Sessão de Autógrafos na Feira da Ascensão (Chamusca)

Chegamos a maio e maio abre-nos a porta às épocas festivas com a grande Feira da Ascensão, na Chamusca, uma das mais famosas do Ribatejo. Este ano tive o prazer de estar presente, não só como espectador, como é habitual, mas também como autor convidado da Feira do Livro do certame. Depois de já ter tido o privilégio de ser convidado pela Rota do Livro para a Alpiagra, em setembro, voltei a aceitar o convite da organização. Ao lado da autora Cátia Salvado Fonseca, enfrentei a noite de temporal, que não impediu que fossem vários os transeuntes a chegar e a adquirir o meu livro Espada que Sangra. Uma noite de autógrafos para recordar e repetir. Aqui ficam as fotos:

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Dia Mundial do Livro

Dia 23 de abril de 2016. 20:45. Passei aqui para comemorar este Dia Mundial do Livro, que se traduz naquilo que, afinal de contas, vivemos diariamente – nós, bookaholics, os que não passamos sem um bom volume aveludado entre os dedos, alimentando os olhos e polindo a mente.

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E assim, em jeito de quem não quer a coisa, despeço-me com um anúncio: dia 7 de Maio, pelas 21 horas, espero por vocês no edifício do Centro Cultural da Chamusca, para uma sessão de autógrafos do meu livro Espada que Sangra, incluída na Feira do Livro da Feira da Ascensão. E ainda estão a tempo de aproveitar os descontos do Dia Mundial do Livro, nas lojas online da FNAC e Bertrand.

Não percam a oportunidade.

Sessão de Autógrafos na ALPIAGRA

Pois é, foi com uma grande honra que acedi ao convite da Rota do Livro para estar presente na 33.ª Feira Agrícola e Comercial de Alpiarça – a ALPIAGRA – em mais uma sessão de autógrafos. Tive a oportunidade de privar com os escritores Paulo Gomes (Quadras de Amor Vol I e II) e Maria João de Sousa Carvalho (Jantei Ontem em Seattle), pessoas muito gentis e bem-humoradas, com quem passei um momento de reflexão e convívio. O tempo não estava convidativo e a afluência pecou por escassa, mas foi um evento interessantíssimo a nível cultural. Acutilante e irónico pormenor, os exemplares do “Espada que Sangra” chegaram à Feira pelas minhas mãos, e não pelas da editora como seria suposto. Este pormenor daria azo a uma série de parágrafos sobre o funcionamento da editora e sobre a aparente falta de profissionalismo, mas prefiro ficar-me por aqui. Resta-me a garantia de que nunca mais trabalharei com ela, a não ser que a senilidade me embarace, não por esta, mas por inúmeras razões.

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Depois de um fim de semana pacífico, com a apresentação de um concurso de Vestidos de Chita e uma sessão de autógrafos que decorreu durante a tarde e princípio da noite de domingo, resta-me dedicar ao trabalho, à escrita, à leitura e à vida do dia-a-dia. Novos eventos e peripécias me aguardam. Aqui ficam algumas fotos do evento:

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3.º Aniversário do Blogue

É verdade, parece que foi ontem que comecei o blogue e já faz três aninhos. Três anos de vitórias e derrotas, e muita história para contar. Comecei na blogosfera com um blogue de desabafos, em que não falava mais do que assuntos triviais do dia-a-dia, o Deixa-me Dormir, um blogue que ainda durou bastantes anos, paralelamente a outro que criei dedicado ao teatro e a todo o tipo de artes cénicas. Com o tempo, perdi o interesse em ambos os blogues e percebi que começava a escrever apenas posts relacionados com literatura. Percebi também que blogues genéricos acabam por ser um “nem sim, nem sopas”, e apesar dos vários seguidores que me comentavam regularmente, acabei por cancelá-lo sem despedidas nem anúncios. Iniciei um wordpress, o Deixa-me Ler-te, onde apenas postava opinião aos livros que lia. E é esse blogue que estão a ler neste momento. Em Setembro do ano passado publiquei o meu primeiro livro, e o blogue do leitor transformou-se no blogue do leitor e autor. O Deixa-me Ler-te passou a ser diário de leituras e apresentações do Nuno Ferreira, Notícias de Zallar.

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O visual do blogue não foi nem é a minha maior preocupação. Aproveitei o verão para fazer testes, depois de largos meses com o mesmo tema, e estou num período de experimentação para decidir aquele que será o visual mais comum na próxima temporada. Preocupo-me, acima de tudo, em manter o blogue atualizado, não só sobre novidades sobre os meus livros como também sobre as minhas presenças e opiniões a livros e séries que leio. Este blogue é apenas um pedacinho de mim, que não queria de maneira nenhuma deixar de fomentar e de partilhar convosco. Trabalho para que se sintam em casa e que gostem de ler os meus artigos com mais ou menos curiosidade. Nunca trabalhei para ter seguidores, não tenho muitos e isso não me preocupa. As pessoas que sei que lêem e (algumas) comentam são as suficientes. Mais do que fazer o blogue para as pessoas, faço principalmente para mim. É algo que me dá muito gozo e faço-o sem esperar qualquer contrapartida. Pelo menos até ao momento em que publiquei o Espada que Sangra. A partir daí as coisas só mudaram porque o blogue tornou-se também um meio de fazer chegar ao público o meu livro, e por isso cada vez mais as partilhas são necessárias. Gostaria de comemorar este terceiro aniversário do blogue com um anúncio sobre o segundo livro, mas ainda não tenho novidades para vós. Estou a avaliar as possibilidades de mercado, alguns problemas editoriais estão a condicionar-me mas só posso dizer com segurança que qualquer escolha que eu possa fazer, será para dar uma maior projeção e condições de sucesso às minhas Histórias Vermelhas de Zallar. Estou quase a meio do quarto volume da saga, o final está próximo e já definido, e a confiança com que escrevo dá-me grandes garantias internas. É sem grandes problemas que afirmo sem hesitações que a minha obra melhora de livro para livro, e os desfechos finais serão imprevisíveis.

Por tudo isto, espero que continuem a acompanhar-me e eu cá estarei para ouvir as vossas opiniões e também publicar convosco todo o tipo de opiniões a leituras que, são, antes de um hobbie, um material de trabalho. Ler é uma paixão que nos une, uma paixão tão venerável como a paixão pela escrita. São dois elos de uma mesma corrente.

Que Aan vos abençoe. 😀

As Origens de Zallar #7: Os Jogos de Poder

A sorte não existe. Aquilo a que chamais sorte é o cuidado com os pormenores. Winston Churchill

AVISO:

Este artigo contém spoilers do meu livro Espada que Sangra, mas pode ser lido em simultâneo, como um companion, pelos leitores mais curiosos. Conheçam mais do meu mundo fantástico.

Hoje venho falar-vos sobre jogos de poder. Mais do que as movimentações entre irmãos pela conquista do poder (reparem que os Ameril governam há imenso tempo e sempre houve despiques entre irmãos pela posse do trono), quero falar-vos de movimentos que lhes estão subjacentes: as camadas inferiores da governação. O Conselho de Estado que tem sempre um voto na matéria, composto por homens que já deram tanto de si à Espada e que foram nomeados para aqueles cargos tão veneráveis. Quem são estes homens? Quais as suas verdadeiras intenções? Há todo um jogo de bastidores que coordena as engrenagens de Welçantiah? Em que me inspirei para a criação deste Conselho?

Na monarquia romana, uma das funções mais decisivas era a de escolher o rei, o que acontecia no período a que se convencionou chamar interregnum. Quando um rei morria, um membro do senado indicava um candidato para substituir o rei. Durante o primeiro intervalo de tempo que se deu após o desaparecimento de Rómulo, o senado de cem homens dividiu-se em dez decurias, cada uma delas era representada por um decurio. Esse sujeito desempenhava a função de interrex durante cinco dias, sendo substituído logo após esse período por outro senador, o que se sucedeu durante um ano. Ao final desse ano, um novo rei foi eleito, após ser aprovada a candidatura pelo senado, ter sido eleito pelo povo e novamente pelo senado, que tinha sempre a última palavra a dizer, o que por si só mostrava o poder desta faixa política. É também de destacar a influência que esse senado tinha a nível legistativo e consultivo. As suas palavras tornaram-se sinónimo de sabedoria e o conselho do senado romano um famigerado exemplo de sucesso.

A única coisa a fazer com os bons conselhos é passá-los a outros; pois nunca têm utilidade para nós próprios. Oscar Wilde

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À sua volta gravitavam homens que colecionavam competências ímpares no jogo de estratégia e um tato apurado para todo o tipo de questões palacianas. No entanto, o que os olhos – e os ouvidos – de Hymadher lhe mostravam eram sombras expectantes, que esperavam ansiosamente pela sua oportunidade para lhe meterem as garras em cima.

Sombras que mordem.

A organização do governo de Welçantiah era complexa. O órgão máximo da cadeia era o Rei, também chamado de xer ou Príncipe Maior. Ele era o sumo responsável por todos os desígnios da sua espada e ninguém detinha mais poder do que ele. A sua ação estava mais intimamente ligada às questões marciais, pois era o principal representante do exército, mas estava também encarregue dos poderes administrativos e legislativos. Em ambos os casos, tinha alguém em quem delegar funções. As questões administrativas eram essencialmente desempenhadas pelo Rei, mas muitas questões menores eram ministradas pelo chanceler: uma figura institucional ocupada por dois ou três conselheiros da sua máxima confiança. Mesmo nas questões de maior importância, eram pedidas Assembleias em que o voto de um chanceler tinha grande peso na decisão finalEspada que Sangra

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No meu livro Espada que Sangra, o Conselho de Welçantiah desempenha um papel em muito semelhante ao do senado romano nos seus tempos monárquicos. É neste cenário que emergem figuras políticas tão ricas como controversas; estou a falar de nomes como Fel Manny, Vax Mohill, Agnim Wilfred-Hunther, personagens importantíssimos no decorrer desta saga. Cada um deles tem a sua motivação secreta, o seu requinte de intriga e uma palavra a dizer no que concerne à governação daquela que é a Espada mais fulgurante de Terra Parda. Curioso?

Arrisca-te a entrar no sangrento mundo de Zallar.

Atreve-te a sobreviver.

Apaixona-te.

Nota: Para a realização deste artigo tive o auxílio de várias anotações minhas. Procurei também na Wikipedia informações sobre o senado romano para não pecar em imprecisões. 

Lego “Espada que Sangra”

Olá, caros seguidores do planeta Zallar. Como sabem, sou grande fã da marca Lego, e não resisti a criar este desafio, que me permite promover o meu livro enquanto me divirto. O objetivo é ir reproduzindo cenas do Espada que Sangra com peças de Lego. Bem, a tarefa não se adivinhava fácil, até porque as minhas peças, por muito bem estimadas que estejam, já têm alguns anos… mas correu melhor do que eu esperava. A primeira cena que eu irei reproduzir encontra-se nos primeiros capítulos do livro, a chegada dos hurkk ao Palácio de Alabastro em Hyldegard e a receção da rainha aos mensageiros.

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Aqui ficam excertos da cena em questão, para aqueles que não leram o livro se contextualizarem:

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“Percebendo quem se encontrava à sua frente, ambos os hurkk decidiram proceder às suas respetivas reverências. A Rainha sorriu perante a beleza daqueles dois exemplares. Mas o seu olhar voou para além deles.”

“O animal aninhou-se aos pés de Ezzila e fechou os olhos. Instalada na sua poltrona, a Rainha olhou então gravemente para os mensageiros.

– Os meus nobres olhos observam que vêm da Espada do Unicórnio. Ventos frios trazem-me maus prenúncios. Que novas há?!

Um dos hurkk deu dois passos à frente e fez descer o joelho direito até ao solo de mármore branco com uma excelsa graciosidade. Fletiu o esquerdo. Vergando ligeiramente a cabeça, evitou o olhar penetrante da Rainha, e tomou a palavra numa voz fina e estridente.”

Também o personagem Ruth Amarion, esposo de Ezzila e lorde-camareiro de Hyldegard, é apresentado nesta cena:

“Ruth Amarion era o seu cônjugue.

– Minha querida esposa! – lançou em tom jocoso. – Tenha a bondade de nos brindar com a sua adorada companhia.

Lego 1Amarion, no entanto, não era rei, e tampouco fora o seu primeiro marido. Era o segundo, e se Ezzila não amara o primeiro, muito menos se podia dizer daquele espantalho palaciano. Ainda na vigência do seu falecido esposo, o Rei Maskean Olegos, Ruth Amarion fora um simples ministro na base do governo. Mas isso mudou. Olegos morreu, Ezzila sucedeu-lhe no poder, e quando a fome assolou Hyldegard, a Rainha revelou as suas imensas fragilidades como governante – ainda que fosse amada por muitos, ainda que tivesse um invulgar dom da palavra, era lamentavelmente unânime a opinião de que a sua apetência para a administração da cidadela era medíocre. Naquele momento, tudo parecia estar perdido, e Ezzila viu-se na eminência de conceder ao Conselho de Estado livre-arbítrio na sua ação. Amarion era já o primeiro-ministro, e rapidamente se transformou no herói que chegou e corrigiu a calamitante conjuntura social da época.”

A reprodução sofre de algumas imprecisões. À falta de um tigre-dentes-de-sabre fui obrigado a transformar Skygga num gatinho, e alguns pormenores foram ocultados, como as pilhas de livros em volta do trono ou a harpa tocada por Hzora, o jovem príncipe. A estátua da deusa Amável também foi substituída, desta feita pela estátua de um homem encapuzado. Tentei manter-me fiel à história que escrevi e aqui fica o resultado final desta primeira reprodução. 😀 Quem quiser participar neste desafio, toca a ir buscar legos ao baú e mergulhem no mundo de Zallar 😀 😀

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Deus… Menor

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O medo enfraquece o homem. Torna-o reativo, apaixonado mas lento, torna-o parvinho. Simplesmente acontece. São palavras escritas no computador portátil de um simples autor; um deus criador para o mundo que escreve e que, quase inexplicavelmente, ganha vida própria. Pergunto-me se o Criador do nosso universo se sente assim tão perplexo ao redigir as tramas das nossas vidas. É com agradável entusiasmo que me encontro já a garatujar o quarto volume das Histórias Vermelhas de Zallar, cujo título de trabalho (e muito possivelmente o definitivo) será Deus Menor. Os meus personagens ganharam vida própria, é verdade, mas continuam meus, e a corresponder às expectativas que criei para eles. Sob um teto de estrelas, a ação avança e as histórias interligam-se. Os personagens seguem os trajetos que desenhei e convergem no caminho de um final coerente e verosímil. Não sei se é a minha vontade a falar quando digo isto, ou se é mesmo a minha análise de autor a concordar com essa mesma vontade, mas sinto-me empolgado com o rumo da obra e sinto que não negligenciei nenhum núcleo. Sou um autor muito perfeccionista e sentir isto é formidável. Se há alguém que se pode queixar, é o meu computador, pelas dedadas esmagadoras de um autor assassino de personagens – e, claro está, essas mesmas personagens que se encontram a dormitar para a eternidade no cemitério dos que já se foram.

Sou um homem pragmático em algumas coisas, em outras nem tanto, mas gosto de ir ao cerne da questão. Para os que gostam do meu trabalho, e para os que não gostam sem terem tocado sequer nele, posso dizer que as Histórias vão continuar o seu percurso de brutalidades e a intensidade vai aumentar. Agradeço todo o carinho com que aquele importante núcleo de pessoas que admira o meu trabalho continua a tratar-me. Apesar de estar a escrever o quarto volume, o segundo não foi esquecido e acendam uma velinha a Aan para que ele saia este ano. Todos os meus esforços vão nesse sentido e a revisão do livro está a caminhar a passos de gigante. Gostava de vos falar mais sobre ele, sobre o que vem por aí, mas só vos posso dizer que os próximos livros são volumes cheios de emoção, aliando uma fantasia verosímil baseada na Antiguidade Clássica, Civilizações Meso-americanas e Egípcias a uma análise profunda do comportamento humano, com personagens tão ambíguos quanto apaixonantes. Como diz Stephen King na tão famosa Dark Tower Saga que estou a ler neste momento, o mundo avança, e acrescento: à medida que ficamos mais experientes naquilo que fazemos, forçamo-nos a saudar o passado com a humildade de quem erra e a sabedoria de quem sabe que tem muito ainda para aprender. A vida é como uma bola, quantos mais pontapés lhe dás, mais ela enfraquece e definha.

Ergam as espadas e tenham um mês de Maio cheio de grandes leituras, boa gente de Zallar. 😛

100 Posts, Peça a Peça

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Costumo dizer que a minha vida é uma grande construção de Lego e que dia-a-dia tento colocar mais uma peça no seu devido encaixe. É com grande satisfação que sinto que o meu percurso é uma evolução constante, e este blogue faz parte (ou é um pequeno testemunho) dessa evolução. Tive dois blogues antes deste: o Deixa-me Dormir, que servia única e exclusivamente para desabafar e partilhar notícias (ainda durou uns aninhos), e o Reticências da Arte, que servia para divulgar e promover todo o tipo de eventos relacionados com teatro e artes cénicas, que me serviu um pouco para desenvolver o projeto da escola de teatro que ainda tenho em gaveta e que espero vir a concretizar um dia. Acabei por dar um termo nos dois blogues que geria em simultâneo, por falta de tempo para os gerir, e criei o wordpress, dedicado à literatura. Este blogue – que até eu me tornar “escritor” chamou-se Deixa-me Ler-te – começou em Agosto de 2012 com publicações pontuais, onde apenas postava opiniões aos livros que lia, e não com tanta frequência quanto hoje. Depois de publicar o “Espada que Sangra” e me tornar mais conhecido na blogosfera, graças à boa divulgação de (hoje) amigos como o Paulo (Fiacha) e a Sofia (Delícias à Lareira), tornei-me muito mais assíduo no blogue. Tornou-se o blogue Notícias de Zallar, mais do que isso o blogue do autor Nuno Ferreira. Neste momento não tenciono fazer parcerias com editoras, passatempos, nem competir com ninguém. Quero ter um blogue moderno com tudo aquilo que gosto. Divulgar as minhas sessões de apresentação e o meu livro, levantar pontinhas do véu, redigir artigos interessantes sobre Zallar (costumas ler As Origens de Zallar?), mas também falar sobre séries de televisão e bd’s que acompanho, acima de tudo continuar a comentar os livros que leio. Porque tudo o que um escritor lê é bagagem, faz parte também do seu trabalho de pesquisa e desenvolvimento.

Sem Título 2Ao longo destes 100 artigos escritos no blogue, aconteceram várias mudanças na minha vida pessoal e profissional. Hoje, a par do meu trabalho no Hospital, tornei-me um autor, o que me realizou imenso pessoalmente mas também roubou tempo e energia para outras atividades. Tento, no entanto, continuar os meus hobbies, e nesse aspeto o Clube União de Recreios de Moita do Norte é uma casa para mim. Continuo a frequentar, com mais ou menos frequência, os treinos de dança, começo a avançar com Troféu 2mais projetos de teatro, e os trabalhos na direção, embora os tenha negligenciado um pouco ultimamente, nunca páram. No passado fim de semana, a direção do Clube e a Escola de Dança organizaram o primeiro campeonato regional de dança no nosso concelho, no recém-estreado Pavilhão Municipal de Vila Nova da Barquinha. Foi o 1.º Troféu José Casebre de 2015, campeonato regional de danças de salão do distrito de Santarém. Apesar de não ter ajudado grande coisa, não pude deixar de estar presente e apoiar os nossos atletas, que conquistaram nada mais, nada menos, que seis primeiros lugares. Um orgulho. Vejo o trabalho que a organização do evento deu, e acima de tudo, o sentimento de missão cumprida.

Com mais ou menos trabalho, as atividades surgem e é muito bom, entre tantos presentes que me chegam, sentir o reconhecimento dos que me rodeiam, e de outros que pouco ou nada me conhecem. Sou um ser pequenino quase desconhecido do mundo, e há pessoas que eu não conheço e que me admiram. Isto dá-me muita moral para continuar. E porque a vida não pára, o próximo mês de Maio está cheio de eventos. Não vos irei revelar nada para já, mas depressa terão novidades. Ah, e não se esqueçam, Maio termina da melhor maneira, com a Feira do Livro de Lisboa.

As Origens de Zallar #5: A Sociedade Sem Voz

Todas as religiões são a verdade sagrada para quem tem a fé mas não passam de fantasia para os fiéis das outras religiões. Isaac Asimov

AVISO:

Este artigo contém spoilers do meu livro Espada que Sangra, mas pode ser lido em simultâneo, como um companion, pelos leitores mais curiosos. Conheçam mais do meu mundo fantástico.

Um dos capítulos que tem suscitado mais interesse aos meus leitores é aquele que incide na introdução da Sociedade Sem Voz na narrativa. O que é, na verdade, aquela sociedade? É uma seita, uma sociedade secreta, ou uma religião? Vivemos num mundo multicultural em que não só as culturas se cruzam como também as religiões. E dentro de cada religião, existem também os seus derivados, ramificações que empolam certas características em detrimento de outras. As comunidades católicas, protestantes e ortodoxas são as várias ramificações que a religião cristã alberga, diferentes interpretações de uma mesma Bíblia, daí que a Sociedade Sem Voz seja, mais do que uma sociedade, um ramal à própria religião terrapardiana. Qual a importância, então, desta crença nas Histórias Vermelhas de Zallar?

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1 – Ezzila.

É-vos revelado, no referido capítulo, que o pai de Ezzila conduzira-a à Mansão, o templo da comunidade, e nele se deitaram nus, de barriga para o teto, a orar. Tal prática era tradicional na sociedade, uma manifestação de fé. Disse-vos também que havia muito tempo que ela não voltara lá, mas que ainda assim não abolira a Sociedade, conhecendo as suas práticas. A relação entre Ezzila e os membros da sociedade é de uma velha amizade, mas também de algum remorso e tensão, o que adensa o mistério. Por várias vezes fui abordado se Caiffat, o delfim da Mansão (o alto-sacerdote da comunidade), é na verdade o pai de Ezzila, que todos julgavam exilado. Várias vezes ele a aborda por: “minha filha”. A resposta a essa pergunta deixarei que descubram no segundo volume desta saga.

2 – A mensagem.

Quando Ezzila entra na Mansão, somos apresentados a vários personagens, a maioria velhos e misteriosos. Lynkos parece ser o mais próximo da Rainha. Conhecemos também Sentyr, o velho arlequim, dois velhos guardas e um sujeito gordo e apático, que se diverte a brincar com frutas caramelizadas. No final do capítulo percebemos que esse indivíduo havia desaparecido, e que os restantes lhe haviam encomendado uma tarefa – contar o ocorrido a alguém. O resto fica em suspense, e nada mais nos é dito a respeito neste primeiro volume da série.

3 – As mortes.

Capítulos à frente, encontramos a aia da rainha, a jovem Selenya, preocupada com o estado vegetativo da soberana. Ela procura o curandeiro, e quando chega a sua casa encontra uma multidão à porta, acusando-o de charlatanice. Logo ela percebe que algo de errado se passou, porque o velho curandeiro sempre foi bem sucedido nas suas mezinhas. Ela lá arranja uma forma de entrar em casa do velho… para o encontrar enforcado na sala. Nem todas as pessoas fizeram a dedução, mas o curandeiro chamava-se Caiffat, e sim, ele era o delfim da Sociedade Sem Voz. Provavelmente já setenta por cento dos leitores se havia esquecido desta sociedade quando é revelado que Ruth Amarion, o esposo e grande inimigo da Rainha, assassinou Lynkos, um dos membros da Sociedade. Pode parecer estranho e pouco significativo para o enredo, mas no próximo volume terão respostas sobre estes eventos.

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A história da Mansão confundia-se com a própria história de Hyldegard. A congregação surgiu ao terceiro mês do ano de 149, por iniciativa de um grupo de artistas que fugia da perseguição religiosa. Por intermédio de um importante mecenas da época, Carx Aquilon, os seus fundadores conseguiram um alvará do Rei que lhes concedia autorização para as suas atividades ocultas. A sociedade inicialmente chamou-se Sociedade do Grande Anoris, mas o Rei Herbert, no ano de 163, declarou a morte da confraria, e apenas três anos mais tarde, Allan II voltou a permitir a liberdade dos associados, com uma série de condições. Foi obrigatório o pagamento de uma joia e uma taxa fixa de quarenta jallas de ouro por ano. Para além desse pagamento, a congregação tinha a obrigação de se manter nas sombras, para não chocar com a conservadora tradição religiosa que crescia na época. Espada que Sangra

Inspirei-me em sociedades ocultistas como a Maçonaria ou a Carbonária para os primeiros traços desta “Sociedade Sem Voz”. “Sem Voz” não significa que a oração necessite de silêncio, nem, como Ezzila sugere na narrativa, que os seus filiados “silenciem” os inimigos através da lâmina. “Sem Voz” significa sem expressão. Esta não é a religião em voga em Hyldegard, nem em nenhum outro estado. É uma religião marginal, um pouco até clandestina.

Imerso mais profundamente nos meandros da Sociedade Sem Voz, recrutei traços de uma crença ainda mais profunda e polémica. O catarismo. No desenvolvimento destas Histórias, a Sociedade Sem Voz irá buscar elementos ao mais famoso movimento ascético cristão.  O catarismo foi uma ameaça séria para o pensamento cristão entre os anos 1100 e 1200, defendendo a ideia de um deus bom (o do Novo Testamento) e um deus mau (Satanás). Acreditavam que todo o mundo físico havia sido criado por Satanás e que as nossas almas eram almas sem sexo de anjos, que teriam sido aprisionadas nos nossos invólucros carnais. O catarismo teve na cidade de Albi um dos seus principais centros, pelo que os cátaros foram também chamados de albigenses. O movimento teve as suas raízes em outros existentes na Arménia e na Bulgária, e caiu vítima da perseguição religiosa. Por iniciativa do Papa Inocêncio III foi instaurada a Cruzada Albigense que consistia na acérrima perseguição aos cátaros, que a Igreja Católica considerava pura heresia. Montsegur (1244) e Quéribus (1255) foram das últimas fortificações cátaras a caírem às mãos da Igreja.

Os cátaros servem de inspiração para a Sociedade Sem Voz em que moldes? No seu pensamento radical? Na forma como se disseminou? Na forma como caiu? Através de que mão atingirão eles o seu auge, ou a sua queda? Todas essas respostas apenas poderão estar disponíveis nos próximos volumes.

“Matem todos eles, Deus saberá quem são os seus” Atribuído a Arnold Amaury, líder da Ordem dos Monges Cistercienses

Arrisca-te a entrar no sangrento mundo de Zallar.

Atreve-te a sobreviver.

Apaixona-te.

Nota: Para a realização deste artigo tive o auxílio de várias anotações minhas. Procurei também na Wikipedia informações sobre os cátaros para não pecar em imprecisões. A Enciclopédia Larousse também me esclareceu uma pequena dúvida.