A Divulgar: “Os Irmãos Karamázov”, “Um Estranho Numa Terra Estranha Vol. 2” e “O Tempo do Desprezo” pela Saída de Emergência

As novidades não param de sair pelas mãos da Saída de Emergência e o mês de julho começará da melhor maneira. A 6 de julho estará disponível em livrarias o clássico de Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov. A obra é considerada uma das obras primas do escritor russo, um apelo à reflexão sobre ideologias culturais e religiosas nos anos taciturnos do século XIX. Nesse mesmo dia ficará disponível o quarto volume da saga The Witcher do autor polaco Andrzej Sapkowski, intitulado O Tempo do Desprezo. Neste novo volume da série de fantasia, os bruxos Geralt e Yennefer terão de colocar as desavenças de parte para proteger a pequena Ciri, a leozinha de Cintra.

Alguns dias mais tarde, no dia 13, ficará disponível o segundo volume de Um Estranho Numa Terra Estranha, obra de relevo de Robert A. Heinlein que relata os estranhos eventos que se sucedem após a tragédia ocorrida numa exploração espacial. Mas Valentine, o único sobrevivente, cresce em Marte e o retorno à Terra não se revelará pacífico. Quem comprar este segundo volume através do site da editora, receberá de bónus o livro Aniquilação de Jeff VanderMeer. Tudo bons motivos para continuar a apostar na Saída de Emergência.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/-o-202127/romance-historico/os-irmaos-karamaov/

SINOPSE:

A maior obra da História. Sigmund Freud

Os Irmãos Karamázov foi um dos últimos livros escritos por Dostoiévski e é uma das suas obras primas. Considerado por muitos um romance filosófico, nesta apaixonante história o autor explora as questões existenciais da fé religiosa e da dúvida, do livre-arbítrio e da moralidade.
Com a família Karamázov, através dos seus dramas, mistérios e triângulos amorosos, Dostoiévski retrata a Rússia do século XIX naquela que foi a idade de ouro e um ponto de viragem trágico na cultura russa.

Chancela: Saida de Emergência

Data 1ª Edição: 06/07/2018

ISBN: 9789897731129

Nº de Páginas: 768

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Preço Capa: 25,75 €

Preço Final: 23,17 €

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/o-tempo-do-desprezo/

SINOPSE:

Venha conhecer os livros que inspiraram o popular jogo The Witcher

Geralt, o bruxo, lutou contra monstros e demónios por toda a terra, mas até ele pode não estar preparado para o que está a acontecer com o seu mundo. Há intrigas, divergências e rebeliões por todo lado. Reis e exércitos estão a posicionar-se, ansiando por guerra e sangue. Os elfos ainda sofrem depois de décadas de repressão e o número de refugiados nas florestas aumenta a cada dia. Os Magos lutam entre si, alguns a soldo dos reis, outros na defesa dos elfos. E, neste caos, Geralt e Yennefer precisam de proteger Ciri, a criança da profecia que todos procuram. Pois quer viva quer morra, Ciri tem o poder de salvar o mundo… ou de o destruir.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 292

Saga/Série: Saga The Witcher Nº: 4

Data 1ª Edição: 06/07/2018

ISBN: 9789897731112

Nº de Páginas: 304

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Preço Capa: 16,76 €

Preço Final: 15,08 €

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/um-estranho-numa-terra-estranha-vol-ii-oferta-aniquilacao/

SINOPSE:

Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente.

Valentine Michael Smith encontra na Terra uma realidade muito diferente da que experienciou em Marte. As crenças e os rituais sagrados que aprendeu em Marte em nada se assemelham aos que encontra na Terra. A própria existência de Valentine torna-o alvo de uma intriga política.

Neste 2.º volume de Um Estranho numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein continua a apresentar-nos a história de Valentine e do seu processo de integração numa cultura marcada pela anarquia, partilha, amor livre e vida comunitária. Este clássico da ficção científica ainda hoje nos leva a questionar as nossas aspirações mais profundas e continua a despertar sentimentos fortes – por vezes contraditórios – nos leitores.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 293

Data 1ª Edição: 13/07/2018

ISBN: ESTRANHOANIQUILACAO

Nº de Páginas: 336

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Preço Capa: 17,70 €

Preço Final: 15,93 €

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Estive a Ler: Quem Teme a Morte

Mas eu ainda tinha de lidar com o meu medo. E a única maneira de fazê-lo era enfrentá-lo. Foi uma semana depois, num Dia de Descanso.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO QUEM TEME A MORTE

Quem Teme a Morte é um romance pós-apocalíptico da autora nigeriana e americana Nnedi Okorafor, conhecida pelo seu trabalho nos géneros da fantasia, ficção científica e realismo mágico para adultos e crianças. É professora na Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, e vive com a sua família em Illinois, EUA. As suas obras incluem Quem Teme a Morte, a trilogia Binti, The Book of Phoenix, a série Akata e Lagoon.

Foi vencedora dos Prémios Hugo, Nebula e World Fantasy Award e este seu romance Quem Teme a Morte tem prevista uma adaptação televisiva pela emissora HBO, com a mão de George R. R. Martin, conforme noticiamos aqui no NDZ. A edição portuguesa da Saída de Emergência é uma das mais recentes apostas da Coleção BANG! com um total de 384 páginas, marcando a primeira publicação em Portugal desta consagrada autora de Ficção Especulativa.

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Fonte: http://forreadingaddicts.co.uk/adaptations/fears-death-not-george-r-r-martin/19772/attachment/who-fears-death-novel

Leve, despretensioso e envolvente, Quem Teme a Morte é um livro pós-apocalíptico que nos remete às próprias raízes de África. Não fossem as aparições ocasionais de computadores e motas, podia até pensar-se tratar de um mundo passado, tal é a desolação e a mendicância daqueles redutos. Somos atirados de chofre a um mundo de feitiçarias, de enigmas e de morte, com propósitos malignos escondidos a cada recanto.

“A história de Onyesonwu é, mais do que uma luta para matar o seu pai, uma luta para mitigar as desigualdades na sociedade fraturada em que cresceu.

Mas apesar de todos esses elementos fantasiosos, não é só sobre fantasia que o livro fala. E atrevo-me a dizer que também não é sobre vingança, embora seja esse o principal móbil da protagonista ao longo do livro. Ele fala sobre relações humanas e sobre confiança, sobre preconceitos e sobre como eles moldam o ser humano. A protagonista, Onyesonwu, é obrigada a fazer escolhas e a encarar de frente a forma como o mundo a discrimina.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/quem-teme-a-morte-oferta-os-pilares-do-mundo/

Num Sudão futurista que sobreviveu a um holocausto nuclear, as classes estão divididas entre Nurus e Okekes. Os primeiros são agressivos por natureza, conhecidos como estupradores e seguidores do Grande Livro, que os incita a exterminar a população Okeke. Após um violento confronto em que apenas uma mulher sobreviveu à destruição de uma aldeia, ela é violada por um Nuru. Najirba consegue escapar e sobreviver ao deserto, mas rapidamente descobre estar grávida.

À filha decide chamar Onyesonwu, que significa Quem Teme a Morte numa língua antiga. A rapariga é uma Ewu (nascida da dor), ou seja, mestiça entre Nuru e Okeke, com cabelo e pele da cor da areia, e desde logo todos pressupõem que é o fruto de um estupro. Rapidamente ela se molda à sociedade onde a sua mãe a conduz, aprende os seus ritos e estabelece amizades, mas nem sempre é capaz de agir de sorriso feito perante o preconceito.

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Fonte: https://www.tor.com/2017/11/07/hope-and-vengeance-in-post-apocalyptic-sudan-who-fears-death-by-nnedi-okorafor/

Jwahir é a terra onde elas se fixam e onde somos apresentados a Fadil Ogundimir, o ferreiro do local, e vemos como Onyesonwu contribuiu para que ele a mãe se viessem a casar. Conhecemos também Mwita, que partilha com Onyesonwu a cor da pele e alguns dons “especiais”, muito embora nunca tenha conseguido tornar-se feiticeiro. Vários personagens destacam-se nesta sociedade, como Binta, Diti e Luyu, as amigas de Onyesonwu, Fanasi, o noivo de Diti, Aro, um poderoso feiticeiro ou mesmo Ada, uma anciã.

“Somos atirados de chofre a um mundo de feitiçarias, de enigmas e de morte, com propósitos malignos escondidos a cada recanto.

Mas o mistério que mais me envolveu na primeira metade do livro, mais do que as metamorfoses físicas e espirituais da protagonista, foi aquele que apresentou a Casa de Osugbo, um edifício misterioso com vida própria e um significado bem alegórico. O rito de circuncisão das raparigas também foi um bom espelho das tradições seculares de alguns povos que influenciaram esta obra, bem como a aura suave e melodiosa que a autora deu ao livro.

Da metade para a frente conhecemos outros povos e tradições, como o Povo Vermelho, mas acima de tudo assistimos ao desvanecer de relações e à fragmentação que o convívio no deserto deixou nas personagens. A demanda de Onyesonwu pelo seu pai Daib revelou-se uma jornada de vingança pessoal, mas não obstante o cliché do Olho Que Tudo Vê que a perseguiu ao longo do livro, Nnedi Okorafor soube jogar com as emoções do leitor. Desde logo, ao sabermos desde cedo como seria a sua morte.

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Fonte: https://thenovelettesblog.wordpress.com/2014/03/09/nnedi-okorafors-who-fears-death-a-review/

A representatividade foi um dos focos da autora ao longo de Quem Teme a Morte, mostrando a maravilhosa protagonista no seu melhor e no seu pior, sempre como um ser humano com defeitos e virtudes e não como uma heroína tradicional. Depois, ao criticar o racismo e o preconceito em todas as suas facetas, jogando ainda com um livro canónico, O Grande Livro, que estimula esses mesmos preconceitos, uma crítica visível aos nossos lugares-comuns religiosos.

Apesar da aura decadente, Quem Teme a Morte fala muito de esperança. E fala de resiliência, de ultrapassar as dificuldades, de enfrentar os estereótipos e aqueles que se julgam superiores. Fala de opressão e da dor que ela pode inflingir sem que nós, à distância, a consigamos compreender. A história de Onyesonwu é, mais do que uma luta para matar o seu pai, uma luta para mitigar as desigualdades na sociedade fraturada em que cresceu.

É em pequenos pormenores que espelham o nosso mundo que compreendemos a sua fome de mudança. Com uma escrita ágil e escorreita, bastante simples, Nnedi Okorafor consegue envolver-nos e transportar-nos para um mundo de sensações e de pormenores ambíguos, onde o terror e a beleza andam de mãos dadas. Conhecemos personagens credíveis e poderosas, e somos convidados a sobreviver com elas.

Avaliação: 8/10

Estive a Ler: A Demanda do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #3

Perguntei a mim mesmo por que motivo tinha voltado para ali. Perguntei a mim mesmo o que aconteceria se voltasse a montar a cavalo e me fosse embora. Fiquei em silêncio durante muito tempo, consciente de que Enigma se viera pôr a meu lado, mas sem me virar para o olhar.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A DEMANDA DO BOBO”, TERCEIRO VOLUME DA SÉRIE SAGA ASSASSINO E O BOBO

Publicado originalmente pela HarperCollins em agosto de 2015, Fool’s Quest é o penúltimo livro da autora californiana Margaret Ogden, mais conhecida entre os fãs de ficção fantástica como Robin Hobb. A famosa autora, licenciada em Comunicação pela Universidade do Denver, vive atualmente em Tacoma, Washington, e estará a 27 de outubro no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa como convidada de honra do Festival Bang!

A versão nacional de Fool’s Quest foi dividida pela Edições Saída de Emergência, com a primeira metade publicada em fevereiro e a segunda em maio. A Demanda do Bobo corresponde à segunda metade, retomando assim a ação que ficara pendente com o final do livro A Revelação do Bobo. Com um total de 416 páginas, este volume tem edição de Luís Corte Real e conta mais uma vez com o extraordinário trabalho de Jorge Candeias na tradução.

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Dos três volumes já lançados desta última saga, este foi sem dúvida aquele que me disse menos. Mas para ser honesto, sabemos que na versão original o segundo e o terceiro são o segundo volume de uma trilogia, e como tal não tenho como não tecer laudas a um maravilhoso livro de transição. A Demanda do Bobo é mais um exemplo vívido de que Robin Hobb é uma das melhores escritoras do nosso tempo, e não só no género fantástico.

“Ainda assim, é mais um dos livros brilhantes desta autora, e não tenho como lhe dar uma pontuação menor do que esta.”

Vazio, desilusão, julgamentos morais, expectativas, medos. Robin Hobb usa um mundo fantástico e personagens fictícios para jogar com todas estas emoções dentro de cada um de nós, de um jeito palpável, incapaz de nos deixar indiferentes. Cada uma das emoções sentida por estas personagens encontra uma repercussão fortíssima no nosso íntimo, e tal não seria possível se a autora californiana não fosse mestra naquilo que faz.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/a-demanda-do-bobo-oferta-patria/

A forma com que nos enreda nos conflitos morais de FitzCavalaria Visionário consegue ser tão recompensadora como extenuante. A profundidade daquela personagem sexagenária que conhecemos desde criança, a vivacidade e a dramaticidade das suas experiências, conduzem-nos num túnel ramificado de experiências e sensações. Ficamos presos à vontade inequívoca de vê-lo a encontrar a paz de espírito que lhe escapa por entre os dedos, ao mesmo tempo que sabemos que o seu sofrimento está para durar.

Robin Hobb oferece dicotomias interessantíssimas e dilemas morais para Fitz resolver dentro dele, mas convida-nos também a reflectir sobre o que faríamos em determinada situação. As escolhas do personagem nem sempre são as mais acertadas, mas são lógicas e guiadas pela emoção e não temos como dizer de maneira alguma que estão erradas, mesmo quando sabemos de antemão que as consequências podem não ser as melhores.

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Fitz é um personagem riquíssimo e cheio de nuances, que mesmo no pináculo da sua vida enquanto homem reserva ainda alguma da inocência que o caracterizou na juventude. Mas estar dentro da cabeça deste homem por vezes impede-nos de ver aquilo que as outras personagens vêem. Como, por exemplo, a forma como ele se julga severamente a si próprio, mais do que os demais alguma vez o fizeram. Porque ele foi moldado em valores como a lealdade e a dedicação ao próximo, e é isso que o enobrece.

“A Demanda do Bobo é mais um exemplo vívido de que Robin Hobb é uma das melhores escritoras do nosso tempo, e não só no género fantástico.”

Nada disto teria valor sem a prosa elegantíssima de Robin Hobb. A bagagem literária da autora é venerável, sem deixar de ser acessível em toda a sua largura. A cada parágrafo lido, ficamos cada vez mais com a certeza que estamos perante mais do que uma escritora competente. Estamos perante uma mulher experiente, dotada de conhecimentos e de uma gentileza que pouco se vêem neste tipo de literatura.

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Se não leste nenhum volume da Saga Assassino e o Bobo, recomendo que fiques por aqui. Os parágrafos seguintes contêm spoilers dos volumes anteriores.

Começamos A Demanda do Bobo no Castelo de Torre do Cervo, onde Fitz finalmente foi reconhecido como primo do rei e príncipe, tanto pelo povo como pela Coroa. A identidade de Tomé Texugo ficou no passado, agora que toda a gente sabe quem ele é. Também a sua vida oculta como assassino parece ter ficado para trás. Chegou a hora de lhe ser dada justiça, bem como a paz que tanto lhe escapou ao longo da vida.

Tudo isto seria bonito se não lhe tivessem raptado a filha, a pequena Abelha. Uma composição variegada de Servos, os mesmos profetas brancos vindos de Clerres que torturaram o Bobo até quase à morte e de mercenários calcedinos, liderados por Ellik, um duque renegado de Calcede. Os Servos acreditam que a filha de Fitz e Moli é o Filho Inesperado do Bobo de que falavam as profecias, e raptaram-na com o propósito de a levar para a Ilha Branca de Clerres.

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Pelo caminho, deixaram uma esteira de destruição. Vindeliar, um Servo flácido e gordo, aparentemente apalermado mas ainda assim o mais poderoso, incute em todos aqueles por quem passa o esquecimento do que viram, roubando-lhes o ânimo para reagir. Dwalia é a líder do grupo. Floresta Mirrada tornou-se um mundo de sombras após a sua incursão, com muitos empregados mortos, outros estropiados e violados pelos calcedinos. Abelha e Expressiva, a filha de Breu, foram raptadas. E enquanto viver, Fitz não descansará até as recuperar.

“Porque ele foi moldado em valores como a lealdade e a dedicação ao próximo, e é isso que o enobrece.”

Mas Breu está doente. Após a traição dos Remexidos, a companhia fracturada que traiu Fitz e Breu no regresso a casa, o velho mentor de Fitz parece perder-se nas marés da magia conhecida como Talento, ao mesmo tempo que faz revelações incríveis sobre os filhos e começa a enublar-se numa velhice cada vez mais palpável. Por sua vez, o Bobo parece mais saudável, graças ao sangue de dragão que o jovem empregado chamado Cinza lhe aplicou. A sua visão, porém, tarda em regressar.

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Fitz sabe que, antes de se lançar em perseguição dos Servos e da sua filha, precisa fazer preparativos. Sabe que o Rei Respeitador não o deixará empreender essa jornada de livre e espontânea vontade, e sabe que qualquer atitude irrefletida deixará a sua filha Urtiga desiludida consigo. Fitz tem muito trabalho a fazer antes de procurar dar azo aos seus planos. Mas também sabe que não tem tempo a perder. Cada hora, cada minuto, cada segundo podem ser determinantes para a sobrevivência de Abelha.

É por isso que encarrega Rapoluva, uma velha militar de Torre do Cervo, a liderar a sua guarda pessoal. Enquanto avança nos seus preparativos, certo de que terá que deixar Bobo para trás, ainda que este esteja determinado em segui-lo, Fitz conhece Centelha, uma jovem criada que sempre conheceu com uma outra identidade, ao mesmo tempo que recebe os regressados de Floresta Mirrada com outros olhos. O sempre frívolo e irritante Lante nada fez para salvar o simplório Obtuso da jocosidade dos Remexidos remanescentes, como pouco fizera para lhe salvar a filha.

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Fonte: https://vernichtenalles.deviantart.com/favourites/68210557/Robin-Hobb-Fan-Art

Mas é com o Bobo, com Lante, com Centelha, com o moço de estrebaria Preserverança e com o corvo malhado Matizada que Fitz se lançará numa aventura através dos portais de Talento para reencontrar a filha. A sua determinação em avançar sozinho é tenaz, mas todos parecem igualmente determinados em frustrar-lhe os planos. Afinal, encontrar Abelha e vingá-la é tudo o que eles desejam.

“Cada hora, cada minuto, cada segundo podem ser determinantes para a sobrevivência de Abelha.”

Esta demanda é, porém, a fase menos brilhante do livro. Os instintos assassinos de Fitz contra os calcedinos, a sua sede amarga de encontrar a filha, os sentimentos de impotência, de falhanço, que vai coleccionando, são os momentos mais ricos de A Demanda do Bobo. E o amor de Urtiga, a lealdade incomensurável de Enigma, a mente nem sempre lúcida de Breu e a amizade sincera de Respeitador são marcas maravilhosas que este volume me deixa.

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Fonte: https://vernichtenalles.deviantart.com/art/Amber-8-711775103

Os melhores momentos, para mim, porém, são aqueles protagonizados por Kettricken. A história comum dela e de Fitz é incrível, e os momentos em que ambos estão juntos, mesmo que poucas ou nenhuma palavras sejam trocadas, são de uma sinergia maravilhosa. É difícil encontrar, na literatura, uma personagem tão carregada de emoções quanto Kettricken, mesmo que seja pouco o protagonismo que venha tendo na saga. O amor que sentem um pelo outro, nem romântico nem fraternal, deslumbra-me.

No miolo do livro estão os seus momentos mais emocionantes. A fase inicial irritou-me, porque prenunciava uma maior morosidade narrativa, mas uma reviravolta mudou tudo, e a fase final, embora enérgica e expectável, não me encantou tanto pela falta de propósito e pelo empolamento fantasioso que lhe acresceu. Ainda assim, é mais um dos livros brilhantes desta autora, e não tenho como lhe dar uma pontuação menor do que esta.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

#3 A Demanda do Bobo

 

 

A Divulgar: Saída de Emergência na Feira do Livro de Lisboa 2018

De 25 maio a 13 de junho ocorre a 88.ª Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII, e a Saída de Emergência estará presente com a sua banca, bem como com os habituais espaços temáticos e apresentações. Como é hábito, o NDZ vai lá estar e contar-te tudo sobre a Feira. Fica com a agenda das atividades organizadas pela editora, que ocorrerão durante o certame:

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A Divulgar: “A Fome” e “O Cavaleiro Misterioso” pela Saída de Emergência

E logo a 8 de junho, a Saída de Emergência tem mais duas novidades. A primeira delas é A Fome, um romance intenso sobre uma campanha no Oeste Americano que correu mal, comprometendo a empresa da família Donner. Terão as causas desse acidente origens naturais? Alma Katsu é uma autora de nacionalidade norte-americana e japonesa, que conta como ninguém o drama de uma família e os efeitos sobrenaturais que pairam sobre ela. Uma espécie de The Terror no Velho Oeste.

O Cavaleiro Misterioso é mais uma daquelas novelas gráficas que servem como prequela a A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin, narradas pela incrível dupla Dunk e Egg. Com arte de Mike S. Miller e adaptação de Ben Avery, O Cavaleiro Misterioso retoma a publicação da BD passada em Westeros pela Saída de Emergência, oferecendo o livro A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister a quem comprar pelo site.

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SINOPSE:

Um relato tenso e fascinante sobre a trágica expedição no Oeste americano que levou a um dos maiores desastres da história da América

Tamsen Donner deve ser uma bruxa. É a única explicação para a série de azares que têm afetado a caravana Donner, que se arrasta pelas áridas extensões do Oeste americano. Falta de comida, violência e a morte misteriosa de uma criança levam os pioneiros à beira da loucura.

Pior: não se conseguem libertar da sensação de que alguém — ou algo — os está a perseguir. E quando membros da expedição começam a desaparecer, todos os vestígios de sanidade e civismo se perdem.

Baseado em factos verídicos, esta é a saga de 90 homens, mulheres e crianças que sofreram um dos maiores desastres da exploração do Oeste americano. Foram apenas as circunstâncias do acaso ou algo desesperado, doente e esfomeado causou a ruína de todos?

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG Nº: 291
Data 1ª Edição: 08/06/2018
ISBN: 9789897731105
Nº de Páginas: 320
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

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SINOPSE:

Cem anos antes de A Guerra dos Tronos, o cavaleiro Sor Duncan e o seu fiel escudeiro Egg vivem as maiores aventuras nos Sete Reinos.

Vivem-se tempos estranhos em Westeros. No trono de ferro senta-se o Rei Aerys I, mas as tensões persistem após uma rebelião fracassada no seio da dinastia Targaryen. Nestes tempos incertos, Sor Duncan, o Alto – Dunk para os amigos –, e o seu valoroso escudeiro Egg viajam pelos Sete Reinos, alcançando grandes proezas, sempre com a preocupação de manterem secreta a linhagem real de Egg.

A caminho de Winterfell, Dunk e Egg são convidados para um banquete de casamento e um torneio invulgar e lucrativo. O vencedor irá conquistar um precioso ovo de dragão. Mas por trás de uma fachada festiva esconde-se uma conspiração de traidores, e não faltará a aparição de um cavaleiro misterioso que irá lançar o caos e trazer má fortuna ao casamento…

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG Nº: 290
Data 1ª Edição: 08/06/2018
ISBN: CAVALEIROIRONIA
Nº de Páginas: 160
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

A Divulgar: “A Demanda do Bobo” e “Quem Teme a Morte” pela Saída de Emergência

É já a 25 de maio que a Saída de Emergência publica dois dos livros mais aguardados deste primeiro semestre. A Demanda do Bobo de Robin Hobb é a continuação de A Revelação do Bobo, naquela que promete ser uma conclusão em grande para o volume de transição da Saga Assassino e o Bobo. Aqueles que reservarem já o livro através do site, receberão de presente o livro Pátria de R. A. Salvatore. Só bons motivos para continuarmos a seguir as aventuras e desventuras de FitzCavalaria Visionário e companhia.

Já sabemos que Quem Teme a Morte de Nnedi Okorafor é um livro bastante popular lá fora, que inclusive será adaptado para TV pelas mãos de George R. R. Martin. Chegou a altura de conhecermos Onyesonwu e o seu mundo futurista passado em África. Quem comprar através do site, terá como bónus o livro Os Pilares do Mundo de Anne Bishop. E vocês, estão tão ansiosos como eu para ler estes dois livros?

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SINOPSE:

Após os acontecimentos de A Revelação do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz.

Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.

Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.

Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG Nº: 285
Saga/Série: Assassino e o Bobo Nº: 3
Data 1ª Edição: 25/05/2018
ISBN: DEMANDAPATRIA
Nº de Páginas: 416
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

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SINOPSE:

Uma África pós-apocalíptica. Uma profecia misteriosa. Uma criança destinada a salvar o seu povo.

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.

Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 289
Data 1ª Edição: 25/05/2018
ISBN: TEMEMUNDO
Nº de Páginas: 384
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole

Estive a Ler: Carbono Alterado

O pavimento atingiu-me no ombro e nas costas enquanto rolava por entre os gritos de peões alarmados. Rolei duas vezes, bati com força numa frontaria de pedra e levantei-me cuidadosamente. Um casal que passava olhou para mim, e eu despi os dentes num sorriso que os fez apressar o passo, concentrando-se noutras montras.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO CARBONO ALTERADO

Lançado em 2002 pela Victor Gollancz, Carbono Alterado é o livro de estreia do autor britânico Richard Morgan, com o qual venceu em 2003 o Prémio Phillip K. Dick para melhor romance.  O livro mistura policial noir com elementos de ficção científica cyberpunk, tendo chegado ao pequeno ecrã em 2018 pelas mãos da Netflix, numa série com Joel Kinnaman na pele do protagonista.

Carbono Alterado é o primeiro de uma série de livros protagonizados por Takeshi Kovacs, e o único publicado em Portugal. A primeira edição data de 2008, mas embalada pelo lançamento da série, a Saída de Emergência volta a imprimir, dez anos depois, uma nova edição do livro com tradução de Sofia Moreiras e um total de 448 páginas, integrada na Coleção Bang.

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Fonte: https://www.comunidadeculturaearte.com/altered-carbon-a-promessa-que-acaba-em-desastre/

Ainda não vi nenhum episódio da série de TV e, muito sinceramente, não tenho grandes expectativas para ela. Visualmente, Carbono Alterado pode arrebatar os fãs de cyberpunk, mas essa é uma área de ficção que não me desperta grande interesse; mesmo o mais recente filme de Blade Runner não me apaixonou. Talvez por isso, as expectativas para este livro não eram elevadas. Mas o que Richard Morgan fez aqui é muito mais do que alguma vez pode ser levado à tela.

“O maior valor do livro, no entanto, passa bastante por o autor não subestimar o leitor em nenhum momento.

Só não dou a pontuação máxima a este livro porque o cenário futurista não me apraz e mesmo o protagonista, Takeshi Kovacs, não me passou grande coisa. Porém, adorei a combinação entre o cyberpunk e o policial noir e sobretudo adorei a forma como Morgan nos conta a história. Ele faz-nos comprar tudo, é extremamente credível na sua amálgama de criações fictícias e ainda nos apresenta um quebra-cabeças para resolver.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/carbono-alterado/

As personagens também foram bem construídas. Apesar de não me identificar muito com Takeshi Kovacs, que me pareceu um pouco estéril e desprovido de um “eu” com conteúdo, Richard Morgan apresenta-nos um elenco rico e variado, com intenções duvidosas e passados todos eles um pouco manchados. Acima de tudo, eles são verosímeis… até mesmo os sintéticos.

Encontramo-nos num futuro longínquo, onde os humanos, mais do que conquistarem o espaço e espalharem-se por vários planetas, conseguiram finalmente aceder à fórmula da vida eterna. Isto através de pilhas corticais que podem ser reimplantadas em outros corpos quando aqueles que usam morrem. Kovacs pertence ao Corpo de Enviados do Mundo de Harlan, um mundo que guarda traços das culturas da Europa de Leste e chinesa que o fundaram.

Ele chega à Terra, mais propriamente à antiga San Francisco, Bay City, e através da sua needlecast é imangado (cada corpo novo é denominado de manga) no corpo de um agente da autoridade morto chamado Elias Ryker, com o propósito de prestar um serviço específico. Ele é contratado por Laurens Bancroft, um matusa, para desvendar um homicídio. Os matusas são gente endinheirada que tem não só capacidade de preservar a sua pilha cortical, como de fazer cópias dela e ainda preparar fornalhas de clones para o sucederem quando aquele corpo morrer.

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Fonte: https://io9.gizmodo.com/how-altered-carbon-handles-its-unique-whitewashing-issu-1821552497

A questão é que Bancroft contrata Kovacs para desvendar o seu próprio homicídio, uma vez que as suas memórias morreram com o corpo. As forças de autoridade que investigaram o caso concluíram que foi suicídio, mas Laurens não acredita nisso. Por que razão um homem se suicidaria, sabendo que seria reavivado logo em seguida? Takeshi Kovacs inicia uma investigação, que se revela muito mais difícil do que imaginava.

Kovacs terá de lidar com a paixão da tenente Kristin Ortega pelo corpo que está a usar, com a sensualidade magnética de Miriam Bancroft, a esposa do seu empregador, com as peculiaridades de Reileen Kawahara e ainda com um IA chamado Hendrix, a mercenária Trepp e a família enlutada de uma prostituta morta. Já para não falar da manta de retalhos chamada Kadmin, um inimigo de peso.

“O desenlace não é nada de espantoso, mas é credível e satisfaz.

Mas as peças do puzzle que vai descobrindo pelo caminho fazem com que ele tropece em verdades inquietantes relacionadas com a própria religião, levantando questões e dilemas que são, embora tenuemente exploradas por Morgan, bastante pertinentes. O maior valor do livro, no entanto, passa bastante por o autor não subestimar o leitor em nenhum momento.

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Fonte: https://www.atelevisao.com/geral/vem-ai-serie-altered-carbon/

Dono de uma escrita envolvente e ritmada, com alguns toques de humor, Richard Morgan não oferece grandes explicações, nem no início da trama, nem sequer quando o protagonista descobre alguns segredos, muito embora o worldbuilding seja gigantesco. Ele dá pistas aqui e ali, para o leitor interpretar e chegar às conclusões que, mais cedo ou mais tarde, se vão tornando mais evidentes. O desenlace não é nada de espantoso, mas é credível e satisfaz.

No entanto, para uma reedição, o livro merecia ter sido melhor revisto. Os erros são um pouco recorrentes, tanto na pontuação das etiquetas de diálogo, como na incoerência de estilo utilizado. O livro oscila entre o antigo e o novo acordo ortográfico, e embora isso não prejudique minimamente a experiência de leitura, Carbono Alterado é bom demais para não ter sido mais cuidado.

Se unirmos a linguagem maravilhosa de Morgan à magnífica bagagem de termos e características futuristas minuciosamente descritas, temos aqui um grande livro. Com menos foco nas performances sexuais do protagonista e um pouco mais de humanidade no mesmo, ele seria perfeito. O cyberpunk não é dos meus géneros preferidos, mas a escrita do autor, a carga neo-noir e a intensidade vívida de Carbono Alterado veio deixar-me com uma grande simpatia por este livro.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 8/10

A Divulgar: “O Caminho das Mãos”, “O Poder” e “Fahrenheit 451” pela Saída de Emergência

Está já em pré-venda a aposta tripla da Saída de Emergência para o próximo mês de maio. Tratam-se de três livros há muito aguardados pelos fãs de fantástico e ficção científica nacionais, todos eles lançados no próximo dia 11, integrados na Coleção BANG. O Caminho das Mãos é o terceiro volume da Saga do Império Malazano de Steven Erikson, correspondendo à segunda metade do original Deadhouse Gates. Após a publicação da primeira parte, em novembro, a editora não desilude e publica a segunda metade com poucos meses de diferença, oferecendo a quem comprar pelo site o livro O Terceiro Desejo de Andrzej Sapkowski. Este é, para mim, um dos lançamentos mais aguardados do semestre.

O Poder foi o livro vencedor do Baileys Women’s Prize de Ficção, obra da autora Naomi Alderman. Naomi cresceu em Londres e frequentou a Universidade de Oxford, é professora de Escrita Criativa na Bath Spa University e escreve frequentemente para o The Guardian. O seu primeiro romance, Desobediência, foi publicado em dez línguas e ganhou em 2006 o Orange Award for New Writers. Relembro que Desobediência foi publicado em setembro do ano passado. Já Fahrenheit 451 é um clássico de Ray Bradbury, agora numa nova edição pela Saída de Emergência.

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/o-caminho-das-maos-oferta-o-terceiro-desejo/
SINOPSE:
NO IMPÉRIO MALAZANO, AS LENDAS ESTÃO PRESTES A NASCER…

Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.

No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta…

Coleção:BANG Nº: 287

Data 1ª Edição: 11/05/2018

ISBN: CAMINHOTERCEIRO

Nº de Páginas: 496

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

 

SINOPSE:

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?

E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar?
Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.
Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG  Nº: 286

Data 1ª Edição: 11/05/2018

ISBN: 9789897731044

Nº de Páginas: 368

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/fahrenheit-451/
SINOPSE:

Como uma mensagem mais relevante do que nunca, venha descobrir o clássico profético de Ray Bradbury sobre o poder da resistência à tirania política.

Guy Montag é um bombeiro. O seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde esses livros estão escondidos. Ele nunca questiona a destruição causada, e no final do dia regressa para a sua vida apática com a esposa, Mildred, que passa o dia imersa na sua televisão.

Um dia, Montag conhece a sua excêntrica vizinha Clarisse e é como se um sopro de vida o despertasse para o mundo. Ela apresenta-o a um passado onde as pessoas viviam sem medo e dá-lhe a conhecer ideias expressas em livros. Quando conhece um professor que lhe fala de um futuro em que as pessoas podem pensar, Montag apercebe se subitamente do caminho de dissensão que tem de seguir.

Mais de sessenta anos após a sua publicação, o clássico de Ray Bradbury permanece como uma das contribuições mais brilhantes para a literatura distópica e ainda surpreende pela sua audácia e visão profética.

Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG Nº: 288

Data 1ª Edição: 11/05/2018

ISBN: 9789897731068

Nº de Páginas: 208

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

 

Estive a Ler: Nove Príncipes de Âmbar, As Crónicas de Âmbar #1

E a minha mente foi invadida por um revoar de coisas que me recusava a sequer conceber, e surgiu um novo grito, arrancado de um peito em agonia, e que terminou em silêncio.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “NOVE PRÍNCIPES DE ÂMBAR”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE AS CRÓNICAS DE ÂMBAR

Roger Zelazny foi um dos mais prestigiados autores de fantasia e ficção científica dos anos 60 e 70 do último século. A sua primeira história foi publicada em 1962, vindo a publicar cerca de 150 contos e romances até à sua morte em 1995. Ao longo da sua carreira, Zelazny foi o vencedor de três Prémios Nebula e seis Prémios Hugo e entre as suas obras mais consagradas, incluem-se os livros Lord of Light, This Immortal e a série de que falamos hoje.

Nove Príncipes de Âmbar é o primeiro volume de uma série de dez intitulada As Crónicas de Âmbar, dos quais cinco são protagonizados pela personagem Corwin e os restantes pelo seu filho Merlin. Publicado pela Edições Saída de Emergência em abril de 2017, o primeiro volume da saga de Roger Zelazny tem um total de 224 páginas e tradução de José Saraiva. Controversa e bem-humorada, esta série serviu de referência a obras como Sandman de Neil Gaiman ou A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin.

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Fonte: https://ayej.deviantart.com/art/Nine-Princes-in-Amber-371803441

Sentia muita curiosidade para conhecer estes Nove Príncipes de Âmbar, até porque é difícil encontrar uma série tão consensual quanto esta épica história de Roger Zelazny, e acabei por pôr as mãos neste pequeno livro de 200 e poucas páginas. Escrito em 1970, este volume inaugural destaca-se pelo sentido de inventividade do escritor americano, que viria a tornar-se um dos nomes fortes do género fantástico.

“O livro está cheio de boas peculiaridades, mas peca por ficar-se pelo potencial.

A imersão no mundo apresentado é instantânea, sem que sejam necessárias demasiadas apresentações, informações ou perdas de tempo. E, visualmente, é uma história que atrai. Não só as nuances do protagonista Corwin, que deambula no nosso mundo desde os anos sempre inspiradores do século XVIII, deixam antever uma personagem com muito para oferecer, como há um painel de irmãos – Eric, Random, Bleys, Caine, Florimel, Fiona, Julian, Gérard, Llewella, Brand ou Benedict – todos eles distintos, a lutar por um trono.

Sem título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/nove-principes-de-ambar/

Não pensem, porém, que se trata de uma guerra sanguinária com grandes traços de realismo. Oberon, o pai, foi afastado para parte incerta, e os irmãos competem entre si pelo lugar de rei no trono de Âmbar, o único mundo verdadeiro. Todos os outros mundos, incluindo o nosso, são meras sombras. Sombras que nada são em comparação com a magnificência daquele reino. Alguns dos irmãos estão desaparecidos, e os outros… bem, à falta de capacidade para igualar os principais candidatos, vão forjando alianças com estes aqui e acolá.

Pouco a pouco, percebemos que Corwin, o protagonista, bem como o seu irmão Eric, são os mais bem cotados para herdar a Coroa, mas acontece que Corwin começa este livro na sombra que é o nosso mundo, sem memória, e o irmão conta com muitos apoios e o poderio sobre Âmbar. A tarefa de Corwin consiste em descobrir aquilo que se esqueceu e liderar um ataque sem precedentes contra o irmão.

A única forma que ele tem para chegar a Âmbar, porém, é através das invenções do génio Dworkin, seja através de um Padrão, seja através das cartas que contêm vários desenhos, que podem ilustrar locais ou mesmo as faces dos príncipes de Âmbar, através das quais podem convocar ou ser convocados. A ideia das cartas é bastante boa, sendo uma das peculiaridades das Crónicas de Âmbar que serviu de inspiração à Saga do Império Malazano de Steven Erikson.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/nove-principes-de-ambar/

O livro está cheio de boas peculiaridades, mas peca por ficar-se pelo potencial. Lamento mesmo, mas esperava algo muito melhor e não consegui gostar deste livro. Nunca um livro tão pequeno me custou tanto a ler. As cenas são corridas, não existe profundidade nesta história, as personagens vão e vêm de pára-quedas sem estabelecerem qualquer relação com o leitor. Não existe um background sólido ou convincente, worldbuilding 0 e capacidade de entrosamento narrativo idem.

“A tarefa de Corwin consiste em descobrir aquilo que se esqueceu e liderar um ataque sem precedentes contra o irmão.

A escrita do autor é outro dos handicaps do livro. Básica, com alguns laivos de humor que não chegam a nada, foi melhorando ao longo do livro e chegou a cativar-me durante os momentos de batalha naval, mas ficou por aí. Ainda que seja um livro escrito nos anos 70, soou-me a uma história de encantar escrita por um menino. Bastante pobre a todos os níveis, tem uma premissa e um aspecto visual que tinha tudo para dar certo, mas não deu.

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Fonte: https://pulpaction-gal.deviantart.com/art/Trumps-of-Amber-Corwin-346395712

Para mim, é claro, porque opiniões valem o que valem. A ideia das cartas é das poucas coisas que salvam o livro, a história não consegue ser original e as cenas sucedem-se de forma muito pouco convincente. É precisamente o tipo de narrativa, tresloucada só porque sim, que faz com que o género seja visto como coisa de criança. Vale pelas ideias, os Trunfos, as Regências, a rivalidade entre irmãos e a aura meio vitoriana que perpassa o livro.

Mas a mensagem moral é redundante, as personagens não têm grande coisa que as distinga, não há um fio de Humanidade que me faça comprar a história. Talvez venha a ler a continuação, porque como disse inicialmente, potencial é o que não lhe falta e se eu tivesse lido o livro de forma mais bem descomprometida, talvez a minha opinião fosse outra. As expectativas são assim mesmo. Vale a lindíssima edição gráfica da Saída de Emergência, que faz exatamente jus ao melhor do livro.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 4/10

As Crónicas de Âmbar (Saída de Emergência):

#1 Nove Príncipes de Âmbar

Estive a Ler: Sonho Febril

As horas passavam em silêncio, um silêncio entretecido de medo.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO SONHO FEBRIL

Publicado em 1982, Fevre Dream é um dos romances mais conhecidos de George R. R. Martin, o famoso autor de As Crónicas de Gelo e Fogo. Nomeado para o Locus e para o World Fantasy Award em 83, o livro foi publicado em Portugal pela Saída de Emergência em 2010, mas este ano a editora dedicou-lhe uma novíssima edição com uma capa bem mais atrativa.

Com um total de 400 páginas, o romance stand alone de George R. R. Martin é uma das apostas da Coleção Bang! deste ano e convida os amantes do fantástico e do sobrenatural a conhecerem a lenda do Fevre Dream e a sua jornada inesquecível pelo grandioso Rio Mississipi. Foi traduzido em Portugal como Sonho Febril por Ana Mendes Lopes.

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Fonte: https://boingboing.net/2016/06/30/george-rr-martins-fevre-dr.html

Não sou fã de histórias de vampiros, sobretudo quando o mercado foi fustigado por histórias juvenis centradas em triângulos amorosos e narrativas com pouca inventividade, mas a verdade é que não é uma área que me apaixone por completo. Li um livro de Anne Rice há tanto tempo que nem do título me lembro, e o único que me marcou foi mesmo o Dracula de Bram Stoker, que “por acaso” tornou-se uma das maiores referências do género. Sonho Febril quebra o paradigma.

“Sonho Febril cumpriu o seu papel, aliando aspetos pedagógicos ao entretenimento puro e duro que o livro carrega.

Muito mais próximo de um Bram Stoker do que de uma Stephanie Meyer, George R. R. Martin publicou no início dos anos 80 um livro que só agora tive a oportunidade de ler, muito embora já ande há anos pelas nossas livrarias. A premissa deixa antever uma sucessão de coisas, mas fui surpreendido e bem surpreendido no decorrer da leitura. Afinal, é George R. R. Martin, um dos melhores escritores do nosso tempo, e melhor que isto é difícil de esperar para um livro escrito há trinta e cinco anos atrás.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/sonho-febril-2018/

Sonho Febril não tem uma escrita tão elaborada e uma narrativa tão densa quanto Martin nos presenteia nas Crónicas de Gelo e Fogo, mas é realmente difícil fazê-lo num romance isolado. Ainda assim, o livro é muito, muito bom. De um lado temos a visão histórica que perpassa os anos da escravidão, da guerra e do abolicionismo, oferecendo-nos uma panorâmica única sobre os desfiles de embarcações ao longo do Mississipi e dos seus afluentes.

Conhecemos ainda a modorra das tripulações e a excentricidade dos capitães, obcecados com a fama e o sucesso das suas viagens, mas também com a expectativa de ultrapassar a concorrência em corridas fluviais. Por outro lado, o fantástico. Martin entretece bem a visão trivial dos vampiros na realidade histórica, alinhavando a poesia de Lorde Byron à ficção e oferecendo uma nova perspectiva sobre os sugadores de sangue. Esta nova mitologia invoca os vampiros como uma raça e não como um estado pós-mortem, o que foi bem delineado e fundamentado pelo autor, assim como os seus modos de vida e respectivas justificações.

Mas, mais do que uma ficção credível e uma panorâmica intensa e palpável, George R. R. Martin oferece-nos personagens riquíssimas. Valerie, Damon Julian ou mesmo os mais secundários Billy Tipton, Jonathan Jeffers e Karl Framm são excelentes adições do ponto de vista da intriga e do drama, mas são os dois protagonistas que levam a história às costas e lhe dão a paixão vibrante que enobrece o livro. São a alma dele, e é deles este Sonho Febril.

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Fonte: https://zacharyfeore.deviantart.com/art/Fevre-Dream-548357667

Joshua York é um sujeito estranho e bem vestido que visita o velho capitão e lhe propõe um negócio. Ele dispõe-se a realizar o sonho do homem, construir uma grande embarcação de recreio, capaz de ombrear com o famoso Eclipse na travessia do Rio Fevre, em troca de ser seu sócio e deixar acompanhá-lo, sem questionar a estranheza dos seus costumes. As reticências do capitão são ultrapassadas e a grande embarcação é construída, o imponente e orgulhoso Fevre Dream.

“A interação entre estes dois personagens é alquimia pura para o leitor.”

Pouco a pouco, porém, este capitão que viu os seus sonhos tornarem-se realidade, transferindo-se de um velho barco de pequeno calado para um gigante dos rios, começa a pensar se o seu sonho não será, na realidade, um pesadelo. Porque os hábitos do seu sócio são realmente estranhos. Ele só sai da sua cabina à noite, e por vezes ausenta-se do barco por dias, para depois colecionar recortes de jornais que falam de brutais assassinatos ocorridos nos mesmos locais por onde perambula.

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Fonte: https://comicvine.gamespot.com/damon-julian/4005-39191/

A interação entre estes dois personagens é alquimia pura para o leitor. Mas nem o fascinante Joshua York é uma personagem tão incrível quanto o capitão, experiente, feio e cheio de defeitos. Abner Marsh é uma das melhores criações de George R. R. Martin, um homem cheio de sonhos, de atitudes e de genica, uma força da natureza que não se ilude com aquilo que vê, um homem com pensamento estratégico e uma dureza e tenacidade que roçam a loucura.

Se estão à espera de um protagonista humano que se acobarde com as primeiras visões de vampiros, esqueçam. Para Marsh, a natureza dos seus inimigos é de somenos importância; embora seja surpreendido e seja obrigado a rever aquilo que tomou como certezas, a sua principal preocupação e obsessão é que deixem o barco em paz, caso contrário terão que lhe prestar contas.

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Fonte: https://idaselidas.wordpress.com/2016/04/12/sonho-febril-george-r-r-martin/

As mensagens sub-reptícias que Martin imprimiu na sua obra falam muito sobre tolerância, sobre o respeito por outras espécies, falam sobre os limites entre o bem e o mal e as idiossincrasias de cada um na relação com o outro, mas também promove a certeza de que cada espécie possui criaturas de índoles distintas. Nesse sentido, Sonho Febril cumpriu o seu papel, aliando aspetos pedagógicos ao entretenimento puro e duro que o livro carrega.

As cenas de maior ação são bem visuais, intercaladas nas doses certas com os momentos de maior pendor espiritual ou contemplativo, mas funcionando muito bem no seu todo. O livro acabou por não trazer nada de muito novo, talvez por tornar-se expectável da metade para o fim, mas foram muitas as reviravoltas que o enredo trilhou, um caminho sempre bem diferente, para melhor, do que eu havia imaginado ao ler a sinopse. Sobretudo graças ao carisma incrível do protagonista.

Avaliação: 8/10