiro a Varo, leva-o para a floresta, onde revela a sua traição: é Armínio quem está a preparar a rebelião contra Roma. Marco e Armínio lutam um contra o outro, mas um grupo de germânicos surge das sombras e Marco não vê outra alternativa senão fugir. Encontrar-se-ão mais tarde, no campo de batalha.

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Capa Edições Asa
SINOPSE:

Marco e Armínio cresceram juntos.
Juntos experimentaram a autoridade e a disciplina de ferro de uma educação romana. Fizeram-se homens e soldados, tornaram-se irmãos. Mas o amor quebrou as suas juras e os seus caminhos divergiram. Agora, corre um rumor: Armínio, regressado à Germânia, às terras do seu povo, estaria a preparar uma rebelião contra Roma.
Enviado como espião pelo imperador, saberá Marco ler no coração do seu amigo?

OPINIÃO:

Este é, muito possivelmente, o melhor volume dos três lidos. No que à narrativa diz respeito, Marini atinge o zénite daquilo a que se propôs. Um jogo político e estratégico cativante, onde os personagens movem-se com fluidez. Marco e Armínio assumem-se como peças capitais no tabuleiro de xadrez e encontramos personagens de boa e má índole dos dois lados da barricada. Se Armínio se consolida como um estratega ímpar, Marco não é tolo e faz mover as suas peças numa intrincada rede de espionagem. Bastante credível em todos os aspetos, a história convida-nos a viver o mundo romano de uma forma emocionante e verosímil, sem faltar as doses certas de intriga, sangue e sexo.

A nível gráfico, Enrico Marini revela-se cada vez mais competente. As cores são fortes e atrativas, as expressões bem definidas, o detalhe dos movimentos e dos cenários bem captados e realistas. Nesse aspeto, o rigor é tão tangível em personalidades como nos trajes e armamentos. Acima de tudo, defino este volume como bem-conseguido, colocando As Águias de Roma na lista das minhas bandas desenhadas preferidas, desenvolvendo muito bem os dois protagonistas e permitindo aos leitores que torçam pelo seu predileto.

Avaliação: 8/10

As Águias de Roma (Asa):

#1 Livro I

#2 Livro II

#3 Livro III

#4 Livro IV

#5 Livro V

As Águias de Roma #2

A luxúria deveria ser a melhor atividade para uma mulher como você. E ainda mais depois da Lex Julia contra o adultério.

O texto seguinte contém spoilers do segundo volume da série As Águias de Roma (formato BD)

O segundo volume da banda-desenhada As Águias de Roma foi publicado pela Edições ASA, com ilustração e roteiro do artista italiano Enrico Marini. Se o primeiro volume se centrou na educação de Marco e Armínio (Ermanamer), e nas diferenças entre o filho do senhor romano e o “refém” germânico, este segundo apresenta os dois personagens mais velhos. A amizade deles solidificou-se, mas ambos mantém diferenças que acabam sempre por separá-los. No entanto, a ação deste livro centra-se em Marco e mostra Armínio como uma sombra, um conselheiro de intenções dúbias.

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Arte de Marco (Marini)

Marco é amante da esposa de um senador, mas acaba por se apaixonar perdidamente por uma jovem que se encontra prometida a um romano influente, Lépido. A impossibilidade desse amor apenas alimenta a paixão de Marco pela bela Priscilla. Tenta encontrar-se com ela, mas um enorme guarda-costas parece sempre vigiar os seus passos. Quando Marco decide prescindir do seu prestígio militar e renuncia à guerra para fugir com Priscilla, Armínio trái a sua amizade e conspira contra esse amor. O jovem romano não só é drogado pela bela Morfea para que Priscilla os encontre juntos (descobrindo posteriormente que a prostituta é mãe da sua amada), como é denunciado ao pai, que se envergonha do seu comportamento. Marco renuncia então ao amor, partindo para a guerra, onde Armínio já se encontra… Resta esperar para ver de que lado eles estarão nesse tabuleiro de xadrez.

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Capa Edições Asa
SINOPSE:

Marco Valério Falco e Ermanamer tiveram o mesmo treino e foram submetidos a uma disciplina de ferro. Ao longo das provas, os dois jovens começam por defrontar-se e acabam por se tornar amigos. Descobrem a embriaguez das armas e o prazer dos sentidos, acabando por misturar os seus sangues para selar um pacto de fraternidade eterna.

OPINIÃO:

Muito embora este segundo volume tenha-se focado nas relações amorosas do protagonista, com muitas cenas de sexo e pouco desenvolvimento a nível narrativo, acabou por me agradar tanto ou mais que o primeiro. A relação entre Marco e Armínio é o pano de fundo de uma história que continua a prometer, apesar de ainda não ter explodido em nenhum momento. Bem, talvez a revelação sobre a maternidade de uma determinada personagem! mas nada que tenha grande influência para a linha mestra da trama.

O que me agrada mais nesta banda-desenhada é o rigor histórico, não só na ilustração dos locais e pormenores, como no próprio discurso dos personagens. Através dos olhos de Enrico Marini, As Águias de Roma apresenta-nos o mundo romano com todos os seus comportamentos desviantes e dilemas de forma palpável. Registo o progresso na arte representada, a nível de detalhes e de corpos humanos, a nível de expressões faciais e corporais. É uma banda-desenhada para um público adulto, rica em elementos sexuais e intriga política. Não estou apaixonado pela série, mas lê-se (e vê-se) muito bem.

Avaliação: 7/10

As Águias de Roma (Asa):

#1 Livro I

#2 Livro II

#3 Livro III

#4 Livro IV

#5 Livro V

As Águias de Roma #1

Eu já treinei milhares de recrutas. Deixei-os comer pó e cuspir sangue. No final, eles gostaram de mim, pois fiz deles soldados legionários… Os melhores soldados do mundo!

O texto seguinte contém spoilers do primeiro volume da série As Águias de Roma (formato BD)

O primeiro volume da série As Águias de Roma, com roteiro e arte de Enrico Marini, foi publicado em Portugal pelas Edições Asa em 2011.

A narrativa, passada no auge do Império Romano, apresenta dois jovens muito diferentes. Marco, filho do romano Tito Valério Falco, e Ermanamer, filho de um príncipe germânico levado para Roma, onde é renomeado Caio Júlio Armínio. A Tito é confiada a educação do jovem Armínio, por ordens do Imperador. Ao início, o germânico revela-se bem mais talhado para as artes da guerra do que Marco, o que desperta a admiração do homem que o albergou e a inveja do seu irmão de criação.

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Marco (Marini)

Também a facilidade com que Armínio conquista as jovens intriga Marco e fomenta entre os rapazes uma certa inimizade. Ainda assim, Marco acaba por se revelar mais nobre de princípios e depois de matar um urso, salvando a vida a Armínio, os dois tornam-se os melhores amigos. A vida dos dois jovens sofre uma reviravolta, porém, quando Lucilla, irmã de Marco, pede a Armínio para a desflorar antes de se casar com o senador Casso, e manifesta o seu desejo em ver a madrasta morta. Misteriosamente, a esposa de Tito é encontrada sem vida.

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Capa Edições Asa
SINOPSE:

Após um terrível combate, Ermanamer, filho do príncipe Sigmar, fica refém dos romanos. O imperador Augusto confia-o ao seu fiel Tito Valério Falco, que tem um filho da mesma idade, Marco. Os dois jovens recebem uma rigorosa educação romana, submetidos a uma disciplina de ferro. Ao longo das provas, o ódio mais implacável cede lugar à amizade. Mas o que acontece à fraternidade de espírito e de armas quando surge o amor por uma mulher?

OPINIÃO:

Sem surpreender, Marini construiu uma narrativa básica e cheia de clichés, mas com tantas histórias já contadas sobre o Império Romano, seria difícil não os encontrar. Faltam algumas frases de efeito, mas os diálogos foram bem trabalhados e as relações entre personagens bem exploradas. A reta final do primeiro volume agradou-me, com algumas reviravoltas e dando destaque a outros personagens para além dos dois protagonistas. Julgo que os dados estão lançados para uma continuação cheia de surpresas e de reviravoltas.

A nível gráfico, as cores são realmente o mais notável da edição. O desenho de As Águias de Roma não me desiludiu; tanto as expressões faciais quanto os traços corporais – masculinos e femininos – agradaram-me bastante.

Avaliação: 7/10

As Águias de Roma (Asa):

#1 Livro I

#2 Livro II

#3 Livro III

#4 Livro IV

#5 Livro V