Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

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Especial: 7 Pais Que o Mundo da Fantasia Não Esquecerá

Dia 19 de março é o 78.º dia do calendário gregoriano. O dia em que a dinastia Sung terminou na China, a Suécia assinou a paz com Münster e os irmãos Lumiére filmaram o seu primeiro filme. É também o dia dedicado pela Igreja Católica a São José de Nazaré, esposo de Maria e pai de criação de Jesus Cristo. Por essa razão, foi estipulado como o dia internacional do pai.

Em homenagem a todos os pais, venho fazer um artigo dedicado àqueles que, embora ficcionais, deixaram um sentimento de afeição e calor paternal a todos os que os conheceram, através dos mais diversos livros de fantasia. São 7 pais que o mundo da fantasia não esquecerá. Personagens memoráveis que permanecerão na memória coletiva dos fãs do género. Se ainda não conheceste algum deles, do que estás à espera?

Sem título
Denethor (Tiziano Baracchi)
DENETHOR

O pai de Boromir e Faramir, em O Senhor dos Anéis, famigerada trilogia de J. R. R. Tolkien, não é o melhor exemplo de um pai extremoso. Filho de Ecthelion II, foi Mordomo de Gondor, a posição de regência da nação humana nos tempos em que aguardaram pelo Rei prometido. Denethor II casou com Finduilas, a filha de Adrahil de Dol Amroth, e do seu matrimónio nasceram Boromir e Faramir.

A predileção de Denethor pelo primogénito, Boromir, era evidente. Por sua vez, desdenhava do filho mais novo, que era muito próximo de Gandalf. A morte do filho mais velho tornou-o ainda mais céptico em relação a Faramir, que ainda assim viria a substituí-lo como regente de Gondor. Durante algum tempo, Denethor usou a bola Palantír, o que tornou mais frágil e o levou à loucura. Já debilitado mentalmente pela morte de Boromir, e ao julgar que também Faramir estava condenado, este pai viria a falecer ao queimar-se com a Palantír nas mãos durante o Cerco de Gondor.

Sem título
Príncipe Cavalaria (Myblack em deviantart)
PRÍNCIPE CAVALARIA

Apesar de a narrativa se iniciar com este personagem morto, a Saga do Assassino de Robin Hobb não seria a mesma se ele não tivesse existido. O Príncipe Cavalaria era o substituto natural do Rei Sagaz no trono dos Seis Ducados, uma vez que era o filho mais velho. Tendo como irmãos os príncipes Veracidade e Majestoso, Cavalaria era respeitado por todos e visto como um homem de valores e princípios. Daí que tenham sido surpreendentes os boatos e a confirmação de uma traição e da existência de um bastardo. Trata-se de Fitz, o protagonista da história.

Cavalaria assumiu a traição e colocou à disposição o seu lugar hereditário, pelo constrangimento que isso conferia ao reinado e à esposa. O príncipe era casado com a Dama Paciência, que nunca lhe havia conseguido dar filhos. Por conseguinte, após o seu desaparecimento, Paciência criou Fitz como o protocolo exigia, ainda que tenha vindo a ser Castro, um bom trabalhador e lealista ao príncipe, a vestir a pele de progenitor.

Sem título
Steven Deschain (Towerwikia)
STEVEN DESCHAIN

O pai de Roland, o protagonista da saga A Torre Negra de Stephen King, foi um pistoleiro bastante poderoso na terra de Gilead. Era um descendente de Arthur Eld, o ancestral que fundara aqueles domínios e uma clara alusão ao célebre Rei Artur do Ciclo Bretão. Filho de Deirdre e Alaric Deschain, Steven era um líder entre os pistoleiros.

Casou-se com Gabrielle, de quem viria a ter um filho, Roland. Apesar de tentar formar o filho nas leis dos pistoleiros, Roland revelou-se uma desilusão, acabando por derruir todas as suas expectativas. Na verdade, Roland descobrira que a mãe e um dos seus homens de confiança, Marten Broadcloak, eram amantes. Tentou alertar o pai para a traição, mas este nunca lhe deu ouvidos, o que resultou na sua morte. Roland, porém, regeu-se durante toda a vida pelos seus conselhos, e uma das suas máximas é: não te esqueças do rosto do teu pai.

Sem título
James Potter (Michelle Winer)
JAMES POTTER

Criado por J. K. Rowling, James é o pai de Harry Potter na famosa série de fantasia com o mesmo nome. Estudou em Hogwarts com aquela que viria a ser a sua esposa, Lilian, e os seus melhores amigos eram Sirius Black, Remus Lupin e Peter Pettigrew. Sempre fora apaixonado por Lilian, embora ela mostrasse especial predileção pelo seu amigo Severus Snape.

James e Lilian casaram após saírem de Hogwarts, vindo a juntar-se à Ordem da Fénix onde revelaram um papel fundamental no apoio a Dumbledore. Posteriormente, teriam o seu único filho, Harry, que viria a tornar-se uma peça capital para a salvação da Ordem e da própria escola de magia. Tal como a esposa, James viria a ser morto pelo terrível Lorde Voldemort.

Sem título
Ned Stark (io9)
NED STARK

Quem gosta de fantasia não esquece Ned Stark, o pai que todos gostariam de ter se vivessem em Westeros. Um dos protagonistas do volume inaugural das Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin, Eddard “Ned” Stark foi sempre um homem íntegro e valoroso, de educação firme e mão de ferro. Apesar disso, ou também por isso, nunca deixou de amar os filhos e tratá-los com afeto e preocupação.

O patriarca dos Stark casou com Catelyn por amor, e ainda que todos julgassem que traíra a esposa e que dessa traição nascera Jon Snow – que viria a criar à sombra dos restantes filhos – Ned escondera um segredo terrível envolvendo a sua irmã Lyanna. Muito provavelmente, Ned manchou a sua honra para proteger a irmã. Ainda assim, a suposta traição foi perdoada por Catelyn, mesmo que esta nunca aceitasse o bastardo. Ned Stark foi vítima de uma armadilha cruel e morreu precocemente, mas todos nos recordamos da sua presença terna e da extrema afeição para com os filhos Robb, Jon, Sansa, Arya, Bran e Rickon.

Sem título
Arliden e Laurian (Corade Laurian em deviantart)
ARLIDEN

Arliden, o Bardo, é um personagem importante das Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss. Pai do protagonista, Kvothe, tem destaque no primeiro terço do livro O Nome do Vento, revelando-se um Edema Ruh de renome, famoso pelas suas cantigas de maldizer e por liderar uma trupe que se passeia de terra em terra para entreter os locais.

Esposo de Laurian, a filha de um nobre, é descrito pelo próprio filho como o melhor cantor e ator que este já viu. Dono de um humor mordaz e de feições afáveis, Arliden educou Kvothe com o máximo de subtileza e profundidade, vindo a preocupar-se com o dom inusitado do filho em aprender rapidamente. Em busca de uma nova música, Arliden colige vários relatos sobre o mito do Chandrian, o que vem a despertar atenções e resulta na sua morte, bem de como a da esposa.

Sem título
Jaime Lannister (Amok)
JAIME LANNISTER

Sei que já falei nas Crónicas de Gelo e Fogo, mas o Regicida é outro pai de quem nos lembramos facilmente. Ele teve três filhos com a sua irmã Cersei Lannister, ainda que estes tivessem sido criados por outro: o ébrio e fanfarrão rei Robert Baratheon.

Desde muito cedo que Jaime e Cersei estabeleceram uma relação de afinidade a roçar o erótico. Os irmãos sempre foram obcecados um pelo outro, da mesma forma que foram por si mesmos. Viram-se como o espelho um do outro – o espelho da perfeição. Apesar de nunca se preocupar em educar Joffrey, Tommen e Myrcela, Jaime sempre soube que eram seus filhos e, quando a vida levou um revés e o tornou mais humano, o que coincidiu com a perda de uma mão e a morte do filho mais velho, Jaime revelou-se mais preocupado com os outros filhos e com o real significado da palavra pai.

E vocês, têm algum “pai de estimação” no mundo da fantasia?