Estive a Ler: Saga #8

Peço desculpa, mas vou ter de lhe pedir para ficar fora da cidade. A Vila do Aborto é só para as mulheres e família próxima.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O OITAVO VOLUME DE SAGA (FORMATO BD)

Com autoria de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples, Saga é já um caso raro de sucesso no mundo das comics. Publicado em Portugal pela G Floy Studio, a série da Image Comics chega ao oitavo volume, que inclui os números 43 a 48 da versão original, num volume de 152 páginas a cores.  O volume 9 está programado para o início do verão de 2019 em Portugal e sabemos que os autores fizeram uma pausa na produção da série, pelo que só deverão regressar em 2020 com o décimo volume.

Saga já venceu doze Prémios Eisner, entre os quais prémios para Melhor Série em Continuação, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte. Foi também “coroado” com o Prémio Hugo para Melhor História Gráfica e com uns incríveis dezassete Prémios Harvey, que elegem os melhores comics independentes, incluindo Melhor Argumento, Melhor Artista, e Melhor Nova Série.

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Fonte: G Floy Studio

De cada vez que pego num volume desta série, lembro-me o porquê de gostar tanto dela. Volume atrás de volume, Saga nunca me desilude, só aumentando cada vez mais a fasquia para o próximo. Completamente imprevisível, “assustadora” e bem-humorada, Saga é uma lufada de ar fresco na literatura, e tenho algo em mim que me diz não só da literatura em quadradinhos, mas no geral. É uma série bastante divertida, que nos oferece o que de mais irreverente e extravagante poderia haver numa space opera.

“Várias questões sociais continuam a ser tratadas, do preconceito à educação sexual, passando pelas idiossincrasias da sociedade e pela falta de estabilidade familiar.

Cada frase parece sair de forma tão genuína e fluída por parte das personagens, que ao mesmo tempo me leva a crer que ela exige um bom bocado de criatividade e de compromisso a cada fala. Os debates são tão pertinentes quanto as falas se revelam polémicas e ousadas. Sinónimo de carisma e audácia, Brian K. Vaughan chegou a tal nível de genialidade nos diálogos que vê-lo superar-se a si próprio é uma delícia.

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Fonte: G Floy Studio

A linguagem utilizada continua a ser refrescante, porém longe do fofinho que as imagens poderiam sugerir. Em alguns momentos ela pode fazer-te rir desalmadamente pelo quanto fora da caixa se demonstra. Conversas sobre sexo e asneiras são comuns nesta BD. A nível gráfico, Fiona Staples continua o trabalho incrível que tem feito nos livros anteriores, mantendo o nível e não desiludindo em nenhum aspeto. Pessoalmente, um dos fortes desta série é o poder das suas cores.

O argumento não avança muito neste oitavo volume de Saga, mas conduz-nos por um caminho de confluência entre os vários núcleos, fazendo-os sair de situações que balançam entre os limiares do desconfortável e do bizarro, para se reencontrarem. Várias questões sociais continuam a ser tratadas, do preconceito à educação sexual, passando pelas idiossincrasias da sociedade e pela falta de estabilidade familiar.

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Fonte: G Floy Studio

Após os eventos caóticos do último volume, Saga obriga o grupo a dispersar-se, com Marko e Alana a adaptarem-se à ideia de que terão mais um bebé enquanto Hazel continua a narrar a vida inusitada dos progenitores, ainda não refeita pelas mortes de Izabel e Kurti. Com uma aura bem faroeste (se tal é possível numa space opera), este oitavo volume de Saga apresenta-nos sapos insólitos, um deles com três cabeças, um outro gigante com uma língua incrivelmente comprida.

“De cada vez que pego num volume desta série, lembro-me o porquê de gostar tanto dela.”

Pelo meio, reencontramos a criatura misteriosa chamada Ianthe e conhecemos o irmão não nascido de Hazel, que se apresenta à família através de uma espécie de alucinação. Uma outra surpresa é a relação que nasce entre Petrichor e o príncipe Robot. Vontade continua a viajar em alucinações enquanto Ghüs e o menino robot participam do reencontro entre o pai deste e Petrichor com a família de Hazel.

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Fonte: G Floy Studio

A peculiaridade destas personagens continua a envolver-me e a surpreender-me mais a cada edição. Posso até dizer que elas extravasam das páginas toda a sua excentricidade. Com uma aura bem Star Wars e um argumento decididamente melhor, Saga merece todos os elogios e mais alguns. Não será surpresa então dizer que é a série de BD em atividade que mais me enche as medidas e esperar por cada volume tornou-se um exercício tão extenuante como qualquer outro.

Desmistificando Saga, este oitavo volume é mais areia para os nossos olhos, até porque a ação não avança praticamente nada. Mas, em boa verdade, não leio esta série para ver a ação a avançar. Leio-a, para me continuar a deliciar com estas personagens e com a dinâmica incrível que elas têm umas com as outras. Os relacionamentos entre elas são uma das principais qualidades do comic e é um privilégio poder ler esta série em bom português.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

#7 Volume 7

#8 Volume 8

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A Divulgar: “Saga Vol. 8” e “Astonishing X-Men Vol. 1” pela G Floy Studio

Já está em distribuição o oitavo volume de Saga, a série best-seller de Brian K. Vaughan e Fiona Staples. Os autores decidiram fazer uma pausa maior do que o habitual entre o volume 9 (que sairá nos EUA no final deste mês), e os próximos números do comic. Durante cerca de sete anos mantiveram um ritmo regular, publicando arcos de história de seis números mensalmente, e fazendo uma pausa de cerca de três meses entre cada arco. Desta vez, após a publicação do número 54 em Julho, os autores decidiram tirar férias de cerca de um ano. Para a edição portuguesa isso significa que a editora está a programar o volume 9 para o próximo mês de Maio ou Junho de 2019, e que provavelmente só haverá material para editar o volume 10 lá para meados de 2020.

Começou no passado fim-de-semana a distribuição em livrarias de Astonishing X-Men Vol. 1, o primeiro volume da saga dos X-Men escrita por Joss Whedon, que reúne duas histórias diferentes: Sobredotados (Gifted) e Perigo (Dangerous), num volume de mais de 300 páginas. Esta série será editada volumes duplos, e a fase de Joss Whedon corresponderá aos primeiros dois.

SAGA VOLUME 8

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SINOPSE:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um encontro entre a Guerra das Estrelas e Romeu e Julieta no espaço. Depois dos eventos traumáticos da Guerra por Phang, Hazel e a sua família e companheiros iniciam uma aventura que os irá mudar para sempre, nos limites mais distantes da galáxia. E teremos a oportunidade de descobrir o que aconteceu a Ghüs e à Vontade!

Fantasia e ficção científica – e sexo, traição, morte, amor verdadeiro e vinganças obsessivas – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples, que questiona incessantemente as narrativas e preconceitos do nosso tempo através do contraste com o seu mundo surreal e bizarro. 

“O génio de SAGA não está só no seu argumento hábil e inteligente ou na sua arte maravilhosa, mas na simples e tremenda coragem de ter uma aristocracia robot, assassinos com corpo de aranha, e uma gata mentirosa incrivelmente cativante. Esta explosão de ideias que existe em SAGA de algum modo condensa-se e transforma-se na mais essencial das bandas desenhadas modernas.” – THE IRISH TIMES

SAGA já venceu doze Prémios Eisner – o galardão máximo da banda desenhada anglo-saxónica – entre os quais prémios para Melhor Série em Continuação, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte. Foi também premiado com o Hugo para Melhor História Gráfica – os Hugos distinguem a melhor ficção científica publicada em cada ano, e com uns incríveis dezassete Harveys, que premeiam os melhores comics independentes, incluindo Melhor Argumento, Melhor Artista, e Melhor Nova Série.

O volume 9 está programado para o início do Verão de 2019 em Portugal. Os autores fizeram uma pausa na produção da série, que deverá regressar depois em 2020 com o volume 10.

SAGA volume 8

Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Reúne os #43 a #48 da série original de SAGA

Álbum, formato comic, 152 pgs a cores, capa dura. PVP: 12€

ISBN: 978-84-16510-80-1

PREVIEWS:

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ASTONISHING X-MEN VOLUME 1

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SINOPSE:

Uma das mais célebres e aclamadas séries dos X-Men regressa a Portugal numa edição de luxo!

A épica série de Joss Whedon e John Cassaday, num volume inicial que reúne duas grandes sagas: Sobredotados e Perigo! Na primeira história, Ciclope e Emma Frost reúnem uma nova equipa para “surpreender” o mundo, e Wolverine, Kitty Pryde e Fera serão com eles a nova cara dos X-Men. Mas a aparição de uma “cura” para o gene mutante pode fazer falhar os planos mais bem intencionados. No segundo arco, o Instituto Xavier é abalado por uma morte trágica, e os X-Men descobrem um inimigo oculto e letal a viver entre eles – um inimigo que os estudou durante anos e conhece todos os segredos da equipa!

Com este magnífico volume que lançou esta saga dos X-Men, é justo dizer-se que estamos perante uma das maiores duplas de criadores de todos os tempos da Marvel, e uma das mais importantes séries de sempre do universo dos mutantes. Joss Whedon é hoje um dos realizadores mais conhecidos de Hollywood, responsável pelos filmes dos Vingadores, e aqui encontramo-lo aliado a um dos maiores desenhadores de comics de sempre, John Cassaday, que na altura estava a começar a atingir a fama com Planetary. Com dois pesos pesados ao leme, não é de estranhar que Astonishing X-Men se tenha tornado numa das mais aclamadas séries de comics de sempre. Nomeada para inúmeros prémios Eisner, venceu em 2006 o prémio para Melhor Série em Continuação, e por duas vezes, em 2005 e 2006, o prémio foi para Cassaday como Melhor Desenhador.

“Viver confinado aos muros do Instituto Xavier é um pobre substituto para a liberdade, quando o mundo olha para os mutantes com medo e ameaça. Dilemas morais, rivalidades e disputas de há longa data, ressentimentos antigos – Whedon pegou nas melhores motivações criadas por Claremont na era clássica, e construiu à sua volta uma história sobre superação de obstáculos e o ultrapassar de fraquezas. Embora seja – obviamente – uma história de acção, a componente psicológica tem um lugar importante. Entre segredos negros e desejos ocultos que vêm à tona, são os instintos originais dos X-Men que se revelam de novo. Vale a pena prestar atenção à metamorfose que ocorre em Kitty Pryde, por exemplo, que se vai tornar numa das personagens centrais do livro!” Marcin Andrys – do prefácio

No nosso país, esta série de Joss Whedon já foi editada duas vezes: pela BdMania, que editou os quatro volumes (a partir de 2018), e pela Salvat que editou os primeiros dois na sua Colecção Oficial de Graphic Novels Marvel (vols. 4 e 21). A edição da G.Floy irá reunir os volumes dois a dois, e julgamos que o novo formato em que vai lançar esta série icónica dos X-Men, em volumes de cerca de trezentas páginas, em formato maior, justificará a compra por parte de alguns dos fãs que já a tinham. E, claro, dará a conhecer a uma nova geração de leitores a saga Astonishing X-Men, incluindo a leitores que talvez ainda não conheçam os mutantes da Marvel.

 Reúne os comics Astonishing X-Men #1-12

Álbum, formato deluxe (19 x 28), 304 pgs a cores, capa dura. PVP: 25€

ISBN: 978-84-16510-79-5

PREVIEWS:

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Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.

Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.

As Escolhas de 2017

O ano de 2017 está à beira do fim e chegou a altura dos balanços literários. De modo geral, acabou por ser um ano sensivelmente idêntico ao anterior, com mais de 90 leituras no seu todo, embora este ano tenham sido significativamente mais livros e menos BDs que no ano pretérito, conforme podem conferir na minha listagem de leituras de 2017. 44 livros de bandas desenhadas, 44 livros em prosa e mais alguns contos soltos perfazem um ano cheio de surpresas e boas leituras.

Robin Hobb (6 livros), Neil Gaiman (7 BDs e 2 livros), Brandon Sanderson (2 livros, 1 BD e 1 conto) e Robert Kirkman (5 BDs) foram os autores que mais li este ano, mas vários foram aqueles de que repeti a “dose”. Conheci nomes como Patrick Rothfuss (li tudo o que havia do nosso Kvothe), Michael Moorcock (três volumes de Elric), Jon Skovron (dois volumes de Império das Tormentas), Brent Weeks (dois volumes de Anjo da Noite) e Noelle Stevenson (Nimona) e terminei várias séries que tinha em suspenso, como a Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, A Primeira Lei de Joe Abercrombie ou A Torre Negra de Stephen King.

Fiquem, então, com as minhas escolhas literárias do ano de 2017.

MELHOR LIVRO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Praticamente empatado com A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North nas minhas preferências literárias de 2017, O Assassino do Bobo talvez tenha a vantagem de pertencer ao género que mais me agrada, a fantasia épica. Profundo, dramático, bem desenvolvido e até enternecedor, o primeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb foi a minha melhor leitura do presente ano. Na minha escolha, pesou também o facto de ter lido os 5 livros da série anterior este ano, e todos com nota elevada. Hobb merece a medalha de ouro.

MELHOR FANTASIA

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Pensei seriamente que seria mais difícil escolher o melhor livro de fantasia do ano, quando a pouco mais de um mês para o final, Robin Hobb facilitou-me a tarefa. Ainda assim, foi um ano fantástico para mim como amante do género. Deslumbrei-me com Elantris e Warbreaker de Brandon Sanderson, amei os livros da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss e ainda tive direito à primeira parte de Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson.

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA

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A Súbita Aparição de Hope Arden, Claire North

aqui a opinião

Quem também me facilitou a tarefa foi Claire North, com algumas ressalvas. Este livro está normalmente catalogado num sub-género de Fantasia, magia urbana, é também um thriller mas, acima de tudo, a trama gira em torno de uma aplicação futurista para smartphones, o que justifica encontrá-lo tantas vezes vinculado à FC, e razão pela qual acabei por incluí-lo nesta categoria. O romance venceu o The World Fantasy Award 2017 com todo o mérito. No entanto, leituras como Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe Silva, Autoridade de Jeff VanderMeer, Os Despojados de Ursula K. Le Guin e a space opera Saga (formato BD) de Brian K. Vaughan e Fiona Staples também me ficaram na retina.

MELHOR HORROR

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Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe, Edgar Allan Poe

aqui a opinião

Entre alguns contos de Robert E. Howard e BDs como Harrow County e Outcast, acabou por ser esta lindíssima coletânea da Saída de Emergência, com ilustrações de 28 artistas nacionais, o livro que mais me marcou dentro do género Horror em 2017. Os contos que mais me agradaram foram “A Queda da Casa de Usher” e “Os Crimes da Rua Morgue”. Em 2018 espero ler mais histórias dentro deste género especulativo.

MELHOR ROMANCE HISTÓRICO

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Um Mundo Sem Fim, Ken Follett

aqui e aqui a opinião

Uma vez mais, a minha escolha no género Romance Histórico ficou dividida entre Ken Follett e Bernard Cornwell, acabando por ser o primeiro a vencer. Embora ambos sejam ótimos, a escrita de Follett encanta-me com uma profundidade a que o autor das Crónicas Saxónicas ainda não me conseguiu chegar. Um Mundo Sem Fim, dividido em Portugal em dois volumes, foi publicado pela Editorial Presença, enquanto o terceiro volume das Crónicas de Cornwell, Os Senhores do Norte, chegou até nós pelas mãos da Saída de Emergência.

MELHOR ANTOLOGIA / COLETÂNEA

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Mulheres Perigosas, Organização George R.R. Martin e Gardner Dozois

aqui a opinião

Embora tenha lido algumas coletâneas de contos, esta acabou por ser a melhor antologia que li em 2017. Permeada de autores renomeados como Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Brandon Sanderson, Joe Abercrombie e Megan Abbott, a antologia da Saída de Emergência oscilou entre os contos muito bons e outros menos. Sam Sykes foi a grande surpresa do conjunto e George R. R. Martin voltou a mostrar aquilo que vale.

MELHOR CONTO

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Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno, Brandon Sanderson

aqui a opinião

Incluído em Mulheres Perigosas, o conto “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno” foi não só o melhor conto da antologia, como o melhor que li em 2017. Ambientada no universo da Cosmere, a história de uma mulher cheia de recursos que gere uma estalagem numa floresta prenhe de fantasmas cativou-me. Mais um pequeno exemplo de que Brandon Sanderson é um dos autores que deve, urgentemente, voltar a ser publicado em Portugal. Destaque ainda para o ciclo de leituras em que estou a participar, no qual revisito vários dos contos de Robert E. Howard, que merecem as minhas menções de honra.

MELHOR BANDA-DESENHADA

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Saga Volume 7, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

aqui a opinião

Este ano, Saga conseguiu suplantar The Walking Dead como a minha BD favorita, embora ambas continuem ótimas. Se o volume 6 da space opera já me havia fascinado, no 7.º o enredo só melhora. Resta-me enaltecer o trabalho da G Floy Studio neste segmento. Num ano em que li mais de 40 BDs, entre elas toda a coleção Sandman de Neil Gaiman, livros como A Garagem Hermética e A Louca do Sacré-Coeur de Moebius, acabaram por ser as BDs da Image Comics que a G Floy tem trazido até nós a marcarem-me.

Wytches, The Witched + The Divine, a trilogia Velvet, Southern Bastards, Tony Chu: Detective Canibal e Outcast são alguns dos destaques do ano, e provas de que a G Floy está a crescer a olhos vistos. Quero, porém, deixar ainda um louvor para as excelentes Nocturno de Tony Sandoval (Kingpin), Monstress: Despertar de Marjorie Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência), Nimona de Noelle Stevenson (Saída de Emergência) e Como Falar Com Raparigas em Festas de Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá (Bertrand).

MELHOR LANÇAMENTO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

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Não podia deixar de vencer em todas as categorias em que se insere. O Assassino do Bobo foi lançado em maio pela Saída de Emergência, mas só em novembro é que o li, porque ainda me faltava ler a segunda série protagonizada por Fitz antes de mergulhar nesta terceira. Ainda assim, este ano foi fantástico em lançamentos, nomeadamente pela Saída de Emergência no que diz respeito à fantasia e também com a sua nova incursão no mundo das bandas-desenhadas. Outros livros que foram lançados este ano e merecem o meu destaque, mas não só a nível nacional como internacional, foram Origem de Dan Brown (Bertrand) e Mitologia Nórdica de Neil Gaiman (Editorial Presença), que li neste último semestre do ano.

MELHOR NACIONAL

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Terrarium, João Barreiros e Luís Filipe Silva

aqui a opinião

2017 foi mais um ano com espaço para a literatura nacional. Li a antologia Os Monstros que nos Habitam (que inclui um conto meu), A Nuvem de Hamburgo de Pedro Cipriano, Anjos de Carlos Silva, Moving, Fighting the Silent e Mission in the Dark de Bruno Martins Soares, La Dueña de José Augusto Alves e Conquista da Liberdade de Jay Luis, mas foi a nova edição de Terrarium, revista e aumentada pelos dois autores, e publicada pela Saída de Emergência, que mais me agradou. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os mestres da FC no nosso país e merecem todo o destaque que lhes possa ser dado, para que o seu talento possa chegar a mais e a mais pessoas.

Deixo-vos com os mais sinceros votos de um ano de 2018 cheio de boas surpresas e que para o próximo ano continuem a acompanhar as minhas indicações literárias. Boas leituras para todos.

Estive a Ler: Saga #7

Diz quem? A nossa filha é rija como sei lá o quê! Acho que essas cenas todas que nos ensinaram de defeitos congénitos nos “híbridos” era só para propaganda para manter os nossos povos separados.

O texto seguinte pode conter spoilers do sétimo volume da série Saga (Formato BD)

Com dezassete Harveys e doze Eisner no bolso, que incluem os prémios de Melhor Escritor, Melhor Desenho, Melhor Capa e Melhor Série em Continuação só em 2017, Saga é já uma série de culto do panorama gráfico internacional. A G Floy Portugal traz-nos mais um volume desta premiada série norte-americana, publicada originalmente pela Image Comics.

Em Saga, Brian K. Vaughan conta com a preciosa colaboração de Fiona Staples, ilustradora canadiana responsável por uma boa-parte do sucesso deste comic que chega agora ao volume 7 em terras lusitanas, pelas mãos da G Floy Studio. O volume inclui os números 37 a 42 da edição original, que encontra-se publicada até ao volume 8. Significa, portanto, que a publicação nacional está perto de alcançar a norte-americana.

Fonte: G Floy

Subversiva e original, Saga é uma space opera divertida que brinca com assuntos sérios da vida. Lidar com uma relação, com o crescimento de uma criança, questões como o controlo parental, famílias separadas, violência doméstica, prostituição infantil e racismo são apenas alguns dos temas tratados de forma suave e bem-humorada, obrigando o leitor a bater com a cabeça nas hipocrisias da sociedade.

O autor qualifica Saga como um “Star Wars para pervertidos”, mas as aventuras e desventuras de Marko e Alana com a sua filha Hazel são muito mais do que isso. Diálogos divertidos e refrescantes, perseguições, tiroteios e cenas de sexo, assim como personagens que parecem saídos de fábulas, que comunicam com o leitor não só através das suas falas sui-generis, como também através das expressões peculiares que Staples imprime em cada prancha.

Sem Título
Fonte: G Floy

Em várias ocasiões, Saga foi também considerada como a Guerra dos Tronos da Ficção Científica no mundo das BD’s, e confesso que este volume deixou-me tentado a concordar com essa comparação. Não que a trama de Saga seja tão complexa e os acontecimentos tão épicos, porque a nota que permeia toda a obra é de uma descontração e boa disposição permanente. Aquilo que mais a aproxima à referida obra é, definitivamente, a casualidade com que as cenas de sexo e de nudez se seguem, assim como a forma como certas mortes ocorrem nos momentos mais inesperados.

“Saga tem um dos argumentos mais fortes e refrescantes que a BD americana tem trazido até nós.”

Convém alertar que estamos a falar de algo diferente, numa toada diferente. Nem mesmo Star Wars consegue ser tão descomprometida quanto Saga. Estamos a falar de uma narrativa leve e sem grandes intenções de ser levada a sério. Há imensos conflitos entre famílias, amores e desamores, guerras entre planetas, estamos a falar de temas sérios da sociedade, mas tudo nos é apresentado de uma forma quase inocente, pelos olhos de uma criança.

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Fonte: G Floy

O que não impede que hajam cenas de fazer corar qualquer um pelo meio. Logo nas primeiras páginas deste volume, encontramos um príncipe cuja cabeça é uma televisão, a masturbar-se. O sétimo álbum de Saga leva os nossos protagonistas para Phang, um cometa em estado de sítio, com vários confrontos armados instaurados entre várias fações. Marko e Alana, a sua filha, Hazel, a ama fantasma, Izabel, o Príncipe Robot e a cornuda Petrichor chegam a Phang e logo tropeçam numa família… peculiar.

Várias espécies e classes de personagens antropomórficas reclamam o controlo do astro através da guerra. O grupo encontra uma família de suricatas falantes, da qual Jabarah é a matriarca. Desde logo, Hazel sente uma grande empatia por um menino suricata chamado Kurti. Tal envolvimento vem, porém, a despoletar a ira da pequena para com a sua ama, a fantasma Izabel.

Fonte: G Floy

A adição de um assassino de duas cabeças, uma masculina e outra feminina, vem trazer um novo fôlego à trama (como se esta precisasse de ainda mais fôlego!!!). Segura e letal, esta nova personagem acompanhada por um porco revoluciona a história, mostrando ao núcleo principal que nem só de brigas familiares e caprichos pessoais é feito o mundo em que vivem. Perseguições e mortes seguem-se em catadupa, numa altura em que a família de Kurti revela grandes reservas em sair da sua toca.

“Expressiva e colorida, a arte continua a ser um espetáculo à parte nesta obra que, volume após volume, continua a maravilhar-me.”

Vontade, por sua vez, inicia uma longa caminhada ao encontro de Gwendolyn, Sophie e da Gata Mentirosa, procurando desesperadamente vingar a morte da sua irmã, Estigma. Mas o seu estado mental não parece notar grandes melhorias desde que saiu do coma. Para além de continuar a ver e a falar com a imagem imaginária da mulher aracnídea Haste, também começou a ver e a falar com a irmã morta. Durante o seu trajeto encontra figuras no mínimo peculiares e submete-se a encontros hilariantes.

Imagem relacionada
Fonte: https://geeksout.org/blogs/speedsterdave/speedster-dave-new-york-comic-con-2012

Saga tem um dos argumentos mais fortes e refrescantes que a BD americana tem trazido até nós. Brian K. Vaughan trabalhou um universo à parte, todo ele com cabeça, tronco e membros. Neste sétimo volume, tanto a proficiência narrativa de Vaughan continua a fazer-se sentir, como assistimos ao desfile exuberante de personagens riquíssimas e singulares. Trata-se de uma história de ficção científica com bonecos antropomórficos que pode facilmente ser encarada como um desenho para crianças, mas que fala de temas recorrentes do dia-a-dia dos adultos, com cenas para maiores de 18 ostentadas sem sobreaviso. Sempre numa toada humorística, claro está.

Apesar da escrita de Vaughan ser subversiva, audaz e inventiva, nada do que escreveu seria o mesmo sem as ilustrações de Staples, que tão bem se exprime através do seu lápis. Expressiva e colorida, a arte continua a ser um espetáculo à parte nesta obra que, volume após volume, continua a maravilhar-me.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio Portugal):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

#7 Volume 7

#8 Volume 8

A Divulgar: “Saga Vol. 7” pela G Floy Studio

Estão a chegar as últimas novidades da G Floy Studio antes do Natal! A editora fecha este ano cheio de lançamentos excelentes com dois livros em grande, começando com o sétimo volume de Saga. O livro já se encontra disponível para compra online na G Floy, e dentro de muito poucos dias será lançada mais uma grande promoção de venda direta. O volume 7 de Saga chega às bancas já esta quarta-feira, e poderão encomendá-lo nos pontos de venda habituais; além disso, podem ser também encomendados nas bancas os restantes volumes da série. Ambos os livros irão sendo distribuídos pelos vários canais livreiros ao longo dos próximos dias.

Como vem sendo hábito, cada nota de imprensa de lançamento de um novo álbum de Saga tem de acrescentar mais uma série de prémios ganhos no ano anterior: Brian K. Vaughan voltou a ganhar em 2017 o Eisner para Melhor Escritor, e Fiona Staples o prémio para Melhor Desenho e Melhor Capa, e a série voltou a ganhar o prémio de Melhor Série em Continuação… Já há quem pense começar a chamar-lhes os SAGA Awards!

Saga já venceu doze Prémios Eisner – o galardão máximo da banda desenhada anglo-saxónica – entre os quais quatro prémios como Melhor Série em Continuação. Foi também premiado com o Hugo para Melhor História Gráfica (os Hugos distinguem a melhor ficção científica publicada em cada ano). Finalmente, a série e os seus autores foram distinguidos com uns incríveis dezassete Harveys, que premeiam os melhores comics independentes, incluindo Melhor Argumento, Melhor Artista, Melhores Cores, Melhor Nova Série, Melhor Série Limitada, e Melhor Single Issue (melhor número solto de uma série).

Sem Título

SINOPSE:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um encontro entre a Guerra dos Tronos e a Guerra das Estrelas ou Romeu e Julieta no espaço. O volume sete lança-nos em mais um capítulo da sua saga cósmica,“ A Guerra por Phang”, um dos eventos mais épicos de SAGA. Hazel está finalmente reunida com a sua família e viaja com ela para um cometa mergulhado na guerra que Coroa e Terravista travam desde sempre. Serão forjadas novas amizades e outras serão perdidas para sempre, neste volume cheio de acção sobre famílias, batalhas e refugiados.

Fantasia e ficção científica – e sexo, traição, morte, amor verdadeiro e fundamentalismo religioso – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples.

“Ao longo dos anos, a arte de Fiona Staples tem vindo a tornar-se ainda mais emocional, original e bela – bela de se arrancar as páginas e colá-las na parede do quarto.”

Comics Alliance

SAGA volume 7

Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Reúne os #37 a #42 da série original de SAGA

Álbum, formato comic, 152 pgs a cores, capa dura. PVP: 11,99€

ISBN: 978-84-16510-53-5

PREVIEWS:

Sem Título

Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

Saga #6

Mas não se aflija, nada faz com que se cresça mais rápido do que tempos de guerra…

O texto seguinte pode conter spoilers do sexto volume da série Saga (Formato BD)

Prestes a alcançar a publicação original, a G Floy Portugal lançou este fim-de-semana o sexto volume da série Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, que inclui os números 31 a 36. Trata-se da mais ambiciosa space opera dos últimos tempos, uma banda-desenhada que aborda várias problemáticas sociais numa aventura intergaláctica com uma cobertura de ação, cenas de sexo, violência algo gratuita e muito, muito humor.

Com nove Prémios Eisner no bolso (inclui Melhor Série em Continuação por três vezes, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte), um Hugo para Melhor História Gráfica e dezassete Harveys, Saga é já uma série inolvidável do panorama gráfico internacional.

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Capa G Floy

O crescimento de Hazel

Este volume de Saga começa com a pequena Hazel na escola. Ou… talvez não. Na verdade, a filha de Alana e Marko tem muito a aprender neste volume de Saga. Fechada numa espécie de prisão espacial, onde é levada a ter uma educação pouco tradicional, Hazel é fadada a uma série de encontros mais ou menos inusitados. Desde o reencontro com Izabel, que se havia disfarçado de um médico com corpo de porco, até a uma descoberta terrível sobre a sua avó Klara no chuveiro, Hazel é levada a conhecer mais sobre a natureza das pessoas que a rodeiam, e terá de contar com a ajuda de Noreen – uma mulher-gafanhoto – para tentar sair dali.

Paralelamente, Alana e Marko prosseguem na sua demanda heróica em busca da filha, com o Príncipe Robot IV como aliado. Vontade, recuperado do coma após o sacrifício da irmã, aprisiona o casal gay de repórteres e começa a sua senda de vingança. A sua consciência, na forma da mulher-aranha Haste, continua a sussurrar-lhe ao ouvido, tomando também a forma da irmã falecida. Quando Vontade encontra o pequeno filho de Robot IV, porém, ameaça o menino com cabeça de TV para que lhe indique a localização do seu pai.

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Imagem G Floy/ Image Comics

O reencontro

A fuga não se revela fácil para Hazel, com o plano de Noreen a sair errado. É a incursão de Marko, armado de espada e escudo, por um portal luminoso, que resulta no reencontro entre Marko e a sua filha… mas também com a mãe, Klara, que surpreendentemente recusa-se a seguir a família.

As intenções de Vontade também saem goradas. Apesar de manter os dois repórteres sob a vigilância apertada do seu cão, eles conseguem fugir e espiar os seus movimentos, dispostos a conseguir concluir o seu trabalho. Para piorar a situação, Gus surge montado em Friendo, a morsa de estimação, e tenta salvar o filho de Robot IV, desafiando Vontade para um combate. Gus consegue cortar os dedos a Vontade com o seu machado, mas acaba derrotado pelo inimigo. Marko e Hazel reencontram Alana, num final surpreendente que traz consigo uma revelação que irá, inevitavelmente, mudar a vida da família. Alana está grávida.

Sem título
Hazel (Image Comics)
SINOPSE:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um épico de ficção científica cruzado com fantasia, com romance e comédia à mistura, um encontro entre a Guerra dos Tronos e a Guerra das Estrelas ou Romeu e Julieta no espaço. Depois de um salto dramático no tempo, reunimo-nos com Hazel no momento em que ela inicia a maior aventura da sua vida: a escola! Enquanto isso, os seus pais terão de forjar uma aliança improvável com o Príncipe Robot IV, e A Vontade dá os seus primeiros passos no caminho da vingança.

OPINIÃO:

Se há séries de banda-desenhada que não desiludem, Saga é um desses casos. Extremamente provocante, mordaz e bem-humorado, este volume consegue trazer uma aventura cheia de ação e corridas alucinantes sem deixar de lado a crítica social e a temática familiar. Alana, Marko e Hazel são uma família desestruturada, há anos a fugir de uma guerra política entre as suas nações planetárias com um bebé nos braços. Esse bebé perdeu-se dos pais, mas também cresceu.

O sexto livro da obra-prima de Brian K. Vaughan faz regressar o personagem Vontade e mostra o crescimento de Hazel de uma forma consistente e rápida. Com um ritmo permanentemente elevado e vários apartes refrescantes, a linguagem de Vaughan é subversiva e direta, não hesitando em fazer uma criança falar abertamente da forma como foi concebida ou até questionando a sexualidade de uma avó.

Sem título
Noreen (Image Comics)

O humor está sempre presente, atuando de forma fria e direta por vezes quando menos se espera. Os ingredientes repetem-se, com as tramas contadas em separado a cruzarem-se de alguma forma nos instantes finais, o que provoca ganchos importantes que tornam obrigatório o consumo do livro seguinte.

A arte de Fiona Staples continua a engatar extremamente bem com a história contada. Com traços únicos que dão destaque à excentricidade dos personagens, a ilustração vem acompanhada por cores distintas e atraentes que dão vigor à série. O volume seis de Saga acabou por revelar-se mais um excelente álbum, dando continuidade ao trabalho excepcional da dupla americana. Quem ainda não leu esta série, não sabe o que tem perdido.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio Portugal):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

#7 Volume 7

#8 Volume 8

Resumo Trimestral de Leituras #8

Chego ao final do ano com a sensação de objetivos cumpridos e um ano pleno de excelentes leituras. Este último trimestre foi rico em obras diversificadas, com algumas das melhores avaliações do ano a ocorrerem neste período. Podem ver a lista anual aqui e segue em baixo os livros lidos no último trimestre:

Proxy: Antologia Cyberpunk – Vários Autores

O Cavaleiro da Morte, Crónicas Saxónicas #2 – Bernard Cornwell

Fome de Vencer, Tony Chu: Detective Canibal #5 – John Layman e Rob Guillory

A Canção de Susannah, A Torre Negra #6 – Stephen King

Suíte do Apocalipse, Umbrella Academy #1 – Gerard Way e Gabriel Bá

As Primeiras Quinze Vidas de Harry August – Claire North

Saga Vol. 5 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

A Lâmina, A Primeira Lei #1 – Joe Abercrombie

Dallas, Umbrella Academy #2 – Gerard Way e Gabriel Bá

Prelúdios e Nocturnos, Sandman #1 – Neil Gaiman

Jardins da Lua, Saga do Império Malazano #1 – Steven Erikson

Casa de Bonecas, Sandman #2 – Neil Gaiman

Terra do Sonho, Sandman #3 – Neil Gaiman

Rei dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #2 – Mark Lawrence

The Horror in the Museum – H. P. Lovecraft

Aniquilação, Área X #1 – Jeff Vandermeer

The Walking Dead: The Alien – Brian K. Vaughan e Marcos Martin

Estação das Brumas, Sandman #4 – Neil Gaiman

O Terceiro Desejo, The Witcher #1 – Andrzej Sapkowski

sem-tituloO mês de outubro começou com a leitura de uma excelente coletânea de contos portugueses. Antologia da Editorial Divergência, Proxy: Antologia Cyberpunk conta com alguns dos autores nacionais mais talentosos. Reúne seis histórias mirabolantes passadas em mundos futuristas que conquistam pela originalidade. Todos os contos são protagonizados por mulheres; os que mais me agradaram foram Alma Mater de José Pedro Castro e Bastet de Mário Coelho. Logo depois li O Cavaleiro da Morte. O segundo volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell traz-nos um Uthred imaturo e intempestivo, que continua dividido entre o sangue saxão que lhe corre nas veias, e o fervor guerreiro dos viquingues, que o criaram. As contingências colocam-no do mesmo lado que Alfredo, o Rei saxão, e contra o seu irmão de criação. Uma escrita brilhante, um dos melhores romances históricos que já li.

sem-titulo-2Em Fome de Vencer, com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, a banda-desenhada Tony Chu: Detective Canibal volta a surpreender. Neste quinto volume, a filha de Tony Chu é raptada pelo terrível Mason Savoy, enquanto ele e o seu parceiro são despromovidos. Mais tarde, o próprio Chu é raptado por um jornalista desportivo, que quer usar os seus dons cibopáticos para descobrir os podres das principais estrelas de futebol. A Canção de Susannah é o penúltimo volume da saga visionária de Stephen King, A Torre Negra. Soberbo em toda a sua largura, King consegue oferecer um livro cheio de ação e suspense, dividindo o ka-tet (grupo de protagonistas) em três grupos. Susannah, grávida de um demónio, caminha para o parto na Nova Iorque de 1999; Jake, Oi e o Padre Callahan seguem as pistas na sua peugada, enquanto Roland e Eddie viajam para o passado, onde se encontram com um jovem escritor chamado Stephen King e o obrigam a escrever a história de A Torre Negra. Um livro cheio de referências e twists deliciosos, como o autor já nos habituou. Umbrella Academy (Vol. 1 e Vol. 2) é uma série de banda-desenhada divertidíssima, escrita pelo vocalista da extinta banda My Chemical Romance, Gerard Way, e com ilustrações do brasileiro Gabriel Bá. 43 crianças nascem do ventre de mulheres que não teriam dado qualquer sinal de gravidez, e todas mostram super-poderes. Ou… quase todas. Reginald Hargreeves, um cientista, recolhe 7 dessas crianças e educa-as na sua mansão, criando uma escola de super-heróis, The Umbrella Academy. Porém, as relações entre eles virão a fraturar-se, com o passar dos tempos. O segundo e último volume já publicado revelou-se ainda melhor que o primeiro.

sem-titulo-2Em novembro comecei por ler As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, livro de Claire North, pseudónimo da britânica Catherine Webb. Harry August é um jovem ruivo, fruto de uma violação, criado por um casal de origens humildes. Não sabe nada sobre as suas origens, até morrer. Mas Harry volta à sua data de nascimento, e poucos anos depois, tem consciência de que tudo aquilo já lhe aconteceu. Morte após morte, Harry volta ao ponto de partida, recordando-se de tudo o que ficou para trás. Certo dia, descobre que não é o único a possuir esse dom. Brilhante livro de suspense e mistério, contado na primeira pessoa, o livro perde por saltar de vida para vida como alguém que conta uma história e volta para trás por se ter esquecido de algum pormenor. Li também o quinto volume da série de banda-desenhada Saga, escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Mais uma vez brilhante, neste volume acompanhamos a demanda de Marko e Robot IV, declarados inimigos, em busca dos seus filhos raptados por Dengo, enquanto Gwendolyn e Marca procuram sémen de dragão para curar o freelancer Vontade. Claro está, cenas hilariantes, disparates, sexo e sátiras não faltam. Simplesmente delicioso.

sem-tituloHá muito que queria ler Joe Abercrombie e a trilogia A Primeira Lei. Sand dan Glotka foi em tempos um soldado promissor, mas a guerra inutilizou-lhe a perna e foi capturado pelo temido Império Gurkhul. Quando regressou, coxo e sem dentes, tornou-se um inquisidor, aplicando a tortura a prisioneiros para conseguir as confissões que mais fossem convenientes aos seus superiores. Logen Novededos é um guerreiro famoso no Norte, bárbaro sanguinário que incutiu massacres às ordens do terrível Bethod. Agora, com o advento de criaturas horripilantes no norte e a perda dos seus companheiros, Logen decide lutar contra Bethod. Jezal dan Luthar é um jovem capitão de linhagem nobre. Egoísta e vaidoso, prefere passar os dias a jogar e a embebedar-se, do que a cumprir os seus deveres. É Bayaz, o famigerado Primeiro dos Magos, que irá unir estes três homens tão diferentes, com um único propósito. A Lâmina não me conquistou, porque tinha as expectativas altas e esperava algo mais credível, ainda assim os personagens são incríveis, e a história promissora. Continuei o mês a ler boa fantasia. Escrito por Steven Erikson, Jardins da Lua é o primeiro volume da Saga do Império Malazano. O continente de Genabackis está sob fogo cruzado. De um lado, o Império em expansão, com os exércitos de Dujek Umbraço a ganhar terreno graças ao apoio dos moranthianos e dos Altos Magos. Do outro, as últimas cidades livres, com a proteção dos Tiste Andii liderados por Anomander Rake e Caladan Brood. A cidade de Pale é destruída e ocupada pelos homens de Umbraço; entre eles está o sargento Whiskeyjack, que inclui no seu pelotão uma recruta possuída por um Ascendente. Após o cerco a Pale, Darujhistan torna-se a única cidade livre. Repleta de personagens riquíssimos, Darujhistan é uma cidade governada por um conselho corrupto e por uma sociedade de assassinos, embora sejam os magos a deter o verdadeiro poder, vinculados a Anomander Rake. Um grupo de amigos que se reune frequentemente numa taberna torna-se o centro de toda a ação. Esta foi, de longe, a melhor leitura do ano de 2016.

sem-titulo-3Terminei novembro e comecei dezembro a ler a BD Sandman de Neil Gaiman (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4). Se o primeiro e o terceiro volumes da icónica série de banda-desenhada não me conquistaram, parecendo mantas de retalhos cheias de referências e com pouco conteúdo, o segundo e o quarto volumes apresentaram histórias bem amarradas, cheias de tramas paralelas que se entrelaçaram e revelações credíveis sobre os personagens apresentados. Prelúdios e Noturnos é focado no cativeiro em que o Senhor dos Sonhos esteve submetido, depois de ter sido convocado acidentalmente para o mundo real, onde permaneceu durante 70 anos sob uma redoma de vidro. Casa de Bonecas foca-se em várias mulheres (e no seu papel para a sociedade). Rose Walker é uma menina que, por uma qualquer estranha razão, causou um distúrbio no mundo dos sonhos, de onde fugiram vários pesadelos. Terra do Sonho divide-se em várias short stories intrigantes que, ainda assim, não me encheram as medidas, limitando-se a aumentar o significado simbólico da mitologia concebida por Gaiman.  O quarto volume, Estação das Brumas, foi melhor. Com genialidade, o autor humaniza o protagonista ao colocá-lo com problemas de consciência. Lúcifer comunica a Sonho que libertou todas as criaturas, e entrega-lhe as chaves do Inferno para que ele possa fazer dele o que quiser.

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Rei dos Espinhos é o segundo volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence. Aliando uma escrita cuidada e de qualidade a um background pós-apocalíptico cheio de deliciosas referências, Lawrence escreveu mais um livro com um dos personagens mais badass da fantasia moderna, Jorg Ancrath. No entanto, as boas ideias não conseguiram cativar-me. As várias linhas temporais confusas e uma condução de história deficiente e pouco credível desiludiram-me. Já o elegi The Horror in the Museum como o melhor conto que li este ano. Escrito por Lovecraft como ghost writer de Hazel Heald, apresenta-nos um protagonista cético que julga louco o escultor de um museu de cera, uma vez que este alega que as criações que apresenta não são esculturas mas sim monstros que caçou e enbalsamou. É uma fantástica narrativa que consegue inspirar ao leitor o mais profundo e inquietante dos terrores. The Alien é um volume isolado da BD The Walking Dead escrito por Brian K. Vaughan, o autor de Saga. Sem uma história propriamente original ou muito diferente, apresenta-nos dois personagens na cidade de Barcelona, no início da propagação do vírus. Apesar de pequeno e cliché, apresentou algumas surpresas.

sem-titulo-3Li este mês aquele que elegi o melhor livro de ficção científica deste ano. Primeiro volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer, Aniquilação é o relato de uma bióloga que se voluntariou para estudar uma área selvagem abandonada pelos humanos, depois de o seu esposo ter regressado de lá como uma sombra do que um dia foi. Envolvente e cheio de suspense, faz-nos pensar sobre os segredos da natureza e da evolução humana. A última leitura do ano foi O Terceiro Desejo. O primeiro volume de The Witcher apresenta uma sequência de contos protagonizados por Geralt de Rivia, um bruxo que mata monstros a troco de pagamento. Obstinado em afirmar que não trabalha como assassino a soldo, Geralt enfrenta vampiros, elfos e génios, num livro muito bem escrito por Andrzej Sapkowski. Para o ano há mais. Votos de um 2017 cheio de felicidades e boas leituras para todos os seguidores do blogue.

As Escolhas de 2016

O ano caminha a passos largos para o final. Como tal, é hora de fazer o já tradicional balanço literário que visa escolher as melhores leituras do ano. No Goodreads estabeleci como meta ler 35 livros este ano – e a verdade é que já foram 93, embora a maioria das minhas leituras tenham sido bandas-desenhadas. 61 BD’s, 24 livros e 8 contos, sendo que estou a ler o livro O Terceiro Desejo de Andrzej Sapkowski e ainda deverei ler mais uma BD ou um conto até ao final do ano.

2016 foi um ano cheio de boas surpresas. Conheci autores como Steven Erikson, Mark Lawrence, Joe Abercombie, Jeff Vandermeer, Alan Moore, Robert Kirkman e Brian K. Vaughan, e voltei a ler mais e melhor de autores fantásticos como Stephen King, H. P. Lovecraft, Ken Follett e Bernard Cornwell.

Fantasia continuou a ser o género mais lido, mas o romance histórico e a ficção científica não foram esquecidos. Este ano decidi aumentar o número de categorias, também por ter lido mais formatos. Fiquem com a minha listagem e respetivas justificações:

LIVRO

Melhor Fantasia

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aqui a opinião

Jardins da Lua, de Steven Erikson, foi não só o melhor volume de fantasia, mas também o melhor livro que li este ano. Para além dele, O Herói das Eras de Brandon Sanderson foi dos poucos que me conquistaram, dentro do género. Stephen King encontra-se nesse grupo. Este ano li os volumes 5 e 6 de A Torre Negra, substancialmente melhores que aqueles que li o ano passado. O prémio simpatia vai para A Balada de Antel do brasileiro Eric M. Souza, que me surpreendeu pela positiva.

Os dois primeiros volumes de Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence e o primeiro de A Primeira Lei de Joe Abercrombie não foram más leituras, mas não me convenceram nem cativaram por aí além. Terminei a primeira Saga do Assassino de Robin Hobb, que continuou sem me encantar, muito embora o último volume tenha sido, de longe, o melhor. Li os dois últimos livros do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Apesar de a escrita do autor ter evoluído favoravelmente, a história é o grande handicap de Paolini, parecendo uma manta de retalhos de narrativas como O Senhor dos Anéis ou Star Wars.

Melhor Ficção Científica

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aqui a opinião

Não li muitos livros de ficção científica este ano. Aniquilação de Jeff Vandermeer foi um dos últimos livros que li e acabou por ser o que me marcou mais pela positiva, um volume de ficção weird que me envolveu por toda a sua estranheza e credibilidade. O Messias de Duna de Frank Herbert e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North foram também ótimas leituras dentro do género. A ficção científica é muito mais do que as space opera empoladas pelos mass media.

Melhor romance histórico

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aqui e aqui a opinião

Dividido em Portugal em dois volumes, o livro Os Pilares da Terra de Ken Follett foi o melhor romance que li este ano. Extremamente envolvente, este romance histórico foi tão emocionante quanto os livros O Último Reino e O Cavaleiro da Morte, primeiros volumes das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, mas o livro de Follett apelou mais às emoções e construiu uma história mais intimista. No entanto, os dois autores, que já eram os meus preferidos no romance histórico, ao lado de Maurice Druon, cultivaram ainda mais a minha preferência.

BANDA-DESENHADA

Melhor BD

Sem Título

aqui a opinião

Escolhi March To War como melhor BD lida este ano, mas podia escolher muitas outras edições de The Walking Dead. Num ano cheio de excelentes leituras neste formato, The Walking Dead conquistou a minha preferência. A space opera Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples e o bizarro Tony Chu: Detective Canibal foram também fantásticas leituras, superando clássicos como V de Vingança, Watchmen, 300 e Sandman, a que reconheço mérito, ou o histórico As Águias de Roma, cujos quatro volumes também gostei bastante.

Melhor Clássico

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aqui a opinião

Num ano em que li BD’s de Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, foi este último o que mais me surpreendeu pela positiva. Difícil é escolher entre Watchmen e V de Vingança, embora a história de super-heróis “reformados” me tenha marcado mais. 300 e A Cidade do Pecado de Miller foram também boas leituras, enquanto os três primeiros volumes de Sandman (Neil Gaiman) têm oscilado entre o brilhantismo literário e a falta de envolvimento. Livros como Vampirella e X-Men Origins ficaram aquém das expectativas.

Mais Irreverente

Sem título 2

aqui a opinião

Saga, a space opera de Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples, foi uma das grandes surpresas deste ano. Irreverente e divertida, com grandes debates morais, esta BD cumpre em todos os quesitos, sendo a irreverência a sua maior qualidade. Qualquer um dos cinco volumes já publicados pela G Floy surpreenderam-me ao seu jeito. Nesta categoria, Tony Chu: Detective Canibal foi igualmente surpreendente, mas quero ainda deixar uma menção de honra para os dois volumes de Umbrella Academy, uma grande revelação, o próximo passo no mundo dos super-heróis. Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy foi também uma edição deliciosa, nascida das mãos de Filipe Melo e Juan Cavia. Os dois primeiros volumes de Southern Bastards, não se enquadrando na vertente cómica das anteriores, têm também algo de irreverente no seu drama profundo. Jason Aaron e Jason Latour fazem-no com distinção.

CONTOS

Melhor Conto

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aqui a opinião

O último conto que tive oportunidade de ler foi também o melhor que li este ano. H. P. Lovecraft tem sido um dos meus autores preferidos neste formato, embora Edgar Allan Poe e Isaac Asimov tenham sido outros autores de destaque. Até mesmo O Defunto de Eça de Queirós foi uma excelente leitura. Invisíveis em Tiro, de Steven Saylor, incluído no livro Histórias de Vigaristas e Canalhas, agradou-me imenso.

Melhor Antologia

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aqui a opinião

Este ano li apenas duas antologias: a portuguesa Proxy e a conceituada Histórias de Vigaristas e Canalhas, a segunda metade de Rogues. Apesar de a primeira conter apenas seis contos de jovens autores portugueses, não ficou atrás das Histórias escritas por alguns dos mais famosos autores de fantasia, policial e ficção científica. Com alguns contos melhores e outros menos bons, as duas antologias ficaram ao mesmo nível, preferindo por isso dar primazia àqueles cuja responsabilidade era menor e, por isso, mais surpreenderam.

Maior surpresa

Sem título 2

aqui a opinião

À primeira vista, estou a contradizer a categoria anterior, mas não é disso que se trata. A minha maior surpresa no que a contos diz respeito chama-se Daniel Abraham, cujo conto O Significado do Amor foi um dos que mais gostei na antologia Histórias de Vigaristas e Canalhas. Ambientado num mundo fantástico, Abraham aliou uma escrita excelente a uma história algo hilariante e espero ver mais histórias do autor publicadas em português.

Categoria Extra

Melhor Final

Sem título 2

aqui a opinião

Não podia deixar de fazer uma menção honrosa a O Herói das Eras. O último volume da trilogia Mistborn de Brandon Sanderson foi dividido em dois em Portugal. Li a primeira parte em dezembro do ano passado e a segunda em março deste ano. Sanderson nunca me encantou, como outros nomes da fantasia como George R. R. Martin e Scott Lynch o fizeram. Este ano, Steven Erikson e Daniel Abraham foram os que estiveram mais próximos disso, do pouco que li deles. Aliando uma escrita demasiado básica a um mundo com muitas lacunas a nível de credibilidade, fiquei sempre de pé atrás com Brandon Sanderson, ainda que lhe reconheça a criatividade e o mérito de escrever grandes histórias e construir grandes mundos de fantasia. Foi assim que li Mistborn, um mundo com uma aura mágica que sempre visualizei como um “Crónicas de Riddick feito pela Disney“. Com muitos altos e baixos, esta trilogia deixou-me boquiaberto com as revelações e acontecimentos finais e gostaria imenso de ver publicada em português a Era 2.

Em jeito de despedida, deixo os votos de um 2017 repleto de boas leituras. 2016 foi para mim um ano cheio delas, com os livros Jardins da Lua e Os Pilares da Terra e as BD’s The Walking Dead e Saga como os grandes destaques. Desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Saga #5

Muitos dos que se alistavam na causa faziam-no por causa de um sentido de dever genuíno. Outros iam em busca de aventura. Alguns fugiam de uma má situação. Quase todos eram pobres como a merda…

O texto seguinte pode conter spoilers do quinto volume da série Saga (Formato BD)

Extrapolando o conceito de space opera, recorrendo ao absurdo e ao hilariante, Saga é a brilhante banda-desenhada escrita por Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples. Em Portugal, a G Floy já publicou o quinto volume, que compreende os números 25 a 30 da edição original.

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Prancha do Volume 5 (G Floy)

Este quinto livro traz-nos para onde o quarto nos deixou. Marko e Robot IV em busca das suas famílias, Dengo mantendo Hazel, Alana e Klara como reféns, Gwendolyn, Marca e a pequena Sophie em busca de uma solução para curar Vontade.

Sucedem-se uma série de situações caricatas. Marko e Robot IV não conseguem esquecer a rivalidade entre os seus povos, mas as circunstâncias obrigam-nos a unir-se, se querem recuperar sãs e salvas as suas famílias. Gus e Yuma acompanham-nos ao longo da jornada, mas são mais as situações em que os atrapalham do que propriamente aquelas em que os ajudam. Enquanto o homem foca se revela crucial para encontrar as famílias sequestradas, graças à habilidade de localizar seres vivos, que utilizara frequentemente para encontrar os seus rebanhos de seres estranhos, Yuma transforma a viagem de Marko num pesadelo, usando drogas para lhe causar as mais variadas e estranhas visões.

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Gus (Image Comics)

Alana está disposta a tudo para salvar a sua família, e trabalha afincadamente para convencer o captor, Dengo, que compreende as suas motivações, tudo o que lhe foi roubado e está disposta a perdoá-lo, se os libertar. No entanto, só consegue fazê-lo vacilar tarde demais, quando ele os entrega a um grupo de sujeitos pouco recomendáveis, com intenções nada amistosas. Ainda assim, após uma série de percalços, Alana e Dengo (com o bebé de Robot IV) conseguem fugir da nave, certos que Klara e a pequena Hazel já estariam a salvo. No entanto, quando finalmente reencontram Marko e o príncipe Robot, percebem que a menina e a sua avó ainda se encontravam no interior do transporte inimigo…

Gwendolyn e Marca conhecem-se mutuamente. Enquanto a ex-noiva de Marko e a irmã de Vontade vão encontrando algumas semelhanças e interesses em comum, descobrem que a única forma de salvar Vontade do coma é com o sémen de um dragão. Levam muito tempo a descobrir um, na companhia da menina que um dia fora vendida como escrava e da Gata Mentirosa que pertencera ao freelancer. Quando finalmente encontram um dragão, Marca decide ser ela a aproximar-se para recolher o sémen, mas Sophie antecipa-se e acorda o animal involuntariamente. Tal imprecaução causa a morte a Marca, mas acabam por conseguir alcançar o objetivo e acordar Vontade do coma.

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Capa G Floy

SINOPSE:

Várias histórias se cruzam neste volume: Gwendolyn e a Gata Mentirosa arriscam tudo para tentarem encontrar uma cura para A Vontade, enquanto Marko e o Príncipe Robot IV se tornam aliados improváveis na busca dos seus filhos desaparecidos, presos num mundo estranho por terríveis inimigos.

Fantasia e ficção científica – e sexo, política, traição, morte, amor verdadeiro e reality shows – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples.

OPINIÃO:

Saga nunca desilude. Mais um volume repleto de bons momentos de humor e ação; bizarrices, caricaturas e gargalhadas. Este quinto volume traz-nos personagens que nos são familiares, e introduz mais alguns vilões.

Aliando a escrita ágil de Vaughan ao traço brilhante de Staples, a Image Comics produziu mais um maravilhoso relato das aventuras e desventuras de Alana, Marko e dos seus companheiros, numa luta entre planetas inimigos que recorrentemente se transforma numa luta pela própria sobrevivência, mantendo como principal foco o crescimento da pequena Hazel e a forma como todos à sua volta se adaptam a ela.

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O reencontro de Marko e Alana (Image Comics)

Provocador como sempre, o quinto volume traz-nos novas alianças e reencontros, transforma antigos vilões em heróis improváveis e questiona a lealdade e a fiabilidade de cada um, estejamos a falar de personagens que cometem erros sem pensar nas consequências, ou na visão generalizada, nas idiossincrasias e na repercussão em volta de uma atitude irrefletida. No fundo, o autor explora as fraquezas de cada um e redime-os de uma maneira peculiar.

A comédia é a arma forte de Vaughan nesta space opera de grande sucesso, usando-a como sátira para refletir questões mais graves, como a violência doméstica, o preconceito, o racismo, a intolerância e o uso de drogas. Mais um exemplar bem-sucedido de uma série que é já das minhas preferidas em bandas-desenhadas.

Avaliação: 8/10

Saga (G Floy Studio):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

#7 Volume 7

#8 Volume 8

Resumo Trimestral de Leituras #6

Passado mais um trimestre, é hora de fazer um novo resumo de leituras. Os meses de abril, maio e junho foram prósperos em muitas bandas-desenhadas, mas todos os livros lidos foram muito bons e espero conseguir ler ainda mais nos próximos meses. Nomes como Alan Moore, Frank Miller, Frank Herbert, Robert Kirkman, Stephen King e Mark Lawrence acompanharam-me nos últimos meses. Aqui fica a minha ordem de leituras:

Ao Gosto do Freguês, Tony Chu: Detective Canibal #1 –  John Layman e Rob Guillory

Sabor Internacional, Tony Chu: Detective Canibal #2 – John Layman e Rob Guillory

Enfarda Brutos, Tony Chu: Detective Canibal #3 – John Layman e Rob Guillory

Too Far Gone, The Walking Dead #13 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

No Way Out, The Walking Dead #14 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

We Find Ourselves, The Walking Dead #15 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Larger World, The Walking Dead #16 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Something To Fear, The Walking Dead #17 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

What Comes After, The Walking Dead #18 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Balada de Antel – Eric M. Souza

Prelúdio Para as Trevas, Vampirella – Nancy A. Collins e Christian Zamora

The Statement of Randolph Carter – H. P. Lovecraft

March To War, The Walking Dead #19 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

All Out War (Part 1), The Walking Dead #20 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

All Out War (Part 2), The Walking Dead #21 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Colossus, X-Men Origins #1 – Chris Yost e Trevor Hairsine

Jean Grey, X-Men Origins #2 – Sean McKeever e Myke Mayhew

A New Beginning, The Walking Dead #22 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Golpe em Argos Parte 3, Conan o Bárbaro #6 – Brian Wood, James Harren e Dave Stewart

300 – Frank Miller e Lynn Varley

Fúria na Fronteira, Conan o Bárbaro #7 – Brian Wood, Becky Cloonan e Dave Stewart

Whispers Into Screams, The Walking Dead #23 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Life and Death, The Walking Dead #24 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Messias de Duna, Crónicas de Duna #2 – Frank Herbert

A Cidade do Pecado, Sin City #1 – Frank Miller

No Turning Back, The Walking Dead #25 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Saga #4 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

As Águias de Roma #1 – Enrico Marini

Sopa de Letras, Tony Chu: Detective Canibal #4 – John Layman e Rob Guillory

Lobos de Calla, A Torre Negra #5 – Stephen King

As Águias de Roma #2 – Enrico Marini

As Águias de Roma #3 – Enrico Marini

Príncipe dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #1 – Mark Lawrence

Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy – Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa

As Águias de Roma #4 – Enrico Marini

A Morte Persegue-me, Fatale #1 – Ed Brubaker e Sean Phillips

V de Vingança – Alan Moore e David Lloyd

Sem TítuloSe terminei o mês de março a ler excelentes bandas-desenhadas, o mês de abril continuou na mesma senda. Li a graphic novel Tony Chu (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4).  É uma série muito divertida com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, em que somos apresentados a um detetive com um dom raro: ele vê o percurso de vida daquilo que come, e é utilizado no seu departamento de polícia para isso – ao provar as vítimas, descobre quem as matou. Numa realidade em que o consumo de frango foi proibido pelo governo após uma terrível gripe aviária, Chu tem a função de denunciar casos insólitos relacionados com uma rede ilegal de tráfico de frango. Uma história cheia de ação, intriga e muita comédia. Também prossegui com a leitura da BD The Walking Dead (Vol. 13, Vol. 14, Vol. 15, Vol. 16, Vol. 17, Vol. 18, Vol. 19, Vol. 20, Vol. 21, Vol. 22, Vol. 23, Vol 24 e Vol. 25). Com argumento de Robert Kirkman e arte de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano, estes volumes lidos compreendem a ação desde pouco depois da chegada do grupo de Rick Grimes a Alexandria, até à atualidade dos lançamentos internacionais, ou, para quem segue a série de tv, corresponde à ação desde o final da 5.ª temporada, até ao que será, eventualmente, meados da 8.ª. Viciante e tensa, continua a manter-se a um nível altíssimo.

Sem título 2Vencedor do Prémio Bang! da editora Saída de Emergência, A Balada de Antel, escrito por Eric M. Souza, foi uma agradável surpresa. Somos apresentados a um mundo imaginário, inspirado na Antiguidade Clássica, onde duas nações defrontam-se há muito tempo, sem nenhuma sair vencedora. O advento de um novo senhor da guerra torna-se a mais-valia dessa civilização. Antel é o homem de quem todos falam. Armado de duas espadas com cristais que lhe dão vigor, e com um séquito de homens e mulheres fascinados pelo seu líder, Antel irá viver uma batalha de vida ou morte contra Ajedurala, uma governante fria e implacável, conhecida pelos seus métodos cruéis e pelo filho irresponsável. Vivendo uma homossexualidade clandestina, Ajedurala esconde muitos podres, mas também muitos trunfos na manga, o que não será suficiente para parar o carismático herói. Prelúdio Para as Trevas é a BD que nos leva a conhecer a fantástica personagem Vampirella, uma vampira que trabalha para uma agência secreta da Igreja, que visa combater demónios e outras criaturas das trevas. Com argumento de Nancy A. Collins e ilustração de Christian Zamora, esta revista mostrou duas aventuras. Na primeira, Vampirella disfarça-se de freira para desvendar a série de desaparecimentos misteriosos numa catedral francesa. Na segunda história, que acontece antes de ela se juntar à Igreja, encontramos Vampirella como ajudante de um mágico que, a bordo de um cruzeiro, torna-se a escolhida por um temível monstro como merenda sacrificial.

Sem título 2The Statement of Randolph Carter é mais um conto de terror de H. P. Lovecraft. Apesar de muito curto, foi também bastante saboroso. Randolph Carter é vítima de um interrogatório policial, após o desaparecimento do seu amigo Harley Warren. Os dois investigavam livros antigos em línguas ininteligíveis, e seguiram pistas até a um cemitério, onde Warren entrou numa cripta e pediu a Carter para ficar no exterior. O que ele encontrou foi algo medonho. O medo sentido por Carter é extremamente palpável. Gostei imenso da história e tive pena de ser tão curta. Ainda em abril li duas BD’s da série X-Men Origins. Colossus, escrita por Chris Yost e ilustrada por Trevor Hairsine, narra a origem do personagem dos X-Men Colossus. Piotr Rasputin ficou perturbado após a morte do seu irmão Michail, que o jurara proteger, e foi viver para uma quinta comunitária na Antiga União Soviética. Ali viu nascer a sua outra irmã, Ilyana, que viu como fuga para o seu desgosto. Às escondidas, num celeiro, ele transformava a sua pele em aço, uma habilidade que escondia do mundo, e a sua pequena irmã adorava vê-lo transformar-se. Revista boa a nível gráfico, história simples. Na BD dedicada a Jean Grey, com argumento de Sean McKeever e arte de Myke Mayhew, somos apresentados à origem da personagem dos X-Men. Tudo começou quando ela viu a melhor amiga a morrer atropelada e descobriu os seus dons de ler a mente. Fechou-se no quarto, completamente isolada do mundo. Os seus pais recorrem ao professor Charles Xavier, que a ajudou durante algum tempo, criando barreiras psíquicas e ensinando-a a controlar os seus poderes. A história foi arrastada, e a ilustração foi horrível para aquilo que a Marvel já me habituou. Não gostei.

Sem TítuloLi dois exemplares da BD Conan, o Bárbaro (Vol. 6 e Vol. 7) de Brian Wood. Após os eventos em Messantia, nos quais Conan e Belit vergaram os cruéis habitantes da cidade-portuária com a sua brutalidade, Conan leva a rainha dos piratas para a Ciméria, sua terra natal, onde ela não é aceite pela população. Ou, pelo menos, não da forma que ela esperava. Sou suspeito para falar, porque sou grande fã de Conan e as suas histórias raramente me desiludem. Icónica graphic novel de Frank Miller, 300 narra a Batalha de Termópilas, na qual 300 espartanos, sob o comando de Leónidas, mostram a Xerxes e aos exércitos persas que têm uma palavra a dizer. Um livro muito visual, que destaca o estoicismo dos espartanos e a forma como o seu sacrifício viria a mudar o rumo da Grécia Antiga. Messias de Duna foi um livro publicado originalmente em 1969, por Frank Herbert. É o segundo volume das Crónicas de Duna. Depois de Paul Atreides ter derrotado os seus inimigos Harkonnen e deposto o imperador do planeta Arrakis, tornando-se Imperador e Deus, neste volume vemos os acontecimentos 12 anos após a sua tomada de posse. Apesar do seu povo, os Fremen, serem responsáveis por imensos genocídios feitos em seu nome, Paul está de mãos e pés atados, dependente das suas visões e temente dos que o rodeiam. Uma conspiração é levada a cabo para o destruir, assim como à sua irmã Alia. Um livro mais calmo e meditativo do que o primeiro, com muitas questões filosóficas e políticas. Gostei bastante.

Sem título 2O mês de maio começou com o primeiro volume de Sin City, outra obra de Frank Miller. Destaque para os tons negros e brancos, imagens bastante fortes que conseguem, só por si, contar uma história. Marv é um perdedor nato que se vê envolvido numa perseguição sem limites, depois de ter a sorte, ou o azar, de passar uma noite com a maravilhosa Goldie. Um trama delirante em que as sensações de injustiça e de barbaridade são quase palpáveis. Voltei à graphic novel Saga. No quarto volume da famosa space opera com argumento de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples, a história continua incrível, entremeando ação e humor nas doses certas. Este volume conta como Alana e Marko se separaram, e mostra uma versão da pequena Hazel mais crescida. Entretanto, no planeta Robot, o pequeno príncipe nasce e um servo mata a mãe e rapta-o. Li os quatro volumes publicados em Portugal da BD As Águias de Roma (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3, Vol. 4). Enrico Marini une uma narrativa adulta e coesa, com intriga, lutas e muito sexo, a uma arte gráfica cheia de cor e expressividade. Marco e Armínio foram criados juntos, mas depressa as suas diferenças vêm à tona quando Marco se apaixona e Armínio usa todas as armas ao seu alcance para prejudicar o amigo. Mais tarde, Marco percebe que o seu irmão de criação pode estar envolvido numa rebelião contra Roma.

Sem título 2Quinto volume da saga A Torre Negra de Stephen King, Lobos de Calla mostra o ka-tet formado por Roland, Eddie, Susannah, Jake e Oi a chegar à povoação de Calla Bryn Sturgis, uma comunidade de rancheiros onde é frequente as crianças nascerem gémeos. De tempos a tempos, um grupo de cavaleiros com cabeças de lobo visita a região, levando consigo um exemplar de cada par de gémeos. Passado pouco tempo, um comboio devolve as crianças, mas elas vêm com deficiências mentais e crescem de forma anormal até morrerem em agonia. O grupo é obrigado a resolver esse problema, ao mesmo tempo que descobrem que o padre esconde uma bola de cristal negra sob a Igreja, conduzindo-os a Nova Iorque quando adormecem. Gostei muito. Comecei junho com Príncipe dos Espinhos, o primeiro volume da Trilogia de Espinhos de Mark Lawrence. Narrado pelo personagem principal, o livro conta-nos a história do príncipe Jorg Ancrath, filho mais velho do Rei Olidar, que é atirado para um espinheiro por um membro da guarda, que o salva da chacina a que o irmão mais novo e a mãe são alvos. Com os espinhos a perfurar-lhe a pele, Jorg vê a família ser assassinada e jura vingança. À frente de uma companhia de saqueadores, Jorg jura a si mesmo que será Rei quando completar 15 anos. Gostei bastante do mundo criado – pós-apocalíptico com aparência medieval – e da escrita do escritor. Peca por desenvolver muito pouco os personagens secundários e o desenrolar dos acontecimentos. A edição da TopSeller é muito boa.

Sem TítuloEscrito por Filipe Melo, com ilustrações de Juan Cavia e cores de Santiago Villa, Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy é a primeira BD portuguesa a ser publicada primeiro nos E.U.A. que em Portugal, e a primeira deste século a tornar-se best-seller. Peca pelas poucas páginas, narrando as origens do lobisomem de Tondela, Dog Mendonça, de forma hilariante. Recomendo. Com argumento de Ed Brubaker e arte de Sean Phillips, o primeiro volume da BD Fatale, A Morte Persegue-me não tem muitos acontecimentos, mas apresenta-nos o mistério relacionado à morte de um escritor, à inscrição estranha na sua lápide e aos seus escritos mais antigos. Tudo gira em volta de uma mulher que parece atrair a fatalidade para onde quer que ela vá. Um volume promissor, carregado de ambiente noir. Chegou finalmente a Portugal a BD V de Vingança, do icónico Alan Moore, com arte de David Lloyd. Na Inglaterra distópica dos anos 90, um governo totalitário condena as minorias raciais e sexuais a campos de concentração e mantém as ruas vigiadas por câmaras. É nesse cenário que surge um anti-herói mascarado, que se apresenta como V e começa a fazer justiça pelas próprias mãos. Uma novela gráfica surpreendente, que vai melhorando no decorrer da leitura e só pecou por alguns problemas de revisão/ tradução.

Foi um trimestre em que acabei por ler mais BD’s, mas todos os livros que li foram bons. Quero deixar os meus parabéns à G Floy Portugal, Edições Tinta da China e TopSeller pela forte aposta atual no mercado. Neste momento estou a ler os dois últimos volumes da primeira Saga do Assassino de Robin Hobb. E vocês, já leram algum destes livros?