Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

The Whisperer War, The Walking Dead #27

Certo… Certo… Conseguimos.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “THE WHISPERER WAR”, VIGÉSIMO SÉTIMO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

Chegou finalmente o último número de The Whisperer War. Este álbum inclui os números 157 a 162 da BD The Walking Dead e, tal como os volumes anteriores, conta com o argumento de Robert Kirkman e as ilustrações de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano.

A batalha aproxima-se

Uma batalha entre os habitantes das comunidades e os exércitos de Sussurradores (uma legião de nómadas que se disfarça entre os walkers) aproxima-se. A defesa de Alexandria, liderada por Dwight, avista Negan. Apesar de determinado em disparar contra ele, Dwight é instigado pelos seus pares a refrear-se. Uma vez que não possui qualquer arma, Negan é conduzido a Rick, mostrando a cabeça de Alpha, a líder dos Sussurradores, que decapitou para provar a sua lealdade. Após um longo debate, Rick acede em deixar Negan juntar-se às suas tropas na guerra contra os Sussurradores, usando-o como carne para canhão.

Depois da morte de Eric e recuperando dos seus ferimentos em Hilltop, Aaron torna-se cada vez mais próximo de Jesus, prevendo-se um romance entre os dois. Michonne organiza a investida contra os Sussurradores, contando com um grande número de soldados oriundos de Hilltop, disponibilizados por Maggie. À frente do Reino, William também apoia Rick com os seus homens, embora nem todos os subalternos se mostrem recetivos a deixar a comunidade indefesa.

sem-titulo
Beta (Image Comics)

Em Alexandria, Eugene mantém contacto por rádio com uma estranha, Stephanie, que alega estar em Ohio. Aquele que foi outrora visto como um cobarde é agora o responsável por toda a tecnologia, condições de vida e armamento de que a comunidade dispõe.

A horda de Sussurradores avança. O exército de Dwight também, com o padre Gabriel num posto de vigia e o grupo de Magna posicionado num local estratégico, pronto para flanquear o inimigo.

O conflito

A escaramuça inicia-se e o exército de Rick vê no padre Gabriel a sua primeira baixa. Negan luta selvaticamente contra os inimigos, enfrentando cara a cara Beta, o líder dos Sussurradores. O seu rival é gravemente ferido, mas Negan parte Lucille, uma perda que o afeta emocionalmente, permitindo a Beta ser resgatado pelos seus homens. Mais tarde, Negan procede a um funeral simbólico à arma, onde se percebe que Lucille seria um antigo amor do anti-herói, que ele viria a transportar simbolicamente para o bastão farpado. A fação de Dwight parece vencer a batalha, mas surgem mais Sussurradores, o que os obriga a mudar de estratégia.

sem-titulo
Rick Grimes (Image Comics)

Os Sussurradores parecem concentrar a sua atenção em Hilltop, agora que se encontra parcialmente desguarnecida, para resgatar Lydia, a filha de Alpha, e controlar a comunidade. No interior da fortaleza, Dante corteja Maggie, mas ela parece obstinada em honrar a memória de Glenn. O ataque inicia-se, com casas a arder por todo o lado. Lydia recusa ir embora com os Sussuradores, lutando bravamente contra eles. Sophia salva o pequeno Hershel de um incêndio e Carl salva Maggie, mas fica inconsciente no meio dos fogos e destroços. É Aaron, que rasteja, ainda combalido dos seus ferimentos, para o salvar. A enorme entreajuda entre os locais faz com que a defesa da comunidade vença os atacantes, apesar de Hilltop ter-se reduzido a destroços. William, o governante do Reino, decide ele mesmo rumar a Hilltop com os seus homens, mas chega tarde demais.

Dwight regressa a Alexandria em glória, comunicando a Rick a vitória dos seus exércitos. Quando fala nas centenas de adversários que enfrentaram, o seu líder fica em choque. Rick Grimes viu o tamanho das legiões de Sussurradores, e não se tratavam de centenas, mas sim de milhares. A guerra pode estar apenas no início.

sem-titulo
Dwight coordena as tropas (Image Comics)
SINOPSE:

The time has come. The forces are aligning. The war has begun! Has Rick brought about the demise of everything he’s built? Or will he triumph once again? Know this… there will be a cost.
Collects THE WALKING DEAD #157-162.

OPINIÃO:

Focado em questões militares e pensamento estratégico, o volume 27 de The Walking Dead trouxe uma narrativa muito bem oleada e um ritmo altíssimo. The Whisperer War prometia ser o fim de um ciclo, mas foi apenas a primeira batalha efetiva de uma guerra que pode estar para durar. Acontecimentos que podem ser considerados chocantes são ultrapassados com frivolidade, sendo sucedidos por cenas mais banais de uma forma credível. Mérito de Robert Kirkman, o argumentista.

O personagem Negan, anteriormente considerado o mais terrível vilão de todos os tempos, continua a não ser um personagem digno de confiança, mas neste momento é, acima de tudo, o alívio cómico da sequência. Todas as suas falas e aparições são uma lufada de ar fresco no clima tenso da guerra.

sem-titulo
Negan quebra Lucille (Image Comics)

Se o argumento de Kirkman está bem e recomenda-se, o lápis de Adlard e companhia continua a cumprir o seu papel. A arte está encastoada na narrativa de uma forma tão adequada que não chama a atenção. No seu todo, um volume muito positivo que dá ação e promete ainda mais e melhor.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1

Estava tão vermelha… Mais vermelha do que tudo o que já vi.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Darkness Surrounds Him”, primeiro volume da série Outcast (Formato BD)

Do mesmo autor de The Walking Dead, Robert Kirkman, com arte de Paul Azaceta, Outcast é mais uma BD de sucesso da Image Comics, recentemente publicada em Portugal pela G Floy com o título As Trevas que o Rodeiam. O primeiro volume inclui os números 1 a 6 da publicação original.

A Darkness Surrounds Him apresenta-nos Kyle Byrnes, um homem ainda jovem vergado por traumas do passado, ligados a várias ocorrências de violência. Quando o Reverendo Anderson lhe pede ajuda, rapidamente Kyle percebe que a infância violenta e a relação perturbadora com a sua mãe está ligada a uma série de fenómenos paranormais, possessões, que o impulsionaram a ser violento com pessoas que amava.

sem-titulo
Capa G Gloy

Mais do que ser perseguido por um rol de possessões, Kyle parece também ser um antídoto contra elas, um proscrito que assusta os demónios que vagueiam por aí. O seu sangue queima as pessoas possuídas e só a sua influência consegue domá-las.

A história foca-se em Kyle, com a presença quase omnipresente do reverendo, o co-protagonista da história. Perpassa também por várias outras personagens, quer através de flashbacks do passado do personagem, muitas delas misteriosas, ou do presente, como Luke, Blake, a velha Mildred, o viúvo Norville ou o seu irmão, o misterioso Sidney. Pouco a pouco, as pontas dos enigmas relativos ao passado de Kyle são levantadas, mas muito permanece em aberto.

sem-titulo
Image Comics
SINOPSE:

NEW HORROR SERIES FROM THE WALKING DEAD CREATOR ROBERT KIRKMAN! Kyle Barnes has been plagued by demonic possession all his life and now he needs answers. Unfortunately, what he uncovers along the way could bring about the end of life on Earth as we know it. Collects OUTCAST BY KIRKMAN & AZACETA #1-6.

OPINIÃO:

Com um tom lúgubre e obscuro, o primeiro volume de Outcast oferece uma história violenta, com um tipo de terror muito característico em Robert Kirkman: a sugestão do terrível e uma ponte aos sentimentos mais primários da natureza humana.

Não será uma história para todos; Outcast recorre ao visceral para reproduzir os vários episódios de possessão presentes nesta edição. Nem mesmo para todos os fãs de The Walking Dead, o mais popular trabalho do autor norte-americano. O tom é mais obscuro e o ritmo mais monótono. Este primeiro volume trouxe muitas perguntas e poucas respostas, apresentou vários personagens e atirou-nos de cabeça para as suas vivências sem perceber bem os antecedentes.

sem-titulo
Cena A Darkness Surrounds Him (Image Comics)

Ainda assim, agradou-me bastante. Os mistérios fizeram-me querer saber mais sobre as personagens, e o facto de a maioria dos que rodeiam o protagonista serem vítimas de possessões agradou-me. Pessoalmente, a série de TV baseada em Outcast não me prendeu, do pouco que vi, mas gostei da BD e pretendo continuar a segui-la.

Apesar do pouco de história que pode ser tirado deste primeiro volume, e de o tema em questão – as possessões demoníacas – não me fascinar, o argumento de Robert Kirkman consegue sempre agarrar-me e este primeiro volume deixa uma promessa de grande qualidade.

O desenho de Paul Azaceta é bastante bom, com muitos pormenores e expressões faciais bem retratadas. O traço rigoroso e a pluralidade de cores beneficiou o álbum, casando bem com a narrativa apresentada.

Avaliação: 8/10

Outcast (Image Comics):

#1: A Darkness Surrounds Him

As Escolhas de 2016

O ano caminha a passos largos para o final. Como tal, é hora de fazer o já tradicional balanço literário que visa escolher as melhores leituras do ano. No Goodreads estabeleci como meta ler 35 livros este ano – e a verdade é que já foram 93, embora a maioria das minhas leituras tenham sido bandas-desenhadas. 61 BD’s, 24 livros e 8 contos, sendo que estou a ler o livro O Terceiro Desejo de Andrzej Sapkowski e ainda deverei ler mais uma BD ou um conto até ao final do ano.

2016 foi um ano cheio de boas surpresas. Conheci autores como Steven Erikson, Mark Lawrence, Joe Abercombie, Jeff Vandermeer, Alan Moore, Robert Kirkman e Brian K. Vaughan, e voltei a ler mais e melhor de autores fantásticos como Stephen King, H. P. Lovecraft, Ken Follett e Bernard Cornwell.

Fantasia continuou a ser o género mais lido, mas o romance histórico e a ficção científica não foram esquecidos. Este ano decidi aumentar o número de categorias, também por ter lido mais formatos. Fiquem com a minha listagem e respetivas justificações:

LIVRO

Melhor Fantasia

sem-titulo

aqui a opinião

Jardins da Lua, de Steven Erikson, foi não só o melhor volume de fantasia, mas também o melhor livro que li este ano. Para além dele, O Herói das Eras de Brandon Sanderson foi dos poucos que me conquistaram, dentro do género. Stephen King encontra-se nesse grupo. Este ano li os volumes 5 e 6 de A Torre Negra, substancialmente melhores que aqueles que li o ano passado. O prémio simpatia vai para A Balada de Antel do brasileiro Eric M. Souza, que me surpreendeu pela positiva.

Os dois primeiros volumes de Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence e o primeiro de A Primeira Lei de Joe Abercrombie não foram más leituras, mas não me convenceram nem cativaram por aí além. Terminei a primeira Saga do Assassino de Robin Hobb, que continuou sem me encantar, muito embora o último volume tenha sido, de longe, o melhor. Li os dois últimos livros do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Apesar de a escrita do autor ter evoluído favoravelmente, a história é o grande handicap de Paolini, parecendo uma manta de retalhos de narrativas como O Senhor dos Anéis ou Star Wars.

Melhor Ficção Científica

sem-titulo-3

aqui a opinião

Não li muitos livros de ficção científica este ano. Aniquilação de Jeff Vandermeer foi um dos últimos livros que li e acabou por ser o que me marcou mais pela positiva, um volume de ficção weird que me envolveu por toda a sua estranheza e credibilidade. O Messias de Duna de Frank Herbert e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North foram também ótimas leituras dentro do género. A ficção científica é muito mais do que as space opera empoladas pelos mass media.

Melhor romance histórico

Sem título

aqui e aqui a opinião

Dividido em Portugal em dois volumes, o livro Os Pilares da Terra de Ken Follett foi o melhor romance que li este ano. Extremamente envolvente, este romance histórico foi tão emocionante quanto os livros O Último Reino e O Cavaleiro da Morte, primeiros volumes das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, mas o livro de Follett apelou mais às emoções e construiu uma história mais intimista. No entanto, os dois autores, que já eram os meus preferidos no romance histórico, ao lado de Maurice Druon, cultivaram ainda mais a minha preferência.

BANDA-DESENHADA

Melhor BD

Sem Título

aqui a opinião

Escolhi March To War como melhor BD lida este ano, mas podia escolher muitas outras edições de The Walking Dead. Num ano cheio de excelentes leituras neste formato, The Walking Dead conquistou a minha preferência. A space opera Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples e o bizarro Tony Chu: Detective Canibal foram também fantásticas leituras, superando clássicos como V de Vingança, Watchmen, 300 e Sandman, a que reconheço mérito, ou o histórico As Águias de Roma, cujos quatro volumes também gostei bastante.

Melhor Clássico

sem-titulo

aqui a opinião

Num ano em que li BD’s de Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, foi este último o que mais me surpreendeu pela positiva. Difícil é escolher entre Watchmen e V de Vingança, embora a história de super-heróis “reformados” me tenha marcado mais. 300 e A Cidade do Pecado de Miller foram também boas leituras, enquanto os três primeiros volumes de Sandman (Neil Gaiman) têm oscilado entre o brilhantismo literário e a falta de envolvimento. Livros como Vampirella e X-Men Origins ficaram aquém das expectativas.

Mais Irreverente

Sem título 2

aqui a opinião

Saga, a space opera de Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples, foi uma das grandes surpresas deste ano. Irreverente e divertida, com grandes debates morais, esta BD cumpre em todos os quesitos, sendo a irreverência a sua maior qualidade. Qualquer um dos cinco volumes já publicados pela G Floy surpreenderam-me ao seu jeito. Nesta categoria, Tony Chu: Detective Canibal foi igualmente surpreendente, mas quero ainda deixar uma menção de honra para os dois volumes de Umbrella Academy, uma grande revelação, o próximo passo no mundo dos super-heróis. Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy foi também uma edição deliciosa, nascida das mãos de Filipe Melo e Juan Cavia. Os dois primeiros volumes de Southern Bastards, não se enquadrando na vertente cómica das anteriores, têm também algo de irreverente no seu drama profundo. Jason Aaron e Jason Latour fazem-no com distinção.

CONTOS

Melhor Conto

sem-titulo

aqui a opinião

O último conto que tive oportunidade de ler foi também o melhor que li este ano. H. P. Lovecraft tem sido um dos meus autores preferidos neste formato, embora Edgar Allan Poe e Isaac Asimov tenham sido outros autores de destaque. Até mesmo O Defunto de Eça de Queirós foi uma excelente leitura. Invisíveis em Tiro, de Steven Saylor, incluído no livro Histórias de Vigaristas e Canalhas, agradou-me imenso.

Melhor Antologia

sem-titulo

aqui a opinião

Este ano li apenas duas antologias: a portuguesa Proxy e a conceituada Histórias de Vigaristas e Canalhas, a segunda metade de Rogues. Apesar de a primeira conter apenas seis contos de jovens autores portugueses, não ficou atrás das Histórias escritas por alguns dos mais famosos autores de fantasia, policial e ficção científica. Com alguns contos melhores e outros menos bons, as duas antologias ficaram ao mesmo nível, preferindo por isso dar primazia àqueles cuja responsabilidade era menor e, por isso, mais surpreenderam.

Maior surpresa

Sem título 2

aqui a opinião

À primeira vista, estou a contradizer a categoria anterior, mas não é disso que se trata. A minha maior surpresa no que a contos diz respeito chama-se Daniel Abraham, cujo conto O Significado do Amor foi um dos que mais gostei na antologia Histórias de Vigaristas e Canalhas. Ambientado num mundo fantástico, Abraham aliou uma escrita excelente a uma história algo hilariante e espero ver mais histórias do autor publicadas em português.

Categoria Extra

Melhor Final

Sem título 2

aqui a opinião

Não podia deixar de fazer uma menção honrosa a O Herói das Eras. O último volume da trilogia Mistborn de Brandon Sanderson foi dividido em dois em Portugal. Li a primeira parte em dezembro do ano passado e a segunda em março deste ano. Sanderson nunca me encantou, como outros nomes da fantasia como George R. R. Martin e Scott Lynch o fizeram. Este ano, Steven Erikson e Daniel Abraham foram os que estiveram mais próximos disso, do pouco que li deles. Aliando uma escrita demasiado básica a um mundo com muitas lacunas a nível de credibilidade, fiquei sempre de pé atrás com Brandon Sanderson, ainda que lhe reconheça a criatividade e o mérito de escrever grandes histórias e construir grandes mundos de fantasia. Foi assim que li Mistborn, um mundo com uma aura mágica que sempre visualizei como um “Crónicas de Riddick feito pela Disney“. Com muitos altos e baixos, esta trilogia deixou-me boquiaberto com as revelações e acontecimentos finais e gostaria imenso de ver publicada em português a Era 2.

Em jeito de despedida, deixo os votos de um 2017 repleto de boas leituras. 2016 foi para mim um ano cheio delas, com os livros Jardins da Lua e Os Pilares da Terra e as BD’s The Walking Dead e Saga como os grandes destaques. Desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Resumo Trimestral de Leituras #7

Por norma, o trimestre de verão acaba por ser mais parco em leituras, mas acabei por conseguir compôr a coisa neste último mês. Ainda assim, não deixa de ser um registo abaixo do habitual, o que é norma em época estival. Aqui fica a listagem do que andei a ler nos meses de julho, agosto e setembro:

A Vingança do Assassino, A Saga do Assassino #4 – Robin Hobb

Call To Arms, The Walking Dead #26 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Stefano Gaudiano e Cliff Rathburn

Mão Crua – Sílvia Gil

A Demanda do Visionário, A Saga do Assassino #5 – Robin Hobb

Histórias de Vigaristas e Canalhas – Org. George R. R. Martin e Gardner Dozois

Aqui Jaz Um Homem, Southern Bastards #1 – Jason Aaron e Jason Latour

Herança, Ciclo da Herança #4 – Christopher Paolini

Antes do Crepúsculo, Velvet #1 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Sangue e Suor, Southern Bastards #2 – Jason Aaron e Jason Latour

Watchmen – Alan Moore e Dave Gibbons

O Último Reino, Crónicas Saxónicas #1 – Bernard Cornwell

Sem título 2O mês de julho foi dedicado à conclusão da primeira série do Assassino de Robin Hobb. O quarto volume, A Vingança do Assassino, não me fascinou. Tanto o mundo quanto as personagens foram bem construídos e desenvolvidos, mas as cenas pareceram-me repetitivas, os dilemas idem e os acontecimentos descritos ad nauseam. Apesar da série, no seu todo, ser bastante maçuda e repetitiva, A Demanda do Visionário, o quinto volume, conseguiu satisfazer-me mais, com muito mais ação e revelações sobre os personagens. Voltarei para a segunda série um dia. O volume 26 da minha comic favorita foi impressionante. Robert Kirkman não pára de surpreender. Com ilustrações de Charlie Adlard, Stefano Gaudiano e Cliff Rathburn, The Walking Dead apresenta o mais recente volume dos quadradinhos mais sangrentos da atualidade. Negan consolida-se como um personagem fantástico, e é difícil perceber, neste momento, de que lado ele está.

Sem título 2A pedido da autora, li Mão Crua, de Sílvia Gil. A história é aliciante e desenvolve-se rápido, sem tempos mortos. É necessário ter uma mente aberta, porque o livro foca-se num lado mais fetichista e sádico dos prazeres da carne. Esse aspeto não me impressionou, mas achei um livro muito pobre a nível de escrita. E posso dizer que o mês de agosto foi praticamente todo dedicado ao excelente Histórias de Vigaristas e Canalhas. O livro é de leitura rápida, mas as férias não me deixaram ler mais. Trata-se da segunda parte da antologia Rogues organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois. Um conjunto de contos bastante diversificado, com policial, fantasia e ficção científica. Achei este volume mais equilibrado que o primeiro, mas alguns contos desagradaram-me. O meu destaque vai para os contos de Steven Saylor, Joe Abercrombie e Daniel Abraham, que se evidenciaram dos restantes.

sem-titulo-3O mês de setembro marcou o meu regresso às BD’s. Descobri a fantástica série Southern Bastards (Vol. 1 e Vol. 2), com argumento de Jason Aaron e ilustração de Jason Latour. Os dois criadores são originários do sul dos EUA, e trouxeram para o comic o pior do que lá existe. No primeiro volume, Earl Tubb, ex-capitão da equipa de futebol local, regressa a casa para lidar com um ninho de gente corrupta e mal-formada. Filho do antigo xerife, que foi morto pela população local, terá de engolir ódios antigos e tentar pôr fim ao cinismo daquele povo, mas pode estar demasiado velho para isso. No segundo volume conhecemos o homem por detrás de todas as injustiças. Através de reflexões, visualizamos o passado de Euless Boss, o treinador, e compreendemos como se transformou neste miserável vilão. Concluí a série de literatura fantástica Ciclo da Herança, de Christopher Paolini. Em Herança, o último volume, é notória a evolução na escrita do autor, mas a história continuou amarrada às referências do mesmo, o que o prejudicou em muito. O final foi esparso e pouco consistente, sendo também exaustivo. A falta de originalidade do autor é uma das suas grandes lacunas. Ainda assim, é melhor do que a maioria das fantasias juvenis que já me aventurei a ler.

sem-tituloLi o primeiro volume da comic Velvet, Antes do Crepúsculo. Pelas mãos da G Floy chega mais uma obra de Ed Brubaker (autor de Fatale), com desenho de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. Velvet Templeton é secretária do diretor de uma agência secreta, muito embora tenha sido uma agente no terreno, nos seus tempos áureos. Quando X-14 é morto, no entanto, é obrigada a voltar a vestir o “fato macaco”, para desvendar uma conspiração que, ao que parece, gira à sua volta. Sem fugir aos clichés da literatura de espionagem, esta BD apresenta um volume inaugural de grande nível. Ainda melhor é a icónica Watchmen. Há muito que queria ler esta novela gráfica de renome, e não fiquei minimamente arrependido. A obra prima de Alan Moore, com desenho de Dave Gibbons, apresenta-nos um grupo de super-heróis envelhecido, num mundo estranhamente real em que os EUA venceram a Guerra do Vietname e Nixon foi reeleito. Os vilões foram exterminados há muito e as pessoas começaram a olhar de lado para os vigilantes. A própria polícia realiza manifestações contra os super-heróis, e as comics que se vendem são sobre piratas. É neste contexto que o super-herói Comediante é morto, Ozymandias sofre um atentado e Dr. Manhattan é desacreditado na imprensa, acusado de provocar cancro àqueles com quem interage. Certo que os super-heróis estão a ser alvos de uma conspiração, Rorschach lança a escada para que, junto dos seus velhos companheiros, se inicie uma longa escalada em busca da verdade. Original, complexo e delicioso, Watchmen lança uma série de questões pertinentes sobre política, física e humanidade. Imperdível.

sem-titulo-3Primeiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, O Último Reino convida-nos a conhecer o jovem Uthred, um rapaz saxão de dez anos que é feito prisioneiro pelos vikings na batalha em que o pai morre. Desde logo torna-se protegido de Ragnar, o Destemido, que o vê como um filho. Mas os anos passam-se e Uthred percebe que nem todos os dinamarqueses são tão benévolos como Ragnar e a sua família, e o apelo do sangue volta a fervilhar dentro de si. A quem será Uthred fiel? Aos dinamarqueses ou aos saxões? Excelente relato de vida de um jovem que vai sendo talhado como um herói, quando assim podia não ser. Cornwell é exímio em contar histórias e em descrever ambientes de batalha, e O Último Reino empolga-nos da primeira à última página. Este livro foi gentilmente cedido pela Edições Saída de Emergência no âmbito da parceria existente.

De momento estou a ler a antologia Proxy, da Editorial Divergência, mas tenho já uma fila de livros em espera. Stephen King, Joe Abercrombie e Bernard Cornwell são os nomes que se seguem, e espero continuar a acompanhar algumas BD’s de grande qualidade. E vocês, já leram algum destes livros?

Call To Arms, The Walking Dead #26

Civilização é um mito. Essa é a verdade que esse mundo nos ensinou. Nós não evoluímos além dos nossos instintos mais básicos… Isso foi o que sempre nos incentivou, e sempre irá incentivar.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “CALL TO ARMS”, VIGÉSIMO SEXTO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

A série em quadradinhos The Walking Dead chega ao volume vinte e seis, que compreende os números 151 ao 156. É a mais recente edição escrita por Robert Kirkman, com arte de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano.

Em Alexandria, Rick prepara um exército. Com a ajuda de Dwight e dos Salvadores, ele treina a população para o treino de armas, seguindo os conselhos de Negan, certo que uma vingança orquestrada é a única forma de controlar a fúria dos alexandrinos face à matança perpetrada pelos Sussurradores, e é também o único meio de se manter na liderança. Eugene repara o rádio quando estabelece contacto com outra pessoa ou comunidade, que guarda reservas em revelar identidade.

Enquanto Maggie se prepara para regressar a Hilltop, Rick propõe Michonne para liderar o Reino, que ficara sem líder após a morte de Ezekiel. Entretanto, Brandon, filho de um dos homens que tentara conspirar contra Rick, revolta-se por este lhe ter morto o progenitor. O adolescente luta com Rick e sofre uma lição; como vingança, liberta Negan da prisão, e ambos saem de Alexandria, disfarçados no grupo de Maggie.

sem-titulo
Alpha (Image Comics)

Rick descobre o ocorrido demasiado tarde, quando Negan e Brandon se afastam da comitiva que viajava para Hilltop e se escondem na floresta. Assim que Brandon leva o vilão ao domínio dos Sussurradores, Negan mata o adolescente, prosseguindo viagem sozinho. Michonne e Aaron iniciam uma busca, desconfiando que Negan planeia juntar-se aos Sussurradores. Encontram o cadáver de Brandon junto às estacas que dividem os territórios e rapidamente são cercados por inimigos, que os teriam morto não fosse a aparição de Dwight e o seu grupo. Negan é recebido no seio dos Sussurradores, e em pouco tempo conquista a confiança de Alpha. Depois de tentar salvar uma jovem do grupo de ser violada, Negan desarma a carapaça emocional da líder dos selvagens, com votos de amizade, para logo depois a degolar e arrancar-lhe a cabeça.

Sem Título
Capa Image Comics
SINOPSE:

After being betrayed by members of his own community, Rick Grimes charts a new course and marshals his forces against the Whisperers.

OPINIÃO:

Surpreendente. Com uma simplicidade genial, Robert Kirkman leva-nos ao imprevisível, conduzindo-nos do terror absoluto ao humor delicioso com um episódio cheio de tensão, permeado por alguns momentos mais mornos que apenas tornam esta construção crível e harmoniosa. Call to Arms não está entre os melhores volumes, mas é talvez dos melhores neste novo arco de história.

sem-titulo
Alpha e Negan (Image Comics)

Chegamos ao último volume já publicado de The Walking Dead, com momentos mais agitados do que outros, mas sem perder a capacidade de nos surpreender. A cena final foi seguramente inesperada, e o sentido de humor do vilão mais “amado” da novela gráfica é um espetáculo à parte. Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano continuam o seu competente trabalho de ilustração. Provavelmente, só sairá um próximo volume daqui por alguns meses, mas depois de ler este volume e ter visto o trailer da sétima temporada da série de tv, que saiu esta semana, só ficou a vontade de saber mais deste universo pós-apocalíptico.

Avaliação: 7/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

Resumo Trimestral de Leituras #6

Passado mais um trimestre, é hora de fazer um novo resumo de leituras. Os meses de abril, maio e junho foram prósperos em muitas bandas-desenhadas, mas todos os livros lidos foram muito bons e espero conseguir ler ainda mais nos próximos meses. Nomes como Alan Moore, Frank Miller, Frank Herbert, Robert Kirkman, Stephen King e Mark Lawrence acompanharam-me nos últimos meses. Aqui fica a minha ordem de leituras:

Ao Gosto do Freguês, Tony Chu: Detective Canibal #1 –  John Layman e Rob Guillory

Sabor Internacional, Tony Chu: Detective Canibal #2 – John Layman e Rob Guillory

Enfarda Brutos, Tony Chu: Detective Canibal #3 – John Layman e Rob Guillory

Too Far Gone, The Walking Dead #13 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

No Way Out, The Walking Dead #14 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

We Find Ourselves, The Walking Dead #15 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Larger World, The Walking Dead #16 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Something To Fear, The Walking Dead #17 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

What Comes After, The Walking Dead #18 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Balada de Antel – Eric M. Souza

Prelúdio Para as Trevas, Vampirella – Nancy A. Collins e Christian Zamora

The Statement of Randolph Carter – H. P. Lovecraft

March To War, The Walking Dead #19 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

All Out War (Part 1), The Walking Dead #20 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

All Out War (Part 2), The Walking Dead #21 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Colossus, X-Men Origins #1 – Chris Yost e Trevor Hairsine

Jean Grey, X-Men Origins #2 – Sean McKeever e Myke Mayhew

A New Beginning, The Walking Dead #22 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Golpe em Argos Parte 3, Conan o Bárbaro #6 – Brian Wood, James Harren e Dave Stewart

300 – Frank Miller e Lynn Varley

Fúria na Fronteira, Conan o Bárbaro #7 – Brian Wood, Becky Cloonan e Dave Stewart

Whispers Into Screams, The Walking Dead #23 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Life and Death, The Walking Dead #24 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Messias de Duna, Crónicas de Duna #2 – Frank Herbert

A Cidade do Pecado, Sin City #1 – Frank Miller

No Turning Back, The Walking Dead #25 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Saga #4 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

As Águias de Roma #1 – Enrico Marini

Sopa de Letras, Tony Chu: Detective Canibal #4 – John Layman e Rob Guillory

Lobos de Calla, A Torre Negra #5 – Stephen King

As Águias de Roma #2 – Enrico Marini

As Águias de Roma #3 – Enrico Marini

Príncipe dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #1 – Mark Lawrence

Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy – Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa

As Águias de Roma #4 – Enrico Marini

A Morte Persegue-me, Fatale #1 – Ed Brubaker e Sean Phillips

V de Vingança – Alan Moore e David Lloyd

Sem TítuloSe terminei o mês de março a ler excelentes bandas-desenhadas, o mês de abril continuou na mesma senda. Li a graphic novel Tony Chu (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4).  É uma série muito divertida com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, em que somos apresentados a um detetive com um dom raro: ele vê o percurso de vida daquilo que come, e é utilizado no seu departamento de polícia para isso – ao provar as vítimas, descobre quem as matou. Numa realidade em que o consumo de frango foi proibido pelo governo após uma terrível gripe aviária, Chu tem a função de denunciar casos insólitos relacionados com uma rede ilegal de tráfico de frango. Uma história cheia de ação, intriga e muita comédia. Também prossegui com a leitura da BD The Walking Dead (Vol. 13, Vol. 14, Vol. 15, Vol. 16, Vol. 17, Vol. 18, Vol. 19, Vol. 20, Vol. 21, Vol. 22, Vol. 23, Vol 24 e Vol. 25). Com argumento de Robert Kirkman e arte de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano, estes volumes lidos compreendem a ação desde pouco depois da chegada do grupo de Rick Grimes a Alexandria, até à atualidade dos lançamentos internacionais, ou, para quem segue a série de tv, corresponde à ação desde o final da 5.ª temporada, até ao que será, eventualmente, meados da 8.ª. Viciante e tensa, continua a manter-se a um nível altíssimo.

Sem título 2Vencedor do Prémio Bang! da editora Saída de Emergência, A Balada de Antel, escrito por Eric M. Souza, foi uma agradável surpresa. Somos apresentados a um mundo imaginário, inspirado na Antiguidade Clássica, onde duas nações defrontam-se há muito tempo, sem nenhuma sair vencedora. O advento de um novo senhor da guerra torna-se a mais-valia dessa civilização. Antel é o homem de quem todos falam. Armado de duas espadas com cristais que lhe dão vigor, e com um séquito de homens e mulheres fascinados pelo seu líder, Antel irá viver uma batalha de vida ou morte contra Ajedurala, uma governante fria e implacável, conhecida pelos seus métodos cruéis e pelo filho irresponsável. Vivendo uma homossexualidade clandestina, Ajedurala esconde muitos podres, mas também muitos trunfos na manga, o que não será suficiente para parar o carismático herói. Prelúdio Para as Trevas é a BD que nos leva a conhecer a fantástica personagem Vampirella, uma vampira que trabalha para uma agência secreta da Igreja, que visa combater demónios e outras criaturas das trevas. Com argumento de Nancy A. Collins e ilustração de Christian Zamora, esta revista mostrou duas aventuras. Na primeira, Vampirella disfarça-se de freira para desvendar a série de desaparecimentos misteriosos numa catedral francesa. Na segunda história, que acontece antes de ela se juntar à Igreja, encontramos Vampirella como ajudante de um mágico que, a bordo de um cruzeiro, torna-se a escolhida por um temível monstro como merenda sacrificial.

Sem título 2The Statement of Randolph Carter é mais um conto de terror de H. P. Lovecraft. Apesar de muito curto, foi também bastante saboroso. Randolph Carter é vítima de um interrogatório policial, após o desaparecimento do seu amigo Harley Warren. Os dois investigavam livros antigos em línguas ininteligíveis, e seguiram pistas até a um cemitério, onde Warren entrou numa cripta e pediu a Carter para ficar no exterior. O que ele encontrou foi algo medonho. O medo sentido por Carter é extremamente palpável. Gostei imenso da história e tive pena de ser tão curta. Ainda em abril li duas BD’s da série X-Men Origins. Colossus, escrita por Chris Yost e ilustrada por Trevor Hairsine, narra a origem do personagem dos X-Men Colossus. Piotr Rasputin ficou perturbado após a morte do seu irmão Michail, que o jurara proteger, e foi viver para uma quinta comunitária na Antiga União Soviética. Ali viu nascer a sua outra irmã, Ilyana, que viu como fuga para o seu desgosto. Às escondidas, num celeiro, ele transformava a sua pele em aço, uma habilidade que escondia do mundo, e a sua pequena irmã adorava vê-lo transformar-se. Revista boa a nível gráfico, história simples. Na BD dedicada a Jean Grey, com argumento de Sean McKeever e arte de Myke Mayhew, somos apresentados à origem da personagem dos X-Men. Tudo começou quando ela viu a melhor amiga a morrer atropelada e descobriu os seus dons de ler a mente. Fechou-se no quarto, completamente isolada do mundo. Os seus pais recorrem ao professor Charles Xavier, que a ajudou durante algum tempo, criando barreiras psíquicas e ensinando-a a controlar os seus poderes. A história foi arrastada, e a ilustração foi horrível para aquilo que a Marvel já me habituou. Não gostei.

Sem TítuloLi dois exemplares da BD Conan, o Bárbaro (Vol. 6 e Vol. 7) de Brian Wood. Após os eventos em Messantia, nos quais Conan e Belit vergaram os cruéis habitantes da cidade-portuária com a sua brutalidade, Conan leva a rainha dos piratas para a Ciméria, sua terra natal, onde ela não é aceite pela população. Ou, pelo menos, não da forma que ela esperava. Sou suspeito para falar, porque sou grande fã de Conan e as suas histórias raramente me desiludem. Icónica graphic novel de Frank Miller, 300 narra a Batalha de Termópilas, na qual 300 espartanos, sob o comando de Leónidas, mostram a Xerxes e aos exércitos persas que têm uma palavra a dizer. Um livro muito visual, que destaca o estoicismo dos espartanos e a forma como o seu sacrifício viria a mudar o rumo da Grécia Antiga. Messias de Duna foi um livro publicado originalmente em 1969, por Frank Herbert. É o segundo volume das Crónicas de Duna. Depois de Paul Atreides ter derrotado os seus inimigos Harkonnen e deposto o imperador do planeta Arrakis, tornando-se Imperador e Deus, neste volume vemos os acontecimentos 12 anos após a sua tomada de posse. Apesar do seu povo, os Fremen, serem responsáveis por imensos genocídios feitos em seu nome, Paul está de mãos e pés atados, dependente das suas visões e temente dos que o rodeiam. Uma conspiração é levada a cabo para o destruir, assim como à sua irmã Alia. Um livro mais calmo e meditativo do que o primeiro, com muitas questões filosóficas e políticas. Gostei bastante.

Sem título 2O mês de maio começou com o primeiro volume de Sin City, outra obra de Frank Miller. Destaque para os tons negros e brancos, imagens bastante fortes que conseguem, só por si, contar uma história. Marv é um perdedor nato que se vê envolvido numa perseguição sem limites, depois de ter a sorte, ou o azar, de passar uma noite com a maravilhosa Goldie. Um trama delirante em que as sensações de injustiça e de barbaridade são quase palpáveis. Voltei à graphic novel Saga. No quarto volume da famosa space opera com argumento de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples, a história continua incrível, entremeando ação e humor nas doses certas. Este volume conta como Alana e Marko se separaram, e mostra uma versão da pequena Hazel mais crescida. Entretanto, no planeta Robot, o pequeno príncipe nasce e um servo mata a mãe e rapta-o. Li os quatro volumes publicados em Portugal da BD As Águias de Roma (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3, Vol. 4). Enrico Marini une uma narrativa adulta e coesa, com intriga, lutas e muito sexo, a uma arte gráfica cheia de cor e expressividade. Marco e Armínio foram criados juntos, mas depressa as suas diferenças vêm à tona quando Marco se apaixona e Armínio usa todas as armas ao seu alcance para prejudicar o amigo. Mais tarde, Marco percebe que o seu irmão de criação pode estar envolvido numa rebelião contra Roma.

Sem título 2Quinto volume da saga A Torre Negra de Stephen King, Lobos de Calla mostra o ka-tet formado por Roland, Eddie, Susannah, Jake e Oi a chegar à povoação de Calla Bryn Sturgis, uma comunidade de rancheiros onde é frequente as crianças nascerem gémeos. De tempos a tempos, um grupo de cavaleiros com cabeças de lobo visita a região, levando consigo um exemplar de cada par de gémeos. Passado pouco tempo, um comboio devolve as crianças, mas elas vêm com deficiências mentais e crescem de forma anormal até morrerem em agonia. O grupo é obrigado a resolver esse problema, ao mesmo tempo que descobrem que o padre esconde uma bola de cristal negra sob a Igreja, conduzindo-os a Nova Iorque quando adormecem. Gostei muito. Comecei junho com Príncipe dos Espinhos, o primeiro volume da Trilogia de Espinhos de Mark Lawrence. Narrado pelo personagem principal, o livro conta-nos a história do príncipe Jorg Ancrath, filho mais velho do Rei Olidar, que é atirado para um espinheiro por um membro da guarda, que o salva da chacina a que o irmão mais novo e a mãe são alvos. Com os espinhos a perfurar-lhe a pele, Jorg vê a família ser assassinada e jura vingança. À frente de uma companhia de saqueadores, Jorg jura a si mesmo que será Rei quando completar 15 anos. Gostei bastante do mundo criado – pós-apocalíptico com aparência medieval – e da escrita do escritor. Peca por desenvolver muito pouco os personagens secundários e o desenrolar dos acontecimentos. A edição da TopSeller é muito boa.

Sem TítuloEscrito por Filipe Melo, com ilustrações de Juan Cavia e cores de Santiago Villa, Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy é a primeira BD portuguesa a ser publicada primeiro nos E.U.A. que em Portugal, e a primeira deste século a tornar-se best-seller. Peca pelas poucas páginas, narrando as origens do lobisomem de Tondela, Dog Mendonça, de forma hilariante. Recomendo. Com argumento de Ed Brubaker e arte de Sean Phillips, o primeiro volume da BD Fatale, A Morte Persegue-me não tem muitos acontecimentos, mas apresenta-nos o mistério relacionado à morte de um escritor, à inscrição estranha na sua lápide e aos seus escritos mais antigos. Tudo gira em volta de uma mulher que parece atrair a fatalidade para onde quer que ela vá. Um volume promissor, carregado de ambiente noir. Chegou finalmente a Portugal a BD V de Vingança, do icónico Alan Moore, com arte de David Lloyd. Na Inglaterra distópica dos anos 90, um governo totalitário condena as minorias raciais e sexuais a campos de concentração e mantém as ruas vigiadas por câmaras. É nesse cenário que surge um anti-herói mascarado, que se apresenta como V e começa a fazer justiça pelas próprias mãos. Uma novela gráfica surpreendente, que vai melhorando no decorrer da leitura e só pecou por alguns problemas de revisão/ tradução.

Foi um trimestre em que acabei por ler mais BD’s, mas todos os livros que li foram bons. Quero deixar os meus parabéns à G Floy Portugal, Edições Tinta da China e TopSeller pela forte aposta atual no mercado. Neste momento estou a ler os dois últimos volumes da primeira Saga do Assassino de Robin Hobb. E vocês, já leram algum destes livros?

TAG – Meio Ano de Leituras

Estamos a chegar ao final do primeiro semestre, como tal é a altura propícia para responder a uma TAG sobre os livros lidos durante os primeiros seis meses do ano. Divirtam-se.

#1 A maior surpresa

Sem título 2

Saga é uma graphic novel repleta de bom humor com elementos sci-fi e fantásticos. Acompanhamos a par e passo a fuga de Alana e Marko, com a sua bebé, a pequena Hazel. Uma lufada de ar fresco a todos os níveis, com argumento de Brian K. Vaughan e ilustrações de Fiona Staples.

#2 O melhor final

Sem título 2

A saga Mistborn nunca me “encheu as medidas”, por assim dizer, mas o último volume veio amarrar pontas soltas. Posso dizer que toda a trilogia de Brandon Sanderson me deixou com um sabor agridoce. Momentos geniais e outros forçados, história super original fustigada por uma escrita banal, um mundo com muitas lacunas salvo por um ambiente bem agradável. No fim, ficam as melhores recordações da série e o final surpreendeu-me muito, o que foi ótimo. Ainda assim, tenho o primeiro volume como o melhor da trilogia.

#3 A melhor saga

Sem Título

Na lista das minhas séries preferidas consta A Torre Negra de Stephen King (não é por acaso que é esta a saga que tem lugar de honra na minha mesa-de-cabeceira). E com monstros como Scott Lynch e George R. R. Martin nas suas pausas sabáticas, é a saga de King a escolhida para liderar as minhas preferências do primeiro semestre, no que diz respeito a sagas. Lobos de Calla, o quinto volume, não me desapontou.

#4 O melhor livro

Sem título

Os Pilares da Terra, de Ken Follett, foi seguramente a melhor leitura até ao momento. Um rol de personagens fascinantes, descrições deliciosas e uma composição de personalidades sublimes. Segredos sobre segredos e a construção de uma catedral servem de motor narrativo para uma história densa e emocionante sobre os problemas entre a Coroa e a Igreja na Inglaterra do século XII.

#5 A melhor BD

Sem título 2

Embora Saga e Tony Chu tenham sido as maiores surpresas neste género, The Walking Dead foi, seguramente, a melhor BD. Li todos os vinte e cinco volumes até agora publicados e, no seu todo, fascinaram-me. Os instintos de sobrevivência e o drama vivido após o apocalipse walker são explorados ao máximo, ao ponto de comportamentos serem discutidos e a dicotomia bem e mal ser posta à prova. Um trabalho genial de Robert Kirkman.

#6 O mais bem humorado

Sem Título

A par de Saga, as aventuras do cibopata Tony Chu foram as mais divertidas que li este ano. Após uma terrível gripe aviária, o comércio de frango foi proibido e começou a ser traficado como uma droga ilegal. É nesse contexto que uma entidade reguladora de saúde do governo norte-americano contrata Chu, um homem capaz de “ler” o percurso de vida de tudo aquilo que ingere. A série divertiu-me desde o início, mas demorou a deslumbrar-me. Neste momento é uma das minhas BD’s preferidas.

#7 A maior desilusão

Sem título 1

Depois de ler as Histórias de Aventureiros e Patifes e ter ficado fascinado com a escrita de Gillian Flynn, vim para este Em Parte Incerta com as expectativas bem altas. O livro desapontou-me em toda a largura. Desenvolvimento forçado, personagens desinteressantes e escrita cansativa.

#8 A melhor capa

Sem Título

Gostei imenso da capa do quarto volume de As Águias de Roma, de Enrico Marini. A cena bélica é cativante e a expressão do rosto coaduna-se ao personagem Armínio. Podia escolher as capas dos outros volumes da série, ou até mesmo uma das muitas e excelentes capas da BD The Walking Dead, mas esta acabou por ser mesmo a que achei mais cativante.

#9 A pior capa

Sem título 2

A capa do livro A Balada de Antel, de Eric M. Souza, acabou por me cativar somente pelas cores utilizadas. As expressões faciais têm um aspeto estranho e o livro merecia um trabalho gráfico mais elaborado por parte da editora Saída de Emergência.

#10 A melhor composição gráfica

Sem título 2

Podia referir alguma BD, mas escolhi o livro Príncipe dos Espinhos, de Mark Lawrence. O trabalho gráfico da TopSeller agradou-me imenso. Não só manteve a capa original, como todo o interior foi trabalhado com bom gosto, em tons negros e brancos para sublinhar o carácter dark da obra. Deu-me muito gosto desfolhar este pequeno livro.


Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG do primeiro semestre. 🙂

No Turning Back, The Walking Dead #25

Eu penso nos dias que vivemos antes de chegarmos aqui… Antes de encontrarmos outras comunidades… Antes de estarmos a salvo… E isso me apavora.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “NO TURNING BACK”, VIGÉSIMO QUINTO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

A obra gráfica conduzida por Robert Kirkman e ilustrada por Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano chega ao volume 25, que compreende as edições 145 à 150.

Nos últimos volumes, a história dos sobreviventes ao apocalipse zombie avançou no tempo, mostrando as comunidades organizadas em sistemas de produção agrícola, as estradas policiadas e a segurança garantida. Rick Grimes governa Alexandria, Maggie Greene lidera Hilltop e o grande vilão Negan encontra-se em prisão perpétua, após os crimes hediondos de que foi responsável.

sem-titulo
Rick e Michonne (Image Comics)

Mas a quietude instituída sofreu um doloroso revés. Vários patrulheiros foram apanhados por um grupo extenso de pessoas que vivem entre os walkers, cobertos de entranhas e usando todo o tipo de armas: os Sussurradores. Escapando de uma cilada, Jesus levou um deles como refém; tratava-se de uma rapariga chamada Lydia, com quem Carl se envolve amorosamente. Lydia é filha da líder dos Sussurradores, Alpha, que estabeleceu um acordo de troca com Maggie para a reaver. Mais tarde, Carl segue-os para resgatar a sua amada, o que provoca a ira da vilã Alpha.

Rick intromete-se na história para reaver o filho e Alpha deixa-lhe um ultimato, mostrando-lhe o seu numeroso exército e deixando-o ir embora, com Carl e Lydia, que não se coadunara ao modo de vida dos Sussurradores. Como aviso para não se colocarem no seu caminho, Alpha delimita os seus territórios com estacas. Nas suas pontas, estão as cabeças zumbificadas de homens, mulheres e crianças das comunidades. Pessoas que Rick e os seus amavam. Ezekiel, Rosita e Olívia estavam entre as vítimas.

sem-titulo
Três das vítimas de Alpha (Image Comics)

Alexandria em rebuliço.

No Turning Back fala-nos de liderança. A liderança de Rick Grimes é posta em causa a partir do momento em que ele interrompe a feira para anunciar ao seu povo que muitos dos seus amigos e familiares foram mortos, e que ele não pretende uma desforra imediata, pois sabe que tal é suicídio. A população insurge-se e planeia usar Lydia como retaliação. Prevendo tal ato, Rick envia Andrea com Carl e a rapariga, a coberto da noite, para Hilltop, onde as notícias ainda não chegaram. Com o apoio de Jesus, Maggie e Michonne, Rick tenta apaziguar os ânimos, mas não consegue.

Rick não vê outra alternativa senão descer à prisão e aconselhar-se com Negan. Dois alexandrinos planeiam assustar o seu líder, mas o primeiro vai mais longe e tenta matá-lo. Ainda coberto de sangue, Rick Grimes reúne o povo para denunciar a tentativa de homicídio e, seguindo as ideias de Negan, mente-lhes, alegando que o modo de vida paciífico que instituiu enfraqueceu-os a todos, e que irão formar um exército para combater os Sussurradores. O povo volta a aclama-lo em êxtase. No entanto, Rick apenas pretende manter a população atarefada e coesa, enquanto planeia o que fazer realmente com a questão. Os gritos chegam à prisão de Negan, que elogia para si mesmo o herói.

sem-titulo
Carl e Lydia (Image Comics)

Mas este volume não fala só sobre a liderança de Rick…

No Santuário, Dwight sofre por ter sido abandonado pela mulher, e pretende renunciar à liderança dos Salvadores. Com o apoio de Laura, que se manifesta interessada nele, Dwight abandona o Santuário e junta-se a Rick em Alexandria. Também a liderança de Alpha é posta em debate, quando um dos seus homens a encontra a chorar, desiludida por ter sido obrigada a deixar a filha partir. Em Hilltop, Carl e Lydia percebem que vivem em mundos distintos, mas compreendem-se e vivem intensamente a paixão que nutrem um pelo outro. Andrea mostra-se preocupada.

Sem título 2

SINOPSE:

After a devastating act of war by the Whisperers, Rick must chart a path for his community. But when his leadership is questioned, how will he respond? Collects THE WALKING DEAD #145-150.

OPINIÃO:

No Turning Back foi um volume transitivo, que mostra não só como os personagens aguentaram o murro no estômago, como também mostraram, ou não, o discernimento adequado para responder. A liderança dos vários grupos e comunidades foi posta em causa, assim como pontos de vista foram discutidos e resoluções foram tomadas. A nível narrativo, o que mais impressionou foi a forma como Rick Grimes precisou de recorrer aos conselhos do homem que mais odeia, para manter intacto o seu lugar.

sem-titulo
Lydia impede que o decapitado se transforme (Image Comics)

A história continuou fluída e os núcleos menos apresentados até agora foram desenvolvidos. Apesar de achar um volume indispensável para que cada núcleo fizesse o seu luto – sem ele a história perderia a credibilidade -, achei-o um dos mais fracos até agora. As decisões finais, no entanto, mostram que uma reviravolta impressionante está à beira de acontecer, o que mudará o destino de todos.

A arte gráfica continua a marcar pontos, mantendo um estilo único bem definido, toada presente durante toda a série. O personagem Dwight, no entanto, é um dos que considero menos bem desenhados.

Avaliação: 5/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8 Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos | #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18 What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death | #25 No Turning Back | #26 Call To Arms

Life and Death, The Walking Dead #24

Já vi como vocês vivem. Caminhei nas suas ruas. É uma piada. Viver é dar sangue, dor e sacrifício. Você acha que realizou muita coisa, mas eu olho para o que você fez… e vejo crianças brincando de faz de conta.

O TEXTO SEGUINTE PODE CONTER SPOILERS DO LIVRO “LIFE AND DEATH”, VIGÉSIMO QUARTO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

No vigésimo quarto volume de The Walking Dead, a vida e a morte andam, realmente, de mãos dadas. De uma forma quase literal, se levarmos em conta o modo de vida dos personagens denominados Sussurradores. Robert Kirkman não pára de surpreender, e esta edição, novamente ilustrada por Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano, é prova disso. Life and Death compreende as edições 139 à 144.

Negan à solta?

Carl fugiu em busca de Lydia, direito ao território dos Sussurradores, e o volume começa logo com uma decisão difícil nas mãos de Maggie. Depois de inquirir um a um aqueles que conspiraram para a sua morte, a opinião é unânime que todos foram manobrados por Gregory. Com o apoio de Jesus, Maggie enforca Gregory em público, deixando bem claro que é a última vez que tenciona perpetrar tal ato.

Rick encontra-se com Michonne, que chega de barco após uma jornada no mar. A espadachim conta que a relação com Ezekiel não correu bem, por não conseguir viver novamente uma vida feliz com toda a sua família morta. Rick convida-a para a feira em Alexandria e ela dá a entender que pode aparecer. Olivia corta a barba a Negan e lava-o, sob a vigília de Andrea. Quando Olivia fecha a cela, porém, a porta não tranca, e Negan rejubila ao perceber que o deixaram livre por lapso.

sem-titulo
Rick é apresentado aos Sussurradores

A crueldade tem um nome.

A primeira coisa que Rick faz, ao chegar a Alexandria, é visitar Negan. Encontra o prisioneiro na cela, mas com a porta aberta, o que o deixa em choque. Negan garante que podia fugir, se quisesse, mas não o fez para conquistar a sua confiança. A discussão é tensa e Rick não alimenta a ideia do inimigo, voltando a trancá-lo e reprimindo Olivia pelo erro. Maggie e Jesus chegam a Alexandria para a feira, que se inicia com aparato. É nesse momento que Maggie conta a Rick sobre os Sussurradores e acrescenta que Carl foi atrás deles. Completamente louco, Rick encontra Michonne, que se oferece para ir com ele atrás do rapaz. Andrea e Dante completam o grupo.

Chegam à área dos Sussurradores, no preciso momento em que a líder deles, Alpha, se encontra a passear pela feira, em Alexandria. Os Sussurradores aceitam levar Rick até ao filho, deixando os restantes para trás. Carl está com Lydia, ainda que nenhum dos dois aceite bem o modelo de vida do grupo. Rick fica feliz por ver o filho, mas ele não quer ir embora sem a rapariga. É então que chega Alpha, com a espada manchada de sangue. Alpha convida Rick para um passeio em que o apresenta ao seu mundo, à forma como consegue manobrar hordas de walkers e em como poderia destruir as suas comunidades, se ele se colocasse no seu caminho.

Deixa Rick ir embora, levando também Carl e Lydia, mas quando saem daqueles territórios, todos são convidados a presenciar o pior dos horrores. Uma fileira de estacas, com as cabeças de pessoas que lhes são bem conhecidas: vários figurantes, Rosita (que se encontrava grávida) e Ezekiel. Todos mortos às mãos de Alpha. Rick fica sem reação e cai de joelhos.

Sem Título
Capa Image Comics
SINOPSE:

As the fair opens at Alexandria, old friends return from afar and new adversaries make their introductions.
Collects THE WALKING DEAD #139-144.

OPINIÃO:

Tal como eu previra, este volume veio revolucionar todo o bem-estar e tranquilidade em que viviam os nossos personagens favoritos. A ideia de civilização é constante, quer seja personificada através da tentativa de preservar a humanidade utilizada por Rick ao manter Negan vivo, pelo olhar de Maggie para o mundo (e a tentativa de se convencer a si mesma que Gregory é mais perigoso que Negan), ou pela feira que parece fazer esquecer o mundo pós-apocalíptico em que eles se encontram.

sem-titulo
Alpha (Image Comics)

O estilo de vida dos personagens, aquilo em que eles acreditam, ou tentam implementar, fundamentados em ideias que nem eles sabem estar certas, são extremamente bem desenvolvidos num volume cheio de acontecimentos e ação. A morte de Gregory, o regresso de Michonne, as surpresas protagonizadas por Alpha e sobretudo a cena final com uma dúzia de personagens decapitados, fazem deste volume um dos melhores de sempre. Jesus assume-se como o braço-direito de Maggie, enquanto Rick, vergado pelas mágoas físicas e psicológicas que o passado lhe deixou, é atirado para o centro da ação. O mundo perfeito que eles julgavam ter criado está por um fio, e agora tudo pode acontecer.

Avaliação: 9/10

 

The Walking Dead (Devir/ Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out| #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2| #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24 Life and Death | #25 No Turning Back | #26 Call To Arms