A Divulgar: “Afirma Pereira” e “Harrow County Vol. 4: Laços de Família” pela G Floy Studio

Viva! Chegou já a bancas e a livrarias a novidade da G Floy Studio Afirma Pereira, a adaptação para BD do romance homónimo de Antonio Tabucchi pelo artista francês Pierre-Henry Gomont. O autor esteve entre nós no Festival de BD de Beja, onde fizeram enorme sucesso os seus maravilhosos autógrafos desenhados, e também na Fnac do Chiado e na Kingpin Books, com igual sucesso. Esta é sem dúvida uma das mais maravilhosas adaptações a BD da editora. Com um romance algo cerebral e discursivo, Gomont conseguiu tornar esta história extraordinariamente visual, fazendo de Lisboa uma das personagens do livro.

E está já disponível também mais um volume daquela que se está a tornar a série de terror creepy mais adorada pelos leitores portugueses: Harrow County, de Cullen Bunn e Tyler Crook! Em “Laços de Família”, Emily vai descobrir a sua família, um bizarro conjunto de individualidades com poderes tremendos e quase divinos. Mas as reuniões de família podem ser algo problemáticas, já se sabe!

AFIRMA PEREIRA

SINOPSE:

“Afirma Pereira é um romance existencial decididamente optimista.” Antonio Tabucchi

Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo no seu país, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. Um verdadeiro retrato duplo: o de um homem cheio de sensibilidade humanista, e o de uma Lisboa ao mesmo tempo plena de cor e de melancolia.

Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, é um dos mais belos romances do escritor italiano, que era quase um português por adopção e por paixão pelo nosso país. E é também um dos mais interessantes e complexos romances para adaptar a banda desenhada: o artista francês Pierre-Henry Gomont aceitou o desafio lançado pela sua editora, a Sarbacane, e produziu um dos mais belos e mais premiados livros de BD de 2016, num estilo que é uma verdadeira homenagem aos céus e cores do nosso país, e à sua capital, Lisboa.

Artista vindo de um meio completamente diferente (era sociólogo e professor universitário!), Gomont entrou na BD na vertente mais independente e alternativa, antes de assinar o seu primeiro sucesso, Rouge Karma (com argumento de Eddy Simon), com o qual vencerá o Prémio Polar de Angoulême (que distingue a melhor história policial ou thriller do ano). Desafiado pelo editor Frédéric Lavabre a adaptar o romance de Tabucchi, Gomont, que já se tinha apaixonado pela adaptação de grandes romances literários à arte sequencial, vai produzir aquele que será o seu mais aclamado livro até hoje, e o mais premiado. Não só foi nomeado como um dos cinco finalistas do Prémio da Crítica francesa (Prix ACBD) para 2017, mas venceu o prestigiado Prix RTL, escolhido de entre as bandas desenhadas seleccionadas por essa popular cadeia de rádio francesa, e acabou por vencer também o Prix Château de Cheverny para a banda desenhada histórica de 2017.

“Tudo funciona maravilhosamente nesta BD” – Le Monde

“Uma BD que é uma paixão!” – France Inter

“O olhar do leitor perde-se nas pranchas fabulosas que nos mostram o clima abafado daquele Portugal dos anos 30” – Les Inrockuptibles

“…O Doutor Pereira é alguém que sofre de uma espécie de Bovarismo, que vive a sua vida por livros interpostos, mas vão ser as escolhas de um jovem, o Monteiro Rossi, que lhe vão permitir mudar. Este livro constitui uma declaração de amor à literatura politicamente empenhada e ao percurso que um livro pode fazer na vida duma pessoa e de um país. Afirma que as palavras e a escrita são também elas uma maneira de estar presente no mundo. Mas este romance é mais um livro sobre o empenhamento político do que propriamente um livro politicamente empenhado, e Pereira é uma personagem muito contemporânea, uma espécie de símbolo de reacção do dia-a-dia face a ameaças contra a democracia.” Pierre-Henry Gomont, in dBD (Setembro 2016)

AFIRMA PEREIRA de Pierre-Henry Gomont

Formato álbum, 20,5 x 28, capa dura, 160 pgs. a cores.

PVP: 18€

ISBN: 978-84-16510-67-2

PREVIEWS:

HARROW COUNTY VOL. 4

SINOPSE:

BEM-VINDOS A HARROW COUNTY…

 Emmy acredita que é única, que não há mais ninguém no mundo com as suas… potencialidades. Mas, quando começam a chegar uma série de estranhos a Harrow County, vai descobrir que estava muito enganada. Mas serão todos estes seres que surgiram de repente, cada um deles dono de estranhas e assustadoras habilidades sobrenaturais… da família dela?

Este volume reúne os números #13-16 de Harrow County, uma história de terror ao estilo southern gothic, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

“Em Harrow County, há sempre algo desconhecido à nossa espera, escondido entre vinhetas e desenhos, a desafiar-nos para o imaginarmos melhor ainda… Uma série que é o epítome da narrativa  cativante.” – Bounding into Comics

 “O tipo de livro que nos faz sempre estar a olhar por cima do ombro e a ligar as luzes à noite.” – SciFiPulse

Cullen Bunn é um autor de comics americanos, bem conhecido pelas histórias que escreveu para a Marvel, em particular as suas mini-séries de Deadpool, que a G.Floy irá editar já a partir desta Primavera. Como romancista, Cullen Bunn já foi nomeado para o Bram Stoker Award (que distingue a melhor ficção de terror), e como escritor de comics para dois Eisners, um dos quais por Harrow County. Tyler Crook trabalhou durante anos na indústria de videojogos, até ao lançamento, em 2011, de Petrograd, uma novela gráfica escrita por Phillip Gelatt, que marcou a sua estreia na BD. Crook venceu também um Russ Manning Award, um prémio atribuído durante os Eisners, e que premeia o trabalho de um estreante no mundo da BD.

Reúne os #13 a 16 de Harrow County. Originalmente prevista para seis volumes, o sucesso da série levou a que fosse prolongada para um total de oito. O volume 4 inclui também um exemplo da passagem de argumento a desenho, um exemplo da colaboração entre Bunn e Crook, e um caderno de esboços e estudos de personagens.

Harrow County foi considerada:

Melhor Série em Continuação 2015

Melhor Escritor 2015

– Horror News Network

Melhor Série em Continuação 2015

Melhor Escritor 2015

– Ghastly Awards

Harrow County volume 4: Laços de Família

Álbum, 120 pgs a cores, capa dura. PVP: 11€

ISBN: 978-84-16510-68-9

PREVIEWS:

Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.

 

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Estive a Ler: Má Raça

Oh Meu Deus. Foda-se! Meu Deus!

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO MÁ RAÇA (FORMATO BD)

Lançado em 2016 pela G Floy Studio, Má Raça é a versão nacional de Men of Wrath, uma violenta história auto-contida com argumento do famigerado Jason Aaron (Scalped, Southern Bastards, Os Malditos) e ilustrações de Ron Garney (Wolverine, Daredevil, Ultimate Spider-Man). Aaron, que começou a ser conhecido por Scalped, que criou para a Vertigo, trabalhou com Garney numa série de livros da Marvel. O bom entendimento entre os dois levou a que o escritor escrevesse uma história para Garney ilustrar, e o resultado foi este Má Raça.

Ron Garney tinha ganho já nome como ilustrador de grandes sagas de ação e de super-heróis, notabilizando-se particularmente pela sua fase como artista do Capitão América nos anos 90. Como se pode ler na nota de imprensa da editora, Garney viu aqui a hipótese de fazer um trabalho diferente daquele que tinha desenvolvido anteriormente, de apresentar um estilo original, mais negro, usando um traço mais forte e grosso, sendo da sua mão também a arte-final na maioria dos números da mini-série. Má Raça reúne os comics #1 a #5, originalmente publicado pela chancela editorial Icon da Marvel entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015.

Fonte: G Floy

O que chama logo a atenção neste comic é a violência e a vivacidade das suas pranchas. A arte de Garney mescla o negro difuso e cheio de sombras com a cor e a lucidez característica dos melhores momentos da Marvel. Esta alternância de estilo poderia ter prejudicado o livro como um todo, mas pessoalmente agradou-me, acima de tudo porque ele soube quando usar um ou outro, casando na perfeição com os momentos de maior ou menor tensão visual.

“O álbum levanta uma série de questões, o porquê de rivalidades antigas e o porquê da intolerância entre membros da mesma família.”

Depois, temos o argumento de Jason Aaron. Não é preciso dizer muito sobre ele, até porque já conhecemos bem o seu trabalho de Southern Bastards e de Os Malditos. Se a série que narra a vida brusca e violenta no sul dos states me agradou bem mais do que o álbum pré-diluviano, a verdade é que Aaron esteve sempre à altura dos acontecimentos em qualquer das obras. Mais do que uma coerência ou linearidade a nível do argumento, é a violência quase astral, transmitida em poucas palavras, que distingue este autor da maioria.

MOW
Fonte: G Floy

Como tal, encontramos em Má Raça um trabalho de relevo, não só por unir um autor e um ilustrador dotados, como por eles se conseguirem encontrar ao melhor nível. Má Raça não tem um argumento fortíssimo e uma história que nos maravilhe. É um volume único, pegando numa premissa simples e desenvolvendo-a de forma visceral e desumana, chamando a nós as nossas noções de família, fazendo os nossos corações acelerarem no peito com a necessidade premente de perceber como irá acabar aquilo, sabendo já de antemão que não acabará bem.

A ideia original para Men of Wrath nasceu duma história da minha família. O meu trisavô matou mesmo um tipo à facada, numa discussão por causa dumas ovelhas. E essa é a cena que abre este livro. E o meu bisavô, o filho dele, morreu mesmo de raiva. São essas as raízes camponesas que inspiraram a criação da família Rath e este livro, e a história de ciclos de violência que ele conta. Pode não ter sido um homicídio a sangue-frio, mas é o que desencadeia tudo e, a partir daí, a bola começa a rolar e as coisas vão piorando de geração para geração, até culminarem no dia de hoje. – Jason Aaron

Em Má Raça, somos apresentados uma família disfuncional, os Rath, conhecidos pelas suas características desafiadoras e violentas. As suas histórias terminam sempre em mortes e tragédias desde os inícios do século XX, quando uma rixa por causa de umas ovelhas terminou num homicídio. Ira Rath, um implacável assassino profissional, aceita uma missão, sem imaginar aquilo que teria de enfrentar. Dilacerado por um cancro, para Ira não há travões morais. Para Ira, valerá tudo.  Mas Ira não é o último dos Rath, e quando alguém se determina a defender uma mulher grávida, tudo pode acontecer.

Fonte: G Floy

O álbum levanta uma série de questões, o porquê de rivalidades antigas e o porquê da intolerância entre membros da mesma família. O ódio que destilam é palpável e visceral, a frivolidade dos acontecimentos impressiona e procura encontrar lógica num mundo em que há uma total ausência de amor. A indiferença de Ira contrasta com a sua debilidade física e mental, ao mesmo tempo que conhecemos mais das outras personagens e nos perguntamos até que ponto são elas tão diferentes umas das outras.

A panóplia de traços bem executados por Garney é um contraste vívido e honesto de uma família erodida pela falta de amor, ao mesmo tempo que nos apresenta momentos visuais de grande impacto tanto físico como psicológico, com cenas de esfaqueamentos, lutas e sexo a sucederem-se de forma fluída e bem distribuída. No fim, fica a pergunta se a maldade é mesmo uma questão de sangue. Recomendadíssimo. 

Avaliação: 8/10

A Divulgar: “Jessica Jones: Pulsar” e “Viagens” pela G Floy Studio

As novidades de maio da G Floy vão chegando às livrarias, e chega agora a nota de imprensa do segundo livro Marvel do mês: Jessica Jones: Pulsar. A história de Jessica Jones, personagem criada pelo escritor Brian Michael Bendis e pelo artista Michael Gaydos, e que serviu de inspiração à série de TV da Netflix está organizada em três séries de BD diferentes. Pulsar é a segunda das três séries, que reúne numa edição integral várias histórias com desenhadores diferentes, e que se foca na gravidez de Jessica, na sua relação com Jonah Jameson e no seu trabalho no Clarim Diário. Em 360 páginas, os leitores têm a oportunidade de ler toda a saga que culmina num casamento. Pelo caminho são vários arcos de história com a marca distintiva do escritor Brian Michael Bendis que continua a explorar os recantos mais escuros do universo da Marvel.

Viagens é o terceiro volume da série de antologia de BD portuguesa do The Lisbon Studio, que a G Floy edita em parceria com a ComicHeart. O livro será apresentado e lançado já este fim-de-semana no XIV Festival de BD de Beja, com a presença de um grupo grande de autores, e também com uma bela exposição dedicada aos artistas do The Lisbon Studio e à colecção. O livro começará a chegar às livrarias, mas estará também disponível já este fim de semana na Feira do Livro de Lisboa, no stand da distribuidora Europress. Haverão também duas sessões de autógrafos em Lisboa durante os próximos 15 dias, na Feira do Livro e na livraria Kingpin Books.

JESSICA JONES: PULSAR

SINOPSE:

JESSICA JONES, A HEROÍNA DA SÉRIE DE BRIAN MICHAEL BENDIS ALIAS E DA SÉRIE DE TV DA NETFLIX ESTÁ DE VOLTA!

A ex-Vingadora tornada investigadora privada começa um novo capítulo da sua vida – como jornalista para a nova secção sobre super-heróis do Clarim Diário, PULSAR! E a sua primeira missão é descobrir a identidade de um homicida super-poderoso que assassinou uma ex-repórter do Clarim. Qual será o envolvimento de Norman Osborn neste caso? E que efeito terá a descoberta chocante de Jessica no universo Marvel? E Jessica e Luke Cage, que agora vivem juntos, vão ser envolvidos por Nick Fury numa verdadeira guerra – e terão de reagir e lutar pela sua nova vida! E o momento que todos esperavam: o bebé de Jessica e Luke, e o dia do casamento! Convidados especiais? Homem-Aranha, Capitão América, os Novos Vingadores e muitos mais!

Jessica Jones regressa num volume de 360 páginas que nos traz uma fase inteira da saga da heroína, desde o momento em que inicia a sua vida a dois com Luke Cage à espera do seu bebé, até ao final mais esperado de todos, e sempre motivo de festejos, um casamento Marvel! Pelo caminho são vários arcos de história com a marca distintiva do escritor Brian Michael Bendis que continua a explorar os recantos mais escuros do universo da Marvel, e desenhados por artistas variados.

Na primeira história, desenhada por Mark Bagley (colega de longa data de Bendis em Ultimate Homem-Aranha), Jessica começa a trabalhar no Clarim Diário, e a sua investigação ao assassinato de uma outra jornalista levará directamente a um confronto com o Duende Verde, e a uma batalha épica nas ruas de Nova Iorque. Na segunda história, Jessica terá de viver as sequelas da Guerra Secreta de Nick Fury, que irá colocar em perigo a sua bebé, e opô-la à Hidra, com desenho de Brent Anderson (Astro City) e Michael Lark (Gotham Central). Michael Gaydos, o desenhador original da série Alias e criador visual de Jessica Jones regressa para uma curta história, uma homenagem emotiva e inteligente às personagens menores do universo Marvel. E, finalmente, entre casamento e batalhas desenhadas por Olivier Coipel, uma das estrelas da Marvel (Dinastia de M), temos a mais super-heróica das histórias deste volume.

Este é o livro em que Jessica Jones completa o longo caminho de “loser” que se despreza a si própria a membro respeitada da comunidade dos super-heróis que consegue finalmente olhar para si mesma no espelho sem pestanejar!

 JESSICA JONES: PULSAR

Reúne os comics The Pulse #1-9 e #11-14, e New Avengers Annual (2006) #1

Álbum, formato comic, 360 pgs a cores, capa dura. PVP: 25€

ISBN:  978-84-16510-63-4.

PREVIEWS:

VIAGENS

SINOPSE:

Uma narrativa é sempre uma viagem, do passado ou presente para o futuro, do mundo limitado para um mundo sem limites, do criador e narrador para o leitor, do dizível para o indizível, do visível para o invisível, ou vice-versa… Sete histórias, que são outras tantas viagens sequenciais para destinos incertos ou certeiros.

“De certo modo, a tradução do mundo que a banda desenhada faz é uma redução à sua essência, como se prescindisse do que se revela desnecessário e se ativesse ao que importa a cada forma e cada situação. Mas a banda desenhada não lida apenas com a versão estrutural das formas, ela escolhe também, para a narrativa das situações, instantes essenciais. (…) O desenho é mais do que a representação de formas e gestos, é aproximação ao invisível, indizível, impossível. Como em qualquer arte, ele tem ansiedade pelo sem limite.

É urgente haver mais. ” – do prefácio de Valter Hugo Mãe

O terceiro volume da colecção de antologias de histórias curtas pelos membros do The Lisbon Studio será lançado no XIV Festival de BD de Beja (25 a 27 de Maio), um volume com sete histórias e oito autores que se organiza à volta do tema do título. Depois do sucesso de CIDADES, (TLS Series vol. 1), já esgotado, e de SILÊNCIO (TLS Series vol. 2), esta colecção de alguma da melhor banda desenhada que se faz no nosso país pelos membros de um colectivo que já se tornou lendário continua a sua programação semestral, e a ser um dos pontos altos do calendário nacional de BD. Relembramos que CIDADES foi distinguido com duas nomeações para os Prémios Nacionais de Banda Desenhada Amadora BD, na categoria de Melhor Desenho (para as histórias de Filipe Andrade e Marta Teives), e venceu o Galardão do Comic-Con para a Melhor História Curta (com a história de Filipe Andrade), para além de ter visto mais duas histórias nomeadas no para o mesmo prémio do Comic-Con (de Pedro Vieira de Moura e Marta Teives, e de Ricardo Cabral).

O The Lisbon Studio é um colectivo de ilustradores, designers e autores de BD, que conta com mais de uma década de existência, e que partilham um espaço com vista para o Tejo, em Santa Apolónia, naquela que é de, de facto, a casa da BD em Portugal. Autores que trabalham para a Marvel, autores que representam alguns dos maiores best-sellers da BD portuguesa, autores que representam estilos e modos de criação muito variados, incluindo autores que trabalham em design, ilustração, web-design, e mais. No The Lisbon Studio – apesar da constituição dos membros do TLS se ter alterado ao longo dos anos – não só se sente a herança dos seus fundadores, como a marca deixada por todos os que por aqui passaram.

SILÊNCIO: The Lisbon Studio Series, vol. 3

Histórias de Filipe Andrade, Quico Nogueira, Pedro Ribeiro Ferreira e Nuno Rodrigues, Dileydi Florez, João Tércio, Ricardo Cabral, e Nuno Saraiva.

Prefácios de Valter Hugo Mãe e André Oliveira.

Capa de Ricardo Cabral.

Uma co-edição G Floy e ComicHeart.

Formato 17 x 24, capa dura, 128 pgs.

(16 a cores, 112 a p/b).

PVP: 12€

ISBN: 978-84-16510-69-6

PREVIEWS:

Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora. 

 

A Divulgar: “Ms. Marvel Vol. 1: Fora do Normal” pela G Floy Studio

Viva! Chega amanhã às bancas um dos grandes lançamentos da Marvel que a G Floy traz este ano. Ms. Marvel Vol. 1: Fora do Normal é uma das mais premiadas e mais aclamadas (e mais… queridas!) sagas que a Marvel lançou nestes últimos anos, e a G Floy orgulha-se MESMO de a lançar em Portugal.

Ms. Marvel é uma das mais prestigiadas e aclamadas séries lançada pela Casa das Ideias nos últimos anos. Nomeada para inúmeros Prémios Eisner, vencedora do Hugo para Melhor Romance Gráfico (2015) e do Prémio de Angoulême para Melhor Série (2016), Ms. Marvel rompeu com muitos dos cânones das aventuras da Marvel da era contemporânea, recuperando alguma da magia original de personagens adolescentes que estão a descobrir os seus poderes enquanto tentam sobreviver num universo confuso e cheio de confrontos.

Willow Wilson é uma escritora americana de prosa, poesia e comics, uma jornalista e ensaísta, e uma fã de longa data de banda desenhada e de outras manifestações da cultura pop. Depois de um período de introspecção e estudos religiosos, acabou por se converter ao Islão e viveu vários anos no Egito, onde ensinou inglês. Praticamente todos os seus livros ganharam prémios: as suas memórias de vida no Egito, The Butterfly Mosque foram o Seattle Times Best Book of 2010, o seu primeiro romance gráfico, Cairo (com o artista M.K. Perker, publicado pela Vertigo) foi nomeado como uma das melhores novelas gráficas do ano pelo School Library Journal e o Publishers Weekly, e o seu primeiro romance, Alif the Unseen, venceu o World Fantasy Award.

Ms. Marvel foi a mais aclamada e premiada das suas criações, mas tem escrito regularmente para a Marvel e DC/Vertigo. Já o canadiano Adrian Aphona foi inicialmente conhecido pela sua criação da série Runaways (juntamente com o escritor Brian K. Vaughan, autor de Saga e de Y O Último Homem), para a Marvel. Depois de alguns anos longe dos comics, tem trabalhado para a Marvel em inúmeros títulos.

SINOPSE:

Kamala Khan é uma jovem adolescente muçulmana de Nova Jérsia, perfeitamente normal… até ao dia em que descobre que recebeu poderes extraordinários! Mas quem é realmente a nova Ms. Marvel? Uma simples adolescente muçulmana, indecisa entre dois mundos, o da América moderna e o do mundo tradicional do Islão? Uma inumana criada depois da explosão da Bomba Terrígena? Uma fã de Carol Danvers, a Capitã Marvel? Estará Kamala preparada para usar os seus tremendos poderes, e conseguirá ela perceber que com grande poder vem grande responsabilidade? Descubram tudo isso quando ela tomar o universo Marvel de assalto… ou pelo menos Nova Iorque e arredores!

“Talvez o mais importante comic publicado em 2014.” – ComicsAlliance.com

O processo de criação de Kamala Khan, a nova Ms. Marvel e a primeira heroína muçulmana da Marvel, não foi isento de controvérsia e mesmo hostilidade. A autora trabalhou com a editora Sana Amanat para definir as suas características e história de família, mas muitos fãs e os meios mais conservadores da sociedade americana opuseram-se à aparição desta heroína adolescente de Nova Jérsia. Mas a nova personagem era tão fácil de se gostar, simultaneamente ingénua, querida, teimosa, e perdida entre as suas obrigações familiares e o Islão e a moderna vida Ocidental, que foi muito bem acolhida pelos fãs e pela crítica, tendo sido comparada sobretudo com Peter Parker nos anos da Idade de Prata da Marvel, e mesmo considerada um símbolo de reconciliação entre tradições religiosas diferentes.

MARVEL vol. 1: FORA DO NORMAL

Reúne os comics Ms. Marvel #1-5 e material de All-New Marvel Now! Point One #1.

Formato deluxe, capa dura, 120 pgs. a cores.

PVP: 13€

ISBN: 978-84-16510-65-8

PREVIEWS:

Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.

Estive a Ler: Potter’s Field: O Cemitério dos Esquecidos

E não descansa até dar a esses mortos a única coisa que consegue: um nome pelo qual sejam recordados.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO POTTER’S FIELD: O CEMITÉRIO DOS ESQUECIDOS (FORMATO BD)

Potter’s Field: O Cemitério dos Esquecidos é mais uma das grandes apostas da G Floy deste início de ano. Com argumento de Mark Waid e arte de Paul Azaceta, trata-se de um romance gráfico de linha dark, a meio caminho entre o policial noir e o thriller, incluindo ainda a história de vigilantismo do super-herói:  a história de um indivíduo misterioso, decidido a devolver o nome e a dignidade aos mortos anónimos enterrados em Potter’s Field, um cemitério para os esquecidos perto de Nova Iorque.

Mark Waid é um dos mais aclamados escritores de comics da actualidade, com uma obra de referência que inclui trabalhos para as duas grandes editoras de super-heróis, DC e a Marvel. O seu romance gráfico Kingdom Come, para a DC, que mostra um futuro possível distópico da Liga da Justiça, é considerado uma das grandes histórias de sempre dos super-heróis da DC. Responsável por histórias fulcrais para a Liga da Justiça (Heaven’s Ladder, JLA: Year One), Fantastic Four, Superman: Birthright, popularizou a mais recente fase do Demolidor que lhe granjeou vários prémios Eisners.

Paul Azaceta é um desenhador já conhecido dos fãs da G Floy, que edita dele a série Outcast (com argumento de Robert Kirkman). É conhecido pelo seu estilo contido e dinâmico, em contraste com as várias tonalidades de lilás e negro quase sufocantes. Após uma série de trabalhos em que a sua sensibilidade noir despontou com força, em títulos como Daredevil, Spider-Man, Punisher Noir, e B.P.R.D. 1946, Azaceta assina esta épica história de vingança em nome dos que a lei e a justiça esqueceram.

Fonte: G Floy

Envolvente e castrador ao mesmo tempo que é simples e intenso, O Cemitério dos Esquecidos é um álbum que não agradará a todos, mas decerto agradará aos melhores fãs de noir e de policial. Ele pisca o olho a vários clássicos do género, sem deixar de ser original e convincente e essa é, para mim, uma das grandes mais-valias deste romance gráfico.

“E é muito por este não ser um cliché deste género de literatura, que a narrativa acaba por funcionar na perfeição.”

Mark Waid convence com uma história híbrida entre o policial e a história de vigilantes, e embora esteja distante da fórmula usada por Alan Moore em Watchmen, não deixa de usar os ingredientes que mais me agradaram nessa história: o lado mais negro do ser humano, sempre a vir à tona de água. Mas foi a arte de Paul Azaceta, de quem já apreciava o trabalho em Outcast, que mais me deliciou. Os negros, cinzentos e lilases oferecem uma beleza estética impressionante.

Sem Título
Fonte: G Floy

O Cemitério dos Esquecidos apresenta-nos John Doe, um homem invisível, sem identidade, sem passado e sem qualquer nome nas redes de informação e bases de dados. Doe estabeleceu um objetivo para si mesmo: descobrir quem foram todos os que se encontram enterrados no cemitério de Potter’s Field, em Hart Island, e dar-lhes justiça, fazendo o mundo lembrar-se dos seus nomes.

As campas do cemitério não têm nomes, e parte do seu trabalho consiste em descobri-los. Quando consegue, esculpe os nomes dos falecidos nas suas ardósias, o que virá a levantar problemas e a chamar a atenção dos responsáveis pelos assassinatos, fazendo a pouco e pouco com que os mortos de Potter’s Field percam o protagonismo, deixando-o para John. Afinal, é ele o grande enigma deste álbum.

Fonte: G Floy

A narrativa é sólida e o protagonista é credível e convincente, mas sou obrigado a deixar claro que o que realmente me impressionou neste álbum foi a arte de Paul Azaceta. Em muitos momentos baça, ou pelo menos pouco nítida, ela consegue passar a mensagem de uma escuridão que se adensa e difunde ao longo das páginas, tornando mais questionadora e hermética a narrativa central.

“As campas do cemitério não têm nomes, e parte do seu trabalho consiste em descobri-los.

O Cemitério dos Esquecidos não é um thriller de tirar o fôlego nem tampouco nos faz surpreender com revelações impressionantes, mas tem o mérito de nos fazer deambular pelo desconhecido e levantar as nossas dúvidas acerca do próprio protagonista. E é muito por este não ser um cliché deste género de literatura, que a narrativa acaba por funcionar na perfeição.

Avaliação: 8/10

Estive a Ler: Fogo de Dragão, Dragomante #1

A quem é que estás a chamar criança, ó grunho?

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “FOGO DE DRAGÃO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE DRAGOMANTE (FORMATO BD)

Publicado em formato franco-belga, Dragomante: Fogo de Dragão é a mais recente criação de uma dupla de sucesso na literatura e BD de fantasia. Filipe Faria é autor de uma das séries de romances de fantasia de maior sucesso no nosso país (As Crónicas de Allaryia) e Manuel Morgado é autor para o mercado francês de BD, tendo recentemente assinado o álbum Gréldinard, para a Dargaud (da série Chroniques de la Lune Noire).

Mais uma colaboração da G Floy Studio com a Comic Heart, frequente em publicações nacionais, esta recente BD nacional foi apresentada no passado sábado no Festival Contacto, em Benfica, onde o autor Filipe Faria entrou em contacto com os fãs. De realçar que, ao contrário do que é decorrente neste tipo de literatura, foi o ilustrador que contactou o argumentista para dar “voz” aos seus desenhos, quando já havia ilustrado a quase totalidade do álbum.

Fonte: G Floy

Dragomante: Fogo de Dragão, chama desde logo a atenção pela magnificência das ilustrações. Costuma-se dizer que os olhos também comem, e no caso das BDs essa asserção não podia ser mais verdadeira. É um privilégio contarmos com artistas como o Manuel Morgado no nosso país, de quem muito sinceramente – e shame on me – nunca tinha ouvido falar. Este álbum é um desses casos, em que a beleza da ilustração nos faz comprar o produto.

“Apesar da ideia de um “cavaleiro de dragão” e da envolvente medieval estar já muito batida, creio que Filipe Faria e Manuel Morgado conseguiram fazer aqui algo de novo e de original.

Já o argumento, é um caso à parte. Goste-se ou não, Filipe Faria é um dos nomes maiores, se não o maior, da fantasia escrita em português de Portugal. E como muitos outros jovens autores, fui um daqueles que sentiu atraído pelo mundo da escrita graças às Crónicas de Allaryia do Filipe. Nunca terminei a série, mas os cinco volumes que li acabaram por marcar parte da minha juventude e do meu amor pelo fantástico.

Sem Título
Fonte: G Floy

Percursor de um género que pouco era visível no nosso país, Filipe Faria veio a construir uma reputação e um nome que, aqui e ali, vai fazendo por não cair no esquecimento. E embora hoje olhe para as suas Crónicas e para a sua escrita com muito menos apreço do que outrora, é um facto de que gosto do seu trabalho e sinto grande afinidade para com as suas ideias e para com a forma como as passa para o papel.

Em Dragomante, Filipe tinha o desafio hercúleo de dar sumo a uma história que já estava praticamente toda desenhada. Ou, melhor dizendo, criar uma história para essas ilustrações que, por si só, já contavam algo. O resultado foi muito satisfatório. Se bem que fique a ideia que a BD é bastante pequena para aquilo que o tipo de história exigia e a sensação de que ele passa a maior parte do álbum a tentar explicar-nos o que é um dragomante.

Fonte: G Floy

Como a sinopse nos conta, a história é passada no reino de Armitaunin, onde um Dragomante e um dragão são guerreiro e cão de guerra, aliados e amigos inseparáveis. Mas enquanto um Dragomante homem só pode efetivar a ligação com um dragão, uma mulher pode ser cobiçada por vários dragões e, em certas circunstâncias, pode dominá-los a todos. Nereila é a primeira mulher Dragomante em séculos, que prossegue o seu treino com o Preceptor Leunaius, um sujeito rígido e obcecado.

“Este álbum é um desses casos, em que a beleza da ilustração nos faz comprar o produto.”

O preceptor insiste em que Nereila seja acompanhada por Ékion, o seu Escudeiro. O papel deste Escudeiro é bastante importante porque, mais do que defender o Dragomante dos seus adversários em combate, ele deve também funcionar como a ligação do Dragomante à humanidade. Uma vez que o Dragomante passa tanto tempo com o dragão, tende a acumular características dele, e o Escudeiro deve lembrá-lo de que é ainda humano e trazer à tona estas características.

Nereila é filha de um Dragomante então falecido chamado Edégeon, que fora temível nos seus tempos de glória.  Era tão poderoso, que decidiu tornar-se mais do que um Dragomante, mas o Protector daqueles domínios. Isso levou a que criasse inúmeros inimigos, entre eles o Barão Gargól, com quem empreendeu uma rixa que chegou aos dias de hoje e poderá cair sobre a cabeça da própria Nereila e do seu dragão Iscérikan.

Fonte: G Floy

Apesar da ideia de um “cavaleiro de dragão” e da envolvente medieval estar já muito batida, creio que Filipe Faria e Manuel Morgado conseguiram fazer aqui algo de novo e de original. Não só a relação de Ékion e Nereila está muito bem tecida, mostrando em poucas pranchas que cada um deles possui já um historial pesado sobre os ombros, como a própria história foi bem concebida e enquadrada nos desenhos.

Não sei se os autores planeiam fazer uma continuação, mas parece-me que a parceria (que já havia trabalhado junta em Talismã) deu certo e gostaria de ver um desenvolvimento para esta história, uma vez que o álbum me pareceu mais uma introdução do que outra coisa, que poderia ter tomado um rumo menos agradável não fosse o final cheio de ritmo e volte-faces, para além do bom humor que permeou o volume.

Avaliação: 8/10

Resumo Trimestral de Leituras #13

É verdade, já se passaram três meses em 2018 e o NDZ continua no radar das melhores publicações de Ficção Especulativa no nosso país. Janeiro, fevereiro e março trouxeram-me ótimas leituras, continuando ao mesmo ritmo que vinha trazendo o ano anterior. Os meus destaques vão para a série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, de que li três volumes, enquanto que nas BDs li todos os seis álbuns da série Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez. Quanto a séries terminadas, para além da supracitada, terminei a trilogia Área X de Jeff VanderMeer, com o livro Aceitação.

Melhor livro: A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2), Robin Hobb

Melhor BD: O Sangue (Monstress #2), Marjorie Liu e Sana Takeda

Pior avaliação: A Espada de Shannara (A Espada de Shannara #1), Terry Brooks

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Comecei 2018 em grande. Passada no shardworld Sel, o mesmo mundo de Elantris, The Emperor’s Soul é uma novella de Brandon Sanderson cheia de pequenas subtilezas bem originais. Shai, a protagonista, é uma ladra perita num tipo de magia chamada Forgery. Ela invade o palácio do Imperador para roubar um artefacto antigo e substituí-lo por uma reprodução idêntica, mas é apanhada e colocada atrás das grades. Muito embora o Império considere a Forgery uma abominação, não vêm outra alternativa para recuperar o seu Imperador, caído em total apatia após a morte da esposa, do que usá-la em seu proveito. Pelas Edições Gailivro, Se Acordar Antes de Morrer é uma coletânea de contos escritos por João Barreiros, na minha opinião o melhor autor de ficção científica nacional. Sentia bastante expectativa para os dois primeiros contos, “Brinca Comigo” e “Disney no Céu entre os Dumbos”, mas para quem já leu bastante do autor, acabei por achar as ideias um tanto repetitivas. No entanto, fui surpreendido por uma mão cheia de contos que achei bem interessantes. Nas suas histórias podemos encontrar um exército fortemente armado com a missão de aniquilar o Pai Natal ou uma série de zombies bastante desagradados por não conseguirem comer um robot.

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Sykes, dos franceses Pierre Dubois e Dimitri Armand, é um western gráfico bem violento e cheio de texturas. Somos apresentados a um marshall, que se une a um irlandês e a um índio para perseguir uma quadrilha de malfeitores, conhecidos pelo saque, homicídio e violação. A perseguição de “Sentence” Sykes aos Clayton é bem cliché no género, mas agradará certamente a todos os fãs. Pessoalmente, adorei o desenho de Armand e gostei de ver um autor de fantástico juvenil como Dubois, a trabalhar numa história com este índice de violência. O Sangue dos Elfos é o terceiro volume da série The Witcher de Andrzej Sapkowski, publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Pode-se dizer que é a partir daqui que a história começa, uma vez que os dois primeiros livros, escritos em forma de contos, foram uma prequela e este pode ser visto como um prólogo para a história central. Gostei bastante do livro e achei que subiu de qualidade em relação aos antecessores, mostrando o treino da pequena Ciri e as relações que daqui surgem. A escrita foi uma das maiores qualidades do livro, faltou a meu ver maior harmonia e sensatez nos saltos temporais.

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O primeiro volume da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Welcome To Lovecraft apresenta-nos uma família curiosa, os Locke. O pai, um professor, decide envolver os filhos nas tarefas campestres, mas quando um grupo de rufias invade a casa e decide vingar-se do professor e matá-lo, os restantes familiares são obrigados a mudar de vida e a ir viver para a antiga mansão de família, em Lovecraft. Já no segundo volume, Head Games, a história adensa-se. Bode, Tyler e Kinsey, os três filhos do professor assassinado, começam a sentir-se familiarizados com os mistérios da mansão, e nem uma chave mágica que consegue abrir cabeças e mudar memórias é o suficiente para os assombrar. Gostei bastante. Primeiro volume da trilogia Espada de Shannara de Terry Brooks, com o mesmo nome, este livro da Saída de Emergência tem um design lindíssimo e uma edição muito bem cuidada. Pena o conteúdo não lhe fazer justiça. A escrita de Brooks oscila entre um vocabulário rico e uma escrita algo infantil, principalmente nos diálogos. Mas o principal defeito do livro é mesmo a sua enorme semelhança à trilogia O Senhor dos Anéis. Espero que o segundo volume seja bem mais original a esse respeito.

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Publicado pela Coleção 1001 Mundos da Gailivro, o primeiro volume da série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, O Homem Pintado, foi uma agradável surpresa. Todas as noites, os nuclitas atacam. São demónios que assumem diferentes formas e respeitam uma ordem natural de entreajuda, rivalidade ou estratificação entre eles. Quando a noite cai, erguem-se do Núcleo e materializam-se, correndo atrás de vidas humanas para delas se alimentarem. É aqui que surgem Arlen, Leesha e Rojer, três crianças que, cada um à sua maneira, e cada um a viver numa povoação distinta, é vítima destes demónios e moldam a sua personalidade de acordo com a sua coragem para dizer Basta! A escrita do autor norte-americano é simples, mas revela conhecimento e grande maturidade. Não gostei tanto do último terço, mas é um livro ótimo. Li o segundo volume já em fevereiro, A Lança do Deserto, cuja primeira metade do livro é dedicada a Jardir, uma personagem até então bastante secundária. Jardir acredita ser o Libertador que irá livrar o mundo dos demónios, mas a forma como tenta unir os povos é através da guerra, avançando com as suas tropas do deserto para as chamadas terras verdes. Depois, vemos como os três protagonistas agem na defesa dos seus povos e como lidam com os “fantasmas” do passado. Um livro muito bom e consistente, ao nível do primeiro.

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Li o mais recente álbum da BD Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook, que tem sido publicada em Portugal pela G Floy Studio. O terceiro, A Encantadora de Serpentes, conta com a participação especial de duas artistas convidadas, Carla Speed McNeil e Hannah Christenson. Este volume distancia-se da história principal, focando-se em histórias paralelas do povo que dá título à série. Apesar de achar interessante o plot de umas serpentes que endoidecem a população ou ver o Rapaz sem Pele à procura de respostas, achei um volume mais fraco que os antecessores. A arte das convidadas foi notavelmente fraca, em comparação com o traço de Crook. Já O Sangue é um livro lindíssimo que consegue combinar de certo modo o melhor das comics americanas ao mangá, imprimindo nas pranchas emoções e subtilezas como poucos o fazem. Segundo volume da BD Monstress de Marjorie Liu e Sana Takeda, publicada pela Saída de Emergência, trata-se de uma história para adultos, que embora apresente gatinhos e crianças fofinhas, traz também palavrões, olhos arrancados e dedos cortados, entre muitas outras coisas. Maika Meio Lobo continua em busca de respostas sobre a obsessão da sua mãe pela Imperatriz-Xamã, enquanto a guerra entre arcânicos e humanos parece longe do fim.

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Se O Assassino do Bobo foi a minha melhor leitura de 2017, A Revelação do Bobo foi a melhor, até agora, do presente ano. Apesar de ter ficado ligeiramente frustrado por a ação não avançar aquilo que eu esperava, o segundo volume da Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb foi uma maré de revelações e de acontecimentos de se ficar com a boca aberta. Com Abelha nas mãos dos Servos, cabe a Fitz assumir as consequências das suas escolhas e corrigir os erros do passado. Uma escrita maravilhosa, mais um livro lindíssimo. Pelas mãos da G Floy chega Luta de Poderes, o primeiro volume da famosa série O Legado de Júpiter, com argumento de Mark Millar e arte de Frank Quitely. Gostei bastante da ideia e da composição; abraçamos um mundo de super-heróis atípico, com uma forte componente de crítica social e política. A história começa em 1932, quando uma expedição liderada por Sheldon Sampson, a sua família e amigos, encontra uma misteriosa ilha no Oceano Atlântico que os transforma a todos em super-heróis. Mas, anos mais tarde, os seus filhos parecem estar mais interessados na frivolidade das suas vidas como celebridades, do que realmente em preocupar-se com o mundo que os rodeia.

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Continuei a leitura da BD Locke & Key, com mais um divertido e bizarro volume da série escrita por Joe Hill e ilustrada por Gabriel Rodriguez. Em Crown of Shadows, abrir cabeças e extrair ou implantar memórias, vaguear como um fantasma, aumentar de tamanho, reparar loiça partida ou controlar as sombras são apenas alguns dos poderes que as chaves da mansão dos Locke providenciam. Mais do que deslindar estes mistérios, este volume vem adensá-los numa profusão de quebra-cabeças e engodos. Descender foi uma das novidades de fevereiro da G Floy. Estrelas de Lata, o primeiro volume, foca-se no Dr. Jin Quon e no pequeno andróide TIM-21, que descobre, dez anos após um conflito que colocou robots contra humanos no planeta Niyrata, que possui sentimentos. A trama começou dispersa, mas o desenvolvimento de vários personagens como a Capitã Telsa, o cão robot Bandit e o dróide mineiro Broca vieram canalizar o álbum para um final implacável que me encheu de expectativas para os álbuns seguintes. O argumento de Jeff Lemire foi crescendo de qualidade, e a arte de Dustin Nguyen, que inicialmente me desagradou, acabou por casar muito bem com a narrativa.

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Quem já é caso sério de sucesso na G Floy Studio é Tony Chu, o Detective Canibal. No oitavo volume, Receitas de Família, a genialidade de John Layman (argumento) e de Rob Guillory (arte) supera-se. Polícias, bandidos, cozinheiros, canibais, frangos psicadélicos e poderes paranormais são uma vez mais o destaque num álbum cheio de extravagâncias alimentares e imagens sensacionais que tanto podem provocar enjoos como gargalhadas. Adorei. Ao nível dos volumes interiores da série Ciclo dos Demónios, A Guerra Diurna veio cimentar a minha opinião sobre o autor Peter V. Brett. O mundo não me entusiasma e o foco em flashbacks trava um pouco a leitura em determinados momentos. Ainda assim, os personagens continuam a ser muito bem desenvolvidos e adorei o cliffhanger final. A escrita do autor revela-se simples, mas madura. Terminei fevereiro com o conto de Robert E. Howard O Colosso Negro. Ele conta como um mago poderoso tenta apoderar-se da cidade de Corajá, seduzindo a irmã do rei, e como ela vê na nomeação de Conan para um posto elevado do seu exército a salvação para os seus maiores pesadelos. Com um início algo confuso, ainda assim apresenta uma escrita deliciosa e um desenvolvimento auspicioso, com cenas de batalha excelentes.

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Comecei março com O Fiel Jardineiro de John le Carré, publicado pelas Edições D. Quixote. Trata-se de uma trama envolvente, contada de vários pontos de vista, que procura encontrar a verdade para um mistério terrível: a morte de uma activista dos Direitos Humanos e de um médico, às margens do lago Turkana, no Quénia. As verdades que o seu esposo encontra são tão inconvenientes como credíveis, bem diferentes daquilo que amigos e Imprensa tentaram passar. Uma obra-prima que parece real mesmo sendo uma história fictícia. Seguiu-se o primeiro volume da série Imperatriz, com argumento de Mark Millar e arte de Stuart Immonen, editado pela G Floy. A história não apresenta grandes inovações, a esposa de um rei tirano quer fugir do marido e com a ajuda do capitão da guarda, pega nos três filhos e foge. O volume narra uma aventura cheia de peripécias, com o grupo a saltar de planeta em planeta graças a um tele-transportador. Com várias nuances a fazerem lembrar Star Wars, uma linguagem bem agradável e um desenho lindíssimo e colorido, é mais uma série a seguir.

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O último volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer chegou às minhas mãos precisamente na altura em que a adaptação do primeiro, Aniquilação, chegou à Netflix. Um dos lançamentos de fevereiro da Saída de Emergência, Aceitação coloca um ponto final numa história densa e cheia de mistérios, contada do ponto de vista de Control, do Pássaro Fantasma, da Diretora e do Faroleiro. As respostas não são concretas, dependendo muito da nossa interpretação dos factos, mas não deixa de ser desconcertante e, independentemente dos gostos, genial. Publicado pela Editorial Presença, Uma Chama Entre as Cinzas foi um sucesso internacional quando saiu, em 2015. Trata-se de um livro Young Adult com vários traços de fantasia adulta. Com inspiração na Roma Antiga e no Médio Oriente, Sabaa Tahir convida-nos a conhecer os Eruditos, um povo escravizado, e os Ilustres, dos quais os Máscaras são o representante de toda a sua crueldade. Quando o irmão é capturado e pede ajuda à Rebelião para o libertar, a jovem Laia é obrigada a conhecer a crueldade de Keris Veturia, mas também o amor do filho desta, Elias. Com menos foco na parte amorosa e uma linha narrativa que não me lembrasse tanto The Hunger Games, este livro estaria facilmente entre os melhores lidos este ano. A escrita da autora é lindíssima e o mundo bem construído.Sem título
Uma das últimas novidades da G Floy Studio, Antes do Dilúvio é o primeiro volume da série Os Malditos, que alia uma dupla já famosa pela série Scalped: Jason Aaron e r. m. Guéra. Com o magnífico trabalho de Giulia Brusco nas cores, o álbum convenceu-me pelo visceral e pelo sujo, mas também pelo grafismo apetecível. Somos convidados a enveredar pela jornada de Caim, castigado por Deus a viver a vida eterna, e no seu percurso encontra personagens como o fanático Noé, mas também propósitos que o levam a olhar para a vida com outros olhos. Não me fascinou, mas o plot-twist final deixou-me pelo menos com a certeza de que vou continuar a série. Quarto volume da série As Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, publicado em Portugal pela Saída de Emergência, A Canção da Espada traz de novo Uthred de Bebbanburg em busca do reconhecimento sucessivamente negado pelo seu senhor, o rei Alfredo. Desta vez, é um morto que lhe diz que deverá trair Alfredo para tornar-se rei da Mércia, mas um complot organizado por antigos e novos aliados levá-lo-á mais uma vez a lutar pelos saxões. Apaixonante e vibrante, Cornwell continua a não desiludir.Resultado de imagem para keys to the kingdom locke and key
Para terminar o trimestre, li os três últimos volumes da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Keys to the Kingdom, Clockworks e Alpha & Omega. Foram, sem margem para dúvidas, os melhores álbuns da série, com reviravoltas e revelações de deixar o leitor a chorar por mais. Toda a bizarrice da composição (cabeças a serem abertas, sombras a atacarem pessoas e pessoas a assumirem formas de animais, por exemplo) funde-se com um realismo palpável na interação de uma família disfuncional, os Locke, com aquilo que os rodeia. Dodge, o grande vilão, alcança uma dimensão estonteante e os seus propósitos tornam-se muito mais claros, para culminar num final repleto de ação e coerente. Gostei bastante. Neste momento, estou a terminar o livro Sonho Febril de George R. R. Martin, e as leituras seguintes serão Nove Príncipes de Âmbar de Roger Zelazny e Carbono Alterado de Richard Morgan. Continuem por aí!

A Divulgar: “O Imortal Punho de Ferro Vol. 2: As Sete Cidades Capitais do Céu” pela G Floy Studio

Olá a todos. Já está em bancas e livrarias, desde quarta passada, o segundo volume da série O Imortal Punho de Ferro, As Sete Cidades Capitais do Céu. Como sempre, com argumento de Ed Brubaker, que se encarrega da histórica central da saga, e Matt Fraction, que escreve os interlúdios com os Punhos de Ferro do passado, mas também com a arte do espanhol David Aja, que desta vez é acompanhado por Dan Brereton e Howard Chaykin, dois nomes grandes dos comics, que assinam as histórias passadas e paralelas.

A série O Imortal Punho de Ferro foi nomeada para o Prémio Eisner de Melhor Nova Série em 2008, e ajudou Ed Brubaker a conquistar o Eisner como Melhor Argumentista no mesmo ano. David Aja ganhou nesse mesmo ano o Prémio Eagle para Melhor Novo Artista.

Sem Título

SINOPSE:

Começou a batalha pela eternidade no coração dos céus! Uma vez em cada geração, as Sete Cidades Capitais do Céu alinham-se num plano dimensional longe do mundo dos mortais. E é para lá que as cidades enviam os seus Guerreiros Imortais para competir uns contra os outros num torneio para acabar com todos os torneios, e foi para lá que Daniel Rand foi enviado e desapareceu no seu momento mais negro. Gerações de guerreiros místicos e tradições marciais ancestrais esperam pela sua oportunidade de provar que têm o melhor kung fu – ao Imortal Punho de Ferro! Em jogo estão a vida de um amigo seu, a herança do seu pai e mentor, e o futuro de K’un-Lun. E apesar dos tremendos novos poderes que lhe foram revelados pelo misterioso Orson Randall, estará Daniel Rand preparado quando o torneio chamar o seu nome?

Alguns dos maiores criadores de comics actuais, os escritores Ed Brubaker (Capitão América: Soldado do Inverno, Fatale, Velvet) e Matt Fraction (Hawkeye, Criminosos do Sexo) e o espanhol David Aja (Hawkeye) juntam forças para nos trazer o segundo volume de uma saga de artes marciais como nenhuma outra – uma história do Punho de Ferro imbuída de mito, lenda, magia e aventura.

São secundados neste volume por alguns artistas convidados, de entre os quais podemos destacar sobretudo Dan Brereton (The Nocturnals, Batman: Thrillkiller), que com o seu excelente estilo pintado ilustra as cenas passadas nos anos 30, que envolvem o Punho de Ferro anterior a Danny Rand, e Howard Chaykin (American Flagg!, Black Kiss) um dos maiores nomes dos comics da actualidade, que desenha um dos capítulos do Annual que integra este volume.

As novas aventuras do herói que inspirou a série de TV da NETFLIX!

Aventura e acção à moda antiga combinam-se com uma sensibilidade bem moderna neste livro que nos conta as novas histórias do herói da Marvel dos anos 70.” – Entertainment Weekly

Inclui os números Immortal Iron Fist #8-14 e Annual #1.

Formato comic deluxe (18,5 x 28), cores, capa dura, 216 pgs.

ISBN 978-84-16510-60-3

PVP: 17€

Copyright © 2018 MARVEL. Todos os direitos reservados.

PREVIEWS:

Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.

Estive a Ler: Antes do Dilúvio, Os Malditos #1

Ouvi dizer que apareceste a querer comprar fogo. Disseste que tinhas boas pedras para trocar. Mas as pessoas não gostaram do teu aspecto. Dizem que se assustaram…

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O ÁLBUM “ANTES DO DILÚVIO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE OS MALDITOS

A G Floy Studio continua a apostar forte e em cheio nos lançamentos deste primeiro trimestre. The Goddamned vem juntar o nome de Jason Aaron e r.m. Guéra após o êxito de Scalped, a grande série da Vertigo que os dois produziram ao longo de vários anos. Em português, a série chama-se Os Malditos e promete tornar-se num dos grandes clássicos da BD atual, cujo segundo volume, As Noivas Virgens, está previsto para 2019.

Vencedor do Prémio Eisner pela série Southern Bastards, Aaron é também conhecido pelas reinvenções de Thor e de Star Wars para a Marvel, enquanto r.m. Guéra, que esteve no último Coimbra BD, onde o livro foi lançado, é um ilustrador sérvio, Rajko Milosevic de nascimento, a viver em Espanha. Antes do Dilúvio conta ainda com Giulia Brusco nas cores e inclui os primeiros cinco números da publicação original.

Fonte: G Floy

De Jason Aaron não há como não esperar o melhor. Sou fã da série Southern Bastards e foi com as expectativas em cima que parti para este The Goddamned, altamente recomendado lá fora. O álbum teve os seus altos e baixos, mas não me deslumbrou no seu todo. O argumento é coeso, simples e credível, apesar de toda a fantasia que o circunda. A aura faz lembrar o mundo do cimério Conan, até pelo carácter lacónico do protagonista.

“O final sangrento e um tanto ou quanto inesperado foi, para mim, o melhor momento do álbum e contribuiu para me deixar uma boa impressão do mesmo.”

Por outro lado, a arte de r.m. Guéra revela um traço peculiar, bem trabalhado, que começou por não me conquistar mas que acabou por me fazer render às evidências. O trabalho do ilustrador casou muito bem com o clima bárbaro e violento que enleva a obra, delineando um padrão sólido e convincente. A brutalidade do álbum não tem grande suporte a nível de argumento, conquistando sobretudo pelas cenas de combate e pela crueldade dos autores.

Sem Título
Fonte: G Floy

A narrativa apresenta a personagem bíblica Caim como protagonista, destinado a viver para a eternidade como castigo divino por ter assassinado o irmão, Abel. Caim envolve-se em todo o tipo de despiques, para testar a sua maldição e esperar que alguém o consiga matar. Ele está farto de viver e deseja a morte como algo inalcançável. Desesperado, Caim procura encontrar um gigante, o único ser capaz de fazer cumprir o seu desejo.

“Ainda assim, funciona bem como um título auto-conclusivo, chocante a nível visual sem deixar de ser, à sua maneira, poético.

O álbum coloca o inventor do homicídio face a face com Noé, numa contenda pré-diluviana como nunca antes se viu numa banda-desenhada. Moralidade, religiosidade e violência caminham de braço dado num mundo habitado por monstros pré-históricos e salteadores da Idade da Pedra, onde a destruição e o assassínio são cores numa tela de caos e sacrifício.

O filho de Adão e Eva envolve-se então com um grupo de selvagens, dividido entre a sua ânsia íntima pela morte e a vontade de quebrar cada osso aos cruéis membros da composição tribal. Ele encontra por fim o gigante e regozija-se com isso, mas quando a morte parece estar próxima, começa realmente a perguntar-se se é aquilo que realmente deseja. O advento de uma mulher e a sua busca desesperada pelo filho conduzem-no por caminhos transversais.

Fonte: G Floy

Em termos de linha narrativa, o álbum não trouxe nada de empolgante, muito sinceramente, mas valeu pelo sangue-frio e pelo visceral. Aaron volta a mostrar ser um autor sanguinário e sem medo de traumatizar os leitores mais susceptíveis. O final sangrento e um tanto ou quanto inesperado foi, para mim, o melhor momento do álbum e contribuiu para me deixar uma boa impressão do mesmo.

Antes do Dilúvio apresenta um Caim com problemas internos e externos a resolver, um assassino com consciência, mas não mostrou muito do carácter do personagem nem exibiu uma complexidade narrativa sustentável para uma série mais longa. Ainda assim, funciona bem como um título auto-conclusivo, chocante a nível visual sem deixar de ser, à sua maneira, poético. Veremos o que o segundo volume possa trazer de novo.

Avaliação: 7/10

Os Malditos (G Floy Studio Portugal):

#1 Antes do Dilúvio

A Divulgar: “Dragomante: Fogo de Dragão” pela G Floy Studio e Comic Heart

Olá a todos. Chega este fim de semana às livrarias nacionais a mais recente publicação da parceria G Floy com a Comic Heart no nosso país. Trata-se de Dragomante: Fogo de Dragão, de Filipe Faria e Manuel Morgado. Publicado em formato franco-belga, este álbum é a mais recente criação de uma dupla de sucesso na literatura e BD de fantasia. Filipe Faria é autor de uma das séries de romances de fantasia de maior sucesso no nosso país (As Crónicas de Allaryia) e Manuel Morgado é autor para o mercado francês de BD, tendo recentemente assinado o álbum Gréldinard, para a Dargaud (da série Chroniques de la Lune Noire).

Sem Título

SINOPSE:

Um Dragomante e um dragão são guerreiro e cão de guerra, aliados e amigos inseparáveis.
Mas uma Dragomante pode ser cobiçada por vários dragões,
que ela, em certas circunstâncias,
pode a todos domar…

No reino de Armitaunin, Nereila, uma jovem Dragomante, conclui por fim o árduo treino, juntamente com Ékión, o seu Escudeiro, que deverá protegê-la de qualquer perigo… e de si mesma. Porque os Dragomantes, que resguardam a humanidade da ameaça dos dragões, podem representar um perigo maior ainda que estes, se neles for ateado o fogo que lhes arde nas veias: o fogo de dragão.

No caso de Nereila – a primeira mulher Dragomante em séculos – as consequências podem ser mais drásticas ainda, quando os pecados do seu pai regressam para a atormentar. E Ékión, o seu Escudeiro, não sabe se está à altura da tarefa – ou mesmo se deseja fazê-lo. E, se o fogo de dragão for ateado em Nereila, Armitaunin e o mundo inteiro poderão arder.

PREVIEWS:

Nota: Todas as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.