Vamos Viajar Com Robin Hobb: Conhece o Novo Desafio NDZ

Sem título-003

Sabes aquele momento em que as constelações se posicionam todas numa cunha e conspiram para seguires naquela direção? Pois é, a trama das estrelas pôs-me ao caminho e eu tomei a liberdade de seguir a dica. O Assassino do Bobo, o primeiro volume da terceira Saga do Assassino de Robin Hobb está já em pré-venda e será lançado em Portugal dia 19 de maio.

Então, e uma vez que eu terminei há pouco tempo o livro O Regresso do Assassino (Fool’s Errand) e irei em breve começar o segundo livro da segunda série – Os Dilemas do Assassino em português -, sabendo que muitos já leram esta saga e estão em pulgas para ler O Assassino do Bobo (Fool’s Assassin), decidi criar um desafio relacionado com a autora Megan Lindholm, mais conhecida no mundo da fantasia como Robin Hobb.

Em que consiste este desafio?

Durante dois meses, todos os que queiram participar terão de ler pelo menos um livro da autora e enviar-me o comentário ao mesmo, que publicarei num artigo especialíssimo. Não haverá vencedores nem vencidos, mas se alguém quiser participar terá mençãos de honra aqui no blogue e poderá habilitar-se a um sorteio. E agora é aquele momento em que vocês dizem “Nuno, estás com febre? Tu não és nada disso”, e eu respondo que será uma exceção à regra. Mas pormenores acerca disso só revelarei mais tarde.

Tenho ainda a vontade de realizar um encontro com os participantes (ou pelo menos com alguns) na Feira do Livro de Lisboa, que decorrerá entre 1 e 18 de junho no Parque Eduardo VII, o que será organizado mais para o final do mês. Agora, para que o desafio “Vamos Viajar com Robin Hobb” funcione, terão de participar.

Sem título
Ilustração da capa Assassin’s Fool

Como posso participar?

Para a inscrição no desafio, basta falares comigo, através de mensagem privada no facebook ou comentar aqui no blogue. Basta que leias um livro de Robin Hobb para estares incluído no passatempo. Irei postar todas as atualizações relevantes aqui no blogue, mas também na minha página e no grupo do blogue no facebook. Por isso, fica atento.

Quando irá decorrer o desafio?

Tens muito tempo para participar no desafio, e não precisas “alistar-te” logo de início. O passatempo decorrerá entre 8 de maio e 8 de julho, pelo que haverá muito tempo para ler Robin Hobb, com a maior calma. Junta-te ao “Vamos Viajar com Robin Hobb” e degusta da escrita maravilhosa da autora o tempo que te aprouver.

Sem título
Robin Hobb (Fonte: Agnes Meszaros em Fantasy-Faction Fantasy Books Discussion)

O que posso ganhar?

Para além de ganhares uma leitura proveitosa com a bela escrita da autora californiana, poderás ganhar boas conversas e interações sobre Fitz e as suas aventuras. Se concluíres a jornada, poderás ver o teu comentário promovido aqui no blogue, e, quem sabe, habilitares-te a um sorteio [façam figas, sou novo nisto]. Acima de tudo, espero que te possas divertir connosco e com os meninos da Hobb!!

Que livros posso ler?

Qualquer um que a autora tenha escrito com o pseudónimo Robin Hobb, seja em português, português do Brasil, espanhol, francês, italiano ou inglês. Em baixo tens uma lista dos livros publicados em Portugal, e um gráfico dos livros originais já publicados pela autora.

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga O Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo (lançamento 19 de maio)

Sem título

Sou uma menestrel. Sei mais sobre mentir do que tu alguma vez descobrirás. E os menestréis sabem que por vezes é de mentiras que um homem mais precisa. Para fazer delas uma nova verdade.

Junta-te ao NDZ e ao desafio “Vamos Viajar com Robin Hobb” e lança-te comigo numa aventura pelos Seis Ducados, cheia de conversas interessantes e momentos de leituras únicas. Conto contigo!

Anúncios

Especial: 7 Pais Que o Mundo da Fantasia Não Esquecerá

Dia 19 de março é o 78.º dia do calendário gregoriano. O dia em que a dinastia Sung terminou na China, a Suécia assinou a paz com Münster e os irmãos Lumiére filmaram o seu primeiro filme. É também o dia dedicado pela Igreja Católica a São José de Nazaré, esposo de Maria e pai de criação de Jesus Cristo. Por essa razão, foi estipulado como o dia internacional do pai.

Em homenagem a todos os pais, venho fazer um artigo dedicado àqueles que, embora ficcionais, deixaram um sentimento de afeição e calor paternal a todos os que os conheceram, através dos mais diversos livros de fantasia. São 7 pais que o mundo da fantasia não esquecerá. Personagens memoráveis que permanecerão na memória coletiva dos fãs do género. Se ainda não conheceste algum deles, do que estás à espera?

Sem título
Denethor (Tiziano Baracchi)
DENETHOR

O pai de Boromir e Faramir, em O Senhor dos Anéis, famigerada trilogia de J. R. R. Tolkien, não é o melhor exemplo de um pai extremoso. Filho de Ecthelion II, foi Mordomo de Gondor, a posição de regência da nação humana nos tempos em que aguardaram pelo Rei prometido. Denethor II casou com Finduilas, a filha de Adrahil de Dol Amroth, e do seu matrimónio nasceram Boromir e Faramir.

A predileção de Denethor pelo primogénito, Boromir, era evidente. Por sua vez, desdenhava do filho mais novo, que era muito próximo de Gandalf. A morte do filho mais velho tornou-o ainda mais céptico em relação a Faramir, que ainda assim viria a substituí-lo como regente de Gondor. Durante algum tempo, Denethor usou a bola Palantír, o que tornou mais frágil e o levou à loucura. Já debilitado mentalmente pela morte de Boromir, e ao julgar que também Faramir estava condenado, este pai viria a falecer ao queimar-se com a Palantír nas mãos durante o Cerco de Gondor.

Sem título
Príncipe Cavalaria (Myblack em deviantart)
PRÍNCIPE CAVALARIA

Apesar de a narrativa se iniciar com este personagem morto, a Saga do Assassino de Robin Hobb não seria a mesma se ele não tivesse existido. O Príncipe Cavalaria era o substituto natural do Rei Sagaz no trono dos Seis Ducados, uma vez que era o filho mais velho. Tendo como irmãos os príncipes Veracidade e Majestoso, Cavalaria era respeitado por todos e visto como um homem de valores e princípios. Daí que tenham sido surpreendentes os boatos e a confirmação de uma traição e da existência de um bastardo. Trata-se de Fitz, o protagonista da história.

Cavalaria assumiu a traição e colocou à disposição o seu lugar hereditário, pelo constrangimento que isso conferia ao reinado e à esposa. O príncipe era casado com a Dama Paciência, que nunca lhe havia conseguido dar filhos. Por conseguinte, após o seu desaparecimento, Paciência criou Fitz como o protocolo exigia, ainda que tenha vindo a ser Castro, um bom trabalhador e lealista ao príncipe, a vestir a pele de progenitor.

Sem título
Steven Deschain (Towerwikia)
STEVEN DESCHAIN

O pai de Roland, o protagonista da saga A Torre Negra de Stephen King, foi um pistoleiro bastante poderoso na terra de Gilead. Era um descendente de Arthur Eld, o ancestral que fundara aqueles domínios e uma clara alusão ao célebre Rei Artur do Ciclo Bretão. Filho de Deirdre e Alaric Deschain, Steven era um líder entre os pistoleiros.

Casou-se com Gabrielle, de quem viria a ter um filho, Roland. Apesar de tentar formar o filho nas leis dos pistoleiros, Roland revelou-se uma desilusão, acabando por derruir todas as suas expectativas. Na verdade, Roland descobrira que a mãe e um dos seus homens de confiança, Marten Broadcloak, eram amantes. Tentou alertar o pai para a traição, mas este nunca lhe deu ouvidos, o que resultou na sua morte. Roland, porém, regeu-se durante toda a vida pelos seus conselhos, e uma das suas máximas é: não te esqueças do rosto do teu pai.

Sem título
James Potter (Michelle Winer)
JAMES POTTER

Criado por J. K. Rowling, James é o pai de Harry Potter na famosa série de fantasia com o mesmo nome. Estudou em Hogwarts com aquela que viria a ser a sua esposa, Lilian, e os seus melhores amigos eram Sirius Black, Remus Lupin e Peter Pettigrew. Sempre fora apaixonado por Lilian, embora ela mostrasse especial predileção pelo seu amigo Severus Snape.

James e Lilian casaram após saírem de Hogwarts, vindo a juntar-se à Ordem da Fénix onde revelaram um papel fundamental no apoio a Dumbledore. Posteriormente, teriam o seu único filho, Harry, que viria a tornar-se uma peça capital para a salvação da Ordem e da própria escola de magia. Tal como a esposa, James viria a ser morto pelo terrível Lorde Voldemort.

Sem título
Ned Stark (io9)
NED STARK

Quem gosta de fantasia não esquece Ned Stark, o pai que todos gostariam de ter se vivessem em Westeros. Um dos protagonistas do volume inaugural das Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin, Eddard “Ned” Stark foi sempre um homem íntegro e valoroso, de educação firme e mão de ferro. Apesar disso, ou também por isso, nunca deixou de amar os filhos e tratá-los com afeto e preocupação.

O patriarca dos Stark casou com Catelyn por amor, e ainda que todos julgassem que traíra a esposa e que dessa traição nascera Jon Snow – que viria a criar à sombra dos restantes filhos – Ned escondera um segredo terrível envolvendo a sua irmã Lyanna. Muito provavelmente, Ned manchou a sua honra para proteger a irmã. Ainda assim, a suposta traição foi perdoada por Catelyn, mesmo que esta nunca aceitasse o bastardo. Ned Stark foi vítima de uma armadilha cruel e morreu precocemente, mas todos nos recordamos da sua presença terna e da extrema afeição para com os filhos Robb, Jon, Sansa, Arya, Bran e Rickon.

Sem título
Arliden e Laurian (Corade Laurian em deviantart)
ARLIDEN

Arliden, o Bardo, é um personagem importante das Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss. Pai do protagonista, Kvothe, tem destaque no primeiro terço do livro O Nome do Vento, revelando-se um Edema Ruh de renome, famoso pelas suas cantigas de maldizer e por liderar uma trupe que se passeia de terra em terra para entreter os locais.

Esposo de Laurian, a filha de um nobre, é descrito pelo próprio filho como o melhor cantor e ator que este já viu. Dono de um humor mordaz e de feições afáveis, Arliden educou Kvothe com o máximo de subtileza e profundidade, vindo a preocupar-se com o dom inusitado do filho em aprender rapidamente. Em busca de uma nova música, Arliden colige vários relatos sobre o mito do Chandrian, o que vem a despertar atenções e resulta na sua morte, bem de como a da esposa.

Sem título
Jaime Lannister (Amok)
JAIME LANNISTER

Sei que já falei nas Crónicas de Gelo e Fogo, mas o Regicida é outro pai de quem nos lembramos facilmente. Ele teve três filhos com a sua irmã Cersei Lannister, ainda que estes tivessem sido criados por outro: o ébrio e fanfarrão rei Robert Baratheon.

Desde muito cedo que Jaime e Cersei estabeleceram uma relação de afinidade a roçar o erótico. Os irmãos sempre foram obcecados um pelo outro, da mesma forma que foram por si mesmos. Viram-se como o espelho um do outro – o espelho da perfeição. Apesar de nunca se preocupar em educar Joffrey, Tommen e Myrcela, Jaime sempre soube que eram seus filhos e, quando a vida levou um revés e o tornou mais humano, o que coincidiu com a perda de uma mão e a morte do filho mais velho, Jaime revelou-se mais preocupado com os outros filhos e com o real significado da palavra pai.

E vocês, têm algum “pai de estimação” no mundo da fantasia?

TAG – Carnaval Literário

Boa tarde! Hoje trago-vos uma TAG literária propícia à quadra. É a TAG – Carnaval Literário e e todos estão convidados a fazer a sua. Vamos ver o que me vai calhar. :p

#1 O melhor carro alegórico

Um livro que todos adoraram, tu estavas com medo de ler e acabaste por cair no hype

Sem título

O Império Final é, definitivamente, um livro que eu tinha a certeza que ia odiar antes de ler. Felizmente Brandon Sanderson trocou-me as voltas e embora Mistborn tenha as suas falhas, é uma saga que recomendo a todos os amantes de boa fantasia.

#2 A vida são dois dias, mas o Carnaval são três

Um livro que lias, lias, lias, e parecia nunca mais acabar

Sem título 2

O quarto livro da Saga do Assassino de Robin Hobb, A Vingança do Assassino, foi uma verdadeira indigestão. Sequências lentas repetiram-se umas atrás das outras, e apesar de não ter desgostado do livro no seu todo (e confesso já ter saudades da saga), foi um volume de tamanho médio que demorei muito tempo a ler.

#3 Camarote VIP

Um livro que leste antes de virar moda

sem-titulo

Bem, não posso dizer que fui um pioneiro na leitura de A Guerra dos Tronos (nem pouco mais ou menos), mas li-o mal saiu a primeira temporada da série de televisão e o hype ainda não era nada comparado ao que se tornou.

#4 Atrás da multidão

Um livro que “toda a gente leu” e tu ainda não

sem-titulo

A par das séries de Peter V. Brett e Robert Jordan, Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss é uma das mais famosas que ainda não tive o privilégio de ler. Apesar de já ter lido um conto de Rothfuss que não me convenceu, espero que este seja o ano em que finalmente leia O Nome do Vento.

#5 Loucura Total

Um livro que todos te aconselharam e… não gostaste

sem-titulo

Sandman, de Neil Gaiman, é uma das obras mais consensuais dentro do universo das bandas-desenhadas. Apesar de não ter gostado do primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, insisti na leitura e li toda a série. Não conseguiu agradar-me por aí além em nenhum momento, mas reconheço o seu mérito.

#6 Terça-Feira é o último dia

Um livro que chegou ao fim, mas querias que não acabasse ali

Sem Título

Sem dúvida um dos meus livros preferidos de sempre, República de Ladrões de Scott Lynch não conseguiu atingir o patamar de excelência do primeiro volume da sua série, As Mentiras de Locke Lamora, mas ainda assim deixou-me com aquele gostinho de “quero mais” pela chuva de expectativas que o final deixa para o quarto volume.

#7 Depois do Carnaval, a ressaca

O livro que te deixou com a maior ressaca literária

sem-titulo

O último livro das Crónicas de Gelo e Fogo. Pois é, senhor Martin. Temos muito que falar. Deixar os leitores anos e anos à espera para saber o que aconteceu, quando os protagonistas da saga estavam em situações críticas, é mau demais. Os Reinos do Caos deixou-me de ressaca até hoje.

Sintam-se à vontade para participar e responder à TAG – Carnaval Literário.

A Demanda do Visionário, A Saga do Assassino #5

Sou uma menestrel. Sei mais sobre mentir do que tu alguma vez descobrirás. E os menestréis sabem que por vezes é de mentiras que um homem mais precisa. Para fazer delas uma nova verdade.

O texto seguinte contém spoilers do livro “A Demanda do Visionário”, quinto volume da série A Saga do Assassino

Assassin’s Quest é o terceiro e último volume da primeira saga do assassino FitzCavalaria, da autora Robin Hobb. Em Portugal, as duas sagas publicadas foram divididas, sendo que este quinto volume compreende a segunda metade do terceiro livro original.

A Demanda do Visionário narra os eventos desde que Esporana, Panela e Olhos-de-Noite salvaram a vida a Fitz, que havia sido enclausurado por homens de Majestoso. Enquanto deixa Panela e Esporana seguirem o seu caminho, para as proteger da caça de que é alvo, Fitz segue com o seu lobo, mas acaba por sofrer uma emboscada e ficar gravemente ferido. É quando acorda que percebe encontrar-se nos domínios da Montanha, onde Kettricken se escondeu, mas também reencontra velhos amigos. Kettricken, Bobo, Breu, e até mesmo Panela e Esporana, que seguiam viagem em busca do Profeta Branco.

sem-titulo
Fitz (Jess McNoodle em deviantart)

Fitz depressa percebe que Esporana falou mais do que devia, contando os segredos sobre a filha a Breu, que logo coloca como prioridade colocar a pequena Urtiga no trono, como herdeira direta da linhagem Visionário. Breu viaja para Torre do Cervo, mas os que ficam acabam por também ser obrigados a empreender uma viagem. Com as feridas saradas, Fitz percebe que o Reino da Montanha está em vias de ser atacado, e o tempo urge. Como tal, está na hora de voltar a seguir o chamamento e ir em busca de Veracidade. 

Kettricken decide ir com ele, uma vez que perdeu o bebé e nada mais a prende à vida do que encontrar o marido vivo e contar-lhe a fatalidade ocorrida. Bobo, Olhos-de-Noite, Panela e Esporana acompanham-nos, empreendendo uma longa jornada. Durante o caminho, vários são os percalços que têm de enfrentar, principalmente os desafios colocados por Majestoso através dos seus círculos de Talento. Fitz percebe que o Profeta Branco que Panela procurava é Bobo, que se manifesta frequentemente doente e exibe várias mutações desde que deixou Cervo.

É na pedreira onde encontram Veracidade, velho e cansado, a esculpir rocha, que grande parte da ação deste livro acontece. Ali percebem quem são os Antigos, como fazê-los voltar à vida e como Veracidade pretende sacrificar-se para erradicar tanto Majestoso como os terríveis Navios Vermelhos. Panela ajuda-o nessa tarefa, pois revela ter participado, ela mesma, de um círculo de Talento. Kettricken sofre com a apatia do marido, mas depressa percebe que ele foi obrigado a colocar todos os seus sentimentos na escultura de pedra, para dar-lhe vida. 

Vários são os dilemas e reveses, até que, graças ao Talento de Fitz, Veracidade, Panela e a escultura tornam-se um só e a estátua ganha vida, tornando-se um dragão. Kettricken e Esporana montam-no, rumando a Cervo, para enfrentar os Navios Vermelhos e os salteadores. Quebrado por perceber que a mulher que ama e o homem que sempre viu como um pai estão juntos como casal, Fitz enfrenta os exércitos de Majestoso, controla o rei através de Vontade e afasta-se com o seu lobo, para levar uma vida de eremita. Vários dragões seguem Veracidade, trazendo a paz aos Seis Ducados.

Sem título 2
Capa Saída de Emergência
SINOPSE:

O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte.
Fitz sabe que a única forma de por fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo. Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo.
Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda?

OPINIÃO:

Posso dizer claramente que este foi o melhor livro dos cinco publicados em português. A ação continuou lenta, mas desta vez muitos mais foram os acontecimentos que se desdobraram, uns após os outros, para dar sentido a tudo o que ficou para trás, assim como ao final imprevisível da saga. 

Com várias revelações importantes, ficamos a conhecer o destino de alguns personagens que nos tinham acompanhado ao longo dos livros, como Fitz, Moli, Castro, Breu, Bobo, Kettricken, Majestoso ou Veracidade. Esporana e Panela, que tinham surgido no último livro quase como remendos narrativos, também acabaram por fazer sentido e ter o seu destino bem definido. O final pouco “cor-de-rosa” agradou-me, e algumas frases de efeito provaram a maturidade da autora e um realismo satisfatório.

sem-titulo
Dragões de Pedra (pinterest)

Podia apontar a forma como os Antigos são feitos, ou mesmo a existência de animais mitológicos, como defeitos. Apesar do cliché em fantasia, a forma como eles surgiram foi bastante original, ainda que irreal (ou um pouco forçada). Assim como a narração final de tudo o que aconteceu em Cervo e na luta contra os salteadores, que podia ter sido mais explorada, ou, pelo menos, levar mais um capítulo ou dois a mostrar o que aconteceu. O estilo utilizado, uma narração pela rama, no entanto, fez sentido. Não só o protagonista e narrador não estava presente, como a ideia que fica em todo o livro é que o importante não é como a história termina. O importante é o percurso que é levado até lá. Nesse sentido, apesar de os seus livros serem lentos e cansativos, Robin Hobb teve mérito. Lerei a segunda série, mas não para já.

Avaliação: 8/10

A Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Soberano

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

 

A Vingança do Assassino, A Saga do Assassino #4

Agora compreendo por que temos de os matar a todos, disse ele calmamente. Se não matarmos, nunca nos deixarão em paz. Temos de os perseguir até ao covil onde se escondem e matá-los a todos.

Era o único conforto que ele podia oferecer-me.

O texto seguinte contém spoilers do livro “A Vingança do Assassino”, quarto volume da série A Saga do Assassino

Robin Hobb, pseudónimo da autora Margaret Ogden, escreveu várias sagas literárias narrando a vida de FitzCavalaria, estando publicadas em português somente as duas primeiras trilogias, cada uma dividida em cinco volumes. Publicado pela Saída de Emergência em 2010, A Vingança do Assassino é a primeira metade do terceiro volume da primeira trilogia, intitulado Assassin’s Quest, originalmente publicado em 1997.

Neste volume, assistimos aos eventos que se sucederam à suposta morte de Fitz às mãos de Majestoso, depois deste usurpar o trono dos Seis Ducados ao próprio pai. Com a morte do Rei Sagaz e o desaparecimento de Veracidade, Majestoso viu o caminho aberto para o trono, sacudindo culpas e semeando intrigas e boatos. O dom da Manha exibido por Fitz foi narrado como uma habilidade monstruosa, em que o filho bastardo de Cavalaria adquiria traços de um lobo horrível, enquanto Kettricken, a esposa de Veracidade, era considerada uma feiticeira selvagem e Breu, o mentor de Fitz e irmão de Sagaz, uma personificação do mitológico e aterrador Homem Pustulento.

sem-titulo
O Assassino (wallpapers craft)

Fitz foi espancado até à morte, mas mesmo em cadáver obteve os cuidados de Paciência, que lhe tratou das feridas antes de ser conduzido à sepultura. Após o enterro, Breu e Castro procederam a um ritual que devolveu Fitz à vida, com recurso à magia da Manha. Como consequência, Fitz regressou com comportamentos animalescos, por conta da sua ligação ao lobo Olhos-de-Noite. Pouco a pouco, Castro recuperou o homem que existia nas profundezas de Fitz, e fê-lo recordar-se de tudo o que lhe acontecera. Voltando a si, Fitz apenas tinha uma ideia em mente: vingar-se de Majestoso. Separado de Castro e Breu, seguiu o seu próprio caminho, mas quando a cabana onde se escondia foi atacada por Forjados, viu-se obrigado a fugir. Mais tarde, descobriu que Castro regressara à cabana e, ao encontrar um Forjado com o seu tamanho e roupas, com o alfinete que lhe pertencera, pensou que Fitz tinha, desta feita, morrido de vez. Através da magia do Talento, Fitz descobriu também que Moli era a amiga que Castro dizia proteger, e que ela teve uma filha, fruto do amor que os uniu.

A demanda até Vaudefeira, onde Majestoso se escondia, reservou imensos percalços, levou-o a cruzar-se com Forjados, com uma família de músicos e com Rolfe Preto, um manhoso que o informou melhor sobre a magia da Manha. Contando apenas com a ajuda do seu lobo, Olhos-de-Noite, Fitz chegou finalmente ao Palácio de Majestoso, mas falhou na tentativa de o matar e ainda desvendou a sua identidade, o que apenas fez aumentar os boatos sobre a sua monstruosidade. Veracidade entrou em contacto com Fitz através da magia do Talento, revelando estar vivo algures para lá das Montanhas, e chamou-o para si.

A ligação mostrou-se mais forte que a sede de vingança por Majestoso ou o amor por Moli. Novos empregos, peripécias e a amizade com uma menestrel chamada Esporana levaram-no a cruzar o caminho que o conduzia às Montanhas, fazendo-o cruzar-se com Dardo, um antigo inimigo, Nico, um contrabandista, e Emaranhado, um dos mágicos do Talento às ordens de Majestoso. Com a ajuda de Esporana, Olhos-de-Noite e uma velha chamada Panela, Fitz enfrentou o ódio do seu maior inimigo.

Sem título 2
Capa Saída de Emergência
SINOPSE:

FitzCavalaria renasce dos mortos graças à magia desprezada da Manha, mas a sua fuga das garras da morte deixou-o mais selvagem do que humano. Os seus velhos amigos têm que ensiná-lo a ser um homem de novo, e depois deixá-lo escolher o seu próprio destino. Incapaz de esquecer a tortura a que foi submetido às mãos do príncipe usurpador, Fitz planeia vingança enquanto recupera a sua alma e sanidade. Até ao momento em que o seu verdadeiro rei o chama para o servir numa missão misteriosa com consequências inimagináveis.Numa terra arruinada pela ganância e crueldade onde Fitz se tornou uma lenda temida, ele fará tudo para restaurar a verdadeira regência nos Seis Ducados. Mas primeiro terá que escapar dos seus inimigos que lhe movem uma perseguição sem quartel… Não perca mais um excecional volume da Saga do Assassino recheado de emoção, magia pura e personagens memoráveis.

OPINIÃO:

Ainda não foi desta que Robin Hobb me conquistou. A ação lenta e repetitiva levou-me a ler este livro de 400 e poucas páginas durante mais de um mês. As peripécias pareciam reproduções umas das outras. Personagens apareciam apenas para encher páginas sem nada de prazeroso ou entusiasmante nas suas cenas, sem nada a adiantar à trama. As descrições eram demoradas e sem relevo.

As cenas de ação sucediam-se, mas pareciam padrões de azulejos, iguais umas às outras. A cena mais aguardada aconteceu rapidamente, sem nenhum confronto especial, sem o embate que se esperava ou qualquer acontecimento que surpreendesse. Soou forçada a forma como o objetivo de Fitz tornou-se seguir um personagem, de um momento para o outro, por meio de um chamamento mágico.

Ficou evidente que a autora chegara ao clímax do livro muito antes do esperado, e que optou por esse meio menos natural para chegar onde queria. Este livro podia ter sido cortado pela metade, sem perder um pingo de qualidade. Desconcerta-me pensar que se trata apenas da primeira metade de um livro, no seu original. A nível de construção de personagens, continuo sem nutrir qualquer empatia pelo lobo de Fitz, Olhos-de-Noite, que me parece só uma criatura ciumenta e nada mais. A relação entre ele e o personagem principal, no entanto, foi muito bem desenvolvida.

sem-titulo
Fitz (epicfantasybooks)

Como fui afirmando ao longo da saga, nem tudo é mau. Neste volume desagradaram-me mormente as repetições de cenas, empregos, disfarces, seduções e dilemas, mas posso considerar a descrição de Robin Hobb genial. Para além da ótima escrita (ainda que pouco entusiasmante), a autora faz-nos acreditar naquele mundo. Tudo ali é credível, apesar da magia estar muito presente ao longo da história. Os personagens são bem descritos e ricos, embora alguns tenham ficado pelo caminho e espero que não tenham sido meros figurantes. Esta é a primeira metade de um último livro de trilogia, mas parece antes o primeiro livro de uma nova aventura, pois tudo foi mais explorado e diferente dos primeiros livros da saga. Confio que a segunda metade (o quinto volume) seja mais fluída e aliciante.

Pela qualidade de escrita e de credibilidade apresentadas, custa-me dar uma pontuação tão baixa, mas foi um livro extremamente chato de ler.

Avaliação: 6/10

A Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Soberano

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

TAG – A Seleção

Viva! Chegamos ao novo semestre e antes de sair a primeira review, nada melhor do que responder a mais uma TAG. Aqui vai:

#1 Qual o livro que mais queres ler?

Sem Título

Tenho muita vontade de ler Lâmina de Joe Abercrombie este ano, mas só depois de terminar algumas séries que estão pendentes.

#2 O melhor livro que leste nos últimos anos

Sem título

Esta nem se questiona. O primeiro volume de Cavalheiros Bastardos de Scott Lynch foi uma surpresa enorme, e os volumes seguintes não me desiludiram.

#3 O livro que mais te desiludiu

Sem título

Podia falar de Pedro Chagas Freitas, mas se fosse por aí tinha muito que falar. Zafón foi um autor que ouvi falar muito bem, de tal modo que fiquei extremamente desiludido quando peguei em O Palácio da Meia-Noite e encontrei uma escrita extremamente juvenil, assim como uma história completamente banal e fantasiosa.

#4 Qual é o teu personagem preferido

Sem Título

Alguns personagens ficam gravados na nossa memória e, por nenhuma razão em especial, lembro-me de Gimli de O Senhor dos Anéis quando me perguntam qual o personagem preferido. Esse personagem marcou uma fase da minha adolescência. Ainda assim, personagens como a incrível Miss Marple dos livros de Agatha Christie, Leigh Teabing de O Código DaVinci, Locke Lamora de Cavalheiros Bastardos e Jean Valjean de Os Miseráveis merecem a minha menção de honra.

#5 Qual a história mais marcante?

Feast

Poderia enumerar uma série de histórias. Os Pilares da Terra, Ivanhoe, Os Miseráveis, O Senhor dos Anéis. Cada história teve o seu sabor especial, em cada altura da minha vida, mas As Crónicas de Gelo e Fogo foram talvez aquelas que mais fomentaram o meu amor pela escrita e pelo género fantástico, uma história mais dramática e emocionante.

#6 Que história gostarias de viver?

Sem título

A saga A Torre Negra leva-nos até ao Mundo Médio, um lugar onde os descendentes do Rei Artur tornaram-se cowboys. Seria muito interessante acompanhar Roland nas suas aventuras em busca da profética Torre Negra, lutando contra demónios, vampiros e outras criaturas bizarras.

#7 A capa mais bonita da tua estante

Sem título

Apesar de os dois últimos volumes de Mistborn terem ficado um pouco diferentes dos primeiros, a coleção é das mais bonitas da minha estante em termos de lombada, e o primeiro volume, O Império Final, tem a capa que visualmente mais me agrada.

#8 A capa mais feia da tua estante

Sem Título

O Amigo Fritz. Não preciso de explicar porquê, ou preciso? É dos livros mais antigos que tenho em casa, apesar de ser muito bem estimado.

#9 O teu livro preferido de sempre

Rebecca

Não é nenhum fenómeno literário, nem sequer dos mais aclamados do autor, mas encantei-me com este livro de Ken Follett da primeira à última página. A história não é o seu maior atrativo. O clima de espionagem, a tensão sexual, o calor do Egito e a envolvente nazi conquistaram-me de tal modo, que A Chave para Rebecca é o livro que vem à minha memória quando penso em livro favorito.

# 10 O livro que estás a ler

Sem título 2

A Vingança do Assassino, quarto volume da Saga do Assassino de Robin Hobb. Está a ser uma leitura um tanto ou quanto demorada, mas espero terminá-lo em breve.

Sintam-se à vontade para comentar e responder à TAG – Seleção.

 

 

 

Resumo Trimestral de Leituras #4

Chegamos ao fim do ano e, mais do que o habitual resumo trimestral de leituras, exige-se um breve resumo de tudo o que li este ano. Foi um ano excelente, em que consegui ler mais do que imaginava e livros que tinha vontade de conhecer há muito tempo.

Aqui vai a “listinha” :p :

Lisboa no ano 2000 – Org. João Barreiros
O Espião que Saiu do Frio – John le Carré
O Coração é um Predador Solitário – João Barreiros
O Saque de Lampedusa – João Barreiros
A Cativa, Wulfric #1 – Manuel Alves
Mares de Sangue, The Gentleman Bastards #2 – Scott Lynch
Exhalation – Ted Chiang
Suspeito – Robert Crais
Os Anjos Não Têm Asas – Ruy de Carvalho
A Lenda do Vento, A Torre Negra #4,5 – Stephen King
As Raparigas Cintilantes – Lauren Beukes
Operação Tolerância Zero, X-Men #65 – Scott Lobdell
Os Anos Perdidos, Merlin #1 – T. A. Barron
Coisas Frágeis – Neil Gaiman
The New Atlantis – Ursula K. Le Guin
Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett
Operação Tolerância Zero, Wolverine #13 – Scott Lobdell
Voo Nocturno – Antoine de Saint-Exupery
O Miniaturista – Jessie Burton
As Terras Devastadas, A Torre Negra #3 – Stephen King
As Cidades Invisíveis – Italo Calvino
O Monarca – Vassilis Vassilikos
Alice in Wonderland – Lewis Carroll
O Punhal do Soberano, Saga do Assassino #2 – Robin Hobb
Duna, Crónicas de Duna #1 – Frank Herbert
A Grande Matança, Sin City – Frank Miller
República de Ladrões, The Gentleman Bastards #3 – Scott Lynch
Cardiga: De Comenda a Quinta da Ordem de Cristo (1529 – 1630) – Luís Batista
Os Leões de Al-Rassan – Guy Gavriel Kay
A Rapariga no Comboio – Paula Hawkins
A Voz da Vingança, Tigana #2 – Guy Gavriel Kay
O Império Final, Mistborn #1 – Brandon Sanderson
A Sombra Sobre Lisboa – Org. Rogério Ribeiro
Lisboa Triunfante – David Soares
O Feiticeiro e a Bola de Cristal, A Torre Negra #4 – Stephen King
A Tumba – H. P. Lovecraft
A Corte dos Traidores, Saga do Assassino #3 – Robin Hobb
O Poço da Ascensão, Mistborn #2 – Brandon Sanderson
O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
Histórias de Aventureiros e Patifes – Org. George R. R. Martin e Gardner Dozois
A Celebração – H. P. Lovecraft
O Herói das Eras, Mistborn #3 Parte 1 – Brandon Sanderson
Tis The Season – China Miéville

Sem títuloEste último trimestre começou com a leitura de dois livros comprados a 5 euros na Feira do Livro do Porto. A Sombra Sobre Lisboa é uma antologia muito interessante, de vários autores portugueses e um ou outro internacional, que formaram contos inspirados na obra de H.P. Lovecraft passados na nossa Lisboa. Para mim os melhores contos foram as criações de João Seixas, João Barreiros e David Soares. Desde um Eça de Queirós a lutar contra zombies e um arroz de polvo feito do mítico Cthulhu, podemos encontrar de tudo. Logo depois li Lisboa Triunfante, de David Soares, e adorei. É um livro que atravessa Lisboa em todos os espaços temporais, começa a contar a história de um menino no neolítico, apresenta-nos vários personagens ao longo da história de Lisboa, como Aquilino Ribeiro, Sá de Miranda, Frei Gil Valadares, com papéis muito importantes na narrativa, e não como simples figurantes. Mas é um livro de fantasia, de imaginação, carregado de simbolismos, desde a Pré-História ao futuro, passando pelos templários. É uma amálgama de tantas histórias quase verídicas, nas quais não saímos alheios à pesquisa notável do autor, utilizadas para o seu proveito narrativo, que se interligam numa história rocambolesca. É que tudo gira à volta de uma raposa e de um lagarto, que interferem no destino do mundo desde a sua génese. Como podem ver neste post, elegi-o como o melhor romance que li este ano.

Sem títuloContinuei então a saga A Torre Negra de Stephen King com o quarto volume, O Feiticeiro e a Bola de Cristal.  É um livro que me deixa excelentes recordações e me dá vontade de continuar a saga, apesar de ter sido uma leitura cansativa, porque a história podia ter sido contada em metade das páginas. Pois, são 840 páginas, e a maioria é a contar uma história do passado do protagonista, uma história de amor no faroeste do Mundo Médio. No entanto, vamos percebendo que aqueles enredos tiveram uma razão de ser e o final deixou-me de água na boca. Também notei bastante que o autor estava um pouco perdido na narrativa por esta altura do campeonato. A Tumba é um conto de terror de H. P. Lovecraft. É extremamente envolvente e negro, mas em momento nenhum cheguei a sentir-me perturbado. Conta a história de um homem internado num asilo psiquiátrico, que em jeito de autobiografia fala da sua infância e com normalidade aponta as coisas “não vivas” que lhe despertavam interesse, em especial uma sepultura de família que ele venerava com uma obsessão doentia. Gostei bastante dos acontecimentos em torno dessa sepultura, mas fica no ar a incerteza sobre se o homem era louco ou se aquilo foi real. A Corte dos Traidores é o terceiro volume da Saga do Assassino da Robin Hobb. É uma saga passada num ambiente medieval, com personagens de nomes estranhamente pitorescos. A escrita de Robin Hobb é fluente e as relações humanas são extremamente bem retratadas, não é à toa que Hobb é chamada a Primeira Dama da Fantasia. Ainda assim, e apesar de este volume ter bem mais ritmo e acontecimentos de destaque em volta do protagonista Fitz, não consigo gostar muito da série.

Sem título 4Terminei Novembro com O Poço da Ascensão, segundo volume da saga Mistborn. Se O Império Final foi uma agradável surpresa para mim, O Poço da Ascensão já não gostei tanto, e os poderes “mágicos” da protagonista contribuíram para perder a credibilidade do mundo apresentado. Ainda assim, foi um livro muito interessante, com vários dilemas morais. Brandon Sanderson fez-me refletir bastante sobre relações humanas, de amor e amizade, mas acima de tudo os debates em volta da honestidade de um rei e no papel que ele deve ter fez-me lembrar o Príncipe de Maquiavel. A questão religiosa e a forma como a fé interfere no nosso modo de vida foi muito pertinente. Uma surpresa muito agradável foi O Retrato de Dorian Gray. Nunca vi o filme, mas adorei o livro. A história de um jovem aristocrata britânico idolatrado por todos graças à sua beleza, que o torna obcecado pelo superficial da vida e pelo prazer momentâneo. Uma experiência enriquecedora, porque tanto a escrita de Oscar Wilde como todas as críticas que ele apresentou de forma discreta fizeram imenso sentido para mim. Seguiu-se Histórias de Aventureiros e Patifes. Já queria ter esta antologia desde que foi publicada no Brasil. Organizada por George R. R. Martin, o autor de A Guerra dos Tronos, e com contos de autores como Neil Gaiman, Patrick Rothfuss e Scott Lynch, só podia ser um brilhante livro de contos. De facto, não foi tão brilhante como eu presumia, mas não deixou de ser uma leitura muito agradável. No conjunto, o conto de Lynch foi o meu preferido. Não conhecia o trabalho de Gillian Flynn, nem de Connie Willis, mas fiquei deliciado com as duas escritoras.

Sem títuloA Celebração (The Festival) é um ótimo conto de H. P. Lovecraft. Um sujeito encontra-se a revolver o passado da sua família e encontra um livro, o maligno Necronomicon, que o coloca numa espécie de transe que o conduz às catacumbas sob uma igreja, onde vive um mal muito antigo. É arrepiante a descrição pormenorizada dos rituais, das criaturas, da procissão. Adorei. Voltei a Brandon Sanderson para ler a primeira parte do terceiro volume original de Mistborn. Em O Herói das Eras, Vin e Elend estão mais unidos do que nunca, agora que ele finalmente revela todo o seu potencial. Os cenários mudam e o casal tenta manter o Império unido, ao mesmo tempo que precisam lutar contra o mal incorpóreo que libertaram no Poço da Ascensão. Nota-se um excelente desenvolvimento de personagens, as pontas estão a ser bem amarradas, mas ainda assim algumas explicações dadas pelo autor pareceram forçadas e as espécies criadas pelo Senhor Soberano desagradaram-me.  Tis The Season é um conto natalício do autor de ficção científica China Miéville. É passado num futuro em que tudo o que está relacionado ao Natal tornou-se marca registada de uma empresa. Ao mesmo tempo crítico e cómico, o conto fala-nos sobre um pai divorciado que, ao procurar uma prenda para a filha, ganha bilhetes para comemorar o Natal no centro de Londres. É aí que estala a confusão. Gostei bastante, este é um autor que só oiço falar muito bem e tenho pena de ainda não estar publicado em português. E assim termina o meu 2015 em termos literários. Um excelente 2016 para todos vós que seguem o meu blogue. 😀

 

A Corte dos Traidores, A Saga do Assassino #3

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Corte dos Traidores”, terceiro volume da série A Saga do Assassino

A primeira Saga do Assassino chega ao meio com a continuação das aventuras e desventuras do Príncipe Bastardo, FitzCavalaria. Robin Hobb é uma autora brilhante a contar histórias, já com três trilogias sobre a vida do jovem Fitz desde os seus primórdios.

sem-titulo
Fitz e Moli (deviantart)

A história é simples. Os Seis Ducados são governados pela família real sediada em Torre do Cervo, representada pelo velho Rei Sagaz, pai de três filhos: Cavalaria e Veracidade, da primeira mulher, e Majestoso, da segunda. Quando Cavalaria morre, o seu filho bastardo,Fitz, que foi criado pelo tratador de animais, é levado para o Palácio, onde Breu, meio-irmão do rei, o instrui nas artes do assassínio, para matar em nome do Rei.

Com o Rei Sagaz velho e debilitado, e Veracidade corroído pela energia gasta nos poderes mágicos chamados de Talento, o frívolo Majestoso aproveita para tentar impôr as suas decisões mesquinhas e tomar o lugar no trono. Quando Fitz se torna um obstáculo, torna-se também um alvo a abater. É neste contexto que o protagonista vive um rol de peripécias, navegando em dilemas morais sobre a sua paixão por Moli e a missão de Homem do Rei, tentando guiar a Rainha Expectante Kettricken, vinda das Montanhas, e fazer tudo para não deixar mal os homens que mais admira: Castro, Breu e Veracidade.

Sem título
Capa Saída de Emergência
SINOPSE:
Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca. Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.
Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.
Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.
 .
OPINIÃO:
.
O que dizer quando lemos um livro escrito de uma forma extremamente competente, com uma história credível e bem desenvolvida, personagens riquíssimos e trabalhados de modo notável… e não gostamos? Foi o que me aconteceu com este livro, que apenas veio solidificar a minha perceção que A Saga do Assassino não é o meu género. Por um lado, falta paixão na escrita. Para eu me sentir apaixonado por um livro, tenho de sentir que o autor também o escreveu de forma apaixonada.
.
Não digo que seja uma leitura aborrecida, porque os acontecimentos sucedem-se de forma bastante digna, e sentimentos como a injustiça, o dilema, o instinto de sobrevivência e o amor são aprofundados de forma bastante emotiva. Mas é uma escrita que em nenhum momento me fez vibrar.
.
sem-titulo
Ketricken, Fitz e Olhos-de-Noite, Molly e Bobo (Royal Assassin em deviantart)
.
Por outro lado, o cenário e os personagens são um pouco arquetípicos, a linguagem utilizada demasiado simples, e chego à conclusão que o meu problema com a saga é mesmo ela não ser o género de fantasia adulta e apaixonante, com o qual me identifico. Não digo, com isto, que é uma saga de inferior qualidade, ela é rica em debates morais e questões pertinentes. No entanto, também a vejo muito como uma novela mexicana disfarçada de fantástico.
 .
Recomendo a quem goste de fantasia mais medieval, feminina (apesar de ser uma história de homens) e até infantil. Neste momento tenho um ponto de interrogação sobre se continuarei a seguir a saga.
.
Avaliação: 6/10
.

A Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

O Punhal do Soberano, A Saga do Assassino #2

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Punhal do Soberano”, segundo volume da série A Saga do Assassino

Robin Hobb é uma das escritoras mais bem-cotadas no mercado internacional, no que concerne a literatura fantástica. As suas sagas seguem a vida de Fitz Cavalaria, o filho bastardo do Rei Expectante (o príncipe mais velho) de Torre do Cervo, Cavalaria. Com a sua morte, Fitz é convidado a entrar na referida torre, conhecendo a corte, os seus segredos e mistérios, tornando-se um bem sucedido espião e assassino. Em simultâneo, é obrigado a ocultar o seu invulgar dom da Manha, uma capacidade rara de estabelecer comunicação com os animais, capacidade esta que é vista com muitos maus olhos pela sociedade, retratando assim, desta forma, a problemática da discriminação.

Fitz tenta também melhorar as suas capacidades no Talento – um dom que alguns membros da nobreza treinam, que consiste em entrar na mente de outras pessoas -, e lutar contra os Forjados, pessoas sem alma, quase zombies, que são roubadas às populações pelos maléficos salteadores dos Navios Vermelhos. Neste segundo volume, Fitz torna-se um jovem adolescente, conhece o amor e amadurece no “jogo dos tronos” em Torre do Cervo.

Viagens à Lareira #6: Pois, adivinhava-se uma tarefa difícil cumprir o desafio deste mês – leitura conjunta ou obras do mesmo escritor. Mas não falhei. Uma vez que a maior parte dos participantes iriam ler Yasmina Khadra, pensava que não conseguiria vencer o desafio, mas eis que percebi que a Luísa Bernardino também estava a ler este livro. Check.

Sem título
Capa Saída de Emergência
SINOPSE:

A Saga do Assassino continua…

Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o Reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o Rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?

OPINIÃO:

É tão verdade que não fiquei rendido a esta saga com o primeiro livro, quanto é verdade que este segundo volume ainda não me conquistou a 100%.  A escrita da autora é muito boa, as personagens começaram a cativar-me mais, mas ainda não me encheu as medidas. Tenho grandes elogios a tecer e grandes queixas a fazer a este Punhal. Comecemos pelos elogios: o amadurecer dos personagens. Já tinha gostado deste protagonista Fitz no primeiro volume, mas agora gostei muito mais. Personagem muito bem construída; a questão da discriminação em torno da Manha muito bem explorada, tenha ou não gostado da relação Fitz/Moli, ela foi muito bem descrita, mostrando de uma forma única as sensações arrebatadoras de um jovem na descoberta do amor. Até mesmo as cenas de treino no Talento foram muito bem escritas.

Veracidade e Kettricken, o Rei Expectante e a sua recente esposa, são os meus personagens preferidos, ao lado de Fitz. Muito bem construídos, credíveis, um casal infeliz e improvável, e ainda assim um casal pelo qual torço para que seja feliz unido. O Bobo começa a revelar-se, não está no meu lote de personagens preferidos, mas é uma personagem muito bem construída, assim como Sagaz, Castro, Breu, Renda, Coparede e Paciência, cada uma à sua maneira.

Majestoso continua a ser um vilão magnífico, e apesar de aparecer pouco neste volume, foi uma escolha acertada por parte da autora. Ela consegue fazê-lo irritante através das consequências que os seus atos têm, como os brincos de Moli. De uma forma muito subtil, Majestoso vai dando as suas cartas e vemos que ele vai dar trabalho a Fitz. Adoro a ideia dos Navios Vermelhos e dos Forjados. Poderá não ser excepcionalmente original, mas encaixa tão bem na obra, assim como um Veracidade poderoso no Talento. O livro terminou muito bem, gostei bastante do mistério em redor do Navio Branco. Adoro estas nuances.

sem-titulo
FitzCavalaria (Browsing Fan Art em deviantart)

Terminados os elogios, passo às críticas. Gosto da ideia da Manha no Fitz, mas soa muito a cliché. Não só a ideia de um rapaz se ligar mentalmente a um lobo está bem presente nas Crónicas de Gelo e Fogo, como a própria descrição da união entre ambos parece semelhante. No entanto, sei que esta obra foi escrita antes dos livros de Martin, o que torna pouco justa a minha sensação. Olhos-de-Noite é um lobo com que não consegui criar empatia. E também Moli, a namoradinha do Fitz, continua a parecer-me uma miúda irritante, moralista e sem sal, perdoem-me os fãs. Gostei das sensações do Fitz com ela, das cenas de amor deles, mas não consigo gostar da personagem em si.

Achei que o livro se repetiu bastante, alguns debates morais surgiram na mente de Fitz por mais de uma vez, perderam-se imensas páginas em pensamentos, em subir e descer escadas, entrar e sair de quartos, etç. Gostaria de ver um maior equilíbrio entre os pensamentos e as cenas capitais do livro, que por vezes acontecem demasiado rápidas. Também gostaria de ver descrição de batalhas e combates, algumas vezes a autora pula-as para vermos apenas o resultado final.

sem-titulo
Olhos-de-Noite e Fitz (imgur)

Preciosismos de um leitor, no fim de contas, mas é verdade que gostaria de ver um equilíbrio maior entre cenas passadas em Torre do Cervo e no exterior, descrições de pensamentos e de acontecimentos. Fica a sensação que este livro foi muito fechado em torno do crescimento de Fitz e das suas diversas relações dentro da Torre, mas também é verdade que este livro é apenas a primeira metade de um livro que em Portugal foi dividido em dois. Por aí, a Robb está perdoada. Não é das minhas sagas preferidas, mas gostei.

Avaliação: 7/10

A Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Aprendiz de Assassino, A Saga do Assassino #1

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Aprendiz de Assassino”, primeiro volume da série A Saga do Assassino

Aprendiz de Assassino é o primeiro livro de uma das séries de ficção mais elogiadas pelos amantes de fantástico, o início de uma história contada pela californiana Margaret Ogden sob o pseudónimo Robin Hobb, história essa que continua, trilogia após trilogia, com novas e crípticas aventuras do personagem que ela tão bem desenvolveu: Fitz Cavalaria.

Sem título
Capa Saída de Emergência
Sinopse:

O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino.

Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino.

Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia uma das séries mais bem-amadas da fantasia épica.

Opinião:

Posso dizer que o livro me surpreendeu, para o bem e para o mal. Antes de pegar nesta saga, tinha Robin Hobb como um dos nomes mais fortes da literatura fantástica mundial, uma vez que até lhe chamam “a primeira-dama da fantasia”, mas o que encontrei nas páginas deste Aprendiz de Assassino foi um mundo bem menos sombrio e complexo do que eu imaginava. O princípio do livro foi lento, aliás, ritmo é algo que este volume só conhece nas últimas páginas. Mas conseguiu algo que poucos autores conseguem, fazer-me acreditar naquela história.

Seja na relação de Fitz com Castro, das mais verosímeis e bem descritas que já encontrei em fantástico , seja no surgimento e consistência de personagens como Veracidade ou Majestoso – pena que não tenham sido mais desenvolvidos -, ou até mesmo na ligação do protagonista com os animais, é impossível não nos afeiçoarmos de algum modo a esta história. A vivência na corte, o processo de aprendizagem de Fitz e as suas vivências foram muito bem descritas e aqui e ali, tiro o meu chapéu à autora.

No entanto, essa boa discrição dos modos de vida em Torre do Cervo foi levada a níveis extremos, ao ponto de chegarmos ao último terço do livro sem ter acontecido algo realmente interessante para a ação. A primeira visita de Fitz a Forja, o seu teste do Talento e o combate com os Forjados que o atacaram pareceram-me passagens com pouca alma, e tão superficiais quando comparados com o rico detalhe em relações humanas que Hobb imprime no restante do volume. Para os últimos capítulos estiveram reservados alguns bons momentos, como a estadia de Fitz e companhia em Jhaampe com os Chyurda. Aqui Castro e Majestoso fizeram jus aos fantásticos personagens que até aí haviam demonstrado ser, e Fitz não lhes ficou atrás.

Sem Título.png
Fitz e Narigudo (Perplexingly & Hanyes)

Embora a qualidade do livro seja uns bons furos acima que o Ciclo da Herança de Paolini, atrever-me-ia a dizer que o público-alvo é o mesmo. A história tem o seu quê de ternurento e infantil, e passagens completamente truculentas e linguagem crua. A originalidade está presente na forma como a autora aborda as magias e no tratamento dado a uma estória por contar, embora não lhe reconheça grande mérito quer ao nível da originalidade, quer ao nível da sinopse. A grande mais valia do livro é exatamente a escrita da autora, cativante e competente, e as relações entre pessoas e entre pessoas e animais que ela nos transmite.

Ficam-me na memória personagens como Castro, Breu, Veracidade ou Majestoso, embora haja outros como Moli, que não me transmitiram nada enquanto leitor. Quanto ao Bobo, passei a gostar mais dele mas parece-me que ainda tem muito a mostrar (pessoalmente não gosto de bobos). O facto de os nomes de muitos personagens estarem ligados a características (se bem percebi características que os seus pais gostariam que ele tivessem), como Sagaz, Veracidade, Majestoso, entre outros, foi um dos motivos porque não peguei neste livro mais cedo, mas com o desenrolar da ação esse é um pormenor que se entranha e não afeta em nada a leitura, mas que ainda assim dá uma tonalidade mais infantil à obra de Hobb.

Disseram-me já que este volume inaugural é o pior da saga – e é normal que assim o seja, bem sei por experiência própria que escrever o início de uma saga é uma tarefa árdua – e é óbvio que irei continuá-la, não de imediato, mas em breve, espero. O meu volume da Saída de Emergência, edição de 2009 com 400 páginas, foi também ela uma aprendizagem. Não sou fã da premissa, e acho que existem vários autores de fantástico com muito melhores histórias, no entanto, poucos conseguem dar-lhe a consistência e fundamentação que esta Robin Hobb conseguiu.

Avaliação: 6/10

A Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário