Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.

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Estive a Ler: Lines We Cross, The Walking Dead #29

It’s a super great weapon. It’s really good for keeping your distance in a fight — keeps the dead from reaching you… because it’s a spear.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “LINES WE CROSS”, VIGÉSIMO NONO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

The Walking Dead tem sido, ao longo dos últimos anos, um dos maiores sucessos da Image Comics. A obra-prima de Robert Kirkman transformou-se numa das séries televisivas de maior êxito da última década e os álbuns de banda-desenhada continuam a cativar os fãs, ano após ano. O volume 29 continua a narrar os conflitos em Alexandria e Hilltop, com um argumento sólido de Kirkman e a arte levada a cabo por Charlie Adlard, Cliff Rathburn, Stefano Gaudiano, Rus Wooton e Dave Stewart. Com o título Lines We Cross, este volume inclui os números 169 a 174 da publicação original.

Questões como a liderança, a importância daqueles que nos rodeiam, o valor que lhes damos e o peso que as nossas ações podem ter na vida dos outros são sobejamente discutidas neste volume. Pareceu-me um volume de transição, em que assistimos ao desenvolvimento de relações humanas e temos poucas cenas de ação efetiva. Ainda assim, o argumento de Kirkman não desilude.

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Fonte: http://comicbook.com/thewalkingdead/2017/12/19/the-walking-dead-princess-new-character-volume-29-cover-/

Kirkman oferece uma visão panorâmica dos vários núcleos, explorando-os minuciosamente a partir do acontecimento trágico que rodeou o último volume. Focamo-nos em Rick, em Negan, em Dwight e em Maggie, mas todos os núcleos são explorados, várias revelações acontecem e somos surpreendidos com relacionamentos que até ali nos tinham passado completamente ao lado. Sabes que as próximas linhas vão estar cheias de SPOILERS, não sabes? Estás por tua própria conta e risco.

“O volume termina com vários cliffhangers em simultâneo…”

Andrea morreu e o chão pareceu fugir dos pés de Rick e companhia. Ela havia sido a sua companhia, o seu lugar-tenente na milícia, a sua melhor amiga, confidente e amante. A mãe que Lori nunca foi para os seus filhos. Era o seu pilar. Ao mesmo tempo que Andrea morreu, também Rick acabou por ver os Salvadores a rebelarem-se, matando Sherry quando ela o atacou. Isso foi só o início de algo maior. Dwight, que até então se demonstrara leal a Rick, não consegue ficar incólume à morte da mulher que amava e começa a pensar em si próprio para a liderança.

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Fonte: http://walkingdead.wikia.com/wiki/Volume_29:_Lines_We_Cross

O azedume de Dwight para com Rick polui o ar em Alexandria. Derrotado, Rick começa a dormir sobre a campa de Andrea. Mas o mundo não pára e Maggie confronta-o com a razão porque poupou Negan. Entretanto, Siddiq descobre que Eugene mantém contacto com outra comunidade por via rádio, e Rick obriga-o a concertar um encontro, para que as comunidades possam ajudar-se mutuamente. Para esse efeito, o líder destaca uma equipa.

“Cómico, engraçado e profundamente dramático, o personagem consegue fazer-nos gostar dele mesmo depois de todas as crueldades que cometeu.”

Ainda assim, Rick denota a desconfiança de Dwight e toma medidas para se proteger, pedindo a Jesus para o vigiar. Por sua vez, Maggie envia Dante para seguir Negan, decidida a não perdê-lo de vista. Já a equipa composta por Michonne, Siddiq, Eugene, Magna e Yumiko encontra a cidade de Pittsburgh abandonada, e é aqui que a primeira grande revelação do volume acontece. Siddiq confessa a Eugene que era amante da falecida Rosita, e que ela o amava.

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Fonte: http://walkingdeadbr.com/the-walking-dead-172-previa/

É aqui que as relações LGTB começam a desenrolar-se. Eugene encontra Magna e Yumiko aos beijos e elas assumem a relação que vinham tendo, enquanto que, em Alexandria, Jesus confessa a Aaron estar apaixonado por ele. O grupo de Michonne encontra, na cidade abandonada, uma personagem armada que, irónica e extremamente bem-humorada, acaba por juntar-se a eles. Diz chamar-se Princesa.

O triângulo amoroso composto por Carl, Sophia e Lydia parece não ter fim à vista. O rapaz Grimes gosta da filha de Alpha, que só o vê como amigo, enquanto a sua amiga de sempre não controla os ciúmes que sente daquela relação. Carl decide voltar a Hilltop com Maggie, que por sua vez parece cada vez mais próxima de Dante. O volume termina com vários cliffhangers em simultâneo, ao mesmo tempo que Maggie finalmente encontra Negan e o confronta com a morte de Glenn.

“Fica no ar a questão se os Salvadores aceitarão deixar Rick, depois de tudo.”

Embora a maior parte do volume permaneça dedicada à história geral, as cenas finais soaram a um interlúdio. O último número mostra o lado mais humano de Negan e todo o seu sofrimento, concentrado em Lucille como uma espécie de metáfora. Cómico, engraçado e profundamente dramático, o personagem consegue fazer-nos gostar dele mesmo depois de todas as crueldades que cometeu.

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Fonte: https://www.bleedingcool.com/2017/11/01/beta-unmasked-todays-walking-dead-173-spoilers/

Negan transformou-se numa mera peça do complexo puzzle que é esta guerra contra os Sussurradores, mas todas as suas aparições são uma lufada de ar fresco, talvez porque se tenha tornado o alívio cómico da narrativa, ainda que a sua história pessoal esteja carregada de dor e culpa.

“Lines We Cross não foi um volume arrebatador, mas bastante interessante e surpreendente.

Há ainda a adição de Princesa, uma nova personagem irreverente que ainda agora apareceu e já promete dar muito à trama. Maggie continua a ser uma das personagens com melhor desenvolvimento, e não há como recriminá-la pelo seu novo envolvimento. Depois de tudo o que passou, merece encontrar a felicidade nos braços de quem sempre esteve ao lado dela.

A questão de Dwight parece ser a mais complexa. O personagem depositou todas as suas esperanças em Rick, olhando-o como aquilo que Negan nunca fora, um líder justo. Mas, depois de ele matar Sherry, tudo muda. Não consegue mais encará-lo. Não consegue mais esperar que ele seja o seu líder. Sente que tem de fazer alguma coisa e nem os conselhos de Laura ouve mais. Fica no ar a questão se os Salvadores aceitarão deixar Rick, depois de tudo. Lines We Cross não foi um volume arrebatador, mas bastante interessante e surpreendente.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War  | #28 A Certain Doom | #29 Lines We Cross

Estive a Ler: Uma Pequena Luz, Outcast #3

Diz-me o que estavas a fazer… Porque tentaste… Inalar a minha respiração? O que é isso?

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Uma Pequena Luz”, terceiro volume da série Outcast (Formato BD)

O fenómeno Kirkman volta às bancas nacionais com o seu intenso e obsessivo Outcast, uma das séries da Image Comics que a G Floy Studio tem trazido para Portugal. Robert Kirkman continua a dedicar-se ao género que lhe deu maior visibilidade, o horror. Assim como o seu trabalho mais popular, The Walking Dead, também Outcast foi adaptada à TV, embora com uma repercussão bem menos positiva.

Com desenho de Paul Azaceta, Outcast tem vindo progressivamente a conquistar o público. A narrativa centra-se em Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. O terceiro volume, intitulado Uma Pequena Luz, tem formato capa dura e 128 páginas a cores, que correspondem aos números 13 a 18 da publicação original.

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Fonte: G Floy Studio

Este volume de Outcast leva-nos ao encontro de onde o último livro terminou. A aposta de Kirkman em retratar o tema do exorcismo não me convenceu de todo com os volumes iniciais, mas o desenvolvimento da narrativa tem-me agradado bastante. A atmosfera dark trabalhada por Azaceta ajuda bastante a definir o ambiente da sequência, de forma imperativa e inquietante.

“Sólido e expansivo, este terceiro volume de Outcast cimenta-o e mostra-se cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar.”

Outcast é uma série lenta. Não é fácil compará-lo a The Walking Dead, por exemplo, onde o ritmo faz parte do impacto que a série de BD tem no público. A história de Kirkman e Azaceta convida-nos a mastigar lentamente o sabor a cinzas que ela nos deixa na boca. Assim, a leitura de um volume pode não trazer grandes novidades, e muito menos saltar de cenário em cenário como a trama de mortos-vivos faz com mérito, mas deixa-nos entranhar no processo e aproximar-nos das personagens.

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Fonte: G Floy Studio

Em Uma Pequena Luz, vemos Kyle e o Reverendo Anderson a debater-se com o corpo possuído de Megan, a irmã adoptiva de Kyle. Durante o confronto, Megan ataca o próprio esposo, Mark, que sofre uma queda violentíssima. A dupla de protagonistas consegue exorcizar a mulher, mas os seus problemas estão longe de acabar, uma vez que o estado de saúde de Mark não é a única das suas preocupações. Vamos soltar SPOILERS?

“A arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar.

Quando procuram a pequena Holly, filha de Megan, encontram-na a conversar com uma figura sinistra. É, nem mais nem menos, que Sidney, o enigmático idoso que Anderson acredita ser a encarnação do próprio Diabo. Com a polícia presente, o reverendo não se abstém de espancar Sidney, o que deixa o senhor propriamente deliciado. Anderson é algemado e levado para a prisão, deixando Kyle, o Outcast, entregue a si próprio.

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Fonte: G Floy Studio

Grande parte deste volume é passado no hospital, durante o processo de tratamento de Mark, que ficara gravemente ferido. Numa visita ao hospital, Allison ouve uma conversa entre o ex-marido, Kyle, e Megan, ficando a saber de uma verdade de que Kyle a tentou salvaguardar. Entretanto, o Outcast é levado a ajudar uma senhora que procurara Anderson na igreja. O seu marido, Maurice, é vítima de uma possessão, apenas uma das que vários membros da comunidade são alvos.

Com Anderson atrás das grades, Kyle vê o seu trabalho a duplicar-se, enquanto Sidney move as peças e influencia vários membros da comunidade às suas ideias. Mas os planos que ele guarda para Kyle continuam a ser um mistério.

“Só posso fazer uma vénia à G Floy pelas edições lindíssimas que tem trazido até nós.”

Sólido e expansivo, este terceiro volume de Outcast cimenta-o e mostra-se cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Nunca fui grande fã de horror e da temática das possessões, mas a forma madura e credível com que as personagens são apresentadas agradou-me imenso, e é muito a verosimilhança das personagens que me cativa neste Outcast. Claro está, cada relance de um possuído vem trazer a sensação de adrenalina de que todos queremos ao ler uma história destas.

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Fonte: https://www.skybound.com/tv-film/robert-kirkman-and-paul-azaceta-on-outcast/

A arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura. Os tons amarelos, roxos e negros casam na perfeição com a temática. As expressões faciais são uma das suas melhores características e não posso deixar de afirmar que me cativam imenso as várias páginas sem diálogos, onde somos convidados a beber a ilustração e a cair no mundo apresentado sem que sejamos obrigados a concentrar-nos na história escrita.

Em suma, Outcast começou frágil mas, na minha opinião, já acertou o passo e é mais uma das séries regulares da Image Comics de que não dispenso. Robert Kirkman e Paul Azaceta são outra dupla que deu certo, e só posso fazer uma vénia à G Floy pelas edições lindíssimas que tem trazido até nós.

Avaliação: 7/10

Outcast (G Floy Studio Portugal):

#1: As Trevas que o Rodeiam

#2: Uma Ruína Sem Fim

#3 Uma Pequena Luz

A Divulgar: “Outcast Vol. 3 – Uma Pequena Luz” pela G Floy Studio

Depois do anúncio do 7.º volume de Saga, deverá chegar a livrarias no início da semana que vem a última novidade da G Floy Studio antes do natal, o volume 3 de Outcast: Uma Pequena Luz, de Robert Kirkman e Paul Azaceta. Kirkman é um dos mais influentes criadores de comics actual, e um dos cinco partners da Image Comics – o único que não é um dos fundadores. Kirkman é mundialmente famoso pela série The Walking Dead, que foi adaptada à TV pela Fox e se transformou num dos maiores êxitos mundiais. Tem-se dedicado à Image nestes últimos anos, e ao trabalho de produção televisiva das suas séries.

Robert Kirkman é ainda considerado como um dos grandes responsáveis daquilo que foi chamado a “Revolução Image”, o incrível período de criatividade pelo qual a editora tem passado e que a transformou numa das maiores editoras de BD do mundo, a terceira maior do mercado americano. Paul Azaceta, o desenhador de Outcast, é um artista cujo estilo simples, directo e arrojado, já ilustrou séries como Demolidor, Punisher Noir, Homem-Aranha e outras. Outcast é o seu trabalho mais mediático e aclamado, onde o seu estilo, geralmente visto nas páginas de comics de acção muito dinâmicos, é posto ao serviço de uma narrativa pausada e inquietante.

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SINOPSE:

A nova série do criador de THE WALKING DEAD, que serviu de base à série de TV da FOX

Toda a vida, Kyle Barnes foi perseguido por influências demoníacas, e, para sobreviver e defender aqueles que ama, precisa de respostas. Kyle terá de realizar o mais arriscado e perigoso exorcismo que jamais tentou, envolvendo a sua irmã e a sua filha, no momento em que começa a entender o mistério e os segredos das forças demoníacas que o rodeiam… segredos que podem mudar o destino do mundo. Infelizmente, aquilo que ele vai descobrir poderá significar o fim do mundo tal como o conhecemos..

“Outra coisa que recomenda este comic é a sua arte negra mas cheia de energia. Em termos de estilo, o trabalho de Azaceta fica algures entre os de Sean Phillips e de Alex Maleev, e isso é um enorme elogio, porque significa que está na melhor das companhias.”

boundingintocomics.com

OUTCAST volume 3: Uma Pequena Luz

Robert Kirkman e Paul Azaceta

Reúne os #13-18 da série original de Outcast

Álbum, formato comic, 128 pgs a cores, capa dura. PVP: 11,99€

ISBN: 978-84-16510-50-4

PREVIEWS:

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Resumo Trimestral de Leituras #10

Chegámos ao meio do ano e como tal chegou a hora de proceder a um novo balanço trimestral de leituras. Neste segundo trimestre, o destaque vai para Robin Hobb, não só porque organizei um desafio relativo à autora californiana, mas também porque li três livros dela que andaram perto de ser os melhores deste trimestre. Melhor que Hobb só Patrick Rothfuss. Li as duas partes de O Medo do Homem Sábio, e embora a primeira tenha sido significativamente melhor, a Crónica do Regicida tornou-se uma das minhas sagas preferidas. As minhas leituras nos meses de abril, maio e junho foram:

One-Punch Man #1 – One e Yusuke Murata

O Diário do Meu Pai – Jiro Taniguchi

Poder e Vingança, Império das Tormentas #1 – Jon Skovron

Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi

Presas Fáceis – Miguelanxo Prado

As Águias de Roma Livro V – Enrico Marini

O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1 – Robin Hobb

Como Falar com Raparigas em Festas – Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Dejah Thoris #1 – Frank J. Barbiere e Francesco Manna

A Dança das Andorinhas – Zeina Abirached

O Rei Macaco – Silverio Pisu e Milo Manara

Imperador dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #3 – Mark Lawrence

A Fortaleza da Pérola, Elric #2 – Michael Moorcock

A História de um Rato Mau – Bryan Talbot

Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6 – John Layman e Rob Guillory

Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2 – Robin Hobb

Os Senhores do Norte, Crónicas Saxónicas #3 – Bernard Cornwell

A Louca do Sacré Coeur – Alejandro Jodorowsky e Moebius

A Garagem Hermética – Moebius

Nimona – Noelle Stevenson

O Medo do Homem Sábio Parte 1, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

All is Lost, The Walking Dead #28 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Medo do Homem Sábio Parte 2, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

One-Punch Man #2 – One e Yusuke Murata

Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

Duas Vezes Contado, Harrow County #2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Sangue do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #3 – Robin Hobb

Sem TítuloComecei o segundo trimestre com a leitura de alguma banda-desenhada. Publicado pela Devir, o primeiro volume da edição em mangá de One-Punch Man apresenta um super-herói entediado com a facilidade com que derrota os adversários. A Humanidade é frequentemente atacada por monstros, que parecem não ter fim. No entanto, este herói parece mais preocupado em manter o seu apartamento inviolado. Uma história provocadora, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, que não me fascinou pessoalmente. Depois, li duas novelas gráficas da Levoir, da autoria de Jiro Taniguchi, autor falecido em fevereiro deste ano. Para além de tocante e reflexivo, O Diário do Meu Pai mostra que aquilo que compreendemos nem sempre está próximo da realidade. O outro álbum, Terra de Sonhos, apresenta cinco contos que mesclam a ternura à reflexão. Um casal sem filhos sofre com os últimos dias do seu animal de estimação, e quando ele morre juram não mais adotar nenhum outro. Mas quando uma gata persa, grávida, lhes surge nas vidas, tudo muda.

Sem títuloPoder e Vingança é o primeiro livro de Jon Skovron no registo fantasia adulta, com a marca de qualidade Saída de Emergência. Divertido e cheio de ritmo, o Império das Tormentas é um mundo bem construído que apresenta Esperança Sombria e Ruivo, dois personagens que vêm os seus percursos cruzar-se quando os criminosos que controlam Círculo do Paraíso começam a colaborar com os biomantes, servos místicos do Imperador. A escrita do autor não me convenceu, mas foi uma boa leitura. Piratas e ladrões, coleccionadores de arte e inventores, samurais, mutações humanas e perseguições sem fim. Disfarçado de alegoria, a BD da Levoir Presas Fáceis, da autoria do autor espanhol Miguelanxo Prado, é uma história inquietante sobre os interesses nefastos da banca. A burla é o tema central. Uma série de homicídios de pessoas ligadas à banca e o suicídio de um casal de idosos arrasta a inspetora Olga Tabares para uma investigação que levanta um sério debate moral. Saltei para o livro V da série gráfica As Águias de Roma, que oferece ao leitor um sucedâneo de emoções. Da revelação da paternidade de Tito à denúncia dos planos de Armínio, Enrico Marini desenha com precisão o clima bélico da Roma Antiga e coloca o embate entre Marco e o seu irmão de criação num patamar superior. Excelente álbum das Edições Asa, que prossegue a um ritmo altíssimo.

Sem TítuloComecei a segunda série de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário. O primeiro volume de O Regresso do Assassino mostra-nos o protagonista quinze anos mais velho. O mundo pensa que ele morreu, mas a verdade é que estabeleceu-se como camponês ao lado do seu lobo Olhos-de-Noite e acolheu um jovem órfão chamado Zar. A visita do seu amigo Bobo, agora transformado em Dom Dourado, e a revelação que o príncipe Respeitador desapareceu misteriosamente, colocam de novo Fitz na órbita de Torre do Cervo e das suas intricadas intrigas. Um volume que me fascinou do primeiro ao último momento, melhorando substancialmente em relação à primeira série. Depois de já ter lido o conto, há dois anos atrás, na antologia Coisas Frágeis, foi de bom grado que li a adaptação para BD de Como Falar com Raparigas em Festas. Pelas mãos da dupla brasileira Fábio Moon e Gabriel Bá, esta história de Neil Gaiman sobre dois jovens adolescentes nos anos 70 que, dedicados a fazer sucesso numa festa cheia de raparigas, descobrem que elas não são bem aquilo que pensavam, revelou-se uma lufada de ar-fresco. Divertido e despretensioso, é mais um excelente álbum trazido para o nosso país, desta feita pelas mãos da Bertrand.

Sem títuloCom argumento de Frank J. Barbiere e ilustrações de Francesco Manna, a BD Dejah Thoris é o primeiro volume de uma série da Dynamite Entertainment sobre a princesa de Marte da obra de Edgar Rice Burroughs. Casada com o terráqueo John Carter, Dejah vê-se vítima de um complot dentro do palácio para afastar a sua família do poder, fazendo desaparecer o seu pai e culpando-a por isso. Dejah Thoris é assim obrigada a fugir da cidade e mudar de identidade. Apesar de o argumento ser relativamente bom, foi também previsível e ficou um pouco aquém das expetativas. O mesmo para a arte, que valeu pela cor. Publicada na Colecção Novela Gráfica da Levoir com o jornal Público, A Dança das Andorinhas, da libanesa Zeina Abirached, encanta pela forma inocente e quase cómica com que um grupo de pessoas lida com a guerra. Separados do mundo e refugiados num átrio, os personagens são obrigados a encarar a vida como ela lhes é oferecida. Foi uma BD que não me apaixonou, mas fez-me refletir.

Sem título 2Entrei em maio com a BD O Rei Macaco da Arte de Autor. Com arte de Milo Manara e argumento de Silverio Pisu, trata-se de um mergulho nas tradições orientais. É uma releitura da Jornada para o Oeste, para encontrar o Jovem Macaco em busca da eternidade, com o Imperador de Jade disposto a dificultar-lhe a tarefa. Apesar de ser uma obra de referência, muito bem humorada, a nível de arte já vi melhor de Manara, o que se compreende uma vez que este foi um dos seus primeiros trabalhos. O terceiro e último volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, publicado pela TopSeller, Imperador dos Espinhos veio cimentar a minha opinião sobre a obra. O autor convence com a escrita, mas a história continuou confusa, sem uma proposta clara ou um plot bem definido. Um livro mediano, numa trilogia mediana. A Fortaleza da Pérola, de Michael Moorcock, mostra-nos Elric na cidade de Quarzhasaat, onde é chantageado por um nobre local a dar-lhe uma pérola desaparecida no deserto em troca de um antídoto para a droga que lhe haviam dado. Elric inicia assim uma viagem pelo deserto que o levará a Varadia, uma menina que ficou em estado comatoso desde que viu a sua integridade violentada. Mais uma excelente leitura, como Moorcock já nos habituou.

Sem títuloBaseado na história de vida da autora de livros infantis Beatrix Potter, o autor Bryan Talbot escreveu e desenhou uma BD tocante e metafórica sobre uma jovem que, vítima dos maus tratos dos pais e sentindo-se culpada pelos abusos sexuais que sofreu, acaba nas ruas de Londres, a sobreviver como sem-abrigo. A História de Um Rato Mau foi uma leitura reflexiva, que não me agradou no seu todo pelo peso que tomou, em certo ponto. Das novelas gráficas da Levoir passei para os grandes lançamentos da G Floy. Bolos Janados é mais uma aventura do detective mais louco da BD, Tony Chu, desta feita protagonizada pela sua irmã-gémea, Antonelle. Desde um leilão polémico até a um casamento de final abrupto, passando por uma aliança inusitada entre a NASA, a FDA e a USDA, somos convidados a percorrer uma série de aventuras com a participação sempre especial do galo Poyo. A história não desilude, mantendo-se fresca, colorida, bem-humorada e com muitas, muitas vísceras à mostra. Geniais, John Layman e Rob Guillory mantêm a toada. No seguimento do meu desafio com o apoio da Saída de Emergência li Os Dilemas do Assassino de Robin Hobb. FitzCavalaria continua mais perdido do que nunca, agora que é um homem adulto e tem de lidar com uma série de questões políticas e com a imaturidade dos mais jovens. Este segundo volume tem mais mistérios e alguma magia, relacionada com um rapaz de pele escamada e com a narcheska Eliânia, mas também referências a dragões e a navivivos, que me agradou.

Sem títuloTerceiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, Os Senhores do Norte mostra-nos Uthred a caminho do norte, enraivecido com o Rei Alfredo pela ridícula recompensa que lhe deu depois de tudo o que fez para que vencesse a importante Batalha de Ethandun. Disposto a recuperar a Bebbanburg que o viu nascer, Uthred “tropeça” em Guthred, um dinamarquês convertido ao Cristianismo que pretendia reclamar para si o norte. Mais um magnífico livro cheio de passagens belas e inquietantes, com o selo de qualidade Bernard Cornwell e Saída de Emergência. Escrito por dois dinossauros da BD, Alejandro Jodorowsky e Moebius, A Louca do Sacré Coeur conta a história de um professor de filosofia da Sorbonne, tradicionalmente vestido de lilás que, assediado por uma das suas alunas, sucumbe à tradicional crise de meia-idade e vê-se arrastado para uma parafernália de rituais bizarros que mesclam o religioso e o misticismo a práticas sexuais completamente lunáticas. Um livro que me agradou nas ideias e no desenho, mas que achei um pouco mal executado, ou pelo menos sem brilho. Outra grande obra de Moebius pelas mãos da Levoir, A Garagem Hermética é uma história confusa de ficção científica que gira à volta do Major Grubert. O misterioso personagem concebe um asteróide que cabe no seu bolso através de treze geradores. Porém, no interior desse corpo existem três mundos e vida, possivelmente tão real como a nossa. Mas quem será este enigmático Major Grubert? Gostei imenso, mesmo não percebendo muito da história.

Sem TítuloO mês de junho começou com Nimona, da norte-americana Noelle Stevenson, que marca o regresso da Saída de Emergência à publicação de BD’s. Nasceu como um trabalho universitário da autora, mas foi como webcomic que alcançou o sucesso e transformou autora e personagem em celebridades. Dona de um traço único e de um humor aguçado, Stevenson aborda temas como a amizade, a falsidade, o controlo dos media pelas forças de poder e a homossexualidade, de forma simples e divertida, num mundo marcadamente medieval com televisões, computadores e tecnologias futuristas. Em senda de leituras maravilhosas, seguiu-se o segundo volume da Crónica do Regicida (Parte 1 e Parte 2), publicado em português pela ASA/1001 Mundos. O Medo do Homem Sábio traz-nos de volta ao mundo escrito por Patrick Rothfuss. Depois de sobreviver às artimanhas de Ambrose, Kvothe sobrevive na Universidade, pagando as “propinas” com a música que faz em Imre, a cidade vizinha, e com os empréstimos que forja com Devi, a lendária ex-aluna da Universidade. É quando uma acusação antiga lhe bate à porta que surge a oportunidade de arranjar um mecenas, o que o leva para longe, para a distinta Vintas. Enquanto a primeira parte foi, muito possivelmente, dos melhores livros que já li na vida, o segundo perdeu bastante em comparação, ainda que a escrita do autor continue como uma das maravilhas da série.

Sem títuloMais um brilhante volume da BD The Walking Dead, All is Lost prossegue na rota de sucesso do argumentista Robert Kirkman, com a arte sempre consensual de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano. Hilltop caiu e uma legião de walkers foi canalizada pelos Sussurradores em direção a Alexandria. Negan e Rick defendem a comunidade, mas os portões caem e Rick vê no seu antigo adversário um amigo improvável, o único que consegue ajudá-lo quando tudo parece desmoronar-se à sua volta. Mais um volume excelente e uma morte impactante com repercussões no futuro das BD’s. Li também o segundo volume do mangá One-Punch Man de One e Yusuke Murata, com quem tinha iniciado o trimestre. Uma série de apontamentos divertidos fazem-me olhar com agrado para este álbum, cuja proposta ou mesmo linha narrativa não oferecem nada de original ou interessante. E regressei a Robert Kirkman. Depois de ter lido o primeiro volume no início do ano, eis que chegou às bancas o segundo álbum de Outcast, Uma Ruína Sem Fim, com argumento do autor de The Walking Dead e ilustrações de Paul Azaceta. Argumento e arte casam na perfeição numa história sobre possessões que começa a dar maiores sinais de interesse, e com os mistérios a adensarem-se. Apesar de a história parecer demorar a avançar, notam-se os laivos de genialidade que atiraram Kirkman para as bocas do mundo.

Sem título 2Tal como o álbum de Outcast, Duas Vezes Contado foi um dos mais recentes lançamentos da G Floy no nosso país, lançado no Festival de BD de Beja. O segundo volume da BD de horror Harrow County, com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, revela um maior amadurecimento por parte do artista, ainda que o argumento não me tenha agradado por aí além. À medida que a protagonista Emmy vem aprendendo a lidar com os seus poderes e com as criaturas sobrenaturais que habitam Harrow County, tem também de proteger a povoação de um novo inimigo: a própria irmã gémea, Kammi. E terminei o trimestre com o terceiro volume da Saga O Regresso do Assassino. Em Sangue do Assassino, Robin Hobb volta a não desiludir. Vemos o protagonista FitzCavalaria arrastado para uma chuva de situações inusitadas, desde a ganância pela magia do seu velho mentor, à preocupação com os filhos, rumores de homossexualidade e principalmente a ameaça dos pigarços à sua integridade e à da família real. A obra, porém, oferece muito mais do que isso. Oferece pessoas reais, com defeitos e virtudes, e problemas que podiam ser partilhados por qualquer um de nós. Uma história enriquecedora.

Neste momento, estou a ler o livro Monge Guerreiro do autor brasileiro Romulo Felippe, e deverei continuar com as BD’s Southern Bastards, Velvet, Monstress e mais alguns livrinhos. Entre os nomes que pretendo ler nos meses de verão estão Ursula K. Le Guin e Joe Abercrombie, mas irei também concluir a Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb.

Estive a Ler: Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2

Já não sou digno de fazer o Teu trabalho? É por isso que não tenho poder sobre estes demónios? Ofendi-te Senhor?

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Uma Ruína Sem Fim”, segundo volume da série Outcast (Formato BD)

Compreendendo os números 7 a 12 da publicação original, o segundo volume de Outcast chegou às bancas portuguesas em meados de junho, retomando as atribulações do personagem Kyle Barnes num mundo acossado por possessões demoníacas. Acusado de abusar a filha e a esposa, após uma vida marcada por abusos físicos por parte da mãe, Kyle tem de conviver com as mentiras sopradas para a sociedade, sabendo que tanto a mãe como a esposa estavam possuídas por demónios em ambas as circunstâncias.

Da autoria de Robert Kirkman, o famoso argumentista de The Walking Dead, responsável por levar aos ecrãs algumas das tramas mais conhecidas da Image Comics, e com ilustrações de Paul Azaceta, que já colaborou em inúmeros trabalhos da Marvel como Demolidor, Punisher Noir ou Homem Aranha, Uma Ruína Sem Fim marca o retorno da série Outcast às bancas nacionais.

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Prancha G Floy

Um passeio de terror

Após perceber que todas as pessoas com quem convivia estavam possuídas por demónios, e que possuía um dom inusitado para as “purgar”, Kyle Byrnes aliou-se ao Reverendo Anderson na busca de uma solução para a praga de possessões e para desvendar os seus imensos mistérios.

Neste segundo volume somos reapresentados aos personagens, com especial destaque para Megan, a irmã adotiva de Kyle, em quem incide grande parte das incidências deste volume. Kyle tenta aproximar-se da velha Mildred, na tentativa de a curar, muito embora o reverendo o mantenha afastado, garantindo-lhe ser problema para ele. Os dois metem-se num carro e param em várias casas, para averiguar em que estado se encontram algumas das pessoas que haviam sido arruinadas pelos problemas da possessão. Numa dessas viagens, Anderson revela a Kyle uma cicatriz no peito em forma de pentagrama, trabalho do próprio Diabo.

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Prancha G Floy

Exorcismos

Kyle e Anderson procuram uma mulher chamada Sherry, que acabam por encontrar entre um grupo de sem-abrigos. Ela chama Kyle de Outcast e foge. Quando a conseguem alcançar, revela-lhes que Kyle é uma chave contra as possessões. Debate-se contra ele até que, após um esforço conjunto, os dois homens conseguem exorcizá-la. A mulher, porém, fica inconsciente.

Anderson e Kyle travam-se de razões, uma vez que este julgava ter arruinado a vida de Sherry, enquanto o reverendo insistia na ideia de que a salvaram. O debate acaba por separá-los, e enquanto Kyle se reaproxima da família, procurando a filha Amber e acabando por ser reconhecido pela ex-mulher, Allison, o reverendo encontra uma figura sinistra. Trata-se de Sidney, que por alguma razão misteriosa e terrível consegue manobrar os possuídos e procura ganhar Kyle para si.

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Capa G Floy
SINOPSE:

Toda a vida, Kyle Barnes foi perseguido por influências demoníacas, que lhe assombram a sua vida e a de todos os que alguma vez amou. Quando finalmente consegue fazer a ligação entre uma estranha série de novos casos, e a terrível possessão da sua mãe, que lhe destruiu a infância, sente que está finalmente no caminho de desvendar o segredo dos seus temíveis dons sobrenaturais.
Infelizmente, aquilo que ele vai descobrir poderá significar o fim do mundo tal como o conhecemos..

OPINIÃO:

O tom lúgubre continua a pautar as páginas de Outcast, e Uma Ruína Sem Fim traz consigo o rasto de negrume e mistério que a premissa da BD promete. Não será, certamente, dos melhores argumentos de Robert Kirkman e, na minha humilde opinião, é um produto de menor qualidade que a obra-prima do autor norte-americano (The Walking Dead), o que não lhe retira mérito de execução. A série literária cumpre o que promete.

De algumas passagens mais lentas a várias páginas de discussões um pouco banais, vamos vendo montadas as peças do puzzle e reconhecendo, aqui ou ali, os laivos de mestria Kirkman. A dupla Kyle/Anderson funciona na perfeição, seja no debate de ideologias, seja nas horas de maior atividade. Dois personagens cheios de nuances e também de potencial que, penso, possam ser melhor explorados em volumes vindouros. De realçar, ainda, uma exuberância de personagens secundários cheios de segredos e mistérios, que só adensam a curiosidade do leitor.

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Prancha G Floy

Também o mistério em redor das possessões alimenta essa ânsia por respostas. Se a temática da possessão é, por si só, interessante – muito embora nunca tenha tido especial apreço por essas áreas – Kirkman lança, neste volume, algumas pistas de que esta luta pode ter um caráter mais científico, do que uma luta tradicional entre o Diabo e os humanos, representados pela Igreja. Pistas que me deixaram com vontade de saber muito mais sobre Sidney e o enigma do Outcast.

“De algumas passagens mais lentas a várias páginas de discussões um pouco banais, vamos vendo montadas as peças do puzzle e reconhecendo, aqui ou ali, os laivos de mestria Kirkman.”

Por fim, um especial destaque para o desenho de Paul Azaceta. Se no primeiro volume sublinhei o casamento perfeito entre o argumento e a arte, neste segundo álbum posso garantir que as ilustrações foram ainda mais notáveis, detetando-se uma maior maturidade na execução do artista. Apesar de ainda não me sentir imerso neste mundo, posso garantir que se trata de um bom entretenimento e de mais uma aposta ganha de Robert Kirkman no mundo das bandas-desenhadas.

Avaliação: 7/10

Outcast (G Floy Studio Portugal):

#1: As Trevas que o Rodeiam

#2: Uma Ruína Sem Fim

#3: Uma Pequena Luz

 

Estive a Ler: A Certain Doom, The Walking Dead #28

— Foi tudo minha culpa.

— Não foi.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “A CERTAIN DOOM”, VIGÉSIMO OITAVO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

The Walking Dead, a fantástica BD do norte-americano Robert Kirkman, chegou ao volume 28, que inclui os números 163 ao 168. O produto da Image Comics conta, mais uma vez, com as ilustrações de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano no volume intitulado A Certain Doom.

A trama segue a dramática história de sobrevivência de um grupo após o chamado “Apocalipse Zombie“, desde que o polícia Rick Grimes acordou de um coma e percebeu que o mundo havia virado do avesso. Após ter enfrentado e vencido um terrível vilão chamado Negan, Rick reconstruiu um novo mundo, com um sistema de comunicação entre comunidades, e aprisionou o seu arquirrival numa cela. Porém, o advento de uma legião selvagem de indivíduos que se disfarçam com entranhas de mortos-vivos coloca em risco toda a segurança das comunidades e Rick é obrigado a confiar em Negan para não perder tudo o que lhe é mais querido.

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Prancha Image Comics

Um oceano de mortos

Hilltop caiu e Alexandria parece ser o próximo alvo dos Sussurradores. Rick não sabe o que fazer quando vê uma horda a aproximar-se da comunidade, mas Andrea é mais prática e organiza de pronto os homens, liderando um grupo destinado a provocar uma manobra de diversão. Dwight, Eugene, Heath, Michonne e Jesus prontificam-se a juntar-se-lhe. Rick e Negan lideram a defesa dos portões, mas tal não parece suficiente. Os walkers forçam a entrada e as paredes de Alexandria caem.

Negan salva a vida a Rick e tenta, com todos os argumentos, convencê-lo de que está do seu lado e que tudo o que os separou um dia ficou para trás. Alexandria é completamente tragada pela horda walker, quando Maggie, Dante, Carl e os sobreviventes de Hilltop chegam às suas imediações e testemunham a catástrofe total. Quando tudo parece caótico, Rick salva a vida a Negan, saldando a sua dívida.

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Imagem Image Comics

Uma perda irreparável

Os Salvadores decidem tornar-se independentes no pior momento possível, imobilizando Heath e deixando claro para Dwight que não aceitam mais segui-lo. No meio da horda, Eugene tem uma ideia peregrina e arma-se em herói, obrigando uma das pessoas mais queridas de Rick a intervir para o salvar, acabando por levar uma mordida fatal. Siddiq e Vincent fazem um trabalho notável na limpeza de Alexandria, reagrupando-se a Rick e a Negan quando conseguem recuperar o controlo sobre a comunidade.

Quem também chega a Alexandria são os Salvadores, levando Dwight como refém. Sherry mostra-se o rosto do seu desagrado, e enfrenta Rick de armas em punho. Rick Grimes vê a insatisfação dos Salvadores pela adição de Negan ao grupo, e chegam mesmo a compará-lo ao antigo líder. Quando Sherry o tenta matar, é Rick quem acaba por a eliminar. Completamente devastado pela morte de uma das pessoas que lhe eram mais próximas, Rick deixa Negan lidar com a insubordinação dos Salvadores, usando a oratória para os demover das suas intenções. Rick Grimes termina o volume a dormir sobre uma campa.

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Prancha Image Comics
SINOPSE:

In the aftermath of The Whisperer War–ALL IS LOST as Rick and all of Alexandria fight for survival against the largest horde of walkers they’ve ever faced.
Collects THE WALKING DEAD #163-168.

OPINIÃO:

Repleto de batalhas, tiroteios, confrontos e reviravoltas, All is Lost é mais um brilhante volume da BD The Walking Dead. Se os intermináveis conflitos e destruição de comunidades não bastassem para prender o leitor, a equipa comandada por Robert Kirkman ainda conseguiu oferecer mais uma série de frases épicas e diálogos maravilhosos por parte do personagem Negan e, acima de tudo, uma morte inesperada e impactante. A BD renova-se a cada arco de história e parece ter sempre pano para mangas.

A morte foi, de facto, surpreendente. E a forma como foi narrada conteve toda uma paleta de cores, doçura, ternura, amargura, felicidade e tristeza. Kirkman superou-se ao despedir-se de um personagem tão importante. A forma como conseguiu passar a desesperança de Rick Grimes foi notável, acima de tudo por tratar-se de um mero personagem de BD. Comunicou de forma profunda com o leitor, o que não é tarefa fácil no suporte em que é apresentado.

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Negan (Image Comics)

Mas não foi só a morte (ou as mortes) o que marcou este volume. Houve traições, guerras e um cenário cinza e desesperante onde o personagem Negan, mais uma vez, roubou a cena. Quando tudo parece terrível, chega aquele personagem com um sentido de humor único e alivia a carga dramática a grande nível. Ninguém consegue confiar nele, mas todos “dão graças” por Negan estar do lado de Rick Grimes.

“Houve traições, guerras e um cenário cinza e desesperante onde o personagem Negan, mais uma vez, roubou a cena.”

Foi mais um volume envolvente, repleto de ação e muito bem conseguido. Foi um volume triste, melancólico e cheio de tragédias, mas mais uma vez Robert Kirkman revelou o génio que todos conhecem, e a turma de artistas liderada por Adlard, Rathburn e Gaudiano conseguiu representar de forma exemplar a alma do texto.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War  | #28 A Certain Doom

 

 

 

 

Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

The Whisperer War, The Walking Dead #27

Certo… Certo… Conseguimos.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “THE WHISPERER WAR”, VIGÉSIMO SÉTIMO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

Chegou finalmente o último número de The Whisperer War. Este álbum inclui os números 157 a 162 da BD The Walking Dead e, tal como os volumes anteriores, conta com o argumento de Robert Kirkman e as ilustrações de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano.

A batalha aproxima-se

Uma batalha entre os habitantes das comunidades e os exércitos de Sussurradores (uma legião de nómadas que se disfarça entre os walkers) aproxima-se. A defesa de Alexandria, liderada por Dwight, avista Negan. Apesar de determinado em disparar contra ele, Dwight é instigado pelos seus pares a refrear-se. Uma vez que não possui qualquer arma, Negan é conduzido a Rick, mostrando a cabeça de Alpha, a líder dos Sussurradores, que decapitou para provar a sua lealdade. Após um longo debate, Rick acede em deixar Negan juntar-se às suas tropas na guerra contra os Sussurradores, usando-o como carne para canhão.

Depois da morte de Eric e recuperando dos seus ferimentos em Hilltop, Aaron torna-se cada vez mais próximo de Jesus, prevendo-se um romance entre os dois. Michonne organiza a investida contra os Sussurradores, contando com um grande número de soldados oriundos de Hilltop, disponibilizados por Maggie. À frente do Reino, William também apoia Rick com os seus homens, embora nem todos os subalternos se mostrem recetivos a deixar a comunidade indefesa.

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Beta (Image Comics)

Em Alexandria, Eugene mantém contacto por rádio com uma estranha, Stephanie, que alega estar em Ohio. Aquele que foi outrora visto como um cobarde é agora o responsável por toda a tecnologia, condições de vida e armamento de que a comunidade dispõe.

A horda de Sussurradores avança. O exército de Dwight também, com o padre Gabriel num posto de vigia e o grupo de Magna posicionado num local estratégico, pronto para flanquear o inimigo.

O conflito

A escaramuça inicia-se e o exército de Rick vê no padre Gabriel a sua primeira baixa. Negan luta selvaticamente contra os inimigos, enfrentando cara a cara Beta, o líder dos Sussurradores. O seu rival é gravemente ferido, mas Negan parte Lucille, uma perda que o afeta emocionalmente, permitindo a Beta ser resgatado pelos seus homens. Mais tarde, Negan procede a um funeral simbólico à arma, onde se percebe que Lucille seria um antigo amor do anti-herói, que ele viria a transportar simbolicamente para o bastão farpado. A fação de Dwight parece vencer a batalha, mas surgem mais Sussurradores, o que os obriga a mudar de estratégia.

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Rick Grimes (Image Comics)

Os Sussurradores parecem concentrar a sua atenção em Hilltop, agora que se encontra parcialmente desguarnecida, para resgatar Lydia, a filha de Alpha, e controlar a comunidade. No interior da fortaleza, Dante corteja Maggie, mas ela parece obstinada em honrar a memória de Glenn. O ataque inicia-se, com casas a arder por todo o lado. Lydia recusa ir embora com os Sussuradores, lutando bravamente contra eles. Sophia salva o pequeno Hershel de um incêndio e Carl salva Maggie, mas fica inconsciente no meio dos fogos e destroços. É Aaron, que rasteja, ainda combalido dos seus ferimentos, para o salvar. A enorme entreajuda entre os locais faz com que a defesa da comunidade vença os atacantes, apesar de Hilltop ter-se reduzido a destroços. William, o governante do Reino, decide ele mesmo rumar a Hilltop com os seus homens, mas chega tarde demais.

Dwight regressa a Alexandria em glória, comunicando a Rick a vitória dos seus exércitos. Quando fala nas centenas de adversários que enfrentaram, o seu líder fica em choque. Rick Grimes viu o tamanho das legiões de Sussurradores, e não se tratavam de centenas, mas sim de milhares. A guerra pode estar apenas no início.

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Dwight coordena as tropas (Image Comics)
SINOPSE:

The time has come. The forces are aligning. The war has begun! Has Rick brought about the demise of everything he’s built? Or will he triumph once again? Know this… there will be a cost.
Collects THE WALKING DEAD #157-162.

OPINIÃO:

Focado em questões militares e pensamento estratégico, o volume 27 de The Walking Dead trouxe uma narrativa muito bem oleada e um ritmo altíssimo. The Whisperer War prometia ser o fim de um ciclo, mas foi apenas a primeira batalha efetiva de uma guerra que pode estar para durar. Acontecimentos que podem ser considerados chocantes são ultrapassados com frivolidade, sendo sucedidos por cenas mais banais de uma forma credível. Mérito de Robert Kirkman, o argumentista.

O personagem Negan, anteriormente considerado o mais terrível vilão de todos os tempos, continua a não ser um personagem digno de confiança, mas neste momento é, acima de tudo, o alívio cómico da sequência. Todas as suas falas e aparições são uma lufada de ar fresco no clima tenso da guerra.

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Negan quebra Lucille (Image Comics)

Se o argumento de Kirkman está bem e recomenda-se, o lápis de Adlard e companhia continua a cumprir o seu papel. A arte está encastoada na narrativa de uma forma tão adequada que não chama a atenção. No seu todo, um volume muito positivo que dá ação e promete ainda mais e melhor.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War

As Trevas que o Rodeiam, Outcast #1

Estava tão vermelha… Mais vermelha do que tudo o que já vi.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “As Trevas que o Rodeiam”, primeiro volume da série Outcast (Formato BD)

Do mesmo autor de The Walking Dead, Robert Kirkman, com arte de Paul Azaceta, Outcast é mais uma BD de sucesso da Image Comics, recentemente publicada em Portugal pela G Floy com o título As Trevas que o Rodeiam. O primeiro volume inclui os números 1 a 6 da publicação original.

A Darkness Surrounds Him apresenta-nos Kyle Byrnes, um homem ainda jovem vergado por traumas do passado, ligados a várias ocorrências de violência. Quando o Reverendo Anderson lhe pede ajuda, rapidamente Kyle percebe que a infância violenta e a relação perturbadora com a sua mãe está ligada a uma série de fenómenos paranormais, possessões, que o impulsionaram a ser violento com pessoas que amava.

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Capa G Gloy

Mais do que ser perseguido por um rol de possessões, Kyle parece também ser um antídoto contra elas, um proscrito que assusta os demónios que vagueiam por aí. O seu sangue queima as pessoas possuídas e só a sua influência consegue domá-las.

A história foca-se em Kyle, com a presença quase omnipresente do reverendo, o co-protagonista da história. Perpassa também por várias outras personagens, quer através de flashbacks do passado do personagem, muitas delas misteriosas, ou do presente, como Luke, Blake, a velha Mildred, o viúvo Norville ou o seu irmão, o misterioso Sidney. Pouco a pouco, as pontas dos enigmas relativos ao passado de Kyle são levantadas, mas muito permanece em aberto.

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Image Comics
SINOPSE:

NEW HORROR SERIES FROM THE WALKING DEAD CREATOR ROBERT KIRKMAN! Kyle Barnes has been plagued by demonic possession all his life and now he needs answers. Unfortunately, what he uncovers along the way could bring about the end of life on Earth as we know it. Collects OUTCAST BY KIRKMAN & AZACETA #1-6.

OPINIÃO:

Com um tom lúgubre e obscuro, o primeiro volume de Outcast oferece uma história violenta, com um tipo de terror muito característico em Robert Kirkman: a sugestão do terrível e uma ponte aos sentimentos mais primários da natureza humana.

Não será uma história para todos; Outcast recorre ao visceral para reproduzir os vários episódios de possessão presentes nesta edição. Nem mesmo para todos os fãs de The Walking Dead, o mais popular trabalho do autor norte-americano. O tom é mais obscuro e o ritmo mais monótono. Este primeiro volume trouxe muitas perguntas e poucas respostas, apresentou vários personagens e atirou-nos de cabeça para as suas vivências sem perceber bem os antecedentes.

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Cena A Darkness Surrounds Him (Image Comics)

Ainda assim, agradou-me bastante. Os mistérios fizeram-me querer saber mais sobre as personagens, e o facto de a maioria dos que rodeiam o protagonista serem vítimas de possessões agradou-me. Pessoalmente, a série de TV baseada em Outcast não me prendeu, do pouco que vi, mas gostei da BD e pretendo continuar a segui-la.

Apesar do pouco de história que pode ser tirado deste primeiro volume, e de o tema em questão – as possessões demoníacas – não me fascinar, o argumento de Robert Kirkman consegue sempre agarrar-me e este primeiro volume deixa uma promessa de grande qualidade.

O desenho de Paul Azaceta é bastante bom, com muitos pormenores e expressões faciais bem retratadas. O traço rigoroso e a pluralidade de cores beneficiou o álbum, casando bem com a narrativa apresentada.

Avaliação: 8/10

Outcast (G Floy Studio Portugal):

#1: As Trevas que o Rodeiam

#2: Uma Ruína Sem Fim

#3: Uma Pequena Luz