Estive a Ler: Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6

Quem dá mais? 900,000$ uma. 900,000$ duas.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Bolos Janados”, sexto volume da série Tony Chu: Detective Canibal (Formato BD)

A G Floy Portugal volta a presentear os seus seguidores com o novo volume de Tony Chu: Detective Canibal. O sexto volume da série mais louca da banda-desenhada inclui os números originais 26 a 30, com o P.V.P. dois euros mais caro que o dos antecessores, preço justificado por conter mais páginas. Os americanos John Layman e Rob Guillory são mais uma vez responsáveis pelo argumento e ilustração, com a colaboração de Taylor Wells na cor.

Para quem não conhece a série, Tony Chu: Detective Canibal, best-seller do New York Times, conta as aventuras e desventuras de um detetive com a capacidade invulgar de ver o passado daquilo que come; uma série granjeada com dois Prémios Eisner e dois Prémios Harvey. Esta edição é também marcada por alcançar a metade de um dos projetos mais elogiados da Image Comics na última década. Contém um especial de pin-ups sobre o galo Poyo, com ilustrações de Ben Templesmith, Nick Pitarra, John McCrea, entre outros.

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Prancha G Floy

Toni ao volante

Todos sabem que a família de Tony Chu não é propriamente aquilo que se pode chamar de tradicional. O irmão mais velho, Chow Chu, é um cozinheiro conhecido pelas suas excentricidades. Ressentido por perder a licitação de um quadro valiosíssimo do famoso pintor Quindim Buongiovanni, arrasta a irmã Antonelle para uma perseguição ao homem que venceu o leilão – Barnabas Cremini. É que o seu irmão mais famoso, Tony, está em coma.

Antonelle – mais conhecida como Toni – é a irmã-gémea de Tony e trabalha como agente da NASA. É na cama com o seu colega, o muçulmano Paneer, que ela inicia esta aventura, habilitando-se a um desastre amoroso quando ele a pede em casamento e ela morde-lhe o ombro. É que, se Tony é um cibopata, a sua irmã é cibovidente, ou seja, vê o futuro de tudo aquilo que come.

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Prancha G Floy

As agências unem forças

É numa das suas visitas ao hospital, para ver o irmão, que ela se cruza com o agente da FDA Caesar Valenzano, e tem a sensação que se recorda dele de algures. Logo se lembra de uma visita de Mason Savoy e Valenzano à sede do Farmington-Kapusta International Telescope, onde Jacob Butterfield albergava uma coleção de rãs nada ortodoxa. O mesmo Jacob que lhe apresenta os… bolos janados. Quem também visita Tony é o seu antigo parceiro, John Colby, agora agente da USDA, e o galo ciborgue Poyo.

A trabalhar no mesmo caso, Colby e Valenzano saem do hospital com um Tony delirante e unem forças para recuperar e interrogar o célebre engenheiro genético Angus Hinterwald, feito refém pelo grupo de marginais com quem se envolveu para desenvolver um programa inovador sobre genes bovinos. Como não podia deixar de ser, é o galo Poyo a salvar o dia.

Por fim, a FDA, a USDA e a NASA acabam por unir forças para descobrir informações sobre Judy Heinz-Campbell, a dona de um salão de beleza que consegue fazer milagres com a aparência de quem entra no seu negócio. Na verdade, essa mulher está relacionada com o artista Quindim Buongiovanni e com um “vampiro”. Uma aventura em que Antonelle perde partes do corpo, mas em compensação encontra o amor.

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Capa G Floy
SINOPSE:

A série mais tresloucada dos comics atinge a metade: com o volume 6 de 12, CHU chega a meio do caminho, e começa a recta final que nos levará a descobrir a verdade sobre a FDA, os extra-terrestres, a gripe das aves, a NASA e muito mais!

Tony Chu – o agente federal cibopata com a habilidade de obter impressões psíquicas de tudo o que come – está num hospital, a lutar pela vida, e, por isso, será Toni, a sua irmã gémea, a tomar a dianteira nesta aventura. Toni é cibovidente, e consegue ver o futuro de tudo o que come. E, nestes últimos tempos, tem visto umas cenas mesmo horríveis!

O sexto volume da série bestseller do New York Times, uma bizarra e divertida história sobre polícias, bandidos, cozinheiros, galos assassinos e agentes clarividentes. Apresentando também a incrível história que fascinou a América e impressionou criancinhas em todo o mundo com a sua violência: as aventuras do Agente Secreto Poyo, o galo biónico mais tramado do mundo e arredores!

OPINIÃO:

Todas as vezes que falo sobre Tony Chu: Detective Canibal, pareço repetir-me. É, a par de The Walking Dead e Saga, uma das bandas-desenhadas que me são mais queridas. Explicar porquê é bem mais difícil. A união entre a arte sobejamente reconhecida de Rob Guillory e o argumento irónico, louco e irreverente de John Layman traduz-se numa obra de referência. E sempre que a G Floy tem a gentileza de publicar mais um álbum de Chew, não perco tempo em pegar nele.

As páginas de Tony Chu são um chorrilho de embaraços e situações divertidas, mesclando o improvável com o humor sem perder o fio à meada, por mais desvios que a história central por vezes sofra. É isso que torna a BD deliciosa, o entrecortar de planos sem perder o equilíbrio.

“As páginas de Tony Chu são um chorrilho de embaraços e situações divertidas, mesclando o improvável com o humor sem perder o fio à meada, por mais desvios que a história central por vezes sofra.”

A ideia é, aquilo que se pode chamar no calão português, estrambólica. Original também, se bem que a ideia de um C.S.I com um detetive que descobre o criminoso ao lamber as vísceras da vítima é desconstruída desde o primeiro contacto com os personagens e com o plot. Eles são todos parvos e ridículos e é precisamente isso que transforma a BD em algo louco – saudavelmente louco – e se desdobra num trabalho árduo bem-sucedido.

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Prancha G Floy

Este álbum seguiu à risca aquilo a que John e Rob se propuseram. Vemos menos de Tony e Amelia e mais de Antonelle, com participações de somenos importância de Chow, Valenzano, Colby, Jacob e Paneer. O destaque vai, ainda assim, para o galo Poyo. Esperava mais protagonismo deste personagem, como propagandeado, mas os poucos momentos em que apareceu foram sempre excelentes e marcaram o álbum. A irmã-gémea de Tony Chu também não desiludiu ao protagonizar o volume, parecendo que continuará nessa senda na próxima edição.

Faltou, a meu ver, um antagonista ao mesmo nível. Senti falta de Savoy e das suas intrigas, com o vilão-mor deste álbum a não ter mais do que algum destaque no último terço. Ainda assim, seja lá o que o autor pretende para a série, não faço julgamentos premeditados. Tony Chu: Detective Canibal surpreende em cada número, com desgraças em cima de desgraças, frangos marados e muita adrenalina e ação. Nada é colocado ali por acaso e acabamos por cruzar-nos com personagens cada vez mais doidos. O humor é uma divindade a quem John Layman e Rob Guillory prestam culto com convicção.

Avaliação: 8/10

Tony Chu: Detective Canibal (G Floy Studio Portugal):

#1 Ao Gosto do Freguês

#2 Sabor Internacional

#3 Enfarda Brutos

#4 Sopa de Letras

#5 Fome de Vencer

#6 Bolos Janados

Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

Saga #6

Mas não se aflija, nada faz com que se cresça mais rápido do que tempos de guerra…

O texto seguinte pode conter spoilers do sexto volume da série Saga (Formato BD)

Prestes a alcançar a publicação original, a G Floy Portugal lançou este fim-de-semana o sexto volume da série Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, que inclui os números 31 a 36. Trata-se da mais ambiciosa space opera dos últimos tempos, uma banda-desenhada que aborda várias problemáticas sociais numa aventura intergaláctica com uma cobertura de ação, cenas de sexo, violência algo gratuita e muito, muito humor.

Com nove Prémios Eisner no bolso (inclui Melhor Série em Continuação por três vezes, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte), um Hugo para Melhor História Gráfica e dezassete Harveys, Saga é já uma série inolvidável do panorama gráfico internacional.

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Capa G Floy

O crescimento de Hazel

Este volume de Saga começa com a pequena Hazel na escola. Ou… talvez não. Na verdade, a filha de Alana e Marko tem muito a aprender neste volume de Saga. Fechada numa espécie de prisão espacial, onde é levada a ter uma educação pouco tradicional, Hazel é fadada a uma série de encontros mais ou menos inusitados. Desde o reencontro com Izabel, que se havia disfarçado de um médico com corpo de porco, até a uma descoberta terrível sobre a sua avó Klara no chuveiro, Hazel é levada a conhecer mais sobre a natureza das pessoas que a rodeiam, e terá de contar com a ajuda de Noreen – uma mulher-gafanhoto – para tentar sair dali.

Paralelamente, Alana e Marko prosseguem na sua demanda heróica em busca da filha, com o Príncipe Robot IV como aliado. Vontade, recuperado do coma após o sacrifício da irmã, aprisiona o casal gay de repórteres e começa a sua senda de vingança. A sua consciência, na forma da mulher-aranha Haste, continua a sussurrar-lhe ao ouvido, tomando também a forma da irmã falecida. Quando Vontade encontra o pequeno filho de Robot IV, porém, ameaça o menino com cabeça de TV para que lhe indique a localização do seu pai.

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Imagem G Floy/ Image Comics

O reencontro

A fuga não se revela fácil para Hazel, com o plano de Noreen a sair errado. É a incursão de Marko, armado de espada e escudo, por um portal luminoso, que resulta no reencontro entre Marko e a sua filha… mas também com a mãe, Klara, que surpreendentemente recusa-se a seguir a família.

As intenções de Vontade também saem goradas. Apesar de manter os dois repórteres sob a vigilância apertada do seu cão, eles conseguem fugir e espiar os seus movimentos, dispostos a conseguir concluir o seu trabalho. Para piorar a situação, Gus surge montado em Friendo, a morsa de estimação, e tenta salvar o filho de Robot IV, desafiando Vontade para um combate. Gus consegue cortar os dedos a Vontade com o seu machado, mas acaba derrotado pelo inimigo. Marko e Hazel reencontram Alana, num final surpreendente que traz consigo uma revelação que irá, inevitavelmente, mudar a vida da família. Alana está grávida.

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Hazel (Image Comics)
SINOPSE:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um épico de ficção científica cruzado com fantasia, com romance e comédia à mistura, um encontro entre a Guerra dos Tronos e a Guerra das Estrelas ou Romeu e Julieta no espaço. Depois de um salto dramático no tempo, reunimo-nos com Hazel no momento em que ela inicia a maior aventura da sua vida: a escola! Enquanto isso, os seus pais terão de forjar uma aliança improvável com o Príncipe Robot IV, e A Vontade dá os seus primeiros passos no caminho da vingança.

OPINIÃO:

Se há séries de banda-desenhada que não desiludem, Saga é um desses casos. Extremamente provocante, mordaz e bem-humorado, este volume consegue trazer uma aventura cheia de ação e corridas alucinantes sem deixar de lado a crítica social e a temática familiar. Alana, Marko e Hazel são uma família desestruturada, há anos a fugir de uma guerra política entre as suas nações planetárias com um bebé nos braços. Esse bebé perdeu-se dos pais, mas também cresceu.

O sexto livro da obra-prima de Brian K. Vaughan faz regressar o personagem Vontade e mostra o crescimento de Hazel de uma forma consistente e rápida. Com um ritmo permanentemente elevado e vários apartes refrescantes, a linguagem de Vaughan é subversiva e direta, não hesitando em fazer uma criança falar abertamente da forma como foi concebida ou até questionando a sexualidade de uma avó.

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Noreen (Image Comics)

O humor está sempre presente, atuando de forma fria e direta por vezes quando menos se espera. Os ingredientes repetem-se, com as tramas contadas em separado a cruzarem-se de alguma forma nos instantes finais, o que provoca ganchos importantes que tornam obrigatório o consumo do livro seguinte.

A arte de Fiona Staples continua a engatar extremamente bem com a história contada. Com traços únicos que dão destaque à excentricidade dos personagens, a ilustração vem acompanhada por cores distintas e atraentes que dão vigor à série. O volume seis de Saga acabou por revelar-se mais um excelente álbum, dando continuidade ao trabalho excepcional da dupla americana. Quem ainda não leu esta série, não sabe o que tem perdido.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1

As gentes de Harrow County condenaram a bruxa à morte… Mas a bruxa não morreu facilmente.

O texto seguinte pode ter spoilers do livro “Assombrações Sem Fim”, primeiro volume da série Harrow County (Formato BD)

Com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, Harrow County: Assombrações Sem Fim é considerada por muitos como a melhor BD de terror dos últimos anos. Publicada recentemente pela G Floy Portugal, a história foi concebida por Bunn no formato prosa, mas acabou por não ser terminada para publicação.

A BD acabou por ser o formato escolhido para trazer ao público uma obra que remexe com os medos mais mundanos da Humanidade, originalmente lançada pela Dark Horse. Vencedor de um Gasthly Award e nomeado para o Prémio Eisner de Melhor Série em Continuação no ano passado, o volume inaugural de Harrow County inclui os números 1 a 4 da publicação original.

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Capa G Floy/ Dark Horse

O fim de um mito

Harrow County é uma povoação prenhe de lendas e crendices, que combate ativamente aquilo que chamam de bruxaria. É nessa toada que queimam viva uma bruxa, Hester, a quem já quase todos os executores haviam solicitado favores, mas cujas repercussões dessas atividades tinham vindo a ser devastadoras no dia-a-dia dos locais, com um declínio evidente a nível ecológico e natural. A execução não foi fácil. A mulher demorou a morrer.

A promessa de um regresso paira no ar e o medo instala-se na comunidade. De forma bastante bizarra, uma criança surge no mesmo local onde a mulher fora queimada, e só o pragmatismo de um agricultor salva a vida à criança, levando-a e cuidando dela como sua.

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Prancha G Floy

O surgimento de outro

Emmy é uma jovem prestes a completar os seus dezoito anos, a grande protagonista desta história. É ela a menina encontrada na mesma árvore que a bruxa, apartada das ciências e das crendices populares pelo homem que a criou. Tudo indica que é uma menina igual às outras, mas as coisas mudam quando assiste ao parto trágico de uma vaca. Observando a cria morta, Emmy toca-lhe e o improvável acontece. A pequena criatura revive ao seu toque. Esse evento despoleta uma mudança abismal na vida de Emmy.

Harrow County é uma pequena vila no Sul dos E.U.A., confinada a um isolamento que convida ao sobrenatural. À medida que descobre mais dos seus poderes, Emmy é vítima de uma conspiração urdida pelos próprios locais, melindrados pelas suas capacidades. Conselhos vindos das trevas e uma figura há muito morta são outros perigos com que Emmy terá de lidar. Mas quem será mais perigoso? Aqueles que provocam o medo ou quem o sente?

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Prancha G Floy
SINOPSE:

BEM VINDOS A HARROW COUNTY…

Na pequena vila de Harrow County, no Sul dos Estados Unidos, a jovem Emmy sempre soube que a floresta à volta da sua casa estava cheia de fantasmas e monstros. Mas, na véspera do seu décimo oitavo aniversário, ela descobre que está profundamente ligada a essas criaturas – e à própria terra que pisa – de uma maneira que nunca poderia ter imaginado. Aos poucos, sentirá nascer dentro dela os estranhos poderes que a ligam ao passado de Harrow County… estará ela pronta para enfrentar todos os seus mistérios?

Opinião:

Harrow County foi uma agradável surpresa. Não conhecia o trabalho de Cullen Bunn, já famigerado na Marvel pelas participações em Deadpool e Uncanny X-Men como por trabalhos mais personalizados, onde este se inclui. Se a sua história envolve o leitor num clima de tensão permanente e de grande escuridão, a escrita não perde em comparação.

O argumento oferece uma protagonista bizarra, vítima da sua natureza e daqueles que a circundam. Uma povoação aterrorizada. Males à solta. É esta panóplia de ingredientes, misturados numa narrativa cadenciada com cabeça, tronco e membros, que torna este álbum apetecível.

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Prancha G Floy

Ainda assim, não achei a premissa muito original e tenho aí talvez o único defeito a apontar. As histórias de bruxas nunca me prenderam por aí além, principalmente envolvendo jovens adolescentes, mas Harrow County traz um clima de tensão e terror mais palpável e visceral que não me desagradou.

A arte de Tyler Crook vem dar um contraste curioso a este álbum. Se toda a história sugere negros e cinzentos, a ilustração jorra de amarelos e vermelhos, numa alusão empírica ao fogo da cena preambular. O traço de Crook também parece destacar os pormenores: do rosto pueril de Emmy aos mórbidos pedaços de cadáveres. Todo o conjunto é arrojado e bizarro.

Avaliação: 8/10

Harrow County (G Floy Studio Portugal):

#1 Assombrações Sem Fim

Loki

Ajoelhai-vos, tal como toda a Asgard o faz, perante o seu novo senhor por direito.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro Loki (Formato BD)

Lançado pela G Floy Portugal, Loki é uma graphic novel da Marvel sobre o carismático personagem da mitologia nórdica. Robert Rodi é o argumentista. Dramaturgo e romancista satírico, Rodi tem visto o seu nome associado, nas últimas décadas, à banda-desenhada, principalmente ao personagem Thor. O responsável pela arte é Esad Ribic, célebre ilustrador croata com quem Rodi já trabalhara em Four Horsemen, para a Vertigo.

Loki é uma nova versão da história recontada de Thor, agora sob a perspetiva do seu irmão vilão. Renegado pelo pai, Odin, Loki fora colocado à margem, mas a capitulação do senhor de Asgard leva-o ao poder. Os aliados de Odin são repudiados pelo novo líder, mas os seus partidários não se revelam tão leais como seria suposto.

 

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Capa G Floy / Marvel

Uma mão lava a outra

Os conflitos de interesses adensam-se. De um lado, Loki mantém Thor sob grilhetas e mostra-se incomodado com a influência de Sif, a eterna paixão do asgardiano. Há ainda Balder, o protegido de Odin que sempre manteve um certo poder, para além de uma invulnerabilidade e bravura lendárias.

Por outro lado, há Hela, a deusa do Reino dos Mortos, que alimenta o pior no coração de Loki para garantir a hegemonia de Asgard. O debate moral dentro da mente de Loki é intenso. Dividido entre poupar a vida a Thor ou matá-lo, Loki viverá uma imensa batalha de valores para provar a sua capacidade de liderança. Porém, Asgard só poderá ter um senhor, e mesmo aprisionado Thor ainda tem uma palavra a dizer. A colisão revela-se esmagadora.

Sem título
Prancha G Floy/Marvel
SINOPSE:

Loki tornou-se finalmente soberano de Asgard, e Odin foi colocado a ferros, tal como todos aqueles que batalharam em seu nome. No entanto, Loki vê-se cercado de antigos aliados e interesses vários, todos em busca de recompensa pela ajuda prestada na sua ascensão. E Hela, deusa do Reino dos Mortos, empurra-o para completar o seu triunfo com a execução de Thor. Loki terá de ponderar se a sua existência fará algum sentido sem o seu meio-irmão…

OPINIÃO:

Com uma narrativa coesa e uma escrita inteligente, Robert Rodi oferece um texto de aura poética que caracteriza com intensidade e credibilidade os dilemas do personagem-título. Trata-se de Loki, o meio-irmão de Thor, uma das personagens mais incríveis do Universo Marvel.

Pautado por vários momentos de introspeção, Loki inicia-se com a deposição de Odin e a tomada do poder por Loki, manifestando a sua amargura e negação em relação aos sentimentos que possa ter sentido pelo progenitor. A ascensão de Loki oferece constrangimentos a todos os que o rodeiam, o que significa uma mudança significativa na estrutura de poder que se vive em Asgard.

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Prancha G Floy/ Marvel

As tomadas de consciência e os dilemas de Loki acabam por ser o grande atrativo deste livro. À medida que tenta afastar todos os que lhe trazem sofrimento, Loki coloca em dúvida a sua posição e o significado de uma vida com tudo o que sempre desejou. O papel de Thor neste volume é de aparente passividade, embora a sua influência venha a confranger todo o ambiente vivido, tendo a sua apoteose no clímax final.

A arte de Esad Ribic é um dos pontos mais fortes deste volume. Com um traço forte e cores vivas, o ilustrador croata representa o melhor que a Marvel sabe fazer. Adorei as páginas que incluem os esquissos dos personagens principais, e todo o trabalho de edição, em mais uma fantástica publicação da G Floy.

Avaliação: 7/10

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2

– Então porque raio precisa de uma nova rota de fuga, Frank?

– Porque a minha parceira matou o nosso guia.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Vidas Secretas de Homens Mortos”, segundo volume da série Velvet (formato BD)

Ed Brubaker é já um dos nomes mais incontornáveis da nova geração de argumentistas, no que à banda-desenhada diz respeito. Responsável por abrilhantar séries de sucesso da Marvel e DC Comics, como Capitão América, Daredevil, Batman e Catwoman, Brubaker tem sido aposta forte da G Floy em Portugal no último ano. O segundo volume da trilogia Velvet, da sua autoria, chegou agora às bancas nacionais, compreendendo os números 6 a 10 da versão original. Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores) completam a equipa.

Vidas Secretas de Homens Mortos leva-nos de novo aos meandros das agências secretas de espionagem norte-americanas, com Velvet Templeton ao volante de uma teoria da conspiração com quase duas décadas. A protagonista vivera os últimos anos como mera secretária de uma agência, mas nos seus tempos áureos fora uma das agentes mais influentes.

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Capa G Floy

A ação de Velvet acompanha o regresso ao ativo desta espia de múltiplos recursos, na tentativa de descobrir quem matou X-14, o seu superior hierárquico na cadeia de comando do ARC-7, e toda a trama que a leva à mira dos mais antigos oficiais em exercício. Neste volume, encontramos Velvet novamente em maus-lençóis. Fora levada a acreditar que o seu próprio esposo era o peixe graúdo de uma trama terrivelmente bem urdida, mas nada é o que parece.

Velvet Templeton é agora obrigada a descobrir, entre os mais antigos membros da agência, quem pode estar por detrás dos homicídios e da cabala que a colocou no centro de tudo. Raptando um dos suspeitos (talvez o menos evidente), Velvet tenciona desviar as atenções do departamento, para procurar algo que denuncie o cérebro por detrás da trama. Depois, decide contactar o único que pode dar-lhe respostas e não estar envolvido, Damian Lake. Para isso, é obrigada a libertá-lo da prisão, fazer uma conturbada viagem de comboio, ser perseguida pela polícia e lutar com cães-pisteiros, e voltar a descobrir que foi completamente enganada.

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Prancha G Floy
SINOPSE:

A mais temível e ousada das espias regressa, na segunda parte da sua saga. Tudo aquilo que Velvet Templeton pensava saber sobre a pior noite da sua vida era afinal mentira… agora, ela está de regresso a Londres, e vai ser ela a levar a vingança aos seus inimigos e confrontar aqueles que foram seus colegas na agência. E vai descobrir a verdade, ou morrer a tentar!

OPINIÃO:

Foi com agradável surpresa que este segundo volume da banda-desenhada de espionagem Velvet, de Brubaker, excedeu as minhas expectativas. Dos mesmos criadores de Capitão América: Soldado Invernal, Vidas Secretas de Homens Mortos traz-nos a espia Velvet Templeton na sua melhor forma. Bem, talvez não esteja a ser sincero. A protagonista está debilitada, enferrujada e cansada, mas mesmo assim consegue fazer um exercício lógico notável e não perde a capacidade de reação eficaz. Infelizmente, os seus inimigos parecem estar sempre um passo à frente e conseguem passar-lhe a perna.

Cenas de suspense permeiam sequências de ação, sempre com Velvet Templeton como protagonista. A espia envolve-se em tiroteios e em cenas de combate, e os sintomas da idade e dos anos sabáticos são demonstrados com verosimilhança, ao mesmo tempo que ela procura descobrir a verdade de uma forma fria e pragmática, o que nem sempre é exequível quando tudo o que se acredita – e a própria vida – estão em causa.

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Prancha G Floy

Todas as cenas foram muito bem equilibradas. A ação é cadenciada e o argumento de Ed Brubaker demonstra coerência, credibilidade e consistência; para além de não perder o ritmo e oferecer grandes momentos de ação, consegue induzir no leitor a vontade de descobrir mais e tentar perceber que conspirações são tecidas, umas dentro das outras, e quem está a enganar quem. A forma como somos conduzidos pelo pensamento da protagonista faz-nos sentir as mesmas surpresas que ela.

A ilustração de Steve Epting revela mais uma vez um grande entrosamento com a escrita de Brubaker. A dupla funciona muito bem, e o facto de terem vindo a trabalhar juntos desde há algum tempo beneficia o “casamento”. Elizabeth Breitweiser vem mais uma vez dar a coloração ajustada ao ambiente – longe do noir, mas ainda assim com o tom suave e escuro que se ambiciona na temática explorada.

Uma história que nem sempre é de fácil compreensão, Velvet continua a fascinar por todos os factores acima indicados, com uma aura e argumento que em nada devem às melhores histórias de Ian Fleming ou John le Carré. Agora resta esperar pelo terceiro e último álbum da série.

Avaliação: 8/10

Velvet (G Floy Studio Portugal):

#1 Antes do Crepúsculo

#2 Vidas Secretas de Homens Mortos

 

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1

Estava tão vermelha… Mais vermelha do que tudo o que já vi.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Darkness Surrounds Him”, primeiro volume da série Outcast (Formato BD)

Do mesmo autor de The Walking Dead, Robert Kirkman, com arte de Paul Azaceta, Outcast é mais uma BD de sucesso da Image Comics, recentemente publicada em Portugal pela G Floy com o título As Trevas que o Rodeiam. O primeiro volume inclui os números 1 a 6 da publicação original.

A Darkness Surrounds Him apresenta-nos Kyle Byrnes, um homem ainda jovem vergado por traumas do passado, ligados a várias ocorrências de violência. Quando o Reverendo Anderson lhe pede ajuda, rapidamente Kyle percebe que a infância violenta e a relação perturbadora com a sua mãe está ligada a uma série de fenómenos paranormais, possessões, que o impulsionaram a ser violento com pessoas que amava.

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Capa G Gloy

Mais do que ser perseguido por um rol de possessões, Kyle parece também ser um antídoto contra elas, um proscrito que assusta os demónios que vagueiam por aí. O seu sangue queima as pessoas possuídas e só a sua influência consegue domá-las.

A história foca-se em Kyle, com a presença quase omnipresente do reverendo, o co-protagonista da história. Perpassa também por várias outras personagens, quer através de flashbacks do passado do personagem, muitas delas misteriosas, ou do presente, como Luke, Blake, a velha Mildred, o viúvo Norville ou o seu irmão, o misterioso Sidney. Pouco a pouco, as pontas dos enigmas relativos ao passado de Kyle são levantadas, mas muito permanece em aberto.

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Image Comics
SINOPSE:

NEW HORROR SERIES FROM THE WALKING DEAD CREATOR ROBERT KIRKMAN! Kyle Barnes has been plagued by demonic possession all his life and now he needs answers. Unfortunately, what he uncovers along the way could bring about the end of life on Earth as we know it. Collects OUTCAST BY KIRKMAN & AZACETA #1-6.

OPINIÃO:

Com um tom lúgubre e obscuro, o primeiro volume de Outcast oferece uma história violenta, com um tipo de terror muito característico em Robert Kirkman: a sugestão do terrível e uma ponte aos sentimentos mais primários da natureza humana.

Não será uma história para todos; Outcast recorre ao visceral para reproduzir os vários episódios de possessão presentes nesta edição. Nem mesmo para todos os fãs de The Walking Dead, o mais popular trabalho do autor norte-americano. O tom é mais obscuro e o ritmo mais monótono. Este primeiro volume trouxe muitas perguntas e poucas respostas, apresentou vários personagens e atirou-nos de cabeça para as suas vivências sem perceber bem os antecedentes.

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Cena A Darkness Surrounds Him (Image Comics)

Ainda assim, agradou-me bastante. Os mistérios fizeram-me querer saber mais sobre as personagens, e o facto de a maioria dos que rodeiam o protagonista serem vítimas de possessões agradou-me. Pessoalmente, a série de TV baseada em Outcast não me prendeu, do pouco que vi, mas gostei da BD e pretendo continuar a segui-la.

Apesar do pouco de história que pode ser tirado deste primeiro volume, e de o tema em questão – as possessões demoníacas – não me fascinar, o argumento de Robert Kirkman consegue sempre agarrar-me e este primeiro volume deixa uma promessa de grande qualidade.

O desenho de Paul Azaceta é bastante bom, com muitos pormenores e expressões faciais bem retratadas. O traço rigoroso e a pluralidade de cores beneficiou o álbum, casando bem com a narrativa apresentada.

Avaliação: 8/10

Outcast (Image Comics):

#1: A Darkness Surrounds Him

Resumo Trimestral de Leituras #8

Chego ao final do ano com a sensação de objetivos cumpridos e um ano pleno de excelentes leituras. Este último trimestre foi rico em obras diversificadas, com algumas das melhores avaliações do ano a ocorrerem neste período. Podem ver a lista anual aqui e segue em baixo os livros lidos no último trimestre:

Proxy: Antologia Cyberpunk – Vários Autores

O Cavaleiro da Morte, Crónicas Saxónicas #2 – Bernard Cornwell

Fome de Vencer, Tony Chu: Detective Canibal #5 – John Layman e Rob Guillory

A Canção de Susannah, A Torre Negra #6 – Stephen King

Suíte do Apocalipse, Umbrella Academy #1 – Gerard Way e Gabriel Bá

As Primeiras Quinze Vidas de Harry August – Claire North

Saga Vol. 5 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

A Lâmina, A Primeira Lei #1 – Joe Abercrombie

Dallas, Umbrella Academy #2 – Gerard Way e Gabriel Bá

Prelúdios e Nocturnos, Sandman #1 – Neil Gaiman

Jardins da Lua, Saga do Império Malazano #1 – Steven Erikson

Casa de Bonecas, Sandman #2 – Neil Gaiman

Terra do Sonho, Sandman #3 – Neil Gaiman

Rei dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #2 – Mark Lawrence

The Horror in the Museum – H. P. Lovecraft

Aniquilação, Área X #1 – Jeff Vandermeer

The Walking Dead: The Alien – Brian K. Vaughan e Marcos Martin

Estação das Brumas, Sandman #4 – Neil Gaiman

O Terceiro Desejo, The Witcher #1 – Andrzej Sapkowski

sem-tituloO mês de outubro começou com a leitura de uma excelente coletânea de contos portugueses. Antologia da Editorial Divergência, Proxy: Antologia Cyberpunk conta com alguns dos autores nacionais mais talentosos. Reúne seis histórias mirabolantes passadas em mundos futuristas que conquistam pela originalidade. Todos os contos são protagonizados por mulheres; os que mais me agradaram foram Alma Mater de José Pedro Castro e Bastet de Mário Coelho. Logo depois li O Cavaleiro da Morte. O segundo volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell traz-nos um Uthred imaturo e intempestivo, que continua dividido entre o sangue saxão que lhe corre nas veias, e o fervor guerreiro dos viquingues, que o criaram. As contingências colocam-no do mesmo lado que Alfredo, o Rei saxão, e contra o seu irmão de criação. Uma escrita brilhante, um dos melhores romances históricos que já li.

sem-titulo-2Em Fome de Vencer, com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, a banda-desenhada Tony Chu: Detective Canibal volta a surpreender. Neste quinto volume, a filha de Tony Chu é raptada pelo terrível Mason Savoy, enquanto ele e o seu parceiro são despromovidos. Mais tarde, o próprio Chu é raptado por um jornalista desportivo, que quer usar os seus dons cibopáticos para descobrir os podres das principais estrelas de futebol. A Canção de Susannah é o penúltimo volume da saga visionária de Stephen King, A Torre Negra. Soberbo em toda a sua largura, King consegue oferecer um livro cheio de ação e suspense, dividindo o ka-tet (grupo de protagonistas) em três grupos. Susannah, grávida de um demónio, caminha para o parto na Nova Iorque de 1999; Jake, Oi e o Padre Callahan seguem as pistas na sua peugada, enquanto Roland e Eddie viajam para o passado, onde se encontram com um jovem escritor chamado Stephen King e o obrigam a escrever a história de A Torre Negra. Um livro cheio de referências e twists deliciosos, como o autor já nos habituou. Umbrella Academy (Vol. 1 e Vol. 2) é uma série de banda-desenhada divertidíssima, escrita pelo vocalista da extinta banda My Chemical Romance, Gerard Way, e com ilustrações do brasileiro Gabriel Bá. 43 crianças nascem do ventre de mulheres que não teriam dado qualquer sinal de gravidez, e todas mostram super-poderes. Ou… quase todas. Reginald Hargreeves, um cientista, recolhe 7 dessas crianças e educa-as na sua mansão, criando uma escola de super-heróis, The Umbrella Academy. Porém, as relações entre eles virão a fraturar-se, com o passar dos tempos. O segundo e último volume já publicado revelou-se ainda melhor que o primeiro.

sem-titulo-2Em novembro comecei por ler As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, livro de Claire North, pseudónimo da britânica Catherine Webb. Harry August é um jovem ruivo, fruto de uma violação, criado por um casal de origens humildes. Não sabe nada sobre as suas origens, até morrer. Mas Harry volta à sua data de nascimento, e poucos anos depois, tem consciência de que tudo aquilo já lhe aconteceu. Morte após morte, Harry volta ao ponto de partida, recordando-se de tudo o que ficou para trás. Certo dia, descobre que não é o único a possuir esse dom. Brilhante livro de suspense e mistério, contado na primeira pessoa, o livro perde por saltar de vida para vida como alguém que conta uma história e volta para trás por se ter esquecido de algum pormenor. Li também o quinto volume da série de banda-desenhada Saga, escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Mais uma vez brilhante, neste volume acompanhamos a demanda de Marko e Robot IV, declarados inimigos, em busca dos seus filhos raptados por Dengo, enquanto Gwendolyn e Marca procuram sémen de dragão para curar o freelancer Vontade. Claro está, cenas hilariantes, disparates, sexo e sátiras não faltam. Simplesmente delicioso.

sem-tituloHá muito que queria ler Joe Abercrombie e a trilogia A Primeira Lei. Sand dan Glotka foi em tempos um soldado promissor, mas a guerra inutilizou-lhe a perna e foi capturado pelo temido Império Gurkhul. Quando regressou, coxo e sem dentes, tornou-se um inquisidor, aplicando a tortura a prisioneiros para conseguir as confissões que mais fossem convenientes aos seus superiores. Logen Novededos é um guerreiro famoso no Norte, bárbaro sanguinário que incutiu massacres às ordens do terrível Bethod. Agora, com o advento de criaturas horripilantes no norte e a perda dos seus companheiros, Logen decide lutar contra Bethod. Jezal dan Luthar é um jovem capitão de linhagem nobre. Egoísta e vaidoso, prefere passar os dias a jogar e a embebedar-se, do que a cumprir os seus deveres. É Bayaz, o famigerado Primeiro dos Magos, que irá unir estes três homens tão diferentes, com um único propósito. A Lâmina não me conquistou, porque tinha as expectativas altas e esperava algo mais credível, ainda assim os personagens são incríveis, e a história promissora. Continuei o mês a ler boa fantasia. Escrito por Steven Erikson, Jardins da Lua é o primeiro volume da Saga do Império Malazano. O continente de Genabackis está sob fogo cruzado. De um lado, o Império em expansão, com os exércitos de Dujek Umbraço a ganhar terreno graças ao apoio dos moranthianos e dos Altos Magos. Do outro, as últimas cidades livres, com a proteção dos Tiste Andii liderados por Anomander Rake e Caladan Brood. A cidade de Pale é destruída e ocupada pelos homens de Umbraço; entre eles está o sargento Whiskeyjack, que inclui no seu pelotão uma recruta possuída por um Ascendente. Após o cerco a Pale, Darujhistan torna-se a única cidade livre. Repleta de personagens riquíssimos, Darujhistan é uma cidade governada por um conselho corrupto e por uma sociedade de assassinos, embora sejam os magos a deter o verdadeiro poder, vinculados a Anomander Rake. Um grupo de amigos que se reune frequentemente numa taberna torna-se o centro de toda a ação. Esta foi, de longe, a melhor leitura do ano de 2016.

sem-titulo-3Terminei novembro e comecei dezembro a ler a BD Sandman de Neil Gaiman (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4). Se o primeiro e o terceiro volumes da icónica série de banda-desenhada não me conquistaram, parecendo mantas de retalhos cheias de referências e com pouco conteúdo, o segundo e o quarto volumes apresentaram histórias bem amarradas, cheias de tramas paralelas que se entrelaçaram e revelações credíveis sobre os personagens apresentados. Prelúdios e Noturnos é focado no cativeiro em que o Senhor dos Sonhos esteve submetido, depois de ter sido convocado acidentalmente para o mundo real, onde permaneceu durante 70 anos sob uma redoma de vidro. Casa de Bonecas foca-se em várias mulheres (e no seu papel para a sociedade). Rose Walker é uma menina que, por uma qualquer estranha razão, causou um distúrbio no mundo dos sonhos, de onde fugiram vários pesadelos. Terra do Sonho divide-se em várias short stories intrigantes que, ainda assim, não me encheram as medidas, limitando-se a aumentar o significado simbólico da mitologia concebida por Gaiman.  O quarto volume, Estação das Brumas, foi melhor. Com genialidade, o autor humaniza o protagonista ao colocá-lo com problemas de consciência. Lúcifer comunica a Sonho que libertou todas as criaturas, e entrega-lhe as chaves do Inferno para que ele possa fazer dele o que quiser.

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Rei dos Espinhos é o segundo volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence. Aliando uma escrita cuidada e de qualidade a um background pós-apocalíptico cheio de deliciosas referências, Lawrence escreveu mais um livro com um dos personagens mais badass da fantasia moderna, Jorg Ancrath. No entanto, as boas ideias não conseguiram cativar-me. As várias linhas temporais confusas e uma condução de história deficiente e pouco credível desiludiram-me. Já o elegi The Horror in the Museum como o melhor conto que li este ano. Escrito por Lovecraft como ghost writer de Hazel Heald, apresenta-nos um protagonista cético que julga louco o escultor de um museu de cera, uma vez que este alega que as criações que apresenta não são esculturas mas sim monstros que caçou e enbalsamou. É uma fantástica narrativa que consegue inspirar ao leitor o mais profundo e inquietante dos terrores. The Alien é um volume isolado da BD The Walking Dead escrito por Brian K. Vaughan, o autor de Saga. Sem uma história propriamente original ou muito diferente, apresenta-nos dois personagens na cidade de Barcelona, no início da propagação do vírus. Apesar de pequeno e cliché, apresentou algumas surpresas.

sem-titulo-3Li este mês aquele que elegi o melhor livro de ficção científica deste ano. Primeiro volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer, Aniquilação é o relato de uma bióloga que se voluntariou para estudar uma área selvagem abandonada pelos humanos, depois de o seu esposo ter regressado de lá como uma sombra do que um dia foi. Envolvente e cheio de suspense, faz-nos pensar sobre os segredos da natureza e da evolução humana. A última leitura do ano foi O Terceiro Desejo. O primeiro volume de The Witcher apresenta uma sequência de contos protagonizados por Geralt de Rivia, um bruxo que mata monstros a troco de pagamento. Obstinado em afirmar que não trabalha como assassino a soldo, Geralt enfrenta vampiros, elfos e génios, num livro muito bem escrito por Andrzej Sapkowski. Para o ano há mais. Votos de um 2017 cheio de felicidades e boas leituras para todos os seguidores do blogue.

Saga #5

Muitos dos que se alistavam na causa faziam-no por causa de um sentido de dever genuíno. Outros iam em busca de aventura. Alguns fugiam de uma má situação. Quase todos eram pobres como a merda…

O texto seguinte pode conter spoilers do quinto volume da série Saga (Formato BD)

Extrapolando o conceito de space opera, recorrendo ao absurdo e ao hilariante, Saga é a brilhante banda-desenhada escrita por Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples. Em Portugal, a G Floy já publicou o quinto volume, que compreende os números 25 a 30 da edição original.

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Prancha do Volume 5 (G Floy)

Este quinto livro traz-nos para onde o quarto nos deixou. Marko e Robot IV em busca das suas famílias, Dengo mantendo Hazel, Alana e Klara como reféns, Gwendolyn, Marca e a pequena Sophie em busca de uma solução para curar Vontade.

Sucedem-se uma série de situações caricatas. Marko e Robot IV não conseguem esquecer a rivalidade entre os seus povos, mas as circunstâncias obrigam-nos a unir-se, se querem recuperar sãs e salvas as suas famílias. Gus e Yuma acompanham-nos ao longo da jornada, mas são mais as situações em que os atrapalham do que propriamente aquelas em que os ajudam. Enquanto o homem foca se revela crucial para encontrar as famílias sequestradas, graças à habilidade de localizar seres vivos, que utilizara frequentemente para encontrar os seus rebanhos de seres estranhos, Yuma transforma a viagem de Marko num pesadelo, usando drogas para lhe causar as mais variadas e estranhas visões.

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Gus (Image Comics)

Alana está disposta a tudo para salvar a sua família, e trabalha afincadamente para convencer o captor, Dengo, que compreende as suas motivações, tudo o que lhe foi roubado e está disposta a perdoá-lo, se os libertar. No entanto, só consegue fazê-lo vacilar tarde demais, quando ele os entrega a um grupo de sujeitos pouco recomendáveis, com intenções nada amistosas. Ainda assim, após uma série de percalços, Alana e Dengo (com o bebé de Robot IV) conseguem fugir da nave, certos que Klara e a pequena Hazel já estariam a salvo. No entanto, quando finalmente reencontram Marko e o príncipe Robot, percebem que a menina e a sua avó ainda se encontravam no interior do transporte inimigo…

Gwendolyn e Marca conhecem-se mutuamente. Enquanto a ex-noiva de Marko e a irmã de Vontade vão encontrando algumas semelhanças e interesses em comum, descobrem que a única forma de salvar Vontade do coma é com o sémen de um dragão. Levam muito tempo a descobrir um, na companhia da menina que um dia fora vendida como escrava e da Gata Mentirosa que pertencera ao freelancer. Quando finalmente encontram um dragão, Marca decide ser ela a aproximar-se para recolher o sémen, mas Sophie antecipa-se e acorda o animal involuntariamente. Tal imprecaução causa a morte a Marca, mas acabam por conseguir alcançar o objetivo e acordar Vontade do coma.

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Capa G Floy

SINOPSE:

Várias histórias se cruzam neste volume: Gwendolyn e a Gata Mentirosa arriscam tudo para tentarem encontrar uma cura para A Vontade, enquanto Marko e o Príncipe Robot IV se tornam aliados improváveis na busca dos seus filhos desaparecidos, presos num mundo estranho por terríveis inimigos.

Fantasia e ficção científica – e sexo, política, traição, morte, amor verdadeiro e reality shows – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples.

OPINIÃO:

Saga nunca desilude. Mais um volume repleto de bons momentos de humor e ação; bizarrices, caricaturas e gargalhadas. Este quinto volume traz-nos personagens que nos são familiares, e introduz mais alguns vilões.

Aliando a escrita ágil de Vaughan ao traço brilhante de Staples, a Image Comics produziu mais um maravilhoso relato das aventuras e desventuras de Alana, Marko e dos seus companheiros, numa luta entre planetas inimigos que recorrentemente se transforma numa luta pela própria sobrevivência, mantendo como principal foco o crescimento da pequena Hazel e a forma como todos à sua volta se adaptam a ela.

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O reencontro de Marko e Alana (Image Comics)

Provocador como sempre, o quinto volume traz-nos novas alianças e reencontros, transforma antigos vilões em heróis improváveis e questiona a lealdade e a fiabilidade de cada um, estejamos a falar de personagens que cometem erros sem pensar nas consequências, ou na visão generalizada, nas idiossincrasias e na repercussão em volta de uma atitude irrefletida. No fundo, o autor explora as fraquezas de cada um e redime-os de uma maneira peculiar.

A comédia é a arma forte de Vaughan nesta space opera de grande sucesso, usando-a como sátira para refletir questões mais graves, como a violência doméstica, o preconceito, o racismo, a intolerância e o uso de drogas. Mais um exemplar bem-sucedido de uma série que é já das minhas preferidas em bandas-desenhadas.

Avaliação: 8/10

Saga (G Floy Studio):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

Fome de Vencer, Tony Chu: Detective Canibal #5

Um dia lindíssimo. Soberbo. Fantástico. Absolutamente fabulástico.

– Estás despedido
O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Fome de Vencer”, quinto volume da série Tony Chu: Detective Canibal (Formato BD)
Com ilustração de Rob Guillory e argumento de John Layman, o quinto volume de Tony Chu: Detective Canibal, compreende os números 21 a 25 da edição original. Tal como os anteriores volumes, é publicado pela G Floy Studio Portugal.
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Chu, o cibopata
Aqueles que leram os anteriores volumes sabem de quem estamos a falar. Tony Chu é um agente especial da sub-divisão criminal da FDA, namorado de Amelia Mintz, uma jornalista gastronómica, e colega de John Colby, um pateta bem divertido. Mas nenhum deles se pode considerar “normal”.
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Tony possui um dom peculiar: ele consegue “ler” o percurso de vida de tudo o que come, e foi isso que o levou ao cargo que desempenha. A esse dom chama-se a cibopatia, capacidade que partilha com outros personagens, como por exemplo Mason Savoy, um antigo parceiro que é, atualmente, um criminoso altamente perigoso. A sua companheira, Amelia, tem a capacidade impressionante de fazer com que as pessoas que lêem os seus artigos fiquem a salivar pelas comidas de que escreve, e o seu colega Colby teve o rosto melhorado ciberneticamente, após um incidente com Chu que o desfigurou. Para além de ser o melhor amigo do protagonista, Colby é amante do chefe, Mike Applebee, pelo que está sempre nas suas boas graças. Applebee não gosta muito de Chu, e começa este volume a despedir os dois companheiros.
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As boas graças acabaram.
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John Colby, Mike Applebee e Tony Chy (Image Comics)
Novos sarilhos
Fome de Vencer começa com Applebee a despedir os dois companheiros, que são substituídos por um novo agente especial. Enquanto Colby foi destacado para a USDA, Chu é transferido para a divisão de tráfego municipal, sob a chefia de um tenente afável e simpático. Em pouco tempo, Chu torna-se popular, graças à reputação e dom da cibopatia. No entanto, a sua filha desapareceu.
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Quando recorre à FDA para procurar informações sobre ela no banco de dados, contacta um dos poucos em quem confia, Valenzano, mal sabe ele que este colabora com Mason Savoy no rapto da sua garota. Savoy foi o responsável pelo rapto, uma vez que suspeita que a filha de Chu seja ainda mais poderosa no dom da cibopatia que ele ou o agente, e pretende treiná-la para a usar nas suas intenções. Hershel Brown, escultor de chocolate, é procurado por ter concebido armas de chocolate usadas num rapto aéreo. Nesse momento, está a tentar vender uma arma laser de chocolate, quando Savoy decide usá-lo como isca, para desenvolver a rapariga nas suas capacidades cibopáticas. Por fim, ela decide colaborar com Savoy e tornar-se sua aluna.
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Também Tony Chu é feito refém. Não por Savoy, mas por Dan Franks, um escritor de desporto que trabalha com a sua namorada Amelia e já foi seu namorado. Dan quer usar o dom cibopático para descobrir todos os segredos das estrelas de futebol, e assim escrever um livro cheio de pormenores quentes e sórdidos sobre as estrelas mais famosas. Para isso, dá-lhe de comer membros decepados e outras coisas nojentas. Amordaçado e espancado, Chu apenas pode depositar as suas esperanças em Amelia, a única que pareceu estranhar o seu desaparecimento.
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Enquanto isso, Colby lida com uma chefe prepotente e o seu novo colega (um leão), que parece ganhar todos os louros. As coisas não correm bem no trabalho, até ganhar a afeição da chefe.
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Capa G Floy Portugal
SINOPSE:

Tony CHU, o detective cibopata com a habilidade de sentir impressões psíquicas de tudo o que come, foi raptado! Atacado de surpresa, puseram-no KO e levaram-no para um local remoto. Os seus raptores querem obrigá-lo a comer um conjunto de comidas específicas para descobrirem o que ele vê, e obterem pistas preciosas… E a sua filha, Olive, também foi raptada, e pelas mesmas razões. Dois raptores, dois prisioneiros, e dois resultados muito diferentes, nesta nova aventura de Tony Chu, detective canibal.

O quinto volume da série bestseller do New York Times, uma bizarra e divertida história sobre polícias, bandidos, cozinheiros, canibais e poderes paranormais. Imitadores de Elvis, esculturas de manteiga, raptos e membros decepados, tudo num só volume de banda desenhada!

OPINIÃO:

Extremamente simples e envolvente, o quinto volume de Tony Chu: Detective Canibal – vencedor de dois Prémios Eisner e dois Prémios Harvey – traz-nos o sabor da América extravagante, rude e complexa de valores. Fome de Vencer capta a toada leve da comédia fácil, envolvendo-nos numa sequência de acontecimentos paralelos que se completam entre eles. Deliciosamente divertido, este volume traz-nos raptos, desentendimentos, romances improváveis e motivos obscuros. O ridículo mistura-se com o quotidiano numa sátira disfarçada de entretenimento. Todos os motivos são bons para ler Tony Chu, a comédia policial mais extrovertida do mercado.

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Chew (Image Comics)

É com os ingredientes certos que se fazem grandes composições finais, e esta banda-desenhada tem vindo a agradar-me em todos os aspetos, recorrendo a situações clichés, ao ridículo e ao bizarro, para encantar o seu público. É a vertente cómica dos personagens, e a representação de um mundo real “desconfigurado”, que eleva a sensação de leitura. É difícil ler Tony Chu: Detective Canibal, sem um sorriso nos lábios. O argumento de John Layman não precisa ser muito complexo, coerente ou aparatoso. Ele conquista-nos com a simplicidade.

A nível gráfico, Rob Guillory continua a mostrar o traço “caricatural” a que nos habituou. Atrativo em cores e em lápis, Fome de Vencer apresenta uma diagramação simples, vinhetas pertinentes e sequências de fácil interpretação. Não só casa bem com a história, como obedece a todas as exigências, rematando um todo bem elaborado. Que venham mais edições desta história que é já uma das minhas preferidas da atualidade.

Avaliação: 8/10

Tony Chu: Detective Canibal (G Floy Studio Portugal):

#1 Ao Gosto do Freguês

#2 Sabor Internacional

#3 Enfarda Brutos

#4 Sopa de Letras

#5 Fome de Vencer

#6 Bolos Janados