Estive a Ler: A Revelação do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #2

Pus-me à deriva pela multidão, como um tufo de algas apanhado numa mudança de maré. Decidi que Breu tinha razão. Havia naquela noite uma subcorrente de excitação, um tempero de curiosidade no ar.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A REVELAÇÃO DO BOBO”, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE SAGA ASSASSINO E O BOBO

2018 trará a Portugal Robin Hobb e não será novidade para vós que, nos últimos tempos, falar do Reino dos Antigos aqui no NDZ traz elogios pela certa. A autora californiana passou de um quase “ódio de estimação” para uma das minhas autoras preferidas em questão de meses, graças à minha Perseverança. Perceberam o trocadilho? Não? [Perseverança é o nome de uma personagem desta nova série.]

Deixemo-nos de humor, que como já viram não tenho Talento [ups] para ele, e falemos deste A Revelação do Bobo. Trata-se do segundo volume da série Fitz and The Fool, publicada em Portugal pela Saída de Emergência como Saga Assassino e o Bobo, a terceira protagonizada pelo personagem FitzCavalaria Visionário. Este livro corresponde à primeira metade do segundo original, Fool’s Quest, traduzido por Jorge Candeias e com um total de 368 páginas.

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Fonte: https://mimi-evelyn.deviantart.com/art/FOOL-S-ASSASSIN-SPOILERS-The-Unexpected-Son-478254675

Não é segredo que o primeiro volume, O Assassino do Bobo, foi a minha melhor leitura de 2017 e aquele final deixou-me em pulgas para ler a continuação. Ainda assim, fui obrigado a moderar as expectativas com o conhecimento de que este segundo volume seria apenas metade do livro original, que por si só, como segundo da série, seria obviamente um livro de transição. As expectativas não foram defraudadas, apesar de haver uns ques por aí.

“Pouquíssimo foi o avanço geográfico das personagens principais deste livro.”

Ler Robin Hobb é sempre uma experiência abençoada para quem gosta de uma escrita intimista, elegante e rica em expressividade e em vocabulário, sem deixar de ser fluída. Não será tão maravilhosa para quem prefira histórias com um ritmo galopante e desenvolvimentos corridos, em detrimento de uma narrativa viva, credível e bem contada, como Hobb faz de um jeito sublime. Neste aspeto, não me canso de elogiar o excelente trabalho de Jorge Candeias na tradução dos livros.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/a-revelacao-do-bobo/

Este A Revelação do Bobo não foi tão bom como o primeiro, mas como poderia ser, se corresponde apenas à primeira metade do segundo livro? Os ques de que falei em cima estão mesmo relacionados com isto. A Abelhinha quase não deu cor de si neste volume, e a nível de desenvolvimento narrativo, podemos dizer que estamos praticamente na mesma posição em que estávamos no final do livro anterior. Pouquíssimo foi o avanço geográfico das personagens principais deste livro.

Mas podemos dizer que não aconteceu nada em A Revelação do Bobo? Oh sim, se aconteceu. Aconteceu muito e bom. Se a narrativa do primeiro volume foi focada em Floresta Mirrada, aqui podemos dizer que é passada quase toda no Castelo de Torre do Cervo, onde temos a possibilidade de explorar mais amiúde velhos conhecidos como Respeitador, Eliânia, Kettricken, Obtuso, Enigma e principalmente Breu, o velho mentor de Fitz que se revela uma das maiores surpresas do livro. É também aqui que várias revelações se sucedem.

O mistério do Filho Inesperado é finalmente posto a descoberto, assim como as intenções dos malévolos Servos. Outras revelações, bem mais triviais mas não menos impressionantes, são-nos oferecidas, pondo mais uma vez em evidência o brilhantismo tático da autora californiana.

“O livro foi uma catadupa de revelações”

O título do livro bem que poderia ser As Revelações e não só do Bobo. Testemunhamos momentos icónicos que aguardávamos há n livros atrás, protagonizados por Fitz, quer pública ou mais intimamente, relacionados com os Visionário e também com a filha Urtiga, momentos de desgosto, de glória auto-contida, de pânico, de amizade genuína, de descrédito, de inveja e de perdão.

Assistimos ao envelhecer de uma personagem que conhecemos desde criança, e que parece debater-se sempre, em todos os momentos da sua vida, com os mais diversos dilemas morais. Neste livro, ele volta a ser obrigado a esgrimi-los e a aceitar o gosto amargo das consequências.

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Em A Revelação do Bobo também conhecemos novas personagens. São elas Cinza, o novo e bem-sucedido aprendiz de Breu nas artes da espionagem, Diligente, a mãe de Perseverança, Valente e Astuto, dois muito diferentes membros de um afamado corpo militar conhecido como os Remexidos, e Matizada, um corvo estigmatizado por possuir algumas penas brancas, que estabelece uma relação bem peculiar com Fitz e o Bobo.

“Sabem o que vos digo? Que venham mais livros como este.”

Conhecemos também um pouco melhor os Servos. Vindeliar é o rapaz-nevoeiro, um homem com rosto de rapaz que consegue usar magia para “enevoar” mentes, fazendo-as entrar em negação e trabalhar para esquecer certos eventos. Dwalia é uma mulher rechonchuda, cujos modos afáveis inspiram confiança e uma vontade inequívoca de lhe agradar. E há ainda militares calcedinos a colaborar com estes profetas para levar o Filho Inesperado a Clerres, com interesses bem maliciosos em mente.

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Fonte: https://thereseofthenorth.deviantart.com/art/Bee-489050739

A ação principal pode não ter evoluído praticamente nada, e sim, terminei o livro um pouco irritado por isso, mas gostei imenso da forma como Hobb esmiuçou emoções e eventos, ao mesmo tempo que pôs a nu subtilezas, fragilidades e podres que não desconfiávamos (pelo menos eu), de algumas personagens que nos são há muito conhecidas. O livro foi uma catadupa de revelações, mas mesmo assim houve momentos para cenas de ação, corridas a cavalo, traições e engodos.

A magia da Manha voltou a ser um tema explorado e que, tudo me leva a crer, deverá sofrer mais incidências nos livros consequentes, no que diz respeito a Fitz, a Abelha e a Teio, pelo que me parece. Não é uma revelação sobre o enredo, mas uma mera suposição da minha parte.

A Revelação do Bobo foi mais um livro lindíssimo da autora, magistralmente bem escrito, que deixou claro o quanto ela consegue ser cruel, tanto para as personagens como para os leitores, ao enredar a narrativa numa série de eventos paralelos, prorrogando um momento dramático para uma das protagonistas. Sabem o que vos digo? Que venham mais livros como este.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

O Reino dos Antigos:

Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

Saga O Regresso do Assassino (Saída de Emergência):

#1 O Regresso do Assassino

#2 Os Dilemas do Assassino

#3 Sangue do Assassino

#4 A Jornada do Assassino

#5 Os Dragões do Assassino

Saga Assassino e o Bobo (Saída de Emergência):

#1 O Assassino do Bobo

#2 A Revelação do Bobo

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Estive a Ler: O Sangue, Monstress #2

Oh! É que… ouvi pessoas a falarem por baixo da janela esta manhã. Disseram… que um monstro tinha chacinado ovelhas nas docas.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “O SANGUE”, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE MONSTRESS (FORMATO BD)

Publicado pela Edições Saída de Emergência, Monstress faz parte do segmento da editora dedicado às bandas desenhadas. O segundo álbum conta com a tradução de Renato Carreira e edição de Safaa Dib e reúne os números 7 a 12 da publicação original. Monstress é publicado nos E.U.A. pela Image Comics e venceu os prémios Hugo e British Fantasy Award em 2017 na categoria de Melhor Banda Desenhada.

A autora americana Marjorie Liu é conhecida pela participação em BD’s da Marvel Comics como X-23 ou Viúva Negra, mas foi com Monstress que acabou indicada ao Eisner, em 2016. A arte é responsabilidade da premiada artista japonesa Sana Takeda, também ela muito ligada à Marvel, em títulos como X-23 ou Miss Marvel, e à Sega, onde trabalhou como designer.

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Num mundo de inspiração oriental, uma rapariga arcânica vê-se no cerne de uma disputa de anos entre humanos e arcânicos. Muito embora pareça inofensiva, Maika Meiolobo tem dentro de si um poder imensurável, o resquício de um mal muito antigo que tem permanecido adormecido. Brilhante na arte e com um argumento maravilhoso, Monstress atira-nos para um mundo que levamos tempo a compreender, no qual a liderança matriarcal e a linguagem crua e direta nos absorvem de forma natural desde o primeiro momento.

O que salta à vista em Monstress é, desde logo, o grafismo denso de beleza art deco. O conjunto de cores, aliado ao traço vigoroso de Takeda e ao aspecto monumental do desenho é um diferencial em relação a muita da BD que é publicada por aí. As personagens adquirem traços que lembram o mangá, conseguindo imprimir nas pranchas emoções e subtilezas como poucos o fazem. Crianças de aspeto amigável lidam com interesses humanos e assombrações, sempre com uma aura pesada sobre os seus ombros. O que por si só é incrível.

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Essa aura é passada para o leitor através da arte de Sana Takeda, memorável, forte e poderosa, mas também pelo argumento de Marjorie Liu. A escrita é tensa, frívola, descomprometida, mas rica, forte em vocabulário e em significados. Madura a todos os níveis. Não se enganem: Monstress é uma história para adultos, que embora apresente gatinhos e crianças fofinhas, traz também palavrões, olhos arrancados e dedos cortados, entre muitas outras coisas.

“Pela primeira vez, conseguimos olhar para o deus dentro de Maika como um ser com vontades e temores”

O Sangue continua a narrar a antiga batalha entre arcânicos e humanos. Os arcânicos são o cruzamento dos anciãos (animais falantes) com humanos, de cujos ossos é extraído o lilium, uma substância que é a base de poder das Cumaea, as bruxas humanas. Maika é uma arcânica que se tornou também hospedeira de um deus antigo, um deus de muitos olhos, que a usa como refúgio e também como instrumento para se alimentar.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/monstress-o-sangue/

Ao mesmo tempo que tenta lidar com os poderes que vivem dentro dela, os quais não consegue controlar, Maika tenta descobrir mais sobre a sua mãe e o que a liga à tão afamada Imperatriz-Xamã que liderou os arcânicos. Tem ainda de fugir àqueles que a perseguem, sejam eles os que desconfiam do enorme poder que alberga, sejam os que sabem de quem é filha. As respostas que ela vai obtendo, porém, não são exatamente o que esperava.

Criada no seio da guerra, Maika desenvolveu uma personalidade dura, o que talvez a tenha preparado para as abordagens de que vai sendo alvo, ao mesmo tempo que a envolve num sentimento de solidão e de isolamento a que parece querer habituar-se. O gato Mestre Ren e a menina-raposa Kippa seguem-na para todo o lado, movidos pela amizade e lealdade que lhe sentem mas, muito com medo do mal que lhes trará, Maika tenta permanentemente deixá-los para trás.

Fonte: Saída de Emergência

Neste volume, muito mais centrado na busca de Maika pelas suas raízes e pela forma como reage às suas pequenas descobertas, a meio-lobo reencontra figuras do seu passado na cidade costeira de Thyria, que revisitamos nos seus flashbacks, e atravessa um mar onde arcânicos e humanos convivem, unidos em objetivos e em lealdades, para alcançar uma ilha terrível assombrada por fantasmas, onde se encontra encarcerada uma figura icónica que lhe pode dar muitas respostas sobre as suas origens.

“Interesses sub-reptícios começam a dar a cara, mas muito ainda está por mostrar.

Ao mesmo tempo que encontramos raposas, tigres e tubarões antropomórficos, macacos malévolos e cadáveres ambulantes, vamos também conhecendo mais sobre os gatos, os verdadeiros narradores da história, que possuem um papel único na narrativa, funcionando tanto como alívio cómico mas também como enciclopédia para percebermos melhor os meandros desta sociedade.

Fonte: Saída de Emergência

Muito embora se tenha focado menos nas bruxas e incidido bastante na viagem de Maika pelo oceano, achei que O Sangue não fica atrás de Despertar. Subversivo, melancólico, seco, mostrando que o nosso mundo é uma piada de mau gosto comparado com a imensa variedade de tons que este – pós-apocalíptico – consegue apresentar. Interesses sub-reptícios começam a dar a cara, mas muito ainda está por mostrar.

Pela primeira vez, conseguimos olhar para o deus dentro de Maika como um ser com vontades e temores, muito mais do que um mero monstro devorador, ainda que não seja, propriamente, digno de confiança. Vemos também que o seu passado está interligado ao de Maika, e o que pode advir daí só traz mais vontade de devorar o próximo volume. Este segundo álbum confirma, sem margem para erros, o novo fulgor literário que Monstress traz à Coleção BANG!.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 9/10

Monstress (Saída de Emergência):

#1 Despertar

#2 O Sangue

A Divulgar: “Antes de Sermos Vossos” pela Saída de Emergência

Viva, amigos e seguidores do NDZ. Hoje trago-vos uma novidade Saída de Emergência. A SdE publicou um livro que se mantém no TOP dos mais vendidos no New York Times há várias semanas. Antes de Sermos Vossos de Lisa Wingate  é baseado num dos mais conhecidos escândalos da América, em que uma instituição de adoção vendeu crianças a famílias ricas.

Lisa Wingate é uma antiga jornalista, oradora inspirada e autora de mais de vinte romances campeões de vendas. As suas obras ganharam ou foram nomeadas para numerosos prémios, incluindo o Pat Conroy Southern Book Prize, o Oklahoma Book Award, o Carol Award, o Christy Award e o RT Reviewers’ Choice Award. Wingate vive nas Montanhas Ouichita do sudoeste do Arkansas.

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Chancela: Chá das Cinco
Data 1ª Edição: 02/02/2018
ISBN: 9789897103056
Nº de Páginas: 368
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:

Inspirado em factos verídicos, esta é a história de duas famílias e da terrível injustiça que as mudou para sempre.

Nascida num mundo de riqueza e privilégio, Avery Stafford tem tudo. Filha adorada de um senador americano, com a sua própria carreira como advogada e um noivo maravilhoso à espera em Baltimore, ela vive uma vida encantada.

Mas quando regressa a casa para ajudar o pai com um problema de saúde, um encontro casual com May Crandall, uma idosa desconhecida, deixa Avery profundamente abalada. Ao decidir descobrir mais sobre a vida de May irá embarcar numa viagem pela história oculta de crianças roubadas e adoções ilegais. E cedo irá desvendar um segredo que pode levar à devastação… ou à redenção.

Baseado num dos mais conhecidos escândalos da América — em que uma instituição de adoção vendeu crianças a famílias ricas —, este romance comovente e fascinante recorda-nos como, apesar de os caminhos que tomamos levarem a muitos lugares, o coração nunca esquece onde pertencemos.

A Divulgar: “Sonho Febril” e “A Canção da Espada” pela Saída de Emergência

É já a 23 de fevereiro que sairá uma nova edição do livro lançado em 2010 pela Saída de Emergência. Da autoria de George R. R. Martin, o conhecido autor de A Guerra dos Tronos, Sonho Febril é um livro sobre vampiros protagonizado por Abner Marsh, um capitão falido mas respeitável, que é abordado por um misterioso aristocrata chamado Joshua York, que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos.

A 2 de março ficará disponível o quatro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell. A Canção da Espada retoma as batalhas épicas de Uthred de Bebbanburg, batalhas emocionantes e cheias de vida como só o autor britânico sabe narrar. A Canção da Espada virá acompanhada, para quem comprar o livro pelo site da Saída de Emergência, do livro A Águia do Império de Simon Scarrow, como oferta. Só boas razões para apostar nesta editora.

Sem título

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG
Data 1ª Edição: 23/02/2018
ISBN: 9789897730917
Nº de Páginas: 400
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:

Venha conhecer a lenda do Fevre Dream e a sua jornada inesquecível pelo grandioso rio Mississípi.

Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, um capitão falido mas respeitável, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão caprichosos pareçam os seus actos.

Mais tarde, quando navegam o rio, rumores aparecem sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada e tem amigos nunca vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream aparece um rasto de corpos… Ao aperceber-se de que embarcou numa viagem cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.

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Chancela: Saida de Emergência
Data 1ª Edição: 02/03/2018
ISBN: CANCAOIMPERIO
Nº de Páginas: 320
Dimensões: [160×230]mm
Encadernação: Capa Mole
SINOPSE:

Numa Inglaterra dominada por senhores de guerra, eis que chega uma história envolvente de amor, traição e violência.

Corre o ano de 885 e a Inglaterra está em paz. Uhtred, saxão por sangue viking por natureza, parece ter assentado. Possui terras, tem uma esposa, dois filhos e um dever que lhe foi atribuído pelo rei Alfredo: defender a fronteira do Tamisa.

Mas os problemas espreitam: um homem voltou dos mortos e hordas de vikings chegaram para atacar Londres, convidando Uhtred a juntar-se-lhes. Alfredo tem ideias opostas: quer que Uhtred expulse esses saqueadores.

São tempos perigosos, e Uhtred tem de decidir a quem vai ser fiel. Até porque tudo se complica quando a filha de Alfredo casa e se torna uma ameaça ao reino do próprio pai. Será a lealdade incerta de Uhtred a decidir todo o futuro de Inglaterra?

Estive a Ler: A Espada de Shannara, A Espada de Shannara #1

Setecentos anos antes, a grande Muralha Exterior fora construída no limite do planalto, estendendo-se ao máximo que a natureza permitia. Nas planícies férteis, abaixo da fortaleza, ficavam as fazendas e as terras de plantio que alimentavam a cidade, a terra escura nutrida e sustentada pelas águas vitais do grande Mermidon, que corria para sul e para leste.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A ESPADA DE SHANNARA”, PRIMEIRO VOLUME DA TRILOGIA A ESPADA DE SHANNARA

Terry Brooks não é um nome novo no mundo da fantasia. E Shannara é um título bem conhecido para aqueles que se encontram familiarizados com o género. Não só Terry foi um dos escritores mais conhecidos de fantasia épica nos anos 80 e 90 do século passado, como a sua obra se mantém “na moda”, como se pode ver pela série The Shannara Chronicles, estreada em 2016. A primeira temporada foi produzida pela MTV e a segunda e última temporada, pela Spike.

O autor norte-americano, nascido Terence Dean Brooks, ficou conhecido pela trilogia A Espada de Shannara, a que se seguiram duas dezenas de livros passados no mesmo universo. Publicado pela Saída de Emergência em 2015, com tradução de Ana Cristina Rodrigues e adaptação de Idalina Morgado, A Espada de Shannara é um livro de 560 páginas que narra a história de Shea Ohmsford, um meio-elfo, e a sua busca pela ambicionada espada que dá título ao livro.

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Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Terry_Brooks_-_Lucca_Comics_%26_Games_2016.jpg

O primeiro volume, A Espada de Shannara, foi publicado em 1977, e se J. R. R. Tolkien não se ergueu da sepultura nessa ocasião, podes ficar descansado, que não o virá a fazer. As semelhanças entre este livro e a trilogia O Senhor dos Anéis são gritantes, de tal modo que fico surpreendido como é que Terry não foi acusado de plágio. Infelizmente para ele, isso não chegou para fazer a sua obra boa. A Espada de Shannara é um livro fraquinho.

“O ritmo foi satisfatório e, felizmente, a história que Terry tinha para copiar de O Senhor dos Anéis chegou ao fim.

Shea foi criado por Curzad Ohmsford. Desde cedo percebeu que não era o verdadeiro filho do estalajadeiro, uma vez que tinha traços elfos, mas isso não o impediu de o ver como pai e ao filho de sangue deste, Flick, como irmão. Tudo corria normalmente na vida deles, até que um sujeito alto e de ar sombrio os visita e conta a Shea que ele é descendente de Jerle Shannara, um grande rei élfico. Como se não bastasse, conta-lhe ainda a História das Quatro Terras e o papel que lhe é destinado.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/a-espada-de-shannara/

Esse sujeito é Allanon, um Druida. Ele diz a Shea e a Flick que o mundo foi em tempos dominado pela ciência. Sim, a série Shannara é passada no nosso mundo, e os elfos, anões, gnomos e afins ficaram assim devido a mutações provocadas pelas radiações, após as Grandes Guerras que conduziram a Humanidade à quase extinção. Acontece que depois das Grandes Guerras a ciência foi esquecida e os homens apostaram na exploração do mundo místico e espiritual.

A ambição pelos conhecimentos e pelo poder, no entanto, levaram a que um druida chamado Brona se virasse contra os restantes. Lutou contra Bremen, o líder dos druidas, e conduziu a Humanidade às conhecidas Guerras das Raças. Mais tarde, Brona viria a ser conhecido como Lorde Feiticeiro, uma criatura maligna que vigia as Quatro Terras através dos seus soldados espectrais, os Portadores da Caveira.

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Fonte: https://ediduch.myportfolio.com/the-shannara-chronicles-allanon

Se conheces O Senhor dos Anéis, a história não te trará grandes novidades. Aqui o objetivo do jovem herói é procurar a Espada de Shannara, uma vez que é a única arma que pode aniquilar o Lorde Feiticeiro. A questão é que só um descendente de Jerle Shannara pode segurar a espada, e o Feiticeiro tem vindo a matar todos os descendentes para impossibilitar a empresa. A esperança de Allanon é que o Lorde Feiticeiro desconheça a identidade de Shea.

Ao lado do seu irmão Flick e de Allanon, do jovem príncipe Menion de Leah, do respeitado Balinor Buckannah, do anão Hendel e dos elfos Durin e Dayel, Shea inicia uma jornada árdua que os leva a todos a fins mais ou menos expectáveis, na luta contra as armas nefastas do Lorde Feiticeiro e contra os exércitos de gnomos. Shea acaba por cruzar-se com uma dupla de ladrões improvável, o imprevisível Panamon Creel e o troll de pedra Keltset Mallicos, interessados nas Pedras Élficas que Allanon lhe oferecera.

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Fonte: https://ardinaryas.deviantart.com/art/Menion-Leah-279325651

Como já referi, o livro vive muito da linha narrativa de Tolkien, alguns acontecimentos praticamente copiados a papel químico. Vários momentos protagonizados pelo anão e a introdução de Panamon e Keltset acabaram por ser os pontos mais positivos e originais, deixando claro que, quando Brooks fugia ao estéreotipo, conseguia fazer alguma coisa de interessante.

Se há livros pelos quais vale comprar pela capa, A Espada de Shannara é, seguramente, um deles.

De qualquer forma, é difícil escrever algo com qualidade quando se vive à sombra de uma figura maior, e Terry Brooks não se esforçou minimamente para esconder o seu fascínio por O Senhor dos Anéis. Com alguma diferença em termos de qualidade, na verdade. Os personagens de Brooks são superficiais e pouco cativantes, e apesar de acreditar que a premissa não fosse tão batida no tempo em que o livro foi escrito, tanto as histórias como os diálogos soaram imenso a deja vu.

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Fonte: https://seriemaniacos.tv/shannara-chronicles-cancelado/

É certo e sabido que eu não sou grande admirador de espadas mágicas, senhores negros e jornadas de aventura, mas mesmo assim consigo tirar algo de bom deste livro. E esse algo de bom está muito relacionado com os pequenos momentos em que Brooks se descolou de Tolkien, assim como a escrita do autor não foi o desastre que em alguns momentos sugeriu tornar-se. Infelizmente, a grande maioria dos diálogos foram extremamente infantis, mas mesmo com algumas descrições pobres como “o homem alto” de cada vez que indicava Allanon, Terry Brooks mostrou ter um vocabulário amplo e uma escrita assim-assim.

Ter um vocabulário amplo e uma escrita assim-assim, no entanto, não significa que me tenha agradado por aí além. Por vezes o vocabulário não é tudo para que a escrita seja boa, e notei muita falta de maturidade literária na escrita do autor. O ritmo foi satisfatório e, felizmente, a história que Terry tinha para copiar de O Senhor dos Anéis chegou ao fim. O que é que isto significa?

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Fonte: https://beyondthepalegate.wordpress.com/category/books/

Significa que o segundo volume tem tudo para ser melhor. Não só Brooks teve margem para melhorar a nível de escrita, como as histórias em redor do neto de Shea, Wil Ohmsford, têm tudo para ser mais interessantes em As Pedras Élficas de Shannara. Vi alguns episódios da série e a história de Wil não me convenceu, mas penso vir a ler o livro, para tirar as teimas.

Agora, se me perguntarem o que gostei mais neste volume, respondo sem hesitar. A edição da Saída de Emergência é lindíssima, não só a capa como os desenhos dos mapas no interior. Se há livros pelos quais vale comprar pela capa, A Espada de Shannara é, seguramente, um deles.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 3/10

A Espada de Shannara (Edições Saída de Emergência):

#1 A Espada de Shannara

Estive a Ler: O Sangue dos Elfos, The Witcher #3

Outro choque, mergulho na lama, violenta batida contra o solo assustadoramente parado após aquele selvagem galope. O penetrante e rouco relincho do cavalo que tenta erguer o quadril. O trote de ferraduras, a fulminante passagem de garupas e cascos. Capas e xairéis negros como a noite. Gritos.

O texto seguinte aborda o livro “O Sangue dos Elfos”, terceiro volume da série The Witcher 

Convidado da Saída de Emergência na última edição da ComicCon Portugal, Andrzej Sapkowski autografou centenas de exemplares dos seus livros já publicados em português, sempre com um copo de vinho a acompanhá-lo. Publicado pela primeira vez em 1994, O Sangue dos Elfos é o terceiro volume da série The Witcher, que serviu de base para o jogo de computador com o mesmo nome.

Em Portugal, o livro é uma das apostas fortes da Coleção BANG! para este início de ano, estando disponível nas livrarias a partir de hoje. Com um total de 288 páginas, tradução de Tomasz Barcinski e adaptação de Rui Azeredo, O Sangue dos Elfos retoma a história de Geralt de Rivia, o famoso bruxo caçador de monstros. Se os dois primeiros volumes foram narrados em forma de contos, este livro inicia The Witcher, no que diz respeito à ação propriamente dita.

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Fonte: https://heavymetalhanzo.deviantart.com/art/The-Witcher-III-Hunting-The-Royal-Griffin-546925749

Fiquei de queixo caído com as primeiras páginas deste livro. As descrições de batalha com que O Sangue dos Elfos tem início são tão deliciosamente “What the Fuck!” que as minhas expectativas quadriplicaram. Não posso dizer que tenham sido, de todo, goradas, mas a promessa perdeu-se um pouco ao longo do livro. Ainda assim, este é, claramente, um livro melhor que o antecessor.

“Senti alguma falta de senso ou de elos de ligação entre os capítulos.”

A escrita de Sapkowski, que me parecera menos elaborada e até menos competente em A Espada do Destino, voltou a superar-se. Em boa verdade, posso dizer que a escrita é o melhor do livro: madura, fluída e bem-humorada. E as ideias narrativas do autor polaco são bem interessantes. Infelizmente, acho que ele tem alguma dificuldade em executá-las, ou talvez seja o seu jeito de o fazer que não me “apaixona”.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/o-sangue-dos-elfos/

O mundo onde The Witcher se passa ainda me é estranho. Parece ser um mundo original inspirado no folclore eslavo e nos contos de fadas, mas no entanto sucedem-se expressões latinas que deixam claro que a etimologia deste mundo tem base no nosso latim e também no dinamarquês, como o idioma westerosi das Crónicas de Gelo e Fogo foi construído a partir do idioma anglo-saxónico.

Senti alguma falta de senso ou de elos de ligação entre os capítulos. São sete ao todo, iniciados com pequenos trechos de livros fictícios que nos dão algumas pistas do que podemos encontrar em cada capítulo. Algumas ideias e mesmo o nexo causal entre os acontecimentos perdem-se, acabando por fazer o leitor sentir-se desfasado do que vai acontecendo entretanto.

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Fonte: https://www.brokenjoysticks.net/2017/03/16/love-witcher-read-blood-elves/

Se, por um lado a opção do autor em fazer saltos temporais entre capítulos tornou a leitura ágil, sem pormenores de somenos importância explorados ad nauseam, fiquei um pouco desiludido por não testemunhar qualquer encontro entre Geralt e Yennefer, não ver como o bruxo e Jaskier se reencontraram, e mesmo a ligação inicial entre a feiticeira com a pequena Ciri só nos foi apresentada posteriormente, através de lembranças.

“De certa forma, se os dois primeiros volumes foram uma prequela para a série, este terceiro pode ser considerado um prólogo.

Também achei que o autor focou-se imenso em Triss Merigold para depois abandoná-la a “meio da estrada” e não voltar a aparecer. Tratando-se de uma saga grande, feita de livros pequenos, acabo por compreender a opção, muito embora não me possa deixar de desagradar o tempo de antena dado aos anões, que falaram, falaram, falaram, e depois de uma cena de ação (por sua vez excelente), desapareceram do mapa para não mais voltarem a dar cor de si. E, neste caso, ainda bem.

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Fonte: http://booksfrommars.blogspot.pt/2015/07/guest-book-review-blood-of-elves_2.html

A narrativa voltou a girar em torno da Criança Surpresa, Cirilla de Cintra, que se vê nas mãos de Geralt de Rivia quando a cidade cai às mãos dos exércitos nilfgaardianos e todos julgam que a princesinha morreu durante a batalha. Geralt reclama então para si a responsabilidade de a levar para Kaer Morhen, onde um grupo de bruxos se encarrega da sua educação como guerreira e bruxa.

Questões como a menstruação e os dons mediúnicos da menina, porém, deixam claro que ela precisa do cuidado de mãos mais sensíveis. O que se torna imperial quando o velho amigo de Geralt, o trovador Jaskier, canta em público como ela sobreviveu à batalha, gerando rumores que a podem colocar em risco, tanto quanto a Geralt. A partir daí, vários reinos e facções políticas erguem uma caçada à origem de tais rumores, levando Geralt a elaborar um plano e a “dividir as tropas”.

Felizmente, tudo o que desgostei no livro foi compensado com belas sequências de ação e de aventura, sempre com Geralt, Ciri, Yennefer, Triss e Jaskier como protagonistas. Os acontecimentos na Redânia, com a participação de Phillipa Eilhart e a caça ao misterioso Rience foram excelentes, assim como o último capítulo que desenvolveu magistralmente a relação de Yennefer com a leoazinha de Cintra.

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Fonte: https://steamey.deviantart.com/gallery/46768332/The-Witcher

De facto, a caracterização e profundidade das personagens são os trunfos deste livro, e este talvez merecesse mais umas quantas páginas para que elas conhecessem um desenvolvimento mais sustentado. De certa forma, se os dois primeiros volumes foram uma prequela para a série, este terceiro pode ser considerado um prólogo.

Como fã de fantasia, The Witcher está longe de me encantar, mas não só O Sangue dos Elfos foi uma boa leitura, como é impossível negar a sua qualidade. A escrita é muito boa e a narrativa só precisava de mais alguma linearidade e consistência para poder afirmar o mesmo. Para um livro escrito em 94, meus amigos, isto é bom. Leiam.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 7/10

The Witcher (Edições Saída de Emergência):

#1 O Terceiro Desejo

#2 A Espada do Destino

#3 O Sangue dos Elfos

Especial: “O Reino dos Antigos” de Robin Hobb

Há artigo especial dedicado à rainha da fantasia épica? Há sim. Sentem-se nas cadeiras, amarrem os cintos e encomendem as pipocas, porque vamos ter muito do que falar. Publicada em Portugal pela Edições Saída de Emergência, a série Realm of the Enderlings tem encantado leitores em todo o mundo, e o NDZ está disposto a escrutinar o mundo que levou Robin Hobb a ser considerada essa coca-cola toda. FitzCavalaria Visionário, um dos protagonistas, carrega aos ombros uma coleção literária a que nenhum fã de literatura fantástica consegue ficar indiferente.

O Reino dos Antigos divide-se em 5 trilogias, sendo que em Portugal só conhecemos a 1.ª, a 3.ª e a 5.ª (a ser publicada atualmente). Nomeadamente, as séries protagonizadas por FitzCavalaria. A Saída de Emergência tem publicado cada uma das trilogias em 5 livros, mantendo o primeiro volume de cada igual ao original e dividindo os restantes dois volumes. Vamos saber mais sobre este reino e sobre aquilo que o diferencia dos demais.

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Fonte: http://www.telegraph.co.uk/culture/books/bookreviews/11048552/Fools-Assassin-by-Robin-Hobb-review-high-art.html

Quem é Robin Hobb?

Nascida Margaret Astrid Lindholm Ogden, na cidade de Berkeley, na Califórnia, Hobb começou por escrever para publicações infantis, mas foi com o pseudónimo Megan Lindholm que publicou vários romances de fantasia contemporânea, de 1983 a 1992. A notoriedade, porém, chegou com o pseudónimo Robin Hobb e a sua incursão na fantasia épica. Atualmente, vive em Tacoma, no Washington, e é uma das mais famosas autoras de literatura fantástica mundial.

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Fonte: http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Creator/RobinHobb?from=Creator.MeganLindholm
O Reino dos Antigos

Muitas vezes criticada pela lentidão narrativa dos seus livros, Robin Hobb acumula fãs em todo o mundo tanto pela beleza da sua prosa, como pela profundidade com que caracteriza os seus personagens, oferecendo-lhes toda a sorte de dilemas, incertezas e dramas que uma pessoa pode sentir na pele.

É esse factor emocional o que mais agarra os leitores aos seus livros, muito mais do que cenas de batalha ou assassínios que, esporadicamente, acontecem. Vamos então analisar cada uma das sagas publicadas. Ocultarei algumas mortes e acontecimentos importantes para não prejudicar a experiência de leitura a quem não leu, mas se considerarmos que o plot de cada livro já entrega algumas revelações, então sim, podes contar com vários spoilers.

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Saga do Assassino

É aqui que tudo começa. Os Seis Ducados vivem a chamada Guerra dos Navios Vermelhos contra os piratas das Ilhas Externas que sondam as suas costas. Quebal Pancru é o líder desse movimento estratégico que planeia dominar os Seis Ducados através da arte da Forja, uma espécie de magia que rouba o discernimento às vítimas e os deixa escravos dos seus apetites mais primários.

A sede dos Seis Ducados é Torre do Cervo, em cujo castelo vive a família real, composta pelo Rei Sagaz Visionário e os seus filhos. São eles Cavalaria, Veracidade e Majestoso, este último fruto da relação do rei com a segunda mulher, Desejo. A ação começa quando se descobre que Cavalaria, esposo de Paciência, teve um filho bastardo com uma plebeia do Reino da Montanha. Como ele é o Rei Expectante, ou seja, o primeiro na linha de sucessão ao trono, tal mancha na sua honra obriga-o a renunciar, e essa renúncia resulta no seu exílio e morte.

“Através da magia da Manha, Robin Hobb elabora uma crítica social contra o preconceito, que atravessa grande parte da sua obra.”

O filho bastardo, Fitz, é levado então para Torre do Cervo e colocado sob a proteção de Castro, mestre cavalariço que, para além de sentir uma ligação de lealdade genuína para com Cavalaria, viveu em tempos um romance com Paciência, a esposa deste. Castro acolhe Fitz com todo o carinho e dedica-se inteiramente à sua educação. Aquilo que os separa chama-se Manha.

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A Manha é uma magia congénita que fundamentalmente passa pela ligação fraternal entre pessoa e animal, levando ambas as partes a unir-se de uma forma que conseguem partilhar pensamentos e sentirem-se como um só. Acontece que os portadores da Manha são vistos como aberrações, e quando Castro suspeita do dom do pequeno bastardo, decide cortar o mal pela raiz. Através da magia da Manha, Robin Hobb elabora uma crítica social contra o preconceito, que atravessa grande parte da sua obra.

A dureza de Castro molda a personalidade do jovem Fitz, que acaba por ser aceite no castelo e conhecer os meandros da corte, das fragilidades e subtilezas do velho rei à mesquinhez do príncipe Majestoso. Fitz é treinado na arte do Talento, uma magia hereditária entre os Visionário que recende aos Antigos, uma civilização primordial que fora versada na magia. O Talento permite a quem o dominar o contacto mental com outras pessoas, curar ferimentos físicos ou até influenciar sonhos.

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Todavia, o Mestre de Talento, Galeno, tudo faz para que Fitz seja um desastre, acabando por feri-lo gravemente. É Veracidade, que se torna Rei Expectante, quem acaba por passar algumas das noções teóricas do Talento para o jovem bastardo, usando-o como fonte de força, enquanto o velho Breu, meio-irmão do rei e chefe da equipa de espionagem e assassinos do Trono Visionário, visita Fitz durante a noite e o treina… nas artes do assassínio.

Entre todas as intrigas palacianas e maquinações de Majestoso, que planeia tomar o trono, Fitz acaba por afeiçoar-se ao Bobo do Rei Sagaz, um rapaz muito pálido e de formas esquálidas, por Olhos-de-Noite, um lobo com quem se vincula na Manha, e ainda por Kettricken, a princesa do Reino da Montanha. Por dever político, Kettricken acaba por casar-se com Veracidade, e a pouco e pouco começa a amá-lo.

Acusado de Manha, esconjurado e dado como morto, FitzCavalaria só pode contar com o amor dos que o viram crescer e com as suas capacidades inatas para ajudar Veracidade a libertar os Seis Ducados, seja contra os piratas dos Navios Vermelhos, seja contra o seu próprio irmão. Descobre ainda que o Bobo é, na verdade, um Profeta Branco, destinado a prenunciar os acontecimentos do mundo, e que ele, Fitz, é o seu Catalisador, aquele que está destinado a alterá-los.

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Os Mercadores de Navivivos

Um Navivivo é feito de Madeira de Feiticeiro, uma substância antiga com propriedades mágicas. Quando três gerações de proprietários de um navio morrem a bordo, um navio desperta e torna-se um ser sensível, agarrado às lembranças dos seus antepassados. A avó do capitão Vestrit ordenou dar vida a Vivácia, e a família Vestrit ainda está em dívida para com os comerciantes de Ermos Chuvosos, a quem compraram a madeira.

Pai de Althea, o capitão Ephron Vestrit encontra-se gravemente doente. A filha está preocupada com a saúde do pai, mas também com a ideia de que, após sua morte, Vivácia irá despertar e ela tornar-se-á a capitã do navio, posição que deve disputar com o calcediano Kyle Porto, esposo da sua irmã mais velha, Keffria.

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Com a morte de Ephron, a família Vestrit desmorona, atolada em dívidas. Malta, filha de Keffria, segue as pisadas do pai, pisando quem quer que se coloque no seu caminho. Desesperada e incapaz de se afirmar digna de Vivácia, Althea afasta-se, procurando uma forma de provar que é uma marinheira competente. Entretanto, Kyle descobre que é incapaz de controlar Vivácia sem alguém de sangue Vestrit a bordo.

Sem Althea, a sua única alternativa é forçar o seu filho Wintrow, que quer ser sacerdote, a juntar-se-lhes a bordo do navio. Wintrow tem dificuldade em adaptar-se à vida no navio, mas apesar de se sentir amargurado por ser arrancado ao mosteiro, nele cresce um vínculo fortíssimo com Vivácia.

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Fonte: https://doctorpiper.deviantart.com/art/Althea-Vestrit-599832010

Em simultâneo, o ambicioso pirata Kennit deseja tornar-se mais do que um pirata: deseja ser rei entre eles. Ele persegue os navios escravos para libertá-los. Os escravos libertos tripulam então os navios capturados como uma frota de piratas sob o comando de Kennit. Dirige-se a Vivácia, que se tornou um navio de escravos sob o controlo de Kyle, consegue capturá-lo e tornar-se seu capitão.

Enquanto Kennit estabelece uma relação com Vivácia e com Wintrow, que realmente acreditam que Kennit tem motivos válidos e boas intenções em tornar-se Rei dos Piratas, Althea tenta recuperar o navio da sua família, navegando contra o pirata a bordo de um Navio Louco. Uma sequência de revelações desvendam uma horrível crueldade nos Ermos Chuvosos, onde fora abortada pelas mãos dos homens aquilo que poderia ser uma nova linhagem de dragões, através de um sistema de evolução das serpentes marinhas.

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Saga O Regresso do Assassino

Quinze anos passaram-se desde o final da Saga do Assassino. O mundo pensa que FitzCavalaria morreu, e este está escondido do mundo, com o seu lobo, Olhos-de-Noite, e o filho adoptivo, Zar, com quem vive humildemente. De quando em quando, Fitz é alvo da visita da menestrel Esporana, sua amante. Mas quando o velho Breu o visita e lhe pede para regressar a Torre do Cervo, este recusa determinantemente. Um dos plot-twists mais deliciosos de toda a série é que a rapariga que ama, Moli, caiu nos braços do homem que o criou, e com ele teve os seus filhos.

Na forma de um lobo, Fitz contacta em sonhos com a filha que tiveram juntos, Urtiga, mas esta não sabe que ele é seu pai e olha para Castro como se o fosse. Se soubessem que Fitz estava vivo, Moli e Castro nunca se perdoariam. No entanto, o entusiasmo de Zar para com a cidade, onde deseja aprender um ofício, e a visita do seu velho amigo Bobo, agora um excêntrico homem dourado que se diz proveniente da Jamaília, fazem-no mudar de ideias.

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Fitz ruma a Torre do Cervo como Tomé Texugo, criado de Dom Dourado, a nova identidade do Bobo. Ali, Fitz torna-se mais uma vez peça da rede de espionagem de Breu, mas também constata como tudo mudou na sua ausência. Com a morte de Sagaz, Veracidade e Majestoso, a cidade evoluiu. Kettricken é agora a Rainha por direito, ao lado do seu filho com Veracidade, o príncipe Respeitador.

“Muito mais fluído e surpreendente que a primeira série, a Saga Regresso do Assassino marca uma fuga aos clichés e a questão do preconceito volta a assumir um lugar de destaque”

Respeitador está prometido em noivado à narcheska Eliânia das Ilhas Externas, um negócio muito importante para manter a paz que se conseguiu com aquele povo após o final da Guerra dos Navios Vermelhos. No entanto, o príncipe desapareceu. Segundo todas as pistas de Breu, Respeitador pode ter a magia da Manha, e ter seguido uma gatinha que lhe fora oferecida até às mãos dos Pigarços, um perigoso grupo de manhosos que se envergonha dos que renegam sê-lo e atentam a várias personalidades famosas denunciando serem portadores do mesmo dom.

Após uma tortuosa perseguição, Fitz e o Bobo conseguem recuperar o príncipe e desbaratar as forças pigarças, pagando um preço alto por isso, com a morte de um ente-querido. Pouco a pouco, os problemas de Fitz centram-se nos desaires amorosos do filho adoptivo Zar com a oportunista Esvânia, e com a falta de motivação de Respeitador para com a narcheska Eliânia. Quando uma comitiva de Vilamonte alerta Kettricken dos problemas em Ermos Chuvosos e para a existência do dragão Tintaglia, os problemas adensam-se.

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Ao ofender a narcheska, o príncipe é desafiado por ela e esta só aceita casar-se consigo se este cortar a cabeça a um dragão, Fogojelo, alegadamente enterrado na ilha de Aslevjal. Respeitador ruma às Ilhas Externas à frente de uma imensa comitiva, onde se destaca o Círculo de Talento do príncipe, que inclui Fitz, Breu e Obtuso, um simplório criado de Breu que forja uma relação de amor-ódio para com Fitz.  Em Aslevjal, Fitz encontra pessoas do seu passado, e também a temível Mulher Pálida, uma das principais responsáveis pela Guerra dos Navios Vermelhos.

Muito mais fluído e surpreendente que a primeira série, a Saga Regresso do Assassino marca uma fuga aos clichés e a questão do preconceito volta a assumir um lugar de destaque, tanto na apreensão dos comuns para com a Manha, como para com a sexualidade do Bobo, cuja nuvem de dúvida que se produz à sua volta cria uma cisão entre este e o protagonista.

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As Crónicas dos Ermos Chuvosos

O ano chegou ao fim e o último dragão conhecido, Tintaglia, supervisiona mais uma tentativa de trazer os dragões ao mundo através das velhas serpentes. O Conselho dos Ermos Chuvosos concorda em ajudá-la, com a contrapartida que ela os auxilie na guerra contra Calcede. Sisarqua, uma rainha-serpente, luta para terminar o seu processo de evolução.

O capitão do barco Tarman, Leftrin, encontra o embrião de um dragão que foi levado pelo rio. No início, ele pensa em vendê-lo para obter lucro, mas depois decide levá-lo para o navio tendo em vista a sua própria proteção futura.

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Thymara, uma menina de 11 anos, acompanha o pai para assistir à incubação dos dragões, mas fica chocada ao descobrir que as novas crias são fracas e deformadas. Entra em contacto com uma quando o seu pai é quase comido vivo. Sisarqua transformou-se num dragão, agora chamado de Sintara, e mostra-se preocupada em perceber que as suas proporções estão erradas e que não é o que deveria ser. Infelizmente, é muito provável que nunca voe.

Alise Kincarrion, por sua vez, é uma jovem solteirona que ocupa a maior parte do seu tempo a estudar dragões e a história dos Antigos. Sente-se alvo de um comerciante local bem parecido, de seu nome Hest Finbok, mas quando o aborda acerca das suas intenções, ele garante-lhe que, embora não esteja apaixonado, deseja casar-se com ela por conveniência. Finbok deseja um herdeiro, em troca oferece-lhe o financiamento para os seus estudos.

A jovem fica inicialmente entusiasmada com a ideia, mas depressa percebe que ela veio da cabeça da sua amiga de infância, Sedric. Quando a relação revela-se de um total e terrível embaraço, Finbok acusa-a de infertilidade, mas depressa Alise descobre que o marido e a sua amiga Sedric são amantes. Quando ameaça espalhar boatos sobre a sua virilidade, ele decide enviá-la em viagem, e uma vez que Sedric toma o partido da amiga, decide mandá-la com ela.

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Fonte: https://thereseofthenorth.deviantart.com/art/Sintara-and-Alise-324608770

Por sua vez, o capitão Leftrin quer dar um contrato vitalício a todos os seus trabalhadores para proteger o segredo do uso ilegal da Madeira de Feiticeiro, então proibida. O único homem com reservas para assinar é Swarge, que admite estar noivo e não querer separar-se da sua futura esposa. Leftrin admite então a esposa de Swarge a bordo do navio, de modo a que, dessa forma, eles possam estar juntos e Swarge assine o contrato.

Entretanto, os dragões estão fracos e incapazes de se alimentar, dependendo de caçadores para fornecer-lhes alimentos. À medida que os dragões mais fracos morrem, os mais fortes comem-nos para obter as suas memórias. Tintaglia encontra-se em parte incerta, havendo rumores de que finalmente encontrou um parceiro, e ninguém acredita que regresse. Os dragões começam a trabalhar para encontrar o caminho secreto para a cidade perdida de Kelsingra, que pertencera aos Antigos. Mercor elabora um plano para convencer o Conselho dos Ermos Chuvosos de que é sua a ideia de transportar os dragões para a cidade perdida, usando as suas memórias ancestrais como guia.

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Fonte: https://9gag.com/gag/adjpyAj/fitzchivalry-farseer-from-the-realm-of-the-elderlings-series-by-robin-hobb-any-fans

Saga Assassino e o Bobo

A série Assassino e o Bobo é o coroar da obra de Robin Hobb. Após o desaparecimento de Castro, Fitz reconquistou o seu lugar ao lado de Moli e da filha Urtiga. É para as terras que esta herdou de Paciência, Floresta Mirrada, que o casal vai viver, com os filhos que Moli gerara com Castro. Muitos anos passaram-se, e Fitz nunca mais voltou a ver o Bobo, depois de um incidente com um Portal de Talento que os levou a desencontrarem-se no dia em que se iriam despedir para sempre.

“Refrescante, emocionante, coeso e incrivelmente bem escrito, o primeiro volume, O Assassino do Bobo, foi a minha melhor leitura de 2017.”

Entretanto, uma mensageira chega a Floresta Mirrada no Festival de Primavera para falar urgentemente com Fitz. Só que não passa pela cabeça dele deixar Moli à sua espera para dançar. A visita que espere um pouco, na biblioteca. Quando, ao final da noite, vai ao encontro da mensageira, tudo o que encontra é um rasto de sangue. Os seus esforços por resolverem o incidente, porém, morrem sem resultados. E os anos continuam a passar, e eles a envelhecer. E nada de Bobo.

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Fonte: http://www.laespadaenlatinta.com/2016/11/assassins-fate-robin-hobb-vatidico.html

Devido à cura de Talento, Fitz parece mais jovem que Moli, e acaba por achar que a sua mulher está a ficar senil, quando esta lhe diz que está grávida, porque há muito passou a idade que o permitiria. Com a ajuda do mordomo Pândego, da sua filha Urtiga e do seu amigo Enigma, Fitz tenta manter a ordem em Floresta Mirrada, mas nada daquilo é fácil para ele. Urtiga tornou-se Mestra do Talento em Torre do Cervo, e parece nunca ter conseguido totalmente aceitá-lo como pai.

Um Filho Inesperado, várias mensagens que dificilmente chegam ao destino, e mortes, chocantes e imprevisíveis, culminam com o retorno tão aguardado do Bobo, no local onde menos seria expectável encontrá-lo. Dois filhos bastardos, FitzVigilante e Esquiva, são enviados por Breu para que Fitz lhes encontre utilidade, mas tornam-se mais obstáculos do que prestáveis, e as suas origens permanecem misteriosas.

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Fonte: https://www.pinterest.co.uk/torilou81/realm-of-the-elderlings/

É uma menina, Abelha de seu nome, quem carrega as responsabilidades aos ombros e quem tem de ajudar Fitz a ser o homem que precisa ser. Mas quando um grupo de Profetas Brancos chamados Servos lhe põem as mãos em cima, o que poderá fazer Fitz para a salvar?

Dar-lhes caça, juntando velhos amigos e conhecendo novos, requerendo a ajuda dos dragões de Ermos Chuvosos e dos Vestrit de Vilamonte, unindo os personagens das histórias anteriores de Robin Hobb e completando assim o intrincado puzzle que é este Reino dos Antigos. Refrescante, emocionante, coeso e incrivelmente bem escrito, o primeiro volume, O Assassino do Bobo, foi a minha melhor leitura de 2017.

Enquanto que no Brasil foi publicada a 1.ª trilogia e já saiu o primeiro volume da 2.ª, O Navio Arcano, em Portugal serão lançados, no primeiro semestre de 2018, o segundo e terceiro volume da 5.ª série. Claro está, pelas mãos da Saída de Emergência, que trará a autora a Portugal para o Festival Bang! deste ano. Ansiosos? Eu estou.

A Divulgar: “Monstress: O Sangue” e “A Revelação do Bobo” pela Saída de Emergência

É já a 19 de janeiro que sairá o segundo volume de uma das novas sensações da Saída de Emergência. Falo da banda desenhada Monstress, da argumentista Marjorie Liu e da ilustradora Sana Takeda. Depois de ser publicado o primeiro volume em julho, a editora assegurou a continuação da série, trazendo O Sangue já neste início de 2018. Lê aqui a minha opinião ao primeiro volume, uma das melhores bandas desenhadas que tive a oportunidade de ler no ano que agora terminou.

E a 9 de fevereiro, o mesmo dia em que serão também lançados Aceitação de Jeff VanderMeer e Um Estranho numa Terra Estranha de Robert Heinlein, sairá A Revelação do Bobo, o segundo volume da Saga Assassino e o Bobo de Robin Hobb. Continuam assim as aventuras de FitzCavalaria e companhia, depois de o primeiro volume, O Assassino do Bobo, ter sido a minha melhor leitura de 2017, como podes ler na opinião ao mesmo, assim como no artigo que premiou as melhores leituras do ano. Quem comprar A Revelação do Bobo através do site, terá como bónus o livro Windhaven, de George R. R. Martin e Lisa Tuttle.

Sem título

SINOPSE:

Num mundo alternativo de beleza art déco inspirado na Ásia oriental, criaturas demoníacas e poderosas ameaçam o mundo.

Maika Meiolobo está a ser perseguida por uma coligação de forças determinada a controlar e a destruir a poderosa criatura demoníaca que habita dentro de si. Mas Maika não descansará enquanto não cumprir a sua missão: descobrir os segredos da sua falecida mãe, Moriko.

Nesta sequela, a jornada de Maika irá levá-la à cidade de Thyria, controlada por piratas, e através dos mares à misteriosa Ilha dos Ossos. Será uma viagem que irá forçar Maika a reavaliar o seu passado, presente e futuro e onde irá aprender que não pode confiar em ninguém, incluindo no seu próprio corpo…

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Chancela: Saida de Emergência

Coleção:BANG

Saga/Série:Monstress Nº: 2

Data 1ª Edição: 19/01/2018

ISBN: 9789897730900

Nº de Páginas: 160

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Sem título

SINOPSE:

Após os acontecimentos de O Assassino do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz.

Depois de garantir que nunca mais a deixaria só ou negligenciada, Fitz abandonou a sua filha Abelha para correr para Torre do Cervo a fim de tentar salvar a vida do velho amigo Bobo. A consequência foi a mais terrível: um ataque à sua casa e o rapto da pequena, que desaparece sem deixar rasto.

Encontramo-lo neste volume dilacerado entre as obrigações para com o Bobo e o que a consciência lhe exige que faça para tentar recuperar a filha. Mesmo o regresso a Torre do Cervo traz grandes perigos, pois no local onde nasceu e viveu durante muitos anos ainda perdura a sua má fama de Bastardo Manhoso e assassino. O que poderá Fitz fazer para trazer a paz de novo ao seu mundo?

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Chancela: Saida de Emergência

Coleção:BANG

Saga/Série:Assassino e o Bobo Nº: 2

Data 1ª Edição: 09/02/2018

ISBN: REVELACAOWIND

Nº de Páginas: 368

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

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Nota: As imagens apresentadas foram reproduzidas do site da editora

A Divulgar: “Aceitação” e “Um Estranho numa Terra Estranha” pela Saída de Emergência

Fevereiro irá começar em grande na Saída de Emergência com o lançamento de dois grandes livros de ficção científica. Aceitação de Jeff VanderMeer e Um Estranho numa Terra Estranha de Robert A. Heinlein. VanderMeer é um autor norte-americano de new weird muito conhecido pela trilogia Área X de que Aceitação é o terceiro e último volume. Consulta aqui e aqui a minha opinião aos dois primeiros volumes da série, que recomendo vivamente a quem quiser enveredar por este género literário que privilegia o bizarro.

Um Estranho numa Terra Estranha é já um clássico da ficção científica. Carregado de metáforas e significados político-sociais, o livro de Heinlein fala sobre um humano que cresceu entre os marcianos, depois de todos os outros tripulantes da nave espacial em que nasceu terem morrido. Este livro traz ainda, para quem o adquirir através do site, O Messias de Duna de Frank Herbert, como bónus. Mais uma razão para não perder esta nova edição.

Sem título

SINOPSE:

Será que há finalmente respostas para os mistérios da Área X?

O inverno chegou à Área X, a misteriosa zona que desafia toda a lógica há mais de trinta anos e que tem resistido a inúmeras expedições que procuram desvendar os seus segredos.

À medida que a Área X se expande, a agência responsável por investigá-la colapsa e mergulha no caos. Cabe a uma última e desesperada equipa atravessar a fronteira e alcançar a ilha remota que pode conter as respostas ao enigma. Se falharem, o mundo vai sucumbir à devastação que não para de alastrar.

Neste último volume, a verdade sobre a criação da Área X poderá ser revelada, bem como os eventos e protagonistas que originaram a sua contaminação. Mas estarão os membros da equipa preparados para as implicações aterradoras e profundas dessas revelações?

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Chancela: Saida de Emergência

Coleção:BANG

Saga/Série:Trilogia Área XNº: 3

Data 1ª Edição: 09/02/2018

ISBN: 9789897730955

Nº de Páginas: 288

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Sem título

SINOPSE:

Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente.

Nascido na fatídica nave espacial e salvo pelos Marcianos que o criaram e lhe ofereceram uma nova vida, Valentine Michael Smith nunca viu um ser humano até ao dia em que é descoberto por uma segunda expedição a Marte.

Ao regressar à Terra, vê-se pela primeira vez entre o seu povo. Começa então um percurso de aprendizagem dos códigos sociais e preconceitos da natureza humana, totalmente alienígenas para a sua mente. Nesse processo de descoberta e integração, Valentine irá partilhar com a Humanidade os rituais sagrados que aprendeu em Marte e retribuir com as suas próprias crenças sobre o amor e o sentido da vida. Mas conseguirá alguma vez deixar de se sentir um estranho numa terra estranha?

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Chancela: Saida de Emergência

Coleção: BANG

Data 1ª Edição: 09/02/2018

ISBN: ESTRANHOMESSIAS

Nº de Páginas: 352

Dimensões: [160×230]mm

Encadernação: Capa Mole

Nota: As imagens apresentadas foram reproduzidas do site da editora.

 

Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.