Resumo Trimestral de Leituras #12

O ano de 2017 chegou ao fim com 96 leituras no seu total, entre livros, BDs e contos avulsos. Foram em geral ótimas leituras, cujas opiniões podes consultar na minha lista anual, assim como podes conferir os Prémios NDZ atribuídos em As Escolhas de 2017. Este último trimestre foi maravilhoso, com três ou quatro leituras a destacarem-se em cada mês. Robin Hobb, Neil Gaiman, Brandon Sanderson, Dan Brown, Brent Weeks e Steven Erikson são os autores que merecem o maior relevo. As antologias e coletâneas também tiveram o seu tempo, e participei ainda de um ciclo de leituras em torno dos contos de Robert E. Howard. Fica com o meu balanço do último trimestre do ano:

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Elantris, Elantris #1 – Brandon Sanderson

Maçãs Podres, Tony Chu: Detective Canibal #7 – John Layman e Rob Guillory

A Espada do Destino, The Witcher #2 – Andrzej Sapkowski

Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe – Edgar Allan Poe

Mulheres Perigosas – Vários Autores

A Torre do Elefante – Robert E. Howard

Origem – Dan Brown

Solomon Kane – Robert E. Howard

Liberdade e Revolução, Império das Tormentas #2 – Jon Skovron

Nocturno – Tony Sandoval

O Deus no Sarcófago – Robert E. Howard

O Assassino do Bobo, Saga Assassino e o Bobo #1 – Robin Hobb

O Acto de Fausto, The Witched + The Divine #1 – Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Os Portões da Casa dos Mortos, Saga do Império Malazano #2 Parte 1 – Steven Erikson

Caminho das Sombras, Anjo da Noite #1 – Brent Weeks

Patifes na Casa – Robert E. Howard

Uma Pequena Luz, Outcast #3 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

À Margem das Sombras, Anjo da Noite #2 – Brent Weeks

Saga Vol. 7 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Deuses Americanos – Neil Gaiman

A Filha do Gigante de Gelo – Robert E. Howard

Mission in the Dark, The Dark Sea War Chronicles #2 – Bruno Martins Soares

Lines We Cross, The Walking Dead #29 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

A Rainha da Costa Negra – Robert E. Howard

Sem TítuloComecei outubro com Mitologia Nórdica da Editorial Presença, livro adquirido no Fórum Fantástico deste ano. Uma homenagem de Neil Gaiman à mitologia que tanto inspira as suas obras, o livro é de leitura fácil e conta a versão suave e bem-humorada do autor britânico sobre a história de Thor, Odin, Loki e companhia, desde a criação dos mundos até ao tão temido Ragnarok. Um dos livros que mais gostei de ler do escritor, que prima sobretudo pela simplicidade da composição. O primeiro livro publicado por Brandon Sanderson, Elantris revela algumas deficiências a nível estrutural e, sobretudo, alguma inexperiência na forma como resolveu as situações finais do livro, recorrendo a forças inexplicáveis para “salvar o dia”. Ainda assim, adorei. A forma como Sanderson nos apresenta Raoden, Sarene e Hrathen e os desenvolve é simplesmente genial. Um príncipe que se transforma, da noite para o dia, num morto-vivo, uma princesa prometida que chega ao reino do noivo e descobre que ele morreu e um sacerdote de armadura vermelha destinado a converter um povo à doutrina dos seus superiores são os personagens centrais de uma história envolvente e encantadora com um ritmo cada vez mais entusiasmante a cada virar de página. Foi publicado no Brasil pela Leya.

Sem títuloO sétimo volume de Tony Chu: Detective Canibal, intitulado Maçãs Podres, continua a boa senda da BD publicada em Portugal pela G Floy. Agora que nos adentramos pela segunda metade da série, as aventuras do detective mais irreverente das BDs tendem a dispersar-se, mas vários caminhos entrecruzam-se e a morte da sua irmã gémea é o mote para mais um álbum hilariante, em que tudo (ou nada) pode acontecer. De pessoas que adquirem a expressão facial daquilo que comem a um menage a trois inusitado protagonizado pelo colega ciborgue do protagonista, Maçãs Podres é mais uma prova do talento de John Layman, argumentista que esteve no último fim-de-semana de outubro no Festival de BD da Amadora. Já o segundo volume da saga The Witcher de Andrzej Sapkowski, A Espada do Destino trouxe seis contos passados no mundo de Geralt de Rivia, servindo também de prólogo para a saga que será iniciada no terceiro volume. Alguns contos têm ideias muito boas, como o divertido “O Fogo Eterno”, em que o ananico Biberveldt descobre que um doppler adquiriu a sua forma e anda a fazer negócios em seu nome, ou os últimos dois, que nos apresentam a excelente personagem Ciri, uma menina cujo destino está entrelaçado ao de Geralt. Ainda assim, a prosa de Sapkowski não me convenceu como havia feito no primeiro volume, achei os diálogos excessivos e sem conteúdo, e sobretudo pareceu-me um livro infantil com muitos palavrões para parecer adulto. Tem qualidade, mas foi uma leitura bem mediana a meu ver.

Sem título28 dos melhores contos de Edgar Allan Poe coligidos numa edição maravilhosa em capa dura e ilustrada por 28 artistas nacionais, Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe foram uma prenda da Edições Saída de Emergência para todos os leitores. E se a edição é lindíssima, os contos fazem-lhe justiça. Poe foi um autor único e o precursor de vários géneros, como o policial e o horror e até contribuiu para o ascender da ficção científica, com uma escrita intimista capaz de mexer com os medos mais primários do leitor. Alguns contos são melhores do que outros, mas destaco “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Queda da Casa de Usher” e “O Coração Delator” como os meus preferidos. Também publicada pela Saída de Emergência, Mulheres Perigosas foi uma antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, incluindo contos de Joe Abercrombie, Brandon Sanderson, Melinda M. Snodgrass e Megan Abbott, entre outros. Muito embora explore vários géneros, o que certamente fará os leitores preferir uns em detrimento de outros, os contos que mais me agradaram foram “Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno”, ambientado no universo Cosmere de Brandon Sanderson, “Dar Nome à Fera” de Sam Sykes e “A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes” de George R. R. Martin, passado no mundo de Westeros.

Sem títuloIniciei um ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard, um dos meus autores de eleição. Em A Torre do Elefante, o conquistador Conan entra em litígio com um malfeitor numa taberna, acabando por salvar uma aristocrata da escravidão. O cimério persegue um tesouro escondido na icónica Torre do Elefante, aliando-se a ladrões e enfrentando monstros terríveis para o alcançar. Dono de uma prosa maravilhosa, Howard volta a brilhar neste conto, que já havia lido inicialmente na coletânea A Rainha da Costa Negra da Saída de Emergência. Terminei o mês de outubro a ler o mais recente livro de Dan Brown, mas só consegui escrever a opinião no início de novembro. Origem, publicado em Portugal pela Bertrand, foi o livro de Brown que menos gostei, mas não posso dizer que tenha desiludido. Seguindo os ingredientes clássicos que lhe deram sucesso, Dan Brown coloca Robert Langdon numa corrida pela sobrevivência, desta vez com menos códigos ligados à Antiguidade e mais virado para o futuro e para as tecnologias. Mais fraco que os outros livros da série, valeu sobretudo pela ação dentro da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

Sem TítuloContinuando a leitura dos velhos clássicos de Robert E. Howard, decidi-me a ler na versão italiana a coletânea de contos, poemas e fragmentos póstumos protagonizados por Solomon Kane, o puritano inglês que enfrenta homens e monstruosidades para fazer justiça com as próprias mãos. Com um sentido de moral muito profundo, as aventuras de Solomon Kane revelam Howard na sua melhor forma e escondem várias peculiaridades do pensamento da época. Publicado pela Saída de Emergência no início do mês, Liberdade e Revolução é o segundo volume da trilogia Império das Tormentas de Jon Skovron. Enquanto Ruivo se encontra confinado à cidade de Pico da Pedra, onde se tornou o melhor amigo do príncipe, Esperança Sombria tornou-se uma temível pirata, tentando ganhar nome e prestígio para, finalmente, enfrentar os biomantes e resgatar o seu amado. A história melhorou em relação ao primeiro volume, parecendo mais madura e mais fluída, com algumas adições deliciosas, como Merivale Hempist, Vassoura ou o Senhor Chapeleira.

Sem TítuloPelas mãos da Kingpin Books chegou-me o livro Nocturno de Tony Sandoval. De tons fortes e negros e desenhos adoráveis, ela traz-nos a história de um cantor rock perseguido pelo fantasma do seu pai que, depois de ser espancado e dado como morto, se transfigura como um justiceiro. Gostei bastante do conteúdo e da forma como foi apresentado, assim como da arte incrível do autor mexicano, mais do que podia adivinhar da premissa. O Deus no Sarcófago é um conto de Robert E. Howard que incluí no ciclo de leituras em redor do escritor norte-americano. Ele conta como Conan se infiltrou num templo nemédio para roubar e acabou sendo acusado do homicídio do conservador do museu, ao mesmo tempo que um mal de outras eras desperta. Policial, thriller, horror e aventura permeiam uma das histórias de Howard que mais me encantaram, um pouco por não esperar ver Conan metido numa aura de Agatha Christie.

Sem títuloPrimeiro volume da terceira trilogia de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário, O Assassino do Bobo é uma sequência incrível de acontecimentos surpreendentes. Passado maioritariamente nas propriedades de Floresta Mirrada, pertences a Urtiga e que Fitz e Moli gerem com amor, este novo livro de Hobb mantém a toada lenta e perscrutadora dos anteriores volumes, de uma forma que em vez de entediar, delicia. Constantemente a surpreender-me, este livro de Robin Hobb trouxe momentos de ação, amor, amizade, reencontros, lutas, paixões e mortes e foi, seguramente, o melhor livro que li este ano. Uma das mais recentes surpresas da G Floy Studio, O Acto de Fausto é o primeiro volume de The Wicked + The Divine, mais uma das grandes séries publicadas pela Image Comics a chegar ao nosso país. Escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie, este volume inaugural apresenta Laura, uma rapariga normal que se envolve com os deuses do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos. Apesar de não ser grande apreciador de fantasia urbana, esta é mais uma série a seguir.

Sem TítuloComecei dezembro com Os Portões da Casa dos Mortos de Steven Erikson. Publicado pela Saída de Emergência, o segundo volume da Saga do Império Malazano foi dividido em duas partes. Nesta primeira metade, deixamos a ação em Genabackis e acompanhamos a viagem de Violinista, Kalam, Apsalar e Crokus até ao continente das Sete Cidades, onde uma profecia está no cerne de um movimento rebelde às forças da Imperatriz Laseen. Acompanhamos também a jornada de Duiker, um historiador, Coltaine, um comandante intrépido, e a jovem Felisin, uma exilada. Morte e desolação seguem os passos de todos estes personagens, à medida que nos vamos envolvendo num novelo de conspiração em que a guerra e o sobrenatural se misturam. O mundo é incrível e a escrita de Erikson maravilhosa, mas não senti qualquer empatia pelos personagens, pelo que espero que a segunda parte me prenda mais. Primeiro volume da série Anjo da Noite de Brent Weeks, Caminho das Sombras é um livro de fantasia que segue os passos de um menino órfão chamado Azoth, que vive nas Tocas da cidade de Cenária. Certo dia, ele testemunha um massacre e fica obcecado com a ideia de tornar-se como o assassino, Durzo Blint. Com uma premissa muito interessante e uma escrita boa, achei Caminho das Sombras um livro mediano. As cenas foram expectáveis e o leque imenso de personagens tornou a narrativa um tanto ou quanto confusa. Ainda assim, para quem gosta de livros inebriantes e cheios de ritmo, fica a indicação. O livro foi publicado no Brasil pela Arqueiro.

Sem títuloO ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com o conto Patifes na Casa. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. A história ocorre numa cidade-estado entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata, e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com uma orelha cortada, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda. Pelas mãos da G Floy chegou até nós Uma Pequena Luz, terceiro volume de Outcast. Robert Kirkman volta a surpreender com a história de Kyle Barnes, um homem que desde a infância vê a família ser possuída por demónios. Com a ajuda de um padre, tenta descobrir a razão destas manifestações sobrenaturais e porque aparenta ter poderes especiais sobre elas. Uma Pequena Luz é um volume sólido e expansivo, cada vez mais à altura do seu próprio autor, para quem as provas dadas são “que baste” para o idolatrar. Já a arte de Paul Azaceta tem vindo a melhorar. Confesso que gosto das suas ilustrações desde o primeiro volume, mas está longe de ser dos meus artistas favoritos no género. Ainda assim, grande parte da qualidade do seu trabalho está na pintura.

Sem TítuloContinuando a série Anjo da Noite de Brent Weeks, li À Margem das Sombras, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Se achei o primeiro volume mediano, este segundo foi francamente bom. A escrita fluída e rica é uma das maiores virtudes de Weeks. Os diálogos estão cheios de humor e sarcasmo, as descrições de batalhas, movimentos e ambientes, incríveis. O set é absolutamente apelativo. Os dedos das mãos não chegam para nomear as frases de efeito. Se À Margem das Sombras fosse um filme, seria um blockbuster. Confesso que preferi a primeira metade, mais lenta e verosímil, que a segunda, cheia de volte-faces e ritmo elevado. Mas o que dizer daquele final? O cliffhanger é de deixar qualquer um a babar pelo terceiro volume. Perto de alcançar a publicação norte-americana, o 7.º volume de Saga foi, provavelmente, um dos melhores até agora. Subversivo e original, o argumento de Brian K. Vaughan convence e a arte de Fiona Staples é um espetáculo à parte. Aliando o bom humor às cenas mais chocantes de mortes e sexo, a história é contada por uma criança fruto de uma família disfuncional resultante do choque entre duas culturas distintas. Perdidos num cometa, os protagonistas da space opera vão ter de lidar com os mais diversos problemas.

Sem TítuloUma das obras mais aclamadas de Neil Gaiman, Deuses Americanos foi recentemente adaptado a uma série de TV pela Starz. Publicado em Portugal pela Editorial Presença, a obra fala de uma luta entre os deuses antigos e os novos. Sombra é um homem que sai da prisão após cumprir uma pena, quando sabe que a esposa faleceu. Durante o voo de regresso a casa, cruza-se com um senhor que diz chamar-se Quarta-Feira, e que o conduz numa espiral alucinante de acontecimentos. Gostei do livro, mas pareceu-me bastante superestimado, com uma narrativa em forma de road trip, densa e um pouco entediante, que podia ser contada como um conto. Continuando a revista aos contos de Robert E. Howard, li A Filha do Gigante de Gelo e foi um dos contos de Conan de que menos gostei. O herói cimério encontra-se num cenário de morte após uma batalha e vê uma bela mulher semi-nua, que o ofende e foge. Conan persegue-a para descobrir ser alvo de uma armadilha… sobrenatural. Segundo volume da trilogia de ficção científica The Dark Sea War Chronicles de Bruno Martins Soares, Mission in the Dark está disponível em inglês, na Amazon. Byllard Iddo continua a sua senda de sabotagem aos Barcos Silenciosos da República Axx, ao comando da nave Arrabat. Mas a Guerra do Mar Negro está longe de chegar ao fim, e nem só de vitórias se faz o seu percurso. Gostei mais deste livro que do primeiro, mesmo assim notei tratar-se de um típico volume de transição. Uma trilogia ótima, cheia de cenas de ação e humor militar.

Resultado de imagem para lines we cross the walking dead 29Lines We Cross é o volume 29 da BD The Walking Dead, com argumento de Robert Kirkman e arte de Cliff Rathburn, Charlie Adlard e Stefano Gaudiano. Apesar de ser um volume mais morno, teve várias supresas interessantes, envolvendo Dwight, Negan, uma nova personagem chamada Princesa e até envolvimentos amorosos, com Jesus, Aaron, Magna, Yumiko e Siddiq em destaque. Ao contrário da série de TV, a série em quadradinhos está cada vez melhor. E terminei o ano literário com mais um conto de Robert E. Howard. A Rainha da Costa Negra conta como Conan se lançou a bordo do veleiro Argus, para travar amizade com um capitão chamado Tito e, posteriormente, cruzar-se com a temível pirata Bêlit, também conhecida como A Rainha da Costa Negra. A escrita é maravilhosa e a primeira metade incrível, mas tanto a paixão de Conan por Bêlit me pareceu demasiado brusca, como a parte final do conto foi demasiado fantasiosa para os meus parâmetros. Resta-me deixar os votos de um ano de 2018 repleto de boas leituras e felicidades pessoais para todos os seguidores do NDZ.

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Estive a Ler: Lines We Cross, The Walking Dead #29

It’s a super great weapon. It’s really good for keeping your distance in a fight — keeps the dead from reaching you… because it’s a spear.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “LINES WE CROSS”, VIGÉSIMO NONO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

The Walking Dead tem sido, ao longo dos últimos anos, um dos maiores sucessos da Image Comics. A obra-prima de Robert Kirkman transformou-se numa das séries televisivas de maior êxito da última década e os álbuns de banda-desenhada continuam a cativar os fãs, ano após ano. O volume 29 continua a narrar os conflitos em Alexandria e Hilltop, com um argumento sólido de Kirkman e a arte levada a cabo por Charlie Adlard, Cliff Rathburn, Stefano Gaudiano, Rus Wooton e Dave Stewart. Com o título Lines We Cross, este volume inclui os números 169 a 174 da publicação original.

Questões como a liderança, a importância daqueles que nos rodeiam, o valor que lhes damos e o peso que as nossas ações podem ter na vida dos outros são sobejamente discutidas neste volume. Pareceu-me um volume de transição, em que assistimos ao desenvolvimento de relações humanas e temos poucas cenas de ação efetiva. Ainda assim, o argumento de Kirkman não desilude.

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Fonte: http://comicbook.com/thewalkingdead/2017/12/19/the-walking-dead-princess-new-character-volume-29-cover-/

Kirkman oferece uma visão panorâmica dos vários núcleos, explorando-os minuciosamente a partir do acontecimento trágico que rodeou o último volume. Focamo-nos em Rick, em Negan, em Dwight e em Maggie, mas todos os núcleos são explorados, várias revelações acontecem e somos surpreendidos com relacionamentos que até ali nos tinham passado completamente ao lado. Sabes que as próximas linhas vão estar cheias de SPOILERS, não sabes? Estás por tua própria conta e risco.

“O volume termina com vários cliffhangers em simultâneo…”

Andrea morreu e o chão pareceu fugir dos pés de Rick e companhia. Ela havia sido a sua companhia, o seu lugar-tenente na milícia, a sua melhor amiga, confidente e amante. A mãe que Lori nunca foi para os seus filhos. Era o seu pilar. Ao mesmo tempo que Andrea morreu, também Rick acabou por ver os Salvadores a rebelarem-se, matando Sherry quando ela o atacou. Isso foi só o início de algo maior. Dwight, que até então se demonstrara leal a Rick, não consegue ficar incólume à morte da mulher que amava e começa a pensar em si próprio para a liderança.

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Fonte: http://walkingdead.wikia.com/wiki/Volume_29:_Lines_We_Cross

O azedume de Dwight para com Rick polui o ar em Alexandria. Derrotado, Rick começa a dormir sobre a campa de Andrea. Mas o mundo não pára e Maggie confronta-o com a razão porque poupou Negan. Entretanto, Siddiq descobre que Eugene mantém contacto com outra comunidade por via rádio, e Rick obriga-o a concertar um encontro, para que as comunidades possam ajudar-se mutuamente. Para esse efeito, o líder destaca uma equipa.

“Cómico, engraçado e profundamente dramático, o personagem consegue fazer-nos gostar dele mesmo depois de todas as crueldades que cometeu.”

Ainda assim, Rick denota a desconfiança de Dwight e toma medidas para se proteger, pedindo a Jesus para o vigiar. Por sua vez, Maggie envia Dante para seguir Negan, decidida a não perdê-lo de vista. Já a equipa composta por Michonne, Siddiq, Eugene, Magna e Yumiko encontra a cidade de Pittsburgh abandonada, e é aqui que a primeira grande revelação do volume acontece. Siddiq confessa a Eugene que era amante da falecida Rosita, e que ela o amava.

Imagem relacionada
Fonte: http://walkingdeadbr.com/the-walking-dead-172-previa/

É aqui que as relações LGTB começam a desenrolar-se. Eugene encontra Magna e Yumiko aos beijos e elas assumem a relação que vinham tendo, enquanto que, em Alexandria, Jesus confessa a Aaron estar apaixonado por ele. O grupo de Michonne encontra, na cidade abandonada, uma personagem armada que, irónica e extremamente bem-humorada, acaba por juntar-se a eles. Diz chamar-se Princesa.

O triângulo amoroso composto por Carl, Sophia e Lydia parece não ter fim à vista. O rapaz Grimes gosta da filha de Alpha, que só o vê como amigo, enquanto a sua amiga de sempre não controla os ciúmes que sente daquela relação. Carl decide voltar a Hilltop com Maggie, que por sua vez parece cada vez mais próxima de Dante. O volume termina com vários cliffhangers em simultâneo, ao mesmo tempo que Maggie finalmente encontra Negan e o confronta com a morte de Glenn.

“Fica no ar a questão se os Salvadores aceitarão deixar Rick, depois de tudo.”

Embora a maior parte do volume permaneça dedicada à história geral, as cenas finais soaram a um interlúdio. O último número mostra o lado mais humano de Negan e todo o seu sofrimento, concentrado em Lucille como uma espécie de metáfora. Cómico, engraçado e profundamente dramático, o personagem consegue fazer-nos gostar dele mesmo depois de todas as crueldades que cometeu.

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Fonte: https://www.bleedingcool.com/2017/11/01/beta-unmasked-todays-walking-dead-173-spoilers/

Negan transformou-se numa mera peça do complexo puzzle que é esta guerra contra os Sussurradores, mas todas as suas aparições são uma lufada de ar fresco, talvez porque se tenha tornado o alívio cómico da narrativa, ainda que a sua história pessoal esteja carregada de dor e culpa.

“Lines We Cross não foi um volume arrebatador, mas bastante interessante e surpreendente.

Há ainda a adição de Princesa, uma nova personagem irreverente que ainda agora apareceu e já promete dar muito à trama. Maggie continua a ser uma das personagens com melhor desenvolvimento, e não há como recriminá-la pelo seu novo envolvimento. Depois de tudo o que passou, merece encontrar a felicidade nos braços de quem sempre esteve ao lado dela.

A questão de Dwight parece ser a mais complexa. O personagem depositou todas as suas esperanças em Rick, olhando-o como aquilo que Negan nunca fora, um líder justo. Mas, depois de ele matar Sherry, tudo muda. Não consegue mais encará-lo. Não consegue mais esperar que ele seja o seu líder. Sente que tem de fazer alguma coisa e nem os conselhos de Laura ouve mais. Fica no ar a questão se os Salvadores aceitarão deixar Rick, depois de tudo. Lines We Cross não foi um volume arrebatador, mas bastante interessante e surpreendente.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War  | #28 A Certain Doom | #29 Lines We Cross

Estive a Ler: A Certain Doom, The Walking Dead #28

— Foi tudo minha culpa.

— Não foi.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “A CERTAIN DOOM”, VIGÉSIMO OITAVO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

The Walking Dead, a fantástica BD do norte-americano Robert Kirkman, chegou ao volume 28, que inclui os números 163 ao 168. O produto da Image Comics conta, mais uma vez, com as ilustrações de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano no volume intitulado A Certain Doom.

A trama segue a dramática história de sobrevivência de um grupo após o chamado “Apocalipse Zombie“, desde que o polícia Rick Grimes acordou de um coma e percebeu que o mundo havia virado do avesso. Após ter enfrentado e vencido um terrível vilão chamado Negan, Rick reconstruiu um novo mundo, com um sistema de comunicação entre comunidades, e aprisionou o seu arquirrival numa cela. Porém, o advento de uma legião selvagem de indivíduos que se disfarçam com entranhas de mortos-vivos coloca em risco toda a segurança das comunidades e Rick é obrigado a confiar em Negan para não perder tudo o que lhe é mais querido.

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Prancha Image Comics

Um oceano de mortos

Hilltop caiu e Alexandria parece ser o próximo alvo dos Sussurradores. Rick não sabe o que fazer quando vê uma horda a aproximar-se da comunidade, mas Andrea é mais prática e organiza de pronto os homens, liderando um grupo destinado a provocar uma manobra de diversão. Dwight, Eugene, Heath, Michonne e Jesus prontificam-se a juntar-se-lhe. Rick e Negan lideram a defesa dos portões, mas tal não parece suficiente. Os walkers forçam a entrada e as paredes de Alexandria caem.

Negan salva a vida a Rick e tenta, com todos os argumentos, convencê-lo de que está do seu lado e que tudo o que os separou um dia ficou para trás. Alexandria é completamente tragada pela horda walker, quando Maggie, Dante, Carl e os sobreviventes de Hilltop chegam às suas imediações e testemunham a catástrofe total. Quando tudo parece caótico, Rick salva a vida a Negan, saldando a sua dívida.

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Imagem Image Comics

Uma perda irreparável

Os Salvadores decidem tornar-se independentes no pior momento possível, imobilizando Heath e deixando claro para Dwight que não aceitam mais segui-lo. No meio da horda, Eugene tem uma ideia peregrina e arma-se em herói, obrigando uma das pessoas mais queridas de Rick a intervir para o salvar, acabando por levar uma mordida fatal. Siddiq e Vincent fazem um trabalho notável na limpeza de Alexandria, reagrupando-se a Rick e a Negan quando conseguem recuperar o controlo sobre a comunidade.

Quem também chega a Alexandria são os Salvadores, levando Dwight como refém. Sherry mostra-se o rosto do seu desagrado, e enfrenta Rick de armas em punho. Rick Grimes vê a insatisfação dos Salvadores pela adição de Negan ao grupo, e chegam mesmo a compará-lo ao antigo líder. Quando Sherry o tenta matar, é Rick quem acaba por a eliminar. Completamente devastado pela morte de uma das pessoas que lhe eram mais próximas, Rick deixa Negan lidar com a insubordinação dos Salvadores, usando a oratória para os demover das suas intenções. Rick Grimes termina o volume a dormir sobre uma campa.

Sem título
Prancha Image Comics
SINOPSE:

In the aftermath of The Whisperer War–ALL IS LOST as Rick and all of Alexandria fight for survival against the largest horde of walkers they’ve ever faced.
Collects THE WALKING DEAD #163-168.

OPINIÃO:

Repleto de batalhas, tiroteios, confrontos e reviravoltas, All is Lost é mais um brilhante volume da BD The Walking Dead. Se os intermináveis conflitos e destruição de comunidades não bastassem para prender o leitor, a equipa comandada por Robert Kirkman ainda conseguiu oferecer mais uma série de frases épicas e diálogos maravilhosos por parte do personagem Negan e, acima de tudo, uma morte inesperada e impactante. A BD renova-se a cada arco de história e parece ter sempre pano para mangas.

A morte foi, de facto, surpreendente. E a forma como foi narrada conteve toda uma paleta de cores, doçura, ternura, amargura, felicidade e tristeza. Kirkman superou-se ao despedir-se de um personagem tão importante. A forma como conseguiu passar a desesperança de Rick Grimes foi notável, acima de tudo por tratar-se de um mero personagem de BD. Comunicou de forma profunda com o leitor, o que não é tarefa fácil no suporte em que é apresentado.

Sem título
Negan (Image Comics)

Mas não foi só a morte (ou as mortes) o que marcou este volume. Houve traições, guerras e um cenário cinza e desesperante onde o personagem Negan, mais uma vez, roubou a cena. Quando tudo parece terrível, chega aquele personagem com um sentido de humor único e alivia a carga dramática a grande nível. Ninguém consegue confiar nele, mas todos “dão graças” por Negan estar do lado de Rick Grimes.

“Houve traições, guerras e um cenário cinza e desesperante onde o personagem Negan, mais uma vez, roubou a cena.”

Foi mais um volume envolvente, repleto de ação e muito bem conseguido. Foi um volume triste, melancólico e cheio de tragédias, mas mais uma vez Robert Kirkman revelou o génio que todos conhecem, e a turma de artistas liderada por Adlard, Rathburn e Gaudiano conseguiu representar de forma exemplar a alma do texto.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War  | #28 A Certain Doom

 

 

 

 

Resumo Trimestral de Leituras #9

O primeiro trimestre do ano chegou ao fim e com ele chegou a altura de fazer o habitual balanço trimestral de leituras. De Ken Follett a Neil Gaiman, passando por Brandon Sanderson e George R. R. Martin, revisitei alguns dos meus escritores favoritos e ainda tive o prazer de iniciar a Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss. Vejam a lista de leituras dos meses de janeiro, fevereiro e março:

A Darkness Surrounds Him, Outcast #1 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

The Whisperer War, The Walking Dead #27 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

Inimigos – Anton Tchekov

Um Jogo de Ti, Sandman #5 – Neil Gaiman

Fábulas e Reflexões, Sandman #6 – Neil Gaiman

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1 – Ken Follett

Um Mundo Sem Fim Vol. 2 – Ken Follett

Vidas Breves, Sandman #7 – Neil Gaiman

A Estalagem no Fim do Mundo, Sandman #8 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 1, Sandman #9 – Neil Gaiman

As Benevolentes – Parte 2, Sandman #10 – Neil Gaiman

A Vigília, Sandman #11 – Neil Gaiman

Warbreaker, Warbreaker #1 – Brandon Sanderson

La Dueña – J. A. Alves

Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Autoridade, Área X #2 – Jeff Vandermeer

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin

White Sand #1 – Brandon Sanderson

Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Príncipe dos Dragões, Elric #1 – Michael Moorcock

Loki – Robert Rodi e Esad Ribic

Assombrações Sem Fim, Harrow County #1 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Saga #6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um Diamante Para o Além, Bouncer #1 – Alejandro Jodorowsky e François Boucq

O Nome do Vento, Crónica do Regicida #1 – Patrick Rothfuss

sem-tituloO ano iniciou-se com um desafio em mente: começar a série fantástica de Patrick Rothfuss e ler os dois volumes em português do famoso Mundo Sem Fim de Ken Follett. E não é que cumpri? Janeiro foi um mês rico em leitura de bandas-desenhadas. Comecei com o primeiro volume da BD Outcast de Robert Kirkman, o mesmo autor de The Walking Dead. A Darkness Surrounds Him apresenta Kyle Byrnes como protagonista, e uma narrativa sombria prenhe de possessões demoníacas e histórias de vida dramáticas e violentas. Muito diferente da história de mortos-vivos, a mais conhecida de Kirkman, agradou-me acima de tudo pela forma como toda a temática é explorada de forma fluída e misteriosa. Também li o mais recente volume de The Walking Dead, a edição 27. The Whisperer War mostrou ser apenas a primeira batalha entre as comunidades e os Sussurradores. O exército de Rick, liderado por Dwight e com Negan na linha da frente, vence o primeiro round. No entanto, Hilltop é completamente destruída e a muito custo Maggie, Carl, Aaron e Jesus conseguem derrotar os seus inimigos. Mais um volume genial, que tem direito ao “funeral” de Lucille.

sem-tituloAinda nos primeiros dias de janeiro li o conto de Anton Tchekov Inimigos, uma história tão curta que não achei necessidade de escrever uma opinião. Fala sobre Varka, uma jovem criada cuja tarefa de adormecer um bebé faz-lhe crescer uma intensa sensação de sonolência, que é incapaz de dominar. Li ainda, de uma assentada, o que faltava da coleção Sandman (Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11) de Neil Gaiman, publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público. Entremeando histórias soltas com uma linha narrativa central, Gaiman soube tecer toda a narrativa nos últimos volumes, que trouxeram inúmeras reflexões e uma sensação de renovação e esperança ao leitor. Apesar disso, Sandman não me apaixonou em nenhum momento e, por muito mérito que tenha, soou-me muito a “eterna promessa” e a histórias vagas.

sem-tituloDividido em Portugal em dois volumes, o livro Um Mundo Sem Fim (Vol. 1 e Vol. 2) de Ken Follett agarrou-me desde o primeiro momento. Apesar de repetir a receita de Os Pilares da Terra, adorei tanto um como o outro. Histórias dramáticas de amor e superação, sobre religião, política, medicina e sobrevivência. Uma história de época que retrata o drama da Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. Warbreaker é um livro de Brandon Sanderson, o autor do momento no que diz respeito à literatura fantástica. Uma espada falante, cabelos que mudam de cor mediante as emoções, soldados mortos-vivos que são comandados através de palavras de ordem, a capacidade de dar vida a objetos inanimados e, principalmente, um panteão de deuses que está bem vivo e habita entre os demais. Original e muito bem escrita, esta obra de fantasia consegue também acumular bons momentos de humor e imensas reviravoltas.

sem-tituloComecei fevereiro com La Dueña: Devoradora de Homens. Da autoria de J. A. Alves, o autor de Batalha Entre Sistemas, La Dueña mostra todo o esplendor dos llanos venezuelanos e uma história tensa de superstições locais e pactos com o demónio. Chris viaja até à Venezuela com a noiva, Ana Clara, para conhecer a fazenda que herdou do seu tio Miguel, mas quando lá chega encanta-se por Yolanda, a dona da fazenda vizinha. Dizem que essa mulher rouba a alma de todos que por ela se apaixonam. Gostei imenso. Vidas Secretas de Homens Mortos, o segundo volume da graphic novel Velvet traz-nos o melhor da equipa composta por Ed Brubaker (argumento), Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores). Uma história de espionagem tensa que prende desde o primeiro momento. Velvet é uma antiga espia que se vê atirada para o centro da ação quando o seu superior é assassinado. Neste segundo volume, ela tenta descobrir quem a tramou e porquê, depois de saber que o seu esposo não era quem ela pensava. Entre soltar um prisioneiro, fazer uma viagem de comboio alucinante e fugir a cães-pisteiros, Velvet passa por várias amarguras neste excelente segundo álbum da trilogia.

sem-tituloAutoridade é o segundo volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer. Se esta história que mistura o terror psicológico ao bizarro (o new weird fiction) me fascinou no primeiro volume ao mostrar in loco as experiências vividas por quatro exploradoras numa zona frondosa alegadamente contaminada, este segundo livro vai mais além ao apresentar-nos Control, o novo diretor da agência que as enviou, e é através dele – tão ingénuo quanto o leitor – que vamos descobrindo, nos escritórios da Extensão Sul, os terríveis segredos que a agência guarda sobre aquela região tenebrosa. Passado 100 anos antes da ação de A Guerra dos Tronos, O Cavaleiro de Westeros (versão conto de George R. R. Martin e BD com adaptação de Ben Avery e ilustrações de Mike S. Miller) narra a ação no Torneio de Vaufreixo durante o reinado de Daenor II. Sor Arlan de Pataqueira morre de uma gripe a caminho do torneio, e o seu escudeiro Dunk resolve disputá-lo. Para isso, terá de contar com a ajuda do pequeno Egg e provar ser um cavaleiro, o que o irá colocar no cerne de várias disputas e provocar uma tempestade no reinado então calmo dos Targaryen. Excelente conto muito bem escrito, enquanto a BD se destaca pelas ilustrações cativantes e coloridas.

sem-titulo-2White Sand é uma graphic novel da Dynamite Entertainment. Com argumento de Rik Hoskin, ilustrações de Julius Gopez e cores de Ross Campbell, trata-se da adaptação de uma obra não publicada de Brandon Sanderson, com base numa revisão do seu primeiro livro, ambientado no universo Cosmere. Na verdade, este volume inaugural corresponde ao primeiro terço do livro. Em Taldain, um planeta inamovível – metade vive de dia e metade de noite – conhecemos Kenton, um jovem Mestre de Areia que desafia o mundo com a sua teimosia e determinação, vendo-se arrastado para uma conspiração terrível que pode acabar com o seu povo. Apesar de ser uma obra pouco convincente a nível de credibilidade, gostei do álbum. E terminei o mês de fevereiro da melhor forma. Vinte anos depois da publicação original, a Saída de Emergência vem publicar uma versão Redux, melhorada e ampliada de Terrarium, considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica português. João Barreiros e Luís Filipe Silva são os autores. Estamos num futuro não tão distante assim, em que os exóticos, várias espécies de seres extraterrestres, foram atirados para o nosso planeta por entidades superiores. Quem são as Potestades, os IXytil, e esse tal de Mr. Lux? Uma guerra entre espécies dominantes poderá ser resolvida por meros humanos? Carregado de um humor ácido e termos futuristas, Terrarium é um hino à FC, indispensável para todos os fãs do género em Portugal.

sem-tituloMarço teve também um início auspicioso. Príncipe dos Dragões é o primeiro volume de Elric, uma série de fantasia épica publicada em 1972 por Michael Moorcock. Simples em prosa e carregado de dilemas morais, Príncipe dos Dragões apresenta-nos um Império em declínio e um imperador doente, dependente de drogas para se manter forte. Melniboné é o seu domínio, abrigo de dragões e de homens terríveis. A tradição relata os melniboneanos como sádicos e perversos, mas Elric parece uma alma generosa e cortês, o que provoca chispas de ódio no seu primo Yyrkoon, que lhe pretende usurpar o trono. O braço de ferro entre Elric e Yyrkoon arrasta-se até às últimas consequências, com Cymoril, a amada de Elric, no vértice de um triângulo inconstante de amor familiar. Com argumento de Robert Rodi e ilustração de Esad Ribic, a BD Loki mostra uma outra face da história de Thor, focada no seu meio-irmão. De inspiração trágica e enaltecendo a decadência de Asgard através da queda de Odin e dos múltiplos dilemas do personagem-título, foi uma boa leitura que se destaca pelos coloridos e traços fortes.

Sem títuloPrimeiro volume de Harrow County, Assombrações Sem Fim apresenta a história desta povoação isolada no sul dos E.U.A., envolta em superstições e crendices. O povo recorria a Hester para se livrar dos seus problemas domésticos, mas quando a natureza se virou contra eles, depressa atiraram-lhe as culpas e condenaram-na à morte, sob a acusação de bruxaria. A mulher demorou a morrer e jurou regressar. Pouco tempo depois, uma criança surgiu naquele lugar fatídico. Uma brilhante BD de terror, escrita por Cullen Bunn e com arte de Tyler Crook. Brilhante álbum da série Saga, o quinto volume da space opera gráfica de Brian K. Vaughan e Fiona Staples traz uma linguagem crua e brutal, momentos de grande ritmo e ação entremeados por muito humor. A pequena Hazel começa a sua educação numa prisão galática, enquanto os pais procuram desesperadamente por ela. Vontade está de regresso, disposto a vingar a morte da irmã, e nem Gus o consegue parar. Provocante e irreverente, esta série da Image Comics está bem e recomenda-se.

sem-tituloUm Diamante Para o Além é o primeiro volume da série de BD Bouncer de Alejandro Jodorowsky e François Boucq. Publicado pelas Edições ASA em 2007, trata-se de um western subversivo, que narra de forma ficcional os acontecimentos que se sucederam à Guerra da Secessão nos E.U.A. O Capitão Raltan reúne os seus mercenários, que se recusaram a render após o final do conflito militar, espalhando o terror nos ranchos. Mas o que ele procura é um diamante, que roubara anos atrás. Na sua busca, assassina um antigo subordinado, provocando assim a atenção de um familiar daquele. Bouncer é um velho maneta, conhecido por resolver problemas de forma abrupta e imprevisível. Uma BD muito boa, da qual tinha grandes expectativas e não me surpreendeu tanto. E terminei março com O Nome do Vento. Primeiro volume da Crónica do Regicida de Patrick Rothfuss, esta auto-biografia de um personagem fictício é brilhante. Desde a infância de Kvothe na trupe até aos seus estudos na Universidade, passando por várias privações como espancamentos, fome e dramas familiares, o personagem recorre à ardileza e ao poder da música para sobreviver. Somos apresentados a uma história única que fala sobre superação, música, ciência e amor. O mundo criado é original e misterioso, e os enigmas sobre o Chandrian, uma lenda que se revela real da pior forma, deliciosos. Cativante, fluído e profundo, este foi o livro que apresentou ao mundo a escrita maravilhosa de Patrick Rothfuss.

Depois deste início de ano excelente em leituras, estou a ler Poder e Vingança de Jon Skovron, o primeiro volume do Império das Tormentas, e deverei seguir com Robin Hobb, Mark Lawrence e Bernard Cornwell, pelo que o segundo semestre deve ser também ótimo. Por cá vou continuar a partilhar opiniões, espero que gostem.

The Whisperer War, The Walking Dead #27

Certo… Certo… Conseguimos.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “THE WHISPERER WAR”, VIGÉSIMO SÉTIMO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

Chegou finalmente o último número de The Whisperer War. Este álbum inclui os números 157 a 162 da BD The Walking Dead e, tal como os volumes anteriores, conta com o argumento de Robert Kirkman e as ilustrações de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano.

A batalha aproxima-se

Uma batalha entre os habitantes das comunidades e os exércitos de Sussurradores (uma legião de nómadas que se disfarça entre os walkers) aproxima-se. A defesa de Alexandria, liderada por Dwight, avista Negan. Apesar de determinado em disparar contra ele, Dwight é instigado pelos seus pares a refrear-se. Uma vez que não possui qualquer arma, Negan é conduzido a Rick, mostrando a cabeça de Alpha, a líder dos Sussurradores, que decapitou para provar a sua lealdade. Após um longo debate, Rick acede em deixar Negan juntar-se às suas tropas na guerra contra os Sussurradores, usando-o como carne para canhão.

Depois da morte de Eric e recuperando dos seus ferimentos em Hilltop, Aaron torna-se cada vez mais próximo de Jesus, prevendo-se um romance entre os dois. Michonne organiza a investida contra os Sussurradores, contando com um grande número de soldados oriundos de Hilltop, disponibilizados por Maggie. À frente do Reino, William também apoia Rick com os seus homens, embora nem todos os subalternos se mostrem recetivos a deixar a comunidade indefesa.

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Beta (Image Comics)

Em Alexandria, Eugene mantém contacto por rádio com uma estranha, Stephanie, que alega estar em Ohio. Aquele que foi outrora visto como um cobarde é agora o responsável por toda a tecnologia, condições de vida e armamento de que a comunidade dispõe.

A horda de Sussurradores avança. O exército de Dwight também, com o padre Gabriel num posto de vigia e o grupo de Magna posicionado num local estratégico, pronto para flanquear o inimigo.

O conflito

A escaramuça inicia-se e o exército de Rick vê no padre Gabriel a sua primeira baixa. Negan luta selvaticamente contra os inimigos, enfrentando cara a cara Beta, o líder dos Sussurradores. O seu rival é gravemente ferido, mas Negan parte Lucille, uma perda que o afeta emocionalmente, permitindo a Beta ser resgatado pelos seus homens. Mais tarde, Negan procede a um funeral simbólico à arma, onde se percebe que Lucille seria um antigo amor do anti-herói, que ele viria a transportar simbolicamente para o bastão farpado. A fação de Dwight parece vencer a batalha, mas surgem mais Sussurradores, o que os obriga a mudar de estratégia.

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Rick Grimes (Image Comics)

Os Sussurradores parecem concentrar a sua atenção em Hilltop, agora que se encontra parcialmente desguarnecida, para resgatar Lydia, a filha de Alpha, e controlar a comunidade. No interior da fortaleza, Dante corteja Maggie, mas ela parece obstinada em honrar a memória de Glenn. O ataque inicia-se, com casas a arder por todo o lado. Lydia recusa ir embora com os Sussuradores, lutando bravamente contra eles. Sophia salva o pequeno Hershel de um incêndio e Carl salva Maggie, mas fica inconsciente no meio dos fogos e destroços. É Aaron, que rasteja, ainda combalido dos seus ferimentos, para o salvar. A enorme entreajuda entre os locais faz com que a defesa da comunidade vença os atacantes, apesar de Hilltop ter-se reduzido a destroços. William, o governante do Reino, decide ele mesmo rumar a Hilltop com os seus homens, mas chega tarde demais.

Dwight regressa a Alexandria em glória, comunicando a Rick a vitória dos seus exércitos. Quando fala nas centenas de adversários que enfrentaram, o seu líder fica em choque. Rick Grimes viu o tamanho das legiões de Sussurradores, e não se tratavam de centenas, mas sim de milhares. A guerra pode estar apenas no início.

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Dwight coordena as tropas (Image Comics)
SINOPSE:

The time has come. The forces are aligning. The war has begun! Has Rick brought about the demise of everything he’s built? Or will he triumph once again? Know this… there will be a cost.
Collects THE WALKING DEAD #157-162.

OPINIÃO:

Focado em questões militares e pensamento estratégico, o volume 27 de The Walking Dead trouxe uma narrativa muito bem oleada e um ritmo altíssimo. The Whisperer War prometia ser o fim de um ciclo, mas foi apenas a primeira batalha efetiva de uma guerra que pode estar para durar. Acontecimentos que podem ser considerados chocantes são ultrapassados com frivolidade, sendo sucedidos por cenas mais banais de uma forma credível. Mérito de Robert Kirkman, o argumentista.

O personagem Negan, anteriormente considerado o mais terrível vilão de todos os tempos, continua a não ser um personagem digno de confiança, mas neste momento é, acima de tudo, o alívio cómico da sequência. Todas as suas falas e aparições são uma lufada de ar fresco no clima tenso da guerra.

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Negan quebra Lucille (Image Comics)

Se o argumento de Kirkman está bem e recomenda-se, o lápis de Adlard e companhia continua a cumprir o seu papel. A arte está encastoada na narrativa de uma forma tão adequada que não chama a atenção. No seu todo, um volume muito positivo que dá ação e promete ainda mais e melhor.

Avaliação: 8/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms | #27 The Whisperer War

Resumo Trimestral de Leituras #8

Chego ao final do ano com a sensação de objetivos cumpridos e um ano pleno de excelentes leituras. Este último trimestre foi rico em obras diversificadas, com algumas das melhores avaliações do ano a ocorrerem neste período. Podem ver a lista anual aqui e segue em baixo os livros lidos no último trimestre:

Proxy: Antologia Cyberpunk – Vários Autores

O Cavaleiro da Morte, Crónicas Saxónicas #2 – Bernard Cornwell

Fome de Vencer, Tony Chu: Detective Canibal #5 – John Layman e Rob Guillory

A Canção de Susannah, A Torre Negra #6 – Stephen King

Suíte do Apocalipse, Umbrella Academy #1 – Gerard Way e Gabriel Bá

As Primeiras Quinze Vidas de Harry August – Claire North

Saga Vol. 5 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

A Lâmina, A Primeira Lei #1 – Joe Abercrombie

Dallas, Umbrella Academy #2 – Gerard Way e Gabriel Bá

Prelúdios e Nocturnos, Sandman #1 – Neil Gaiman

Jardins da Lua, Saga do Império Malazano #1 – Steven Erikson

Casa de Bonecas, Sandman #2 – Neil Gaiman

Terra do Sonho, Sandman #3 – Neil Gaiman

Rei dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #2 – Mark Lawrence

The Horror in the Museum – H. P. Lovecraft

Aniquilação, Área X #1 – Jeff Vandermeer

The Walking Dead: The Alien – Brian K. Vaughan e Marcos Martin

Estação das Brumas, Sandman #4 – Neil Gaiman

O Terceiro Desejo, The Witcher #1 – Andrzej Sapkowski

sem-tituloO mês de outubro começou com a leitura de uma excelente coletânea de contos portugueses. Antologia da Editorial Divergência, Proxy: Antologia Cyberpunk conta com alguns dos autores nacionais mais talentosos. Reúne seis histórias mirabolantes passadas em mundos futuristas que conquistam pela originalidade. Todos os contos são protagonizados por mulheres; os que mais me agradaram foram Alma Mater de José Pedro Castro e Bastet de Mário Coelho. Logo depois li O Cavaleiro da Morte. O segundo volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell traz-nos um Uthred imaturo e intempestivo, que continua dividido entre o sangue saxão que lhe corre nas veias, e o fervor guerreiro dos viquingues, que o criaram. As contingências colocam-no do mesmo lado que Alfredo, o Rei saxão, e contra o seu irmão de criação. Uma escrita brilhante, um dos melhores romances históricos que já li.

sem-titulo-2Em Fome de Vencer, com argumento de John Layman e ilustração de Rob Guillory, a banda-desenhada Tony Chu: Detective Canibal volta a surpreender. Neste quinto volume, a filha de Tony Chu é raptada pelo terrível Mason Savoy, enquanto ele e o seu parceiro são despromovidos. Mais tarde, o próprio Chu é raptado por um jornalista desportivo, que quer usar os seus dons cibopáticos para descobrir os podres das principais estrelas de futebol. A Canção de Susannah é o penúltimo volume da saga visionária de Stephen King, A Torre Negra. Soberbo em toda a sua largura, King consegue oferecer um livro cheio de ação e suspense, dividindo o ka-tet (grupo de protagonistas) em três grupos. Susannah, grávida de um demónio, caminha para o parto na Nova Iorque de 1999; Jake, Oi e o Padre Callahan seguem as pistas na sua peugada, enquanto Roland e Eddie viajam para o passado, onde se encontram com um jovem escritor chamado Stephen King e o obrigam a escrever a história de A Torre Negra. Um livro cheio de referências e twists deliciosos, como o autor já nos habituou. Umbrella Academy (Vol. 1 e Vol. 2) é uma série de banda-desenhada divertidíssima, escrita pelo vocalista da extinta banda My Chemical Romance, Gerard Way, e com ilustrações do brasileiro Gabriel Bá. 43 crianças nascem do ventre de mulheres que não teriam dado qualquer sinal de gravidez, e todas mostram super-poderes. Ou… quase todas. Reginald Hargreeves, um cientista, recolhe 7 dessas crianças e educa-as na sua mansão, criando uma escola de super-heróis, The Umbrella Academy. Porém, as relações entre eles virão a fraturar-se, com o passar dos tempos. O segundo e último volume já publicado revelou-se ainda melhor que o primeiro.

sem-titulo-2Em novembro comecei por ler As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, livro de Claire North, pseudónimo da britânica Catherine Webb. Harry August é um jovem ruivo, fruto de uma violação, criado por um casal de origens humildes. Não sabe nada sobre as suas origens, até morrer. Mas Harry volta à sua data de nascimento, e poucos anos depois, tem consciência de que tudo aquilo já lhe aconteceu. Morte após morte, Harry volta ao ponto de partida, recordando-se de tudo o que ficou para trás. Certo dia, descobre que não é o único a possuir esse dom. Brilhante livro de suspense e mistério, contado na primeira pessoa, o livro perde por saltar de vida para vida como alguém que conta uma história e volta para trás por se ter esquecido de algum pormenor. Li também o quinto volume da série de banda-desenhada Saga, escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Mais uma vez brilhante, neste volume acompanhamos a demanda de Marko e Robot IV, declarados inimigos, em busca dos seus filhos raptados por Dengo, enquanto Gwendolyn e Marca procuram sémen de dragão para curar o freelancer Vontade. Claro está, cenas hilariantes, disparates, sexo e sátiras não faltam. Simplesmente delicioso.

sem-tituloHá muito que queria ler Joe Abercrombie e a trilogia A Primeira Lei. Sand dan Glotka foi em tempos um soldado promissor, mas a guerra inutilizou-lhe a perna e foi capturado pelo temido Império Gurkhul. Quando regressou, coxo e sem dentes, tornou-se um inquisidor, aplicando a tortura a prisioneiros para conseguir as confissões que mais fossem convenientes aos seus superiores. Logen Novededos é um guerreiro famoso no Norte, bárbaro sanguinário que incutiu massacres às ordens do terrível Bethod. Agora, com o advento de criaturas horripilantes no norte e a perda dos seus companheiros, Logen decide lutar contra Bethod. Jezal dan Luthar é um jovem capitão de linhagem nobre. Egoísta e vaidoso, prefere passar os dias a jogar e a embebedar-se, do que a cumprir os seus deveres. É Bayaz, o famigerado Primeiro dos Magos, que irá unir estes três homens tão diferentes, com um único propósito. A Lâmina não me conquistou, porque tinha as expectativas altas e esperava algo mais credível, ainda assim os personagens são incríveis, e a história promissora. Continuei o mês a ler boa fantasia. Escrito por Steven Erikson, Jardins da Lua é o primeiro volume da Saga do Império Malazano. O continente de Genabackis está sob fogo cruzado. De um lado, o Império em expansão, com os exércitos de Dujek Umbraço a ganhar terreno graças ao apoio dos moranthianos e dos Altos Magos. Do outro, as últimas cidades livres, com a proteção dos Tiste Andii liderados por Anomander Rake e Caladan Brood. A cidade de Pale é destruída e ocupada pelos homens de Umbraço; entre eles está o sargento Whiskeyjack, que inclui no seu pelotão uma recruta possuída por um Ascendente. Após o cerco a Pale, Darujhistan torna-se a única cidade livre. Repleta de personagens riquíssimos, Darujhistan é uma cidade governada por um conselho corrupto e por uma sociedade de assassinos, embora sejam os magos a deter o verdadeiro poder, vinculados a Anomander Rake. Um grupo de amigos que se reune frequentemente numa taberna torna-se o centro de toda a ação. Esta foi, de longe, a melhor leitura do ano de 2016.

sem-titulo-3Terminei novembro e comecei dezembro a ler a BD Sandman de Neil Gaiman (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3 e Vol. 4). Se o primeiro e o terceiro volumes da icónica série de banda-desenhada não me conquistaram, parecendo mantas de retalhos cheias de referências e com pouco conteúdo, o segundo e o quarto volumes apresentaram histórias bem amarradas, cheias de tramas paralelas que se entrelaçaram e revelações credíveis sobre os personagens apresentados. Prelúdios e Noturnos é focado no cativeiro em que o Senhor dos Sonhos esteve submetido, depois de ter sido convocado acidentalmente para o mundo real, onde permaneceu durante 70 anos sob uma redoma de vidro. Casa de Bonecas foca-se em várias mulheres (e no seu papel para a sociedade). Rose Walker é uma menina que, por uma qualquer estranha razão, causou um distúrbio no mundo dos sonhos, de onde fugiram vários pesadelos. Terra do Sonho divide-se em várias short stories intrigantes que, ainda assim, não me encheram as medidas, limitando-se a aumentar o significado simbólico da mitologia concebida por Gaiman.  O quarto volume, Estação das Brumas, foi melhor. Com genialidade, o autor humaniza o protagonista ao colocá-lo com problemas de consciência. Lúcifer comunica a Sonho que libertou todas as criaturas, e entrega-lhe as chaves do Inferno para que ele possa fazer dele o que quiser.

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Rei dos Espinhos é o segundo volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence. Aliando uma escrita cuidada e de qualidade a um background pós-apocalíptico cheio de deliciosas referências, Lawrence escreveu mais um livro com um dos personagens mais badass da fantasia moderna, Jorg Ancrath. No entanto, as boas ideias não conseguiram cativar-me. As várias linhas temporais confusas e uma condução de história deficiente e pouco credível desiludiram-me. Já o elegi The Horror in the Museum como o melhor conto que li este ano. Escrito por Lovecraft como ghost writer de Hazel Heald, apresenta-nos um protagonista cético que julga louco o escultor de um museu de cera, uma vez que este alega que as criações que apresenta não são esculturas mas sim monstros que caçou e enbalsamou. É uma fantástica narrativa que consegue inspirar ao leitor o mais profundo e inquietante dos terrores. The Alien é um volume isolado da BD The Walking Dead escrito por Brian K. Vaughan, o autor de Saga. Sem uma história propriamente original ou muito diferente, apresenta-nos dois personagens na cidade de Barcelona, no início da propagação do vírus. Apesar de pequeno e cliché, apresentou algumas surpresas.

sem-titulo-3Li este mês aquele que elegi o melhor livro de ficção científica deste ano. Primeiro volume da trilogia Área X de Jeff Vandermeer, Aniquilação é o relato de uma bióloga que se voluntariou para estudar uma área selvagem abandonada pelos humanos, depois de o seu esposo ter regressado de lá como uma sombra do que um dia foi. Envolvente e cheio de suspense, faz-nos pensar sobre os segredos da natureza e da evolução humana. A última leitura do ano foi O Terceiro Desejo. O primeiro volume de The Witcher apresenta uma sequência de contos protagonizados por Geralt de Rivia, um bruxo que mata monstros a troco de pagamento. Obstinado em afirmar que não trabalha como assassino a soldo, Geralt enfrenta vampiros, elfos e génios, num livro muito bem escrito por Andrzej Sapkowski. Para o ano há mais. Votos de um 2017 cheio de felicidades e boas leituras para todos os seguidores do blogue.

As Escolhas de 2016

O ano caminha a passos largos para o final. Como tal, é hora de fazer o já tradicional balanço literário que visa escolher as melhores leituras do ano. No Goodreads estabeleci como meta ler 35 livros este ano – e a verdade é que já foram 93, embora a maioria das minhas leituras tenham sido bandas-desenhadas. 61 BD’s, 24 livros e 8 contos, sendo que estou a ler o livro O Terceiro Desejo de Andrzej Sapkowski e ainda deverei ler mais uma BD ou um conto até ao final do ano.

2016 foi um ano cheio de boas surpresas. Conheci autores como Steven Erikson, Mark Lawrence, Joe Abercombie, Jeff Vandermeer, Alan Moore, Robert Kirkman e Brian K. Vaughan, e voltei a ler mais e melhor de autores fantásticos como Stephen King, H. P. Lovecraft, Ken Follett e Bernard Cornwell.

Fantasia continuou a ser o género mais lido, mas o romance histórico e a ficção científica não foram esquecidos. Este ano decidi aumentar o número de categorias, também por ter lido mais formatos. Fiquem com a minha listagem e respetivas justificações:

LIVRO

Melhor Fantasia

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aqui a opinião

Jardins da Lua, de Steven Erikson, foi não só o melhor volume de fantasia, mas também o melhor livro que li este ano. Para além dele, O Herói das Eras de Brandon Sanderson foi dos poucos que me conquistaram, dentro do género. Stephen King encontra-se nesse grupo. Este ano li os volumes 5 e 6 de A Torre Negra, substancialmente melhores que aqueles que li o ano passado. O prémio simpatia vai para A Balada de Antel do brasileiro Eric M. Souza, que me surpreendeu pela positiva.

Os dois primeiros volumes de Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence e o primeiro de A Primeira Lei de Joe Abercrombie não foram más leituras, mas não me convenceram nem cativaram por aí além. Terminei a primeira Saga do Assassino de Robin Hobb, que continuou sem me encantar, muito embora o último volume tenha sido, de longe, o melhor. Li os dois últimos livros do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Apesar de a escrita do autor ter evoluído favoravelmente, a história é o grande handicap de Paolini, parecendo uma manta de retalhos de narrativas como O Senhor dos Anéis ou Star Wars.

Melhor Ficção Científica

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aqui a opinião

Não li muitos livros de ficção científica este ano. Aniquilação de Jeff Vandermeer foi um dos últimos livros que li e acabou por ser o que me marcou mais pela positiva, um volume de ficção weird que me envolveu por toda a sua estranheza e credibilidade. O Messias de Duna de Frank Herbert e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North foram também ótimas leituras dentro do género. A ficção científica é muito mais do que as space opera empoladas pelos mass media.

Melhor romance histórico

Sem título

aqui e aqui a opinião

Dividido em Portugal em dois volumes, o livro Os Pilares da Terra de Ken Follett foi o melhor romance que li este ano. Extremamente envolvente, este romance histórico foi tão emocionante quanto os livros O Último Reino e O Cavaleiro da Morte, primeiros volumes das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, mas o livro de Follett apelou mais às emoções e construiu uma história mais intimista. No entanto, os dois autores, que já eram os meus preferidos no romance histórico, ao lado de Maurice Druon, cultivaram ainda mais a minha preferência.

BANDA-DESENHADA

Melhor BD

Sem Título

aqui a opinião

Escolhi March To War como melhor BD lida este ano, mas podia escolher muitas outras edições de The Walking Dead. Num ano cheio de excelentes leituras neste formato, The Walking Dead conquistou a minha preferência. A space opera Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples e o bizarro Tony Chu: Detective Canibal foram também fantásticas leituras, superando clássicos como V de Vingança, Watchmen, 300 e Sandman, a que reconheço mérito, ou o histórico As Águias de Roma, cujos quatro volumes também gostei bastante.

Melhor Clássico

sem-titulo

aqui a opinião

Num ano em que li BD’s de Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, foi este último o que mais me surpreendeu pela positiva. Difícil é escolher entre Watchmen e V de Vingança, embora a história de super-heróis “reformados” me tenha marcado mais. 300 e A Cidade do Pecado de Miller foram também boas leituras, enquanto os três primeiros volumes de Sandman (Neil Gaiman) têm oscilado entre o brilhantismo literário e a falta de envolvimento. Livros como Vampirella e X-Men Origins ficaram aquém das expectativas.

Mais Irreverente

Sem título 2

aqui a opinião

Saga, a space opera de Brian K. Vaughan com ilustrações de Fiona Staples, foi uma das grandes surpresas deste ano. Irreverente e divertida, com grandes debates morais, esta BD cumpre em todos os quesitos, sendo a irreverência a sua maior qualidade. Qualquer um dos cinco volumes já publicados pela G Floy surpreenderam-me ao seu jeito. Nesta categoria, Tony Chu: Detective Canibal foi igualmente surpreendente, mas quero ainda deixar uma menção de honra para os dois volumes de Umbrella Academy, uma grande revelação, o próximo passo no mundo dos super-heróis. Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy foi também uma edição deliciosa, nascida das mãos de Filipe Melo e Juan Cavia. Os dois primeiros volumes de Southern Bastards, não se enquadrando na vertente cómica das anteriores, têm também algo de irreverente no seu drama profundo. Jason Aaron e Jason Latour fazem-no com distinção.

CONTOS

Melhor Conto

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O último conto que tive oportunidade de ler foi também o melhor que li este ano. H. P. Lovecraft tem sido um dos meus autores preferidos neste formato, embora Edgar Allan Poe e Isaac Asimov tenham sido outros autores de destaque. Até mesmo O Defunto de Eça de Queirós foi uma excelente leitura. Invisíveis em Tiro, de Steven Saylor, incluído no livro Histórias de Vigaristas e Canalhas, agradou-me imenso.

Melhor Antologia

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Este ano li apenas duas antologias: a portuguesa Proxy e a conceituada Histórias de Vigaristas e Canalhas, a segunda metade de Rogues. Apesar de a primeira conter apenas seis contos de jovens autores portugueses, não ficou atrás das Histórias escritas por alguns dos mais famosos autores de fantasia, policial e ficção científica. Com alguns contos melhores e outros menos bons, as duas antologias ficaram ao mesmo nível, preferindo por isso dar primazia àqueles cuja responsabilidade era menor e, por isso, mais surpreenderam.

Maior surpresa

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À primeira vista, estou a contradizer a categoria anterior, mas não é disso que se trata. A minha maior surpresa no que a contos diz respeito chama-se Daniel Abraham, cujo conto O Significado do Amor foi um dos que mais gostei na antologia Histórias de Vigaristas e Canalhas. Ambientado num mundo fantástico, Abraham aliou uma escrita excelente a uma história algo hilariante e espero ver mais histórias do autor publicadas em português.

Categoria Extra

Melhor Final

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Não podia deixar de fazer uma menção honrosa a O Herói das Eras. O último volume da trilogia Mistborn de Brandon Sanderson foi dividido em dois em Portugal. Li a primeira parte em dezembro do ano passado e a segunda em março deste ano. Sanderson nunca me encantou, como outros nomes da fantasia como George R. R. Martin e Scott Lynch o fizeram. Este ano, Steven Erikson e Daniel Abraham foram os que estiveram mais próximos disso, do pouco que li deles. Aliando uma escrita demasiado básica a um mundo com muitas lacunas a nível de credibilidade, fiquei sempre de pé atrás com Brandon Sanderson, ainda que lhe reconheça a criatividade e o mérito de escrever grandes histórias e construir grandes mundos de fantasia. Foi assim que li Mistborn, um mundo com uma aura mágica que sempre visualizei como um “Crónicas de Riddick feito pela Disney“. Com muitos altos e baixos, esta trilogia deixou-me boquiaberto com as revelações e acontecimentos finais e gostaria imenso de ver publicada em português a Era 2.

Em jeito de despedida, deixo os votos de um 2017 repleto de boas leituras. 2016 foi para mim um ano cheio delas, com os livros Jardins da Lua e Os Pilares da Terra e as BD’s The Walking Dead e Saga como os grandes destaques. Desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

The Walking Dead: The Alien

A maioria dos espanhóis convenceram-se que os estrangeiros transformaram isto aqui no que é hoje.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “The Alien”, volume isolado da série The Walking Dead (Formato BD)

The Alien é uma pequena história passada no universo The Walking Dead, e a primeira que não é escrita por Robert Kirkman. Nesta edição de 30 páginas, é o também famoso argumentista Brian K. Vaughan a escrever a história, com a ilustração a cargo de Marcos Martin.

Jeffrey é um estrangeiro em Barcelona. Estamos no início da epidemia que transforma pessoas em mortos-vivos. Atacado por walkers, Jeff é salvo por um cavaleiro vestido de armadura. Manejando uma alabarda, o cavaleiro repele os mortos-vivos e resgata o americano.

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Folha de rosto The Walking Dead: The Alien (PanelSyndicate)

O cavaleiro é, na verdade, uma mulher chamada Claudia. Ela leva Jeff para o seu apartamento, onde revela ser a curadora de um museu militar – onde arranjou o armamento – e acredita que a epidemia é mais uma, como tantas outras que Espanha já conheceu. Se sobreviveu às restantes, sobreviverá a mais uma.

Jeff revela que está em Espanha para se reencontrar a si mesmo, numa espécie de jornada de auto-ajuda. No entanto, recebeu um telefonema familiar, revelando que o seu irmão está hospitalizado e por isso precisa regressar para casa. Por sorte, Claudia também parece obstinada em viajar para os Estados Unidos, e tem um plano para isso.

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Brian K. Vaughan

Através dos esgotos, os dois chegam a uma marina, onde alcançam um dos barcos, depois de se livrarem de vários mortos-vivos. Quando finalmente se julgam sãos e salvos, são surpreendidos por um infetado no interior da lancha onde fugiam. Ao atacar o walker, Claudia e o morto-vivo caem à água. A curadora sente várias dificuldades a chegar à tona com o peso da sua armadura e uma criatura esfomeada a esbracejar no seu encalço, mas Jeff salva-a.

Quando se sentem seguros, percebem que o americano foi mordido. Jeff, convencido que não tem salvação, pede a Claudia que leve uma mensagem ao seu irmão: não conseguiu tornar-se um cavaleiro, mas teve a sorte de encontrar um. É então revelado que o irmão de Jeff é Rick Grimes, o protagonista da saga principal de The Walking Dead.

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Prancha The Walking Dead: The Alien (Brian K. Vaughan/Marcos Martin)
SINOPSE:

Firmly set in the continuity of Robert Kirkman and Charlie Adlard’s beloved “The Walking Dead” series, “The Alien” sheds light on a corner of their undead universe we never dreamed they’d let us reveal, and you can download the entire 31-page (!) black-and-white special at PanelSyndicate.com for any price you think is fair.

OPINIÃO:

Apenas disponível em formato e-book, The Alien é uma história passada no universo The Walking Dead, lançada em abril deste ano. Como resistir a uma história com a marca de qualidade TWD escrita por Brian K. Vaughan, o autor de Saga?

O registo é semelhante ao apresentado na história principal, com um ambiente soturno, ataques inesperados e um permanente desafio psicológico, com questões morais e debates interiores a pontuarem os momentos de maior tensão. Nenhum dos personagens apresentados entra na história principal, embora Rick Grimes seja aqui referido, e exista pelo menos uma referência a Jeff na história de Robert Kirkman.

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Prancha The Walking Dead: The Alien (Brian K. Vaughan/Marcos Martin)

 

Em poucas páginas, Vaughan conseguiu criar uma história credível com princípio, meio e fim, mostrando uma epidemia walker globalizada, com os eventos centrados desta feita na cidade de Barcelona.

A arte de Marcos Martin não desprestigia o formato. Mantém o preto e branco característico da BD, com o vermelho do sangue a ser a única cor apresentada para além destas. Bastante expressivo, o lápis de Martin remeteu-me um pouco para as ilustrações de Tony Moore no primeiro volume de The Walking Dead, embora prefira os desenhos de Adlard, Rathburn e Gaudiano; talvez por me ter habituado a eles, mas a verdade é que parecem encaixar melhor no universo apresentado.

Concluindo, The Alien foi uma short story que cumpriu aquilo a que prometeu, embora não tenha trazido nada de novo ou surpreendente para o género.

Avaliação: 7/10

Resumo Trimestral de Leituras #7

Por norma, o trimestre de verão acaba por ser mais parco em leituras, mas acabei por conseguir compôr a coisa neste último mês. Ainda assim, não deixa de ser um registo abaixo do habitual, o que é norma em época estival. Aqui fica a listagem do que andei a ler nos meses de julho, agosto e setembro:

A Vingança do Assassino, A Saga do Assassino #4 – Robin Hobb

Call To Arms, The Walking Dead #26 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Stefano Gaudiano e Cliff Rathburn

Mão Crua – Sílvia Gil

A Demanda do Visionário, A Saga do Assassino #5 – Robin Hobb

Histórias de Vigaristas e Canalhas – Org. George R. R. Martin e Gardner Dozois

Aqui Jaz Um Homem, Southern Bastards #1 – Jason Aaron e Jason Latour

Herança, Ciclo da Herança #4 – Christopher Paolini

Antes do Crepúsculo, Velvet #1 – Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser

Sangue e Suor, Southern Bastards #2 – Jason Aaron e Jason Latour

Watchmen – Alan Moore e Dave Gibbons

O Último Reino, Crónicas Saxónicas #1 – Bernard Cornwell

Sem título 2O mês de julho foi dedicado à conclusão da primeira série do Assassino de Robin Hobb. O quarto volume, A Vingança do Assassino, não me fascinou. Tanto o mundo quanto as personagens foram bem construídos e desenvolvidos, mas as cenas pareceram-me repetitivas, os dilemas idem e os acontecimentos descritos ad nauseam. Apesar da série, no seu todo, ser bastante maçuda e repetitiva, A Demanda do Visionário, o quinto volume, conseguiu satisfazer-me mais, com muito mais ação e revelações sobre os personagens. Voltarei para a segunda série um dia. O volume 26 da minha comic favorita foi impressionante. Robert Kirkman não pára de surpreender. Com ilustrações de Charlie Adlard, Stefano Gaudiano e Cliff Rathburn, The Walking Dead apresenta o mais recente volume dos quadradinhos mais sangrentos da atualidade. Negan consolida-se como um personagem fantástico, e é difícil perceber, neste momento, de que lado ele está.

Sem título 2A pedido da autora, li Mão Crua, de Sílvia Gil. A história é aliciante e desenvolve-se rápido, sem tempos mortos. É necessário ter uma mente aberta, porque o livro foca-se num lado mais fetichista e sádico dos prazeres da carne. Esse aspeto não me impressionou, mas achei um livro muito pobre a nível de escrita. E posso dizer que o mês de agosto foi praticamente todo dedicado ao excelente Histórias de Vigaristas e Canalhas. O livro é de leitura rápida, mas as férias não me deixaram ler mais. Trata-se da segunda parte da antologia Rogues organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois. Um conjunto de contos bastante diversificado, com policial, fantasia e ficção científica. Achei este volume mais equilibrado que o primeiro, mas alguns contos desagradaram-me. O meu destaque vai para os contos de Steven Saylor, Joe Abercrombie e Daniel Abraham, que se evidenciaram dos restantes.

sem-titulo-3O mês de setembro marcou o meu regresso às BD’s. Descobri a fantástica série Southern Bastards (Vol. 1 e Vol. 2), com argumento de Jason Aaron e ilustração de Jason Latour. Os dois criadores são originários do sul dos EUA, e trouxeram para o comic o pior do que lá existe. No primeiro volume, Earl Tubb, ex-capitão da equipa de futebol local, regressa a casa para lidar com um ninho de gente corrupta e mal-formada. Filho do antigo xerife, que foi morto pela população local, terá de engolir ódios antigos e tentar pôr fim ao cinismo daquele povo, mas pode estar demasiado velho para isso. No segundo volume conhecemos o homem por detrás de todas as injustiças. Através de reflexões, visualizamos o passado de Euless Boss, o treinador, e compreendemos como se transformou neste miserável vilão. Concluí a série de literatura fantástica Ciclo da Herança, de Christopher Paolini. Em Herança, o último volume, é notória a evolução na escrita do autor, mas a história continuou amarrada às referências do mesmo, o que o prejudicou em muito. O final foi esparso e pouco consistente, sendo também exaustivo. A falta de originalidade do autor é uma das suas grandes lacunas. Ainda assim, é melhor do que a maioria das fantasias juvenis que já me aventurei a ler.

sem-tituloLi o primeiro volume da comic Velvet, Antes do Crepúsculo. Pelas mãos da G Floy chega mais uma obra de Ed Brubaker (autor de Fatale), com desenho de Steve Epting e cores de Elizabeth Breitweiser. Velvet Templeton é secretária do diretor de uma agência secreta, muito embora tenha sido uma agente no terreno, nos seus tempos áureos. Quando X-14 é morto, no entanto, é obrigada a voltar a vestir o “fato macaco”, para desvendar uma conspiração que, ao que parece, gira à sua volta. Sem fugir aos clichés da literatura de espionagem, esta BD apresenta um volume inaugural de grande nível. Ainda melhor é a icónica Watchmen. Há muito que queria ler esta novela gráfica de renome, e não fiquei minimamente arrependido. A obra prima de Alan Moore, com desenho de Dave Gibbons, apresenta-nos um grupo de super-heróis envelhecido, num mundo estranhamente real em que os EUA venceram a Guerra do Vietname e Nixon foi reeleito. Os vilões foram exterminados há muito e as pessoas começaram a olhar de lado para os vigilantes. A própria polícia realiza manifestações contra os super-heróis, e as comics que se vendem são sobre piratas. É neste contexto que o super-herói Comediante é morto, Ozymandias sofre um atentado e Dr. Manhattan é desacreditado na imprensa, acusado de provocar cancro àqueles com quem interage. Certo que os super-heróis estão a ser alvos de uma conspiração, Rorschach lança a escada para que, junto dos seus velhos companheiros, se inicie uma longa escalada em busca da verdade. Original, complexo e delicioso, Watchmen lança uma série de questões pertinentes sobre política, física e humanidade. Imperdível.

sem-titulo-3Primeiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, O Último Reino convida-nos a conhecer o jovem Uthred, um rapaz saxão de dez anos que é feito prisioneiro pelos vikings na batalha em que o pai morre. Desde logo torna-se protegido de Ragnar, o Destemido, que o vê como um filho. Mas os anos passam-se e Uthred percebe que nem todos os dinamarqueses são tão benévolos como Ragnar e a sua família, e o apelo do sangue volta a fervilhar dentro de si. A quem será Uthred fiel? Aos dinamarqueses ou aos saxões? Excelente relato de vida de um jovem que vai sendo talhado como um herói, quando assim podia não ser. Cornwell é exímio em contar histórias e em descrever ambientes de batalha, e O Último Reino empolga-nos da primeira à última página. Este livro foi gentilmente cedido pela Edições Saída de Emergência no âmbito da parceria existente.

De momento estou a ler a antologia Proxy, da Editorial Divergência, mas tenho já uma fila de livros em espera. Stephen King, Joe Abercrombie e Bernard Cornwell são os nomes que se seguem, e espero continuar a acompanhar algumas BD’s de grande qualidade. E vocês, já leram algum destes livros?

Call To Arms, The Walking Dead #26

Civilização é um mito. Essa é a verdade que esse mundo nos ensinou. Nós não evoluímos além dos nossos instintos mais básicos… Isso foi o que sempre nos incentivou, e sempre irá incentivar.

O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “CALL TO ARMS”, VIGÉSIMO SEXTO VOLUME DE THE WALKING DEAD (FORMATO BD)

A série em quadradinhos The Walking Dead chega ao volume vinte e seis, que compreende os números 151 ao 156. É a mais recente edição escrita por Robert Kirkman, com arte de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano.

Em Alexandria, Rick prepara um exército. Com a ajuda de Dwight e dos Salvadores, ele treina a população para o treino de armas, seguindo os conselhos de Negan, certo que uma vingança orquestrada é a única forma de controlar a fúria dos alexandrinos face à matança perpetrada pelos Sussurradores, e é também o único meio de se manter na liderança. Eugene repara o rádio quando estabelece contacto com outra pessoa ou comunidade, que guarda reservas em revelar identidade.

Enquanto Maggie se prepara para regressar a Hilltop, Rick propõe Michonne para liderar o Reino, que ficara sem líder após a morte de Ezekiel. Entretanto, Brandon, filho de um dos homens que tentara conspirar contra Rick, revolta-se por este lhe ter morto o progenitor. O adolescente luta com Rick e sofre uma lição; como vingança, liberta Negan da prisão, e ambos saem de Alexandria, disfarçados no grupo de Maggie.

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Alpha (Image Comics)

Rick descobre o ocorrido demasiado tarde, quando Negan e Brandon se afastam da comitiva que viajava para Hilltop e se escondem na floresta. Assim que Brandon leva o vilão ao domínio dos Sussurradores, Negan mata o adolescente, prosseguindo viagem sozinho. Michonne e Aaron iniciam uma busca, desconfiando que Negan planeia juntar-se aos Sussurradores. Encontram o cadáver de Brandon junto às estacas que dividem os territórios e rapidamente são cercados por inimigos, que os teriam morto não fosse a aparição de Dwight e o seu grupo. Negan é recebido no seio dos Sussurradores, e em pouco tempo conquista a confiança de Alpha. Depois de tentar salvar uma jovem do grupo de ser violada, Negan desarma a carapaça emocional da líder dos selvagens, com votos de amizade, para logo depois a degolar e arrancar-lhe a cabeça.

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Capa Image Comics
SINOPSE:

After being betrayed by members of his own community, Rick Grimes charts a new course and marshals his forces against the Whisperers.

OPINIÃO:

Surpreendente. Com uma simplicidade genial, Robert Kirkman leva-nos ao imprevisível, conduzindo-nos do terror absoluto ao humor delicioso com um episódio cheio de tensão, permeado por alguns momentos mais mornos que apenas tornam esta construção crível e harmoniosa. Call to Arms não está entre os melhores volumes, mas é talvez dos melhores neste novo arco de história.

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Alpha e Negan (Image Comics)

Chegamos ao último volume já publicado de The Walking Dead, com momentos mais agitados do que outros, mas sem perder a capacidade de nos surpreender. A cena final foi seguramente inesperada, e o sentido de humor do vilão mais “amado” da novela gráfica é um espetáculo à parte. Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano continuam o seu competente trabalho de ilustração. Provavelmente, só sairá um próximo volume daqui por alguns meses, mas depois de ler este volume e ter visto o trailer da sétima temporada da série de tv, que saiu esta semana, só ficou a vontade de saber mais deste universo pós-apocalíptico.

Avaliação: 7/10

The Walking Dead (Devir/Image Comics):

#1 Dias Passados |  #2 Um Longo Caminho | #3 Segurança na Prisão | #4 O Desejo do Coração | #5 A Melhor Defesa | #6 Esta Triste Vida | #7 A Calma Antes | #8Feitos para Sofrer | #9 Aqui Permanecemos | #10 Aquilo Em Que Nos Tornamos| #11 Temam os Caçadores | #12 Viver entre Eles | #13 Too Far Gone | #14 No Way Out | #15 We Find Ourselves | #16 A Larger World | #17 Something To Fear | #18What Comes After | #19 March To War | #20 All Out War Part 1 | #21 All Out War Part 2 | #22 A New Beginning | #23 Whispers Into Screams | #24  Life and Death| #25 No Turning Back | #26 Call To Arms