Estive a Ler: Os Braceletes da Perdição, Mistborn 2.ª Era #3

Flor bonita – disse o kandra. – Posso ficar com o seu esqueleto quando você morrer?

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “OS BRACELETES DA PERDIÇÃO”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

Publicado em janeiro de 2016, The Bands of Mourning é o terceiro livro da chamada Segunda Era Mistborn, também conhecida informalmente como a saga Wax & Wayne. Ao contrário da primeira série, porém, não se trata do último livro da saga, faltando ainda um volume, The Lost Metal, previsto para 2019. Após a leitura deste livro, é recomendada a pequena história Mistborn: Secret History, que explica mais detalhadamente o que foi aquele epílogo.

O livro é mais uma das criações inventivas do autor norte-americano Brandon Sanderson. Li a versão brasileira da Leya, com um total de 384 páginas e tradução de Alexandre Martins, incluída no box lançado na ComicCon de São Paulo do ano passado, que incluiu os três livros da série já publicados internacionalmente pela Tor. O título em português ficou Os Braceletes da Perdição, nome bem familiar para quem acompanhou a primeira trilogia, já publicada em Portugal.

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Fonte: https://botanicaxu.deviantart.com/art/Wax-and-Wayne-532612812

Alguém falou em organização? Steris Harms chamada à caixa.

Antes de avançar no dissecar deste enredo e em explicar mais detalhadamente o que gostei mais ou menos neste livro, quero deixar claro uma coisa: o segundo volume, As Sombras de Si Mesmo, é o meu preferido até agora de Mistborn, o que não significa que este terceiro volume tenha sido muito inferior. A respeito da Cosmere, o universo compartilhado, o mundo foi aqui muito mais explorado, e mesmo as personagens principais foram bem mais desenvolvidas.

A questão é que Brandon Sanderson habituou-nos a um ambiente meio faroeste, nos primórdios da Indústria, com toda uma parafernália de coches, salões de festa e vestidos de época convencionais, para de repente nos fazer avançar a 300 km / hora para um outro tipo de tecnologias. Nada contra, mas meio que a história perdeu a mística que vinha a criar. Se já no segundo volume havia uma certa estranheza com os primeiros carros a motor, o que dizer agora de

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aeronaves movidas a alomância? 

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-3-os-braceletes-da-perdicao/

E não é só isso. As Sombras de Si Mesmo trouxe uma investigação incrível no interior de Elendel, com perseguições e lutas alomânticas extraordinárias, com estratégia policial e uma história à Sherlock Holmes envolvendo kandras – e quem leu a Primeira Era sabe bem das peculiaridades destes “bichinhos”. A trama foi toda muito bem amarrada e terminamos o livro com a sensação de desfrute, alívio e realização.

“A segunda metade do livro é bem mais corrida, mas penso que o livro todo teve um ritmo coerente e bem equilibrado.”

Os Braceletes da Perdição é um livro bem mais pretensioso. E enrola-te mais o cérebro – o que não é mau. Achei a primeira metade do livro algo parada, com dificuldade em desenvolver-se. Ainda assim, teve algumas das minhas passagens preferidas, como um ataque a um comboio e uma incursão noturna a um cemitério, por exemplo, bem como a estranheza do nosso protagonista ao encontrar um telefone, mal sabia ele o que viria a encontrar de seguida. Houve ainda uma espécie de casamento, que – tipo – meteu água. 

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/421860690076262168/

A segunda metade do livro é bem mais corrida, mas penso que o livro todo teve um ritmo coerente e bem equilibrado. E acima de tudo, soube desenvolver bem as personagens. Confesso que na minha cabeça tenho ainda dificuldade em distinguir Steris e Marasi. Tudo bem que têm o tal parentesco, mas apesar de serem bem diferentes em personalidade, olho para elas com traços físicos semelhantes e mesmo as falas delas parecem-me iguais.

Wax e Wayne voltaram a ter o destaque da série, ou não fossem eles – será? – os protagonistas. Apesar disso, o painel de personagens femininas é bem mais extenso e Marasi reclama cada vez mais para si o papel que Vin desempenhou na Primeira Era. Ainda assim, também Steris, MeLaan e Telsin revelaram-se personagens incríveis. Se as piadas de Wayne já não me pareceram tão frescas neste volume, o mesmo não posso dizer de MeLaan. Posso ter uma kandra daquelas? Tipo… de estimação?

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Fonte: http://www.gramunion.com/zelloss.tumblr.com?page=12

Mistborn deu um passo em frente na evolução. Descobrimos mais sobre outros povos, sobre Harmonia, sobre o mundo em si. Afinal, Elendel pode estar bem menos evoluída do que o resto de Scadrial. Wax, Wayne, Marasi e companhia saíram de Elendel, depois do kandra ReLuur ter descoberto a localização dos famosos Braceletes da Perdição, as incríveis mentes de metal do Senhor Soberano, e lhe ter sido removida uma estaca, para o deixar sem memória.

“A trama [do volume anterior] foi toda muito bem amarrada e terminamos o livro com a sensação de desfrute, alívio e realização.”

Ao mesmo tempo que eles acreditam que o Grupo, comandado pelo enigmático Senhor Elegante, está envolvido no assunto, Wax descobre que ele mantém a sua irmã Telsin, que não vê desde criança, como prisioneira. E é para a salvar que ele empreende uma jornada heróica que inclui mil e uma aventuras e mil e dois saltos alomânticos. Passamos de um clássico de faroeste a uma aventura de ficção científica num piscar de olhos, para assistirmos a uma fita de Indiana Jones no último quarto do livro.

Todas estas mudanças fazem-me gostar mais do segundo volume, mas a verdade é que não desgostei da forma como me foram apresentadas tanto as tecnologias como as mudanças de cenários. Mistborn está cada vez mais fluída e surpreendente, e apesar de não ter gostado de uma morte e de um encontro com Deus que não deu em nada, acho que esse lado supra-fantasioso do Sanderson vai estar sempre nas suas obras, gostemos ou não.

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Fonte: https://www.pinterest.co.uk/pin/759138080911129336/

Porém, ainda gostava que ele voltasse a ter o sangue-frio da Primeira Era na hora de matar de forma definitiva as suas personagens. Até aqui ainda não aconteceu, mas espero que o último volume venha a fechar todas as tramas e até optar por uma maior crueldade na hora de encerrar portas. Porém, ele parece estar mais interessado em ressuscitar um e outro e mais outro, do que em matar personagens. 

Quanto a este livrinho, os momentos mais Woow! acabam por ser a aparição de Hoid (que entra em quase todos os livros de Brandon Sanderson) e a moeda que ele dá a Wax, em que uma das faces revela um rosto com um olho coberto por uma estaca, bem como aquele epílogo de cortar a respiração. Que venha The Lost Metal! Até lá, talvez leia Secret History para compreender o que aquele “nosso velho amigo que quem leu sabe e mais não posso dizer” estava ali a fazer. E, claro, que venham mais cavalgadas e viagens de comboio no próximo volume.

Avaliação: 7/10

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

 

 

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Estive a Ler: As Sombras de Si Mesmo, Mistborn 2.ª Era #2

Ele estava tentado a chamar este dia de o pior da sua vida, mas isso certamente seria um exagero. O pior dia da sua vida seria quando ele morresse.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO AS SOMBRAS DE SI MESMO, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

Shadows of Self no original, As Sombras de Si Mesmo é o segundo volume da segunda era Mistborn, também apelidada de série Wax & Wayne. O autor é o famoso Brandon Sanderson, um dos mais comentados aqui no NDZ que, não satisfeito em criar todo um universo para as suas séries de ficção, a Cosmere, decidiu também mostrar a evolução desses mundos. Mistborn é a série que narra a vida no mundo de Scadrial.

O autor tem em mente fazer quatro eras para este mundo, sendo que ainda lhe falta finalizar o quarto e último livro desta segunda era, que será chamado The Lost Metal. Se a primeira era apresentou um mundo pós-apocalíptico com inspiração mais medieval, os eventos desta era passam-se trezentos anos depois, com a América do início do século XX como inspiração. Li a versão brasileira da Leya, com tradução de Márcia Blasques e um total de 336 páginas.

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Fonte: https://br.pinterest.com/pin/856387685361773104/

As Sombras de Si Mesmo é um livro repleto de ação, adrenalina e plot-twists, como vem sendo apanágio do autor. Para mim, é seguramente um dos melhores volumes de Mistborn que já li até ao momento, se não mesmo o melhor. Não porque as revelações me tenham deixado on fire, como é comum acontecer, mas porque senti mais maturidade por parte do autor, um entrosamento bem sólido e, mais do que isso, finalmente Brandon Sanderson consegue trazer aquela irreverência e humor que lhe faltou na primeira trilogia.

“As Sombras de Si Mesmo é um ótimo livro de ficção fantástica, com uma reta final repleta de revelações surpreendentes.”

Depois de encontrar no primeiro volume um western mais tradicional, apesar de conter vários elementos tipicamente Mistborn, este segundo começou mais morno, sendo até bastante lento até ao final do primeiro terço do livro. No entanto, isso serviu para dar consistência ao volume, um pouco à imagem do que acontecera no segundo romance da primeira era, O Poço da Ascensão. Vamos então dissecar um pouco as personagens principais deste livro, sem spoilers que uma sinopse não traga.

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-2-as-sombras-de-si-mesmo/

Waxillium Landrian é quase o Batman lá do sítio, embora não precise de se esconder atrás de uma máscara. Um justiceiro admirado por uns e odiado por outros, bem por conta das suas origens abastadas que muitos julgam não merecer. Nunca superou totalmente a morte da esposa, mas isso não o impediu de forjar um casamento por conveniência, que pode ditar o destino da sua Casa. É o grande protagonista da série, e apesar de ser perspicaz e emocional, é nas cenas de ação que ele se destaca, ao conseguir usar tanto a alomância como a feruquimia.

Wayne é o alívio cómico da série. Apesar de ser visto como o co-protagonista desta segunda era, Wayne tem um papel e uma importância muito menor do que Wax nas problemáticas de Mistborn. Ele existe praticamente só para gozar o prato, imitar sotaques e queixar-se da falta de chapéus, e não diz uma frase sem lançar uma piada. Neste volume, as interações entre Wayne e a kandra MeLaan foram simplesmente deliciosas, bem ao nível dos Gentleman Bastards de Scott Lynch. Aquela competição sobre quem arrotava mais alto foi um must.

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Fonte: https://inkthinker.deviantart.com/art/Mistborn-RPG-Alloy-Heroic-Archetypes-477273243

Marasi Colms é o terceiro vértice deste triângulo. Apesar da importância de outras mulheres nesta segunda era, como Steris, que aparece pouquíssimas vezes mas convence quando o faz, MeLaan, Lessie, Ranette ou Paalm, a Sangradora, Marasi é a única com pontos de vista. Ela é uma polícia de secretária com ocasionais trabalhos de campo, tenente sob a autoridade do alto comissário Claude Aradel. Inventiva, metódica, simples e empenhada, Marasi mostra-nos que a sociedade pode ser melhor se trabalharmos para isso.

“Sanderson soube jogar com o saudosimo dos leitores, mas essa está longe de ser a maior qualidade deste livro.

A cidade de Elendel é o palco de uma perseguição desenfreada à la Anjos e Demónios. Devido ao crescimento do desemprego e da corrupção, alguém decidiu virar o tabuleiro ao contrário. Anda um kandra louco à solta, e a vida do governador Replar Innate pode estar em perigo. Após a morte do seu irmão Winsting, num massacre que vitimou a grande maioria dos mafiosos de Elendel, o caos foi lançado na cidade e o governador tem um alvo na testa. Padres são assassinados, a comunicação social está em polvorosa, e cabe às autoridades assegurar o bem-estar da população.

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Fonte: https://www.pinterest.com/raremetaphor/brandon-sanderson/

Se em A Liga da Lei, o primeiro volume desta era, o ambiente tinha muito mais sinais de western, seja através dos tiroteios, bandidos de rosto coberto, armazéns abandonados, fabrico de armas, viagens de comboio e poeira no ar, este segundo volume é mais concentrado no centro da cidade, logo traz uma aura um pouco mais avançada, com maior destaque para a organização da polícia e para o dealbar dos primeiros automóveis a motor, que ainda causam estranheza ao comum dos mortais.

Ainda assim, momentos como a ida de Wax ao interior da cidade, onde se esconde uma vila terrisana, traz uma ideia de povoação indígena, e fica claro que esta Elendel vive num mundo que deveria ter evoluído mais, como sugerem as palavras de Harmonia. Monumentos e ruas são dedicados aos heróis da primeira era, como Vin, Elend, SustoBrisa ou Kelsier, mas mais do que isso, a partir deste segundo volume temos muitas mais referências ao Senhor Soberano e aos nossos velhos conhecidos.

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Fonte: https://calebrostedt.wordpress.com/2016/04/19/mistborn-second-era-review-wax-wayne-and-kelsier/

Não gostei particularmente que Wax tenha sido um escolhido pessoal de Harmonia, até porque prefiro abordagens mais casuais e menos fantasiosas, mas voltar a “ver” personagens como Sazed ou TenSoon foi uma sensação bem agradável, depois da breve aparição de um outro velho amigo, Marsh, em A Liga da Lei. Sanderson soube jogar com o saudosimo dos leitores, mas essa está longe de ser a maior qualidade deste livro.

Como referi antes, o humor de Wayne e MeLaan e as perseguições de Marasi e Wax à Sangradora foram excelentes, bem como as cenas de luta alomântica do protagonista, mas também as descrições dos eventos com o governador e a incrível festa em que Wayne se disfarçou de cientista ficaram-me bem marcadas na retina. As Sombras de Si Mesmo é um ótimo livro de ficção fantástica, com uma reta final repleta de revelações surpreendentes.

Avaliação: 8/10

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

Estive a Ler: A Liga da Lei, Mistborn 2.ª Era #1

Era uma boa arma, não tão boa quanto as de Ranette, mas pequena e adequada para um cavalheiro. Tinha decidido que seria um lorde, e não um homem da lei, mas isso não significava que sairia por aí desarmado. Isso… bem, isso seria simplesmente insano.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A LIGA DA LEI”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE MISTBORN 2.ª ERA

A Liga da Lei surgiu como um mero exercício de escrita, quando Brandon Sanderson preparava-se para começar a trabalhar no décimo terceiro livro da aclamada série A Roda do Tempo de Robert Jordan, a qual foi incumbido de terminar após a morte do autor. Embora tenha sido escrito de forma leve e descontraída, Brandon acabou por decidir juntar este livro ao cânone da sua série Mistborn, tornando-o uma ponte entre a primeira e a segunda trilogia. Tornou-se, porém, o primeiro dos quatro livros da segunda fase, também chamada de série Wax & Wayne.

Mistborn é uma das séries mais aclamadas do autor do Nebraska. Atualmente, Brandon vive com a esposa e os filhos no Utah e dá aulas de escrita criativa na Brigham Young University. É um dos autores mais populares da atualidade, reconhecido pelas suas imensas séries em produção contínua. Esta edição brasileira da Leya tem um total de 288 páginas e tradução de Petê Rissati, tendo sido lançado num box conjunto com os primeiros três livros na última ComicCon de São Paulo.

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Fonte: http://www.pelatocadocoelho.com.br/noticias/leya-lanca-box-da-segunda-era-de-mistborn-na-ccxp/

Pois é, voltei a Scadrial, o fragmento de mundo da Cosmere onde se passa Mistborn. Se andas desatualizado, a Cosmere é o universo compartilhado da grande maioria das obras do autor norte-americano Brandon Sanderson. A primeira era de Mistborn apresentou-nos uma história sobre minorias e superação, um sistema de magia que se dividia em alomânticos, feruquimistas e hemalúrgicos, em bom português uma variedade de personagens com capacidades incríveis graças às alterações metabólicas que a ingestão de metais, o uso de braceletes ou o contacto com aço na pele podem causar a quem possui determinada ascendência familiar.

“Wax vê-se envolvido numa conspiração sem precedentes, ao mesmo tempo que tenta resolver os problemas da família.”

Mas o mundo que conhecemos na primeira era de Mistborn mudou. Passaram-se trezentos anos e vive-se agora numa Era Industrial, com os primeiros automóveis a aparecerem, armas de fogo a serem sacadas dos coldres e toda uma parafernália de tecnologias a despontar. Não esperem a escala de épico que testemunharam na primeira era. Este livro é quase um western puro e duro, meio que tipo… com super-heróis, se olharmos dessa forma para alomânticos e companhia.

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Fonte: http://leya.com.br/mistborn-segunda-era-vol-1-a-liga-da-lei/

A Liga da Lei é um bom livro de entretenimento. Ele não te traz em nenhum momento uma dimensão de incrível, mas vale muito a pena, não só pelas intermináveis sequências de ação em que vês cowboys a voar, Puxar e Empurrar, criar bolhas de tempo, aumentar e diminuir força, como tens uma investigação policial a resolver e ainda as larachas sempre bem metidas de um dos protagonistas. Em boa verdade, não fosse o humor, o livro não tinha metade da qualidade.

Wax e Wayne são os dois protagonistas do livro. Eles são uma espécie de justiceiros nas Terras Brutas, determinados em levar a lei aos povoados mais desprotegidos. São descendentes de terrisanos, por isso possuem não só as capacidades mágicas dos alomânticos (como Vin, Kelsier e companhia), como as dos feruquimistas (como Sazed), o que os faz serem chamados de duplonatos. Wax é o diminutivo de Waxillium Landrian, um homem da lei de origens abastadas que encontrou o amor nas Terras Brutas, onde se fixou com Lessie, a mulher.

Uma série de acontecimentos, envolvendo a morte de familiares, faz com que Wax regresse a Elendel – a antiga Luthadel – uma cidade cosmopolita onde é obrigado a manter as aparências e a gerir uma imensa propriedade. É aqui que conhecemos Tillaume, o velho mordomo, bem como o estado calamitoso das finanças da família. Para tentar salvar a situação, é proposto que Wax venha a casar com Steris, filha do senhor Harms, um acordo de conveniência que deixa os Harms ligados ao bom nome dos Landrian e os Landrian com o dinheiro dos Harms.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/377809856216404111/

Tudo isto parecia fácil de concretizar, não fosse o nobre vir ainda acompanhado por uma rapariga algo tímida chamada Marasi Colms, que de uma forma ou de outra cativa mais Wax que a própria Steris, ou se o “diabólico” Wayne, com os seus milhões de disfarces e respostas na ponta da língua, não se metesse ao barulho. Para piorar a situação, um grupo de foras-da-lei tem atacado a cidade, sequestrando mulheres, sem as devolver nem exigir um resgate. Wax vê-se envolvido numa conspiração sem precedentes, ao mesmo tempo que tenta resolver os problemas da família.

Outras personagens enriquecem a história, como o antigo parceiro de Wax, Miles, com as suas capacidades de regeneração incríveis, a profícua inventora e fabricante de armas Ranette ou o Braço de Peltre Tarson, um cowboy com sangue de colosso. Apesar de ser um elenco mais diminuto que aquele que conhecemos na primeira era, temos várias referências a velhos conhecidos. Elendel deve o nome ao personagem Elend, a religião do Sobrevivente (Kelsier) continua em voga e Vin, a Guerreira Ascendente, é uma personagem mitológica, bem como Marsh, o Olhos de Ferro.

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Fonte: https://brandonsanderson.com/books/mistborn/the-alloy-of-law/alloy-of-law-maps-and-illustrations/

É uma trama mais bem limada e fechadinha que aquela que encontramos em O Império Final, por exemplo, embora a proposta seja completamente diferente. Aqui não queremos salvar a Humanidade de um deus-rei egocêntrico, só queremos resolver uma série de raptos. Como tal, a escala de épico é obrigatoriamente menor. Ainda assim, a evolução de Scadrial faz todo o sentido e tudo indica que a sequência aumente a dimensão do mundo, se olharmos para este livro como uma introdução para esta nova era.

“Em termos de narrativa, funcionou como um “policial”, embora esperasse mais ligações à proposta e à explosão de sentimentos que foi a primeira era.”

Pessoalmente, estava bastante empolgado para conhecer este mundo de fantasia com aura de faroeste, e embora não me tenha impressionado em nenhum momento (ok, Brandon, como conseguiste arranjar uma piada em cada fala do Wayne?) também não me desapontou. Wax e Wayne são dois protagonistas incríveis, capazes de “dançar” nos céus com as suas capas desfiadas a levitar e um revólver em cada mão, acelerar a velocidade das balas, diminuir o tempo envolvente ou até preservar saúde.

Fonte: https://brandonsanderson.com/books/mistborn/the-alloy-of-law/alloy-of-law-maps-and-illustrations/

Em termos de narrativa, funcionou como um “policial”, embora esperasse mais ligações à proposta e à explosão de sentimentos que foi a primeira era. A escrita de Brandon Sanderson continua a cumprir pelos requisitos mínimos, ágil e acessível, sem qualquer preocupação com efeitos linguísticos ou vocabulário, o que torna a leitura bem fluída, mas deixa a sensação de que lhe falta bagagem para merecer ser o verdadeiro fenómeno literário em que se tornou. Ainda assim, A Liga da Lei é um livro muito bom. E aqueles recortes de jornais fictícios entre os capítulos foram muito bem metidos!

Avaliação: 7/10

Cosmere:

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

 

Especial: Quem Ainda Não Leu Brandon Sanderson?

É muito difícil encontrar um fã de ficção fantástica que não tenha lido, ou pelo menos ouvido falar de Brandon Sanderson. As suas obras de fantasia estão publicadas pelo mundo inteiro, o autor escreve com uma rapidez notável e uma legião de fãs segue atentamente todos os seus passos. Dono de uma relação com o público pautada pela acessibilidade e simpatia, Brandon tem tanta facilidade para explicar ao mundo as suas ideias e processos criativos, como para colocá-los em prática. O autor esteve em novembro em Portugal, a convite da Edições Saída de Emergência, editora responsável pela publicação da saga Mistborn – Nascida das Brumas.

O seu ritmo de publicação parece imparável, de tal modo que os leitores chegam a sentir dificuldades em acompanhá-lo. Através do site de Brandon, é possível seguir a progressão do seu trabalho, saber em que eventos o autor estará presente e até ler gratuitamente um livro, Warbreaker. O autor escreve tanto para adultos como para jovens, mas pode-se dizer que redefiniu toda a conceção de fantasia através das 3 Leis que canonizou como guia para todo o bom escritor de fantástico.

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Brandon Sanderson (Fonte: sltrib.com)

Quem é Brandon Sanderson?

Natural do Nebraska, Brandon Sanderson (19 de dezembro de 1975) vive atualmente em American Fork, no Utah. Concluiu o mestrado de escrita criativa em 2005 pela Universidade de Brigham, onde trabalhou numa revista de ficção especulativa, e no ano seguinte casou-se com Emily Bushman, de quem tem dois filhos. De ideologia Mórmon, Brandon foi missionário em Seul, na Coreia do Sul. Foi ao ser escolhido por Harriet McDougal, viúva do escritor Robert Jordan, para concluir a série épica do esposo, A Roda do Tempo, que Brandon Sanderson ganhou reconhecimento mundial. Daí em diante, a sua popularidade cresceu a olhos vistos, sendo difícil não encontrar um livro seu em qualquer grande superfície livreira.

Elantris foi o primeiro livro que publicou, mas foi com a trilogia Mistborn que o seu sucesso venceu muralhas. A história de uma menina que vence um déspota tirano e percebe que cometeu um erro grave ao fazê-lo conquistou adeptos em todo o mundo, mas esses seriam apenas os primeiros passos na rica trajetória de êxitos de Brandon. Mistborn transformou-se não em uma, mas em três trilogias, com a última por publicar, mas é com The Stormlight Archive que Sanderson parece ter quebrado todos os paradigmas e conquistado definitivamente o amor do público.

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Brandon Sanderson fanart (Fonte: pastemagazine.com)

As 3 Leis de Sanderson

Um dos motivos pelos quais Brandon é reconhecido é exatamente por ter parametrizado o trabalho de um escritor de fantasia, principalmente no que concerne à utilização da magia e ao quanto é dado a conhecer ao leitor da sua conceção. Separando as águas, Brandon distingue a construção mágica credível e detalhada, aquela em que o leitor compra a ideia de forma categórica e até científica (Hard Magic), da magia mais tradicional, sem qualquer detalhe ou explicação, que se encaixa no deus ex-machina habitual nas leituras YA (Soft Magic).

O autor também reforça o papel determinante que as dificuldades dos personagens têm no envolvimento com o leitor e a importância de montar um mundo credível, honesto e bem estruturado, para que personagens ou situações não caiam de pára-quedas na história. Pessoalmente, concordo em absoluto com estas leis, ainda que me pareça que Brandon não seja um inventor, mais um estudioso sobre o assunto.

As 3 Leis são:

Lei 1: “A capacidade de um autor em resolver conflitos de forma satisfatória com a magia é diretamente proporcional ao quão bem o leitor compreenda esta magia.”

Lei 2: “As fraquezas das personagens são mais interessantes que as suas habilidades. Ou seja: limitações são mais importantes que poderes.”

Lei 3: “Expanda o seu mundo antes de adicionar novos elementos.”

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Fanart de The Stormlight Archive (Fonte: pinterest.com/sparkybeanbag)

Porque o NDZ acredita que todos devem ler Brandon Sanderson?

CONSTRUIU UM MUNDO CHEIO DE POSSIBILIDADES

Brandon publicou o seu primeiro romance, Elantris, através da editora Tor Books em 2005, com críticas muito positivas. Foi em 2006, porém, que o seu trabalho mais famoso saiu para as bancas – Mistborn. Posteriormente, Brandon dedicou-se a trabalhos mais juvenis, como Alcatraz ou Coração de Aço, mas logo regressaria com novos livros da série Mistborn e The Stormlight Archive.

Segundo o autor, a série Mistborn atravessará várias fases de vida do planeta Scadrial. Se a primeira série (publicada em Portugal pela Edições Saída de Emergência) foi o mais próximo de uma clássica fantasia épica, a segunda trilogia foca-se num período perpassado por uma austera Revolução Industrial, com perfume a western. A terceira trilogia deverá ocorrer, então, num período correspondente à nossa atualidade ou futurista, uma vez que o autor garantiu vir a tratar-se de uma trilogia de ficção científica, sempre com os seus sistemas de magia intricados como pano de fundo.

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Szeth de The Stormlight Archive (Fonte: 17th Shard)

Todos os livros de high fantasy publicados por Brandon passam-se no mesmo universo, a Cosmere. Se Scadrial é o “planeta” que serve de palco à série Mistborn, Elantris e o conto Emperor’s Soul são passados no shardworld Sel, Warbreaker em Nalthis, The Stormlight Archive em Roshar e White Sand em Taldain. De alguma forma, todos estes lugares estão conectados, muito embora se tratem de “fragmentos de mundo” muito diferentes. Há, no entanto, vários indícios de que se trata do mesmo universo (para além da confirmação do autor, vá).

Um deles é a existência misteriosa de saltadores de mundo, sendo o mais conhecido Hoid, um indivíduo que aparece como informador de confiança na primeira trilogia Mistborn, um contador de histórias em Warbreaker e contrabandista em Elantris, por exemplo, ganhando um papel de maior protagonismo em The Stormlight Archive, onde adquire a identidade de Wit. Khriss, a duquesa de White Sand, também surge em Mistborn: The Bands of Mourning e Mistborn: The Secret History.

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Vin de Mistborn (Fonte: pinterest.com)
OS SISTEMAS DE MAGIA SÃO ORIGINAIS

Brandon Sanderson é, a meu ver, um dos autores que melhor constrói sistemas de magia. Da alomância e feruquimia de Mistborn, ao breath de Warbreaker, passando pelo domínio da areia em White Sand – e falo destes porque foram os livros/sagas que li – a técnica passa pela ingestão ou absorção de uma matéria, cujo processo de metabolismo resulta na aquisição de um dom considerado mágico, incrível para um humano.

Desta forma, Vin, Kelsier, Vasher e Kenton tornaram-se personagens cativantes pelas suas habilidades, embora o autor, recorrendo à lei número 2 que definiu, crie também grandes dificuldades ao seu desenvolvimento, seja na aprendizagem das magias, na grandiosidade dos adversários ou na introdução de problemas do foro pessoal. Ainda assim, muito embora a magia de Sanderson seja algo mais científico que maravilhoso, desmantela a ilusão de super-heróis pré-concebida e apresenta uma plataforma credível e bem montada que só pode encantar os novos leitores de ficção fantástica.

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Siri e Susebron de Warbreaker (Fonte: puncker–rocker.deviantart.com)
TEM AS SUAS HABILIDADES NARRATIVAS

Quem me conhece e ao NDZ há algum tempo, sabe que não morro de amores por Brandon Sanderson, sobretudo por ser possuidor de uma escrita fast-food, principalmente em Mistborn. Brandon não revela grande riqueza de vocabulário e as imensas voltas e reviravoltas no enredo sugerem muito improviso e muito pouco de esqueleto. O recurso a salvamentos de última hora são ainda um furúnculo no seu processo narrativo, para alguém que fomenta tanto a credibilidade dos mundos criados. Neste aspeto, Brandon tem ainda muito a crescer. Esta ideia marcou-me principalmente durante a leitura da primeira trilogia Mistborn, aclamada pela grande maioria do público de fantástico.

O autor, porém, veio a ganhar-me pouco a pouco. O final de Herói das Eras encantou-me, não que tenha ficado agradado com o recurso ao espiritual, quando Brandon tanto se havia esforçado por explicar “cientificamente” todos os detalhes, mas posso dizer que a trilogia foi concluída com chave de ouro. Não gostei de muitas explicações oferecidas a esmo ao longo dos três livros, mas os maravilhosos personagens, as relações humanas e os plot-twists prenderam-me, da primeira à última página. Acabei a Era 1 de Mistborn com nostalgia e com a sensação de que podia ser melhor, mas que mesmo assim foi muito bom.

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Senhor Soberano de Mistborn (Fonte: pinterest.com/Rebeksterz)

A leitura de Warbreaker, porém, foi o cheque-mate a que se deve este artigo. A escrita do autor pareceu-me mais rica e envolvente e os plot-twists ganharam-me por completo. Cada reviravolta foi uma machadada e terminei o livro completamente apaixonado por Vivenna, Siri, Susebron, Vasher e companhia. Foi, sinceramente, uma das melhores leituras deste ano até agora. A novela gráfica White Sand, com argumento original de Brandon, não teve muita qualidade ou originalidade, mas não me desagradou. Mais uma vez, foram as surpresas e os plot-twists a conquistarem-me.

Brandon Sanderson é, inegavelmente, um dos mestres da fantasia moderna e um dos que mais fomentam aquilo que tanto me agrada no género: a construção de mundos credíveis e originais. Prevejo ler Elantris em setembro (versão pt-br) e espero que a Saída de Emergência continue a apostar neste autor que tanto tem acarinhado, seja com a segunda série de Mistborn ou com a publicação de The Stormlight Archive, aquela que, muito provavelmente, será num futuro recente a série de fantasia com melhor repercussão em todo o mundo. Cá esperamos por mais publicações, Brandon.

TAG – Carnaval Literário

Boa tarde! Hoje trago-vos uma TAG literária propícia à quadra. É a TAG – Carnaval Literário e e todos estão convidados a fazer a sua. Vamos ver o que me vai calhar. :p

#1 O melhor carro alegórico

Um livro que todos adoraram, tu estavas com medo de ler e acabaste por cair no hype

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O Império Final é, definitivamente, um livro que eu tinha a certeza que ia odiar antes de ler. Felizmente Brandon Sanderson trocou-me as voltas e embora Mistborn tenha as suas falhas, é uma saga que recomendo a todos os amantes de boa fantasia.

#2 A vida são dois dias, mas o Carnaval são três

Um livro que lias, lias, lias, e parecia nunca mais acabar

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O quarto livro da Saga do Assassino de Robin Hobb, A Vingança do Assassino, foi uma verdadeira indigestão. Sequências lentas repetiram-se umas atrás das outras, e apesar de não ter desgostado do livro no seu todo (e confesso já ter saudades da saga), foi um volume de tamanho médio que demorei muito tempo a ler.

#3 Camarote VIP

Um livro que leste antes de virar moda

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Bem, não posso dizer que fui um pioneiro na leitura de A Guerra dos Tronos (nem pouco mais ou menos), mas li-o mal saiu a primeira temporada da série de televisão e o hype ainda não era nada comparado ao que se tornou.

#4 Atrás da multidão

Um livro que “toda a gente leu” e tu ainda não

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A par das séries de Peter V. Brett e Robert Jordan, Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss é uma das mais famosas que ainda não tive o privilégio de ler. Apesar de já ter lido um conto de Rothfuss que não me convenceu, espero que este seja o ano em que finalmente leia O Nome do Vento.

#5 Loucura Total

Um livro que todos te aconselharam e… não gostaste

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Sandman, de Neil Gaiman, é uma das obras mais consensuais dentro do universo das bandas-desenhadas. Apesar de não ter gostado do primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, insisti na leitura e li toda a série. Não conseguiu agradar-me por aí além em nenhum momento, mas reconheço o seu mérito.

#6 Terça-Feira é o último dia

Um livro que chegou ao fim, mas querias que não acabasse ali

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Sem dúvida um dos meus livros preferidos de sempre, República de Ladrões de Scott Lynch não conseguiu atingir o patamar de excelência do primeiro volume da sua série, As Mentiras de Locke Lamora, mas ainda assim deixou-me com aquele gostinho de “quero mais” pela chuva de expectativas que o final deixa para o quarto volume.

#7 Depois do Carnaval, a ressaca

O livro que te deixou com a maior ressaca literária

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O último livro das Crónicas de Gelo e Fogo. Pois é, senhor Martin. Temos muito que falar. Deixar os leitores anos e anos à espera para saber o que aconteceu, quando os protagonistas da saga estavam em situações críticas, é mau demais. Os Reinos do Caos deixou-me de ressaca até hoje.

Sintam-se à vontade para participar e responder à TAG – Carnaval Literário.

As Escolhas de 2016

O ano caminha a passos largos para o final. Como tal, é hora de fazer o já tradicional balanço literário que visa escolher as melhores leituras do ano. No Goodreads estabeleci como meta ler 35 livros este ano – e a verdade é que já foram 93, embora a maioria das minhas leituras tenham sido bandas-desenhadas. 61 BD’s, 24 livros e 8 contos, sendo que estou a ler o livro O Terceiro Desejo de Andrzej Sapkowski e ainda deverei ler mais uma BD ou um conto até ao final do ano.

2016 foi um ano cheio de boas surpresas. Conheci autores como Steven Erikson, Mark Lawrence, Joe Abercombie, Jeff Vandermeer, Alan Moore, Robert Kirkman e Brian K. Vaughan, e voltei a ler mais e melhor de autores fantásticos como Stephen King, H. P. Lovecraft, Ken Follett e Bernard Cornwell.

Fantasia continuou a ser o género mais lido, mas o romance histórico e a ficção científica não foram esquecidos. Este ano decidi aumentar o número de categorias, também por ter lido mais formatos. Fiquem com a minha listagem e respetivas justificações:

LIVRO

Melhor Fantasia

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aqui a opinião

Jardins da Lua, de Steven Erikson, foi não só o melhor volume de fantasia, mas também o melhor livro que li este ano. Para além dele, O Herói das Eras de Brandon Sanderson foi dos poucos que me conquistaram, dentro do género. Stephen King encontra-se nesse grupo. Este ano li os volumes 5 e 6 de A Torre Negra, substancialmente melhores que aqueles que li o ano passado. O prémio simpatia vai para A Balada de Antel do brasileiro Eric M. Souza, que me surpreendeu pela positiva.

Os dois primeiros volumes de Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence e o primeiro de A Primeira Lei de Joe Abercrombie não foram más leituras, mas não me convenceram nem cativaram por aí além. Terminei a primeira Saga do Assassino de Robin Hobb, que continuou sem me encantar, muito embora o último volume tenha sido, de longe, o melhor. Li os dois últimos livros do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Apesar de a escrita do autor ter evoluído favoravelmente, a história é o grande handicap de Paolini, parecendo uma manta de retalhos de narrativas como O Senhor dos Anéis ou Star Wars.

Melhor Ficção Científica

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aqui a opinião

Não li muitos livros de ficção científica este ano. Aniquilação de Jeff Vandermeer foi um dos últimos livros que li e acabou por ser o que me marcou mais pela positiva, um volume de ficção weird que me envolveu por toda a sua estranheza e credibilidade. O Messias de Duna de Frank Herbert e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North foram também ótimas leituras dentro do género. A ficção científica é muito mais do que as space opera empoladas pelos mass media.

Melhor romance histórico

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aqui e aqui a opinião

Dividido em Portugal em dois volumes, o livro Os Pilares da Terra de Ken Follett foi o melhor romance que li este ano. Extremamente envolvente, este romance histórico foi tão emocionante quanto os livros O Último Reino e O Cavaleiro da Morte, primeiros volumes das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, mas o livro de Follett apelou mais às emoções e construiu uma história mais intimista. No entanto, os dois autores, que já eram os meus preferidos no romance histórico, ao lado de Maurice Druon, cultivaram ainda mais a minha preferência.

BANDA-DESENHADA

Melhor BD

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aqui a opinião

Escolhi March To War como melhor BD lida este ano, mas podia escolher muitas outras edições de The Walking Dead. Num ano cheio de excelentes leituras neste formato, The Walking Dead conquistou a minha preferência. A space opera Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples e o bizarro Tony Chu: Detective Canibal foram também fantásticas leituras, superando clássicos como V de Vingança, Watchmen, 300 e Sandman, a que reconheço mérito, ou o histórico As Águias de Roma, cujos quatro volumes também gostei bastante.

Melhor Clássico

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aqui a opinião

Num ano em que li BD’s de Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, foi este último o que mais me surpreendeu pela positiva. Difícil é escolher entre Watchmen e V de Vingança, embora a história de super-heróis “reformados” me tenha marcado mais. 300 e A Cidade do Pecado de Miller foram também boas leituras, enquanto os três primeiros volumes de Sandman (Neil Gaiman) têm oscilado entre o brilhantismo literário e a falta de envolvimento. Livros como Vampirella e X-Men Origins ficaram aquém das expectativas.

Mais Irreverente

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aqui a opinião

Saga, a space opera de Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples, foi uma das grandes surpresas deste ano. Irreverente e divertida, com grandes debates morais, esta BD cumpre em todos os quesitos, sendo a irreverência a sua maior qualidade. Qualquer um dos cinco volumes já publicados pela G Floy surpreenderam-me ao seu jeito. Nesta categoria, Tony Chu: Detective Canibal foi igualmente surpreendente, mas quero ainda deixar uma menção de honra para os dois volumes de Umbrella Academy, uma grande revelação, o próximo passo no mundo dos super-heróis. Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy foi também uma edição deliciosa, nascida das mãos de Filipe Melo e Juan Cavia. Os dois primeiros volumes de Southern Bastards, não se enquadrando na vertente cómica das anteriores, têm também algo de irreverente no seu drama profundo. Jason Aaron e Jason Latour fazem-no com distinção.

CONTOS

Melhor Conto

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aqui a opinião

O último conto que tive oportunidade de ler foi também o melhor que li este ano. H. P. Lovecraft tem sido um dos meus autores preferidos neste formato, embora Edgar Allan Poe e Isaac Asimov tenham sido outros autores de destaque. Até mesmo O Defunto de Eça de Queirós foi uma excelente leitura. Invisíveis em Tiro, de Steven Saylor, incluído no livro Histórias de Vigaristas e Canalhas, agradou-me imenso.

Melhor Antologia

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aqui a opinião

Este ano li apenas duas antologias: a portuguesa Proxy e a conceituada Histórias de Vigaristas e Canalhas, a segunda metade de Rogues. Apesar de a primeira conter apenas seis contos de jovens autores portugueses, não ficou atrás das Histórias escritas por alguns dos mais famosos autores de fantasia, policial e ficção científica. Com alguns contos melhores e outros menos bons, as duas antologias ficaram ao mesmo nível, preferindo por isso dar primazia àqueles cuja responsabilidade era menor e, por isso, mais surpreenderam.

Maior surpresa

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aqui a opinião

À primeira vista, estou a contradizer a categoria anterior, mas não é disso que se trata. A minha maior surpresa no que a contos diz respeito chama-se Daniel Abraham, cujo conto O Significado do Amor foi um dos que mais gostei na antologia Histórias de Vigaristas e Canalhas. Ambientado num mundo fantástico, Abraham aliou uma escrita excelente a uma história algo hilariante e espero ver mais histórias do autor publicadas em português.

Categoria Extra

Melhor Final

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aqui a opinião

Não podia deixar de fazer uma menção honrosa a O Herói das Eras. O último volume da trilogia Mistborn de Brandon Sanderson foi dividido em dois em Portugal. Li a primeira parte em dezembro do ano passado e a segunda em março deste ano. Sanderson nunca me encantou, como outros nomes da fantasia como George R. R. Martin e Scott Lynch o fizeram. Este ano, Steven Erikson e Daniel Abraham foram os que estiveram mais próximos disso, do pouco que li deles. Aliando uma escrita demasiado básica a um mundo com muitas lacunas a nível de credibilidade, fiquei sempre de pé atrás com Brandon Sanderson, ainda que lhe reconheça a criatividade e o mérito de escrever grandes histórias e construir grandes mundos de fantasia. Foi assim que li Mistborn, um mundo com uma aura mágica que sempre visualizei como um “Crónicas de Riddick feito pela Disney“. Com muitos altos e baixos, esta trilogia deixou-me boquiaberto com as revelações e acontecimentos finais e gostaria imenso de ver publicada em português a Era 2.

Em jeito de despedida, deixo os votos de um 2017 repleto de boas leituras. 2016 foi para mim um ano cheio delas, com os livros Jardins da Lua e Os Pilares da Terra e as BD’s The Walking Dead e Saga como os grandes destaques. Desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Está aí: Brandon Sanderson em Portugal

É verdade! É já dia 7 de Novembro que o famoso autor de Mistborn, Elantris e Stormlight Archive vem a Portugal para estar com os seus fãs. Aponta a data no teu calendário e não deixes de estar com um dos autores de fantasia mais emblemáticos do momento. Às 19:30, na FNAC Colombo, podes assistir a um encontro promovido pela Edições Saída de Emergência, como se pode ver na página de facebook da editora.

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Brandon Sanderson

Aqui ficam os links para as minhas opiniões e as sinopses da editora, aos seus livros já publicados em português (saga Mistborn – Nascida das Brumas):

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O Império Final

Primeiro volume de uma nova série de um dos autores que mais sucesso teve nos últimos anos na fantasia.

Num mundo onde as cinzas caem do céu e as brumas dominam a noite, o povo dos Skaa vive escravizado e na absoluta miséria. Durante mais de mil anos, o Senhor Soberano governou com um poder divino inquestionável e pela força do terror. Mas quando a esperança parecia perdida, um sobrevivente de nome Kelsier escapa do mais terrível cativeiro graças à estranha magia dos metais – a Alomancia – que o transforma num “nascido nas brumas”, alguém capaz de invocar o poder de todos os metais.
Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…

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O Poço da Ascensão

Uma das sagas de fantasia que mais sucesso teve nos últimos anos. Todos os fãs do género deveriam ler.

Alcançaram o impossível: o mal que governara o mundo pela força do terror foi derrotado. Mas alguns dos heróis que lideraram esse triunfo não sobreviveram, e eis que surge uma nova tarefa de proporções igualmente gigantescas: reconstruir um novo mundo. Vin é agora a mais talentosa na arte e técnica da Alomância e decide reunir forças com os outros membros do bando de Kelsier para ascender das ruínas de um passado vil.
Venerada ou perseguida, Vin sente-se desconfortável com o peso que carrega sobre os ombros. A cidade de Luthadel não se governa sozinha, e Vin e os outros membros do bando de Kelsier aprendem estratégia e diplomacia política enquanto lidam com invasões iminentes à cidade.
Enquanto o cerco a Luthadel se torna cada vez mais apertado, uma lenda antiga parece oferecer um brilho de esperança: o Poço da Ascensão. Mas mesmo que exista, ninguém sabe onde se encontra nem o poder que contém… Resta a Vin e aos seus amigos agarrar esta fonte de esperança e conseguir garantir o seu futuro e futuro de Luthadel, cumprindo os seus sonhos e os sonhos de Kelsier.

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O Herói das Eras Parte 1

Quem é o Herói das Eras?

Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.

O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva  foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?

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O Herói das Eras Parte 2

Quem é o Herói das Eras?

O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?
Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?
Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.

TAG – Os Cavaleiros do Apocalipse

Boa noite, amigos! Trouxe-vos uma tag literária e espero que se divirtam. Os Cavaleiros do Apocalipse? Eu sei que parece estranho, mas depressa vão perceber. Usando pormenores de trechos da Bíblia, mais propriamente do Livro da Revelação, identificarei capas de livros. Vamos a isso?

#1 Peste

E eu vi, e eis um cavalo branco; e o que estava sentado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo…

#1.1. Um livro com um cavalo na capa

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A Tormenta de Espadas, de George R. R. Martin

Mais do que um verdadeiro refresh na literatura de fantasia, George R. R. Martin veio dar um novo significado a este género literário, mostrando ao mundo que fantasia não é feita somente de elfos e princesas guerreiras. Tormenta de Espadas é o terceiro livro de Crónicas do Gelo e Fogo, sendo o quinto da edição portuguesa e um dos mais empolgantes da série literária.

# 1.2. Um livro com um arco na capa

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A Manopla de Karasthan, de Filipe Faria

Primeiro volume de Crónicas de Allaryia, A Manopla de Karasthan foi das primeiras obras de fantasia a emergir no panorama nacional no início deste século, à época em que a adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis acrescentava uma legião de fãs para o género. Amado por uns e odiado por outros, Filipe Faria conquistou lugar cativo nas livrarias portuguesas.

#1.3. Um livro com uma coroa na capa

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O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon

Esta edição compreende os dois primeiros volumes da série Os Reis Malditos, na qual Maurice Druon narra a história de Filipe, o Belo, rei de França. Mais do que isso, fala da maldição que o acossou, como à sua prole, após ter queimado vivo o grão-mestre da Ordem dos Templários, condenando a confraria à extinção. Um rigor histórico notável e uma escrita rápida e vibrante.

#2 Guerra

E saiu outro, um cavalo vermelho; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

#2.1. Um livro com capa vermelha

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O Herói das Eras Parte 1, Brandon Sanderson

Mistborn – Nascidos da Bruma é uma das séries literárias de fantasia mais faladas da atualidade. Brandon Sanderson ganhou fama ao terminar a série A Roda do Tempo após a morte de Robert Jordan e desde então não parou. Conhecido por publicar com grande frequência, sempre com sistemas de magia originais, tem em Misborn uma das suas protagonistas mais carismáticas, Vin.

#2.2. Um livro com a palavra “Terra” na capa

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Os Pilares da Terra, de Ken Follett

Com uma prosa elegante e uma capacidade raríssima de fazer o leitor sentir-se na época descrita, Ken Follett apresenta-nos um livro emocionante, que relata um período conturbado da História de Inglaterra, onde a construção de um mosteiro ganha protagonismo num braço de ferro entre a Igreja e a Coroa. Os Pilares da Terra é um dos livros mais emocionantes que já li.

#2.3. Um livro com uma espada na capa

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Histórias de Aventureiros e Patifes, Vários Autores

Com organização de George R. R. Martin e Gardner Dozois, Histórias de Aventureiros e Patifes é a primeira parte da antologia Rogues, uma colectânea de contos sobre patifes, escrita por alguns dos mais conceituados autores de fantasia, ficção científica e romance policial. A segunda metade já foi publicada e também opinada no blogue.

#3 Fome

E eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: “Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho.

#3.1. Um livro com capa preta

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Príncipe dos Espinhos, Mark Lawrence

Primeiro volume da Trilogia dos Espinhos, de Mark Lawrence, Príncipe dos Espinhos apresenta o Príncipe Honório Jorg Ancrath, e a sua sede de vingança pela morte da mãe e irmão. Um mundo medieval pós-apocalíptico bem constuído, uma escrita envolvente e elegante, mas um desenvolvimento aquém das expectativas.

#3.2. Um livro com uma mão na capa

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O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Com uma escrita envolvente, Oscar Wilde fala sobre o egocentrismo e sobre o papel que as aparências ocupam nas nossas vidas. Ao mesmo tempo que as hipocrisias de comportamento são retratadas com grande rigor, a obsessão pela beleza também é um dos principais temas do livro.

#3.3. Um livro com vigaristas na capa

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As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch

Um dos meus autores de eleição, Scott Lynch revolucionou o mundo da fantasia com uma trama ao mesmo tempo leve e complexa, num mundo inspirado na Itália renascentista. Uma trupe de jovens ladrões protagoniza a história, recorrendo somente à sua matreirice para ludibriar os mais poderosos senhores do submundo camorri. A escrita deliciosa e os diálogos cómicos são os ex-libris deste autor.

#4 Morte

Então ouvi a quarta Criatura:”Venha” e apareceu um cavalo baio, o nome do cavaleiro era Morte e o Inferno o seguia de perto.

#4.1. Um livro com uma Criatura na capa

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Lisboa Triunfante, David Soares

Esta raposa não é somente uma raposa. É uma criatura mitológica, que atravessa as eras e interfere nos seus acontecimentos. Do lado oposto tem um miserável lagarto, e os dois têm medido forças ao longo dos séculos, participando ativamente na construção da Lisboa que hoje conhecemos. Com uma escrita excelente e um conhecimento histórico impressionante, David Soares criou um romance extraordinário de fantasia histórica.

#4.2. Um livro com a palavra “Morte” na capa

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A Morte Persegue-me, Ed Brubaker e Sean Phillips

Este livro de banda-desenhada é o primeiro volume da série Fatale. Uma mulher misteriosa que traz azar a todos aqueles com quem se cruza é a protagonista desta história sinistra que mescla temas como a imortalidade, a corrupção e o ocultismo. O legado de H. P. Lovecraft surge inegavelmente associado às criaturas apresentadas.

#4.3. Um livro com a palavra “Inferno” na capa

Inferno

Inferno, Dan Brown

Com uma estrutura similar a outros livros do autor, como O Código DaVinci ou Anjos e Demónios, Inferno distingue-se pelo tema (a sobrepopulação) e pela originalidade na conceção do vilão. Assustador e extremamente visual, esta aventura de Robert Langdon está entre as minhas favoritas do escritor norte-americano.

Sintam-se à vontade para fazer a vossa tag. Mas, pormenor importante, só conta livros que já tenham lido, mesmo que ainda não tenham comentado. Até à próxima.

TAG – A Seleção

Viva! Chegamos ao novo semestre e antes de sair a primeira review, nada melhor do que responder a mais uma TAG. Aqui vai:

#1 Qual o livro que mais queres ler?

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Tenho muita vontade de ler Lâmina de Joe Abercrombie este ano, mas só depois de terminar algumas séries que estão pendentes.

#2 O melhor livro que leste nos últimos anos

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Esta nem se questiona. O primeiro volume de Cavalheiros Bastardos de Scott Lynch foi uma surpresa enorme, e os volumes seguintes não me desiludiram.

#3 O livro que mais te desiludiu

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Podia falar de Pedro Chagas Freitas, mas se fosse por aí tinha muito que falar. Zafón foi um autor que ouvi falar muito bem, de tal modo que fiquei extremamente desiludido quando peguei em O Palácio da Meia-Noite e encontrei uma escrita extremamente juvenil, assim como uma história completamente banal e fantasiosa.

#4 Qual é o teu personagem preferido

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Alguns personagens ficam gravados na nossa memória e, por nenhuma razão em especial, lembro-me de Gimli de O Senhor dos Anéis quando me perguntam qual o personagem preferido. Esse personagem marcou uma fase da minha adolescência. Ainda assim, personagens como a incrível Miss Marple dos livros de Agatha Christie, Leigh Teabing de O Código DaVinci, Locke Lamora de Cavalheiros Bastardos e Jean Valjean de Os Miseráveis merecem a minha menção de honra.

#5 Qual a história mais marcante?

Feast

Poderia enumerar uma série de histórias. Os Pilares da Terra, Ivanhoe, Os Miseráveis, O Senhor dos Anéis. Cada história teve o seu sabor especial, em cada altura da minha vida, mas As Crónicas de Gelo e Fogo foram talvez aquelas que mais fomentaram o meu amor pela escrita e pelo género fantástico, uma história mais dramática e emocionante.

#6 Que história gostarias de viver?

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A saga A Torre Negra leva-nos até ao Mundo Médio, um lugar onde os descendentes do Rei Artur tornaram-se cowboys. Seria muito interessante acompanhar Roland nas suas aventuras em busca da profética Torre Negra, lutando contra demónios, vampiros e outras criaturas bizarras.

#7 A capa mais bonita da tua estante

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Apesar de os dois últimos volumes de Mistborn terem ficado um pouco diferentes dos primeiros, a coleção é das mais bonitas da minha estante em termos de lombada, e o primeiro volume, O Império Final, tem a capa que visualmente mais me agrada.

#8 A capa mais feia da tua estante

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O Amigo Fritz. Não preciso de explicar porquê, ou preciso? É dos livros mais antigos que tenho em casa, apesar de ser muito bem estimado.

#9 O teu livro preferido de sempre

Rebecca

Não é nenhum fenómeno literário, nem sequer dos mais aclamados do autor, mas encantei-me com este livro de Ken Follett da primeira à última página. A história não é o seu maior atrativo. O clima de espionagem, a tensão sexual, o calor do Egito e a envolvente nazi conquistaram-me de tal modo, que A Chave para Rebecca é o livro que vem à minha memória quando penso em livro favorito.

# 10 O livro que estás a ler

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A Vingança do Assassino, quarto volume da Saga do Assassino de Robin Hobb. Está a ser uma leitura um tanto ou quanto demorada, mas espero terminá-lo em breve.

Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG – Seleção.

 

 

 

TAG – Meio Ano de Leituras

Estamos a chegar ao final do primeiro semestre, como tal é a altura propícia para responder a uma TAG sobre os livros lidos durante os primeiros seis meses do ano. Divirtam-se.

#1 A maior surpresa

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Saga é uma graphic novel repleta de bom humor com elementos sci-fi e fantásticos. Acompanhamos a par e passo a fuga de Alana e Marko, com a sua bebé, a pequena Hazel. Uma lufada de ar fresco a todos os níveis, com argumento de Brian K. Vaughan e ilustrações de Fiona Staples.

#2 O melhor final

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A saga Mistborn nunca me “encheu as medidas”, por assim dizer, mas o último volume veio amarrar pontas soltas. Posso dizer que toda a trilogia de Brandon Sanderson me deixou com um sabor agridoce. Momentos geniais e outros forçados, história super original fustigada por uma escrita banal, um mundo com muitas lacunas salvo por um ambiente bem agradável. No fim, ficam as melhores recordações da série e o final surpreendeu-me muito, o que foi ótimo. Ainda assim, tenho o primeiro volume como o melhor da trilogia.

#3 A melhor saga

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Na lista das minhas séries preferidas consta A Torre Negra de Stephen King (não é por acaso que é esta a saga que tem lugar de honra na minha mesa-de-cabeceira). E com monstros como Scott Lynch e George R. R. Martin nas suas pausas sabáticas, é a saga de King a escolhida para liderar as minhas preferências do primeiro semestre, no que diz respeito a sagas. Lobos de Calla, o quinto volume, não me desapontou.

#4 O melhor livro

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Os Pilares da Terra, de Ken Follett, foi seguramente a melhor leitura até ao momento. Um rol de personagens fascinantes, descrições deliciosas e uma composição de personalidades sublimes. Segredos sobre segredos e a construção de uma catedral servem de motor narrativo para uma história densa e emocionante sobre os problemas entre a Coroa e a Igreja na Inglaterra do século XII.

#5 A melhor BD

Sem título 2

Embora Saga e Tony Chu tenham sido as maiores surpresas neste género, The Walking Dead foi, seguramente, a melhor BD. Li todos os vinte e cinco volumes até agora publicados e, no seu todo, fascinaram-me. Os instintos de sobrevivência e o drama vivido após o apocalipse walker são explorados ao máximo, ao ponto de comportamentos serem discutidos e a dicotomia bem e mal ser posta à prova. Um trabalho genial de Robert Kirkman.

#6 O mais bem humorado

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A par de Saga, as aventuras do cibopata Tony Chu foram as mais divertidas que li este ano. Após uma terrível gripe aviária, o comércio de frango foi proibido e começou a ser traficado como uma droga ilegal. É nesse contexto que uma entidade reguladora de saúde do governo norte-americano contrata Chu, um homem capaz de “ler” o percurso de vida de tudo aquilo que ingere. A série divertiu-me desde o início, mas demorou a deslumbrar-me. Neste momento é uma das minhas BD’s preferidas.

#7 A maior desilusão

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Depois de ler as Histórias de Aventureiros e Patifes e ter ficado fascinado com a escrita de Gillian Flynn, vim para este Em Parte Incerta com as expectativas bem altas. O livro desapontou-me em toda a largura. Desenvolvimento forçado, personagens desinteressantes e escrita cansativa.

#8 A melhor capa

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Gostei imenso da capa do quarto volume de As Águias de Roma, de Enrico Marini. A cena bélica é cativante e a expressão do rosto coaduna-se ao personagem Armínio. Podia escolher as capas dos outros volumes da série, ou até mesmo uma das muitas e excelentes capas da BD The Walking Dead, mas esta acabou por ser mesmo a que achei mais cativante.

#9 A pior capa

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A capa do livro A Balada de Antel, de Eric M. Souza, acabou por me cativar somente pelas cores utilizadas. As expressões faciais têm um aspeto estranho e o livro merecia um trabalho gráfico mais elaborado por parte da editora Saída de Emergência.

#10 A melhor composição gráfica

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Podia referir alguma BD, mas escolhi o livro Príncipe dos Espinhos, de Mark Lawrence. O trabalho gráfico da TopSeller agradou-me imenso. Não só manteve a capa original, como todo o interior foi trabalhado com bom gosto, em tons negros e brancos para sublinhar o carácter dark da obra. Deu-me muito gosto desfolhar este pequeno livro.


Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG do primeiro semestre. 🙂