Está aí: Saída de Emergência no Festival de BD de Beja

Olá a todos! Como não podia deixar de ser, venho todo quitado de dinamite para vos fazer explodir de alegria com a mais recente novidade da SDE. Estamos quase a chegar à mediática Feira do Livro de Lisboa, mas antes disso, a Edições Saída de Emergência vai estar representada no Festival de BD de Beja para lançar oficialmente o grande BOOM! desta primavera. Tananan!

A partir de 26 de maio, regressa o Festival de BD de Beja, este ano na 13.ª edição. Os fãs da BD nacional terão à sua disposição exposições, um Mercado do Livro com a presença de mais de 60 editoras, e programação paralela que inclui conversa à volta da BD, lançamento de livros, sessões de autógrafos e workshops. A Saída de Emergência estará presente pela primeira vez e no sábado, dia 27, às 15.15, no Pax Julia Teatro Municipal, apresenta a sua nova BD Nimona, a premiada graphic novel de Noelle Stevenson que foi finalista do Prémio Eisner e do National Book Award em 2015. O Festival decorrerá até 12 de junho no centro histórico da cidade.

Sem Título

Vamos Viajar Com Robin Hobb: Ponto de Situação

Sem título

Do que se trata?

Vamos Viajar com Robin Hobb é um passatempo organizado pelo NDZ, que desafia bloggers e leitores de literatura fantástica a ler um ou mais livros de Robin Hobb de 8 de maio a 8 de julho. Os participantes devem escrever um comentário ao livro em questão, comentários esses que serão publicados aqui no NDZ quando terminar o desafio.

Ainda posso participar?

Não requisito nenhuma formalidade para a inscrição no passatempo, para além de me comunicar. Podes concorrer a qualquer momento, desde que leias um livro da autora californiana até ao término do concurso.

Como estamos de afluência?

Embora apenas tenha duas pessoas efetivamente a participar, existem mais três que já me deixaram clara a intenção de “apanhar boleia” deste desafio, pelo que considero já serem cinco.

Sem título-003

Vamos Viajar com Robin Hobb?

Não me parece que a autora esteja interessada a vir connosco, mas decidi que o tal encontro que vos havia falado, na Feira do Livro de Lisboa, seja estendido a todos os amigos do NDZ que tenham vontade em encontrar-se comigo. Estarei no Parque Eduardo VII no dia 3 de junho e espero encontrar mais amigos. Equaciono voltar à Feira posteriormente, mas ainda não tenho uma data certa para a minha segunda visita.

E que dia é hoje, mesmo?

19 de maio. A partir de hoje, podes encontrar nas bancas o livro O Assassino do Bobo pela Edições Saída de Emergência, o primeiro livro da série O Assassino e o Bobo que corresponde à terceira trilogia da autora Robin Hobb com FitzCavalaria Visionário como protagonista. Por isso, se já lestes tudo o que foi publicado pela autora no nosso país, toca a adquirir este livro e alista-te no nosso desafio. Eu, como estou um pouco atrasado, já cumpri a minha parte do desafio e li Os Dilemas do Assassino, mas pretendo ler pelo menos mais um livro da autora até 8 de julho.

Sem título

O regresso de Robin Hobb!

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.
Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…

Estive a Ler: Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2

Ele fez um pequeno gesto de indiferença com a mão. “Não duvido de que tenha sido. Mas agora falo de outra coisa. Falo de dragões verdadeiros. Dragões que respiram, que comem e crescem e se multiplicam como qualquer outra criatura. Alguma vez sonhaste com um dragão assim? Um dragão chamado Tintaglia?”

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Os Dilemas do Assassino”, segundo volume da série Saga O Regresso do Assassino

Com tradução de Jorge Candeias, Os Dilemas do Assassino corresponde à primeira metade do livro The Golden Fool, o segundo da trilogia The Tawny Men da autora californiana Margaret Ogden, mais conhecida entre os fãs de fantasia como Robin Hobb. Publicado pela Edições Saída de Emergência em 2011, este é o primeiro livro da autora que leio incluído no passatempo Vamos Viajar com Robin Hobb, que estou a organizar aqui no blogue e nas redes sociais.

Licenciada em Comunicação na Universidade de Denver, Colorado, e residente em Washington, Robin Hobb escreveu cinco trilogias pertencentes ao mundo de FitzCavalaria Visionário, uma série conhecida como The Realm of Elderlings, dos quais três trilogias têm Fitz como protagonista. São mesmo essas três trilogias que estão a ser publicadas em português, sendo que o primeiro livro da terceira série sai já esta semana, motivo pelo qual iniciei este desafio.

Sem título
Bobo e Fitz (Fonte: vlac.deviantart.com)

Um noivado turbulento

O Príncipe Respeitador é o herdeiro dos Seis Ducados. Filho de Kettricken das Montanhas e de Veracidade Visionário, então morto, tornou-se um rapaz bastante promissor. Para assegurar a paz e a subsistência mercantil do seu reino, a rainha estabeleceu um acordo com os ilhéus, prometendo a mão do seu filho à narcheska das Ilhas Externas, Eliânia. Eles são um povo selvagem, de quem não se guarda a melhor das recordações. As Runas de Deus são um grupo de ilhas hostis, com um povo bélico, aguerrido às suas tradições e com um caráter temperamental, diretamente envolvido na guerra que fustigou os Seis Ducados por anos.

As cerimónias de noivado são, por isso, uma oportunidade única para que se conheçam mutuamente e, também, um período de grande exigência protocolar, uma vez que qualquer atitude menos ponderada pode pôr em cheque não só o noivado como a própria paz entre os povos. O príncipe, porém, sofreu demasiadas mudanças recentes na sua vida, para que se preocupe em demasia com isso. Uma seita de manhosos revoltada com os maus-tratos a que os seus iguais, aqueles que possuem o dom de se conectar com animais, têm sido alvo, começou a perseguir e a chantagear os que comungam do mesmo dom e que se recusam a admiti-lo.

Sem título
Bobo/Dom Dourado (Fonte: enife.deviantart.com)

Os pigarços, como se chamam, conjuraram um plano que resultou na captura do príncipe. Graças ao Bobo e a FitzCavalaria, agora conhecidos como Dom Dourado e o seu criado Tomé Texugo, o príncipe regressou a Torre do Cervo em segurança, a tempo da chegada da narcheska e do seu contingente. No entanto, as perdas sofridas deixaram-nos abalados e a ameaça continua eminente. Louvovinho, o líder dos pigarços, encontra-se a recuperar de ferimentos, mas os seus sequazes sabem quem Respeitador é, e sabem que ele também é manhoso, assim como o criado chamado Tomé Texugo. Fitz é alvo de uma espera e uma mensagem subliminar é-lhe deixada, assim como a Loureira, a caçadora da rainha que, ainda que não partilhe o dom, é a única da sua família que não o obteve.

Olhos-de-Noite morreu e a gata a quem Respeitador era filiado também. Fitz não consegue curar as suas feridas, mas a dor aproxima-o de Respeitador, que vê nele o único amigo a quem recorrer. Ainda que o príncipe desconheça que o criado de Dom Dourado é, na verdade, seu tio, insiste em ser treinado por este na arte do Talento, uma magia poderosa nos Seis Ducados. Fitz começa a treinar o rapaz, embora nunca tenha sido realmente versado nessa matéria. Os problemas na vida de ambos, porém, não se resumem à dor da perda e à ameaça dos pigarços.

Sem título
Eliânia (Fonte: sffbookreview.wordpress.com)

Uma chuva de problemas

Fitz acaba por não resistir ao calor que Gina representa. A bruxa ambulante que acolheu o seu filho adoptivo torna-se mais do que uma amiga e conselheira, vindo a ser também sua amante. Isso, porém, revela ser fraco consolo para as suas carências afetivas, e rapidamente percebe não estar a ser justo para consigo ou para com a mulher. Também o seu rapaz, Zar, o desilude, com comportamentos indisciplinados como aprendiz do seu ofício. O namoro com Esvânia parece ser a causa de tais problemas, mas o jovem não parece incomodar-se com a ira do tutor nem mesmo com a ameaça que o pai da rapariga pode significar.

O contingente das Ilhas Externas também é um problema a ter em conta. Nos labirintos secretos de Torre do Cervo, Fitz tem acesso ao quarto de Eliânia, onde percebe rapidamente que Peotre Aguapreta, o tio da rapariga, tem muito mais influência política e pessoal na vida dela do que o seu próprio pai, o aparente líder Arcão Espadarrubra. Também a misteriosa aia da jovem, Hênia, parece ser a voz de alguém importante, com ideias estabelecidas e algo diferentes daquelas que Eliânia ou Peotre defendem.

Sem título
Se Trump governasse Torre do Cervo, as coisas não correriam bem (Fonte: allthe2048.com)

A união entre Eliânia e Respeitador não parece ser vista com bons olhos pela jovem, e tão pouco pelo príncipe, que comete uma gaffe ao menosprezá-la durante um jogo com a Dama Vance, sobrinha de Dom Sextão de Razos, por quem o príncipe parece sinceramente mais interessado. O erro de Respeitador obriga Kettricken a agir mais rapidamente, mas a rainha, velha amiga de Fitz, não consegue fazer muito quando tudo à sua volta parece mover-se por si mesmo. Nem mesmo Breu, o seu velho conselheiro, parece tão capaz como antes para mover as peças do jogo, fruto da sua idade avançada.

Caiem em FitzCavalaria as rédeas dos acontecimentos. Cansado de lutar contra os ímpetos dos jovens, uma vez que tanto Respeitador como Zar transformaram-se nos principais causadores dos seus problemas, não se esquece da filha Urtiga, que o procura nos sonhos através do Talento. Também é obrigado a lidar com Obtuso, o criado deficiente de Breu que se revela forte no Talento, e com as dúvidas em relação a Cortês Bresinga, o manhoso de quem sempre suspeitou estar envolvido na armadilha dos pigarços a Respeitador, presente em Torre do Cervo para as comemorações do noivado.

Também Bobo se transforma numa personagem de difícil interpretação. Boatos em torno da sua verdadeira natureza percorrem Torre do Cervo, e as revelações que Fitz tem de uma faceta do seu passado levam-no a perder a confiança que sentia para com o melhor amigo. Mas é a chegada de uma comitiva de Vilamonte, protagonizada por um jovem escamoso chamado Selden Vestrit, a pedir ajuda para fazer guerra a Calcede, e a referência a um dragão chamado Tintaglia, que revoluciona não só as cerimónias de noivado como o próprio âmago de Torre do Cervo.

Sem Título
Capa Saída de Emergência (Fonte: saidadeemergencia.com)
SINOPSE:

Uma obra-prima da fantasia épica.

O seu nome é murmurado com temor e respeito. A sua figura move-se nas sombras da noite e das políticas. Acaba de salvar o herdeiro do reino. Mas será suficiente? Depois de salvar o príncipe das garras dos pigarços e de sofrer a mais devastadora perda possível ao fazê-lo, o lendário assassino regressa ao lugar a que em tempos chamou lar. Aí, esperam-no dias difíceis de adaptação, mas também o esperam oportunidades, velhos e novos amigos e até um filho adolescente. E espera-o também um príncipe, do seu sangue sem que o saiba, dotado com as magias desse sangue mas sem conhecimentos para lidar com elas, e prometido a uma princesa estrangeira. Como irá Fitz lidar com todos os desafios que o aguardam em Torre do Cervo? Que soluções encontrará para os seus dilemas?

OPINIÃO:

Um mar de conflitos e de intrigas, Os Dilemas do Assassino é mais uma prova de que Robin Hobb é muito mais do que apresentou na primeira trilogia. Elegante, fluída e cheia de ritmo, esta leitura revelou-se bem mais célere e estimulante do que eu a imaginava. A promoção de reflexões interiores e a discussão sobre temas comuns a todos nós como a juventude, a honestidade e o bem-estar emocional foram maravilhosamente decompostos pela autora californiana, que em nenhum momento deixou cair o gume da sua “pena”.

Hobb apresenta-nos a um mundo fantástico e torna-o credível e isso é, sinceramente, o que mais me apraz em ler um livro. Ela relata com beleza cada cenário, sem excluir as ervas daninhas que, irrefutavelmente, povoam cada realidade. Se os momentos de introspeção, em outros momentos, me deixaram entediado com as aventuras de Fitz, aquelas que tenho agora oportunidade de ler surgem como um intervalo após cada acontecimento, levando-me a pensar sobre o mesmo, a maturar as questões e a respirar fundo. Cada introspeção revela-se tão ou mais deliciosa que os eventos em si.

Sem título
Será? :p (Fonte:makeameme.org)

Muito embora a trama dos pigarços seja de facto irreal, este segundo volume traz mais fantasia que o primeiro livro, e isso não é mau. Embora ainda torça o nariz à adição de mais dragões a esta série, tanto a referência a Tintaglia como a navivivos me deixa a querer saber mais sobre eles. Os novos personagens revelaram-se mais promissores e cheios de potencial que aqueles que povoaram o primeiro volume, e os mistérios foram posicionados muito bem do ponto de vista estratégico. Ainda assim, aqueles que envolvem os personagens centrais da narrativa parecem ainda mais apelativos. Bobo, o que raio andaste tu a fazer?

“Os novos personagens revelaram-se mais promissores e cheios de potencial que aqueles que povoaram o primeiro volume, e os mistérios foram posicionados muito bem do ponto de vista estratégico.”

Pouco vimos de Kettricken nestes dois livros e, no entanto, ela é uma das personagens que mais me agradaram. A sua evolução revelou-se nos pequenos pormenores, dos trejeitos aos comportamentos que Robin Hobb tão bem sabe desenhar. A evolução comportamental e a maturidade são tão visíveis nessa personagem como no próprio Fitz, que ganhou o meu respeito nestes livros. Ganhou experiência e perdeu intempestividade, muito embora continue a aprender com as próprias experiências. Breu é outra das boas surpresas deste livro, com duas facetas tão enigmáticas quanto realistas. O avançar da idade é relatado com credibilidade. Também Respeitador revela-se, livro após livro, um personagem cheio de potencial, e Loureira continua de certo modo um mistério.

Sem título
Breu Tombastrela (Fonte: tumblr.com/farseer)

Não seria, confesso, um livro que eu escreveria. Não é um género de fantasia que me empolgue por aí além e é bem mais esmiuçado e menos sugestivo do que aquilo que me apaixona. O medieval também não parece trazer grandes novidades. Mas a escrita envolvente e as questões debatidas pela autora, a par da riqueza de personagens criadas, merece não só a minha pontuação como os meus maiores elogios.

Vamos Viajar com Robin Hobb é um desafio NDZ para que todos aqueles que querem embarcar comigo na aventura de ler, de 8 de maio a 8 de julho, um ou mais livros da autora. Eu vou ler mais, e vocês?

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

A Divulgar: “Nimona” e “Os Despojados” pela Saída de Emergência

Junho será um mês em grande para os amantes de fantasia e FC. A Edições Saída de Emergência irá lançar, já no dia 2, a célebre banda-desenhada Nimona de Noelle Stevenson e o livro Os Despojados da inigualável escritora Ursula K. Le Guin. Se o primeiro é uma aventura divertida que mistura fantasia medieval plena de cavaleiros e dragões com o mundo das ciências, o outro parece ser uma demanda introspetiva por mundos onde o capitalismo e os ideais basilares da sociedade se enfrentam, num contexto de ficção científica.

Estes dois lançamentos coincidem com a abertura da Feira do Livro de Lisboa, que decorre entre 1 e 18 de junho no Parque Eduardo VII, pelo que será uma ótima ocasião para os adquirirem. Se Le Guin colecciona praticamente todos os prémios que um autor de ficção especulativa pode almejar, do Hugo ao Nebula, passando pelos Locus e pelo World Fantasy Award, Noelle Stevenson é, por assim dizer, uma “novata” no mundo editorial e já ganhou o prémio maior das bandas-desenhadas, o Eisner, com este Nimona, em 2016. Tudo bons motivos para apostar nestas duas autoras norte-americanas, tão diferentes em género literário, idade e experiência, mas de inegável qualidade. Não percam!

Sem Título

Chancela: Saida de Emergência
Data 1ª Edição: 02/06/2017
ISBN: 9789897730559
Nº de Páginas: 272
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:
Obra vencedora do Prémio Eisner.

Quando o vilão Lorde Ballister Coração Negro conhece uma rapariga misteriosa de nome Nimona, ambos são impelidos a uma parceria criminosa com o objetivo de lançar o caos no reino. Assumem como missão provar perante todos que Sir Ambrosius Virilha Dourada e os seus comparsas no Instituto
Para a Aplicação da Lei & Heroísmo não são tão heroicos e nobres como todos julgam.

Vão ocorrer imensas EXPLOSÕES.
E CIÊNCIA E TUBARÕES também não vão faltar.

Mas quando simples atos traquinas se transformam numa batalha sem quartel, Lorde Coração Negro descobre que os poderes de Nimona são tão misteriosos quanto o seu passado. E o seu lado selvagem poderá ser muito mais perigoso do que ele próprio está disposto a admitir…

NEMÉSIS!
DRAGÕES!
CIÊNCIA!
VENHA CONHECER NIMONA!

Sem Título
.
Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG
Data 1ª Edição: 02/06/2017
ISBN: 9789897730566
Nº de Páginas: 336
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:
A jornada de um homem em busca da reconciliação de dois mundos

Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?

Estive a Ler: A Fortaleza da Pérola, Elric #2

– Mas que perigo podemos correr? – perguntou ele.

Oone sacudiu a cabeça.

– Quem sabe? Muito ou pouco. Nenhum? Os ladrões-de-sonhos costumam dizer que é no País do Amor Esquecido que são tomadas as decisões mais importantes. Decisões que podem ter as mais monumentais consequências.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Fortaleza da Pérola”, segundo volume da série Elric

Saltou para as bancas nacionais em março de 2007 – há coisa de dez anos, imaginem! – a segunda aventura escrita em português do célebre melniboneano Elric de Michael Moorcock. Lançado em 1989, A Fortaleza da Pérola apresenta um upgrade em relação ao primeiro volume, atirando o personagem-título para novos problemas e tarefas a desempenhar.

Ombreando com gigantes literários, Moorcock viria a tornar-se um dos mais bem-sucedidos nomes do género, catalogando Elric como uma das maiores referências em todo o mundo na literatura fantástica. Diz-se até que se deve a Moorcock o termo espada e feitiçaria, atribuindo-o ao tipo novo e original desenvolvido por Robert E. Howard à época. A proposta pegou e o próprio Elric não ficou imune a ela.

Sem Título
Elric de Melniboné (Fonte: Robert Gould em earrch.livejournal.com)

Uma ameaça em Quarzhasaat

A espada Tormentífera (Stormbringer no original) é uma das mais populares no mundo da fantasia. Alcançada por Elric nos domínios do Caos, enquanto perseguia o seu primo Yyrkoon, a tenebrosa espada sugadora de almas viria a acompanhar Elric pelas suas aventuras, conferindo-lhe alguma da força e vitalidade que procurava em drogas e mezinhas antes de dela se apropriar. Avassalado ao Duque do Inferno, Arioch, Elric é um homem bom a servir de instrumento para o mal. E é com a Tormentífera à anca que encontramos o Imperador Albino no início deste volume.

Depois de muito deambular pelos desertos, Elric encontra um jovem chamado Anigh, que o leva até à cálida cidade de Quarzhasaat, onde o Conselho se prepara para um intempestivo curso eleitoral. Débil e exangue, Elric acaba por aceitar a ajuda do jovem e este procura uma forma de o curar do seu estado limiar entre a lucidez e o delírio. É dessa forma que Raafi as-Keeme, um mensageiro, lhe oferece um elixir que o reestabelece de imediato. O preço a pagar por ele, porém, pode ser demasiado caro.

O elixir reestabelece-o, mas também lhe gera dependência. Trata-se de uma droga potente, cujo antídoto muito poucos sabem preparar. Elric é levado até ao palácio do Lorde Gho Fhaazi, um dos candidatos eleitorais, e é este quem lhe revela a verdade sobre o elixir. Fhaazi põe também as mãos em Anigh, tomando-o como refém. Pensando que Elric se trata de um mercenário de Nadsokor, a Cidade dos Pedintes, Fhaazi instiga-o a atravessar os desertos em busca de uma pérola lendária. Só quando a trouxer, lhe proporcionará o antídoto contra o elixir, assim como a liberdade a Anigh. Elric aceita o acordo, desde que ele não faça qualquer mal ao rapaz.

Sem Título
Elric de Melniboné (Fonte: NicolasRGiacondino em deviantart.com)

A Estrada Encarnada

O imperador melnibonês coloca-se então a caminho dos desertos, sem saber ao certo o que fazer ou onde encontrar a tão desejada pérola. Baseando-se apenas em profecias e em ditos quarzhasaatis, como a frase “a Lua de Sangue arderá em breve sobre a Tenda de Bronze”, Elric atravessa o deserto conhecido como Estrada Encarnada em busca do famigerado Oásis da Flor de Prata, onde supostamente encontrará a tal Tenda de Bronze que lhe abrirá passagem para a Pérola.

Os perigos no caminho até lá, porém, sucedem-se. Primeiro, é abordado por um grupo de Feiticeiros Aventureiros, os célebres campeões de Quarzhasaat, que o tentam demover a procurar a pérola para Fhaazi, uma vez que estão filiados a outros membros do Conselho. O primeiro deles é Manag Iss da Seita Amarela, parente da Conselheira Iss. Depois, Oled Alesham, da Seita da Dedaleira. Por fim, é atacado por um grupo de assassinos da Irmandade da Traça. Elric desdenha de todos eles e prossegue na sua senda, sem esperar que os Feiticeiros, vingativos pela sua obstinação, lhe tenham enviado um monstro felino para o parar na sua empresa.

Sem Título
Elric de Melniboné (Fonte: Sephiroth-21 em deviantart.com)

A Fortaleza da Pérola

Quem o ajuda a enfrentar e a derrotar o monstro é um jovem chamado Alnac Kreb, um ladrão-de-sonhos com quem Elric trava facilmente amizade, e que o conduz até ao Oásis da Flor de Prata. Ali deparam-se com um clã bauradi a concluir um rito fúnebre. Esperam que a cerimónia termine e percebem que o caixão está vazio, porque o funeral é feito a um inimigo que querem ver morto em breve. Trata-se, nem mais nem menos, de Gho Fhaazi, que enviara a sua leva de homens para se apossarem de uma menina, com as mais vis das intenções.

É Raik Na Seem, o primeiro ancião do clã, quem os coloca ao corrente da situação. Trata-se da sua filha, Varadia, que permanece muda e inexpressiva, como se estivesse sob transe, desde que a recuperaram dos malfeitores. E ela encontra-se na Tenda de Bronze, em estado vegetativo. Percebendo que comunga dos ideais de vingança daquela gente, Elric propõe-se a ajudar. Assim como Alnac, que se julga apto para adentrar no mundo dos sonhos e recuperar a menina para o mundo.

Sem Título
Oone (Fonte: stormbringer.wikia.com)

A tentativa de Alnac, porém, é frustrada pela sua própria inexperiência. O ladrão-de-sonhos morre ao querer salvar a Criança Sagrada, e desde logo surge a sua preletora, uma mulher chamada Oone, para tentar recuperar a sua honra e cumprir onde ele falhou. Para isso, precisa da ajuda de Elric. Ele então compreende que a jornada que o levará à pérola será vivida no mundo dos sonhos e não no mundo real, uma vez que a pedra preciosa se encontra no interior da criança.

Elric e Oone embarcam então numa aventura pelos Reinos Oníricos, deambulando pelos sonhos de Varadia na tentativa, não só, de encontrar a Fortaleza da Pérola, como de acordar a rapariga para o mundo. Pelo caminho, encontram as mais bizarras formas de vida, desde o divertido Jaspar Colinadous e o seu gato que suga as formas de vida que morde, ao tenebroso Guerreiro da Pérola que tanto parece clamar por uma aliança como encerrar-lhes todos os caminhos. No final, é a Rainha Sough quem os conduz até à Fortaleza da Pérola, onde a própria Varadia está encerrada.

Sem Título
Elric de Melniboné (Fonte: Daniel Govar em danielgovar.com)
SINOPSE:

Um dos grandes clássicos da fantasia

Para salvar a sua vida, Elric, o Príncipe dos Dragões, vê-se obrigado a encontrar uma pérola mágica e mítica. Terá que superar provas horrendas e os mais determinados adversários. Mas a sua maior batalha será travada dentro da cabeça de uma criança. Num estado comatoso, Elric entrará no Reino dos Sonhos, onde terá as suas mais épicas, exóticas e emocionantes aventuras. 

OPINIÃO:

A Fortaleza da Pérola é a segunda aventura de Elric de Melniboné publicada em português. Dotado de uma escrita poética, que parece característica comum aos autores da época, Michael Moorcock fascina pela ligeireza com que descreve cenários irreais de forma minuciosa e elegante, sem perder a simplicidade narrativa. 

Equilíbrio parece ser a toada dominante na obra de Moorcock, quer a nível de escrita, quer a nível de ritmo. De forma leve e descontraída, o autor britânico passeia-nos pelos cenários mais rocambolescos sem deixar de descrever com detalhe os cenários enunciados, revelando riqueza de vocabulário sem perder fluidez ou aparentar grande erudição.

Sem Título
Capa Saída de Emergência

De forma despretensiosa, A Fortaleza da Pérola é mais um testemunho do inegável talento de Michael Moorcock. Não esperem um livro emocionante cheio de plot-twists e inovações. Este livro foi escrito no final dos anos 80, como tal é uma narrativa com um herói tradicional e aventuras pouco credíveis, mas que ainda me fascina mais do que o popular Senhor dos Anéis, talvez pela simplicidade ou pelos cenários apresentados.

“Não esperem um livro emocionante cheio de plot-twists e inovações. Este livro foi escrito no final dos anos 80, como tal é uma narrativa com um herói tradicional e aventuras pouco credíveis, mas que ainda me fascina mais do que o popular Senhor dos Anéis, talvez pela simplicidade ou pelos cenários apresentados.”

De facto, o que mais me agradou neste volume foram as passagens por Quarzhasaat e pelos desertos, os eventos na Tenda de Bronze e o final, não só bem amarrado como até surpreendente. A viagem pelo mundo dos sonhos, cheia de irreverências muito bem descritas, acabou por ser o que menos gostei neste livro, apesar de não ter desgostado. Em suma, este é um livro que aconselho a todos os iniciantes no mundo da fantasia, mas que decerto agradará a todos aqueles que não esperem nada de muito original ou complexo.

Avaliação: 7/10

Elric (Saída de Emergência):

#1 Príncipe dos Dragões

#2 A Fortaleza da Pérola

#3 Os Mares do Destino

Vamos Viajar Com Robin Hobb: Conhece o Novo Desafio NDZ

Sem título-003

Sabes aquele momento em que as constelações se posicionam todas numa cunha e conspiram para seguires naquela direção? Pois é, a trama das estrelas pôs-me ao caminho e eu tomei a liberdade de seguir a dica. O Assassino do Bobo, o primeiro volume da terceira Saga do Assassino de Robin Hobb está já em pré-venda e será lançado em Portugal dia 19 de maio.

Então, e uma vez que eu terminei há pouco tempo o livro O Regresso do Assassino (Fool’s Errand) e irei em breve começar o segundo livro da segunda série – Os Dilemas do Assassino em português -, sabendo que muitos já leram esta saga e estão em pulgas para ler O Assassino do Bobo (Fool’s Assassin), decidi criar um desafio relacionado com a autora Megan Lindholm, mais conhecida no mundo da fantasia como Robin Hobb.

Em que consiste este desafio?

Durante dois meses, todos os que queiram participar terão de ler pelo menos um livro da autora e enviar-me o comentário ao mesmo, que publicarei num artigo especialíssimo. Não haverá vencedores nem vencidos, mas se alguém quiser participar terá mençãos de honra aqui no blogue e poderá habilitar-se a um sorteio. E agora é aquele momento em que vocês dizem “Nuno, estás com febre? Tu não és nada disso”, e eu respondo que será uma exceção à regra. Mas pormenores acerca disso só revelarei mais tarde.

Tenho ainda a vontade de realizar um encontro com os participantes (ou pelo menos com alguns) na Feira do Livro de Lisboa, que decorrerá entre 1 e 18 de junho no Parque Eduardo VII, o que será organizado mais para o final do mês. Agora, para que o desafio “Vamos Viajar com Robin Hobb” funcione, terão de participar.

Sem título
Ilustração da capa Assassin’s Fool

Como posso participar?

Para a inscrição no desafio, basta falares comigo, através de mensagem privada no facebook ou comentar aqui no blogue. Basta que leias um livro de Robin Hobb para estares incluído no passatempo. Irei postar todas as atualizações relevantes aqui no blogue, mas também na minha página e no grupo do blogue no facebook. Por isso, fica atento.

Quando irá decorrer o desafio?

Tens muito tempo para participar no desafio, e não precisas “alistar-te” logo de início. O passatempo decorrerá entre 8 de maio e 8 de julho, pelo que haverá muito tempo para ler Robin Hobb, com a maior calma. Junta-te ao “Vamos Viajar com Robin Hobb” e degusta da escrita maravilhosa da autora o tempo que te aprouver.

Sem título
Robin Hobb (Fonte: Agnes Meszaros em Fantasy-Faction Fantasy Books Discussion)

O que posso ganhar?

Para além de ganhares uma leitura proveitosa com a bela escrita da autora californiana, poderás ganhar boas conversas e interações sobre Fitz e as suas aventuras. Se concluíres a jornada, poderás ver o teu comentário promovido aqui no blogue, e, quem sabe, habilitares-te a um sorteio [façam figas, sou novo nisto]. Acima de tudo, espero que te possas divertir connosco e com os meninos da Hobb!!

Que livros posso ler?

Qualquer um que a autora tenha escrito com o pseudónimo Robin Hobb, seja em português, português do Brasil, espanhol, francês, italiano ou inglês. Em baixo tens uma lista dos livros publicados em Portugal, e um gráfico dos livros originais já publicados pela autora.

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga O Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo (lançamento 19 de maio)

Sem título

Sou uma menestrel. Sei mais sobre mentir do que tu alguma vez descobrirás. E os menestréis sabem que por vezes é de mentiras que um homem mais precisa. Para fazer delas uma nova verdade.

Junta-te ao NDZ e ao desafio “Vamos Viajar com Robin Hobb” e lança-te comigo numa aventura pelos Seis Ducados, cheia de conversas interessantes e momentos de leituras únicas. Conto contigo!

Estive a Ler: O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1

Para de pensar que estás a lidar com um jovem príncipe. Não estás. E também não é o gato que temos de temer. Há algo de mais profundo e mais estranho, irmão, e é melhor avançarmos com muita, muita cautela.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Regresso do Assassino”, primeiro volume da série Saga O Regresso do Assassino

Agora que a terceira série do Assassino está quase a chegar às bancas, decidi não perder mais tempo e avançar para a segunda série protagonizada por FitzCavalaria Visionário. A autora Robin Hobb, pseudónimo da californiana Margaret Ogden, apresenta um protagonista mais amadurecido na trilogia The Tawny Man, adaptada para português como a Saga O Regresso do Assassino, com tradução de Jorge Candeias. A versão portuguesa foi, à semelhança da primeira série, dividida em cinco volumes pela Edições Saída de Emergência.

A autora ganhou uma forte atração pelos temas marítimos quando se mudou para a ilha de Kodiak, aos 18 anos; talvez por isso as aventuras dos seus personagens se passem muitas vezes junto ao mar. Em 1995, publicou O Aprendiz do Assassino, o seu primeiro trabalho com o nome Robin Hobb, publicado pela Bantam Books. Os seus livros e contos já foram traduzidos em mais de vinte línguas, vencendo prémios na área da fantasia um pouco por todo o mundo.

Sem Título
Capa Saída de Emergência

A nova vida de Fitz

Encontramos FitzCavalaria com diferenças substanciais em relação à primeira série literária de Robin Hobb. Passaram-se quinze anos desde a morte de Majestoso, e desde que Veracidade se transformou num dragão e livrou os Seis Ducados da ameaça temível dos Navios Vermelhos. O mundo julga que Fitz morreu. Mas isso não é verdade. Sob o nome de Tomé Texugo, ele fez a sua vida como um mero camponês, com o seu fiel lobo Olhos-de-Noite e um rapaz órfão que acolheu como seu, a que chamou Zar (diminutivo de Azar). De tempos a tempos, a menestrel Esporana aparece para lhe aquecer a cama e trazer-lhe notícias de Cervo. Mas os dias de tranquilidade parecem estar à beira do fim quando Breu, o seu velho mestre, lhe surge à porta e lhe pede para regressar.

Kettricken governa sabiamente a partir de Torre do Cervo, sem esquecer o legado do seu esposo falecido. Tem um filho, chamado Respeitador. Um menino gerado a partir da carne de Fitz, embora fosse Veracidade a controlar o seu corpo no momento de amor. Breu tornou-se o conselheiro da Rainha. Por sua vez, Moli, o grande amor da vida de Fitz e mãe do seu filho, prosseguiu a sua vida tomando Castro como esposo, o pai de criação do próprio Fitz. Ele sabe que tanto Moli como a sua filha Urtiga estão bem sem ele, e que regressar “à vida” traria infortúnio a todos. Embora se sinta atraído para as intrigas de corte e para o “seu mundo” em Torre do Cervo, Fitz recusa regressar. Agora tem uma nova vida e responsabilidades, e não pretende trazer mais desgraças aos que ama.

Sem título
FitzCavalaria (VLAC 86 20 em deviantart)

Repele Breu, assim como repele Esporana quando esta lhe traz a mesma sugestão, e compreende que ela interage com o seu antigo mestre. O jovem Zar, porém, parece começar a ficar entediado com a vida que leva, e Fitz percebe que é hora de lhe arranjar um ofício. Quando este regressa com Esporana de uma viagem a Torre do Cervo, o rapaz conta que conheceu Gina, uma bruxa ambulante que o deixou encantado. Trouxe também consigo uma má notícia para Fitz. Descobriu que Esporana é casada e tem enganado o seu esposo com aquele que dá por nome de Tomé Texugo. Fitz não consegue aceitar a verdade e confronta Esporana com a traição. A menestrel sugere continuar a sua relação daquela forma, sublinhando que ela é a única cura para a solidão de Fitz, mas ele renega-a e manda-a embora.

Mais tarde, durante um mercado nas redondezas, encontram Gina, a bruxa que Zar havia conhecido em Torre do Cervo. Simpática e afável, acaba por ser convidada a visitá-los, o que acontece quando Fitz manda Zar para fora por uma temporada. Na humildade daquela casa, a bruxa descobre que Fitz possui o dom da Manha, a forte ligação que certos humanos possuem com animais, podendo partilhar pensamentos e até, com o tempo, apresentar trejeitos e comportamentos do animal a que estão filiados.

Fitz está conectado ao seu lobo Olhos-de-Noite, e a descoberta desse segredo poderia colocar a sua vida em risco, pois esse dom é olhado com repugnância pela sociedade. Desde os tempos de Majestoso que são comuns as execuções públicas e martírios aos possuidores dessas qualidades. Gina, porém, jura não revelar a ninguém o seu segredo.

Sem título
Versão de FitzCavalaria (AshenhartKrie em deviantart)

Uma nova missão

Para além da Manha, Fitz também possui o Talento, a magia hereditária da família real que lhe permite entrar na mente de outras pessoas e até partilhar sonhos. Bastante tentado a perscrutar aqueles que ama, Fitz é bloqueado por Olhos-de-Noite, que conhece bem o preço a pagar por se embriagar naquela magia. Uma nova visita, porém, virá modificar a vida de ambos… novamente. Um cavaleiro de pele e cabelos dourados e pose aristocrática chega à sua casa. Fitz reconhece-o de imediato. É o Bobo, o seu velho amigo da corte. De origens misteriosas, ele foi branco em jovem, mas a idade mudou a sua cor para dourado. Ele é o Profeta Branco. Fitz é o Catalizador.

As lendas sobre o Catalizador e o Profeta Branco não são lendas dos Seis Ducados. Embora os escritos e os saberes sobre essa tradição sejam conhecidos de alguns eruditos dos Seis Ducados, ela tem raízes em terras que ficam muito para sul, fora de alcance até de Jamaília e das Ilhas das Especiarias. Não é propriamente uma religião, é mais um conceito tanto histórico como filosófico. De acordo com aqueles que acreditam nessas coisas, a totalidade do tempo é uma grande roda que gira num trilho de acontecimentos predeterminados. Se deixado sozinho, o tempo gira sem fim e o mundo inteiro está destinado a repetir o ciclo de acontecimentos que nos empurra a todos cada vez mais para a escuridão e a degradação. Aqueles que seguem o Profeta Branco acreditam que para cada época nasce aquele que tem a visão para redirecionar o tempo e a história para um caminho melhor. Este indivíduo reconhece-se pela pele branca e olhos sem cor. Diz-se que o sangue das antigas linhagens dos Brancos encontra de novo voz no Profeta Branco. Para cada Profeta Branco existe um Catalizador. Só o Profeta Branco dessa época em particular pode adivinhar quem o Catalizador é. O Catalizador é aquele que nasce numa posição única para alterar, ainda que ligeiramente, acontecimentos predeterminados, os quais por sua vez vão fazer o tempo cascatear por outros caminhos através de possibilidades que divergem ainda mais. Em parceria com este Catalizador, o Profeta Branco esforça-se por dirigir as voltas do tempo para um caminho melhor.

“FILOSOFIAS”, de Montabastecido

Sem título
Bobo e Fitz (Enife em pinterest)

É relembrando-o do seu papel no mundo que o Bobo incute a Fitz uma nova tarefa. Apesar de lhe pedir tempo para pensar, é o Bobo quem o consegue convencer a regressar a Torre do Cervo. Ele é agora um membro afetado da corte, respeitado por todos e um partido aliciante para as moças solteiras, conhecido como Dom Dourado. A nova missão parece simples. O príncipe Respeitador desapareceu misteriosamente, e Fitz, como Tomé Texugo, regressará a Cervo para o encontrar, uma vez que é o único homem vivo da linhagem Visionário que possui o Talento, muito embora nunca tenha aprendido corretamente a dominá-lo.

Quando Zar regressa a casa, Fitz comunica-lhe que irá arranjar-lhe um emprego em Cervo. Seguindo um enviado de Breu, regressa a Cervo para encontrar um mundo um tanto diferente do que deixou. Contacta Gina, para que esta receba Zar e Olhos-de-Noite quando estes chegarem. Ela oferece-lhe um amuleto, que fará com que aqueles que o vislumbrem adocem a sua postura para consigo. Relutantemente, Fitz aceita o presente e dirige-se ao palácio, onde Dom Dourado faz de si seu criado. Ninguém o reconhece, protegido pelas mudanças na sua imagem e pela nova condição de servo. Ali, Breu coloca-o ao corrente da situação e mostra-lhe a premência da necessidade na sua ajuda.

Sem título
Bobo/Dom Dourado (ex-m em deviantart)

Respeitador está prometido a uma princesa das Ilhas Externas, que chegará em pouco tempo para o noivado, de grande importância política para os Seis Ducados. No entanto, o rapaz desapareceu misteriosamente. Paralelamente a isso, uma seita de manhosos que se chama a si mesmos de pigarços começou um movimento de terror para se vingar dos ataques de que todos eles são alvos. Provavelmente, para mostrar que existem muitos mais manhosos do que as aparências sugerem, deixam mensagens a denunciar aqueles que o são e que o escondem, embaraçando pessoas de bom nome em toda a cidade. Para o terror da Rainha, o palácio recebeu uma mensagem a denunciar o príncipe Respeitador como manhoso, e o mais terrível era que o rapaz parecia mesmo apresentar uma ligação muito próxima à sua gata de caça. Uma gatinha que lhe foi oferecida pela Dama Bresinga, pertencente a uma casa nobre nos Seis Ducados.

Durante a noite, Fitz sonha que é Respeitador e está próximo à propriedade dos Bresinga, perseguindo a sua gata, que o levará a uma mulher por quem está profundamente apaixonado. Sabendo que se trata de Talento e não de um mero sonho, Fitz conta o ocorrido a Breu e uma expedição é posta em marcha. Na companhia de Fitz e da caçadora Loureira, e com Olhos-de-Noite escondido na sua senda, Dom Dourado prepara uma visita aos Bresinga. Uma visita que se transformará num escândalo e numa caça ao príncipe que mudará irremediavelmente a vida de todos eles.

Sem título 3
Olhos-de-Noite, Fitz e Dom Dourado (MaloMuchacha em pinterest)
SINOPSE:

“Os fãs de Robin Hobb não ficarão desapontados com esta nova série.” -Monroe News-Star

Ele é um bastardo com sangue real. Ele é um assassino com poderes malditos.Ele é a única esperança para um reino caído em desgraça. Atreva-se a entrar num mundo de perfídia e traição que George R. R. Martin apelidou de “genial”. Atreva-se a acompanhar um herói que a crítica considerou “único”. O Regresso do Assassino é o regresso da grande fantasia épica. Se está à espera de mais do mesmo, este livro não é para si. Caso contrário… bem-vindo a uma aventura que nunca irá esquecer!

OPINIÃO:

Dona de uma escrita belíssima e envolvente, Robin Hobb é uma autora a quem sempre reconheci mérito. Isso significa que sempre gostei dela? Não. Definitivamente, a primeira série de FitzCavalaria aborreceu-me imenso, com uma narrativa em pára-arranca que tantas vezes não parecia fazer sentido como parecia repetir-se e copiar-se a si mesma. O último livro, apesar do final estranhamente corrido e irreal, acabou por ser aquele que mais me agradou. Como tal, as expectativas não eram grandes para esta segunda série.

Sabem que mais? Enganei-me.

Este primeiro livro da Saga O Regresso do Assassino veio trazer aquilo que mais gostei em Robin Hobb. Uma escrita elegante e delicada, envolvência e credibilidade (q.b.). E não só. Hobb substituiu um protagonista jovem cheio de comportamentos de nos fazer querer bater com a cabeça nas paredes, por um protagonista adulto e experiente, cheio de maturidade nas suas ações. O personagem é o mesmo, quinze anos mais velho.

Sem título
Kettricken e Respeitador (gil-estel)

Também a história pareceu muito mais atrativa. O mistério em redor do príncipe Respeitador permeou toda a trama e prendeu-me à narrativa, fazendo-me dessa forma suportar com melhor disposição as intermináveis dicotomias internas do personagem principal, as reflexões e ambiguidades próprias de cada incerteza no passo a dar ou circunstância a aceitar. O ritmo aumentou, sem se tornar demasiado corrido ou perder a beleza de debates e descrições a que esta autora já nos habituou. A perspetiva de encontros, reencontros e revelações também foi uma toada permanente.

Foi um volume bastante homogéneo, sem oscilações nem repetições, com um enredo apelativo e uma escrita brilhante. Os personagens revelaram uma riqueza interior enorme e surpreendi-me com a seriedade de certos temas apresentados. Neste volume testemunhamos até a velhice e a morte de um personagem crucial na saga, demonstrando-me que Robin Hobb não é a autora tão “cor-de-rosa” que eu pintara até então. Espero que o remanescente da série siga este exemplo. Parabéns, Margaretzinha. Finalmente conquistou o meu coração.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

A Divulgar: “O Assassino do Bobo” pela Saída de Emergência [E MAIS]

A Edições Saída de Emergência está a apostar com força na fantasia e os grandes nomes do género, que pareciam já um pouco esquecidos, começam a regressar ao nosso país. O Assassino do Bobo é o primeiro volume da terceira série de Robin Hobb protagonizada por FitzCavalaria. Com lançamento marcado para 19 de maio, O Assassino do Bobo já está em pré-venda no site da editora e muito embora eu tenha começado a segunda série agora, vou dar corda aos sapatos para não deixar para trás esta pérola.

A série O Assassino e o Bobo vem revelar mais sobre estes dois personagens fascinantes que maravilharam o mundo da fantasia e colocaram Robin Hobb, pseudónimo da escritora californiana Margaret Ogden, como uma das maiores embaixatrizes da ficção especulativa no mundo. De realçar que a Saída de Emergência anunciou ainda as BD’s de grande sucesso mundial Nimona de Noelle Stevenson e Monstress de Marjorie Liu e Sana Takeda, nos meses de junho e julho, assim como o livro Espada de Vidro de Victoria Aveyard, algures no segundo semestre do ano, lançamentos que divulgarei em datas mais próximas.

Sem título
Capa Saída de Emergência
Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG
Saga/Série: Assassino e o Bobo  Nº: 1
Data 1ª Edição: 19/05/2017
ISBN: BOBOOFERTA
Nº de Páginas: 1024
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:
O regresso de Robin Hobb!

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.
Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…

A Divulgar: Anne Bishop no “Festival Bang! 2017”

É o assunto mais comentado nos últimos dias. Depois de a Edições Saída de Emergência ter divulgado o seu novo evento dedicado à ficção especulativa, o Festival Bang!, a ocorrer em Lisboa no dia 28 de outubro, tivemos a confirmação de quem é a convidada de honra. Após algumas imagens de suspense, a especulação terminou com o anúncio de que será Anne Bishop a ilustre convidada.

Anne Bishop (Avanti Environmental)

Recordo que a autora tem vários livros traduzidos em português pela Edições Saída de Emergência, entre os quais as trilogias Os Pilares do Mundo, A Trilogia das Jóias Negras, vencedora do Crawford Fantasy Award no ano 2000 e os quatro livros da série Mundo Efémera.
Anne Bishop começou por escrever pequenos contos de fantasia na juventude, mas nenhum que julgasse digno de publicação. Foi já com outra maturidade que transformou as suas pequenas histórias de encantar em romances envolventes que deslumbraram o mundo da fantasia.

Aqui ficam alguns dos trabalhos da escritora, publicados em português (ver site da editora aqui):

Poder e Vingança, Império das Tormentas #1

– Digam a todos! – gritou. – Amanhã ao meio-dia marchamos sobre os Três Cálices! E retomamos a nossa terra! Terra tão húmida e feia!

– Por onde o sol não passeia! – rugiu a multidão.

– Mas é na mesma o meu lar! – gritou o Ruivo.

– ABENÇOADO SEJA O CÍRCULO! – O grito retumbou pelo teatro como uma monção.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Poder e Vingança”, primeiro volume da série Império das Tormentas

Lançado em junho do ano passado, Hope and Red chegou agora a Portugal. Trata-se do primeiro volume da trilogia Império das Tormentas, cujo segundo volume já saiu em fevereiro deste ano nos E.U.A. Jon Skovron é ainda um nome desconhecido para muitos, ligado ao young adult fantasy, mas foi ao aventurar-se num estilo mais ousado e adulto que atingiu maior reconhecimento. Poder e Vingança é o título em português do volume inaugural, traduzido por Jorge Candeias.

Natural de Colombus, Skovron é autor dos livros Misfit, Man Made Boy e This Broken Wondrous World, obras para jovens adultos que lhe granjearam elogios da Junior Library Guild e do site io9. Poder e Vingança, por sua vez, recebeu excelentes críticas do Publishers Weekly , do Bookbag e do Library Journal.

Sem título
Capa Saída de Emergência

O Império das Tormentas

O Império das Tormentas é o mundo desenhado pelo autor norte-americano. Trata-se de um grupo disperso de ilhas, nas quais se destacam Pico de Pedra, a norte, onde se localiza o palácio imperial, a imensa cidade de Nova Laven, ao centro, e as Ilhas Meridionais a sul, tratando-se da região menos civilizada do Império. Este cenário é controlado por um Imperador, que recorre aos serviços dos servos especializados para manter o seu domínio. Os Vinchen e os biomantes são as figuras mais poderosas nessa cadeia de poder.

Se os Vinchen são uma ordem de caráter instrospetivo e filosófico com um modo único de combater, há muito deixaram de ser um instrumento do Imperador. Desde os tempos de Manay, o Leal, que os Vinchen mantêm o juramento de proteger o Império, mas não o Imperador, porque acreditam que os homens são facilmente corrompidos e não devem ser por eles reverenciados. Para além de não deverem nenhuma vassalagem ao homem que controla o mundo conhecido, vivem em Charneca, no sul, afastados das influências nefastas do Império.

sem-titulo
Flyer Saída de Emergência

Por sua vez, os biomantes são a verdadeira força do Imperador. Um pouco místicos, um pouco cientistas, estes homens de vestes brancas utilizam a única espécie de magia visível neste mundo. Ao tocarem em seres vivos, têm a capacidade de os modificar geneticamente, o que os transformou em pessoas temidas pelo mais comum dos mortais. Para além de povoarem os pesadelos das crianças, ajudam a manter a ordem e a população sob rédea curta.

Se Selk, o Bravo, e Burness Vee, um Vinchen e um biomante, trabalharam juntos na formação do Império, pode-se dizer que há muito, muito tempo, que as duas ordens mantêm as costas voltadas. A única coisa que têm em comum é o facto de ser expressamente vedada a entrada de mulheres nas suas fileiras, uma regra cujas exceções farão a diferença.

Sem título
Cena do filme V de Vingança (comicvine)

O início de uma vingança

A aldeia de Esperança Sombria é completamente destruída por homens do Imperador, comummente chamados de impões pelas bocas mais esfomeadas da civilização. Entre os impões estava um biomante. Uma menina torna-se a única sobrevivente do massacre, vendo os próprios pais serem corroídos por vermes nojentos. A imagem do biomante que provocou a morte dos seus fica-lhe marcada para sempre na memória. Trata-se de uma mera criança, mas aqueles que a vêm assustam-se com a velhice estampada nos seus olhos.

É salva por uma embarcação, cujo capitão, Sin Toa, julga por bem deixar ao encargo dos Vinchen, em Charneca. Uma vez que não tem qualquer recordação do seu nome, apenas da designação da terra natal, a menina torna-se conhecida por Esperança Sombria. Hurlo, o Astucioso, é o Grão-Mestre da Ordem, uma figura de grande poder, conhecido por ter derrotado, na juventude, o lendário pirata Terrível Desgraça. A entrada de mulheres é proibida na Ordem, por isso Esperança começa a servir como criada. Ainda assim, é sabotada e marginalizada por alguns dos membros da irmandade.

Sem título
Esperança Sombria (pormenor da capa original)

É Hurlo quem enfrenta as regras estabelecidas e, às escondidas, começa a treinar Esperança na arte dos Vinchen. Com o passar do tempo, a rapariga torna-se uma guerreira exímia. Quando os membros da Ordem descobrem a traição, revoltam-se contra Hurlo e matam-no, ainda que este tenha entregue a Esperança a poderosa espada Canção das Mágoas e a tenha obrigado a fugir.

Esperança Sombria deixa Charneca com uma grande sensação de impotência, mas com um objetivo muito definido em mente. Encontrar o biomante que destruiu a sua aldeia natal e vingar-se. É encontrada por uma embarcação, o Gambito da Dama, onde é recebida com algumas reservas. No entanto, derrotar um monstro marítimo com grande facilidade facilita-lhe o ingresso e a afeição do capitão Carmichael. Outros tripulantes, como Ranking, porém, não a olham de igual forma.

Esperança ganha, a pouco e pouco, o respeito da tripulação, mas várias dificuldades conduzem o Gambito da Dama a Murgésia, onde a população foi completamente modificada com características aviárias. O grupo de Carmichael foge a uma chacina trágica. São essas contingências que fazem o navio aportar em Nova Laven, onde a vida de Esperança Sombria sofre uma reviravolta.

Sem título
Ruivo (capa original do 2.º volume)

Pirata e Ladrão

Nova Laven é uma cidade enorme, em que cada bairro quase parece uma cidade dentro da outra. Possuem características peculiares e têm o seu próprio modo de vida e engrenagens. Os ricos, apelidados pelos restantes de “rendinhas”, vivem protegidos pelo Império, em bairros sofisticados como Cascatas ou Chaves. O Bairro da Prata é um local de artistas e cores, quase uma ponte entre a zona pobre e a zona rica, enquanto os bairros decrépitos de Círculo do Paraíso e Ponta do Martelo revelam o lado sujo da cidade. Foi no Bairro da Prata que o Ruivo nasceu.

Gulia Pastinas era uma pintora famosa, extremamente dotada, que foi obrigada a abandonar o Solar Pastinas, em Cascatas, para perseguir o sonho de uma carreira. É que o seu pai nunca aceitou a sua arte, e renegou-a como filha. Gulia fixou-se então no Bairro da Prata e apaixonou-se por um prostituto, com quem haveria de formar uma família até à data da sua morte. Teve um filho, a quem chamou Rixidenteron, que viria a revelar grande talento para a pintura e que a ajudara em vários trabalhos nos últimos anos da sua vida. Gulia faleceu devido ao consumo de uma droga chamada pó de coral, a mesma substância a que se atribuía a cor avermelhada nos olhos do seu menino.

Nessa fase decrescente da vida de Gulia, o trabalho já não era tão apreciado e o pai de Rixidenteron voltara à prostituição para comprar os quadros da esposa e impedir que ela descobrisse que não fazia mais sucesso. Foi quando o menino, frustrado com o estado da mãe, lhe contou a verdade, que ela tomou uma grande dose de droga e morreu.

Sem título
Rua semelhante às do Círculo do Paraíso (morrowind em pinterest)

Por alguma doença relacionada com a profissão ou algo parecido, o pai de Rixidenteron também morreu e o rapaz viu-se atirado para as ruas, onde foi obrigado a sobreviver por sua própria conta e risco. Um dia foi capturado e estava prestes a ser vítima de tráfico quando conheceu Sadie, a Cabra. Sadie era uma ladra famosíssima no Círculo do Paraíso, que o salvou e acolheu como o seu melhor pintas.

Um dia, Sadie viu a sua reputação manchada ao perder a orelha na taberna da temida Madge, a Pendura, e dedicou-se ao alto-mar por alguns meses. Sadie batizou Rixidenteron de Ruivo e tornou-se uma terrível pirata, ao lado de um antigo amante conhecido como Ausente Finn, hábil na navegação e reparação de barcos, e de um grupo mais ou menos ousado, onde Ruivo se integrou com naturalidade. Na verdade, Ruivo revelava grande talento com as mãos: para pintar, roubar ou mesmo atirar facas de arremesso.

A aventura nos mares durou pouco tempo e Sadie arranjou forma de recuperar o seu respeito em Círculo do Paraíso, onde se tornou lenda. Os anos passaram-se e Sadie tornou-se uma velha doente, e Ruivo ganhou nome e a afeição do povo do Círculo. Jix Larápio deixou de dominar o bairro, morto, sendo substituído por um sujeito sinistro conhecido como Drem Cara-Morta, que tomou a estalagem Três Cálices como sede. Foi quando Ruivo e o seu melhor amigo, Grosso, tentavam roubar o tesouro de Drem, que conheceu Urtigas, uma rapariga independente e vulgarmente mordaz que os salvou dos capangas de Drem. Urtigas era guarda-costas num bordel, apesar da sua aparência aprazível, e muito competente no uso de uma corrente como arma. Ruivo e Urtigas envolveram-se, mas os sentimentos do rapaz atraiçoaram-no e ele apaixonou-se, coisa que ela nunca desejou. Pouco a pouco, ele aceitou a decisão e tornaram-se amigos.

Sem título
Jon Skovron num evento (book chic)

Os destinos cruzam-se

O Capitão Carmichael leva Ranking e Esperança à presença de Drem Cara-Morta, na esperança de conseguirem um trabalho que forneça a subsistência do Gambito da Dama. Mas o trabalho que Drem lhes propõe vai contra os valores de Carmichael e nesse momento é revelado que Ranking era um lacaio de Drem. Carmichael é morto e Esperança só sobrevive graças à sua enorme perícia com a espada… e a Ruivo. Absorvido pela beleza da rapariga, o jovem não hesita em enfrentar o sujeito que controla os destinos do bairro, dando início a uma verdadeira caça ao homem. Drem pretendia fazer do jovem Ruivo um dos seus capangas, mas a sua ofensa leva-o a erguer um prémio pela sua cabeça.

Ruivo salva Esperança, e a relação de corte e desdém inicial transforma-se numa história de amor. Pelo meio, Ruivo recorre aos seus contactos. Junto de Esperança, Urtigas, Grosso, a velha Sadie, o Ausente Finn, e sempre com a sua grande lábia, consegue oferecer resistência a Drem Cara-Morta. Procura a ajuda do Grande Sig, líder do bairro Ponta do Martelo, que o avisa para a aliança entre Drem e os biomantes, que envia locais como cobaias em experiências biológicas. É dessa forma que Ruivo incita o seu próprio povo contra Drem, e uma guerra civil tem início.

Sem título
Ruivo (fantasy-fiction)

Mas essa guerra é só o início de algo maior, porque os canhões do Império não são tudo o que têm a temer. Teltho Kan, o biomante que destruiu a aldeia de Esperança Sombria, está por perto, e a jovem não esquece o seu juramento de vingança, mesmo que tenha, para isso, que arrastar Ruivo para o passado que ele quer esquecer. Personagens como a adivinha Velha Yammy, o coleccionador de arte Thoriston Baggelworthy, a tia de Ruivo, Minara Pastinas e o seu primo Alash, um inventor de maquinarias à frente do seu tempo, vêm participar de uma caça ao homem que conduzirá o Gambito da Dama às profundezas do Império.

Paralelamente a isso, Brigga Lin, um jovem biomante, faz uma descoberta terrível sobre a Ordem, e está disposto a enfrentar o próprio Conselho de Biomantes para ter acesso aos poderes que lhe são negados.

Sem título
Capa original (Orbit Books)
SINOPSE:

UM PROCURA PODER. O OUTRO VINGANÇA.

Num império fraturado espalhado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes encontram um objetivo em comum. Uma rapariga sem nome é a única sobrevivente quando a sua aldeia é massacrada por biomantes, servos místicos do imperador. Após receber o nome da sua aldeia devastada, Esperança Negra é treinada pelo mestre Vinchen como uma guerreira e instrumento de vingança.

Nas ruas da cidade de Nova Laven, um rapaz torna-se órfão e é adotado por uma das criminosas mais afamadas do submundo. Recebe o nome de Ruivo e é treinado como ladrão e vigarista. Quando um acordo é feito entre criminosos e os biomantes para governar as ruelas de Nova Laven, os mundos de Esperança e Ruivo acabam por chocar e eles são forçados a uma aliança inevitável…

OPINIÃO:

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. É desta forma que posso qualificar este Poder e Vingança de Jon Skovron. Uma fervorosa história de amor e vingança, onde a importância dos valores primários de cada um é debatida página após página. Nas sarjetas de Nova Laven, é a força da união e o poder dos sentimentos que fazem pender os pratos da balança, num relato coeso e vibrante de um mundo bem construído que não deixa dececionados os fãs de Guy Gavriel Kay ou Mark Lawrence.

Não sendo original, a história oferece uma míriade de elementos surpreendentes que me agradaram. Desde a adição do espírito samurai, com os Vinchen, ao ambiente boémio de um bairro de artistas, que aliado à própria identidade geológica me faz lembrar as Ilhas Gregas e a sociedade pós-renascentista europeia, Poder e Vingança constitui uma narrativa rica em constrastes e culturas. Muito mais que uma história de piratas e gangues rivais, Jon Skovron escreveu um livro cheio de ação e surpresas, permeado por bons momentos de humor e personagens interessantes.

Sem título
Galeão pirata (League of Legends)

Ao longo da leitura fui tecendo algumas críticas e elogios nas redes sociais. Jon Skovron não chega à qualidade apresentada pelos maiores nomes do género fantástico. O início do livro deixou-me receoso. A escrita do autor é boa, mas está pejada de expressões – mesmo na narração em terceira pessoa – que fazem parte da cultura original de Nova Laven, uma série de termos de conotação sexual que geraram uma dificuldade acrescida na leitura. Após a consulta do glossário e a habituação a essa escolha narrativa, acabei por achar algumas expressões engraçadas.

O personagem Ruivo revelou-se um dos mais interessantes, devido ao seu passado e características peculiares, um dos mais explorados pelo autor, mais até que a protagonista feminina. Se Esperança mostrou ser um pouco insípida e órfã de emoções – já para não sublinhar a falta de credibilidade em muitas das suas cenas de combate -, Ruivo conteve um encanto especial que só foi eclipsado pelo excesso de sentimentalismo. Sadie atribuiu-o às origens “rendinhas” do personagem, mas Ruivo passou grande parte do livro a chorar por males de amor, o que fez perder algum do seu fascínio. Ainda assim, ele revelou-se o pilar do livro. A facilidade com que se meteu em sarilhos só foi comparada à forma como saiu deles, quase sempre com alguma ajuda pelo meio. De facto, a união no Círculo do Paraíso e o contraste entre personagens riquíssimos foi uma mais-valia.

Sem título
Mulher ninja (wall-pix)

Posso dizer com segurança que o miolo do livro trouxe os momentos de maior interesse, embora o livro tenha sempre melhorado até ao clímax final. Não esperava obter tanto desenvolvimento por parte do autor neste primeiro livro, mas acabei por gostar da maior parte das decisões, embora nomeadamente preferisse que o encontro com Brigga Lin ocorresse mais tarde e de forma mais casual. O gancho final revelou também inteligência, inspirando no leitor um medo sobrenatural legítimo.

A mitologia e a História são pouco desenvolvidos, mas os pormenores dados a conhecer satisfatórios. É um livro para adultos escrito por um autor de young-adult, talvez por isso tenha ficado com a sensação que seria um livro para todas as idades, não tivesse referências a órgãos sexuais de modo grosseiro citadas com tanta frequência. Foi uma leitura que não me arrebatou mas divertiu e quero com toda a certeza ler a continuação.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 7/10

Império das Tormentas (Saída de Emergência):

#1 Poder e Vingança