A Divulgar: “Miracleman: A Idade de Ouro” pela G Floy Studio

A G Floy Studio Portugal irá lançar nos próximos dias o álbum Miracleman: A Idade do Ouro, de Neil Gaiman e Mark Buckingham. O livro já chegou a algumas livrarias especializadas e deverá chegar às bancas na segunda quinzena de setembro, incluindo todos os extras da edição americana. Miracleman (originalmente Marvelman) foi um dos comics mais influentes dos anos 80, segundo o press release da editora. Desconstrução ambiciosa dos super-heróis, o género dominante na altura no mercado americano, teve um impacto tremendo sobre leitores e criadores, juntando-se a uma mão-cheia de outros títulos que mudaram a face da BD americana.

Juntamente com Watchmen, fez parte de duas obras que o escritor original escreveu praticamente como “teses” auto-contidas sobre os super-heróis. Mas onde Watchmen desembocava num apocalipse, um dos finais inevitáveis da história de super-heróis (que impedia que se contassem mais histórias), Miracleman, de modo mais subtil, levava a história de super-heróis a outro final igualmente inescapável: uma Utopia dominada por super-heróis. E que histórias se podem contar numa utopia? Num mundo sem conflito, crime, sem escassez, sem as próprias neuroses a eles ligados?

O escritor original tinha-se decidido a não contar mais histórias nesse universo, mas depois do sucesso crítico e comercial da obra, depois da insistência da editora em continuar a série, Neil Gaiman, na altura um jovem argumentista britânico em ascensão, propôs-se continuar Miracleman. E o escritor original autorizou-o a isso, cedendo-lhe os direitos da série. Gaiman delineou então três arcos de história de seis comics cada. A IDADE DE OURO contaria histórias passadas nessas utopia, enquanto A Idade de Prata mostraria o regresso de Young Miracleman e as primeiras rachas naquele mundo perfeito. E A Idade das Trevas…

A IDADE DE OURO era sem dúvida o mais difícil dos três arcos narrativos, por se passar num mundo teoricamente sem conflitos. Mas Gaiman resolveu com grande elegância o desafio, secundado pelo trabalho maravilhoso de um Mark Buckingham que não era na altura tão conhecido como hoje, e que conseguiu adoptar registos diferentes para cada uma das histórias incluídas neste volume. Basta citar o estilo pop art que usou na história dos clones de Andy Warhol, usando as técnicas de repetição em massa, ou o estilo misterioso e negro da História de Espiões, ou o estilo meio cartunesco de Modas.

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Capa G Floy Studio

Formato comic (17 x 26), cores, capa dura, 192 pgs.

ISBN 978-84-16510-42-9

PVP: 15,99€

SINOPSE:

“A descrição intemporal que Gaiman e Buckingham fazem de um mundo governado por seres super-humanos continua tão interessante, desafiadora e de leitura necessária, como há duas décadas.” – James Witbrook, io9

Depois da destruição de Londres, e da derrota do seu adversário Kid Miracleman, Miracleman implementou mudanças tremendas à escala global. Das cinzas de Londres ergueu-se a sua imensa pirâmide, o Olimpo, e um mundo novo. Um mundo livre de guerra, de fome, de pobreza. Um mundo de maravilhas incontáveis. Um mundo em que peregrinos escalam o pico do Olimpo para implorar favores ao seu deus vivo, enquanto, muito lá em baixo, os mortos regressam em fantásticos corpos andróides. Hoje estamos numa IDADE DE OURO. E estas são as histórias dos seus habitantes… mas estará a humanidade pronta para a Utopia? Qual o lugar da humanidade num mundo de deuses?

Neil Gaiman (Sandman, 1602, American Gods) e Mark Buckingham (Fables) exploram as vidas de idealistas solitários, estudantes rebeldes e famílias fracturadas, em busca das constantes humanas num mundo de deuses e milagres sempre em mudança.

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Estive a Ler: Bruxas | Wytches #1

Alguém me prometeu a elas! Fui prometida! Por favor, Tim! Tira-me daqui!

O texto seguinte aborda o primeiro volume da série Bruxas | Wytches  (Formato BD)

Chega este fim-de-semana às FNAC’s uma das novelas gráficas de horror mais elogiadas dos últimos anos. Wytches entra em Portugal pelas mãos da G Floy Studio, uma das maiores promotoras do mercado de BD nos últimos anos, sobretudo as nascidas sob a chancela Image Comics. Bruxas | Wytches tem argumento de Scott Snyder, autor de vulto da DC Comics conhecido por ser o escritor mais regular das séries Batman. Wytches é, para Snyder, um regresso às origens, pois foi no âmbito do horror que ganhou visibilidade, nomeadamente com American Vampire, uma série que escreveu para a Vertigo, impulsionado pelo seu ídolo, Stephen King.

A ilustração está a cargo do britânico Jock, conhecido pelos trabalhos em Arqueiro Verde e The Losers. Colaborou com Snyder pela primeira vez numa secção de Batman, tendo vindo a ser escolhido para a ilustração de Wytches, volume este que contou ainda com cores de Matt Hollingsworth, letras de Clem Robbins e edição de David Brothers. A publicação nacional contém os extras da edição original, incluindo notas de autor, esquissos e estudos de cores.

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Scott Snyder e Jock (Fonte: http://womenwriteaboutcomics.com/2015/04/28/c2e2-2015-an-overview-in-photos-part-ii/)

Li este livro recentemente em inglês e é com bons olhos que o vejo publicado em português de Portugal. As apostas da G Floy no género terror têm sido muito positivas e depois do que ouvira falar deste Wytches, posso dizer que não fiquei defraudado. Na verdade, nunca tinha lido nada de Snyder, até porque perdi a vontade de ler séries de super-heróis há algum tempo, e Bruxas | Wytches mostrou-me que é um autor cheio de talento, que sabe jogar com o público e com as ondulações narrativas. A série foi lançada em 2014 pela Image Comics e este primeiro volume compreende os números 1 a 6 da publicação original.

Bruxas | Wytches apresenta-nos uma família em busca de sossego e redenção. Após um acidente terrível que deixou Lucy numa cadeira de rodas, os Rook mudaram-se para Litchfield, no New Hampshire, onde pretendem recomeçar da melhor forma. Charlie e Lucy são pais de Sailor, uma menina ruiva que não se consegue encaixar na escola nova e revela diversas dificuldades de adaptação. A afundar-se na ansiedade e na depressão, Sailor reencontra os fantasmas do seu passado. Talvez de forma mais literal do que podem supôr.

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Fonte: G Floy Studio

Na floresta que rodeia a nova casa, esconde-se algo sinistro e brutal. Mas não é tudo. Sailor é vítima de bullying na escola por uma garota chamada Annie, e essa sobreposição de acontecimentos fazem com que a rapariga fuja de casa. A mãe não parece preocupar-se, uma vez que o caso é colocado nas mãos da polícia. Charlie, porém, sente que já falhou com a filha e não está disposto a fazê-lo novamente. É então que descobre as suas notas depressivas e rastos que denotam o seu estado mental. Charlie inicia uma jornada para resgatar a filha das trevas. Para isso, porém, precisa encontrá-la.

“As apostas da G Floy no género terror têm sido muito positivas e depois do que ouvira falar deste Wytches, posso dizer que não fiquei defraudado.”

A floresta está pejada de bruxas. Bruxas antigas, bruxas que pretendem reclamar o que é delas. Bruxas que se confundem com as próprias árvores. Bruxas de corpos medonhos. Bruxas que alimentam-se das pessoas que lhes foram prometidas. Listas de pessoas oferecidas em juramento por outras pessoas, em troca de determinados desejos. O nome de Sailor foi-lhes entregue, e estes seres macabros moverão todos os esforços para se alimentarem da jovem. Custe o que custar.

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Fonte: G Floy Studio

Com um mal tão antigo e profundo a abeirar Sailor, só o pai a pode salvar. Todos querem fazê-lo acreditar que Sailor adotou um comportamento típico de adolescente desajustada, mas Charlie pressente que é muito mais do que isso. A narrativa alterna entre passado e presente, criando um paralelismo interessante, abordando a tragédia que os marcou a todos, a relação que se construiu entre pai e filha e as dicotomias dos seus comportamentos, abrindo passagem para a luta pela sobrevivência que marcará todos os personagens, cada um da sua forma.

“A versão das bruxas de Snyder é bem diferente do que podemos imaginar ao pensar nelas. Esqueçam Sabrina (uma das referências na obra) ou até mesmo Salem.”

Não posso dizer que foi um livro que me maravilhou, mas foi todo ele bem tecido. Há um mistério a permear toda a trama que funcionou, assim como a forma como os personagens são explorados, nomeadamente Sailor e Charlie, a relação do seu passado com as bruxas e aquilo que elas significam. Há também uma aura de medo a envolver a existência das bruxas, o momento em que elas podem aparecer e o que fazer quando aparecem. A forma como o mais comum dos mortais pode ser igualmente assustador, graças à sua fragilidade moral e volatilidade provoca inquietação. Snyder joga muito bem com os medos básicos do Homem.

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Fonte: G Floy Studio

Bruxas | Wytches cumpre o que promete. Dinâmico, intimista e até esperançoso, o álbum oferece o melhor que o género contém, integrando até pequenos apontamentos de humor e misticismo de forma superficial que não me desagradou. A versão das bruxas de Snyder é bem diferente do que podemos imaginar ao pensar nelas. Esqueçam Sabrina (uma das referências na obra) ou até mesmo Salem. Estas bruxas fazem-me mais lembrar o Venom do Homem-Aranha ou o Predador da série cinematográfica.

“Snyder joga muito bem com os medos básicos do Homem.”

A ilustração de Jock é um dos pontos fortes do álbum. Agressiva, escura, com uma variância de cores, traços e sombras que se confundem e se adaptam a cada circunstância narrativa. Consegue captar tudo o que precisamos das personagens, envolver-nos nelas como se de uma narrativa cinematográfica se tratasse. A palete de cores, as manchas e as sombras são sumo de qualidade nesta obra de grande aparato. Acabei por não me familiarizar por aí além com nenhum personagem, e estive constantemente à espera que um em concreto morresse, mas a história acabou por fluir de forma subtil e simples, numa sequência de pequenos passos dados na direção do final bem satisfatório, conclusivo q.b.

Avaliação: 8/10

Bruxas | Wytches (G Floy Studio Portugal):

#1 Vol. 1

 

Estive a Ler: O Homem que Roubou o Mundo, Velvet #3

Há perigo e sexo? Por vezes, sexo perigoso, até? Sim, sim, sim… e, oh, sim. Mas essas são as excepções. Uns surtos de adrenalina que nos recordam do porquê de termos escolhido este trabalho.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Homem que Roubou o Mundo”, terceiro volume da série Velvet (formato BD)

Com Ed Brubaker ao leme, chegou no passado dia 29 de junho às bancas o terceiro e último volume da série Velvet.  Responsável por argumentos de sucesso como Capitão América, Fatale, Daredevil, Batman e Catwoman, Brubaker é uma das maiores apostas da G Floy Studio no nosso país nos últimos tempos. Em Velvet, conta com o contributo fundamental de Steve Epting no desenho e Elizabeth Breitweiser nas cores.

Intitulado “O Homem que Roubou o Mundo”, o terceiro álbum reúne os números 11 a 15 da publicação original, editada pela Image Comics. O volume final leva-nos ao encontro da espia Velvet Templeton, na tentativa de desvendar uma conspiração que destruiu a sua vida.

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Prancha G Floy

Quem é quem?

Depois da apresentação do plot no primeiro volume e da libertação e perseguição de Damian Lake no segundo, Velvet chega ao livro final da trilogia a exigir explicações sobre a trama de intrigas que a atirou de detrás de uma secretária para a mira dos seus superiores, no caso do homicídio do agente X-14.

Em “O Homem que Roubou o Mundo”, Velvet Templeton encontra em Maximillion Dark, o maior agente secreto que o mundo já conheceu, um possível manancial de respostas e não mede meios para as obter. Convencida da participação de Max na conspiração que a afetou, Velvet envolve-se com o espião na tentativa de fazer jogo duplo e, para isso, usa-se das suas maiores armas: discrição e sensualidade.

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Prancha G Floy

Uma conspiração governamental

É a partir do reencontro com Damian Lake, o homem que ela havia libertado antes de descobrir o seu envolvimento, que a ação se torna uma roda-viva de emoções e perseguições. Ao contactar Rachel Tanner, uma jovem que possuía conhecimentos importantes sobre o período de desaparecimento de X-14, Velvet encontra o perigoso espião, que a confronta com uma arma. Rachel foge e é acolhida por Max, que vem a encontrar Damian e Velvet num frente-a-frente desfavorável para a espia.

Damian mata Max com um tiro, o que desconstrói a convicção de Velvet de que eles pertenciam à mesma cabala. A partir daí, Velvet foge para reencontrar Rachel, ao mesmo tempo que descobre que a trama onde está envolvida pode ter contornos muito maiores do que especulava, e decide raptar o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Uma nova sucessão de perseguições e confrontos levam Velvet aos verdadeiros culpados pela morte de X-14.

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Capa G Floy
SINOPSE:

Todas as pistas e todos os destinos que constituem o mistério que rodeia Velvet acabam por a levar de volta aos Estados Unidos e a Washington, para o final explosivo da saga de Velvet Templeton. Por dois dos criadores de comics mais aclamados de hoje, Ed Brubaker e Steve Epting, a dupla responsável também pela série Fatale.

A primeira grande aventura de Velvet Templeton, a secretária que era uma espia e operacional de missões secretas, chega ao fim com este terceiro volume da série. E a conclusão levará Velvet até ao topo das hierarquias do poder do mundo Ocidental e ao perigoso jogo das agências secretas. Quem foi que tentou incriminá-la e destruir a sua carreia e imagem, deixando um rasto de destruição no seu caminho? Descubra tudo no último volume de VELVET!

OPINIÃO:

E se o Caso Watergate escondesse algo mais terrível? O Homem que Roubou o Mundo é o remate perfeito para a trilogia Velvet de Ed Brubaker e Steve Epting, emocionante da primeira à última página. Perseguições, tiroteios e revelações preenchem mais um álbum genial de uma das duplas criativas mais respeitadas dos nossos dias. A um ritmo alucinante, o leitor segue a espia Velvet Templeton na peugada de respostas sobre a cabala que a fez matar o homem que amava.

Ainda que me tenha surpreendido em vários momentos, sobretudo com a inclusão do Presidente Nixon e da questão Watergate, a narrativa atira a esmo uma série de clichés que não nos obriga a pensar muito de onde os conhecemos. Velvet é um autêntico James Bond de saias, e muitas das suas passagens são facilmente reconhecíveis para os fãs de espionagem, assim como o verdadeiro rosto dos vilões não surpreende. Mesmo assim, o ritmo alto e a revelação constante de segredos são pontos fortíssimos a favor do argumento.

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Prancha G Floy

A história é curta e três álbuns deixam uma sensação de nostalgia no ar, se bem que o timing de publicação e o tamanho da série foram os adequados para a narrativa que Brubaker quis contar. Somos apresentados a personagens verosímeis, duros, secos e carregados de segredos, que me apaixonaram da primeira à última página. Gostei dos três volumes, mas este terceiro acabou por ser o que se destacou mais, como seria previsível.

“Velvet é um autêntico James Bond de saias, e muitas das suas passagens são facilmente reconhecíveis para os fãs de espionagem, assim como o verdadeiro rosto dos vilões não surpreende.”

Pessoalmente, porém, o que mais me agradou foi a arte. Steve Epting revela um talento inigualável, com um traço vivo que revelou-se consistente, maduro e elegante. Muito embora não me tenha agradado a expressão facial de Velvet, quase tridimensional, tudo o resto roçou a perfeição. A forma como mostrou toda a sensualidade da personagem sem a sexualizar em demasia foi um dos bónus do desenho.

No seu todo, é uma BD cheia de ritmo e de surpresas que me convenceram. Se estás à procura de uma série concluída com qualidade, não percas tempo. Velvet, de Brubaker e Epting, é uma aposta ganha.

Avaliação: 9/10

Velvet (G Floy Studio Portugal):

#1 Antes do Crepúsculo

#2 Vidas Secretas de Homens Mortos

#3 O Homem que Roubou o Mundo

 

Estive a Ler: Regressos, Southern Bastards #3

O Euless espancou mesmo aquele homem até à morte no meio da rua… e toda a gente ficou parada a ver?

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Regressos”, terceiro volume da série Southern Bastards (Formato BD)

Lançado no XIII Festival Internacional de BD de Beja, o terceiro volume de Southern Bastards chega agora às bancas e livrarias portuguesas, pelas mãos da G Floy Portugal. É mais um capítulo da violenta saga sobre as gentes do Alabama criada por Jason Aaron e Jason Latour, autor e ilustrador norte-americanos. Este volume reúne os números 9 a 14 da publicação original editada pela Image Comics.

Com o título Regressos, adaptação do original Homecoming, que alude a uma espécie de SuperTaça do futebol americano, assistimos ao fim das férias e à aproximação do maior jogo do ano para a equipa do Condado de Craw, os Runnin’ Rebs. Southern Bastards venceu o Prémio Harvey para Melhor Nova Série em 2015.

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Prancha G Floy

O jogo mais aguardado

Depois de assistirmos à trágica morte do protagonista Earl Tubb e conhecermos a história do seu assassino, o treinador dos Rebs, Euless Boss, a narrativa sobre a população de Craw incide agora sobre um jogo de futebol por que todos esperam. Uma partida decisiva, entre os Rebs e os Warriors do condado de Wetumpka. No passado, de todas as vezes em que eles se defrontaram, os Rebs foram vitoriosos, muito por “culpa” do treinador Big.

No entanto, o homicídio brutal de Earl Tubb deixou as suas marcas em Big. Envergonhado por Boss e pela comunidade em geral, o antigo treinador acaba por suicidar-se, deixando a equipa entregue a si mesma. A história deste volume, porém, não se foca nos preparativos para o jogo, mas nos múltiplos personagens que povoam o Condado de Craw.

O primeiro é o xerife Hardy. Ensombrado pelo seu papel na morte de Tubb, o homem recorda-se de quando fora um jovem jogador com um futuro brilhante, e em como se viu enredado nas teias labirínticas do treinador Boss. Acompanhamos também Esaw Goings, o libertino lacaio de Boss que, após o suicídio de Big, vê-se arrastado para o campo de futebol. Ainda assim, não consegue deixar os maus hábitos de lado, nem de olhar para todas as mulheres como peças de caça. Um religioso segue os seus passos, mas é sucessivamente humilhado.

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Prancha G Floy

Há justiça em Craw

Existe em Craw quem nutra um ódio de estimação pelo futebol. Boone é um caçador e manipulador de cobras. Ele vive nas profundidades da floresta e é obrigado a testemunhar os atos mais cobardes por parte dos jogadores de futebol e amigos de Boss. Mais tarde, revela-se um justiceiro atento, que usa arco e flechas para abater assassinos e violadores.

O arco de Regressos avança com a história de Tad Ledbetter, o menino que fizera amizade com Earl Tubb e ficara hospitalizado, mas há ainda tempo para conhecer a esposa do Mayor e um grupo de cães pouco amigáveis. A história termina com o tão aguardado jogo de futebol e, principalmente, com o regresso a Craw de Roberta, a filha de Tubb. Militar de vulto, a jovem regressa do Afeganistão com vontade de vingança e de justiça. Roberta Tubb quer saber quem foram os homens que mataram o seu pai, e fazê-los pagar por isso. A forma como lida com os vizinhos é um pequeno indício do que está para vir.

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Capa G Floy
SINOPSE:

Chegou a semana do Homecoming, o fim das férias e o maior jogo do ano para a equipa do Condado de Craw, os Runnin’ Rebs. Mas o Coach Euless Boss tem muito mais inimigos do que os que vai enfrentar no campo de jogo. O xerife cujo passado negro o continua a assombrar. O misterioso caçador sempre pronto a fazer a sua justiça rural muito peculiar. O estranho rapaz em coma. A maquiavélica mulher do Mayor. Os cães selvagens.

E há também Roberta Tubb, do Corpo de Fuzileiros dos Estados Unidos. A filha do homem que Euless Boss matou a sangue-frio. Todos estão a regressar a casa, como que atraídos por uma promessa de violência e vingança. Mas o Coach Boss não tem medo de sangrar. Nem de verter o sangue de outros, se isso for necessário para ganhar o jogo.

Seis histórias. Seis grandessíssimos cabrões. Uma série “frita à moda do Sul”.

OPINIÃO:

Southern Bastards nunca precisou de um grande argumento para me conquistar. A linguagem dura e a expressividade visual cativaram-me por si só. Mas, se os dois primeiros volumes valeram pela realidade gráfica e pela escultura detalhada dos seus maravilhosos personagens, o terceiro volume superou os álbuns anteriores com um argumento aliciante e um perscrutar intensivo às gentes de Craw. Na verdade, este livro ganhou-me com a sinopse e não me desiludiu.

Mais do que os seis personagens de que se fala, assistimos a uma aproximação consistente ao interior profundo do Condado de Craw, sem esquecer o legado de Tubb ou o personagem Boss. Os dois autores conseguiram enriquecer a série e abrir novas perspectivas para a mesma, ao mesmo tempo em que submergiram o leitor num ritmo assertivo e crescente. Finalmente, a impunidade do treinador Boss parece ameaçada.

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Prancha G Floy

Regressos é um retorno em grande à obra de Jason Aaron e Jason Latour, arrastando consigo a toada brutal dos volumes antecessores, o cheiro a sangue, a suor e a óleo acumulado nas frigideiras. O cheiro ao Sul dos E.U.A e aos seus incorrigíveis bastardos. Corrupção, manipulação e tomadas de consciência, jogos de futebol e sede de justiça. Uma parafernália de personagens consistentes,  brutais, crus e sangrentos. 

“Os dois autores conseguiram enriquecer a série e abrir novas perspectivas para a mesma, ao mesmo tempo em que submergiram o leitor num ritmo assertivo e crescente.”

A arte de Jason Latour é muito boa. O argumento de Jason Aaron convence. E se todo o álbum me apaixonou com histórias críveis e viscerais, ele termina no seu ápice, com a apresentação da personagem mais fucking badass até aqui criada, Roberta Tubb. Euless Boss, parece-me que vais ter problemas dos grandes.

Avaliação: 8/10

Southern Bastards (G Floy Studio Portugal):

#1 Aqui Jaz Um Homem

#2 Sangue e Suor

#3 Regressos

 

Resumo Trimestral de Leituras #10

Chegámos ao meio do ano e como tal chegou a hora de proceder a um novo balanço trimestral de leituras. Neste segundo trimestre, o destaque vai para Robin Hobb, não só porque organizei um desafio relativo à autora californiana, mas também porque li três livros dela que andaram perto de ser os melhores deste trimestre. Melhor que Hobb só Patrick Rothfuss. Li as duas partes de O Medo do Homem Sábio, e embora a primeira tenha sido significativamente melhor, a Crónica do Regicida tornou-se uma das minhas sagas preferidas. As minhas leituras nos meses de abril, maio e junho foram:

One-Punch Man #1 – One e Yusuke Murata

O Diário do Meu Pai – Jiro Taniguchi

Poder e Vingança, Império das Tormentas #1 – Jon Skovron

Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi

Presas Fáceis – Miguelanxo Prado

As Águias de Roma Livro V – Enrico Marini

O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1 – Robin Hobb

Como Falar com Raparigas em Festas – Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Dejah Thoris #1 – Frank J. Barbiere e Francesco Manna

A Dança das Andorinhas – Zeina Abirached

O Rei Macaco – Silverio Pisu e Milo Manara

Imperador dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #3 – Mark Lawrence

A Fortaleza da Pérola, Elric #2 – Michael Moorcock

A História de um Rato Mau – Bryan Talbot

Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6 – John Layman e Rob Guillory

Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2 – Robin Hobb

Os Senhores do Norte, Crónicas Saxónicas #3 – Bernard Cornwell

A Louca do Sacré Coeur – Alejandro Jodorowsky e Moebius

A Garagem Hermética – Moebius

Nimona – Noelle Stevenson

O Medo do Homem Sábio Parte 1, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

All is Lost, The Walking Dead #28 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Medo do Homem Sábio Parte 2, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

One-Punch Man #2 – One e Yusuke Murata

Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

Duas Vezes Contado, Harrow County #2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Sangue do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #3 – Robin Hobb

Sem TítuloComecei o segundo trimestre com a leitura de alguma banda-desenhada. Publicado pela Devir, o primeiro volume da edição em mangá de One-Punch Man apresenta um super-herói entediado com a facilidade com que derrota os adversários. A Humanidade é frequentemente atacada por monstros, que parecem não ter fim. No entanto, este herói parece mais preocupado em manter o seu apartamento inviolado. Uma história provocadora, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, que não me fascinou pessoalmente. Depois, li duas novelas gráficas da Levoir, da autoria de Jiro Taniguchi, autor falecido em fevereiro deste ano. Para além de tocante e reflexivo, O Diário do Meu Pai mostra que aquilo que compreendemos nem sempre está próximo da realidade. O outro álbum, Terra de Sonhos, apresenta cinco contos que mesclam a ternura à reflexão. Um casal sem filhos sofre com os últimos dias do seu animal de estimação, e quando ele morre juram não mais adotar nenhum outro. Mas quando uma gata persa, grávida, lhes surge nas vidas, tudo muda.

Sem títuloPoder e Vingança é o primeiro livro de Jon Skovron no registo fantasia adulta, com a marca de qualidade Saída de Emergência. Divertido e cheio de ritmo, o Império das Tormentas é um mundo bem construído que apresenta Esperança Sombria e Ruivo, dois personagens que vêm os seus percursos cruzar-se quando os criminosos que controlam Círculo do Paraíso começam a colaborar com os biomantes, servos místicos do Imperador. A escrita do autor não me convenceu, mas foi uma boa leitura. Piratas e ladrões, coleccionadores de arte e inventores, samurais, mutações humanas e perseguições sem fim. Disfarçado de alegoria, a BD da Levoir Presas Fáceis, da autoria do autor espanhol Miguelanxo Prado, é uma história inquietante sobre os interesses nefastos da banca. A burla é o tema central. Uma série de homicídios de pessoas ligadas à banca e o suicídio de um casal de idosos arrasta a inspetora Olga Tabares para uma investigação que levanta um sério debate moral. Saltei para o livro V da série gráfica As Águias de Roma, que oferece ao leitor um sucedâneo de emoções. Da revelação da paternidade de Tito à denúncia dos planos de Armínio, Enrico Marini desenha com precisão o clima bélico da Roma Antiga e coloca o embate entre Marco e o seu irmão de criação num patamar superior. Excelente álbum das Edições Asa, que prossegue a um ritmo altíssimo.

Sem TítuloComecei a segunda série de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário. O primeiro volume de O Regresso do Assassino mostra-nos o protagonista quinze anos mais velho. O mundo pensa que ele morreu, mas a verdade é que estabeleceu-se como camponês ao lado do seu lobo Olhos-de-Noite e acolheu um jovem órfão chamado Zar. A visita do seu amigo Bobo, agora transformado em Dom Dourado, e a revelação que o príncipe Respeitador desapareceu misteriosamente, colocam de novo Fitz na órbita de Torre do Cervo e das suas intricadas intrigas. Um volume que me fascinou do primeiro ao último momento, melhorando substancialmente em relação à primeira série. Depois de já ter lido o conto, há dois anos atrás, na antologia Coisas Frágeis, foi de bom grado que li a adaptação para BD de Como Falar com Raparigas em Festas. Pelas mãos da dupla brasileira Fábio Moon e Gabriel Bá, esta história de Neil Gaiman sobre dois jovens adolescentes nos anos 70 que, dedicados a fazer sucesso numa festa cheia de raparigas, descobrem que elas não são bem aquilo que pensavam, revelou-se uma lufada de ar-fresco. Divertido e despretensioso, é mais um excelente álbum trazido para o nosso país, desta feita pelas mãos da Bertrand.

Sem títuloCom argumento de Frank J. Barbiere e ilustrações de Francesco Manna, a BD Dejah Thoris é o primeiro volume de uma série da Dynamite Entertainment sobre a princesa de Marte da obra de Edgar Rice Burroughs. Casada com o terráqueo John Carter, Dejah vê-se vítima de um complot dentro do palácio para afastar a sua família do poder, fazendo desaparecer o seu pai e culpando-a por isso. Dejah Thoris é assim obrigada a fugir da cidade e mudar de identidade. Apesar de o argumento ser relativamente bom, foi também previsível e ficou um pouco aquém das expetativas. O mesmo para a arte, que valeu pela cor. Publicada na Colecção Novela Gráfica da Levoir com o jornal Público, A Dança das Andorinhas, da libanesa Zeina Abirached, encanta pela forma inocente e quase cómica com que um grupo de pessoas lida com a guerra. Separados do mundo e refugiados num átrio, os personagens são obrigados a encarar a vida como ela lhes é oferecida. Foi uma BD que não me apaixonou, mas fez-me refletir.

Sem título 2Entrei em maio com a BD O Rei Macaco da Arte de Autor. Com arte de Milo Manara e argumento de Silverio Pisu, trata-se de um mergulho nas tradições orientais. É uma releitura da Jornada para o Oeste, para encontrar o Jovem Macaco em busca da eternidade, com o Imperador de Jade disposto a dificultar-lhe a tarefa. Apesar de ser uma obra de referência, muito bem humorada, a nível de arte já vi melhor de Manara, o que se compreende uma vez que este foi um dos seus primeiros trabalhos. O terceiro e último volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, publicado pela TopSeller, Imperador dos Espinhos veio cimentar a minha opinião sobre a obra. O autor convence com a escrita, mas a história continuou confusa, sem uma proposta clara ou um plot bem definido. Um livro mediano, numa trilogia mediana. A Fortaleza da Pérola, de Michael Moorcock, mostra-nos Elric na cidade de Quarzhasaat, onde é chantageado por um nobre local a dar-lhe uma pérola desaparecida no deserto em troca de um antídoto para a droga que lhe haviam dado. Elric inicia assim uma viagem pelo deserto que o levará a Varadia, uma menina que ficou em estado comatoso desde que viu a sua integridade violentada. Mais uma excelente leitura, como Moorcock já nos habituou.

Sem títuloBaseado na história de vida da autora de livros infantis Beatrix Potter, o autor Bryan Talbot escreveu e desenhou uma BD tocante e metafórica sobre uma jovem que, vítima dos maus tratos dos pais e sentindo-se culpada pelos abusos sexuais que sofreu, acaba nas ruas de Londres, a sobreviver como sem-abrigo. A História de Um Rato Mau foi uma leitura reflexiva, que não me agradou no seu todo pelo peso que tomou, em certo ponto. Das novelas gráficas da Levoir passei para os grandes lançamentos da G Floy. Bolos Janados é mais uma aventura do detective mais louco da BD, Tony Chu, desta feita protagonizada pela sua irmã-gémea, Antonelle. Desde um leilão polémico até a um casamento de final abrupto, passando por uma aliança inusitada entre a NASA, a FDA e a USDA, somos convidados a percorrer uma série de aventuras com a participação sempre especial do galo Poyo. A história não desilude, mantendo-se fresca, colorida, bem-humorada e com muitas, muitas vísceras à mostra. Geniais, John Layman e Rob Guillory mantêm a toada. No seguimento do meu desafio com o apoio da Saída de Emergência li Os Dilemas do Assassino de Robin Hobb. FitzCavalaria continua mais perdido do que nunca, agora que é um homem adulto e tem de lidar com uma série de questões políticas e com a imaturidade dos mais jovens. Este segundo volume tem mais mistérios e alguma magia, relacionada com um rapaz de pele escamada e com a narcheska Eliânia, mas também referências a dragões e a navivivos, que me agradou.

Sem títuloTerceiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, Os Senhores do Norte mostra-nos Uthred a caminho do norte, enraivecido com o Rei Alfredo pela ridícula recompensa que lhe deu depois de tudo o que fez para que vencesse a importante Batalha de Ethandun. Disposto a recuperar a Bebbanburg que o viu nascer, Uthred “tropeça” em Guthred, um dinamarquês convertido ao Cristianismo que pretendia reclamar para si o norte. Mais um magnífico livro cheio de passagens belas e inquietantes, com o selo de qualidade Bernard Cornwell e Saída de Emergência. Escrito por dois dinossauros da BD, Alejandro Jodorowsky e Moebius, A Louca do Sacré Coeur conta a história de um professor de filosofia da Sorbonne, tradicionalmente vestido de lilás que, assediado por uma das suas alunas, sucumbe à tradicional crise de meia-idade e vê-se arrastado para uma parafernália de rituais bizarros que mesclam o religioso e o misticismo a práticas sexuais completamente lunáticas. Um livro que me agradou nas ideias e no desenho, mas que achei um pouco mal executado, ou pelo menos sem brilho. Outra grande obra de Moebius pelas mãos da Levoir, A Garagem Hermética é uma história confusa de ficção científica que gira à volta do Major Grubert. O misterioso personagem concebe um asteróide que cabe no seu bolso através de treze geradores. Porém, no interior desse corpo existem três mundos e vida, possivelmente tão real como a nossa. Mas quem será este enigmático Major Grubert? Gostei imenso, mesmo não percebendo muito da história.

Sem TítuloO mês de junho começou com Nimona, da norte-americana Noelle Stevenson, que marca o regresso da Saída de Emergência à publicação de BD’s. Nasceu como um trabalho universitário da autora, mas foi como webcomic que alcançou o sucesso e transformou autora e personagem em celebridades. Dona de um traço único e de um humor aguçado, Stevenson aborda temas como a amizade, a falsidade, o controlo dos media pelas forças de poder e a homossexualidade, de forma simples e divertida, num mundo marcadamente medieval com televisões, computadores e tecnologias futuristas. Em senda de leituras maravilhosas, seguiu-se o segundo volume da Crónica do Regicida (Parte 1 e Parte 2), publicado em português pela ASA/1001 Mundos. O Medo do Homem Sábio traz-nos de volta ao mundo escrito por Patrick Rothfuss. Depois de sobreviver às artimanhas de Ambrose, Kvothe sobrevive na Universidade, pagando as “propinas” com a música que faz em Imre, a cidade vizinha, e com os empréstimos que forja com Devi, a lendária ex-aluna da Universidade. É quando uma acusação antiga lhe bate à porta que surge a oportunidade de arranjar um mecenas, o que o leva para longe, para a distinta Vintas. Enquanto a primeira parte foi, muito possivelmente, dos melhores livros que já li na vida, o segundo perdeu bastante em comparação, ainda que a escrita do autor continue como uma das maravilhas da série.

Sem títuloMais um brilhante volume da BD The Walking Dead, All is Lost prossegue na rota de sucesso do argumentista Robert Kirkman, com a arte sempre consensual de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano. Hilltop caiu e uma legião de walkers foi canalizada pelos Sussurradores em direção a Alexandria. Negan e Rick defendem a comunidade, mas os portões caem e Rick vê no seu antigo adversário um amigo improvável, o único que consegue ajudá-lo quando tudo parece desmoronar-se à sua volta. Mais um volume excelente e uma morte impactante com repercussões no futuro das BD’s. Li também o segundo volume do mangá One-Punch Man de One e Yusuke Murata, com quem tinha iniciado o trimestre. Uma série de apontamentos divertidos fazem-me olhar com agrado para este álbum, cuja proposta ou mesmo linha narrativa não oferecem nada de original ou interessante. E regressei a Robert Kirkman. Depois de ter lido o primeiro volume no início do ano, eis que chegou às bancas o segundo álbum de Outcast, Uma Ruína Sem Fim, com argumento do autor de The Walking Dead e ilustrações de Paul Azaceta. Argumento e arte casam na perfeição numa história sobre possessões que começa a dar maiores sinais de interesse, e com os mistérios a adensarem-se. Apesar de a história parecer demorar a avançar, notam-se os laivos de genialidade que atiraram Kirkman para as bocas do mundo.

Sem título 2Tal como o álbum de Outcast, Duas Vezes Contado foi um dos mais recentes lançamentos da G Floy no nosso país, lançado no Festival de BD de Beja. O segundo volume da BD de horror Harrow County, com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, revela um maior amadurecimento por parte do artista, ainda que o argumento não me tenha agradado por aí além. À medida que a protagonista Emmy vem aprendendo a lidar com os seus poderes e com as criaturas sobrenaturais que habitam Harrow County, tem também de proteger a povoação de um novo inimigo: a própria irmã gémea, Kammi. E terminei o trimestre com o terceiro volume da Saga O Regresso do Assassino. Em Sangue do Assassino, Robin Hobb volta a não desiludir. Vemos o protagonista FitzCavalaria arrastado para uma chuva de situações inusitadas, desde a ganância pela magia do seu velho mentor, à preocupação com os filhos, rumores de homossexualidade e principalmente a ameaça dos pigarços à sua integridade e à da família real. A obra, porém, oferece muito mais do que isso. Oferece pessoas reais, com defeitos e virtudes, e problemas que podiam ser partilhados por qualquer um de nós. Uma história enriquecedora.

Neste momento, estou a ler o livro Monge Guerreiro do autor brasileiro Romulo Felippe, e deverei continuar com as BD’s Southern Bastards, Velvet, Monstress e mais alguns livrinhos. Entre os nomes que pretendo ler nos meses de verão estão Ursula K. Le Guin e Joe Abercrombie, mas irei também concluir a Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb.

Estive a Ler: Duas Vezes Contado, Harrow County #2

Estiveste a arrastar-te pelo quarto, à minha espera? Podias ao menos tentar não desarrumar tudo.

O texto seguinte pode ter spoilers do livro “Duas Vezes Contado”, segundo volume da série Harrow County (Formato BD)

Vencedor de um Gasthly Award e nomeado para o Prémio Eisner de Melhor Série em Continuação no ano passado, Harrow County surpreendeu os leitores portugueses e regressa este mês às bancas nacionais com o segundo volume, Duas Vezes Contado, que inclui os números 5 a 8 da publicação original.

Com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, Duas Vezes Contado retoma a publicação da série pela G Floy Portugal, apresentada pela editora no Festival de BD de Beja. A história foi concebida por Bunn no formato prosa, mas acabou por não ser terminada para publicação. Através da editora Dark Horse, Harry County transformou-se numa banda-desenhada, um dos produtos gráficos de terror mais elogiados das últimas décadas.

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Prancha G Floy

Após a pacificação

Harrow County é uma pequena vila isolada no Sul dos E.U.A., assombrada por um passado ligado ao sobrenatural. A jovem Emmy descobre da pior forma ter surgido no mesmo local onde uma mulher acusada de bruxaria morreu, quando estava prestes a completar dezoito anos. Após resolver uma série de questões e afastar as aparições macabras que assombravam o local, Emmy vê-se com mais problemas em mãos.

Após essa corrente de acontecimentos, Emmy torna-se respeitada entre a comunidade. Se Hester forjara em tempos um acordo com os habitantes para os livrar de todo o tipo de problemas mundanos, a aliança que se estabelece com Emmy ganha contornos mais sobrenaturais, após a descoberta de verdades terríveis sobre o passado da comunidade. No entanto, uma noite de tempestade traz uma revelação que pode colocar toda a paz conseguida em cheque. Emmy tem uma irmã gémea.

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Prancha G Floy

A irmã gémea

Uma rapariga igual a ela chega da cidade. Ao descobrir ter uma irmã, Emmy descobre também que a sua outra face não é tão amigável como se podia prever. Vale-se do misterioso espectro que a acompanha, como pilar contra as malvadezas de Kammi, que pretende angariar toda uma variância de monstros e criaturas para pôr em prática os seus planos diabólicos.

O despique entre as duas gémeas revela-se inevitável, ainda que Emmy recorra aos seus poderes para proteger a vila. Esperta e munida de armas para as quais a irmã não estaria preparada, Emmy demonstra todo o seu poder para manter Harrow County em segurança. O álbum termina com uma vasta sequência de estudos e esboços do ilustrador, devidamente comentados pelo mesmo, e uma galeria de pinups, desenvolvida por vários artistas.

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Capa G Floy
SINOPSE:

Depois de desvendar a estranha e terrível história de Harrow County, bem como a sua bizarra ligação às suas gentes, Emmy forjou uma nova e profunda relação com as terras que a rodeiam e com as suas criaturas – mas enquanto Emmy procura aprofundar a sua relação com os seus vizinhos da vila, uma presença ao mesmo tempo familiar e sinistra reúne uma força negra com a qual irá desafiá-la…

OPINIÃO:

Não é propriamente fácil fazer uma opinião a este segundo volume. Por um lado, Harrow County não pára de surpreender e este Duas Vezes Contado traz não só uma narrativa bem oleada e convidativa, como uma arte maravilhosa. Mas… esperem, esperem, esperem, já lá vamos. Muito embora aprecie imenso a carga intrínseca de intriga e mistério que Bunn imprime à sua narrativa, acabei por não gostar tanto deste volume como do livro inaugural, o que não me roubou a vontade de ler mais sobre Emmy e esta vila amaldiçoada.

Após os eventos do primeiro volume, a paz regressou a Harrow County, e assistimos em primeira fila ao show da protagonista, enquanto ela usa a sua panóplia de poderes para manter essa mesma paz. A chegada de outro personagem, porém, vem ameaçar o seu estado de graça. Parece-vos familiar? Sim, se Assombrações Sem Fim presenteou o leitor com grandes segredos e revelações em catadupa, este segundo livro traz uma história mais cliché. A luta do bem contra o mal, duas irmãs gémeas em competição e uma menina sobredotada a acostumar-se aos seus poderes.

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Prancha G Floy

Só por si isso seria suficiente para eu não gostar da história. De facto, Cullen Bunn pegou numa premissa mais tradicional neste segundo álbum, mas acabou por fazê-lo com grandiosidade, com a sua dose de mistério e com uma evolução palpável por parte da personagem principal. A grande série de clichés fez-me perder parte do maravilhamento em relação à série, mas ainda assim Bunn consegue deixar o leitor com vontade de ler mais para saber o que espera Emmy e que futuro terá Harrow County.

“A luta do bem contra o mal, duas irmãs gémeas em competição e uma menina sobredotada a acostumar-se aos seus poderes.”

A Tyler Crook deve-se boa parte da minha avaliação. As pinturas em aguarela são lindíssimas, com um traço forte e uma predominância de detalhes que evocam as sombras e o sobrenatural, sem esquecer a ruralidade que a obra alude. O foco nos jogos de cores é extraordinário e é na dinâmica gráfica que posso garantir que Harrow County: Duas Vezes Contados é uma experiência extremamente agradável.

Avaliação: 7/10

Harrow County (G Floy Studio Portugal):

#1 Assombrações Sem Fim

#2 Duas Vezes Contado

Estive a Ler: Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2

Já não sou digno de fazer o Teu trabalho? É por isso que não tenho poder sobre estes demónios? Ofendi-te Senhor?

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Uma Ruína Sem Fim”, segundo volume da série Outcast (Formato BD)

Compreendendo os números 7 a 12 da publicação original, o segundo volume de Outcast chegou às bancas portuguesas em meados de junho, retomando as atribulações do personagem Kyle Barnes num mundo acossado por possessões demoníacas. Acusado de abusar a filha e a esposa, após uma vida marcada por abusos físicos por parte da mãe, Kyle tem de conviver com as mentiras sopradas para a sociedade, sabendo que tanto a mãe como a esposa estavam possuídas por demónios em ambas as circunstâncias.

Da autoria de Robert Kirkman, o famoso argumentista de The Walking Dead, responsável por levar aos ecrãs algumas das tramas mais conhecidas da Image Comics, e com ilustrações de Paul Azaceta, que já colaborou em inúmeros trabalhos da Marvel como Demolidor, Punisher Noir ou Homem Aranha, Uma Ruína Sem Fim marca o retorno da série Outcast às bancas nacionais.

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Prancha G Floy

Um passeio de terror

Após perceber que todas as pessoas com quem convivia estavam possuídas por demónios, e que possuía um dom inusitado para as “purgar”, Kyle Byrnes aliou-se ao Reverendo Anderson na busca de uma solução para a praga de possessões e para desvendar os seus imensos mistérios.

Neste segundo volume somos reapresentados aos personagens, com especial destaque para Megan, a irmã adotiva de Kyle, em quem incide grande parte das incidências deste volume. Kyle tenta aproximar-se da velha Mildred, na tentativa de a curar, muito embora o reverendo o mantenha afastado, garantindo-lhe ser problema para ele. Os dois metem-se num carro e param em várias casas, para averiguar em que estado se encontram algumas das pessoas que haviam sido arruinadas pelos problemas da possessão. Numa dessas viagens, Anderson revela a Kyle uma cicatriz no peito em forma de pentagrama, trabalho do próprio Diabo.

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Prancha G Floy

Exorcismos

Kyle e Anderson procuram uma mulher chamada Sherry, que acabam por encontrar entre um grupo de sem-abrigos. Ela chama Kyle de Outcast e foge. Quando a conseguem alcançar, revela-lhes que Kyle é uma chave contra as possessões. Debate-se contra ele até que, após um esforço conjunto, os dois homens conseguem exorcizá-la. A mulher, porém, fica inconsciente.

Anderson e Kyle travam-se de razões, uma vez que este julgava ter arruinado a vida de Sherry, enquanto o reverendo insistia na ideia de que a salvaram. O debate acaba por separá-los, e enquanto Kyle se reaproxima da família, procurando a filha Amber e acabando por ser reconhecido pela ex-mulher, Allison, o reverendo encontra uma figura sinistra. Trata-se de Sidney, que por alguma razão misteriosa e terrível consegue manobrar os possuídos e procura ganhar Kyle para si.

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Capa G Floy
SINOPSE:

Toda a vida, Kyle Barnes foi perseguido por influências demoníacas, que lhe assombram a sua vida e a de todos os que alguma vez amou. Quando finalmente consegue fazer a ligação entre uma estranha série de novos casos, e a terrível possessão da sua mãe, que lhe destruiu a infância, sente que está finalmente no caminho de desvendar o segredo dos seus temíveis dons sobrenaturais.
Infelizmente, aquilo que ele vai descobrir poderá significar o fim do mundo tal como o conhecemos..

OPINIÃO:

O tom lúgubre continua a pautar as páginas de Outcast, e Uma Ruína Sem Fim traz consigo o rasto de negrume e mistério que a premissa da BD promete. Não será, certamente, dos melhores argumentos de Robert Kirkman e, na minha humilde opinião, é um produto de menor qualidade que a obra-prima do autor norte-americano (The Walking Dead), o que não lhe retira mérito de execução. A série literária cumpre o que promete.

De algumas passagens mais lentas a várias páginas de discussões um pouco banais, vamos vendo montadas as peças do puzzle e reconhecendo, aqui ou ali, os laivos de mestria Kirkman. A dupla Kyle/Anderson funciona na perfeição, seja no debate de ideologias, seja nas horas de maior atividade. Dois personagens cheios de nuances e também de potencial que, penso, possam ser melhor explorados em volumes vindouros. De realçar, ainda, uma exuberância de personagens secundários cheios de segredos e mistérios, que só adensam a curiosidade do leitor.

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Prancha G Floy

Também o mistério em redor das possessões alimenta essa ânsia por respostas. Se a temática da possessão é, por si só, interessante – muito embora nunca tenha tido especial apreço por essas áreas – Kirkman lança, neste volume, algumas pistas de que esta luta pode ter um caráter mais científico, do que uma luta tradicional entre o Diabo e os humanos, representados pela Igreja. Pistas que me deixaram com vontade de saber muito mais sobre Sidney e o enigma do Outcast.

“De algumas passagens mais lentas a várias páginas de discussões um pouco banais, vamos vendo montadas as peças do puzzle e reconhecendo, aqui ou ali, os laivos de mestria Kirkman.”

Por fim, um especial destaque para o desenho de Paul Azaceta. Se no primeiro volume sublinhei o casamento perfeito entre o argumento e a arte, neste segundo álbum posso garantir que as ilustrações foram ainda mais notáveis, detetando-se uma maior maturidade na execução do artista. Apesar de ainda não me sentir imerso neste mundo, posso garantir que se trata de um bom entretenimento e de mais uma aposta ganha de Robert Kirkman no mundo das bandas-desenhadas.

Avaliação: 7/10

Outcast (G Floy Studio Portugal):

#1: As Trevas que o Rodeiam

#2: Uma Ruína Sem Fim

 

Estive a Ler: Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6

Quem dá mais? 900,000$ uma. 900,000$ duas.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Bolos Janados”, sexto volume da série Tony Chu: Detective Canibal (Formato BD)

A G Floy Portugal volta a presentear os seus seguidores com o novo volume de Tony Chu: Detective Canibal. O sexto volume da série mais louca da banda-desenhada inclui os números originais 26 a 30, com o P.V.P. dois euros mais caro que o dos antecessores, preço justificado por conter mais páginas. Os americanos John Layman e Rob Guillory são mais uma vez responsáveis pelo argumento e ilustração, com a colaboração de Taylor Wells na cor.

Para quem não conhece a série, Tony Chu: Detective Canibal, best-seller do New York Times, conta as aventuras e desventuras de um detetive com a capacidade invulgar de ver o passado daquilo que come; uma série granjeada com dois Prémios Eisner e dois Prémios Harvey. Esta edição é também marcada por alcançar a metade de um dos projetos mais elogiados da Image Comics na última década. Contém um especial de pin-ups sobre o galo Poyo, com ilustrações de Ben Templesmith, Nick Pitarra, John McCrea, entre outros.

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Prancha G Floy

Toni ao volante

Todos sabem que a família de Tony Chu não é propriamente aquilo que se pode chamar de tradicional. O irmão mais velho, Chow Chu, é um cozinheiro conhecido pelas suas excentricidades. Ressentido por perder a licitação de um quadro valiosíssimo do famoso pintor Quindim Buongiovanni, arrasta a irmã Antonelle para uma perseguição ao homem que venceu o leilão – Barnabas Cremini. É que o seu irmão mais famoso, Tony, está em coma.

Antonelle – mais conhecida como Toni – é a irmã-gémea de Tony e trabalha como agente da NASA. É na cama com o seu colega, o muçulmano Paneer, que ela inicia esta aventura, habilitando-se a um desastre amoroso quando ele a pede em casamento e ela morde-lhe o ombro. É que, se Tony é um cibopata, a sua irmã é cibovidente, ou seja, vê o futuro de tudo aquilo que come.

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Prancha G Floy

As agências unem forças

É numa das suas visitas ao hospital, para ver o irmão, que ela se cruza com o agente da FDA Caesar Valenzano, e tem a sensação que se recorda dele de algures. Logo se lembra de uma visita de Mason Savoy e Valenzano à sede do Farmington-Kapusta International Telescope, onde Jacob Butterfield albergava uma coleção de rãs nada ortodoxa. O mesmo Jacob que lhe apresenta os… bolos janados. Quem também visita Tony é o seu antigo parceiro, John Colby, agora agente da USDA, e o galo ciborgue Poyo.

A trabalhar no mesmo caso, Colby e Valenzano saem do hospital com um Tony delirante e unem forças para recuperar e interrogar o célebre engenheiro genético Angus Hinterwald, feito refém pelo grupo de marginais com quem se envolveu para desenvolver um programa inovador sobre genes bovinos. Como não podia deixar de ser, é o galo Poyo a salvar o dia.

Por fim, a FDA, a USDA e a NASA acabam por unir forças para descobrir informações sobre Judy Heinz-Campbell, a dona de um salão de beleza que consegue fazer milagres com a aparência de quem entra no seu negócio. Na verdade, essa mulher está relacionada com o artista Quindim Buongiovanni e com um “vampiro”. Uma aventura em que Antonelle perde partes do corpo, mas em compensação encontra o amor.

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Capa G Floy
SINOPSE:

A série mais tresloucada dos comics atinge a metade: com o volume 6 de 12, CHU chega a meio do caminho, e começa a recta final que nos levará a descobrir a verdade sobre a FDA, os extra-terrestres, a gripe das aves, a NASA e muito mais!

Tony Chu – o agente federal cibopata com a habilidade de obter impressões psíquicas de tudo o que come – está num hospital, a lutar pela vida, e, por isso, será Toni, a sua irmã gémea, a tomar a dianteira nesta aventura. Toni é cibovidente, e consegue ver o futuro de tudo o que come. E, nestes últimos tempos, tem visto umas cenas mesmo horríveis!

O sexto volume da série bestseller do New York Times, uma bizarra e divertida história sobre polícias, bandidos, cozinheiros, galos assassinos e agentes clarividentes. Apresentando também a incrível história que fascinou a América e impressionou criancinhas em todo o mundo com a sua violência: as aventuras do Agente Secreto Poyo, o galo biónico mais tramado do mundo e arredores!

OPINIÃO:

Todas as vezes que falo sobre Tony Chu: Detective Canibal, pareço repetir-me. É, a par de The Walking Dead e Saga, uma das bandas-desenhadas que me são mais queridas. Explicar porquê é bem mais difícil. A união entre a arte sobejamente reconhecida de Rob Guillory e o argumento irónico, louco e irreverente de John Layman traduz-se numa obra de referência. E sempre que a G Floy tem a gentileza de publicar mais um álbum de Chew, não perco tempo em pegar nele.

As páginas de Tony Chu são um chorrilho de embaraços e situações divertidas, mesclando o improvável com o humor sem perder o fio à meada, por mais desvios que a história central por vezes sofra. É isso que torna a BD deliciosa, o entrecortar de planos sem perder o equilíbrio.

“As páginas de Tony Chu são um chorrilho de embaraços e situações divertidas, mesclando o improvável com o humor sem perder o fio à meada, por mais desvios que a história central por vezes sofra.”

A ideia é, aquilo que se pode chamar no calão português, estrambólica. Original também, se bem que a ideia de um C.S.I com um detetive que descobre o criminoso ao lamber as vísceras da vítima é desconstruída desde o primeiro contacto com os personagens e com o plot. Eles são todos parvos e ridículos e é precisamente isso que transforma a BD em algo louco – saudavelmente louco – e se desdobra num trabalho árduo bem-sucedido.

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Prancha G Floy

Este álbum seguiu à risca aquilo a que John e Rob se propuseram. Vemos menos de Tony e Amelia e mais de Antonelle, com participações de somenos importância de Chow, Valenzano, Colby, Jacob e Paneer. O destaque vai, ainda assim, para o galo Poyo. Esperava mais protagonismo deste personagem, como propagandeado, mas os poucos momentos em que apareceu foram sempre excelentes e marcaram o álbum. A irmã-gémea de Tony Chu também não desiludiu ao protagonizar o volume, parecendo que continuará nessa senda na próxima edição.

Faltou, a meu ver, um antagonista ao mesmo nível. Senti falta de Savoy e das suas intrigas, com o vilão-mor deste álbum a não ter mais do que algum destaque no último terço. Ainda assim, seja lá o que o autor pretende para a série, não faço julgamentos premeditados. Tony Chu: Detective Canibal surpreende em cada número, com desgraças em cima de desgraças, frangos marados e muita adrenalina e ação. Nada é colocado ali por acaso e acabamos por cruzar-nos com personagens cada vez mais doidos. O humor é uma divindade a quem John Layman e Rob Guillory prestam culto com convicção.

Avaliação: 8/10

Tony Chu: Detective Canibal (G Floy Studio Portugal):

#1 Ao Gosto do Freguês

#2 Sabor Internacional

#3 Enfarda Brutos

#4 Sopa de Letras

#5 Fome de Vencer

#6 Bolos Janados

Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

Saga #6

Mas não se aflija, nada faz com que se cresça mais rápido do que tempos de guerra…

O texto seguinte pode conter spoilers do sexto volume da série Saga (Formato BD)

Prestes a alcançar a publicação original, a G Floy Portugal lançou este fim-de-semana o sexto volume da série Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, que inclui os números 31 a 36. Trata-se da mais ambiciosa space opera dos últimos tempos, uma banda-desenhada que aborda várias problemáticas sociais numa aventura intergaláctica com uma cobertura de ação, cenas de sexo, violência algo gratuita e muito, muito humor.

Com nove Prémios Eisner no bolso (inclui Melhor Série em Continuação por três vezes, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte), um Hugo para Melhor História Gráfica e dezassete Harveys, Saga é já uma série inolvidável do panorama gráfico internacional.

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Capa G Floy

O crescimento de Hazel

Este volume de Saga começa com a pequena Hazel na escola. Ou… talvez não. Na verdade, a filha de Alana e Marko tem muito a aprender neste volume de Saga. Fechada numa espécie de prisão espacial, onde é levada a ter uma educação pouco tradicional, Hazel é fadada a uma série de encontros mais ou menos inusitados. Desde o reencontro com Izabel, que se havia disfarçado de um médico com corpo de porco, até a uma descoberta terrível sobre a sua avó Klara no chuveiro, Hazel é levada a conhecer mais sobre a natureza das pessoas que a rodeiam, e terá de contar com a ajuda de Noreen – uma mulher-gafanhoto – para tentar sair dali.

Paralelamente, Alana e Marko prosseguem na sua demanda heróica em busca da filha, com o Príncipe Robot IV como aliado. Vontade, recuperado do coma após o sacrifício da irmã, aprisiona o casal gay de repórteres e começa a sua senda de vingança. A sua consciência, na forma da mulher-aranha Haste, continua a sussurrar-lhe ao ouvido, tomando também a forma da irmã falecida. Quando Vontade encontra o pequeno filho de Robot IV, porém, ameaça o menino com cabeça de TV para que lhe indique a localização do seu pai.

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Imagem G Floy/ Image Comics

O reencontro

A fuga não se revela fácil para Hazel, com o plano de Noreen a sair errado. É a incursão de Marko, armado de espada e escudo, por um portal luminoso, que resulta no reencontro entre Marko e a sua filha… mas também com a mãe, Klara, que surpreendentemente recusa-se a seguir a família.

As intenções de Vontade também saem goradas. Apesar de manter os dois repórteres sob a vigilância apertada do seu cão, eles conseguem fugir e espiar os seus movimentos, dispostos a conseguir concluir o seu trabalho. Para piorar a situação, Gus surge montado em Friendo, a morsa de estimação, e tenta salvar o filho de Robot IV, desafiando Vontade para um combate. Gus consegue cortar os dedos a Vontade com o seu machado, mas acaba derrotado pelo inimigo. Marko e Hazel reencontram Alana, num final surpreendente que traz consigo uma revelação que irá, inevitavelmente, mudar a vida da família. Alana está grávida.

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Hazel (Image Comics)
SINOPSE:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um épico de ficção científica cruzado com fantasia, com romance e comédia à mistura, um encontro entre a Guerra dos Tronos e a Guerra das Estrelas ou Romeu e Julieta no espaço. Depois de um salto dramático no tempo, reunimo-nos com Hazel no momento em que ela inicia a maior aventura da sua vida: a escola! Enquanto isso, os seus pais terão de forjar uma aliança improvável com o Príncipe Robot IV, e A Vontade dá os seus primeiros passos no caminho da vingança.

OPINIÃO:

Se há séries de banda-desenhada que não desiludem, Saga é um desses casos. Extremamente provocante, mordaz e bem-humorado, este volume consegue trazer uma aventura cheia de ação e corridas alucinantes sem deixar de lado a crítica social e a temática familiar. Alana, Marko e Hazel são uma família desestruturada, há anos a fugir de uma guerra política entre as suas nações planetárias com um bebé nos braços. Esse bebé perdeu-se dos pais, mas também cresceu.

O sexto livro da obra-prima de Brian K. Vaughan faz regressar o personagem Vontade e mostra o crescimento de Hazel de uma forma consistente e rápida. Com um ritmo permanentemente elevado e vários apartes refrescantes, a linguagem de Vaughan é subversiva e direta, não hesitando em fazer uma criança falar abertamente da forma como foi concebida ou até questionando a sexualidade de uma avó.

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Noreen (Image Comics)

O humor está sempre presente, atuando de forma fria e direta por vezes quando menos se espera. Os ingredientes repetem-se, com as tramas contadas em separado a cruzarem-se de alguma forma nos instantes finais, o que provoca ganchos importantes que tornam obrigatório o consumo do livro seguinte.

A arte de Fiona Staples continua a engatar extremamente bem com a história contada. Com traços únicos que dão destaque à excentricidade dos personagens, a ilustração vem acompanhada por cores distintas e atraentes que dão vigor à série. O volume seis de Saga acabou por revelar-se mais um excelente álbum, dando continuidade ao trabalho excepcional da dupla americana. Quem ainda não leu esta série, não sabe o que tem perdido.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6