Estive a Ler: A Demanda do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #3

Perguntei a mim mesmo por que motivo tinha voltado para ali. Perguntei a mim mesmo o que aconteceria se voltasse a montar a cavalo e me fosse embora. Fiquei em silêncio durante muito tempo, consciente de que Enigma se viera pôr a meu lado, mas sem me virar para o olhar.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A DEMANDA DO BOBO”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE SAGA ASSASSINO E O BOBO

Publicado originalmente pela HarperCollins em agosto de 2015, Fool’s Quest é o penúltimo livro da autora californiana Margaret Ogden, mais conhecida entre os fãs de ficção fantástica como Robin Hobb. A famosa autora, licenciada em Comunicação pela Universidade do Denver, vive atualmente em Tacoma, Washington, e estará a 27 de outubro no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa como convidada de honra do Festival Bang!

A versão nacional de Fool’s Quest foi dividida pela Edições Saída de Emergência, com a primeira metade publicada em fevereiro e a segunda em maio. A Demanda do Bobo corresponde à segunda metade, retomando assim a ação que ficara pendente com o final do livro A Revelação do Bobo. Com um total de 416 páginas, este volume tem edição de Luís Corte Real e conta mais uma vez com o extraordinário trabalho de Jorge Candeias na tradução.

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Dos três volumes já lançados desta última saga, este foi sem dúvida aquele que me disse menos. Mas para ser honesto, sabemos que na versão original o segundo e o terceiro são o segundo volume de uma trilogia, e como tal não tenho como não tecer laudas a um maravilhoso livro de transição. A Demanda do Bobo é mais um exemplo vívido de que Robin Hobb é uma das melhores escritoras do nosso tempo, e não só no género fantástico.

“Ainda assim, é mais um dos livros brilhantes desta autora, e não tenho como lhe dar uma pontuação menor do que esta.”

Vazio, desilusão, julgamentos morais, expectativas, medos. Robin Hobb usa um mundo fantástico e personagens fictícios para jogar com todas estas emoções dentro de cada um de nós, de um jeito palpável, incapaz de nos deixar indiferentes. Cada uma das emoções sentida por estas personagens encontra uma repercussão fortíssima no nosso íntimo, e tal não seria possível se a autora californiana não fosse mestra naquilo que faz.

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A forma com que nos enreda nos conflitos morais de FitzCavalaria Visionário consegue ser tão recompensadora como extenuante. A profundidade daquela personagem sexagenária que conhecemos desde criança, a vivacidade e a dramaticidade das suas experiências, conduzem-nos num túnel ramificado de experiências e sensações. Ficamos presos à vontade inequívoca de vê-lo a encontrar a paz de espírito que lhe escapa por entre os dedos, ao mesmo tempo que sabemos que o seu sofrimento está para durar.

Robin Hobb oferece dicotomias interessantíssimas e dilemas morais para Fitz resolver dentro dele, mas convida-nos também a reflectir sobre o que faríamos em determinada situação. As escolhas do personagem nem sempre são as mais acertadas, mas são lógicas e guiadas pela emoção e não temos como dizer de maneira alguma que estão erradas, mesmo quando sabemos de antemão que as consequências podem não ser as melhores.

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Fitz é um personagem riquíssimo e cheio de nuances, que mesmo no pináculo da sua vida enquanto homem reserva ainda alguma da inocência que o caracterizou na juventude. Mas estar dentro da cabeça deste homem por vezes impede-nos de ver aquilo que as outras personagens vêem. Como, por exemplo, a forma como ele se julga severamente a si próprio, mais do que os demais alguma vez o fizeram. Porque ele foi moldado em valores como a lealdade e a dedicação ao próximo, e é isso que o enobrece.

“A Demanda do Bobo é mais um exemplo vívido de que Robin Hobb é uma das melhores escritoras do nosso tempo, e não só no género fantástico.”

Nada disto teria valor sem a prosa elegantíssima de Robin Hobb. A bagagem literária da autora é venerável, sem deixar de ser acessível em toda a sua largura. A cada parágrafo lido, ficamos cada vez mais com a certeza que estamos perante mais do que uma escritora competente. Estamos perante uma mulher experiente, dotada de conhecimentos e de uma gentileza que pouco se vêem neste tipo de literatura.

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Se não leste nenhum volume da Saga Assassino e o Bobo, recomendo que fiques por aqui. Os parágrafos seguintes contêm spoilers dos volumes anteriores.

Começamos A Demanda do Bobo no Castelo de Torre do Cervo, onde Fitz finalmente foi reconhecido como primo do rei e príncipe, tanto pelo povo como pela Coroa. A identidade de Tomé Texugo ficou no passado, agora que toda a gente sabe quem ele é. Também a sua vida oculta como assassino parece ter ficado para trás. Chegou a hora de lhe ser dada justiça, bem como a paz que tanto lhe escapou ao longo da vida.

Tudo isto seria bonito se não lhe tivessem raptado a filha, a pequena Abelha. Uma composição variegada de Servos, os mesmos profetas brancos vindos de Clerres que torturaram o Bobo até quase à morte e de mercenários calcedinos, liderados por Ellik, um duque renegado de Calcede. Os Servos acreditam que a filha de Fitz e Moli é o Filho Inesperado do Bobo de que falavam as profecias, e raptaram-na com o propósito de a levar para a Ilha Branca de Clerres.

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Pelo caminho, deixaram uma esteira de destruição. Vindeliar, um Servo flácido e gordo, aparentemente apalermado mas ainda assim o mais poderoso, incute em todos aqueles por quem passa o esquecimento do que viram, roubando-lhes o ânimo para reagir. Dwalia é a líder do grupo. Floresta Mirrada tornou-se um mundo de sombras após a sua incursão, com muitos empregados mortos, outros estropiados e violados pelos calcedinos. Abelha e Expressiva, a filha de Breu, foram raptadas. E enquanto viver, Fitz não descansará até as recuperar.

“Porque ele foi moldado em valores como a lealdade e a dedicação ao próximo, e é isso que o enobrece.”

Mas Breu está doente. Após a traição dos Remexidos, a companhia fracturada que traiu Fitz e Breu no regresso a casa, o velho mentor de Fitz parece perder-se nas marés da magia conhecida como Talento, ao mesmo tempo que faz revelações incríveis sobre os filhos e começa a enublar-se numa velhice cada vez mais palpável. Por sua vez, o Bobo parece mais saudável, graças ao sangue de dragão que o jovem empregado chamado Cinza lhe aplicou. A sua visão, porém, tarda em regressar.

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Fitz sabe que, antes de se lançar em perseguição dos Servos e da sua filha, precisa fazer preparativos. Sabe que o Rei Respeitador não o deixará empreender essa jornada de livre e espontânea vontade, e sabe que qualquer atitude irrefletida deixará a sua filha Urtiga desiludida consigo. Fitz tem muito trabalho a fazer antes de procurar dar azo aos seus planos. Mas também sabe que não tem tempo a perder. Cada hora, cada minuto, cada segundo podem ser determinantes para a sobrevivência de Abelha.

É por isso que encarrega Rapoluva, uma velha militar de Torre do Cervo, a liderar a sua guarda pessoal. Enquanto avança nos seus preparativos, certo de que terá que deixar Bobo para trás, ainda que este esteja determinado em segui-lo, Fitz conhece Centelha, uma jovem criada que sempre conheceu com uma outra identidade, ao mesmo tempo que recebe os regressados de Floresta Mirrada com outros olhos. O sempre frívolo e irritante Lante nada fez para salvar o simplório Obtuso da jocosidade dos Remexidos remanescentes, como pouco fizera para lhe salvar a filha.

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Mas é com o Bobo, com Lante, com Centelha, com o moço de estrebaria Preserverança e com o corvo malhado Matizada que Fitz se lançará numa aventura através dos portais de Talento para reencontrar a filha. A sua determinação em avançar sozinho é tenaz, mas todos parecem igualmente determinados em frustrar-lhe os planos. Afinal, encontrar Abelha e vingá-la é tudo o que eles desejam.

“Cada hora, cada minuto, cada segundo podem ser determinantes para a sobrevivência de Abelha.”

Esta demanda é, porém, a fase menos brilhante do livro. Os instintos assassinos de Fitz contra os calcedinos, a sua sede amarga de encontrar a filha, os sentimentos de impotência, de falhanço, que vai coleccionando, são os momentos mais ricos de A Demanda do Bobo. E o amor de Urtiga, a lealdade incomensurável de Enigma, a mente nem sempre lúcida de Breu e a amizade sincera de Respeitador são marcas maravilhosas que este volume me deixa.

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Os melhores momentos, para mim, porém, são aqueles protagonizados por Kettricken. A história comum dela e de Fitz é incrível, e os momentos em que ambos estão juntos, mesmo que poucas ou nenhuma palavras sejam trocadas, são de uma sinergia maravilhosa. É difícil encontrar, na literatura, uma personagem tão carregada de emoções quanto Kettricken, mesmo que seja pouco o protagonismo que venha tendo na saga. O amor que sentem um pelo outro, nem romântico nem fraternal, deslumbra-me.

No miolo do livro estão os seus momentos mais emocionantes. A fase inicial irritou-me, porque prenunciava uma maior morosidade narrativa, mas uma reviravolta mudou tudo, e a fase final, embora enérgica e expectável, não me encantou tanto pela falta de propósito e pelo empolamento fantasioso que lhe acresceu. Ainda assim, é mais um dos livros brilhantes desta autora, e não tenho como lhe dar uma pontuação menor do que esta.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

#3 A Demanda do Bobo

 

 

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A Divulgar: “A Demanda do Bobo” e “Quem Teme a Morte” pela Saída de Emergência

É já a 25 de maio que a Saída de Emergência publica dois dos livros mais aguardados deste primeiro semestre. A Demanda do Bobo de Robin Hobb é a continuação de A Revelação do Bobo, naquela que promete ser uma conclusão em grande para o volume de transição da Saga Assassino e o Bobo. Aqueles que reservarem já o livro através do site, receberão de presente o livro Pátria de R. A. Salvatore. Só bons motivos para continuarmos a seguir as aventuras e desventuras de FitzCavalaria Visionário e companhia.

Já sabemos que Quem Teme a Morte de Nnedi Okorafor é um livro bastante popular lá fora, que inclusive será adaptado para TV pelas mãos de George R. R. Martin. Chegou a altura de conhecermos Onyesonwu e o seu mundo futurista passado em África. Quem comprar através do site, terá como bónus o livro Os Pilares do Mundo de Anne Bishop. E vocês, estão tão ansiosos como eu para ler estes dois livros?

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SINOPSE:

Após os acontecimentos de A Revelação do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz.

Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.

Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.

Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG Nº: 285
Saga/Série: Assassino e o Bobo Nº: 3
Data 1ª Edição: 25/05/2018
ISBN: DEMANDAPATRIA
Nº de Páginas: 416
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

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SINOPSE:

Uma África pós-apocalíptica. Uma profecia misteriosa. Uma criança destinada a salvar o seu povo.

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.

Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 289
Data 1ª Edição: 25/05/2018
ISBN: TEMEMUNDO
Nº de Páginas: 384
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

Resumo Trimestral de Leituras #13

É verdade, já se passaram três meses em 2018 e o NDZ continua no radar das melhores publicações de Ficção Especulativa no nosso país. Janeiro, fevereiro e março trouxeram-me ótimas leituras, continuando ao mesmo ritmo que vinha trazendo o ano anterior. Os meus destaques vão para a série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, de que li três volumes, enquanto que nas BDs li todos os seis álbuns da série Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez. Quanto a séries terminadas, para além da supracitada, terminei a trilogia Área X de Jeff VanderMeer, com o livro Aceitação.

Melhor livro: A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2), Robin Hobb

Melhor BD: O Sangue (Monstress #2), Marjorie Liu e Sana Takeda

Pior avaliação: A Espada de Shannara (A Espada de Shannara #1), Terry Brooks

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Comecei 2018 em grande. Passada no shardworld Sel, o mesmo mundo de Elantris, The Emperor’s Soul é uma novella de Brandon Sanderson cheia de pequenas subtilezas bem originais. Shai, a protagonista, é uma ladra perita num tipo de magia chamada Forgery. Ela invade o palácio do Imperador para roubar um artefacto antigo e substituí-lo por uma reprodução idêntica, mas é apanhada e colocada atrás das grades. Muito embora o Império considere a Forgery uma abominação, não vêm outra alternativa para recuperar o seu Imperador, caído em total apatia após a morte da esposa, do que usá-la em seu proveito. Pelas Edições Gailivro, Se Acordar Antes de Morrer é uma coletânea de contos escritos por João Barreiros, na minha opinião o melhor autor de ficção científica nacional. Sentia bastante expectativa para os dois primeiros contos, “Brinca Comigo” e “Disney no Céu entre os Dumbos”, mas para quem já leu bastante do autor, acabei por achar as ideias um tanto repetitivas. No entanto, fui surpreendido por uma mão cheia de contos que achei bem interessantes. Nas suas histórias podemos encontrar um exército fortemente armado com a missão de aniquilar o Pai Natal ou uma série de zombies bastante desagradados por não conseguirem comer um robot.

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Sykes, dos franceses Pierre Dubois e Dimitri Armand, é um western gráfico bem violento e cheio de texturas. Somos apresentados a um marshall, que se une a um irlandês e a um índio para perseguir uma quadrilha de malfeitores, conhecidos pelo saque, homicídio e violação. A perseguição de “Sentence” Sykes aos Clayton é bem cliché no género, mas agradará certamente a todos os fãs. Pessoalmente, adorei o desenho de Armand e gostei de ver um autor de fantástico juvenil como Dubois, a trabalhar numa história com este índice de violência. O Sangue dos Elfos é o terceiro volume da série The Witcher de Andrzej Sapkowski, publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Pode-se dizer que é a partir daqui que a história começa, uma vez que os dois primeiros livros, escritos em forma de contos, foram uma prequela e este pode ser visto como um prólogo para a história central. Gostei bastante do livro e achei que subiu de qualidade em relação aos antecessores, mostrando o treino da pequena Ciri e as relações que daqui surgem. A escrita foi uma das maiores qualidades do livro, faltou a meu ver maior harmonia e sensatez nos saltos temporais.

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O primeiro volume da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Welcome To Lovecraft apresenta-nos uma família curiosa, os Locke. O pai, um professor, decide envolver os filhos nas tarefas campestres, mas quando um grupo de rufias invade a casa e decide vingar-se do professor e matá-lo, os restantes familiares são obrigados a mudar de vida e a ir viver para a antiga mansão de família, em Lovecraft. Já no segundo volume, Head Games, a história adensa-se. Bode, Tyler e Kinsey, os três filhos do professor assassinado, começam a sentir-se familiarizados com os mistérios da mansão, e nem uma chave mágica que consegue abrir cabeças e mudar memórias é o suficiente para os assombrar. Gostei bastante. Primeiro volume da trilogia Espada de Shannara de Terry Brooks, com o mesmo nome, este livro da Saída de Emergência tem um design lindíssimo e uma edição muito bem cuidada. Pena o conteúdo não lhe fazer justiça. A escrita de Brooks oscila entre um vocabulário rico e uma escrita algo infantil, principalmente nos diálogos. Mas o principal defeito do livro é mesmo a sua enorme semelhança à trilogia O Senhor dos Anéis. Espero que o segundo volume seja bem mais original a esse respeito.

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Publicado pela Coleção 1001 Mundos da Gailivro, o primeiro volume da série Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett, O Homem Pintado, foi uma agradável surpresa. Todas as noites, os nuclitas atacam. São demónios que assumem diferentes formas e respeitam uma ordem natural de entreajuda, rivalidade ou estratificação entre eles. Quando a noite cai, erguem-se do Núcleo e materializam-se, correndo atrás de vidas humanas para delas se alimentarem. É aqui que surgem Arlen, Leesha e Rojer, três crianças que, cada um à sua maneira, e cada um a viver numa povoação distinta, é vítima destes demónios e moldam a sua personalidade de acordo com a sua coragem para dizer Basta! A escrita do autor norte-americano é simples, mas revela conhecimento e grande maturidade. Não gostei tanto do último terço, mas é um livro ótimo. Li o segundo volume já em fevereiro, A Lança do Deserto, cuja primeira metade do livro é dedicada a Jardir, uma personagem até então bastante secundária. Jardir acredita ser o Libertador que irá livrar o mundo dos demónios, mas a forma como tenta unir os povos é através da guerra, avançando com as suas tropas do deserto para as chamadas terras verdes. Depois, vemos como os três protagonistas agem na defesa dos seus povos e como lidam com os “fantasmas” do passado. Um livro muito bom e consistente, ao nível do primeiro.

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Li o mais recente álbum da BD Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook, que tem sido publicada em Portugal pela G Floy Studio. O terceiro, A Encantadora de Serpentes, conta com a participação especial de duas artistas convidadas, Carla Speed McNeil e Hannah Christenson. Este volume distancia-se da história principal, focando-se em histórias paralelas do povo que dá título à série. Apesar de achar interessante o plot de umas serpentes que endoidecem a população ou ver o Rapaz sem Pele à procura de respostas, achei um volume mais fraco que os antecessores. A arte das convidadas foi notavelmente fraca, em comparação com o traço de Crook. Já O Sangue é um livro lindíssimo que consegue combinar de certo modo o melhor das comics americanas ao mangá, imprimindo nas pranchas emoções e subtilezas como poucos o fazem. Segundo volume da BD Monstress de Marjorie Liu e Sana Takeda, publicada pela Saída de Emergência, trata-se de uma história para adultos, que embora apresente gatinhos e crianças fofinhas, traz também palavrões, olhos arrancados e dedos cortados, entre muitas outras coisas. Maika Meio Lobo continua em busca de respostas sobre a obsessão da sua mãe pela Imperatriz-Xamã, enquanto a guerra entre arcânicos e humanos parece longe do fim.

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Se O Assassino do Bobo foi a minha melhor leitura de 2017, A Revelação do Bobo foi a melhor, até agora, do presente ano. Apesar de ter ficado ligeiramente frustrado por a ação não avançar aquilo que eu esperava, o segundo volume da Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb foi uma maré de revelações e de acontecimentos de se ficar com a boca aberta. Com Abelha nas mãos dos Servos, cabe a Fitz assumir as consequências das suas escolhas e corrigir os erros do passado. Uma escrita maravilhosa, mais um livro lindíssimo. Pelas mãos da G Floy chega Luta de Poderes, o primeiro volume da famosa série O Legado de Júpiter, com argumento de Mark Millar e arte de Frank Quitely. Gostei bastante da ideia e da composição; abraçamos um mundo de super-heróis atípico, com uma forte componente de crítica social e política. A história começa em 1932, quando uma expedição liderada por Sheldon Sampson, a sua família e amigos, encontra uma misteriosa ilha no Oceano Atlântico que os transforma a todos em super-heróis. Mas, anos mais tarde, os seus filhos parecem estar mais interessados na frivolidade das suas vidas como celebridades, do que realmente em preocupar-se com o mundo que os rodeia.

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Continuei a leitura da BD Locke & Key, com mais um divertido e bizarro volume da série escrita por Joe Hill e ilustrada por Gabriel Rodriguez. Em Crown of Shadows, abrir cabeças e extrair ou implantar memórias, vaguear como um fantasma, aumentar de tamanho, reparar loiça partida ou controlar as sombras são apenas alguns dos poderes que as chaves da mansão dos Locke providenciam. Mais do que deslindar estes mistérios, este volume vem adensá-los numa profusão de quebra-cabeças e engodos. Descender foi uma das novidades de fevereiro da G Floy. Estrelas de Lata, o primeiro volume, foca-se no Dr. Jin Quon e no pequeno andróide TIM-21, que descobre, dez anos após um conflito que colocou robots contra humanos no planeta Niyrata, que possui sentimentos. A trama começou dispersa, mas o desenvolvimento de vários personagens como a Capitã Telsa, o cão robot Bandit e o dróide mineiro Broca vieram canalizar o álbum para um final implacável que me encheu de expectativas para os álbuns seguintes. O argumento de Jeff Lemire foi crescendo de qualidade, e a arte de Dustin Nguyen, que inicialmente me desagradou, acabou por casar muito bem com a narrativa.

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Quem já é caso sério de sucesso na G Floy Studio é Tony Chu, o Detective Canibal. No oitavo volume, Receitas de Família, a genialidade de John Layman (argumento) e de Rob Guillory (arte) supera-se. Polícias, bandidos, cozinheiros, canibais, frangos psicadélicos e poderes paranormais são uma vez mais o destaque num álbum cheio de extravagâncias alimentares e imagens sensacionais que tanto podem provocar enjoos como gargalhadas. Adorei. Ao nível dos volumes interiores da série Ciclo dos Demónios, A Guerra Diurna veio cimentar a minha opinião sobre o autor Peter V. Brett. O mundo não me entusiasma e o foco em flashbacks trava um pouco a leitura em determinados momentos. Ainda assim, os personagens continuam a ser muito bem desenvolvidos e adorei o cliffhanger final. A escrita do autor revela-se simples, mas madura. Terminei fevereiro com o conto de Robert E. Howard O Colosso Negro. Ele conta como um mago poderoso tenta apoderar-se da cidade de Corajá, seduzindo a irmã do rei, e como ela vê na nomeação de Conan para um posto elevado do seu exército a salvação para os seus maiores pesadelos. Com um início algo confuso, ainda assim apresenta uma escrita deliciosa e um desenvolvimento auspicioso, com cenas de batalha excelentes.

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Comecei março com O Fiel Jardineiro de John le Carré, publicado pelas Edições D. Quixote. Trata-se de uma trama envolvente, contada de vários pontos de vista, que procura encontrar a verdade para um mistério terrível: a morte de uma activista dos Direitos Humanos e de um médico, às margens do lago Turkana, no Quénia. As verdades que o seu esposo encontra são tão inconvenientes como credíveis, bem diferentes daquilo que amigos e Imprensa tentaram passar. Uma obra-prima que parece real mesmo sendo uma história fictícia. Seguiu-se o primeiro volume da série Imperatriz, com argumento de Mark Millar e arte de Stuart Immonen, editado pela G Floy. A história não apresenta grandes inovações, a esposa de um rei tirano quer fugir do marido e com a ajuda do capitão da guarda, pega nos três filhos e foge. O volume narra uma aventura cheia de peripécias, com o grupo a saltar de planeta em planeta graças a um tele-transportador. Com várias nuances a fazerem lembrar Star Wars, uma linguagem bem agradável e um desenho lindíssimo e colorido, é mais uma série a seguir.

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O último volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer chegou às minhas mãos precisamente na altura em que a adaptação do primeiro, Aniquilação, chegou à Netflix. Um dos lançamentos de fevereiro da Saída de Emergência, Aceitação coloca um ponto final numa história densa e cheia de mistérios, contada do ponto de vista de Control, do Pássaro Fantasma, da Diretora e do Faroleiro. As respostas não são concretas, dependendo muito da nossa interpretação dos factos, mas não deixa de ser desconcertante e, independentemente dos gostos, genial. Publicado pela Editorial Presença, Uma Chama Entre as Cinzas foi um sucesso internacional quando saiu, em 2015. Trata-se de um livro Young Adult com vários traços de fantasia adulta. Com inspiração na Roma Antiga e no Médio Oriente, Sabaa Tahir convida-nos a conhecer os Eruditos, um povo escravizado, e os Ilustres, dos quais os Máscaras são o representante de toda a sua crueldade. Quando o irmão é capturado e pede ajuda à Rebelião para o libertar, a jovem Laia é obrigada a conhecer a crueldade de Keris Veturia, mas também o amor do filho desta, Elias. Com menos foco na parte amorosa e uma linha narrativa que não me lembrasse tanto The Hunger Games, este livro estaria facilmente entre os melhores lidos este ano. A escrita da autora é lindíssima e o mundo bem construído.Sem título
Uma das últimas novidades da G Floy Studio, Antes do Dilúvio é o primeiro volume da série Os Malditos, que alia uma dupla já famosa pela série Scalped: Jason Aaron e r. m. Guéra. Com o magnífico trabalho de Giulia Brusco nas cores, o álbum convenceu-me pelo visceral e pelo sujo, mas também pelo grafismo apetecível. Somos convidados a enveredar pela jornada de Caim, castigado por Deus a viver a vida eterna, e no seu percurso encontra personagens como o fanático Noé, mas também propósitos que o levam a olhar para a vida com outros olhos. Não me fascinou, mas o plot-twist final deixou-me pelo menos com a certeza de que vou continuar a série. Quarto volume da série As Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, publicado em Portugal pela Saída de Emergência, A Canção da Espada traz de novo Uthred de Bebbanburg em busca do reconhecimento sucessivamente negado pelo seu senhor, o rei Alfredo. Desta vez, é um morto que lhe diz que deverá trair Alfredo para tornar-se rei da Mércia, mas um complot organizado por antigos e novos aliados levá-lo-á mais uma vez a lutar pelos saxões. Apaixonante e vibrante, Cornwell continua a não desiludir.Resultado de imagem para keys to the kingdom locke and key
Para terminar o trimestre, li os três últimos volumes da série Locke & Key de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Keys to the Kingdom, Clockworks e Alpha & Omega. Foram, sem margem para dúvidas, os melhores álbuns da série, com reviravoltas e revelações de deixar o leitor a chorar por mais. Toda a bizarrice da composição (cabeças a serem abertas, sombras a atacarem pessoas e pessoas a assumirem formas de animais, por exemplo) funde-se com um realismo palpável na interação de uma família disfuncional, os Locke, com aquilo que os rodeia. Dodge, o grande vilão, alcança uma dimensão estonteante e os seus propósitos tornam-se muito mais claros, para culminar num final repleto de ação e coerente. Gostei bastante. Neste momento, estou a terminar o livro Sonho Febril de George R. R. Martin, e as leituras seguintes serão Nove Príncipes de Âmbar de Roger Zelazny e Carbono Alterado de Richard Morgan. Continuem por aí!

Estive a Ler: A Revelação do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #2

Pus-me à deriva pela multidão, como um tufo de algas apanhado numa mudança de maré. Decidi que Breu tinha razão. Havia naquela noite uma subcorrente de excitação, um tempero de curiosidade no ar.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A REVELAÇÃO DO BOBO”, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE SAGA ASSASSINO E O BOBO

2018 trará a Portugal Robin Hobb e não será novidade para vós que, nos últimos tempos, falar do Reino dos Antigos aqui no NDZ traz elogios pela certa. A autora californiana passou de um quase “ódio de estimação” para uma das minhas autoras preferidas em questão de meses, graças à minha Perseverança. Perceberam o trocadilho? Não? [Perseverança é o nome de uma personagem desta nova série.]

Deixemo-nos de humor, que como já viram não tenho Talento [ups] para ele, e falemos deste A Revelação do Bobo. Trata-se do segundo volume da série Fitz and The Fool, publicada em Portugal pela Saída de Emergência como Saga Assassino e o Bobo, a terceira protagonizada pelo personagem FitzCavalaria Visionário. Este livro corresponde à primeira metade do segundo original, Fool’s Quest, traduzido por Jorge Candeias e com um total de 368 páginas.

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Fonte: https://mimi-evelyn.deviantart.com/art/FOOL-S-ASSASSIN-SPOILERS-The-Unexpected-Son-478254675

Não é segredo que o primeiro volume, O Assassino do Bobo, foi a minha melhor leitura de 2017 e aquele final deixou-me em pulgas para ler a continuação. Ainda assim, fui obrigado a moderar as expectativas com o conhecimento de que este segundo volume seria apenas metade do livro original, que por si só, como segundo da série, seria obviamente um livro de transição. As expectativas não foram defraudadas, apesar de haver uns ques por aí.

“Pouquíssimo foi o avanço geográfico das personagens principais deste livro.”

Ler Robin Hobb é sempre uma experiência abençoada para quem gosta de uma escrita intimista, elegante e rica em expressividade e em vocabulário, sem deixar de ser fluída. Não será tão maravilhosa para quem prefira histórias com um ritmo galopante e desenvolvimentos corridos, em detrimento de uma narrativa viva, credível e bem contada, como Hobb faz de um jeito sublime. Neste aspeto, não me canso de elogiar o excelente trabalho de Jorge Candeias na tradução dos livros.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/a-revelacao-do-bobo/

Este A Revelação do Bobo não foi tão bom como o primeiro, mas como poderia ser, se corresponde apenas à primeira metade do segundo livro? Os ques de que falei em cima estão mesmo relacionados com isto. A Abelhinha quase não deu cor de si neste volume, e a nível de desenvolvimento narrativo, podemos dizer que estamos praticamente na mesma posição em que estávamos no final do livro anterior. Pouquíssimo foi o avanço geográfico das personagens principais deste livro.

Mas podemos dizer que não aconteceu nada em A Revelação do Bobo? Oh sim, se aconteceu. Aconteceu muito e bom. Se a narrativa do primeiro volume foi focada em Floresta Mirrada, aqui podemos dizer que é passada quase toda no Castelo de Torre do Cervo, onde temos a possibilidade de explorar mais amiúde velhos conhecidos como Respeitador, Eliânia, Kettricken, Obtuso, Enigma e principalmente Breu, o velho mentor de Fitz que se revela uma das maiores surpresas do livro. É também aqui que várias revelações se sucedem.

O mistério do Filho Inesperado é finalmente posto a descoberto, assim como as intenções dos malévolos Servos. Outras revelações, bem mais triviais mas não menos impressionantes, são-nos oferecidas, pondo mais uma vez em evidência o brilhantismo tático da autora californiana.

“O livro foi uma catadupa de revelações”

O título do livro bem que poderia ser As Revelações e não só do Bobo. Testemunhamos momentos icónicos que aguardávamos há n livros atrás, protagonizados por Fitz, quer pública ou mais intimamente, relacionados com os Visionário e também com a filha Urtiga, momentos de desgosto, de glória auto-contida, de pânico, de amizade genuína, de descrédito, de inveja e de perdão.

Assistimos ao envelhecer de uma personagem que conhecemos desde criança, e que parece debater-se sempre, em todos os momentos da sua vida, com os mais diversos dilemas morais. Neste livro, ele volta a ser obrigado a esgrimi-los e a aceitar o gosto amargo das consequências.

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Em A Revelação do Bobo também conhecemos novas personagens. São elas Cinza, o novo e bem-sucedido aprendiz de Breu nas artes da espionagem, Diligente, a mãe de Perseverança, Valente e Astuto, dois muito diferentes membros de um afamado corpo militar conhecido como os Remexidos, e Matizada, um corvo estigmatizado por possuir algumas penas brancas, que estabelece uma relação bem peculiar com Fitz e o Bobo.

“Sabem o que vos digo? Que venham mais livros como este.”

Conhecemos também um pouco melhor os Servos. Vindeliar é o rapaz-nevoeiro, um homem com rosto de rapaz que consegue usar magia para “enevoar” mentes, fazendo-as entrar em negação e trabalhar para esquecer certos eventos. Dwalia é uma mulher rechonchuda, cujos modos afáveis inspiram confiança e uma vontade inequívoca de lhe agradar. E há ainda militares calcedinos a colaborar com estes profetas para levar o Filho Inesperado a Clerres, com interesses bem maliciosos em mente.

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A ação principal pode não ter evoluído praticamente nada, e sim, terminei o livro um pouco irritado por isso, mas gostei imenso da forma como Hobb esmiuçou emoções e eventos, ao mesmo tempo que pôs a nu subtilezas, fragilidades e podres que não desconfiávamos (pelo menos eu), de algumas personagens que nos são há muito conhecidas. O livro foi uma catadupa de revelações, mas mesmo assim houve momentos para cenas de ação, corridas a cavalo, traições e engodos.

A magia da Manha voltou a ser um tema explorado e que, tudo me leva a crer, deverá sofrer mais incidências nos livros consequentes, no que diz respeito a Fitz, a Abelha e a Teio, pelo que me parece. Não é uma revelação sobre o enredo, mas uma mera suposição da minha parte.

A Revelação do Bobo foi mais um livro lindíssimo da autora, magistralmente bem escrito, que deixou claro o quanto ela consegue ser cruel, tanto para as personagens como para os leitores, ao enredar a narrativa numa série de eventos paralelos, prorrogando um momento dramático para uma das protagonistas. Sabem o que vos digo? Que venham mais livros como este.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

Especial: “O Reino dos Antigos” de Robin Hobb

Há artigo especial dedicado à rainha da fantasia épica? Há sim. Sentem-se nas cadeiras, amarrem os cintos e encomendem as pipocas, porque vamos ter muito do que falar. Publicada em Portugal pela Edições Saída de Emergência, a série Realm of the Enderlings tem encantado leitores em todo o mundo, e o NDZ está disposto a escrutinar o mundo que levou Robin Hobb a ser considerada essa coca-cola toda. FitzCavalaria Visionário, um dos protagonistas, carrega aos ombros uma coleção literária a que nenhum fã de literatura fantástica consegue ficar indiferente.

O Reino dos Antigos divide-se em 5 trilogias, sendo que em Portugal só conhecemos a 1.ª, a 3.ª e a 5.ª (a ser publicada atualmente). Nomeadamente, as séries protagonizadas por FitzCavalaria. A Saída de Emergência tem publicado cada uma das trilogias em 5 livros, mantendo o primeiro volume de cada igual ao original e dividindo os restantes dois volumes. Vamos saber mais sobre este reino e sobre aquilo que o diferencia dos demais.

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Fonte: http://www.telegraph.co.uk/culture/books/bookreviews/11048552/Fools-Assassin-by-Robin-Hobb-review-high-art.html

Quem é Robin Hobb?

Nascida Margaret Astrid Lindholm Ogden, na cidade de Berkeley, na Califórnia, Hobb começou por escrever para publicações infantis, mas foi com o pseudónimo Megan Lindholm que publicou vários romances de fantasia contemporânea, de 1983 a 1992. A notoriedade, porém, chegou com o pseudónimo Robin Hobb e a sua incursão na fantasia épica. Atualmente, vive em Tacoma, no Washington, e é uma das mais famosas autoras de literatura fantástica mundial.

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Fonte: http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Creator/RobinHobb?from=Creator.MeganLindholm
O Reino dos Antigos

Muitas vezes criticada pela lentidão narrativa dos seus livros, Robin Hobb acumula fãs em todo o mundo tanto pela beleza da sua prosa, como pela profundidade com que caracteriza os seus personagens, oferecendo-lhes toda a sorte de dilemas, incertezas e dramas que uma pessoa pode sentir na pele.

É esse factor emocional o que mais agarra os leitores aos seus livros, muito mais do que cenas de batalha ou assassínios que, esporadicamente, acontecem. Vamos então analisar cada uma das sagas publicadas. Ocultarei algumas mortes e acontecimentos importantes para não prejudicar a experiência de leitura a quem não leu, mas se considerarmos que o plot de cada livro já entrega algumas revelações, então sim, podes contar com vários spoilers.

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Saga do Assassino

É aqui que tudo começa. Os Seis Ducados vivem a chamada Guerra dos Navios Vermelhos contra os piratas das Ilhas Externas que sondam as suas costas. Quebal Pancru é o líder desse movimento estratégico que planeia dominar os Seis Ducados através da arte da Forja, uma espécie de magia que rouba o discernimento às vítimas e os deixa escravos dos seus apetites mais primários.

A sede dos Seis Ducados é Torre do Cervo, em cujo castelo vive a família real, composta pelo Rei Sagaz Visionário e os seus filhos. São eles Cavalaria, Veracidade e Majestoso, este último fruto da relação do rei com a segunda mulher, Desejo. A ação começa quando se descobre que Cavalaria, esposo de Paciência, teve um filho bastardo com uma plebeia do Reino da Montanha. Como ele é o Rei Expectante, ou seja, o primeiro na linha de sucessão ao trono, tal mancha na sua honra obriga-o a renunciar, e essa renúncia resulta no seu exílio e morte.

“Através da magia da Manha, Robin Hobb elabora uma crítica social contra o preconceito, que atravessa grande parte da sua obra.”

O filho bastardo, Fitz, é levado então para Torre do Cervo e colocado sob a proteção de Castro, mestre cavalariço que, para além de sentir uma ligação de lealdade genuína para com Cavalaria, viveu em tempos um romance com Paciência, a esposa deste. Castro acolhe Fitz com todo o carinho e dedica-se inteiramente à sua educação. Aquilo que os separa chama-se Manha.

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Fonte: https://www.tumblr.com/search/elderling%20fan%20art

A Manha é uma magia congénita que fundamentalmente passa pela ligação fraternal entre pessoa e animal, levando ambas as partes a unir-se de uma forma que conseguem partilhar pensamentos e sentirem-se como um só. Acontece que os portadores da Manha são vistos como aberrações, e quando Castro suspeita do dom do pequeno bastardo, decide cortar o mal pela raiz. Através da magia da Manha, Robin Hobb elabora uma crítica social contra o preconceito, que atravessa grande parte da sua obra.

A dureza de Castro molda a personalidade do jovem Fitz, que acaba por ser aceite no castelo e conhecer os meandros da corte, das fragilidades e subtilezas do velho rei à mesquinhez do príncipe Majestoso. Fitz é treinado na arte do Talento, uma magia hereditária entre os Visionário que recende aos Antigos, uma civilização primordial que fora versada na magia. O Talento permite a quem o dominar o contacto mental com outras pessoas, curar ferimentos físicos ou até influenciar sonhos.

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Todavia, o Mestre de Talento, Galeno, tudo faz para que Fitz seja um desastre, acabando por feri-lo gravemente. É Veracidade, que se torna Rei Expectante, quem acaba por passar algumas das noções teóricas do Talento para o jovem bastardo, usando-o como fonte de força, enquanto o velho Breu, meio-irmão do rei e chefe da equipa de espionagem e assassinos do Trono Visionário, visita Fitz durante a noite e o treina… nas artes do assassínio.

Entre todas as intrigas palacianas e maquinações de Majestoso, que planeia tomar o trono, Fitz acaba por afeiçoar-se ao Bobo do Rei Sagaz, um rapaz muito pálido e de formas esquálidas, por Olhos-de-Noite, um lobo com quem se vincula na Manha, e ainda por Kettricken, a princesa do Reino da Montanha. Por dever político, Kettricken acaba por casar-se com Veracidade, e a pouco e pouco começa a amá-lo.

Acusado de Manha, esconjurado e dado como morto, FitzCavalaria só pode contar com o amor dos que o viram crescer e com as suas capacidades inatas para ajudar Veracidade a libertar os Seis Ducados, seja contra os piratas dos Navios Vermelhos, seja contra o seu próprio irmão. Descobre ainda que o Bobo é, na verdade, um Profeta Branco, destinado a prenunciar os acontecimentos do mundo, e que ele, Fitz, é o seu Catalisador, aquele que está destinado a alterá-los.

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Os Mercadores de Navivivos

Um Navivivo é feito de Madeira de Feiticeiro, uma substância antiga com propriedades mágicas. Quando três gerações de proprietários de um navio morrem a bordo, um navio desperta e torna-se um ser sensível, agarrado às lembranças dos seus antepassados. A avó do capitão Vestrit ordenou dar vida a Vivácia, e a família Vestrit ainda está em dívida para com os comerciantes de Ermos Chuvosos, a quem compraram a madeira.

Pai de Althea, o capitão Ephron Vestrit encontra-se gravemente doente. A filha está preocupada com a saúde do pai, mas também com a ideia de que, após sua morte, Vivácia irá despertar e ela tornar-se-á a capitã do navio, posição que deve disputar com o calcediano Kyle Porto, esposo da sua irmã mais velha, Keffria.

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Com a morte de Ephron, a família Vestrit desmorona, atolada em dívidas. Malta, filha de Keffria, segue as pisadas do pai, pisando quem quer que se coloque no seu caminho. Desesperada e incapaz de se afirmar digna de Vivácia, Althea afasta-se, procurando uma forma de provar que é uma marinheira competente. Entretanto, Kyle descobre que é incapaz de controlar Vivácia sem alguém de sangue Vestrit a bordo.

Sem Althea, a sua única alternativa é forçar o seu filho Wintrow, que quer ser sacerdote, a juntar-se-lhes a bordo do navio. Wintrow tem dificuldade em adaptar-se à vida no navio, mas apesar de se sentir amargurado por ser arrancado ao mosteiro, nele cresce um vínculo fortíssimo com Vivácia.

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Fonte: https://doctorpiper.deviantart.com/art/Althea-Vestrit-599832010

Em simultâneo, o ambicioso pirata Kennit deseja tornar-se mais do que um pirata: deseja ser rei entre eles. Ele persegue os navios escravos para libertá-los. Os escravos libertos tripulam então os navios capturados como uma frota de piratas sob o comando de Kennit. Dirige-se a Vivácia, que se tornou um navio de escravos sob o controlo de Kyle, consegue capturá-lo e tornar-se seu capitão.

Enquanto Kennit estabelece uma relação com Vivácia e com Wintrow, que realmente acreditam que Kennit tem motivos válidos e boas intenções em tornar-se Rei dos Piratas, Althea tenta recuperar o navio da sua família, navegando contra o pirata a bordo de um Navio Louco. Uma sequência de revelações desvendam uma horrível crueldade nos Ermos Chuvosos, onde fora abortada pelas mãos dos homens aquilo que poderia ser uma nova linhagem de dragões, através de um sistema de evolução das serpentes marinhas.

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Saga O Regresso do Assassino

Quinze anos passaram-se desde o final da Saga do Assassino. O mundo pensa que FitzCavalaria morreu, e este está escondido do mundo, com o seu lobo, Olhos-de-Noite, e o filho adoptivo, Zar, com quem vive humildemente. De quando em quando, Fitz é alvo da visita da menestrel Esporana, sua amante. Mas quando o velho Breu o visita e lhe pede para regressar a Torre do Cervo, este recusa determinantemente. Um dos plot-twists mais deliciosos de toda a série é que a rapariga que ama, Moli, caiu nos braços do homem que o criou, e com ele teve os seus filhos.

Na forma de um lobo, Fitz contacta em sonhos com a filha que tiveram juntos, Urtiga, mas esta não sabe que ele é seu pai e olha para Castro como se o fosse. Se soubessem que Fitz estava vivo, Moli e Castro nunca se perdoariam. No entanto, o entusiasmo de Zar para com a cidade, onde deseja aprender um ofício, e a visita do seu velho amigo Bobo, agora um excêntrico homem dourado que se diz proveniente da Jamaília, fazem-no mudar de ideias.

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Fitz ruma a Torre do Cervo como Tomé Texugo, criado de Dom Dourado, a nova identidade do Bobo. Ali, Fitz torna-se mais uma vez peça da rede de espionagem de Breu, mas também constata como tudo mudou na sua ausência. Com a morte de Sagaz, Veracidade e Majestoso, a cidade evoluiu. Kettricken é agora a Rainha por direito, ao lado do seu filho com Veracidade, o príncipe Respeitador.

“Muito mais fluído e surpreendente que a primeira série, a Saga Regresso do Assassino marca uma fuga aos clichés e a questão do preconceito volta a assumir um lugar de destaque”

Respeitador está prometido em noivado à narcheska Eliânia das Ilhas Externas, um negócio muito importante para manter a paz que se conseguiu com aquele povo após o final da Guerra dos Navios Vermelhos. No entanto, o príncipe desapareceu. Segundo todas as pistas de Breu, Respeitador pode ter a magia da Manha, e ter seguido uma gatinha que lhe fora oferecida até às mãos dos Pigarços, um perigoso grupo de manhosos que se envergonha dos que renegam sê-lo e atentam a várias personalidades famosas denunciando serem portadores do mesmo dom.

Após uma tortuosa perseguição, Fitz e o Bobo conseguem recuperar o príncipe e desbaratar as forças pigarças, pagando um preço alto por isso, com a morte de um ente-querido. Pouco a pouco, os problemas de Fitz centram-se nos desaires amorosos do filho adoptivo Zar com a oportunista Esvânia, e com a falta de motivação de Respeitador para com a narcheska Eliânia. Quando uma comitiva de Vilamonte alerta Kettricken dos problemas em Ermos Chuvosos e para a existência do dragão Tintaglia, os problemas adensam-se.

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Fonte: https://www.deviantart.com/tag/fitzchivalry

Ao ofender a narcheska, o príncipe é desafiado por ela e esta só aceita casar-se consigo se este cortar a cabeça a um dragão, Fogojelo, alegadamente enterrado na ilha de Aslevjal. Respeitador ruma às Ilhas Externas à frente de uma imensa comitiva, onde se destaca o Círculo de Talento do príncipe, que inclui Fitz, Breu e Obtuso, um simplório criado de Breu que forja uma relação de amor-ódio para com Fitz.  Em Aslevjal, Fitz encontra pessoas do seu passado, e também a temível Mulher Pálida, uma das principais responsáveis pela Guerra dos Navios Vermelhos.

Muito mais fluído e surpreendente que a primeira série, a Saga Regresso do Assassino marca uma fuga aos clichés e a questão do preconceito volta a assumir um lugar de destaque, tanto na apreensão dos comuns para com a Manha, como para com a sexualidade do Bobo, cuja nuvem de dúvida que se produz à sua volta cria uma cisão entre este e o protagonista.

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As Crónicas dos Ermos Chuvosos

O ano chegou ao fim e o último dragão conhecido, Tintaglia, supervisiona mais uma tentativa de trazer os dragões ao mundo através das velhas serpentes. O Conselho dos Ermos Chuvosos concorda em ajudá-la, com a contrapartida que ela os auxilie na guerra contra Calcede. Sisarqua, uma rainha-serpente, luta para terminar o seu processo de evolução.

O capitão do barco Tarman, Leftrin, encontra o embrião de um dragão que foi levado pelo rio. No início, ele pensa em vendê-lo para obter lucro, mas depois decide levá-lo para o navio tendo em vista a sua própria proteção futura.

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Fonte: https://daria-ts.deviantart.com/art/Thymara-566178187

Thymara, uma menina de 11 anos, acompanha o pai para assistir à incubação dos dragões, mas fica chocada ao descobrir que as novas crias são fracas e deformadas. Entra em contacto com uma quando o seu pai é quase comido vivo. Sisarqua transformou-se num dragão, agora chamado de Sintara, e mostra-se preocupada em perceber que as suas proporções estão erradas e que não é o que deveria ser. Infelizmente, é muito provável que nunca voe.

Alise Kincarrion, por sua vez, é uma jovem solteirona que ocupa a maior parte do seu tempo a estudar dragões e a história dos Antigos. Sente-se alvo de um comerciante local bem parecido, de seu nome Hest Finbok, mas quando o aborda acerca das suas intenções, ele garante-lhe que, embora não esteja apaixonado, deseja casar-se com ela por conveniência. Finbok deseja um herdeiro, em troca oferece-lhe o financiamento para os seus estudos.

A jovem fica inicialmente entusiasmada com a ideia, mas depressa percebe que ela veio da cabeça da sua amiga de infância, Sedric. Quando a relação revela-se de um total e terrível embaraço, Finbok acusa-a de infertilidade, mas depressa Alise descobre que o marido e a sua amiga Sedric são amantes. Quando ameaça espalhar boatos sobre a sua virilidade, ele decide enviá-la em viagem, e uma vez que Sedric toma o partido da amiga, decide mandá-la com ela.

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Fonte: https://thereseofthenorth.deviantart.com/art/Sintara-and-Alise-324608770

Por sua vez, o capitão Leftrin quer dar um contrato vitalício a todos os seus trabalhadores para proteger o segredo do uso ilegal da Madeira de Feiticeiro, então proibida. O único homem com reservas para assinar é Swarge, que admite estar noivo e não querer separar-se da sua futura esposa. Leftrin admite então a esposa de Swarge a bordo do navio, de modo a que, dessa forma, eles possam estar juntos e Swarge assine o contrato.

Entretanto, os dragões estão fracos e incapazes de se alimentar, dependendo de caçadores para fornecer-lhes alimentos. À medida que os dragões mais fracos morrem, os mais fortes comem-nos para obter as suas memórias. Tintaglia encontra-se em parte incerta, havendo rumores de que finalmente encontrou um parceiro, e ninguém acredita que regresse. Os dragões começam a trabalhar para encontrar o caminho secreto para a cidade perdida de Kelsingra, que pertencera aos Antigos. Mercor elabora um plano para convencer o Conselho dos Ermos Chuvosos de que é sua a ideia de transportar os dragões para a cidade perdida, usando as suas memórias ancestrais como guia.

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Fonte: https://9gag.com/gag/adjpyAj/fitzchivalry-farseer-from-the-realm-of-the-elderlings-series-by-robin-hobb-any-fans

Saga Assassino e o Bobo

A série Assassino e o Bobo é o coroar da obra de Robin Hobb. Após o desaparecimento de Castro, Fitz reconquistou o seu lugar ao lado de Moli e da filha Urtiga. É para as terras que esta herdou de Paciência, Floresta Mirrada, que o casal vai viver, com os filhos que Moli gerara com Castro. Muitos anos passaram-se, e Fitz nunca mais voltou a ver o Bobo, depois de um incidente com um Portal de Talento que os levou a desencontrarem-se no dia em que se iriam despedir para sempre.

“Refrescante, emocionante, coeso e incrivelmente bem escrito, o primeiro volume, O Assassino do Bobo, foi a minha melhor leitura de 2017.”

Entretanto, uma mensageira chega a Floresta Mirrada no Festival de Primavera para falar urgentemente com Fitz. Só que não passa pela cabeça dele deixar Moli à sua espera para dançar. A visita que espere um pouco, na biblioteca. Quando, ao final da noite, vai ao encontro da mensageira, tudo o que encontra é um rasto de sangue. Os seus esforços por resolverem o incidente, porém, morrem sem resultados. E os anos continuam a passar, e eles a envelhecer. E nada de Bobo.

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Fonte: http://www.laespadaenlatinta.com/2016/11/assassins-fate-robin-hobb-vatidico.html

Devido à cura de Talento, Fitz parece mais jovem que Moli, e acaba por achar que a sua mulher está a ficar senil, quando esta lhe diz que está grávida, porque há muito passou a idade que o permitiria. Com a ajuda do mordomo Pândego, da sua filha Urtiga e do seu amigo Enigma, Fitz tenta manter a ordem em Floresta Mirrada, mas nada daquilo é fácil para ele. Urtiga tornou-se Mestra do Talento em Torre do Cervo, e parece nunca ter conseguido totalmente aceitá-lo como pai.

Um Filho Inesperado, várias mensagens que dificilmente chegam ao destino, e mortes, chocantes e imprevisíveis, culminam com o retorno tão aguardado do Bobo, no local onde menos seria expectável encontrá-lo. Dois filhos bastardos, FitzVigilante e Esquiva, são enviados por Breu para que Fitz lhes encontre utilidade, mas tornam-se mais obstáculos do que prestáveis, e as suas origens permanecem misteriosas.

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Fonte: https://www.pinterest.co.uk/torilou81/realm-of-the-elderlings/

É uma menina, Abelha de seu nome, quem carrega as responsabilidades aos ombros e quem tem de ajudar Fitz a ser o homem que precisa ser. Mas quando um grupo de Profetas Brancos chamados Servos lhe põem as mãos em cima, o que poderá fazer Fitz para a salvar?

Dar-lhes caça, juntando velhos amigos e conhecendo novos, requerendo a ajuda dos dragões de Ermos Chuvosos e dos Vestrit de Vilamonte, unindo os personagens das histórias anteriores de Robin Hobb e completando assim o intrincado puzzle que é este Reino dos Antigos. Refrescante, emocionante, coeso e incrivelmente bem escrito, o primeiro volume, O Assassino do Bobo, foi a minha melhor leitura de 2017.

Enquanto que no Brasil foi publicada a 1.ª trilogia e já saiu o primeiro volume da 2.ª, O Navio Arcano, em Portugal serão lançados, no primeiro semestre de 2018, o segundo e terceiro volume da 5.ª série. Claro está, pelas mãos da Saída de Emergência, que trará a autora a Portugal para o Festival Bang! deste ano. Ansiosos? Eu estou.

A Divulgar: “Monstress: O Sangue” e “A Revelação do Bobo” pela Saída de Emergência

É já a 19 de janeiro que sairá o segundo volume de uma das novas sensações da Saída de Emergência. Falo da banda desenhada Monstress, da argumentista Marjorie Liu e da ilustradora Sana Takeda. Depois de ser publicado o primeiro volume em julho, a editora assegurou a continuação da série, trazendo O Sangue já neste início de 2018. Lê aqui a minha opinião ao primeiro volume, uma das melhores bandas desenhadas que tive a oportunidade de ler no ano que agora terminou.

E a 9 de fevereiro, o mesmo dia em que serão também lançados Aceitação de Jeff VanderMeer e Um Estranho numa Terra Estranha de Robert Heinlein, sairá A Revelação do Bobo, o segundo volume da Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb. Continuam assim as aventuras de FitzCavalaria e companhia, depois de o primeiro volume, O Assassino do Bobo, ter sido a minha melhor leitura de 2017, como podes ler na opinião ao mesmo, assim como no artigo que premiou as melhores leituras do ano. Quem comprar A Revelação do Bobo através do site, terá como bónus o livro Windhaven, de George R. R. Martin e Lisa Tuttle.

Sem título

SINOPSE:

Num mundo alternativo de beleza art déco inspirado na Ásia oriental, criaturas demoníacas e poderosas ameaçam o mundo.

Maika Meiolobo está a ser perseguida por uma coligação de forças determinada a controlar e a destruir a poderosa criatura demoníaca que habita dentro de si. Mas Maika não descansará enquanto não cumprir a sua missão: descobrir os segredos da sua falecida mãe, Moriko.

Nesta sequela, a jornada de Maika irá levá-la à cidade de Thyria, controlada por piratas, e através dos mares à misteriosa Ilha dos Ossos. Será uma viagem que irá forçar Maika a reavaliar o seu passado, presente e futuro e onde irá aprender que não pode confiar em ninguém, incluindo no seu próprio corpo…

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Chancela: Saida de Emergência

Coleção:BANG

Saga/Série:Monstress Nº: 2

Data 1ª Edição: 19/01/2018

ISBN: 9789897730900

Nº de Páginas: 160

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Sem título

SINOPSE:

Após os acontecimentos de O Assassino do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz.

Depois de garantir que nunca mais a deixaria só ou negligenciada, Fitz abandonou a sua filha Abelha para correr para Torre do Cervo a fim de tentar salvar a vida do velho amigo Bobo. A consequência foi a mais terrível: um ataque à sua casa e o rapto da pequena, que desaparece sem deixar rasto.

Encontramo-lo neste volume dilacerado entre as obrigações para com o Bobo e o que a consciência lhe exige que faça para tentar recuperar a filha. Mesmo o regresso a Torre do Cervo traz grandes perigos, pois no local onde nasceu e viveu durante muitos anos ainda perdura a sua má fama de Bastardo Manhoso e assassino. O que poderá Fitz fazer para trazer a paz de novo ao seu mundo?

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Chancela: Saida de Emergência

Coleção:BANG

Saga/Série:Assassino e o Bobo Nº: 2

Data 1ª Edição: 09/02/2018

ISBN: REVELACAOWIND

Nº de Páginas: 368

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

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Nota: As imagens apresentadas foram reproduzidas do site da editora

Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.

As Escolhas de 2017

O ano de 2017 está à beira do fim e chegou a altura dos balanços literários. De modo geral, acabou por ser um ano sensivelmente idêntico ao anterior, com mais de 90 leituras no seu todo, embora este ano tenham sido significativamente mais livros e menos BDs que no ano pretérito, conforme podem conferir na minha listagem de leituras de 2017. 44 livros de bandas desenhadas, 44 livros em prosa e mais alguns contos soltos perfazem um ano cheio de surpresas e boas leituras.

Robin Hobb (6 livros), Neil Gaiman (7 BDs e 2 livros), Brandon Sanderson (2 livros, 1 BD e 1 conto) e Robert Kirkman (5 BDs) foram os autores que mais li este ano, mas vários foram aqueles de que repeti a “dose”. Conheci nomes como Patrick Rothfuss (li tudo o que havia do nosso Kvothe), Michael Moorcock (três volumes de Elric), Jon Skovron (dois volumes de Império das Tormentas), Brent Weeks (dois volumes de Anjo da Noite) e Noelle Stevenson (Nimona) e terminei várias séries que tinha em suspenso, como a Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, A Primeira Lei de Joe Abercrombie ou A Torre Negra de Stephen King.

Fiquem, então, com as minhas escolhas literárias do ano de 2017.

MELHOR LIVRO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Praticamente empatado com A Súbita Aparição de Hope Arden de Claire North nas minhas preferências literárias de 2017, O Assassino do Bobo talvez tenha a vantagem de pertencer ao género que mais me agrada, a fantasia épica. Profundo, dramático, bem desenvolvido e até enternecedor, o primeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb foi a minha melhor leitura do presente ano. Na minha escolha, pesou também o facto de ter lido os 5 livros da série anterior este ano, e todos com nota elevada. Hobb merece a medalha de ouro.

MELHOR FANTASIA

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Pensei seriamente que seria mais difícil escolher o melhor livro de fantasia do ano, quando a pouco mais de um mês para o final, Robin Hobb facilitou-me a tarefa. Ainda assim, foi um ano fantástico para mim como amante do género. Deslumbrei-me com Elantris e Warbreaker de Brandon Sanderson, amei os livros da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss e ainda tive direito à primeira parte de Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson.

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA

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A Súbita Aparição de Hope Arden, Claire North

aqui a opinião

Quem também me facilitou a tarefa foi Claire North, com algumas ressalvas. Este livro está normalmente catalogado num sub-género de Fantasia, magia urbana, é também um thriller mas, acima de tudo, a trama gira em torno de uma aplicação futurista para smartphones, o que justifica encontrá-lo tantas vezes vinculado à FC, e razão pela qual acabei por incluí-lo nesta categoria. O romance venceu o The World Fantasy Award 2017 com todo o mérito. No entanto, leituras como Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe Silva, Autoridade de Jeff VanderMeer, Os Despojados de Ursula K. Le Guin e a space opera Saga (formato BD) de Brian K. Vaughan e Fiona Staples também me ficaram na retina.

MELHOR HORROR

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Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe, Edgar Allan Poe

aqui a opinião

Entre alguns contos de Robert E. Howard e BDs como Harrow County e Outcast, acabou por ser esta lindíssima coletânea da Saída de Emergência, com ilustrações de 28 artistas nacionais, o livro que mais me marcou dentro do género Horror em 2017. Os contos que mais me agradaram foram “A Queda da Casa de Usher” e “Os Crimes da Rua Morgue”. Em 2018 espero ler mais histórias dentro deste género especulativo.

MELHOR ROMANCE HISTÓRICO

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Um Mundo Sem Fim, Ken Follett

aqui e aqui a opinião

Uma vez mais, a minha escolha no género Romance Histórico ficou dividida entre Ken Follett e Bernard Cornwell, acabando por ser o primeiro a vencer. Embora ambos sejam ótimos, a escrita de Follett encanta-me com uma profundidade a que o autor das Crónicas Saxónicas ainda não me conseguiu chegar. Um Mundo Sem Fim, dividido em Portugal em dois volumes, foi publicado pela Editorial Presença, enquanto o terceiro volume das Crónicas de Cornwell, Os Senhores do Norte, chegou até nós pelas mãos da Saída de Emergência.

MELHOR ANTOLOGIA / COLETÂNEA

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Mulheres Perigosas, Organização George R.R. Martin e Gardner Dozois

aqui a opinião

Embora tenha lido algumas coletâneas de contos, esta acabou por ser a melhor antologia que li em 2017. Permeada de autores renomeados como Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Brandon Sanderson, Joe Abercrombie e Megan Abbott, a antologia da Saída de Emergência oscilou entre os contos muito bons e outros menos. Sam Sykes foi a grande surpresa do conjunto e George R. R. Martin voltou a mostrar aquilo que vale.

MELHOR CONTO

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Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno, Brandon Sanderson

aqui a opinião

Incluído em Mulheres Perigosas, o conto “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno” foi não só o melhor conto da antologia, como o melhor que li em 2017. Ambientada no universo da Cosmere, a história de uma mulher cheia de recursos que gere uma estalagem numa floresta prenhe de fantasmas cativou-me. Mais um pequeno exemplo de que Brandon Sanderson é um dos autores que deve, urgentemente, voltar a ser publicado em Portugal. Destaque ainda para o ciclo de leituras em que estou a participar, no qual revisito vários dos contos de Robert E. Howard, que merecem as minhas menções de honra.

MELHOR BANDA-DESENHADA

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Saga Volume 7, Brian K. Vaughan e Fiona Staples

aqui a opinião

Este ano, Saga conseguiu suplantar The Walking Dead como a minha BD favorita, embora ambas continuem ótimas. Se o volume 6 da space opera já me havia fascinado, no 7.º o enredo só melhora. Resta-me enaltecer o trabalho da G Floy Studio neste segmento. Num ano em que li mais de 40 BDs, entre elas toda a coleção Sandman de Neil Gaiman, livros como A Garagem Hermética e A Louca do Sacré-Coeur de Moebius, acabaram por ser as BDs da Image Comics que a G Floy tem trazido até nós a marcarem-me.

Wytches, The Witched + The Divine, a trilogia Velvet, Southern Bastards, Tony Chu: Detective Canibal e Outcast são alguns dos destaques do ano, e provas de que a G Floy está a crescer a olhos vistos. Quero, porém, deixar ainda um louvor para as excelentes Nocturno de Tony Sandoval (Kingpin), Monstress: Despertar de Marjorie Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência), Nimona de Noelle Stevenson (Saída de Emergência) e Como Falar Com Raparigas em Festas de Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá (Bertrand).

MELHOR LANÇAMENTO

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O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1), Robin Hobb

aqui a opinião

Não podia deixar de vencer em todas as categorias em que se insere. O Assassino do Bobo foi lançado em maio pela Saída de Emergência, mas só em novembro é que o li, porque ainda me faltava ler a segunda série protagonizada por Fitz antes de mergulhar nesta terceira. Ainda assim, este ano foi fantástico em lançamentos, nomeadamente pela Saída de Emergência no que diz respeito à fantasia e também com a sua nova incursão no mundo das bandas-desenhadas. Outros livros que foram lançados este ano e merecem o meu destaque, mas não só a nível nacional como internacional, foram Origem de Dan Brown (Bertrand) e Mitologia Nórdica de Neil Gaiman (Editorial Presença), que li neste último semestre do ano.

MELHOR NACIONAL

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Terrarium, João Barreiros e Luís Filipe Silva

aqui a opinião

2017 foi mais um ano com espaço para a literatura nacional. Li a antologia Os Monstros que nos Habitam (que inclui um conto meu), A Nuvem de Hamburgo de Pedro Cipriano, Anjos de Carlos Silva, Moving, Fighting the Silent e Mission in the Dark de Bruno Martins Soares, La Dueña de José Augusto Alves e Conquista da Liberdade de Jay Luis, mas foi a nova edição de Terrarium, revista e aumentada pelos dois autores, e publicada pela Saída de Emergência, que mais me agradou. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os mestres da FC no nosso país e merecem todo o destaque que lhes possa ser dado, para que o seu talento possa chegar a mais e a mais pessoas.

Deixo-vos com os mais sinceros votos de um ano de 2018 cheio de boas surpresas e que para o próximo ano continuem a acompanhar as minhas indicações literárias. Boas leituras para todos.

Estive a Ler: O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1

Com toda a honestidade, não existe forma de matar alguém misericordiosamente. Há aqueles que não consideram crime afogar um recém-nascido imperfeito em água aquecida, como se o bebé não lutasse desesperadamente por encher os pulmões de ar.

O texto seguinte aborda o livro “O Assassino do Bobo”, primeiro volume da série Saga Assassino e o Bobo

Margaret Lindholm Ogden, também conhecida pelos pseudónimos Megan Lindholm e sobretudo Robin Hobb, é considerada como uma das autoras que definiu a fantasia épica como é vista nos dias de hoje. O Reino dos Antigos é a macro-série que começou a publicar em 1995, que inclui, para além de duas séries anexas sem a participação de FitzCavalaria Visionário, as três trilogias protagonizadas pelo famoso assassino que dá título a este livro.

Em Portugal, a Saga do Assassino e a Saga O Regresso do Assassino catapultaram o nome Robin Hobb para os píncaros da fantasia atual, e esta Saga Assassino e o Bobo vem apenas cimentar essa condição. Com tradução de Jorge Candeias e um total de 624 páginas, a edição nacional do primeiro volume, O Assassino do Bobo foi lançado pelas mãos da Saída de Emergência, que anunciou, inclusive, a vinda da autora a Portugal para o Festival Bang! de 2018.

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Fonte: https://www.pinterest.com/twayhatch/robin-hobb/

Pergunto-me várias vezes o que mudou na narrativa de Robin Hobb para eu ter torcido o nariz à primeira série e começar a amar a história de FitzCavalaria e do Reino dos Antigos a partir da segunda. Muito possivelmente deveu-se à forma como Hobb desenvolveu o seu mundo. A primeira saga começa com um mundo marcadamente medieval, em que o jovem bastardo de um rei torna-se aprendiz de um velho assassino. A premissa não marcou pela originalidade.

No entanto, Robin Hobb apenas usou-se dos clichés como ponto de partida. O final abrupto e talvez exageradamente fantasioso da primeira série desagradou a muitos, mas a mim particularmente marcou-me como um ponto de viragem, depois da lentidão cansativa a que havia sido sujeito. As personagens foram desenvolvidas de forma absurdamente credível, com especial foco nas relações humanas. E é esse foco de desenvolvimento individual e coletivo que diferencia Robin Hobb dos restantes autores.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/o-assassino-do-bobo/

É a escrita, porém, que a coloca no meu top de autores prediletos. Envolvente, suave, elegante e charmosa, a prosa de Hobb cativa pela forma fluída e detalhada com que descreve cenários e emoções com igual ritmo. Lento, é certo, mas não um lento maçante. Antes um lento que nos delicia e faz saborear a história como ela deve ser saboreada. Como um chocolate quente e cheio de natas numa noite gelada de inverno. Neste quesito, dedico um louvor particular ao trabalho de tradução; como vem sendo hábito, o trabalho de Jorge Candeias faz jus às qualidades da autora.

“Robin Hobb consegue fazer-nos sofrer, vibrar e conhecer um homem, personagem fictício, como poucas vezes conhecemos pessoas que vivem connosco no dia-a-dia.”

O Assassino do Bobo tem todos estes ingredientes e mais alguns. Um livro com mais de 600 páginas, praticamente todo ele passado na mesma casa / propriedade e com um lote restrito de personagens, e mesmo assim consegue maravilhar com dezenas de acontecimentos, de assaltos a mortes e nascimentos, mas acima de tudo com as dúvidas e inseguranças de um homem que nós, leitores, conhecemos desde a infância.

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Fonte: http://www.telegraph.co.uk/culture/books/bookreviews/11048552/Fools-Assassin-by-Robin-Hobb-review-high-art.html

FitzCavalaria conseguiu finalmente voltar para Moli, reconquistá-la depois de anos entregue aos braços de Castro. Fixos em Floresta Mirrada com os filhos dela e com a velha Paciência, o casal parece mais feliz do que nunca, muito embora tenham que enfrentar uma dura realidade. Os anos passaram por eles. Especialmente por Moli, uma vez que uma cura da magia hereditária chamada Talento mitigou a dureza dos anos no corpo de Fitz.

A vida parece correr de feição para o casal, mas o espetro de Torre do Cervo e das redes de espiões do Trono Visionário ainda paira sobre eles, principalmente agora que Urtiga, a única filha de Fitz e Moli e legítima proprietária de Floresta Mirrada, se tornou Mestra do Talento no Castelo de Torre do Cervo. Paralelamente a isso, o antigo assassino tem ainda de lidar com as idiossincrasias dos seus muitos empregados, e a forma como eles o encaram e respeitam, agora que todos o conhecem como Depositário Tomé Texugo.

De um repente, todas as tramas parecem voltar a conduzi-lo para lá. Um aprendiz de assassino chamado Lante é visto como pouco qualificado para essa tarefa por Breu, e cabe a Fitz vir a protegê-lo e arranjar-lhe utilidade. Urtiga continua a tratar Fitz com mais frieza do que a relação de um pai e de uma filha devia impor, enquanto Enigma se estabelece cada vez mais como o grande amor da jovem e um verdadeiro amigo para o pai desta, conquanto as decisões deste não a embaracem.

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Fonte: https://robinhobb.deviantart.com/gallery/50931509/Fitz-and-the-Fool

É nas relações humanas que Hobb expande o seu mundo, deixando-nos curiosos com os povos e acontecimentos que são apenas abordados para nos fazer morder o anzol, porque sabemos que mais tarde ou mais cedo eles irão emergir na trama para virar o mundo de Fitz novamente ao contrário e arrancá-lo da realidade para mais uma demanda impossível em que será, queira ou não, o protagonista. A autora californiana conhece o seu Fitz como ninguém, e também parece não cansar-se de fazê-lo sofrer.

Todo um espetro do passado de Fitz volta à tona, quando personagens morrem, quando outras que não davam sinais de vida há décadas surgem num roldão de novas tramas, perspetivas e tarefas. Até personagens que haviam morrido ressurgem nas recordações, nos sonhos e nos sentidos. Cheiros, sensações e detalhes saltam de cada página com uma intensidade e verosimilhança notáveis.

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Fonte: https://vernichtenalles.deviantart.com/favourites/68210557/Robin-Hobb-Fan-Art

Robin Hobb consegue fazer-nos sofrer, vibrar e conhecer um homem, personagem fictício, como poucas vezes conhecemos pessoas que vivem connosco no dia-a-dia. Cada tonalidade de personalidade, cada reserva, cada vertente emocional, cada detalhe da sua pessoa. Arrisco-me, no entanto, a dizer que FitzCavalaria está longe de ser a única razão por que esta saga é incrível. Abelha, Moli, Urtiga, Breu, Enigma, Esquiva, Lante, Kettricken, assim como o enigmático Bobo, são todas elas bem construídas, que encantam pela credibilidade com que são pinceladas.

“A relação entre estes dois protagonistas transcende o amor romântico ou fraternal, porque o Profeta Branco e o Catalisador completam-se como um só.”

Olharmos para a história deste personagem, que vivemos na pele através da leitura dos livros anteriores, faz arrepiar. Faz-nos considerar as nossas próprias histórias e a dos nossos pais e avós, e pensar que a panorâmica com que as olhamos hoje pode não estar nem perto daquela que eles vivenciaram. A forma como os filhos de Moli e de Fitz encaram Castro, por exemplo, aquela personagem que deu tanto a esta trama, pode ser tão confusa para eles como incrível para nós.

A forma como Hobb escreveu este livro também foi especial. Ao contrário de um salto de tempo abrupto, ela ofereceu-nos a passagem do tempo por Fitz como gradual, um pouco à imagem do que havia feito no primeiro volume de O Regresso do Assassino. De uma mensageira misteriosa num Festival de Inverno, até ao crescimento de uma criança que vem a ganhar tanto destaque como pontos de vista. Pela primeira vez, a trama não foi exclusivamente contada pelo protagonista, ainda que ele continue sempre atolado em problemas para resolver em simultâneo.

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Fonte: https://www.reddit.com/r/robinhobb/comments/32hyri/art_farewell_spoilers_assassins_quest/

Desenganem-se, porém, se pensam que a alusão ao Bobo no título é um logro. Visível ou não, sentimo-lo presente ao longo de toda a narrativa, sobretudo nos momentos em que Fitz mais parece sentir a sua ausência. A relação entre estes dois protagonistas transcende o amor romântico ou fraternal, porque o Profeta Branco e o Catalisador completam-se como um só. Especialmente estes dois.

Mas poderão as profecias do Bobo terem sido erradas? A questão do Filho Inesperado é abordada neste livro, questionando a exatidão das previsões do Profeta Branco e, mais especialmente, a sua interpretação. Mas, na verdade, tanto a filosofia do Bobo como a sua participação acabam por estar num segundo patamar neste livro, ganhando apenas destaque no final. O livro foca-se em Fitz e na sua família, assim como nas suas capacidades para lidar com ela e com pequenas trivialidades do dia-a-dia.

“O final de O Assassino do Bobo foi qualquer coisa que me surpreendeu.”

As relações com personagens do passado também se alteraram, conforme elas amadureceram ou se separaram. Podemos não ver Esporana ou Eliânia, ter breves vislumbres de Respeitador e Obtuso, e ver a relação filial de mentor e aprendiz entre Fitz e Breu a tornar-se uma quase inimizade quando o instinto protetor que há no assassino o vê como ameaça, mas os laços que os ligam a todos estão lá e movem-se subtilmente, fazendo-se sentir nos momentos mais determinantes. Abelha, a maior adição à trama, é uma lufada de ar fresco por que, penso, ninguém podia estar à espera.

Sem título
Fonte: https://www.pinterest.com/marleenmonique/robin-hobb/

O final de O Assassino do Bobo foi qualquer coisa que me surpreendeu. E deixou-me de água na boca, tantos foram os mistérios que ficaram por resolver. Ficou não só a vontade de descodificar todos os mistérios, como de ver o discorrer daqueles acontecimentos a materializar-se. A interpretação dos Servos sobre Abelha, a génese de Esquiva e Lante e a verdade sobre o Bobo são questões pendentes que me fazem querer o segundo volume, A Revelação do Bobo, o quanto antes.

Abstenho-me a revelar pormenores sobre a trama porque acredito que a experiência de leitura deste livro pode ser tremendamente afetada por eles. A grande magia deste volume em particular, para além de tudo o supracitado, é irmos sendo surpreendidos com as mais incríveis mudanças que vão acontecendo no transcorrer do livro. E sim, apesar do ritmo aparentemente lento, elas estão sempre a acontecer. Estamos a falar de um livro lindíssimo, e tudo o que ele me inspira é ternura.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 10/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

 

A Divulgar: Robin Hobb em Portugal em 2018

Foi no passado sábado, dia 28 de outubro, que a Edições Saída de Emergência divulgou, em pleno Festival Bang!, que a convidada do próximo ano será Robin Hobb, uma das autoras de fantasia mais aclamadas em todo o mundo. A autora californiana, divulgou num vídeo a vontade de estar com os fãs portugueses, numa data ainda a definir.

Depois de, no passado fim de semana, a autora Anne Bishop ter feito sucesso no Pavilhão Carlos Lopes, naquela que foi a primeira edição do Festival Bang!, resta esperar por mais informações sobre a edição de 2018, que trará até nós a autora das séries Saga do Assassino, Saga O Regresso do Assassino e Saga O Assassino e O Bobo, publicadas no nosso país pela Edições Saída de Emergência.