Especial: Quem Ainda Não Leu Brandon Sanderson?

É muito difícil encontrar um fã de ficção fantástica que não tenha lido, ou pelo menos ouvido falar de Brandon Sanderson. As suas obras de fantasia estão publicadas pelo mundo inteiro, o autor escreve com uma rapidez notável e uma legião de fãs segue atentamente todos os seus passos. Dono de uma relação com o público pautada pela acessibilidade e simpatia, Brandon tem tanta facilidade para explicar ao mundo as suas ideias e processos criativos, como para colocá-los em prática. O autor esteve em novembro em Portugal, a convite da Edições Saída de Emergência, editora responsável pela publicação da saga Mistborn – Nascida das Brumas.

O seu ritmo de publicação parece imparável, de tal modo que os leitores chegam a sentir dificuldades em acompanhá-lo. Através do site de Brandon, é possível seguir a progressão do seu trabalho, saber em que eventos o autor estará presente e até ler gratuitamente um livro, Warbreaker. O autor escreve tanto para adultos como para jovens, mas pode-se dizer que redefiniu toda a conceção de fantasia através das 3 Leis que canonizou como guia para todo o bom escritor de fantástico.

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Brandon Sanderson (Fonte: sltrib.com)

Quem é Brandon Sanderson?

Natural do Nebraska, Brandon Sanderson (19 de dezembro de 1975) vive atualmente em American Fork, no Utah. Concluiu o mestrado de escrita criativa em 2005 pela Universidade de Brigham, onde trabalhou numa revista de ficção especulativa, e no ano seguinte casou-se com Emily Bushman, de quem tem dois filhos. De ideologia Mórmon, Brandon foi missionário em Seul, na Coreia do Sul. Foi ao ser escolhido por Harriet McDougal, viúva do escritor Robert Jordan, para concluir a série épica do esposo, A Roda do Tempo, que Brandon Sanderson ganhou reconhecimento mundial. Daí em diante, a sua popularidade cresceu a olhos vistos, sendo difícil não encontrar um livro seu em qualquer grande superfície livreira.

Elantris foi o primeiro livro que publicou, mas foi com a trilogia Mistborn que o seu sucesso venceu muralhas. A história de uma menina que vence um déspota tirano e percebe que cometeu um erro grave ao fazê-lo conquistou adeptos em todo o mundo, mas esses seriam apenas os primeiros passos na rica trajetória de êxitos de Brandon. Mistborn transformou-se não em uma, mas em três trilogias, com a última por publicar, mas é com The Stormlight Archive que Sanderson parece ter quebrado todos os paradigmas e conquistado definitivamente o amor do público.

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Brandon Sanderson fanart (Fonte: pastemagazine.com)

As 3 Leis de Sanderson

Um dos motivos pelos quais Brandon é reconhecido é exatamente por ter parametrizado o trabalho de um escritor de fantasia, principalmente no que concerne à utilização da magia e ao quanto é dado a conhecer ao leitor da sua conceção. Separando as águas, Brandon distingue a construção mágica credível e detalhada, aquela em que o leitor compra a ideia de forma categórica e até científica (Hard Magic), da magia mais tradicional, sem qualquer detalhe ou explicação, que se encaixa no deus ex-machina habitual nas leituras YA (Soft Magic).

O autor também reforça o papel determinante que as dificuldades dos personagens têm no envolvimento com o leitor e a importância de montar um mundo credível, honesto e bem estruturado, para que personagens ou situações não caiam de pára-quedas na história. Pessoalmente, concordo em absoluto com estas leis, ainda que me pareça que Brandon não seja um inventor, mais um estudioso sobre o assunto.

As 3 Leis são:

Lei 1: “A capacidade de um autor em resolver conflitos de forma satisfatória com a magia é diretamente proporcional ao quão bem o leitor compreenda esta magia.”

Lei 2: “As fraquezas das personagens são mais interessantes que as suas habilidades. Ou seja: limitações são mais importantes que poderes.”

Lei 3: “Expanda o seu mundo antes de adicionar novos elementos.”

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Fanart de The Stormlight Archive (Fonte: pinterest.com/sparkybeanbag)

Porque o NDZ acredita que todos devem ler Brandon Sanderson?

CONSTRUIU UM MUNDO CHEIO DE POSSIBILIDADES

Brandon publicou o seu primeiro romance, Elantris, através da editora Tor Books em 2005, com críticas muito positivas. Foi em 2006, porém, que o seu trabalho mais famoso saiu para as bancas – Mistborn. Posteriormente, Brandon dedicou-se a trabalhos mais juvenis, como Alcatraz ou Coração de Aço, mas logo regressaria com novos livros da série Mistborn e The Stormlight Archive.

Segundo o autor, a série Mistborn atravessará várias fases de vida do planeta Scadrial. Se a primeira série (publicada em Portugal pela Edições Saída de Emergência) foi o mais próximo de uma clássica fantasia épica, a segunda trilogia foca-se num período perpassado por uma austera Revolução Industrial, com perfume a western. A terceira trilogia deverá ocorrer, então, num período correspondente à nossa atualidade ou futurista, uma vez que o autor garantiu vir a tratar-se de uma trilogia de ficção científica, sempre com os seus sistemas de magia intricados como pano de fundo.

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Szeth de The Stormlight Archive (Fonte: 17th Shard)

Todos os livros de high fantasy publicados por Brandon passam-se no mesmo universo, a Cosmere. Se Scadrial é o “planeta” que serve de palco à série Mistborn, Elantris e o conto Emperor’s Soul são passados no shardworld Sel, Warbreaker em Nalthis, The Stormlight Archive em Roshar e White Sand em Taldain. De alguma forma, todos estes lugares estão conectados, muito embora se tratem de “fragmentos de mundo” muito diferentes. Há, no entanto, vários indícios de que se trata do mesmo universo (para além da confirmação do autor, vá).

Um deles é a existência misteriosa de saltadores de mundo, sendo o mais conhecido Hoid, um indivíduo que aparece como informador de confiança na primeira trilogia Mistborn, um contador de histórias em Warbreaker e contrabandista em Elantris, por exemplo, ganhando um papel de maior protagonismo em The Stormlight Archive, onde adquire a identidade de Wit. Khriss, a duquesa de White Sand, também surge em Mistborn: The Bands of Mourning e Mistborn: The Secret History.

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Vin de Mistborn (Fonte: pinterest.com)
OS SISTEMAS DE MAGIA SÃO ORIGINAIS

Brandon Sanderson é, a meu ver, um dos autores que melhor constrói sistemas de magia. Da alomância e feruquimia de Mistborn, ao breath de Warbreaker, passando pelo domínio da areia em White Sand – e falo destes porque foram os livros/sagas que li – a técnica passa pela ingestão ou absorção de uma matéria, cujo processo de metabolismo resulta na aquisição de um dom considerado mágico, incrível para um humano.

Desta forma, Vin, Kelsier, Vasher e Kenton tornaram-se personagens cativantes pelas suas habilidades, embora o autor, recorrendo à lei número 2 que definiu, crie também grandes dificuldades ao seu desenvolvimento, seja na aprendizagem das magias, na grandiosidade dos adversários ou na introdução de problemas do foro pessoal. Ainda assim, muito embora a magia de Sanderson seja algo mais científico que maravilhoso, desmantela a ilusão de super-heróis pré-concebida e apresenta uma plataforma credível e bem montada que só pode encantar os novos leitores de ficção fantástica.

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Siri e Susebron de Warbreaker (Fonte: puncker–rocker.deviantart.com)
TEM AS SUAS HABILIDADES NARRATIVAS

Quem me conhece e ao NDZ há algum tempo, sabe que não morro de amores por Brandon Sanderson, sobretudo por ser possuidor de uma escrita fast-food, principalmente em Mistborn. Brandon não revela grande riqueza de vocabulário e as imensas voltas e reviravoltas no enredo sugerem muito improviso e muito pouco de esqueleto. O recurso a salvamentos de última hora são ainda um furúnculo no seu processo narrativo, para alguém que fomenta tanto a credibilidade dos mundos criados. Neste aspeto, Brandon tem ainda muito a crescer. Esta ideia marcou-me principalmente durante a leitura da primeira trilogia Mistborn, aclamada pela grande maioria do público de fantástico.

O autor, porém, veio a ganhar-me pouco a pouco. O final de Herói das Eras encantou-me, não que tenha ficado agradado com o recurso ao espiritual, quando Brandon tanto se havia esforçado por explicar “cientificamente” todos os detalhes, mas posso dizer que a trilogia foi concluída com chave de ouro. Não gostei de muitas explicações oferecidas a esmo ao longo dos três livros, mas os maravilhosos personagens, as relações humanas e os plot-twists prenderam-me, da primeira à última página. Acabei a Era 1 de Mistborn com nostalgia e com a sensação de que podia ser melhor, mas que mesmo assim foi muito bom.

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Senhor Soberano de Mistborn (Fonte: pinterest.com/Rebeksterz)

A leitura de Warbreaker, porém, foi o cheque-mate a que se deve este artigo. A escrita do autor pareceu-me mais rica e envolvente e os plot-twists ganharam-me por completo. Cada reviravolta foi uma machadada e terminei o livro completamente apaixonado por Vivenna, Siri, Susebron, Vasher e companhia. Foi, sinceramente, uma das melhores leituras deste ano até agora. A novela gráfica White Sand, com argumento original de Brandon, não teve muita qualidade ou originalidade, mas não me desagradou. Mais uma vez, foram as surpresas e os plot-twists a conquistarem-me.

Brandon Sanderson é, inegavelmente, um dos mestres da fantasia moderna e um dos que mais fomentam aquilo que tanto me agrada no género: a construção de mundos credíveis e originais. Prevejo ler Elantris em setembro (versão pt-br) e espero que a Saída de Emergência continue a apostar neste autor que tanto tem acarinhado, seja com a segunda série de Mistborn ou com a publicação de The Stormlight Archive, aquela que, muito provavelmente, será num futuro recente a série de fantasia com melhor repercussão em todo o mundo. Cá esperamos por mais publicações, Brandon.

TAG – Carnaval Literário

Boa tarde! Hoje trago-vos uma TAG literária propícia à quadra. É a TAG – Carnaval Literário e e todos estão convidados a fazer a sua. Vamos ver o que me vai calhar. :p

#1 O melhor carro alegórico

Um livro que todos adoraram, tu estavas com medo de ler e acabaste por cair no hype

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O Império Final é, definitivamente, um livro que eu tinha a certeza que ia odiar antes de ler. Felizmente Brandon Sanderson trocou-me as voltas e embora Mistborn tenha as suas falhas, é uma saga que recomendo a todos os amantes de boa fantasia.

#2 A vida são dois dias, mas o Carnaval são três

Um livro que lias, lias, lias, e parecia nunca mais acabar

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O quarto livro da Saga do Assassino de Robin Hobb, A Vingança do Assassino, foi uma verdadeira indigestão. Sequências lentas repetiram-se umas atrás das outras, e apesar de não ter desgostado do livro no seu todo (e confesso já ter saudades da saga), foi um volume de tamanho médio que demorei muito tempo a ler.

#3 Camarote VIP

Um livro que leste antes de virar moda

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Bem, não posso dizer que fui um pioneiro na leitura de A Guerra dos Tronos (nem pouco mais ou menos), mas li-o mal saiu a primeira temporada da série de televisão e o hype ainda não era nada comparado ao que se tornou.

#4 Atrás da multidão

Um livro que “toda a gente leu” e tu ainda não

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A par das séries de Peter V. Brett e Robert Jordan, Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss é uma das mais famosas que ainda não tive o privilégio de ler. Apesar de já ter lido um conto de Rothfuss que não me convenceu, espero que este seja o ano em que finalmente leia O Nome do Vento.

#5 Loucura Total

Um livro que todos te aconselharam e… não gostaste

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Sandman, de Neil Gaiman, é uma das obras mais consensuais dentro do universo das bandas-desenhadas. Apesar de não ter gostado do primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, insisti na leitura e li toda a série. Não conseguiu agradar-me por aí além em nenhum momento, mas reconheço o seu mérito.

#6 Terça-Feira é o último dia

Um livro que chegou ao fim, mas querias que não acabasse ali

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Sem dúvida um dos meus livros preferidos de sempre, República de Ladrões de Scott Lynch não conseguiu atingir o patamar de excelência do primeiro volume da sua série, As Mentiras de Locke Lamora, mas ainda assim deixou-me com aquele gostinho de “quero mais” pela chuva de expectativas que o final deixa para o quarto volume.

#7 Depois do Carnaval, a ressaca

O livro que te deixou com a maior ressaca literária

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O último livro das Crónicas de Gelo e Fogo. Pois é, senhor Martin. Temos muito que falar. Deixar os leitores anos e anos à espera para saber o que aconteceu, quando os protagonistas da saga estavam em situações críticas, é mau demais. Os Reinos do Caos deixou-me de ressaca até hoje.

Sintam-se à vontade para participar e responder à TAG – Carnaval Literário.

As Escolhas de 2016

O ano caminha a passos largos para o final. Como tal, é hora de fazer o já tradicional balanço literário que visa escolher as melhores leituras do ano. No Goodreads estabeleci como meta ler 35 livros este ano – e a verdade é que já foram 93, embora a maioria das minhas leituras tenham sido bandas-desenhadas. 61 BD’s, 24 livros e 8 contos, sendo que estou a ler o livro O Terceiro Desejo de Andrzej Sapkowski e ainda deverei ler mais uma BD ou um conto até ao final do ano.

2016 foi um ano cheio de boas surpresas. Conheci autores como Steven Erikson, Mark Lawrence, Joe Abercombie, Jeff Vandermeer, Alan Moore, Robert Kirkman e Brian K. Vaughan, e voltei a ler mais e melhor de autores fantásticos como Stephen King, H. P. Lovecraft, Ken Follett e Bernard Cornwell.

Fantasia continuou a ser o género mais lido, mas o romance histórico e a ficção científica não foram esquecidos. Este ano decidi aumentar o número de categorias, também por ter lido mais formatos. Fiquem com a minha listagem e respetivas justificações:

LIVRO

Melhor Fantasia

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aqui a opinião

Jardins da Lua, de Steven Erikson, foi não só o melhor volume de fantasia, mas também o melhor livro que li este ano. Para além dele, O Herói das Eras de Brandon Sanderson foi dos poucos que me conquistaram, dentro do género. Stephen King encontra-se nesse grupo. Este ano li os volumes 5 e 6 de A Torre Negra, substancialmente melhores que aqueles que li o ano passado. O prémio simpatia vai para A Balada de Antel do brasileiro Eric M. Souza, que me surpreendeu pela positiva.

Os dois primeiros volumes de Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence e o primeiro de A Primeira Lei de Joe Abercrombie não foram más leituras, mas não me convenceram nem cativaram por aí além. Terminei a primeira Saga do Assassino de Robin Hobb, que continuou sem me encantar, muito embora o último volume tenha sido, de longe, o melhor. Li os dois últimos livros do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Apesar de a escrita do autor ter evoluído favoravelmente, a história é o grande handicap de Paolini, parecendo uma manta de retalhos de narrativas como O Senhor dos Anéis ou Star Wars.

Melhor Ficção Científica

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aqui a opinião

Não li muitos livros de ficção científica este ano. Aniquilação de Jeff Vandermeer foi um dos últimos livros que li e acabou por ser o que me marcou mais pela positiva, um volume de ficção weird que me envolveu por toda a sua estranheza e credibilidade. O Messias de Duna de Frank Herbert e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North foram também ótimas leituras dentro do género. A ficção científica é muito mais do que as space opera empoladas pelos mass media.

Melhor romance histórico

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aqui e aqui a opinião

Dividido em Portugal em dois volumes, o livro Os Pilares da Terra de Ken Follett foi o melhor romance que li este ano. Extremamente envolvente, este romance histórico foi tão emocionante quanto os livros O Último Reino e O Cavaleiro da Morte, primeiros volumes das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, mas o livro de Follett apelou mais às emoções e construiu uma história mais intimista. No entanto, os dois autores, que já eram os meus preferidos no romance histórico, ao lado de Maurice Druon, cultivaram ainda mais a minha preferência.

BANDA-DESENHADA

Melhor BD

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aqui a opinião

Escolhi March To War como melhor BD lida este ano, mas podia escolher muitas outras edições de The Walking Dead. Num ano cheio de excelentes leituras neste formato, The Walking Dead conquistou a minha preferência. A space opera Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples e o bizarro Tony Chu: Detective Canibal foram também fantásticas leituras, superando clássicos como V de Vingança, Watchmen, 300 e Sandman, a que reconheço mérito, ou o histórico As Águias de Roma, cujos quatro volumes também gostei bastante.

Melhor Clássico

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aqui a opinião

Num ano em que li BD’s de Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, foi este último o que mais me surpreendeu pela positiva. Difícil é escolher entre Watchmen e V de Vingança, embora a história de super-heróis “reformados” me tenha marcado mais. 300 e A Cidade do Pecado de Miller foram também boas leituras, enquanto os três primeiros volumes de Sandman (Neil Gaiman) têm oscilado entre o brilhantismo literário e a falta de envolvimento. Livros como Vampirella e X-Men Origins ficaram aquém das expectativas.

Mais Irreverente

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aqui a opinião

Saga, a space opera de Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples, foi uma das grandes surpresas deste ano. Irreverente e divertida, com grandes debates morais, esta BD cumpre em todos os quesitos, sendo a irreverência a sua maior qualidade. Qualquer um dos cinco volumes já publicados pela G Floy surpreenderam-me ao seu jeito. Nesta categoria, Tony Chu: Detective Canibal foi igualmente surpreendente, mas quero ainda deixar uma menção de honra para os dois volumes de Umbrella Academy, uma grande revelação, o próximo passo no mundo dos super-heróis. Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy foi também uma edição deliciosa, nascida das mãos de Filipe Melo e Juan Cavia. Os dois primeiros volumes de Southern Bastards, não se enquadrando na vertente cómica das anteriores, têm também algo de irreverente no seu drama profundo. Jason Aaron e Jason Latour fazem-no com distinção.

CONTOS

Melhor Conto

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O último conto que tive oportunidade de ler foi também o melhor que li este ano. H. P. Lovecraft tem sido um dos meus autores preferidos neste formato, embora Edgar Allan Poe e Isaac Asimov tenham sido outros autores de destaque. Até mesmo O Defunto de Eça de Queirós foi uma excelente leitura. Invisíveis em Tiro, de Steven Saylor, incluído no livro Histórias de Vigaristas e Canalhas, agradou-me imenso.

Melhor Antologia

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aqui a opinião

Este ano li apenas duas antologias: a portuguesa Proxy e a conceituada Histórias de Vigaristas e Canalhas, a segunda metade de Rogues. Apesar de a primeira conter apenas seis contos de jovens autores portugueses, não ficou atrás das Histórias escritas por alguns dos mais famosos autores de fantasia, policial e ficção científica. Com alguns contos melhores e outros menos bons, as duas antologias ficaram ao mesmo nível, preferindo por isso dar primazia àqueles cuja responsabilidade era menor e, por isso, mais surpreenderam.

Maior surpresa

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aqui a opinião

À primeira vista, estou a contradizer a categoria anterior, mas não é disso que se trata. A minha maior surpresa no que a contos diz respeito chama-se Daniel Abraham, cujo conto O Significado do Amor foi um dos que mais gostei na antologia Histórias de Vigaristas e Canalhas. Ambientado num mundo fantástico, Abraham aliou uma escrita excelente a uma história algo hilariante e espero ver mais histórias do autor publicadas em português.

Categoria Extra

Melhor Final

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aqui a opinião

Não podia deixar de fazer uma menção honrosa a O Herói das Eras. O último volume da trilogia Mistborn de Brandon Sanderson foi dividido em dois em Portugal. Li a primeira parte em dezembro do ano passado e a segunda em março deste ano. Sanderson nunca me encantou, como outros nomes da fantasia como George R. R. Martin e Scott Lynch o fizeram. Este ano, Steven Erikson e Daniel Abraham foram os que estiveram mais próximos disso, do pouco que li deles. Aliando uma escrita demasiado básica a um mundo com muitas lacunas a nível de credibilidade, fiquei sempre de pé atrás com Brandon Sanderson, ainda que lhe reconheça a criatividade e o mérito de escrever grandes histórias e construir grandes mundos de fantasia. Foi assim que li Mistborn, um mundo com uma aura mágica que sempre visualizei como um “Crónicas de Riddick feito pela Disney“. Com muitos altos e baixos, esta trilogia deixou-me boquiaberto com as revelações e acontecimentos finais e gostaria imenso de ver publicada em português a Era 2.

Em jeito de despedida, deixo os votos de um 2017 repleto de boas leituras. 2016 foi para mim um ano cheio delas, com os livros Jardins da Lua e Os Pilares da Terra e as BD’s The Walking Dead e Saga como os grandes destaques. Desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Está aí: Brandon Sanderson em Portugal

É verdade! É já dia 7 de Novembro que o famoso autor de Mistborn, Elantris e Stormlight Archive vem a Portugal para estar com os seus fãs. Aponta a data no teu calendário e não deixes de estar com um dos autores de fantasia mais emblemáticos do momento. Às 19:30, na FNAC Colombo, podes assistir a um encontro promovido pela Edições Saída de Emergência, como se pode ver na página de facebook da editora.

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Brandon Sanderson

Aqui ficam os links para as minhas opiniões e as sinopses da editora, aos seus livros já publicados em português (saga Mistborn – Nascida das Brumas):

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O Império Final

Primeiro volume de uma nova série de um dos autores que mais sucesso teve nos últimos anos na fantasia.

Num mundo onde as cinzas caem do céu e as brumas dominam a noite, o povo dos Skaa vive escravizado e na absoluta miséria. Durante mais de mil anos, o Senhor Soberano governou com um poder divino inquestionável e pela força do terror. Mas quando a esperança parecia perdida, um sobrevivente de nome Kelsier escapa do mais terrível cativeiro graças à estranha magia dos metais – a Alomancia – que o transforma num “nascido nas brumas”, alguém capaz de invocar o poder de todos os metais.
Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…

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O Poço da Ascensão

Uma das sagas de fantasia que mais sucesso teve nos últimos anos. Todos os fãs do género deveriam ler.

Alcançaram o impossível: o mal que governara o mundo pela força do terror foi derrotado. Mas alguns dos heróis que lideraram esse triunfo não sobreviveram, e eis que surge uma nova tarefa de proporções igualmente gigantescas: reconstruir um novo mundo. Vin é agora a mais talentosa na arte e técnica da Alomância e decide reunir forças com os outros membros do bando de Kelsier para ascender das ruínas de um passado vil.
Venerada ou perseguida, Vin sente-se desconfortável com o peso que carrega sobre os ombros. A cidade de Luthadel não se governa sozinha, e Vin e os outros membros do bando de Kelsier aprendem estratégia e diplomacia política enquanto lidam com invasões iminentes à cidade.
Enquanto o cerco a Luthadel se torna cada vez mais apertado, uma lenda antiga parece oferecer um brilho de esperança: o Poço da Ascensão. Mas mesmo que exista, ninguém sabe onde se encontra nem o poder que contém… Resta a Vin e aos seus amigos agarrar esta fonte de esperança e conseguir garantir o seu futuro e futuro de Luthadel, cumprindo os seus sonhos e os sonhos de Kelsier.

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O Herói das Eras Parte 1

Quem é o Herói das Eras?

Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.

O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva  foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?

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O Herói das Eras Parte 2

Quem é o Herói das Eras?

O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?
Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?
Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.

TAG – Os Cavaleiros do Apocalipse

Boa noite, amigos! Trouxe-vos uma tag literária e espero que se divirtam. Os Cavaleiros do Apocalipse? Eu sei que parece estranho, mas depressa vão perceber. Usando pormenores de trechos da Bíblia, mais propriamente do Livro da Revelação, identificarei capas de livros. Vamos a isso?

#1 Peste

E eu vi, e eis um cavalo branco; e o que estava sentado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo…

#1.1. Um livro com um cavalo na capa

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A Tormenta de Espadas, de George R. R. Martin

Mais do que um verdadeiro refresh na literatura de fantasia, George R. R. Martin veio dar um novo significado a este género literário, mostrando ao mundo que fantasia não é feita somente de elfos e princesas guerreiras. Tormenta de Espadas é o terceiro livro de Crónicas do Gelo e Fogo, sendo o quinto da edição portuguesa e um dos mais empolgantes da série literária.

# 1.2. Um livro com um arco na capa

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A Manopla de Karasthan, de Filipe Faria

Primeiro volume de Crónicas de Allaryia, A Manopla de Karasthan foi das primeiras obras de fantasia a emergir no panorama nacional no início deste século, à época em que a adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis acrescentava uma legião de fãs para o género. Amado por uns e odiado por outros, Filipe Faria conquistou lugar cativo nas livrarias portuguesas.

#1.3. Um livro com uma coroa na capa

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O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon

Esta edição compreende os dois primeiros volumes da série Os Reis Malditos, na qual Maurice Druon narra a história de Filipe, o Belo, rei de França. Mais do que isso, fala da maldição que o acossou, como à sua prole, após ter queimado vivo o grão-mestre da Ordem dos Templários, condenando a confraria à extinção. Um rigor histórico notável e uma escrita rápida e vibrante.

#2 Guerra

E saiu outro, um cavalo vermelho; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

#2.1. Um livro com capa vermelha

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O Herói das Eras Parte 1, Brandon Sanderson

Mistborn – Nascidos da Bruma é uma das séries literárias de fantasia mais faladas da atualidade. Brandon Sanderson ganhou fama ao terminar a série A Roda do Tempo após a morte de Robert Jordan e desde então não parou. Conhecido por publicar com grande frequência, sempre com sistemas de magia originais, tem em Misborn uma das suas protagonistas mais carismáticas, Vin.

#2.2. Um livro com a palavra “Terra” na capa

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Os Pilares da Terra, de Ken Follett

Com uma prosa elegante e uma capacidade raríssima de fazer o leitor sentir-se na época descrita, Ken Follett apresenta-nos um livro emocionante, que relata um período conturbado da História de Inglaterra, onde a construção de um mosteiro ganha protagonismo num braço de ferro entre a Igreja e a Coroa. Os Pilares da Terra é um dos livros mais emocionantes que já li.

#2.3. Um livro com uma espada na capa

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Histórias de Aventureiros e Patifes, Vários Autores

Com organização de George R. R. Martin e Gardner Dozois, Histórias de Aventureiros e Patifes é a primeira parte da antologia Rogues, uma colectânea de contos sobre patifes, escrita por alguns dos mais conceituados autores de fantasia, ficção científica e romance policial. A segunda metade já foi publicada e também opinada no blogue.

#3 Fome

E eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: “Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho.

#3.1. Um livro com capa preta

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Príncipe dos Espinhos, Mark Lawrence

Primeiro volume da Trilogia dos Espinhos, de Mark Lawrence, Príncipe dos Espinhos apresenta o Príncipe Honório Jorg Ancrath, e a sua sede de vingança pela morte da mãe e irmão. Um mundo medieval pós-apocalíptico bem constuído, uma escrita envolvente e elegante, mas um desenvolvimento aquém das expectativas.

#3.2. Um livro com uma mão na capa

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O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Com uma escrita envolvente, Oscar Wilde fala sobre o egocentrismo e sobre o papel que as aparências ocupam nas nossas vidas. Ao mesmo tempo que as hipocrisias de comportamento são retratadas com grande rigor, a obsessão pela beleza também é um dos principais temas do livro.

#3.3. Um livro com vigaristas na capa

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As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch

Um dos meus autores de eleição, Scott Lynch revolucionou o mundo da fantasia com uma trama ao mesmo tempo leve e complexa, num mundo inspirado na Itália renascentista. Uma trupe de jovens ladrões protagoniza a história, recorrendo somente à sua matreirice para ludibriar os mais poderosos senhores do submundo camorri. A escrita deliciosa e os diálogos cómicos são os ex-libris deste autor.

#4 Morte

Então ouvi a quarta Criatura:”Venha” e apareceu um cavalo baio, o nome do cavaleiro era Morte e o Inferno o seguia de perto.

#4.1. Um livro com uma Criatura na capa

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Lisboa Triunfante, David Soares

Esta raposa não é somente uma raposa. É uma criatura mitológica, que atravessa as eras e interfere nos seus acontecimentos. Do lado oposto tem um miserável lagarto, e os dois têm medido forças ao longo dos séculos, participando ativamente na construção da Lisboa que hoje conhecemos. Com uma escrita excelente e um conhecimento histórico impressionante, David Soares criou um romance extraordinário de fantasia histórica.

#4.2. Um livro com a palavra “Morte” na capa

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A Morte Persegue-me, Ed Brubaker e Sean Phillips

Este livro de banda-desenhada é o primeiro volume da série Fatale. Uma mulher misteriosa que traz azar a todos aqueles com quem se cruza é a protagonista desta história sinistra que mescla temas como a imortalidade, a corrupção e o ocultismo. O legado de H. P. Lovecraft surge inegavelmente associado às criaturas apresentadas.

#4.3. Um livro com a palavra “Inferno” na capa

Inferno

Inferno, Dan Brown

Com uma estrutura similar a outros livros do autor, como O Código DaVinci ou Anjos e Demónios, Inferno distingue-se pelo tema (a sobrepopulação) e pela originalidade na conceção do vilão. Assustador e extremamente visual, esta aventura de Robert Langdon está entre as minhas favoritas do escritor norte-americano.

Sintam-se à vontade para fazer a vossa tag. Mas, pormenor importante, só conta livros que já tenham lido, mesmo que ainda não tenham comentado. Até à próxima.

TAG – A Seleção

Viva! Chegamos ao novo semestre e antes de sair a primeira review, nada melhor do que responder a mais uma TAG. Aqui vai:

#1 Qual o livro que mais queres ler?

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Tenho muita vontade de ler Lâmina de Joe Abercrombie este ano, mas só depois de terminar algumas séries que estão pendentes.

#2 O melhor livro que leste nos últimos anos

Sem título

Esta nem se questiona. O primeiro volume de Cavalheiros Bastardos de Scott Lynch foi uma surpresa enorme, e os volumes seguintes não me desiludiram.

#3 O livro que mais te desiludiu

Sem título

Podia falar de Pedro Chagas Freitas, mas se fosse por aí tinha muito que falar. Zafón foi um autor que ouvi falar muito bem, de tal modo que fiquei extremamente desiludido quando peguei em O Palácio da Meia-Noite e encontrei uma escrita extremamente juvenil, assim como uma história completamente banal e fantasiosa.

#4 Qual é o teu personagem preferido

Sem Título

Alguns personagens ficam gravados na nossa memória e, por nenhuma razão em especial, lembro-me de Gimli de O Senhor dos Anéis quando me perguntam qual o personagem preferido. Esse personagem marcou uma fase da minha adolescência. Ainda assim, personagens como a incrível Miss Marple dos livros de Agatha Christie, Leigh Teabing de O Código DaVinci, Locke Lamora de Cavalheiros Bastardos e Jean Valjean de Os Miseráveis merecem a minha menção de honra.

#5 Qual a história mais marcante?

Feast

Poderia enumerar uma série de histórias. Os Pilares da Terra, Ivanhoe, Os Miseráveis, O Senhor dos Anéis. Cada história teve o seu sabor especial, em cada altura da minha vida, mas As Crónicas de Gelo e Fogo foram talvez aquelas que mais fomentaram o meu amor pela escrita e pelo género fantástico, uma história mais dramática e emocionante.

#6 Que história gostarias de viver?

Sem título

A saga A Torre Negra leva-nos até ao Mundo Médio, um lugar onde os descendentes do Rei Artur tornaram-se cowboys. Seria muito interessante acompanhar Roland nas suas aventuras em busca da profética Torre Negra, lutando contra demónios, vampiros e outras criaturas bizarras.

#7 A capa mais bonita da tua estante

Sem título

Apesar de os dois últimos volumes de Mistborn terem ficado um pouco diferentes dos primeiros, a coleção é das mais bonitas da minha estante em termos de lombada, e o primeiro volume, O Império Final, tem a capa que visualmente mais me agrada.

#8 A capa mais feia da tua estante

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O Amigo Fritz. Não preciso de explicar porquê, ou preciso? É dos livros mais antigos que tenho em casa, apesar de ser muito bem estimado.

#9 O teu livro preferido de sempre

Rebecca

Não é nenhum fenómeno literário, nem sequer dos mais aclamados do autor, mas encantei-me com este livro de Ken Follett da primeira à última página. A história não é o seu maior atrativo. O clima de espionagem, a tensão sexual, o calor do Egito e a envolvente nazi conquistaram-me de tal modo, que A Chave para Rebecca é o livro que vem à minha memória quando penso em livro favorito.

# 10 O livro que estás a ler

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A Vingança do Assassino, quarto volume da Saga do Assassino de Robin Hobb. Está a ser uma leitura um tanto ou quanto demorada, mas espero terminá-lo em breve.

Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG – Seleção.

 

 

 

TAG – Meio Ano de Leituras

Estamos a chegar ao final do primeiro semestre, como tal é a altura propícia para responder a uma TAG sobre os livros lidos durante os primeiros seis meses do ano. Divirtam-se.

#1 A maior surpresa

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Saga é uma graphic novel repleta de bom humor com elementos sci-fi e fantásticos. Acompanhamos a par e passo a fuga de Alana e Marko, com a sua bebé, a pequena Hazel. Uma lufada de ar fresco a todos os níveis, com argumento de Brian K. Vaughan e ilustrações de Fiona Staples.

#2 O melhor final

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A saga Mistborn nunca me “encheu as medidas”, por assim dizer, mas o último volume veio amarrar pontas soltas. Posso dizer que toda a trilogia de Brandon Sanderson me deixou com um sabor agridoce. Momentos geniais e outros forçados, história super original fustigada por uma escrita banal, um mundo com muitas lacunas salvo por um ambiente bem agradável. No fim, ficam as melhores recordações da série e o final surpreendeu-me muito, o que foi ótimo. Ainda assim, tenho o primeiro volume como o melhor da trilogia.

#3 A melhor saga

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Na lista das minhas séries preferidas consta A Torre Negra de Stephen King (não é por acaso que é esta a saga que tem lugar de honra na minha mesa-de-cabeceira). E com monstros como Scott Lynch e George R. R. Martin nas suas pausas sabáticas, é a saga de King a escolhida para liderar as minhas preferências do primeiro semestre, no que diz respeito a sagas. Lobos de Calla, o quinto volume, não me desapontou.

#4 O melhor livro

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Os Pilares da Terra, de Ken Follett, foi seguramente a melhor leitura até ao momento. Um rol de personagens fascinantes, descrições deliciosas e uma composição de personalidades sublimes. Segredos sobre segredos e a construção de uma catedral servem de motor narrativo para uma história densa e emocionante sobre os problemas entre a Coroa e a Igreja na Inglaterra do século XII.

#5 A melhor BD

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Embora Saga e Tony Chu tenham sido as maiores surpresas neste género, The Walking Dead foi, seguramente, a melhor BD. Li todos os vinte e cinco volumes até agora publicados e, no seu todo, fascinaram-me. Os instintos de sobrevivência e o drama vivido após o apocalipse walker são explorados ao máximo, ao ponto de comportamentos serem discutidos e a dicotomia bem e mal ser posta à prova. Um trabalho genial de Robert Kirkman.

#6 O mais bem humorado

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A par de Saga, as aventuras do cibopata Tony Chu foram as mais divertidas que li este ano. Após uma terrível gripe aviária, o comércio de frango foi proibido e começou a ser traficado como uma droga ilegal. É nesse contexto que uma entidade reguladora de saúde do governo norte-americano contrata Chu, um homem capaz de “ler” o percurso de vida de tudo aquilo que ingere. A série divertiu-me desde o início, mas demorou a deslumbrar-me. Neste momento é uma das minhas BD’s preferidas.

#7 A maior desilusão

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Depois de ler as Histórias de Aventureiros e Patifes e ter ficado fascinado com a escrita de Gillian Flynn, vim para este Em Parte Incerta com as expectativas bem altas. O livro desapontou-me em toda a largura. Desenvolvimento forçado, personagens desinteressantes e escrita cansativa.

#8 A melhor capa

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Gostei imenso da capa do quarto volume de As Águias de Roma, de Enrico Marini. A cena bélica é cativante e a expressão do rosto coaduna-se ao personagem Armínio. Podia escolher as capas dos outros volumes da série, ou até mesmo uma das muitas e excelentes capas da BD The Walking Dead, mas esta acabou por ser mesmo a que achei mais cativante.

#9 A pior capa

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A capa do livro A Balada de Antel, de Eric M. Souza, acabou por me cativar somente pelas cores utilizadas. As expressões faciais têm um aspeto estranho e o livro merecia um trabalho gráfico mais elaborado por parte da editora Saída de Emergência.

#10 A melhor composição gráfica

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Podia referir alguma BD, mas escolhi o livro Príncipe dos Espinhos, de Mark Lawrence. O trabalho gráfico da TopSeller agradou-me imenso. Não só manteve a capa original, como todo o interior foi trabalhado com bom gosto, em tons negros e brancos para sublinhar o carácter dark da obra. Deu-me muito gosto desfolhar este pequeno livro.


Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG do primeiro semestre. 🙂

Resumo Trimestral de Leituras #5

Novo ano, novas leituras. Como se tornou habitual a partir do pretérito ano, ao fim de cada trimestre faço um pequeno apanhado do que li durante esse período. O ano de 2016 começou fraquinho, mas fui apanhando o ritmo e as experiências literárias têm sido empolgantes. Destaco o meu regresso a Ken Follett, depois de um ano de hiatus, a conclusão da primeira saga Mistborn de Brandon Sanderson e a passagem por uma série de monstros da literatura como H. P. Lovecraft, Edgar Allan Poe ou até Eça de Queirós. Este último mês ficou marcado pelo meu regresso em força ao mundo dos quadradinhos.

Aqui fica a lista de leituras referente aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano:

The Call of Cthulhu – H. P. Lovecraft

Dagon – H. P. Lovecraft

Berenice – Edgar Allan Poe

Os Pilares da Terra Vol. I – Ken Follett

Os Pilares da Terra Vol. II – Ken Follett

Sally – Isaac Azimov

Em Parte Incerta – Gillian Flynn

O Poço e o Pêndulo – Edgar Allan Poe

O Defunto – Eça de Queirós

Conan, The Barbarian #5 – Brian Wood, James Harren e Dave Stewart

Brisingr, Ciclo da Herança #3 – Christopher Paolini

O Começo de Uma Era, Batalha Entre Sistemas #1 – J. A. Alves

Saga #1 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Saga #2 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Saga #3 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Dias Passados, The Walking Dead #1 – Robert Kirkman e Tony Moore

Um Longo Caminho, The Walking Dead #2 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Segurança na Prisão, The Walking Dead #3 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

O Herói das Eras II, Mistborn #3 – Brandon Sanderson

O Desejo do Coração, The Walking Dead #4 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Melhor Defesa, The Walking Dead #5 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Esta Triste Vida, The Walking Dead #6 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Calma Antes, The Walking Dead #7 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Feitos Para Sofrer, The Walking Dead #8 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Aqui Permanecemos, The Walking Dead #9 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Aquilo Em Que Nos Tornámos, The Walking Dead #10 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Temam os Caçadores, The Walking Dead #11 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Viver Entre Eles, The Walking Dead #12 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Sem título 2O ano começou com a tarefa hercúlea de ler Os Pilares da Terra, de Ken Follett, dividido em Portugal em dois volumes. Daí que tenha entremeado a leitura com contos de expoentes máximos da literatura de horror, ficando a intenção de ler mais durante o resto do ano. Comecei com The Call of Cthulhu e Dagon de H. P. Lovecraft. Enquanto o primeiro é um conto obrigatório do autor, onde conhecemos os relatos sobre a presença de uma das mais complexas e fenomenais figuras criadas pelo escritor, Cthulhu, o segundo fala sobre um prisioneiro de guerra que chega a uma terra desconhecida e depara-se com um monstro terrível. Gostei bastante de ambos, apesar do primeiro conto ser maior e um pouco confuso em determinados momentos. Berenice é um conto de Edgar Allan Poe. Bastante negro e perverso, fala-nos de um homem estranho que está noivo de uma rapariga de grande beleza. No entanto, ela começa a padecer de uma doença que a faz apodrecer aos poucos. Só os dentes é que ficam saudáveis e o homem torna-se obcecado com eles, de uma forma mórbida. Gostei muito.

Sem títuloTerminei então Os Pilares da Terra (Vol I e Vol II). Dividida em dois volumes, a famosa obra de Ken Follett é uma narrativa que todos deviam ler. Não se assustem com o número de páginas, porque vale bem a pena. Os personagens são riquíssimos e fazem-nos torcer por eles. A primeira parte é mais descritiva mas também nos ajuda a entrosar-nos com os personagens. Alguns começam como crianças e terminam o livro já com filhos crescidos. Com os conflitos pela sucessão e o papel fundamental da Igreja como pano de fundo, conhecemos profundamente algumas famílias e os seus dilemas. Tornou-se, seguramente, um dos meus livros preferidos de sempre. Terminei o mês de janeiro com Sally, um conto de Isaac Azimov de que gostei bastante. Fala de um homem que tem uma quinta onde repara carros fora de circulação, com características peculiares como o facto de terem vida própria. Como habitual em Azimov, a pergunta que se impõe é: será que a máquina se pode revoltar contra o homem? As intenções gananciosas de um abastado senhor interessado no trabalho realizado na quinta serão o motor para uma revolução.

Sem título 1O mês de fevereiro foi o mais módico em leituras. Em Parte Incerta (Gone Girl) de Gillian Flynn desiludiu-me. A autora é competente e já me tinha conquistado com um conto na antologia Histórias de Aventureiros e Patifes, mas esta história desapontou-me. Fala sobre um casal, os seus problemas matrimoniais e as suas mentes complexas. Amy e Nick vivem um casamento aparentemente perfeito, mas quando ela desaparece, o principal suspeito é o marido. Pouco a pouco vamos conhecendo melhor estes personagens e as revelações sucedem-se sem surpreender muito. Odiei o final apresentado. Voltei aos contos de terror com O Poço e O Pêndulo, de Edgar Allan Poe. Passado no período da Inquisição, em Toledo, acompanhamos os medos e angústias de um prisioneiro a caminho da morte e sentimos na pele a sua inquietação de uma forma perturbadora. Um terror bizarro, um poço e um pêndulo ameaçadores. Gostei imenso. Para terminar as leituras de fevereiro, li O Defunto de Eça de Queirós. É visto como conto de terror, mas um terror suave, quando comparado a nomes como Poe ou Lovecraft. Temos uma história trágica, o amor platónico de D. Rui de Cardenas pela esposa de D. Alonso de Lara, um encontro sobrenatural e uma armadilha tecida por um marido ciumento que não chega a bom porto. Um conto que encaixa perfeitamente na corrente mitológica nacional e na vasta panóplia de lendas que povoam o nosso Portugal.

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O mês de março ficou marcado pelo meu regresso em força às bandas-desenhadas. Comecei com um volume de Conan, The Barbarian. Excelente graphic novel a nível de argumento. Aqui acompanhamos duas aventuras de Conan, o Bárbaro. Na primeira, incluída no arco The Argos Deception, Conan é acusado de roubo e assassínio. Quando está a caminho do cadafalso para ser executado, eis que vozes erguem-se do povo, exigindo que o campeão lute pela sua vida. Na segunda aventura, Conan é contratado por uma bela mulher, para a ajudar a atravessar um cemitério pejado de vampiros. Publiquei finalmente a opinião a dois livros lidos maioritariamente durante o mês de fevereiro. Brisingr é o terceiro volume do Ciclo da Herança de Christopher Paolini, uma saga que deixei a meio já há alguns anos e que decidi terminar. Um livro pouco entusiasmante e sem acontecimentos de relevo para a ação da saga, mas que ainda assim surpreendeu-me positivamente pelo desenvolvimento de personagens e pelo protagonismo dado a factores sócio-políticos. A escrita do autor amadureceu bastante ao longo dos livros e isso nota-se largamente neste volume. Apesar de não ser grande fã de fantasia juvenil, esta saga é das melhores que já li nessa categoria. O outro livro foi Batalha Entre Sistemas, do meu amigo J. A. Alves. Nota-se a inexperiência do autor, uma história idêntica ao universo Star Wars com alguns twists muito positivos e originais. A nível de escrita, muitos erros ortográficos, muita descrição e pouco diálogo. A história foi mais contada que exibida, apesar do notável talento do autor em descrever cenários.

Sem título 2O melhor, no entanto, ficou para o fim. Li os três primeiros volumes da graphic novel Saga (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3), escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Uma space opera muito boa, cheia de humor e cenas de sexo, onde um casal estranho – uma mulher alada e um sujeito cornudo – fogem das autoridades, pelo espaço, depois de ela o ajudar a fugir da prisão onde estava detido como prisioneiro de guerra. Nesse entretanto, tiveram um bebé e agora vivem um sem-número de peripécias ao não estarem preparados para a paternidade. Um mundo original e divertido, com um príncipe com cabeça de televisão, uma mulher aracnídea, ossos-insetos e uma gata detetora de mentiras. Excelente a todos os níveis.

Sem título 2Continuei com outra graphic novel excelente, The Walking Dead (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3, Vol. 4, Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11, Vol. 12), com argumento do genial Robert Kirkman. Li todos os volumes já publicados em Portugal, que narram a história que deu origem à série de TV com o mesmo nome, até à chegada do grupo principal à comunidade de Alexandria. Uma narrativa sensacional, mostrando o dia a dia de um grupo de sobreviventes após um apocalipse zombie. Mais do que tiros, lutas e sexo, esta história mostra como as pessoas conseguem manter a sua humanidade quando tudo à sua volta se desmorona. Irei seguramente continuar, com as edições internacionais. Pelo meio, li O Herói das Eras Parte II , segunda parte do terceiro e último volume de Mistborn. A história de Vin, Elend, Susto, Sazed e companhia termina aqui. Apesar dos muitos defeitos e incongruências que encontrei ao longo da obra, apesar de a escrita do autor não me arrebatar, posso dizer que Brandon Sanderson cumpriu e surpreendeu-me. Os debates morais e ideológicos são constantes. Política, teologia e confiança são questionados de forma muito consistente (e pertinente). Porém, o que me apanhou de surpresa foi o controverso e inesperado final.

Depois de um primeiro trimestre repleto de ótimas leituras e poucas desilusões, estou ligeiramente a meio de A Balada de Antel, livro vencedor do prémio Bang! da Saída de Emergência, escrito por Eric M. Souza. Tenciono também continuar a ler bandas-desenhadas e contos. Resta-me agradecer o carinho dos que acompanham o meu blogue e espero que continuem a visitá-lo.

O Herói das Eras, Mistborn #3 (2/2)

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Herói das Eras – Parte 2”, quarto volume da série Mistborn – Nascida das Brumas

Dividido em dois volumes, o livro final da trilogia Mistborn – Nascida das Brumas chegou às nossas livrarias e não esperei muito até os adquirir. E assim que juntei todos os volumes na minha estante, fiquei com a certeza que eles ficavam muito melhor se o último livro não tivesse sido dividido pela editora Saída de Emergência. Ainda assim, valeu a pena adquirir os dois livros.

Depois de O Império Final e O Poço da Ascensão, Brandon Sanderson presenteia o leitor com uma míriade de respostas a perguntas que ficaram por responder nos últimos volumes, usando pequenos trechos antes de cada capítulo, para além da vivência dos personagens no decorrer deles, para elucidar o leitor. Esta saga de fantasia passada num mundo pós-apocalíptico exige uma certa paciência e compreensão. A complexidade dos sistemas de magia (alomância, feruquimia e hemalurgia), do mundo criado (envolto em brumas e cinza) e das raças criadas pelo Senhor Soberano (kandra, colossos e inquisidores) veio surpreender o mundo da fantasia.

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Vin (pinterest)

Neste segundo volume de O Herói das Eras, encontramos Susto, Sazed, Brisa e Alrianne na cidade de Urteau, liderando uma rebelião contra Quellion, O Cidadão, que governa austeramente a cidade. Tentando replicar a rebelião de Kelsier em Luthadel, Susto parece possuído por poderes sobre-humanos e o povo começa a idolatrá-lo, chamando-o de O Sobrevivente das Chamas. Mas serão esses poderes dignos de confiança? TenSoon foge do domínio dos kandra, desejando desesperadamente alcançar Vin para a auxiliar contra as forças malignas de Ruína.

Por sua vez, Vin encontra-se retida na cidade de Fadrex, onde uma silhueta familiar visita-a com um propósito maligno, enquanto Elend tenta desesperadamente pôr fim a um cerco e vencer os seus dilemas. Afinal, o Senhor Soberano tinha poderes de um deus, mas os verdadeiros deuses eram Ruína e Preservação, e Preservação está a morrer. Como podem homens mortais vencer um deus? Bem, Vin matou o Senhor Soberano no primeiro volume… No entanto, Rashek tinha um corpo físico.

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Capa Saída de Emergência
SINOPSE:

Quem é o Herói das Eras?

O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?
Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?
Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.

OPINIÃO:

Termino esta saga de fantasia com alguma nostalgia e, sem sombra de dúvidas, muita satisfação. Passei os últimos meses a ler estes livros e apontar-lhe falhas e incongruências, não duvidem que eles as têm, mas a forma como os personagens foram construídos, os seus dilemas e questões, fazem de Mistborn mais do que uma série de fantasia. Ela fala sobre política, teologia, ter princípios e honra, liderar, viver e sobreviver. E ainda não falei sobre o final brutal da saga.

Comecemos pelo aspeto que menos me agradou: as raças criadas e as explicações oferecidas. Tudo bem, Sanderson consegue neste último volume amarrar pontas e dar explicações consistentes. Mas odiei a hemalurgia, os colossos e os kandra, apesar de não negar o mérito do autor na sua criação. O domínio de Ruína sobre os hemalúrgicos veio tapar muitas brechas deixadas nos restantes volumes, mas achei exagerada a divinização de certos personagens.

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Alomantes (fanart)

Num mundo que o autor trabalhou no sentido de deixar credível, não gostei que o sobrenatural acabasse por ter tanto protagonismo no final do livro. Fiquei com a sensação que tivemos permanentemente a receber explicações ao longo da “trilogia”, o que demonstra que o autor não tinha bem noção de como fechar as brechas que abria, e apesar de críveis, algumas soluções soaram-me forçadas. Ainda assim, as explicações deste último volume foram muito mais consistentes e sentenciadoras, agradando-me no seu todo.

Através de Elend, Brandon Sanderson aborda a forma como os aspirantes a líderes devem agir,  desenvolvendo comportamentos coerentes e alternativas para lidar com potenciais dificuldades, a forma de liderar os domínios tomados e o tratamento a dar aos povos submetidos, de modo a firmar o seu poder. Com Sazed, aborda a fé e a falta dela, discutindo a importância das religiões e a verdade que nelas há. Com Vin, a temática do amor e da confiança salta à vista. É uma das personagens com quem menos me identifiquei, mas não só a forma como ela aprendeu a confiar, como a forma como todos depositam nela as suas esperanças, fala muito sobre cada um de nós e das nossas vivências. Através de Susto, o autor mostra como até a pessoa mais subestimada e ignorada pode fazer a diferença.

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O Sobrevivente das Chamas (pinterest)

Uma ou outra cena podem ter sido expectáveis, previsíveis, mas nada me havia preparado para o final que Sanderson reservou a esta primeira série de Mistborn. Pessoas tornaram-se deuses, sujeitos improváveis tiveram papéis determinantes na luta pela sobrevivência do mundo, personagens secundários tomaram o papel principal. O final dos protagonistas e a revelação do Herói das Eras surpreenderam-me. Foi um remate bem dado que me faz dar a nota que dou a este livro. Mas este final, intenso e abrupto, dos melhores que já li na vida, quase merecia nota máxima, não fossem os handicaps acima registados.

Nota: 8/10

Mistborn (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Resumo Trimestral de Leituras #4

Chegamos ao fim do ano e, mais do que o habitual resumo trimestral de leituras, exige-se um breve resumo de tudo o que li este ano. Foi um ano excelente, em que consegui ler mais do que imaginava e livros que tinha vontade de conhecer há muito tempo.

Aqui vai a “listinha” :p :

Lisboa no ano 2000 – Org. João Barreiros
O Espião que Saiu do Frio – John le Carré
O Coração é um Predador Solitário – João Barreiros
O Saque de Lampedusa – João Barreiros
A Cativa, Wulfric #1 – Manuel Alves
Mares de Sangue, The Gentleman Bastards #2 – Scott Lynch
Exhalation – Ted Chiang
Suspeito – Robert Crais
Os Anjos Não Têm Asas – Ruy de Carvalho
A Lenda do Vento, A Torre Negra #4,5 – Stephen King
As Raparigas Cintilantes – Lauren Beukes
Operação Tolerância Zero, X-Men #65 – Scott Lobdell
Os Anos Perdidos, Merlin #1 – T. A. Barron
Coisas Frágeis – Neil Gaiman
The New Atlantis – Ursula K. Le Guin
Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett
Operação Tolerância Zero, Wolverine #13 – Scott Lobdell
Voo Nocturno – Antoine de Saint-Exupery
O Miniaturista – Jessie Burton
As Terras Devastadas, A Torre Negra #3 – Stephen King
As Cidades Invisíveis – Italo Calvino
O Monarca – Vassilis Vassilikos
Alice in Wonderland – Lewis Carroll
O Punhal do Soberano, Saga do Assassino #2 – Robin Hobb
Duna, Crónicas de Duna #1 – Frank Herbert
A Grande Matança, Sin City – Frank Miller
República de Ladrões, The Gentleman Bastards #3 – Scott Lynch
Cardiga: De Comenda a Quinta da Ordem de Cristo (1529 – 1630) – Luís Batista
Os Leões de Al-Rassan – Guy Gavriel Kay
A Rapariga no Comboio – Paula Hawkins
A Voz da Vingança, Tigana #2 – Guy Gavriel Kay
O Império Final, Mistborn #1 – Brandon Sanderson
A Sombra Sobre Lisboa – Org. Rogério Ribeiro
Lisboa Triunfante – David Soares
O Feiticeiro e a Bola de Cristal, A Torre Negra #4 – Stephen King
A Tumba – H. P. Lovecraft
A Corte dos Traidores, Saga do Assassino #3 – Robin Hobb
O Poço da Ascensão, Mistborn #2 – Brandon Sanderson
O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
Histórias de Aventureiros e Patifes – Org. George R. R. Martin e Gardner Dozois
A Celebração – H. P. Lovecraft
O Herói das Eras, Mistborn #3 Parte 1 – Brandon Sanderson
Tis The Season – China Miéville

Sem títuloEste último trimestre começou com a leitura de dois livros comprados a 5 euros na Feira do Livro do Porto. A Sombra Sobre Lisboa é uma antologia muito interessante, de vários autores portugueses e um ou outro internacional, que formaram contos inspirados na obra de H.P. Lovecraft passados na nossa Lisboa. Para mim os melhores contos foram as criações de João Seixas, João Barreiros e David Soares. Desde um Eça de Queirós a lutar contra zombies e um arroz de polvo feito do mítico Cthulhu, podemos encontrar de tudo. Logo depois li Lisboa Triunfante, de David Soares, e adorei. É um livro que atravessa Lisboa em todos os espaços temporais, começa a contar a história de um menino no neolítico, apresenta-nos vários personagens ao longo da história de Lisboa, como Aquilino Ribeiro, Sá de Miranda, Frei Gil Valadares, com papéis muito importantes na narrativa, e não como simples figurantes. Mas é um livro de fantasia, de imaginação, carregado de simbolismos, desde a Pré-História ao futuro, passando pelos templários. É uma amálgama de tantas histórias quase verídicas, nas quais não saímos alheios à pesquisa notável do autor, utilizadas para o seu proveito narrativo, que se interligam numa história rocambolesca. É que tudo gira à volta de uma raposa e de um lagarto, que interferem no destino do mundo desde a sua génese. Como podem ver neste post, elegi-o como o melhor romance que li este ano.

Sem títuloContinuei então a saga A Torre Negra de Stephen King com o quarto volume, O Feiticeiro e a Bola de Cristal.  É um livro que me deixa excelentes recordações e me dá vontade de continuar a saga, apesar de ter sido uma leitura cansativa, porque a história podia ter sido contada em metade das páginas. Pois, são 840 páginas, e a maioria é a contar uma história do passado do protagonista, uma história de amor no faroeste do Mundo Médio. No entanto, vamos percebendo que aqueles enredos tiveram uma razão de ser e o final deixou-me de água na boca. Também notei bastante que o autor estava um pouco perdido na narrativa por esta altura do campeonato. A Tumba é um conto de terror de H. P. Lovecraft. É extremamente envolvente e negro, mas em momento nenhum cheguei a sentir-me perturbado. Conta a história de um homem internado num asilo psiquiátrico, que em jeito de autobiografia fala da sua infância e com normalidade aponta as coisas “não vivas” que lhe despertavam interesse, em especial uma sepultura de família que ele venerava com uma obsessão doentia. Gostei bastante dos acontecimentos em torno dessa sepultura, mas fica no ar a incerteza sobre se o homem era louco ou se aquilo foi real. A Corte dos Traidores é o terceiro volume da Saga do Assassino da Robin Hobb. É uma saga passada num ambiente medieval, com personagens de nomes estranhamente pitorescos. A escrita de Robin Hobb é fluente e as relações humanas são extremamente bem retratadas, não é à toa que Hobb é chamada a Primeira Dama da Fantasia. Ainda assim, e apesar de este volume ter bem mais ritmo e acontecimentos de destaque em volta do protagonista Fitz, não consigo gostar muito da série.

Sem título 4Terminei Novembro com O Poço da Ascensão, segundo volume da saga Mistborn. Se O Império Final foi uma agradável surpresa para mim, O Poço da Ascensão já não gostei tanto, e os poderes “mágicos” da protagonista contribuíram para perder a credibilidade do mundo apresentado. Ainda assim, foi um livro muito interessante, com vários dilemas morais. Brandon Sanderson fez-me refletir bastante sobre relações humanas, de amor e amizade, mas acima de tudo os debates em volta da honestidade de um rei e no papel que ele deve ter fez-me lembrar o Príncipe de Maquiavel. A questão religiosa e a forma como a fé interfere no nosso modo de vida foi muito pertinente. Uma surpresa muito agradável foi O Retrato de Dorian Gray. Nunca vi o filme, mas adorei o livro. A história de um jovem aristocrata britânico idolatrado por todos graças à sua beleza, que o torna obcecado pelo superficial da vida e pelo prazer momentâneo. Uma experiência enriquecedora, porque tanto a escrita de Oscar Wilde como todas as críticas que ele apresentou de forma discreta fizeram imenso sentido para mim. Seguiu-se Histórias de Aventureiros e Patifes. Já queria ter esta antologia desde que foi publicada no Brasil. Organizada por George R. R. Martin, o autor de A Guerra dos Tronos, e com contos de autores como Neil Gaiman, Patrick Rothfuss e Scott Lynch, só podia ser um brilhante livro de contos. De facto, não foi tão brilhante como eu presumia, mas não deixou de ser uma leitura muito agradável. No conjunto, o conto de Lynch foi o meu preferido. Não conhecia o trabalho de Gillian Flynn, nem de Connie Willis, mas fiquei deliciado com as duas escritoras.

Sem títuloA Celebração (The Festival) é um ótimo conto de H. P. Lovecraft. Um sujeito encontra-se a revolver o passado da sua família e encontra um livro, o maligno Necronomicon, que o coloca numa espécie de transe que o conduz às catacumbas sob uma igreja, onde vive um mal muito antigo. É arrepiante a descrição pormenorizada dos rituais, das criaturas, da procissão. Adorei. Voltei a Brandon Sanderson para ler a primeira parte do terceiro volume original de Mistborn. Em O Herói das Eras, Vin e Elend estão mais unidos do que nunca, agora que ele finalmente revela todo o seu potencial. Os cenários mudam e o casal tenta manter o Império unido, ao mesmo tempo que precisam lutar contra o mal incorpóreo que libertaram no Poço da Ascensão. Nota-se um excelente desenvolvimento de personagens, as pontas estão a ser bem amarradas, mas ainda assim algumas explicações dadas pelo autor pareceram forçadas e as espécies criadas pelo Senhor Soberano desagradaram-me.  Tis The Season é um conto natalício do autor de ficção científica China Miéville. É passado num futuro em que tudo o que está relacionado ao Natal tornou-se marca registada de uma empresa. Ao mesmo tempo crítico e cómico, o conto fala-nos sobre um pai divorciado que, ao procurar uma prenda para a filha, ganha bilhetes para comemorar o Natal no centro de Londres. É aí que estala a confusão. Gostei bastante, este é um autor que só oiço falar muito bem e tenho pena de ainda não estar publicado em português. E assim termina o meu 2015 em termos literários. Um excelente 2016 para todos vós que seguem o meu blogue. 😀