A Divulgar: “A Fome” e “O Cavaleiro Misterioso” pela Saída de Emergência

E logo a 8 de junho, a Saída de Emergência tem mais duas novidades. A primeira delas é A Fome, um romance intenso sobre uma campanha no Oeste Americano que correu mal, comprometendo a empresa da família Donner. Terão as causas desse acidente origens naturais? Alma Katsu é uma autora de nacionalidade norte-americana e japonesa, que conta como ninguém o drama de uma família e os efeitos sobrenaturais que pairam sobre ela. Uma espécie de The Terror no Velho Oeste.

O Cavaleiro Misterioso é mais uma daquelas novelas gráficas que servem como prequela a A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin, narradas pela incrível dupla Dunk e Egg. Com arte de Mike S. Miller e adaptação de Ben Avery, O Cavaleiro Misterioso retoma a publicação da BD passada em Westeros pela Saída de Emergência, oferecendo o livro A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister a quem comprar pelo site.

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SINOPSE:

Um relato tenso e fascinante sobre a trágica expedição no Oeste americano que levou a um dos maiores desastres da história da América

Tamsen Donner deve ser uma bruxa. É a única explicação para a série de azares que têm afetado a caravana Donner, que se arrasta pelas áridas extensões do Oeste americano. Falta de comida, violência e a morte misteriosa de uma criança levam os pioneiros à beira da loucura.

Pior: não se conseguem libertar da sensação de que alguém — ou algo — os está a perseguir. E quando membros da expedição começam a desaparecer, todos os vestígios de sanidade e civismo se perdem.

Baseado em factos verídicos, esta é a saga de 90 homens, mulheres e crianças que sofreram um dos maiores desastres da exploração do Oeste americano. Foram apenas as circunstâncias do acaso ou algo desesperado, doente e esfomeado causou a ruína de todos?

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG Nº: 291
Data 1ª Edição: 08/06/2018
ISBN: 9789897731105
Nº de Páginas: 320
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

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SINOPSE:

Cem anos antes de A Guerra dos Tronos, o cavaleiro Sor Duncan e o seu fiel escudeiro Egg vivem as maiores aventuras nos Sete Reinos.

Vivem-se tempos estranhos em Westeros. No trono de ferro senta-se o Rei Aerys I, mas as tensões persistem após uma rebelião fracassada no seio da dinastia Targaryen. Nestes tempos incertos, Sor Duncan, o Alto – Dunk para os amigos –, e o seu valoroso escudeiro Egg viajam pelos Sete Reinos, alcançando grandes proezas, sempre com a preocupação de manterem secreta a linhagem real de Egg.

A caminho de Winterfell, Dunk e Egg são convidados para um banquete de casamento e um torneio invulgar e lucrativo. O vencedor irá conquistar um precioso ovo de dragão. Mas por trás de uma fachada festiva esconde-se uma conspiração de traidores, e não faltará a aparição de um cavaleiro misterioso que irá lançar o caos e trazer má fortuna ao casamento…

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG Nº: 290
Data 1ª Edição: 08/06/2018
ISBN: CAVALEIROIRONIA
Nº de Páginas: 160
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

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A Divulgar: “Fire and Blood” de George R. R. Martin em Novembro

Bad news! George R. R. Martin confirmou que The Winds of Winter, o tão aguardado sexto volume das Crónicas de Gelo e Fogo, não sairá este ano. Mas… quem é que acreditava realmente que sairia? O autor norte-americano garantiu que retornará agora para a escrita do infindável livro, ainda que me pareça um milagre que ele venha a sair em 2019. Não obstante, o autor trouxe novidades para quem quer ler mais sobre o mundo de Westeros.

Fire and Blood é o nome do novo livro do escritor, que será lançado internacionalmente a 20 de novembro, pelas mãos da Bantam. Será uma história Targaryen passada 300 anos antes dos eventos de A Guerra dos Tronos, e será o primeiro volume de uma enciclopédia sobre aqueles icónicos personagens, contendo ilustrações de Doug Wheatley. Fiquem com a informação oficial e o trabalho de capa.

The thrilling history of the Targaryens comes to life in this masterly work by the author of A Song of Ice and Fire, the inspiration for HBO’s Game of Thrones.

With all the fire and fury fans have come to expect from internationally bestselling author George R. R. Martin, this is the first volume of the definitive two-part history of the Targaryens in Westeros.

Centuries before the events of A Game of Thrones, House Targaryen—the only family of dragonlords to survive the Doom of Valyria—took up residence on Dragonstone. Fire and Blood begins their tale with the legendary Aegon the Conqueror, creator of the Iron Throne, and goes on to recount the generations of Targaryens who fought to hold that iconic seat, all the way up to the civil war that nearly tore their dynasty apart.

What really happened during the Dance of the Dragons? Why did it become so deadly to visit Valyria after the Doom? What is the origin of Daenerys’s three dragon eggs? These are but a few of the questions answered in this essential chronicle, as related by a learned maester of the Citadel and featuring more than 80 all-new black-and-white illustrations by artist Doug Wheatley. Readers have glimpsed small parts of this narrative in such volumes as The World of Ice & Fire, but now, for the first time, the full tapestry of Targaryen history is revealed.

With all the scope and grandeur of Gibbon’s The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, Fire and Blood is the ultimate game of thrones, giving readers a whole new appreciation for the dynamic, often bloody, and always fascinating history of Westeros.

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Fonte: https://www.barnesandnoble.com/blog/sci-fi-fantasy/everything-we-know-about-the-new-george-r-r-martin-book-fire-and-blood/

Estive a Ler: Sonho Febril

As horas passavam em silêncio, um silêncio entretecido de medo.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO SONHO FEBRIL

Publicado em 1982, Fevre Dream é um dos romances mais conhecidos de George R. R. Martin, o famoso autor de As Crónicas de Gelo e Fogo. Nomeado para o Locus e para o World Fantasy Award em 83, o livro foi publicado em Portugal pela Saída de Emergência em 2010, mas este ano a editora dedicou-lhe uma novíssima edição com uma capa bem mais atrativa.

Com um total de 400 páginas, o romance stand alone de George R. R. Martin é uma das apostas da Coleção Bang! deste ano e convida os amantes do fantástico e do sobrenatural a conhecerem a lenda do Fevre Dream e a sua jornada inesquecível pelo grandioso Rio Mississipi. Foi traduzido em Portugal como Sonho Febril por Ana Mendes Lopes.

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Fonte: https://boingboing.net/2016/06/30/george-rr-martins-fevre-dr.html

Não sou fã de histórias de vampiros, sobretudo quando o mercado foi fustigado por histórias juvenis centradas em triângulos amorosos e narrativas com pouca inventividade, mas a verdade é que não é uma área que me apaixone por completo. Li um livro de Anne Rice há tanto tempo que nem do título me lembro, e o único que me marcou foi mesmo o Dracula de Bram Stoker, que “por acaso” tornou-se uma das maiores referências do género. Sonho Febril quebra o paradigma.

“Sonho Febril cumpriu o seu papel, aliando aspetos pedagógicos ao entretenimento puro e duro que o livro carrega.

Muito mais próximo de um Bram Stoker do que de uma Stephanie Meyer, George R. R. Martin publicou no início dos anos 80 um livro que só agora tive a oportunidade de ler, muito embora já ande há anos pelas nossas livrarias. A premissa deixa antever uma sucessão de coisas, mas fui surpreendido e bem surpreendido no decorrer da leitura. Afinal, é George R. R. Martin, um dos melhores escritores do nosso tempo, e melhor que isto é difícil de esperar para um livro escrito há trinta e cinco anos atrás.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/sonho-febril-2018/

Sonho Febril não tem uma escrita tão elaborada e uma narrativa tão densa quanto Martin nos presenteia nas Crónicas de Gelo e Fogo, mas é realmente difícil fazê-lo num romance isolado. Ainda assim, o livro é muito, muito bom. De um lado temos a visão histórica que perpassa os anos da escravidão, da guerra e do abolicionismo, oferecendo-nos uma panorâmica única sobre os desfiles de embarcações ao longo do Mississipi e dos seus afluentes.

Conhecemos ainda a modorra das tripulações e a excentricidade dos capitães, obcecados com a fama e o sucesso das suas viagens, mas também com a expectativa de ultrapassar a concorrência em corridas fluviais. Por outro lado, o fantástico. Martin entretece bem a visão trivial dos vampiros na realidade histórica, alinhavando a poesia de Lorde Byron à ficção e oferecendo uma nova perspectiva sobre os sugadores de sangue. Esta nova mitologia invoca os vampiros como uma raça e não como um estado pós-mortem, o que foi bem delineado e fundamentado pelo autor, assim como os seus modos de vida e respectivas justificações.

Mas, mais do que uma ficção credível e uma panorâmica intensa e palpável, George R. R. Martin oferece-nos personagens riquíssimas. Valerie, Damon Julian ou mesmo os mais secundários Billy Tipton, Jonathan Jeffers e Karl Framm são excelentes adições do ponto de vista da intriga e do drama, mas são os dois protagonistas que levam a história às costas e lhe dão a paixão vibrante que enobrece o livro. São a alma dele, e é deles este Sonho Febril.

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Fonte: https://zacharyfeore.deviantart.com/art/Fevre-Dream-548357667

Joshua York é um sujeito estranho e bem vestido que visita o velho capitão e lhe propõe um negócio. Ele dispõe-se a realizar o sonho do homem, construir uma grande embarcação de recreio, capaz de ombrear com o famoso Eclipse na travessia do Rio Fevre, em troca de ser seu sócio e deixar acompanhá-lo, sem questionar a estranheza dos seus costumes. As reticências do capitão são ultrapassadas e a grande embarcação é construída, o imponente e orgulhoso Fevre Dream.

“A interação entre estes dois personagens é alquimia pura para o leitor.”

Pouco a pouco, porém, este capitão que viu os seus sonhos tornarem-se realidade, transferindo-se de um velho barco de pequeno calado para um gigante dos rios, começa a pensar se o seu sonho não será, na realidade, um pesadelo. Porque os hábitos do seu sócio são realmente estranhos. Ele só sai da sua cabina à noite, e por vezes ausenta-se do barco por dias, para depois colecionar recortes de jornais que falam de brutais assassinatos ocorridos nos mesmos locais por onde perambula.

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Fonte: https://comicvine.gamespot.com/damon-julian/4005-39191/

A interação entre estes dois personagens é alquimia pura para o leitor. Mas nem o fascinante Joshua York é uma personagem tão incrível quanto o capitão, experiente, feio e cheio de defeitos. Abner Marsh é uma das melhores criações de George R. R. Martin, um homem cheio de sonhos, de atitudes e de genica, uma força da natureza que não se ilude com aquilo que vê, um homem com pensamento estratégico e uma dureza e tenacidade que roçam a loucura.

Se estão à espera de um protagonista humano que se acobarde com as primeiras visões de vampiros, esqueçam. Para Marsh, a natureza dos seus inimigos é de somenos importância; embora seja surpreendido e seja obrigado a rever aquilo que tomou como certezas, a sua principal preocupação e obsessão é que deixem o barco em paz, caso contrário terão que lhe prestar contas.

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Fonte: https://idaselidas.wordpress.com/2016/04/12/sonho-febril-george-r-r-martin/

As mensagens sub-reptícias que Martin imprimiu na sua obra falam muito sobre tolerância, sobre o respeito por outras espécies, falam sobre os limites entre o bem e o mal e as idiossincrasias de cada um na relação com o outro, mas também promove a certeza de que cada espécie possui criaturas de índoles distintas. Nesse sentido, Sonho Febril cumpriu o seu papel, aliando aspetos pedagógicos ao entretenimento puro e duro que o livro carrega.

As cenas de maior ação são bem visuais, intercaladas nas doses certas com os momentos de maior pendor espiritual ou contemplativo, mas funcionando muito bem no seu todo. O livro acabou por não trazer nada de muito novo, talvez por tornar-se expectável da metade para o fim, mas foram muitas as reviravoltas que o enredo trilhou, um caminho sempre bem diferente, para melhor, do que eu havia imaginado ao ler a sinopse. Sobretudo graças ao carisma incrível do protagonista.

Avaliação: 8/10

A Divulgar: “Sonho Febril” e “A Canção da Espada” pela Saída de Emergência

É já a 23 de fevereiro que sairá uma nova edição do livro lançado em 2010 pela Saída de Emergência. Da autoria de George R. R. Martin, o conhecido autor de A Guerra dos Tronos, Sonho Febril é um livro sobre vampiros protagonizado por Abner Marsh, um capitão falido mas respeitável, que é abordado por um misterioso aristocrata chamado Joshua York, que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos.

A 2 de março ficará disponível o quatro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell. A Canção da Espada retoma as batalhas épicas de Uthred de Bebbanburg, batalhas emocionantes e cheias de vida como só o autor britânico sabe narrar. A Canção da Espada virá acompanhada, para quem comprar o livro pelo site da Saída de Emergência, do livro A Águia do Império de Simon Scarrow, como oferta. Só boas razões para apostar nesta editora.

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Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG
Data 1ª Edição: 23/02/2018
ISBN: 9789897730917
Nº de Páginas: 400
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:

Venha conhecer a lenda do Fevre Dream e a sua jornada inesquecível pelo grandioso rio Mississípi.

Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, um capitão falido mas respeitável, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão caprichosos pareçam os seus actos.

Mais tarde, quando navegam o rio, rumores aparecem sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada e tem amigos nunca vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream aparece um rasto de corpos… Ao aperceber-se de que embarcou numa viagem cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.

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Chancela: Saida de Emergência
Data 1ª Edição: 02/03/2018
ISBN: CANCAOIMPERIO
Nº de Páginas: 320
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:

Numa Inglaterra dominada por senhores de guerra, eis que chega uma história envolvente de amor, traição e violência.

Corre o ano de 885 e a Inglaterra está em paz. Uhtred, saxão por sangue viking por natureza, parece ter assentado. Possui terras, tem uma esposa, dois filhos e um dever que lhe foi atribuído pelo rei Alfredo: defender a fronteira do Tamisa.

Mas os problemas espreitam: um homem voltou dos mortos e hordas de vikings chegaram para atacar Londres, convidando Uhtred a juntar-se-lhes. Alfredo tem ideias opostas: quer que Uhtred expulse esses saqueadores.

São tempos perigosos, e Uhtred tem de decidir a quem vai ser fiel. Até porque tudo se complica quando a filha de Alfredo casa e se torna uma ameaça ao reino do próprio pai. Será a lealdade incerta de Uhtred a decidir todo o futuro de Inglaterra?

As Escolhas de 2017

O ano de 2017 está à beira do fim e chegou a altura dos balanços literários. De modo geral, acabou por ser um ano sensivelmente idêntico ao anterior, com mais de 90 leituras no seu todo, embora este ano tenham sido significativamente mais livros e menos BDs que no ano pretérito, conforme podem conferir na minha listagem de leituras de 2017. 44 livros de bandas desenhadas, 44 livros em prosa e mais alguns contos soltos perfazem um ano cheio de surpresas e boas leituras.

Robin Hobb (6 livros), Neil Gaiman (7 BDs e 2 livros), Brandon Sanderson (2 livros, 1 BD e 1 conto) e Robert Kirkman (5 BDs) foram os autores que mais li este ano, mas vários foram aqueles de que repeti a “dose”. Conheci nomes como Patrick Rothfuss (li tudo o que havia do nosso Kvothe), Michael Moorcock (três volumes de Elric), Jon Skovron (dois volumes de Império das Tormentas), Brent Weeks (dois volumes de Anjo da Noite) e Noelle Stevenson (Nimona) e terminei várias séries que tinha em suspenso, como a Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, A Primeira Lei de Joe Abercrombie ou A Torre Negra de Stephen King.

Fiquem, então, com as minhas escolhas literárias do ano de 2017.

MELHOR LIVRO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Praticamente empatado com A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North nas minhas preferências literárias de 2017, O Assassino do Bobo talvez tenha a vantagem de pertencer ao género que mais me agrada, a fantasia épica. Profundo, dramático, bem desenvolvido e até enternecedor, o primeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb foi a minha melhor leitura do presente ano. Na minha escolha, pesou também o facto de ter lido os 5 livros da série anterior este ano, e todos com nota elevada. Hobb merece a medalha de ouro.

MELHOR FANTASIA

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Pensei seriamente que seria mais difícil escolher o melhor livro de fantasia do ano, quando a pouco mais de um mês para o final, Robin Hobb facilitou-me a tarefa. Ainda assim, foi um ano fantástico para mim como amante do género. Deslumbrei-me com Elantris e Warbreaker de Brandon Sanderson, amei os livros da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss e ainda tive direito à primeira parte de Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson.

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA

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A Súbita Aparição de Hope Arden, Claire North

aqui a opinião

Quem também me facilitou a tarefa foi Claire North, com algumas ressalvas. Este livro está normalmente catalogado num sub-género de Fantasia, magia urbana, é também um thriller mas, acima de tudo, a trama gira em torno de uma aplicação futurista para smartphones, o que justifica encontrá-lo tantas vezes vinculado à FC, e razão pela qual acabei por incluí-lo nesta categoria. O romance venceu o The World Fantasy Award 2017 com todo o mérito. No entanto, leituras como Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe Silva, Autoridade de Jeff VanderMeer, Os Despojados de Ursula K. Le Guin e a space opera Saga (formato BD) de Brian K. Vaughan e Fiona Staples também me ficaram na retina.

MELHOR HORROR

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Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe, Edgar Allan Poe

aqui a opinião

Entre alguns contos de Robert E. Howard e BDs como Harrow County e Outcast, acabou por ser esta lindíssima coletânea da Saída de Emergência, com ilustrações de 28 artistas nacionais, o livro que mais me marcou dentro do género Horror em 2017. Os contos que mais me agradaram foram “A Queda da Casa de Usher” e “Os Crimes da Rua Morgue”. Em 2018 espero ler mais histórias dentro deste género especulativo.

MELHOR ROMANCE HISTÓRICO

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Um Mundo Sem Fim, Ken Follett

aqui e aqui a opinião

Uma vez mais, a minha escolha no género Romance Histórico ficou dividida entre Ken Follett e Bernard Cornwell, acabando por ser o primeiro a vencer. Embora ambos sejam ótimos, a escrita de Follett encanta-me com uma profundidade a que o autor das Crónicas Saxónicas ainda não me conseguiu chegar. Um Mundo Sem Fim, dividido em Portugal em dois volumes, foi publicado pela Editorial Presença, enquanto o terceiro volume das Crónicas de Cornwell, Os Senhores do Norte, chegou até nós pelas mãos da Saída de Emergência.

MELHOR ANTOLOGIA / COLETÂNEA

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Mulheres Perigosas, Organização George R.R. Martin e Gardner Dozois

aqui a opinião

Embora tenha lido algumas coletâneas de contos, esta acabou por ser a melhor antologia que li em 2017. Permeada de autores renomeados como Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Brandon Sanderson, Joe Abercrombie e Megan Abbott, a antologia da Saída de Emergência oscilou entre os contos muito bons e outros menos. Sam Sykes foi a grande surpresa do conjunto e George R. R. Martin voltou a mostrar aquilo que vale.

MELHOR CONTO

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Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno, Brandon Sanderson

aqui a opinião

Incluído em Mulheres Perigosas, o conto “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno” foi não só o melhor conto da antologia, como o melhor que li em 2017. Ambientada no universo da Cosmere, a história de uma mulher cheia de recursos que gere uma estalagem numa floresta prenhe de fantasmas cativou-me. Mais um pequeno exemplo de que Brandon Sanderson é um dos autores que deve, urgentemente, voltar a ser publicado em Portugal. Destaque ainda para o ciclo de leituras em que estou a participar, no qual revisito vários dos contos de Robert E. Howard, que merecem as minhas menções de honra.

MELHOR BANDA-DESENHADA

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Saga Volume 7, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

aqui a opinião

Este ano, Saga conseguiu suplantar The Walking Dead como a minha BD favorita, embora ambas continuem ótimas. Se o volume 6 da space opera já me havia fascinado, no 7.º o enredo só melhora. Resta-me enaltecer o trabalho da G Floy Studio neste segmento. Num ano em que li mais de 40 BDs, entre elas toda a coleção Sandman de Neil Gaiman, livros como A Garagem Hermética e A Louca do Sacré-Coeur de Moebius, acabaram por ser as BDs da Image Comics que a G Floy tem trazido até nós a marcarem-me.

Wytches, The Witched + The Divine, a trilogia Velvet, Southern Bastards, Tony Chu: Detective Canibal e Outcast são alguns dos destaques do ano, e provas de que a G Floy está a crescer a olhos vistos. Quero, porém, deixar ainda um louvor para as excelentes Nocturno de Tony Sandoval (Kingpin), Monstress: Despertar de Marjorie Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência), Nimona de Noelle Stevenson (Saída de Emergência) e Como Falar Com Raparigas em Festas de Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá (Bertrand).

MELHOR LANÇAMENTO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

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Não podia deixar de vencer em todas as categorias em que se insere. O Assassino do Bobo foi lançado em maio pela Saída de Emergência, mas só em novembro é que o li, porque ainda me faltava ler a segunda série protagonizada por Fitz antes de mergulhar nesta terceira. Ainda assim, este ano foi fantástico em lançamentos, nomeadamente pela Saída de Emergência no que diz respeito à fantasia e também com a sua nova incursão no mundo das bandas-desenhadas. Outros livros que foram lançados este ano e merecem o meu destaque, mas não só a nível nacional como internacional, foram Origem de Dan Brown (Bertrand) e Mitologia Nórdica de Neil Gaiman (Editorial Presença), que li neste último semestre do ano.

MELHOR NACIONAL

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Terrarium, João Barreiros e Luís Filipe Silva

aqui a opinião

2017 foi mais um ano com espaço para a literatura nacional. Li a antologia Os Monstros que nos Habitam (que inclui um conto meu), A Nuvem de Hamburgo de Pedro Cipriano, Anjos de Carlos Silva, Moving, Fighting the Silent e Mission in the Dark de Bruno Martins Soares, La Dueña de José Augusto Alves e Conquista da Liberdade de Jay Luis, mas foi a nova edição de Terrarium, revista e aumentada pelos dois autores, e publicada pela Saída de Emergência, que mais me agradou. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os mestres da FC no nosso país e merecem todo o destaque que lhes possa ser dado, para que o seu talento possa chegar a mais e a mais pessoas.

Deixo-vos com os mais sinceros votos de um ano de 2018 cheio de boas surpresas e que para o próximo ano continuem a acompanhar as minhas indicações literárias. Boas leituras para todos.

Estive a Ler: Mulheres Perigosas

Aquilo a que os colonos chamavam de “vão branco” era uma secção da estrada ladeada por campos de cogumelos. Levaram cerca de uma hora pelas Florestas para alcançarem o vão e Silêncio, quando chegou, estava a sentir o preço de uma noite sem sono.

O texto seguinte aborda o livro Mulheres Perigosas

Depois de, em finais de 2015 e meados de 2016, a Edições Saída de Emergência ter lançado em dois volumes a célebre antologia Rogues organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, com os títulos Histórias de Aventureiros e Patifes e Histórias de Vigaristas e Canalhas, a editora volta a apostar na série de antologias organizadas pelos célebres autor e editor. Mulheres Perigosas traz até nós vários dos contos apresentados no original Dangerous Women, mas ainda é uma incógnita se os restantes serão publicados, como aconteceu com a anterior antologia.

Com tradução de Rui Azeredo e um volume de 448 páginas, a mais recente antologia da Coleção Bang! traz até nós uma panóplia de contos de alguns dos maiores autores no campo da Ficção Especulativa atual. O original foi publicado originalmente em dezembro de 2013, cruzando géneros como a ficção científica, a fantasia, o mistério, o romance paranormal, o thriller psicológico e o western, embora a peça uniforme em todos eles seja o tema que dá título ao livro: a mulher perigosa. E quem melhor para nos falar delas que o renomeado autor de A Guerra dos Tronos?

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Fonte: http://www.businessinsider.com/george-rr-martin-role-of-religion-got-game-of-thrones-westeros-2015-4

No cômputo geral, a antologia prima pela variância de géneros literários e de estilos linguísticos, mas acima de tudo tem o mérito de, ao falarem sobre o mesmo tema, os contos não caírem na repetição. Todas as histórias têm uma alma própria e os plots dizem muito dos seus autores, mais até do que sobre as mulheres perigosas. Cada conto, por si só, podia ser o preâmbulo de um livro que eu, pessoalmente, não me importaria de ler. Ainda assim, claro está, acabei por preferir os contos de fantasia, talvez por ser o género que nos dias de hoje mais me apaixona.

Mulheres Perigosas é uma oferta bem consistente da Edições Saída de Emergência ao público nacional. Dos traços mais contemporâneos aos cenários mais vintage, os vários contos coligidos por George R. R. Martin e Gardner Dozois parecem apelar ao interesse de variados públicos, o que vai, sem qualquer dúvida, fazer com que os fãs de cada género elejam certamente dois ou três contos em detrimento dos restantes e, por natureza, influenciar negativamente a avaliação do livro no seu todo. Mas essa é, porém, uma consequência que não rouba o mérito à antologia.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/-mulheres-perigosas/

O primeiro dos contos apresentados é Completamente Perdida de Joe Abercrombie. Ambientado no mundo de A Primeira Lei, Red Country e Best Served Cold, a história apresenta Shy South, a protagonista de Red Country, num cenário de faroeste. Apercebi-me que se passava no mundo da trilogia A Primeira Lei pela referência à moeda (o marco) e à União, mas mais tarde percebi que o próprio conto era o spin-off de um romance, o que justifica, talvez, a falta de um maior worldbuilding por parte do autor. O conto está bem escrito e puxa pelo leitor, mas mais um final em aberto deixa-me a ideia que Abercrombie está determinado em frustrar os seus leitores. Faltou ali um plot-twist e um pouquinho mais de sal para o conto me encher as medidas.

“E quem melhor para nos falar delas (mulheres perigosas) que o renomeado autor de A Guerra dos Tronos?”

Megan Abbott escreveu para esta antologia o conto Ou o Meu Coração Está Destroçado. Muito ao estilo de Gillian Flynn, este conto de pressão psicológica apresenta-nos o casal Lorie e Tom Ferguson e fala-nos sobre o desaparecimento da pequena Shelby, a filha deles. O conto passou muito por levar o leitor a olhar para a esposa como a “mulher perigosa” da trama, apostando muito no julgamento público para tentar um volte-face final que, não só não surpreendeu, como quis ser mais do que foi. História bem ok, ganha a Flynn em termos de escrita.

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Fonte: https://www.joeabercrombie.com/2013/06/10/lamb-shy-and-essential-fantasy/

O conto As Mãos Que Não Estão Lá é a única história de ficção científica deste volume. Escrita por Melinda M. Snodgrass, que participou, entre outras, na série Star Trek: The Next Generation, situa-nos num bar onde o segundo-tenente da Liga Solar Tracy Belmanor ouve uma história mirabolante da boca de um alcóolico. Rohan narra a forma como se apaixonou pela mestiça cara / humana Samarith, uma stripper mais conhecida como Sammy, e as consequências que daí resultaram. Muito bem escrito e envolvente, só pecou por exagerar na ridicularização do comportamento sexual dos homens.

Raisa Stepanova é o conto de Carrie Vaughn. Apesar de gostar desta autora, que para além de escrever bem consegue ser extremamente credível na criação e desenvolvimento das suas histórias, este conto passou-me muito ao lado. Ele fala sobre uma jovem piloto de caças russa na Segunda Guerra Mundial, nas cartas que enviava ao irmão e nas suas melhores amigas: a colega Inna e o seu próprio Yak. Foi um conto que caiu muito para o romântico, mas valeu sobretudo pela forma como a autora contextualizou os personagens.

Escrito por Lawrence Block, Eu Sei Escolhê-las a Dedo foi o pior conto da antologia. Ainda que estivesse relativamente bem escrito, o tom degradante e as revelações doentias sobre o passado do personagem central, Gary, foram o mote para uma série de descrições eróticas desnecessárias. O conto caiu no banal e a resolução final soou forçada. Para além de as mulheres perigosas deste conto não o serem tanto quanto foi o protagonista. Fica a sensação que o autor queria escrever sobre um personagem com tendência para escolher as mulheres erradas, mas acabou por fazer o inverso e a história soou fraca.

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Fonte: https://www.amazon.co.uk/Dangerous-Women-George-R-R-Martin/dp/0007549407

O conto de Brandon Sanderson é mais uma viagem alucinante ao universo da Cosmere. Passado no mundo de Threnody, o conto Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno é, de longe, o melhor da antologia. Enquanto os ricos vivem protegidos em fortes, as florestas são lar de espíritos de olhos verdes que devoram quem quer que faça barulho ou derrame sangue nos seus territórios. Mas aqueles domínios são frequentemente cruzados por mercadores, comerciantes, e é num desses caminhos tortuosos que fica a estalagem de Silêncio Montane, uma boa mulher que pode esconder alguns… esqueletos no armário. História bem escrita e bem desenvolvida, embora confesse que esperava um final mais Woow!

“O conto de Brandon Sanderson é mais uma viagem alucinante ao universo da Cosmere. Passado no mundo de Threnody, o conto «Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno» é, de longe, o melhor da antologia.”

Uma Rainha no Exílio de Sharon Kay Penman foi um conto aborrecido. Embora a história de Constança de Hauteville e do seu esposo Henrique von Hohenstaufen, Rei da Germânia e herdeiro do Sacro Império Romano-Germânico seja bastante interessante, a forma documental como foi contada deu-me sono. Para além de que a mulher só se revela realmente perigosa… na nota de autora final. Faltou-lhe aqui muita coisa para me agradar.

Passado no mundo de Os Mágicos, a obra mais conhecida do autor Lev Grossman, A Rapariga no Espelho foi um conto engraçado e juvenil. A escrita revelou-se competente e o mundo uma clara “imitação” de Harry Potter, com uma pequena e deliciosa referência a Hermione Granger. Passada na escola de Brakebills, fala de como a presidente da Liga, Plum, investiga a razão por que Wharton anda a servir muito pouco vinho às refeições. Simples e dinâmico, serviu para entreter mas só.

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Fonte: http://mirandameeks.com/portfolio/brandon-sanderson-book-cover/

Chegamos então àquele que foi, para mim, a maior revelação da antologia. Eu já conhecia o trabalho de Sam Sykes pelas redes sociais e plataformas digitais, mas nunca tinha lido nada dele. Ao ter o primeiro contacto com a sua prosa, adorei. Posso dizer que a sua escrita bastava para tornar este conto um dos meus preferidos da antologia. Mas houve mais. O filho de Diana Gabaldon trouxe em Dar Nome à Fera uma das suas criações literárias, os shicts. Eles assemelham-se a elfos com ar de índios, mas talvez sejam mais parecidos ainda aos na’vi do filme Avatar.

Sam atira-te para um ritual de iniciação inusitado, não te entrega a história e obriga-te a um esforço permanente para não te sentires perdido. Todo narrado pelo ponto de vista da shict Kalindris, em dois planos temporais distintos, o conto faz-nos temer as feras para surpreender quando elas são finalmente reveladas e fazer-nos questionar quem é quem. A questão que permeia o terço final do conto fica sem resposta, mas a ideia que passa é que os povos estão tão agarrados às suas tradições que aquilo que fazem é justificável por si só porque tal faz parte da sua identidade.

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Fonte: http://www.samsykes.com/lost-pages/shicts/

As Mentiras Que A Minha Mãe Me Contou é o penúltimo conto da antologia. Passada no ambiente da série antológica de George R. R. Martin Wild Cards, a história de Caroline Spector apresenta-nos os Wild Cards Michelle, que projeta bolhas, Joey, fabricante de zombies, e ainda Adesina, uma menina cujo rosto pende de um corpo de inseto mas ainda assim pergunta-se se será cortejada pelos colegas de escola. Uma história divertida, simples e leve, mas que, talvez por não ser bem o meu género, e ser bem longa, não me agradou por aí além.

A antologia termina com a maior de todas as histórias do livro. A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes, de George R. R. Martin, conduz-nos ao mundo de A Guerra dos Tronos, para narrar o período conhecido como A Dança dos Dragões. O rei Viserys I Targaryen deixou claro que o Trono de Ferro seria herdado pela filha mais velha, Rhaenyra, filha única do seu primeiro matrimónio, mas quando morre, nem a sua viúva, a Rainha Alicent, nem o filho de ambos, Aegon II, nem mesmo a Mão do Rei, Sor Criston Cole, parecem dar grande consideração a tal facto, pois é inconcebível que o trono seja tomado por uma mulher. Assim, Rhaenyra e Aegon começam uma batalha incrível que colocará todos os Sete Reinos em sentido.

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Fonte: http://char-portraits.tumblr.com/post/142748682337/fire-and-blood-by-ludvikskp

A história é enorme e contada de forma meio documental, com o discurso direto usado pontualmente. Confesso que prefiro, muito mas muito mais, os pontos de vista usados por Martin nas suas Crónicas. Mas, se o conto de Sharon Kay Penman, narrado desta forma, não me aliciou minimamente, posso dizer que George R. R. Martin agarrou-me sobremaneira e só consegui largar a história ao último parágrafo. Uma sequência vertiginosa de combates entre dragões, mortes e traições, “A Princesa e A Rainha ou Os Negros e Os Verdes” é uma história extraordinária, bem melhor que o “Príncipe de Westeros” que Martin escrevera em Histórias de Aventureiros e Patifes.

“Mas, se o conto de Sharon Kay Penman, narrado desta forma, não me aliciou minimamente, posso dizer que George R. R. Martin agarrou-me sobremaneira e só consegui largar a história ao último parágrafo.”

Esta história de George R. R. Martin peca um pouco no que diz respeito à edição, por não conciliar totalmente os termos com os usados nas Crónicas de Gelo e Fogo da mesma editora (por exemplo, o Estranho é aqui chamado de Forasteiro), já para não falar de algumas falhas de coerência, ao usar tanto a palavra valiriano, como valyriano ou valyrian na mesma história. Também Larys começa por ter o cognome Pé-Torto para terminar como Larys, o Coxo.

Concluindo, Mulheres Perigosas é uma excelente antologia que, tão certamente não agradará a todos, como todos terão histórias de que irão gostar. A nível de edição, confesso que adorei a capa e o facto de a lombada casar na perfeição com as das antologias anteriores. O conto de Brandon Sanderson, “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno” é o meu preferido, com “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes na segunda posição, mais pelo que me fez sentir do que pela história em si, e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes “de George R. R. Martin encerra o meu Top 3, graças ao envolvimento e ação que me fez matar as saudades daquele mundo incrível que é Westeros.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 7/10

Fala-se de: Game of Thrones T7

A tão aclamada sétima temporada de Game of Thrones chegou ao fim, e poucos são os que não viram os sete episódios exibidos em 2017. Emilia Clarke, Kit Harington, Lena Headey e companhia foram os rostos de uma das temporadas mais aguardadas, com uma sequência de reencontros e de confluências que a maioria dos fãs aguardava desde a primeira temporada. Nem mesmo a diminuição de episódios ou de elenco veio roubar público ao programa, que registou as melhores audiências desde o início da mesma.

David Benioff e D. B. Weiss continuam como showrunners e produtores executivos, ficando seguramente na História do pequeno ecrã pelo trabalho na série da HBO. É responsabilidade deles parte do sucesso de Game of Thrones e muito da conclusão narrativa que testemunhamos semana após semana em direção ao grande final. Contudo, há que realçar que limitam-se a trabalhar sobre a obra de um mestre literário chamado George R. R. Martin, e as escolhas que têm deliberado não são imunes à crítica. Defenda-se ou não o trabalho da dupla, é inegável que o seu cunho pessoal afastou a série do rumo que a levou ao sucesso.

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Fonte: http://wallpaperswide.com

A falta de material canónico para trabalhar (a ação dos livros já publicados compreende apenas as 5 primeiras temporadas) levou a produção a desenvencilhar-se sozinha dos vários nós cegos que a trama de Martin havia criado. A 6.ª temporada veio fazê-lo com distinção, posicionando cada personagem no local adequado para o desenvolvimento natural do enredo. A morte de Stannis Baratheon e a ridícula adaptação do núcleo de Dorne, assim como a exclusão de personagens icónicos da série literária como Victarion Greyjoy ou Arianne Martell, foram poucas das minhas críticas em relação à temporada passada.

“Provocar reencontros, eliminar alguns inimigos, fechar alguns núcleos e juntar outros é imprescindível para dar um fim à história.”

A promessa da conquista de Westeros por Daenerys Targaryen, porém, veio semear a minha curiosidade nesta temporada. Se já achava a adaptação de D&D uma fanfic (bem feita, porém), ficou notório neste novo ano que a dupla empenhou-se em agradar aos fãs. De que maneira? Dando-lhes o que desejavam, ainda que tenha sido contrariá-los, matando os personagens favoritos, agredindo outros, violando, explorando e fomentando guerras em cima de guerras, o que deu fama e sucesso a Game of Thrones. Um paradigma interessante, não?

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Fonte: http://mywebhunger.com/game-of-thrones-wallpaper-winter-is-coming-wallpaper.html

De uma certa perspetiva, compreendo as opções narrativas levadas a cabo. Tragédias em cima de tragédias só criam mais enredos e é muito por causa disso que George R. R. Martin não consegue desenrolar o novelo que criou nem caminhar para o fim da sua saga (há quantos anos mesmo esperamos pelo livro?). Provocar reencontros, eliminar alguns inimigos, fechar alguns núcleos e juntar outros é imprescindível para dar um fim à história. E proporcionar já muitos desses encontros e reencontros nesta penúltima temporada é mais positivo do que deixar tudo para o fim.

CUIDADO! A PARTIR DAQUI PODES ENCONTRAR ALGUNS SPOILERS.

Ainda assim, fica a ideia de que D&D transformaram Game of Thrones numa novela brasileira de finais tradicionais. Quase consigo imaginar o discurso debitado de Jon Snow perante a Cersei dobrado em pt-br, quando lhe garantiu que não podia ajoelhar-se perante ela porque havia já ajoelhado a outra rainha. A pelinhos prateados Daenerys Targaryen, a Non-Queimada, a Québrádôra di Correntjis. Temos os dois protagonistas a formar um casal fofinho, Cersei Lannister a ganhar contornos de “madrasta má” e os restantes personagens todos eles a fugirem aos tons cinzentos que admirava na série. Pouco me surpreenderia de ver Samwell Tarly a tornar-se Alto Septão para casar os dois.

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Fonte: http://www.rtl.fr/culture/cine-series-jeux-video/videos-game-of-thrones-saison-7-jon-snow-daenerys-le-casting-en-costumes-7788052564

A morte de Mindinho foi um dos momentos mais altos da temporada. Todos os seus podres foram postos a descoberto, e não consegui deixar de sentir um sobressalto quando o punhal com que tentara matar Bran, um dia, lhe riscou a garganta pelas mãos de uma Arya Stark cada vez mais perto do dark side (muito embora a sua expressão serena digna dos melhores memes continue igual a si mesma). No entanto, gostaria que o final de Mindinho ocorresse à vista de mais personagens importantes, mais grandiosa por assim dizer.

Tyrion Lannister foi uma das desilusões da temporada. Peter Dinklage continua a ser uma das grandes atrações da trama, mas onde estão as suas saídas inesperadas e sarcasmo refinado? Toda a temporada vimo-lo como um clarão de bom-senso para com as atitudes governativas de Daenerys, mas faltou ali algo. E, esteja ou não a ser justo, o que me vem à mente é que faltam diálogos escritos por Martin para adaptar. Os diálogos, na verdade, foram o grande destaque negativo desta temporada. As frases de efeito foram escassas.

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Fonte: https://winteriscoming.net/2017/07/10/rory-mccann-the-hound-snowy-violent-season-7-game-of-thrones/

A falta de lógica temporal registada no episódio 6 quando Daenerys chegou ao norte em tempo recorde não me merece grande destaque, até porque ver Cão de Caça a montar um dragão, o passado de Jorah Mormont a ser explorado e um dragão a ser morto e transformado por um White Walker compensaram os aspetos negativos. Neste último episódio, porém, senti a falta de uma batalha épica estilo “Hardhome” que precedesse a queda da Muralha. Acompanhámos aquela Muralha durante tantas temporadas, e nem um último vislumbre àqueles cenários onde “pertencemos” tivemos direito. Se Tormund morreu ali, merecia ao menos uma última frase épica.

“Os diálogos, na verdade, foram o grande destaque negativo desta temporada. As frases de efeito foram escassas.”

A revelação sobre a paternidade de Jon Snow foi outra desilusão. Na temporada anterior, já tinhamos ficado esclarecidos que ele era filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark. A invenção do “divórcio” entre Rhaegar e Elia Martell para legitimar Jon como Aegon Targaryen vem apenas pôr mais achas na fogueira e indignar o fandom dos livros. Quanto ao próprio Jon Snow, continuou sem saber de nada, como sempre. Apesar de acabar na cama com a rainha dos dragões, o que já é qualquer coisa.

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Fonte: https://www.theverge.com/2017/8/20/16176916/game-of-thrones-lore-night-king-white-walkers-history-explainer

Não fico, porém, com má memória da temporada, no seu todo. A evolução de Sansa Stark, o reencontro entre os irmãos, os jogos estratégicos de Daenerys e Cersei Lannister e os debates internos de Jaime foram marcas de qualidade da série. O ataque naval de Euron Greyjoy à frota de Yara, a morte épica de Olenna Tyrell, a batalha do contingente Lannister contra o dragão de Daenerys e a cavalaria dothraki assim como o avanço do wight capturado em direção à Cersei no Fosso dos Dragões foram, para mim, alguns dos melhores momentos. Segundo consta, em novembro de 2018 há mais.

Avaliação: 7/10

Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

Especial: 10 Motivos Para Ler as Crónicas de Gelo e Fogo

Todos sabemos que as Crónicas de Gelo e Fogo são uma das sagas de fantasia mais conhecidas em todo o mundo, laureada pelos fãs do género. Empolado pela adaptação televisiva, a série Game of Thrones, o trabalho mais conhecido do autor George R. R. Martin é tema de estudos, rico em merchandising e, para além de ter inspirado milhares de escritores, é também utilizado como chamariz para lançar livros de economia, receitas gastronómicas ou documentários históricos. Um mundo fantástico envolvente e apaixonante, credível e real, que trouxe milhões de leitores para a ficção especulativa e devolveu a popularidade às histórias medievais.

Ainda assim, há um vasto público que nunca leu os livros, ora porque julgam que a série da HBO lhes conta toda a história, ora porque se sentem constrangidos pelo estigma erróneo de que a fantasia é um género menor, destinado para crianças e adolescentes, sem qualquer tipo de riqueza literária. É este um dos principais motivos pela falta de público literário no género fantástico. A maioria dos livros de fantasia atualmente são destinados ao público adulto, e este público continua a julgar que eles são para adolescentes.

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Trono de Ferro (Marc Simonetti)

Se queres fugir a este preconceito e descobrir prosas maravilhosas e temas tão envolventes como política, filosofia e relações humanas em mundos ficcionais, tens agora uma boa oportunidade para o fazer. A Edições Saída de Emergência está com uma campanha que não vais querer perder, válida até 9 de abril: 40% de desconto em livros da Coleção Bang!, como podes ver nesta página. Neste catálogo encontram-se livros como O Império Final, O Poço da Ascensão e O Herói das Eras (cujas opiniões podes ver aqui, aqui e aqui) de Brandon Sanderson ou as séries Acácia de David Anthony Durkham e O Mago de Raymond E. Feist. O Castelo de Gormenghast de Mervyn Peake e alguns volumes da obra completa de Lovecraft também estão disponíveis.

De George R. R. Martin, o autor das Crónicas de Gelo e Fogo, estão incluídos na promoção os livros Histórias dos Sete Reinos, A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister, Windhaven e O Dragão de Inverno e Outras Histórias. No entanto, se queres iniciar a fantástica descoberta dos Sete Reinos, deves iniciar-te com as Crónicas de Gelo e Fogo, publicado em Portugal em 10 volumes até agora.

O NDZ dá-te 10 motivos para leres as Crónicas de Gelo e Fogo:

UM MUNDO QUASE REAL

Estávamos em 2011 quando as primeiras imagens promocionais de Game of Thrones ficaram disponíveis na imprensa e assisti a uma entrevista de George R. R. Martin, com vários separadores alusivos à série da HBO. A envolvente escura e a alusão a corvos e a batalhas aliciou-me de imediato. Um mundo fictício com Sean Bean como protagonista remeteu-me ao Senhor dos Anéis, a única fantasia que até então me havia arrebatado no grande ecrã e a única trilogia literária no género que me tinha apaixonado.

A frase chave de um artigo, que qualificava a série como “o Padrinho na Terra Média” foi o que me conduziu à série, e desde então comecei a segui-la. O caráter fanfarrão do personagem Robert Baratheon de Mark Addy e a crueldade do mundo – que fazia a série parecer ser passada na Idade Média não fossem as estações do ano durarem anos – foram as únicas coisas de que gostei realmente. Só nos últimos episódios da temporada fiquei preso. E isso coincidiu com o início da leitura dos livros.

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Mark Addy é Robert Baratheon (HBO)

É preciso perceber que estamos a falar de coisas bem diferentes. A série apresenta-nos tons cinzentos, desesperança e corrupção. Os livros dão destaque ao passado glorioso das nações, e embora possa dizer que a série é uma boa adaptação e todos esses cenários escuros estejam presentes, os livros trazem mais força, esperança e colorido, tendo nos dourados um poder que pouco se verifica nas temporadas iniciais do produto televisivo. A série literária foca-se na profundidade dos seus personagens e na memória coletiva, nos feitos terríveis e gloriosos dos antepassados, apresentando os conflitos políticos como algo decorrente do mundo extremamente bem criado e não o foco que a série apresenta, na tradição de outros filhos da produtora, como a extraordinária Rome.

Na minha opinião, se ambos são bons, os livros são superiores, porque incluem o que a série apresenta e muito mais. O mundo é extremamente plausível, mas em nenhum momento deixa de ser um mundo fantástico. Westeros e Essos vão revelando sinais claros de fantasia, quer através dos exércitos de mortos-vivos do outro lado da Muralha de Gelo, quer através das feitiçarias dos sacerdotes vermelhos, que podem executar proezas como a ressurreição, seguindo um código muito restrito que torna a magia em si algo raro neste mundo crível.

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Combate com White Walker (Fallonart em gameofthronesfanart)
PERSONAGENS MEMORÁVEIS

Se a adaptação televisiva contribuiu e muito para a popularidade do mundo, o mesmo se pode dizer dos personagens. Mesmo entre aqueles que não seguem a série, poucos são os que não sabem quem é Jon Snow, Daenerys Targaryen ou Tyrion Lannister. A popularidade destes personagens é tanta, que existe uma grande procura por figuras coleccionáveis, produzida por marcas de tradição no ramo.

A índole dos personagens é duvidosa. Se a série de tv nos apresenta pela rama alguns personagens importantes, os livros seguem o percurso de todos eles de forma categórica e profunda, fazendo-nos conhecer os seus medos e segredos, e até conhecer os feitos dos seus antepassados de uma forma apaixonante sem descurar qualquer detalhe.

Outro pormenor curioso, é que personagens apresentados na série como adultos, como Jon, Dany ou Robb, são descritos nos livros como meras crianças de 13, 14 anos, vindo a crescer lentamente no decorrer das aventuras. Daí que o ritual de matrimónio de Daenerys com Khal Drogo na série não pareça tão censurável quanto ele é descrito nas Crónicas. Cão de Caça, Davos Seaworth e Stannis Baratheon são personagens de grande profundidade nos livros, ombreando com Jorah Mormont e Melisandre na minha lista de preferidos. De destacar que vários personagens de relevo na trama foram afastados da série de tv, como Victarion Greyjoy, Arianne Martell ou Belwas, o Forte. Todos eles personagens incríveis.

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Arianne Martell e Arys Oakheart (pinterest)
UMA ESCRITA ENVOLVENTE

George R. R. Martin oferece nos seus livros sensações que a série não pode oferecer. Ímpar em descrição, Martin consegue incluir num só capítulo dezenas de nomes que nunca lemos sem que a leitura fique demasiado cansativa. Os seus capítulos ocorrem sob o ponto de vista de um personagem, fazendo-nos sentir as suas emoções, dúvidas e receios. É uma escrita elegante e apaixonante, crua e madura, dona de um vocabulário rico e de uma capacidade de envolvência rara.

Os diálogos são outro dos pontos fortes do autor. Sendo a maioria dos personagens opulentos em astúcia e arrogância, é comum o recurso ao sarcasmo e à metáfora no decorrer das conversas. Os duplos sentidos são uma constante com este autor, que usa e abusa da inversão e do imprevisível para surtir o efeito surpresa no leitor. Vários segredos encontram-se escondidos nas entrelinhas, o que contribuiu grandemente para todo o hype junto dos leitores. As teorias são muitas, e todas elas provocadas pelo senso subversivo da escrita de Martin, que já ensinou aos seus leitores que nada é colocado ali por acaso.

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Batalha do Tridente (Benden Nett em pinterest)
UMA IMAGINAÇÃO EXTRAORDINÁRIA

O dialeto dothraki, por exemplo, foi uma invenção exclusiva da série por David J. Peterson, embora George R. R. Martin tenha criado várias palavras que serviram de base a essa criação. Termos como khal, vaes dothrak, entre os dothraki, ou valar dohaeris, termo valiriano, são recorrentemente citados nos livros.

A imaginação de George R. R. Martin é de louvar. Ele criou dois continentes: Westeros, inspirado na Inglaterra medieval, e Essos, uma mistura de Ásia com a África da Antiguidade. Num lado sentimos frio com os protagonistas, nos Sete Reinos governados pelos Baratheon no início da saga, no outro calor sob grilhetas, caminhando descalços pelos desertos num regime aberto de escravatura.

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Daenerys Targaryen (team-daenerys em tumblr)

Westeros é um continente cinzento e cruel, cujo modo de vida assenta grandemente na forja de alianças entre casas. Porto Real é a capital, uma cidade portuária de grande envergadura que se estabeleceu como sede do poder nos Sete Reinos desde que os Targaryen ali se estabeleceram. A família real de George R. R. Martin recebeu grande inspiração dos melniboneanos de Michael Moorcock, embora a tradição incestuosa dos Targaryen beba também da nossa História, muito concretamente à Dinastia Ptolomaica que vigorou no Egito.

Uma traição terrível, conjurada entre os Baratheon e os Lannister, veio oferecer o trono aos Baratheon. Os Targaryen reduziram-se assim a duas crianças que foram levadas em segredo até ao outro lado do Mar Estreito, o continente de Essos. Ali, aparte as Cidades Livres, o esclavagismo vigora há muito, seguindo a tradição valiriana. É a remanescente Targaryen, Daenerys, uma adolescente cheia de sonhos e de bondade no coração, quem coleta exércitos à sua volta, alicerçada pelo mito que se criou a seu respeito aquando do milagre que a fez despertar três dragões dos seus ovos, para trazer justiça ao mundo. É, no entanto, como Martin transparece, uma rapariguinha que pouco sabe da vida, indecisa e muitas vezes questionável, ao contrário da mulher segura e badass que a série impõe de forma menos realista.

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Cena de Crónicas de Gelo e Fogo (keywordhut)
UMA CRÍTICA POLÍTICA E SOCIAL

Se há algo que Martin não deixa para outros, é colocar o dedo nas feridas da sociedade. A hipocrisia dos homens é frequentemente posta em discussão, e não são poucas as vezes em que os personagens cedem à facilidade da corrupção, através de propostas que lhe são vantajosas, abrindo as cancelas aos desígnios de outros de forma menos legal, ora através de contrapartidas sujas e alianças vis. O célebre “uma mão lava a outra” é usado por Martin por inúmeras vezes, fazendo destas Crónicas de Gelo e Fogo um grande jogo político mas principalmente um jogo azedo, pejado de injustiças e de crueldades, de interesses pessoais que ultrapassam os interesses do todo e de ações mesquinhas intermináveis.

Com uma mensagem clara no que diz respeito à crítica política e social, George R. R. Martin mostra o sofrimento do povo através dos personagens mais inóquos. Os bons não param de sofrer. Mas os perversos também provam do seu veneno. Um reflexo da realidade, as Crónicas de Gelo e Fogo mostram que ninguém escapa impune às crueldades da vida.

Para a Muralha de Gelo que separa os Sete Reinos das terras geladas, são mandados tanto os criminosos que procuram espiar os seus pecados, como os filhos bastardos, já considerados perjuros à nascença. Ali são “convidados” a representar a Patrulha da Noite, uma força militar que defende o mundo civilizado de hordas selvagens, embora o verdadeiro inimigo, que se tornou meramente lendário com o passar dos tempos, sejam os Outros, um mal muito antigo aparentemente adormecido. O ostracismo nas Crónicas representa claramente o preconceito da sociedade.

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Senhora Coração de Pedra (LynxFelidae em tumblr)
ÁRVORES GENEALÓGICAS INTERMINÁVEIS

A série só revela uma pequena amostra das ramificações imensas existentes no mundo de Gelo e Fogo. Se as árvores genealógicas dos Targaryen e dos Stark são as que mais importância têm na trama, devido aos feitos perpetrados pelos antepassados, determinantes no desenvolvimento da narrativa, existem outras famílias de grande peso histórico. Um dos personagens de grande envolvimento é Jorah Mormont, um westerosi exilado em Essos após um crime denunciado por Ned Stark.

Jorah viria a ser importante na trama por funcionar como conselheiro de Daenerys, por quem é apaixonado, mas se na série de tv não é fácil nem inicial a perceção de que estamos a falar do filho do Senhor Comandante da Patrulha da Noite, nos livros essa associação é mais flagrante, não só pelo apelido compartilhado. E se a linha genealógica Targaryen é a espinha dorsal da história, uma vez que o primeiro Targaryen a reinar Westeros chegou ali pousado num dragão, vindo da Valíria, dando origem a uma nova era e a um novo calendário, também os passados de Stark e Baratheon têm importância por aquilo que os une.

Os Stark reinaram no Norte, construíram monumentos imponentes até se ajoelharem aos Targaryen, enquanto os Baratheon, como uma ramificação bastarda da família real, viriam a entrar em conflito com esta quando Robert, apaixonado pela irmã de Ned, comprou uma guerra a Rhaegar Targaryen, com quem ela vivia um romance digno de canções. Esse conflito viria a despoletar a guerra sangrenta que resultaria na deposição dos Targaryen. Nessa peleja, também é de destacar Ned Stark como um dos lealistas da causa Baratheon, denunciando Jaime Lannister ao encontrá-lo sentado no Trono de Ferro quando matou o rei Aerys, e revelando um papel crucial na invasão das Ilhas de Ferro, onde tomou Theon Greyjoy como seu protegido, uma espécie de refém que garantia controle sobre a Casa que governava as ilhas. Vários comportamentos que incutiram uma opinião negativa sobre Stark, um homem honrado que apostou no cavalo errado.

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Stannis Baratheon como Azor Ahai (Jack Kaiser em tumblr)
ACONTECIMENTOS IMPREVISÍVEIS E PLOT-TWISTS

Pode-se considerar que os livros A Tormenta de Espadas e A Glória dos Traidores (Storm of Swords no original) são os mais cheios de acontecimentos inesperados e reviravoltas. A morte de personagens capitais, personagens principais e vilões, é de grande importância para o desenvolvimento da trama. O Casamento Vermelho é descrito por muitos como o acontecimento mais trágico da saga, e embora as diferenças entre o que acontece nos livros e na série sejam gritantes, ambos constituíram momentos de cortar a respiração para os fãs fervorosos do mundo de Gelo e Fogo.

Tyrion Lannister é um dos personagens fulcrais da história. Para além da sua língua afiada, este anão mordaz com um olho de cada cor, irmão da rainha, sofre os maiores preconceitos ao longo da narrativa. De um homem estigmatizado pelo mundo, ridicularizado pela própria família por conta das deformidades físicas e pelo mundo também pela Casa de tradições cruéis que representa, Tyrion Lannister tranforma-se num herói improvável. Ele é o Monstro que se vê casado com a donzela frágil, mas como esta história não é um conto de fadas, nem eles se amam, nem estão destinados a ficar juntos. Ele é o Corcunda de NotreDamme que se vê impelido a ajudar a menina, mesmo sabendo que ela nunca o amará. Mais do que isso, Tyrion é um génio político, que tem neste volume a sua revanche, mas uma transformação a nível de percurso que o conduzirá para longe de casa, claro está, com rameiras e vinho em mente.

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Os Lannister (Giacobino)
UMA MITOLOGIA SEM FIM

Dragões, mortos-vivos de gelo, troca-peles e afins são ingredientes que colocam as Crónicas de Gelo e Fogo num patamar de excelência dentro do género fantástico. Mas o que os torna realmente incríveis é que eles são raros no mundo em que estão inseridos, um mundo consistente e cruel. Se alguns anciãos, como a Velha Ama, descortinam fragmentos dessas criaturas do passado que podem estar bem vivas e escondidas no presente, a mitologia é apresentada pelas crenças das civilizações construídas de raiz.

Em Westeros, o culto aos Sete Deuses levou à criação de septos (as igrejas dedicadas aos Sete) e de septões (os padres). A Fé dos Sete reverencia o Pai, que representa o julgamento, a Mãe, dedicada à maternidade e à piedade, o Guerreiro, que oferece força em combate, a Donzela, representante da castidade e da inocência, o Ferreiro para os mesteres, a Velha para a sabedoria e o Estranho, que representa a morte e o desconhecido. Esta é a religião em voga nos Sete Reinos, exceto nas Ilhas de Ferro, onde se pratica o culto ao Deus Afogado, e no Norte, onde ainda se reverenciam os deuses antigos.

Em Essos a religião predominante é a que presta culto a R’hllor, o Senhor da Luz, conhecido como Deus Vermelho em Westeros. O seu símbolo é um coração flamejante, e a sua adoção por algumas figuras de poder em Westeros vem dar uma cobertura de guerra santa à Guerra dos Cinco Reis pelo Trono de Ferro.

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Ramsay Bolton (Aldo Katayanagi)
INFLUÊNCIAS LITERÁRIAS DE VULTO

Muito embora as Crónicas de Gelo e Fogo sejam sobejamente elogiadas pela ousadia e originalidade, pode-se dizer que apenas a forma como é abordada é original. A maioria dos personagens e tramas foram inspiradas por outras obras de destaque no género fantástico. Se já referi Moorcock como influência para os Targaryen, principalmente no que diz respeito às características físicas e passado grandioso, também posso estabelecer um paralelismo entre Tyrion Lannister e Elric. São duas figuras de poder, cada uma a seu jeito, que revelam grandes dilemas morais ao longo da sua jornada. São também vítimas da mesquinhez daqueles que os circundam e podemos somar a tudo isso as debilidades físicas. Se Tyrion é um anão feio, Elric de Melniboné é fraco e débil, recorrendo frequentemente a drogas para se manter enérgico. Pelo menos, até encontrar a espada Tormentífera, que pode ter sido também inspiração para a lendária Luminífera das Crónicas.

Os sacrifícios em nome de um Deus Vermelho, a existência de criaturas terríveis no Norte, que supostamente já teriam sido abolidas da face do mundo e a profecia de um inverno cruel, somados a uma menina que se disfarça de rapaz na sua fuga e a uma estrela com cauda nos céus que prenuncia mudanças, são​ elementos que Martin roubou a Tad Williams e à sua obra Memory, Sorrow and Thorn. Já a relação de amizade de Jon Snow com Sam, Pyp e Grenn é muito familiar se nos lembrarmos da obra do excelso senhor Tolkien e dos seus queridos hobbits. Os amigos de Frodo, Samwyse, Pippin e Merry partilham os nomes e a amizade juvenil.

A mitologia lovecraftiana de Ctulhu está também evidente nas crenças em redor do Deus Afogado nas Ilhas de Ferro. Várias Casas são também homenagem a autores dos quais George R. R. Martin é fã. São elas a Casa Vance (Jack Vance), a Casa Rogers (Roger Zelazny), a Casa Peake (Mervyn Peake), a Casa Costayne (Thomas B. Costain) e a Casa Jordayne (Robert Jordan), por exemplo. O Castelo dos Jordayne é o Tor, em homenagem à editora que publicou os livros de Jordan, e o seu senhor é Trebor, a inversão de Robert.

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Khal Drogo (Magali Villeneuve)
INFLUÊNCIAS REAIS

São imensas as influências na nossa História para as Crónicas de Gelo e Fogo. Não me refiro somente às inspirações para dar forma aos continentes e civilizações apresentados. A própria Guerra dos Cinco Reis foi inspirada pela Guerra das Rosas que dividiu o Reino Unido. Cersei Lannister é comummente comparada a Marguerite D’Anjou e a Elizabeth Woodville. Ambas tiveram papéis de destaque na Guerra das Rosas, ao colocarem mãos à obra para chegarem ao poder.

As características marcantes da sua fisionomia e o passado inglório fazem com que Daenerys Targaryen seja comparada a Elizabeth I, embora eu tenha mais tendência em compará-la a Cleópatra VII Philopator. A rainha do Egito era uma força da natureza que governou uma nação com garra, algo difícil de ver numa mulher na Antiguidade, o que estabelece um paralelismo com a heróina de Martin. Stannis Baratheon também é comparado a Constantino, que trouxe uma nova fé para a Europa, e a Antiga Valíria a Roma, um império caído. O triarca Horonno em Volantis é uma clara referência ao célebre romano Júlio César.

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Os Stark (Mathia Arkoniel)

Esta saga, porém, não possui apenas qualidades. O facto de serem muitos livros e de a série ainda não estar terminada – e possivelmente nem vir a ser – pode roubar-lhe público, mas ainda assim parece-me uma leitura obrigatória para os fãs do género. Com este artigo espero ter convencido os indecisos e até levar os que já leram a voltar a revisitar este mundo fantástico e empolgante.

TAG – Carnaval Literário

Boa tarde! Hoje trago-vos uma TAG literária propícia à quadra. É a TAG – Carnaval Literário e e todos estão convidados a fazer a sua. Vamos ver o que me vai calhar. :p

#1 O melhor carro alegórico

Um livro que todos adoraram, tu estavas com medo de ler e acabaste por cair no hype

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O Império Final é, definitivamente, um livro que eu tinha a certeza que ia odiar antes de ler. Felizmente Brandon Sanderson trocou-me as voltas e embora Mistborn tenha as suas falhas, é uma saga que recomendo a todos os amantes de boa fantasia.

#2 A vida são dois dias, mas o Carnaval são três

Um livro que lias, lias, lias, e parecia nunca mais acabar

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O quarto livro da Saga do Assassino de Robin Hobb, A Vingança do Assassino, foi uma verdadeira indigestão. Sequências lentas repetiram-se umas atrás das outras, e apesar de não ter desgostado do livro no seu todo (e confesso já ter saudades da saga), foi um volume de tamanho médio que demorei muito tempo a ler.

#3 Camarote VIP

Um livro que leste antes de virar moda

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Bem, não posso dizer que fui um pioneiro na leitura de A Guerra dos Tronos (nem pouco mais ou menos), mas li-o mal saiu a primeira temporada da série de televisão e o hype ainda não era nada comparado ao que se tornou.

#4 Atrás da multidão

Um livro que “toda a gente leu” e tu ainda não

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A par das séries de Peter V. Brett e Robert Jordan, Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss é uma das mais famosas que ainda não tive o privilégio de ler. Apesar de já ter lido um conto de Rothfuss que não me convenceu, espero que este seja o ano em que finalmente leia O Nome do Vento.

#5 Loucura Total

Um livro que todos te aconselharam e… não gostaste

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Sandman, de Neil Gaiman, é uma das obras mais consensuais dentro do universo das bandas-desenhadas. Apesar de não ter gostado do primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, insisti na leitura e li toda a série. Não conseguiu agradar-me por aí além em nenhum momento, mas reconheço o seu mérito.

#6 Terça-Feira é o último dia

Um livro que chegou ao fim, mas querias que não acabasse ali

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Sem dúvida um dos meus livros preferidos de sempre, República de Ladrões de Scott Lynch não conseguiu atingir o patamar de excelência do primeiro volume da sua série, As Mentiras de Locke Lamora, mas ainda assim deixou-me com aquele gostinho de “quero mais” pela chuva de expectativas que o final deixa para o quarto volume.

#7 Depois do Carnaval, a ressaca

O livro que te deixou com a maior ressaca literária

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O último livro das Crónicas de Gelo e Fogo. Pois é, senhor Martin. Temos muito que falar. Deixar os leitores anos e anos à espera para saber o que aconteceu, quando os protagonistas da saga estavam em situações críticas, é mau demais. Os Reinos do Caos deixou-me de ressaca até hoje.

Sintam-se à vontade para participar e responder à TAG – Carnaval Literário.