Fala-se de: Prison Break T5

É o ressuscitar de uma série que parecia morta e enterrada, desde que o final da quarta temporada, em 2009, desvendou a morte do personagem principal. Mas Michael Scofield não morreu e regressou oito anos depois, para mais uma série plena de perseguições, cartas na manga e planos de fuga. Para mim, a temporada pecou por curta e alguns episódios mostraram o protagonista muito mais reativo e sobrevivente do que previdente. Os últimos episódios, porém, trouxeram o antigo Scofield mais badass do que nunca, com uma série de planos secretos e subterfúgios de contingência.

Ao seu lado, Lincoln Burrows, Sara Tancredi, T-Bag, C-Note e Sucre voltaram a mostrar a cara numa cabala misteriosa que envolveu a CIA e o Daesh. Produzido pela 20th Century Fox Television, a season 5 de Prison Break não supera as anteriores, mas faz o espectador matar saudades dos seus personagens preferidos, assistir a umas quantas sequências de ação de tirar o fôlego e ver o triste final da quarta temporada devidamente vingado. Posso afirmar que nove episódios não chegaram para reacender a chama, mas foram nove episódios frenéticos que deixaram o público a “chorar” por mais.

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Poster promocional (Fonte: theedgesusu.co.uk)

Pessoalmente, senti a falta de um vilão poderoso ou, pelo menos, carismático. O personagem escolhido para enfrentar os irmãos-eternamente-em-fuga revelou-se sonsinho do princípio ao fim, e sem sal é uma das características com que o podemos qualificar. Na verdade, acho difícil sentir pavor ou preocupação real para com o proclamado Poseidon, se bem que o ator soube passar para o público um olhar arrepiante de psicopata em vários momentos da série. Um pouco à imagem do Don Self da quarta temporada, mas nada comparado a figuras como Krantz, Gretchen, Lechero ou Mahone.

“Na verdade, acho difícil sentir pavor ou preocupação real para com o proclamado Poseidon, se bem que o ator soube passar para o público um olhar arrepiante de psicopata em vários momentos da série.”

A adição de Paul Kellerman, personagem importante do início da série, desapontou-me. Fora um dos meus personagens preferidos, pelo que as minhas expectativas para o seu retorno estavam lá em cima. O seu personagem revelou-se nesta sequência pobre, sem real importância e de pouca duração. T-Bag também pareceu andar um pouco à deriva durante a maior parte da temporada, com ligação direta aos principais acontecimentos mas sem uma participação ativa nos mesmos. Paralelamente a isso, o personagem de Robert Knepper revelou-se demasiado bonzinho para o que nos habituou em temporadas anteriores.

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Michael Scofield (Fonte: elsieisy.com)

Os grandes elogios vão para a dupla Wentworth Miller e Dominic Purcell. A química entre os dois “irmãos” continua imbatível e tanto as cenas de ação como os diálogos entre ambos são marcas inconfundíveis da série. Sarah Wayne Callies foi sempre o vértice da ligação. A atriz regressou ao papel que a tornou célebre, mas confesso que o encanto que senti por ela em Tarzan e Prison Break se quebrou com a sua participação pouco convincente em The Walking Dead. Amaury Nolasco e Rockmond Dunbar fizeram a sua parte e Inbar Lavi foi um excelente reforço, como a prestável Sheba.

ATENÇÃO: HÁ AQUI ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE O ENREDO, MAS NADA DE GRANDES REVELAÇÕES!

A temporada começa com as pistas deixadas a T-Bag, recém libertado da prisão, sobre a possibilidade de Michael Scofield estar vivo. Desde logo ele contacta com Lincoln, que se mostra inconformado com essa remota possibilidade. As pistas, porém, apontam diretamente para ele. Sara encontrou em Jacob um pai perfeito para o filho que concebeu de Michael, ainda que a ideia de que o seu amor esteja vivo seja tão aliciante como perigosa. Movendo os seus contactos, Lincoln consegue perceber que o irmão está mesmo vivo. Ou, pelo menos, alguém com o seu rosto.

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Lincoln e Sara (Fonte: ew.com)

Kaniel Outis é um terrorista famoso, cativo em Ogygia, uma prisão de alta-segurança no Iémen, e diz-se que foi o responsável pelo assassinato de um membro da CIA. Recorrendo a velhos e a novos amigos, como C-Note, Sucre e Sheba, Lincoln chega à prisão de Ogygia e vê o irmão com os seus próprios olhos. Mas as poucas palavras de Michael deixam claro que ele não quer ser reconhecido como seu irmão. As tatuagens que ele revela no corpo, principalmente os dois olhos nas palmas das mãos, desvendam o contrário.

A partir daí, Lincoln faz de tudo para tentar recuperá-lo, enquanto Michael move-se no interior da prisão para planear uma rota de fuga e escapar a um grande motim. Ambos envolvem-se no meio de um conflito armado que explode com a fuga de um importante terrorista, Abu Ramal, e com várias perseguições em território do Daesh. Entre os companheiros de fuga de Michael encontra-se Dave “Whip” Martin, que se revela um personagem mais importante para a trama do que inicialmente sugere. Nos E.U.A, a T-Bag é oferecida uma mão artificial, operação financiada por Outis, para que este siga as pistas que ele lhe deixou.

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Fugitivos no Iémen (Fonte: denofgeek.com)

Dos confrontos bélicos no Médio Oriente, com Cyclops no seu encalço, à perseguição armada de A&W e Van Gogh, dois membros de um apêndice da CIA chamado 21-Void nos E.U.A., os irmãos Michael e Lincoln têm ainda que lidar com os afectos e pôr à prova o instinto de sobrevivência e perspicácia. Michael pretende recuperar a família e Poseidon não o poderá parar. Uma temporada quase excelente que deixa claro que o tempo passa quando os filhos de Michael, T-Bag e John Abruzzi ganham destaque na trama.

Eu gostei bastante, e vocês?

Avaliação: 8/10

Fala-se de: The Walking Dead T7

A temporada terminou há quase dois meses, mas só agora tive disponibilidade para ver os episódios que me faltavam. Como sabem, sou fã de The Walking Dead desde o início, e achei as temporadas 2, 5 e 6 as melhores de toda a série. Para aqueles que, como eu, vibram com as aventuras de Rick, Carl, Michonne, Daryl e Maggie, a adaptação da famosa banda-desenhada de Robert Kirkman atingiu o seu zénite com a aparição do terrível vilão Negan. Ainda assim, ao acompanhar a banda-desenhada, não pude deixar de sentir algum desapontamento com esta temporada.

Talvez temendo que ocorresse uma situação similar à que a série Game of Thrones vivencia, em que a adaptação ultrapassou a publicação do material canónico, os acontecimentos que deviam pautar a primeira metade da temporada (a chamada mid-season que corresponde aos primeiros oito episódios), prolongaram-se por todo o ano. Tal medida levou à inclusão de mais comunidades inexistentes na banda-desenhada – a de Oceanside e o grupo do ferro-velho – mas também a um debate ostensivo de questiúnculas e episódios sem conteúdo ou ritmo que na minha opinião fez decrescer, em muito, a qualidade da série da AMC.

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Promocional (Fonte: AMC)

Se os ocasionais momentos de ternura e pesar entre os personagens de Andrew Lincoln e Danai Gurira, para além da interpretação magnífica de Jeffrey Dean Morgan como o sádico portador do bastão de basebol farpado Lucille trouxeram alguns dos momentos de maior qualidade cénica, as constantes hesitações dos personagens Carol, Morgan e Ezekiel, o “vai-não-vai” de Rosita e as deambulações de Tara enfraqueceram o espírito que se exigia a esta temporada.

Não vi aquilo que Melissa McBride mostrou em temporadas anteriores, não vi a tão aclamada união que o grupo de Rick sentiu em momentos passados, tão dramáticos como este, e posso dizer que em alguns momentos me senti tentado a torcer pelo grupo dos Salvadores. Se alguém se destacou pela positiva, destaco Dean Morgan e Lincoln, com os seus face-to-face lendários, Lauren Cohan com uma Maggie derruída a tentar fazer algo com a tragédia que lhe bateu à porta, e Chandler Riggs e Tom Payne a ganharem o merecido destaque numa temporada atípica.

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Ezekiel e Shiva (Fonte: theindependent.co.uk)

Se a falta de protagonismo e irregularidade dos personagens não está diretamente ligada ao profissionalismo e qualidade dos intérpretes, a verdade é que a sétima temporada deu poucas oportunidades a atores como Seth Gilliam, Katelyn Nacon ou Christine Evangelista. Não que Gabriel, Enid ou Sherry tenham sido afastados do foco ou perdido importância, sendo deles algumas das cenas que mais me marcaram ao longo da temporada, mas para além desses momentos, foram quase esquecidos.

“Se a falta de protagonismo e irregularidade dos personagens não está diretamente ligada ao profissionalismo e qualidade dos intérpretes, a verdade é que a sétima temporada deu poucas oportunidades a atores como Seth Gilliam, Katelyn Nacon ou Christine Evangelista.”

Seria impossível dar o mesmo espaço de antena a todos, mas a quase desconhecida Holly conseguiu mais impacto na banda-desenhada, do que a Sasha de Sonequa Martin-Green na adaptação da mesma cena para a season finale. Daryl Dixon continua a ser um personagem “querido” que pouco mais faz do que chorar em cada episódio. Preciosismos de um leitor de banda-desenhada que gostava de ver cada cena retratada fielmente ao ecrã? Talvez.

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Promocional (Fonte: AMC)
A PARTIR DAQUI PODES TROPEÇAR EM ALGUMAS REVELAÇÕES

Começamos a temporada com um episódio de altíssima tensão, com a morte de Glenn e Abraham e a tortura psicológica de Negan a Rick. Se gostei do episódio? Não, mas achei-o importante para o desenvolvimento da série. Os episódios seguintes não me desiludiram, mas achei a passividade de Rick para com a liderança de Negan levada ao limite, de certa forma exagerada. Foi só no fechar do pano que Rick se decidiu insurgir, quando Olivia e Spencer foram eliminados numa cena icónica que não ficou nada a dever ao material original… mas que pecou por tardia. Não é uma cena de mid-season finale, mas sim para ter sido apresentada no quarto ou quinto episódio.

“Os episódios seguintes não me desiludiram, mas achei a passividade de Rick para com a liderança de Negan levada ao limite, de certa forma exagerada.”

Logo se adivinhava que, ou a Guerra Total aconteceria muito rapidamente, ou a temporada chegaria ao fim sem haver uma guerra sequer. E foram as hesitações de Ezekiel, Carol e Morgan, as intrigas disparatadas de Richard e a adição da comunidade do ferro-velho, para além do regresso a Oceanside que, ainda na primeira metade servira para mostrar que Tara e Heath estavam vivos, quando poucos se lembravam já deles, o que deu barriga a esta segunda metade da temporada, que valeu essencialmente pelo núcleo de Hilltop e pela traição de Dwight. A série terminou com o início da guerra em si, mas nem mesmo o final me agradou. Foram muitos tiros, um tigre pouco convincente e uma Michonne demasiado débil. No fim, tudo ficou na mesma.

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Promocional (Fonte: itechpost.com)

Ainda assim, continuo um fã da série e mesmo sabendo que a próxima temporada terá muitas “invenções” por parte da produtora, para fazer durar a guerra até ao fim, irei continuar a acompanhar, não só por gostar da temática e do produto, mas também porque as interpretações de atores como Andrew Lincoln e companhia valem muito a pena.

Avaliação: 6/10

Fala-se de: Velocidade Furiosa 8

Poucos são os que não sabem o que acontece quando se junta Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Jason Statham, Dwayne Johnson, Tyrese Gibson e companhia. A popular franquia Velocidade Furiosa conquistou os amantes de velocidade em todo o mundo, mas também não passa indiferente a todos os que gostam de um bom filme de ação. Nem mesmo a morte de Paul Walker, o ator que desempenhava um dos papéis principais, veio retirar público ou qualidade ao produto.

Velocidade Furiosa 8 é mais um exemplo do que a equipa dirigida por F. Gary Gray e Chris Morgan é capaz de fazer, pegando em meia-dúzia de super-estrelas do cinema, um outro tanto de “veículos-à-prova-de-tudo” e uma boa trama. A Universal Studios é a companhia responsável por trazer à luz do dia uma das séries cinematográficas de maior impacto mundial, usando nada mais, nada menos, que uma vasta gama de cenários e um rol de perseguições de tirar o fôlego.

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Poster do filme (Fonte: canoticias.pt)

Mas usar caras bonitas e corpos musculados não chega para esticar o sucesso de um produto até ao oitavo filme. É necessário incluir-lhe uma trama atrativa e inovações, umas após as outras. Se Velocidade Furiosa 8 pode ser acusado de não inovar muito em termos de plot, pessoalmente surpreendeu-me em vários momentos, desde a suposta traição de Dominic Toretto aos seus companheiros, às ligações de sangue que a vilã lhe apresenta, até à simulação de uma morte e aos movimentos sub-reptícios dos personagens. Foi isso, acima de tudo, que me deixou ligado ao ecrã até ao último instante.

“Mas usar caras bonitas e corpos musculados não chega para esticar o sucesso de um produto até ao oitavo filme. É necessário incluir-lhe uma trama atrativa e inovações, umas após as outras.”

Ainda assim, boa parte da índice de sucesso desta sequência está diretamente ligada à qualidade do elenco. Vin Diesel assume o protagonismo por inteiro, desde o falecimento de Paul Walker. Ao seu lado, jorram nomes como Jason Statham, Helen Mirren, Kurt Russell, Dwayne “The Rock” Johnson, Tyrese Gibson, Luke Evans, Chris Bridges, Michelle Rodriguez, a terrível vilã de Charlize Theron e ainda Nathalie Emmanuel e Kristofer Hijvu, a Missandei e o Tormund da série Game of Thrones. Se a maioria já são presenças repescadas de filmes anteriores, cada nova adição acrescenta sempre o seu contributo sem que fique a sensação que estão a trazer “mais do mesmo”.

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Michelle Rodriguez e Vin Diesel (Fonte: mag.sapo.pt)
CUIDADO! NÃO HÁ GRANDES REVELAÇÕES MAS ALGUNS SPOILERS.

Velocidade Furiosa 8 é, assim, mais um upgrade da franquia. Somos apresentados a um Dom Toretto mais sofisticado, como sempre emocional sem deixar de ser duro como uma pedra, com a lealdade e o sentido de família a serem testados até aos limites por uma vilã que planeia controlar o mundo. A corda é esticada quando ele é obrigado a ceder, quando a relação de extremo afeto que Dom tem por Letty se vê constrangida por algo mais pessoal e sensível. Uma outra família. O fruto de algo. O dealbar de um sonho antigo, nascido de uma relação fugaz.

O conceito de família também é explorado através de Luke Hobbs, o personagem de Dwayne Johnson. O antigo agente da DSS tornou-se treinador de futebol feminino, e não parece muito entusiasmado com a ideia de ser novamente chamado para os grandes palcos de ação. É o amor pela filha que o leva a hesitar, ainda que ser levado para uma prisão de alta-segurança e voltar a enfrentar Deckard Shaw lhe mexa com as vísceras de um modo que não consegue controlar. É Luke o primeiro a compreender a traição de Dom, quando este rouba o dispositivo EMP em Berlim. Da mesma forma que tenta levar o grupo a um novo nível de união, vê-se obrigado a trabalhar com Deckard e a inimizade visível para com o personagem de Statham acaba por se aplacar com o tempo.

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Hobbs na prisão (Fonte: cinepop.com.br)

É com Letty, a personagem de Michelle Rodriguez, porém, que o público mais vive os sobressaltos deste filme. De uma lua-de-mel em Havana até a uma traição que lhe é incompreensível em Berlim, ela não duvida por um momento que Dom a ama e é a última a aceitar o volte-face. Graças ao Olho de Deus controlado por Ramsey, o grupo descobre a localização de Dom, tardiamente. Uma surpresa cronometrada por Cipher, a poderosa pirata cibernética, leva à neutralização do grupo e à revelação dos seus planos.

“De uma lua-de-mel em Havana até a uma traição que lhe é incompreensível em Berlim, ela não duvida por um momento que Dom a ama e é a última a aceitar o volte-face.”

Nova Iorque torna-se então o palco de um caótico incidente de trânsito. Cipher pretende recuperar os códigos nucleares guardados pelo ministro da defesa russo, e não se coíbe a controlar todos os veículos da cidade a seu bel-prazer para consegui-lo. Dom é usado como um peão, mas Cipher devia conhecê-lo melhor. Uma estratégia que envolve a família Shaw revela que Dom tem ainda uma palavra a dizer e uma sequência de perseguições antecipam o encontro com Letty, onde as dúvidas que ela nutriam se dissipam quando ele lhe salva a vida.

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Imagem promocional (Fonte: showbizz.liputan6.com)

Invasões de segurança, chuvas de automóveis e até fugas a mísseis e a submarinos sobre o ténue gelo de uma base russa marcam um filme repleto de cenas de ação, coroado por um final que não surpreende mas deixa bem registado o sentido de família a que o grupo de Toretto se vinculou. A homenagem ao personagem de Paul Walker foi a cereja no topo do bolo.

Avaliação: 8/10

Fala-se de: Guardiões da Galáxia Vol. 2

É o filme do momento e não podia deixar de falar dele. Para muitos, Guardiões da Galáxia é apenas mais uma franquia da Marvel, transportada dos quadradinhos para o cinema. Para aqueles que acompanham as aventuras de Star Lord, Rocket Racoon, Gamora, Drax e Groot desde o primeiro filme, é uma das melhores sequências desde que a Marvel se lançou no mercado cinematográfico. Para mim, Guardiões da Galáxia é, a par de Deadpool, dos poucos filmes baseados em bandas-desenhadas Marvel que valem realmente a pena assistir. Vou explicar porquê.

Numa galáxia distante, cinco mercenários são obrigados a juntar forças para fugir da prisão, e acabam por enredar-se num conflito à escala universal. Com argumento e direção de James Gunn, Guardiões da Galáxia apresenta uma narrativa cheia de ritmo e cenas de ação cósmica de fazer inveja aos melhores filmes Star Wars, ao mesmo tempo que usa e abusa do sentido de humor, o seu maior trunfo. Se muitos julgariam difícil superar o primeiro filme nesse campo, é quase unânime que Guardiões da Galáxia se superou. Neste segundo volume, James Gunn voltou a surpreender.

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Poster do filme (Fonte: jamovie.it)

Guardiões da Galáxia é uma das bandas-desenhadas menos famosas da Marvel, se a compararmos a celebridades como Homem de Ferro, Capitão América ou X-Men, mas a popularidade dos filmes parece ter agigantado a curiosidade em torno de Gamora e companhia. Dificilmente a banda-desenhada conseguirá ombrear com os filmes em qualidade, e muito por culpa do trabalho incrível de uma equipa coesa que já percebeu bem que o humor é o maior trunfo para conquistar a nova geração de consumidores Marvel.

“Dificilmente a banda-desenhada conseguirá ombrear com os filmes em qualidade, e muito por culpa do trabalho incrível de uma equipa coesa que já percebeu bem que o humor é o maior trunfo para conquistar a nova geração de consumidores Marvel.”

Tudo bem, o sucesso não se faz apenas de conteúdo. Digamos que o chamariz para o primeiro filme passou por pagar a Vin Diesel para estar um filme inteiro a dar voz a uma árvore falante que apenas diz I am Groot!, o que se repetiu no segundo volume, mas também colocar uma estrela em ascensão vinda do WrestlingDave Bautista – no elenco fixo, juntando-o a novos nomes do cinema como Zoe Saldana, Chris Pratt e Karen Gillan, já para não falar do inigualável Bradley Cooper como o mais tagarela dos guaxinins. Participações mais do que pontuais, como as de Michael Rooker, famoso pela participação em The Walking Dead, Sylvester Stallone, Glenn Close, Benicio Del Toro, Djimon Hounson e Kurt Russell vieram dar visibilidade e impacto à versão cinematográfica dos guardiões mais tresloucados da galáxia.

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Poster do filme (Fonte: comicbook.com)

Mas terá sido isso o suficiente para fazer de Guardiões da Galáxia um sucesso? Definitivamente não. James Gunn e a sua equipa são, muito provavelmente, os principais “culpados” do sucesso. A trama de Guardiões da Galáxia conquistou pela irreverência, e Guardiões da Galáxia Vol. 2 superou o primeiro filme em qualidade. A história começa com o grupo unido e estabelecido como uma equipa, ainda que revelem, porém, alguns problemas de comunicação.

Cuidado com os spoilers! Não faço grandes revelações, mas o plot principal está aqui.

O grupo entrega à raça Soberana umas baterias como moeda de troca pela irmã de Gamora, Nebula, mas Rocket acaba por roubá-las, o que despoleta o ódio de Ayesha, a mulher dourada que lidera os lesados. É quando são salvos pelo pai de Peter Quill, que este nunca conhecera, que o grupo acaba por fraturar-se. Ego é um celestial, uma espécie de deus, que criou um planeta para si mesmo. Ele acolheu e cuidou de Mantis, uma jovem com duas antenas capaz de ler os sentimentos das pessoas ao toque. O grupo divide-se. Enquanto Rocket e Groot recuperam a sua nave – caída num planeta desconhecido – e vigiam Nebula, que fizeram prisioneira, Gamora, Quill e Drax acompanham Ego até ao seu planeta.

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Baby Groot (Fonte: io9.gizmodo.com)

Se a liderança de Yondu Udonta, o pai de criação de Quill, é posta em causa no seio dos Saqueadores, o seu grupo mais restrito é contratado por Ayesha para dar caça aos Guardiões da Galáxia. Udonta encontra a nave e depois de ver muitos dos seus homens abatidos por Rocket, tenta chegar a um acordo que seja benéfico para ambos; afinal, Udonta não tem grande inimizade pelos Guardiões. Isso, porém, vem inflamar a fação que contestava a sua liderança e Udonta é feito prisioneiro, assim como Rocket e Groot. Nebula chega a acordo com Taserface, o novo líder do grupo, tendo em vista assassinar a sua irmã e vingar-se pelo pesadelo que foi a sua infância. O tema “família” é explorado em todas as suas vertentes, tornando-se o foco de todo o filme.

“O tema “família” é explorado em todas as suas vertentes, tornando-se o foco de todo o filme.”

A humana inocência de Baby Groot é a cereja no topo de um bolo que mescla momentos de grande humor protagonizados por Drax e Mantis, de romance entre Quill e Gamora e de empatia entre Rocket e Udonta. É quando os grupos voltam a convergir que as histórias se entrelaçam, resultando num terço final de forte tensão e melancolia. O combate tradicional contra o inimigo comum é pautado por diálogos divertidos e ridículos, como a busca por um pedaço de fita adesiva, mas também pela epicidade evocada pela extraordinária banda-sonora, que dá ritmo à história sem que, muitas vezes, demos por ela. As referências são uma constante, de Mary Poppins a David Hasselhoff.

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O passeio de Rocket e Udonta (Fonte: digitalspy.com)

As cenas pós-créditos são um bónus. O personagem de Stallone revela o rosto dos Guardiões da Galáxia originais, que inclui Michelle Yeoh, Ving Rhames, Michael Rosenbaum e Miley Cyrus, ainda que alguns não estejam “em pessoa”. Os Soberanos prometem mais problemas e o despertar de Adam… Vemos ainda Stan Lee irreverente como sempre e um Groot com distúrbios juvenis a sugerir um Volume 3 ainda mais incrível. Fala-se de Guardiões da Galáxia por alguma razão.

Se não o viram, do que estão à espera?

Avaliação: 10/10

 

Fala-se de: Salem T3

Quem acompanha este blogue sabe que desde 2014 sou fã da série Salem. Apesar do tema “bruxaria” nunca me ter agradado muito, a forma crua e violenta com que foi abordado e a riqueza dos personagens prenderam-me a esta série de ficção inspirada em factos verídicos. A série foi cancelada este ano e, assim sendo, a terceira temporada foi a última. Como não podia deixar de ser, aqui deixo a minha opinião, COM ALGUNS SPOILERS, à temporada final.

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As bruxinhas (logotipo)
Pontos fracos:

1 – A temporada começou com tudo. Inúmeros acontecimentos sucederam-se e prometeram um ritmo vertiginoso. Tal como nas temporadas anteriores, isso só se verificou mesmo nos primeiros e últimos episódios.

2 – O potencial de Mercy foi completamente desperdiçado. Isaac deixou de ser o “coitadinho” da história e ganhou popularidade ao trazer os refugiados para dentro da cidade, mas Mercy – a sua eterna inimiga e uma das personagens mais interessantes da trama – passou muito tempo sem se decidir avançar para uma luta que seria interessante, agora que tinha um lugar de poder com Hathorne ao seu lado. Tanto Isaac como a dupla Mercy/Hathorne acabaram por ter finais decepcionantes.

3 – Sim, eu shippei Anne e Cotton durante a maior parte da série. A história de amor foi destruída nesta temporada com a instabilidade dela; ainda que Anne se tenha tornado o melhor dos últimos episódios.

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A terrível Mercy

4 – Falta de credibilidade na tomada e perda de poderes ao longo da temporada. Mary Sibley foi o exemplo máximo. Morreu e voltou.  Ganhou e perdeu poderes. Para credibilidade podem existir n argumentos por parte da produção. Mas uma coisa é certa, a temporada foi confusa e os finais pareceram feitos à pressa. A partir do episódio 6 então, a trama central foi completamente desfragmentada.

5 – Sebastian tinha tudo para ganhar destaque e ter outra expressão nesta temporada. Os primeiros episódios foram o exemplo disso. Registou-se uma perda progressiva da sua personalidade e voltou a ser refém das saias da mãe à primeira oportunidade (ainda que esta não seja agora mais que um morto-vivo num caixão).

6 – Quando soube que Marilyn Manson ia ter um papel recorrente na história, fiquei em pulgas. De facto, o cantor não esteve mal e o personagem foi interessante. No entanto, este Thomas Dinley, um barbeiro/curandeiro/assassino, poderia ser melhor explorado.

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Marilyn Manson é Thomas Dinley

7 – Tivemos mortes de personagens importantes completamente banalizadas. Já falei em Mercy, não já? Não consigo deixar de voltar a falar sobre ela. A personagem mais badass da história morreu assim com tanta facilidade?

8 – Os namoradinhos da série terminaram juntos, é verdade, mas tudo pelo que lutaram foi pelo esgoto. John Alden pouco acrescentou à história nesta temporada. Mary foi um caos de peripécias. Até conseguiu transferir-se para o corpo de uma defunta, para regressar e quebrar uma maldição (algo que só foi percebido, não explicado). Resumindo, perderam o filho, foram obrigados a sair de Salem para não mais voltar e bye bye poderes.

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Separador promocional
Pontos fortes:

1 – A atuação de Tamzin Merchant. A menina que gravou o piloto de Game of Thrones como Daenerys Targaryen e foi dispensada mostrou aqui um papel à sua altura. A atriz esteve excelente e a personagem surpreendeu. Anne Hale dominou tudo e todos e tornou-se a The Queen of the Night, embora a herança da sua mãe – a Condessa de Marburg – não pareça muito aliciante.

2 – O facto de o plot inicial ser completamente desconstruído não é propriamente um ponto fraco. Salem surpreendeu bastante nesta temporada final e as surpresas são sempre bem-vindas.

3 – O regresso de Gloriana, ainda que pouco tenha acrescentado à trama, agradou-me. Fez relembrar as cenas icónicas da primeira temporada, quando Cotton e Anne eram pessoas bem diferentes do que se vieram a tornar. A cena em que a gravidez de Gloriana é transferida para Anne foi das minhas preferidas.

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Anne Hale, a surpresa da temporada

4 – As cenas chocantes e explícitas. Sangue e terror não faltaram nesta temporada final. E afinal, para que é que vemos esta série mesmo? Nesta última temporada, tivemos ainda direito a anjos caídos, um Diabo que morreu facilmente, e cenas ótimas como um corpo de homem a sair de dentro de uma criança. Tivemos a Condessa de Marburg em modo zombie e um Inferno literalmente à porta.

5 – Tituba, apesar de ter prometido mais do que cumpriu – acumulou as funções de um outro personagem – é destaque positivo. Foi sempre uma personagem relevante em todas as suas aparições.

6 – A ironia da cena final. Começou a série como um padre que frequentava diariamente um bordel e foi um dos personagens que mais sofreu ao longo da série. Termina sozinho e vivo no Inferno. Pobre Cotton…

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John Alden: num mundo de bruxas, de que vale ser cowboy?

7 – Zombies índios (este guilty pleasure não exige descrição, right?)

8 – A promessa de uma nova geração de bruxas agradou-me bastante– a série Salem foi só o início. Ainda que não exista uma continuação para a história, nada nos impede de sonhar.

Avaliação: 7/10

Fico com a sensação de que a ideia para esta terceira e última temporada foi genial, mas na prática não funcionou muito bem. Os novos personagens não acrescentaram muito e os protagonistas perderam o vigor que antes haviam demonstrado. Mercy, Anne, Isaac e Cotton levaram a série às costas. Assim como Mary, que tinha tudo para revelar-se a The Queen of the Night. Apesar do final meio decepcionante, Janet Montgomery interpretou uma personagem excepcional. Em jeito de balanço, Salem, da WGN America, foi original e irreverente do primeiro ao último momento.

Fala-se de… Westworld T1

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Westworld (HBO)

Entretanto, os amigos William e Logan chegam a Westworld como visitantes, mas enquanto Logan se entrega aos prazeres do bordel, William mostra-se leal à esposa, não encontrando um divertimento legítimo, até conhecer Dolores e encantar-se por ela. Maeve, uma meretriz, torna-se personagem de relevo na trama a partir do momento em que acorda numa maca, numa sala do complexo laboratorial onde os “hosts” são programados.

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Teddy (James Marsden) e Dolores (Evan Rachel Wood)

Pontos Fracos:

1 – A confusão causada pelas várias tramas sem nexo causal aparente. Ao fim de alguns episódios, o mistério deixou de surtir o efeito desejado e a vontade de deixar a série imperou. Nada parecia fazer sentido e tudo parecia cada vez mais emaranhado.

2 – As várias linhas temporais. Só percebemos que estávamos a ver mais do que uma linha temporal na segunda metade da temporada, o que veio dar sentido às tramas.

3 – Seguramente, quem visualizar apenas os primeiros episódios irá achar a trama extremamente confusa, e se não tiver especial gosto no tema não verá motivos para prosseguir.

Pontos Fortes:

1 – Os únicos pontos fracos encontrados tornaram-se um ponto forte ao assistir aos últimos 3, 4 episódios. A forma como as pontas são amarradas e as linhas temporais são compreendidas, vêm conferir genialidade à conceção do argumento da série.

2 – O elenco excepcional. Thandie Newton, Anthony Hopkins, Jeffrey Wright, Ed Harris, James Marsden, Evan Rachel Wood, Ben Barnes, Rodrigo Santoro, entre tantos outros. As interpretações trouxeram um clima de paixão e mistério à série que poucas têm.

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Hector (Rodrigo Santoro)

3 – O cruzamento de temas. O western e a ficção científica andam de mãos dadas nesta série da HBO. Chamada por muitos como a nova Game of Thrones, Westworld é uma série completamente diferente, mas igualmente bem feita. A surpresa de uma prostituta de saloon ao descobrir que é uma andróide foi um dos motivos que mais me segurou a ver a série.

4 – O mistério em torno de Arnold. Durante toda a temporada, ouvimos falar de um Arnold sem saber quem ele era. As revelações finais agradaram-me.

5 – Os paradigmas e questões levantadas sobre a inteligência artificial.

Avaliação Final: 8/10

Durante muitos momentos perdi a vontade de seguir a série. Felizmente não o fiz e achei os três últimos episódios excelentes. Espero que a segunda temporada siga o mesmo ritmo.

Fala-se de… Game of Thrones T6

A sexta temporada de Game of Thrones chegou ao fim e a vontade de continuar a ver esta grande produção só aumentou. Se no ano passado ficamos todos com a ânsia de perceber se Jon Snow tinha, de facto, morrido, esta season finale deixou um cheiro a desfecho, com a convergência de vários núcleos e personagens. Abaixo deixo a minha opinião, COM SPOILERS, ao sexto ano de produção.

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D&D não são George R. R. Martin.

O facto de a série alcançar e ultrapassar os livros só a prejudicou. Embora alguns elementos (como o mistério em volta de Hodor) tenham sido indicados por George R. R. Martin, a trama original é bem sinuosa e com muitos amargos de boca para os protagonistas. Como bons fãs, David Benioff e D. B. Weiss criaram uma temporada “previsível“, com todos os personagens “bons” a saírem-se bem e a vingarem-se de tragédias passadas. Puro fanservice, que embora tenha agradado a muitos, mostrou que não era obra de Martin. A asfixia, a agonia, os volte-faces inesperados não pautaram nesta temporada, e todos sabemos porquê. D&D não são George R. R. Martin.

Nem é suposto sê-lo.

Ainda assim, demonstraram ser guionistas muito competentes, enchendo dez episódios de uma forma equilibrada com acontecimentos para todos os gostos. Nesse quesito, esta temporada foi superior à anterior, em que o único episódio de destaque para além do season finale teria sido o fantástico Hardhome. O destino dado ao núcleo de Dorne não agradou a todos, mas tendo em conta a péssima adaptação desse núcleo, a opção agradou-me. A ressurreição de Jon Snow era expectável, assim como o regresso de Dany a Meereen à frente dos dothraki, mas apesar da previsibilidade, foram sequências positivas que vieram desenrolar o novelo que Martin, nos seus livros, apenas tende a enrolar mais e mais e mais.

O fim de Ramsay Bolton e a adição de uma personagem inexistente no material canónico, a “grande” Lyanna Mormont, foram importantes para o sucesso da temporada, e apesar de assistirmos a um Tyrion Lannister mais discreto, fomos recompensados com um Varys cada vez mais badass, uma Cersei devastadora e uma Sansa mais adulta, finalmente junto ao seu irmão. Arya Stark também mereceu um ótimo desenvolvimento e os Homens de Ferro tiveram o destaque há muito merecido (embora o Euron da série ainda não me tenha convencido e o Victarion dos livros faça muita falta).

As visões de Bran e a adição de Mãos Frias como Benjen Stark foram ótimas. A revelação da paternidade de Jon Snow deveria ser mais explícita, porque muitos dos que não acompanham a saga literária e desconhecem a teoria R+L = J não perceberam que a cena visionada por Bran na Torre da Alegria revelou Jon Snow como filho de Rhaegar Targaryen, ou seja, sobrinho de Daenerys por parte do pai e sobrinho de Ned Stark por parte da mãe.

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Concluindo, esta temporada desagradou-me em muitos aspetos, nomeadamente a previsibilidade dos acontecimentos, a mudança estranha de personalidades como a de Jaime e a falta de personagens basilares dos livros (Arianne, Jovem Aegon, Victarion, Moqorro), mas continua ótima e a desenvolver a narrativa como as séries são obrigadas a fazer para manter o público fiel, algo que já não se exige com os livros de Martin (todos sabemos a sua complexidade e lenta evolução desde o início, o que só lhe confere credibilidade). Fico a aguardar pela próxima temporada, quando só faltam 15 episódios para o final da série.

Nota: 8/10

Fala-se de: The Walking Dead T6

A mediática adaptação da banda-desenhada The Walking Dead continua na sua senda de sucesso, explodindo no final da presente temporada devido aos acontecimentos dramáticos e à aparição do maior vilão de sempre – o odioso Negan. Se, por um lado, o “sururu” é uma consequência da imensa popularidade do programa, também o deve ao desagrado dos fãs com o ocorrido. Abaixo deixo a minha opinião, COM SPOILERS, sobre a sexta temporada.

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Episódio 1 a 8:

A temporada começou muito bem, com um episódio inaugural cheio de ritmo, entremeado com flashbacks que nos contaram o que aconteceu em Alexandria desde que Rick assassinou Pete, e como Morgan se adaptou à comunidade. A horda de walkers foi muito bem explorada pela produção – até porque a série havia abandonado um pouco a “matéria zombie” em que esta está contextualizada. Os avanços e recuos no tempo, assim como um ou outro episódio focados apenas em determinado personagem, foram as únicas partes negativas que tenho a apontar. O episódio em que Glenn e Nicholas ficaram encurralados sobre o contentor foi provavelmente o melhor da primeira parte da temporada, e a expectativa sobre a possível morte do coreano só pecou por ser arrastada em vários episódios. Tal como se viria a suceder na segunda parte, o cliffhanger final (o choro de Sam no meio dos walkers) foi desnecessário.

Episódio 9 a 16:

Depois do hiatus, a série regressou em força. O episódio 9 foi um dos melhores de sempre do programa. Jessie, Ron e Sam morreram, Carl ficou sem um olho, vários acontecimentos sucederam-se e o grupo ficou de novo junto. A introdução de Jesus e a comunidade de Hilltop era um momento muito aguardado pelos fãs de banda-desenhada, e não desiludiram. Ainda assim, alguns episódios perderam ação, focando-se no romance e na planificação do que viria a falhar. Rick pagou caro por subestimar o seu novo inimigo, como se pôde perceber no último episódio. Mais personagens morreram e acabamos a temporada com o pão tirado da boca. Conhecemos finalmente o icónico Negan, numa interpretação curta mas convincente de Jeffrey Dean Morgan, mas ficamos sem saber quem foi a vítima mortal do vilão. O cliffhanger acabou por gerar controvérsia e o ódio dos fãs, mas perde sobretudo por perder a força do momento. Na próxima temporada, mesmo que ainda não tenhamos descoberto o “filão de ouro”, o choque será sempre menor. O grande destaque positivo vai para as interpretações dos actores, em especial Andrew Lincoln (Rick) e Melissa McBride (Carol), que carregam a série às costas.

Nota: 8/10

Fala-se de… The Expanse T1

Já tinha ouvido falar na obra literária de James S. A. Corey, o pseudónimo dos dois autores Daniel Abraham e Ty Franck – The Expanse. Sou amigo no facebook de Daniel Abraham e desde logo me chamaram a atenção os posts relacionados à série de TV, que descobri serem a adaptação dos seus livros.

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SINOPSE:

Situada 200 anos no futuro, The Expanse narra a história de um tempo em que a humanidade já colonizou o sistema solar. A história começa quando o desaparecimento de uma mulher leva um detetive (Thomas Jane) e o capitão de uma nave espacial (Steven Strait) a trabalharem juntos, mas eles acabam entrando em uma corrida para revelar uma conspiração que pode ser a maior e mais perigosa da história da humanidade.

Pontos Fracos:

1 – Alguma confusão: demorei algum tempo a encaixar-me no mundo e na intriga política algo complicada de perceber a quem cai de pára-quedas naquele contexto. O princípio pareceu-me um pouco chatinho.
2– O protagonista na trama da nave Canterbury, Jim Holden, levou tempo a convencer-me. Mudei francamente de opinião.
4 – As tramas separadas: uma trama com um policial, outra com ação sci-fi, outra com política. Naturalmente, os fãs mais acérrimos de um género específico iriam previligiar a sua trama e nem ligar muito à outra, o que acabaria por prejudicar a percepção do todo. Sem este ponto, no entanto, as surpresas positivas não teriam o impacto que tiveram.
5 – Alguns capítulos algo parados, mas que serviram para desenvolver personagens e para suscitar imensas perguntas sobre uma grande conspiração.

Pontos Fortes:

1 – O maior de todos foi mesmo a conspiração tecida. Esta primeira temporada teve alguns momentos menos produtivos, em que o papel dos personagens parecia não ter nenhum significado, mas chegamos ao fim a perceber a grande importância dos mesmos.
2 – Um puzzle. Quando as tramas paralelas parecem não ter nada a ver umas com as outras, vemos as peças a encaixar-se e percebemos que uma grande teia foi tecida sem darmos por isso.
3 – Os personagens: não são fantásticos nem marcantes, mas gostei de alguns, em especial Miller, Naomi e Avasarala. A personagem Julie e o espião também se mostraram peculiares. Gostei de conhecer os Belters.
4 – Não achei as interpretações vibrantes, mas entre tantos desconhecidos (com excepção do protagonista Thomas Jane), foi bom contar com as adições importantíssimas da veterana Frances Fisher e de Chad Coleman (o Tyreese de The Walking Dead).
5 – Que últimos episódios foram estes? Desde o encontro entre as tramas e os seus protagonistas que fiquei completamente entusiasmado. E se, com o decorrer dos episódios, tivemos um equilíbrio saudável entre ação e drama, com grande consistência no seu todo, o final veio coroar de glória a temporada. Quero ver mais de Miller e Holden a funcionar como dupla, perceber melhor quem quer causar a guerra, e se tudo é como neste momento parece.

Nota Final: 8/10
É uma série ao melhor estilo Battlestar Gallactica. Apesar de ter muito menos personagens, posso avaliá-la quase como um Game of Thrones da ficção científica. Quero saber muito mais sobre a conspiração, sobre aquelas doenças, sobre os segredos escondidos, e que criatura foi aquela que apareceu no último momento da temporada. Altamente recomendada.

Fala-se de… Into The Badlands T1

Eis uma série que me recomendaram. Por curiosidade, avancei para o primeiro episódio, que não me conquistou por aí além, mas conquistou-me a premissa e decidi dar-lhe uma oportunidade. Não me arrependi.

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SINOPSE:

Into the Badlands é uma série multi-género de artes marciais inspirada em ‘Journey To The West’, a clássica fábula chinesa.

Num futuro muito longínquo, a civilização tal como a conhecemos deixou de existir, tendo sido destruída por uma sucessão de catástrofes naturais provocadas pelo Homem. Morrem milhões de pessoas, nações colapsam, cidades caem em ruínas. Ao longo do tempo, emerge uma sociedade feudal em que o mais forte e violento acede à riqueza e ao poder. Esta terra é conhecida como Badlands e é governada por sete barões rivais que controlam os recursos necessários para sobreviver, fazendo cumprir a sua política de ferro com a ajuda de exércitos leais compostos por assassinos treinados e conhecidos como Clippers. O Clipper mais temido de Badlands é Sunny (Daniel Wu) e é também o mais fiel conselheiro do Barão Quinn (Marton Czokas).

Um dia, o caminho de Sunny cruza-se com o jovem M.K. (Aramis Knight) e acaba por torná-lo seu Colt, decisão que irá afetar profundamente as suas vidas. Juntos, vão embarcar numa odisseia que poderá marcar a diferença entre o caos ou a salvação de todos os habitantes de Badlands.

Pontos Fracos:

1 – Alguma plasticidade: Achei tanto o mundo como os personagens muito “animados” e pouco reais. Gostaria de ver cenas mais verosímeis.
2– Um pouco complementando o primeiro ponto, achei inverosímil que um só personagem vença sozinho quase um exército.
4 – Aqui ou ali os acontecimentos tornaram-se cliché neste género de narrativa.
5 – Os dois personagens principais, Sunny e M.K., levaram algum tempo a ganhar a minha simpatia. Apesar de haver uma boa interação entre os dois, faltou algo.

Pontos Fortes:

1 – A originalidade. É um jogo de poder em que lutam todos contra todos, e apesar de isso não ser muito original, os criadores conseguiram conceber um mundo que nos remete ao Japão medieval com elementos fantásticos. Para além disso, o mistério é permanente.
2 – Personagens riquíssimos: Quinn, Lydia, Rayder, Sunny, Viel, Tilda, M.K, Waldo. São apenas alguns exemplos dos variados personagens que podemos encontrar nas Badlands. Os personagens são muitos, estão sempre a surgir mais e com o devido tempo de ação. Na segunda temporada teremos certamente mais do pai de Lydia, dos monges com poderes especiais e do Rei do Rio, personagens muito misteriosos. Também espero conhecer mais sobre Waldo, um excelente personagem do conhecido ator Stephen Lang.
3 – As motivações secretas: a maioria dos personagens têm motivações secretas, intenções secundárias e passamos a maior parte dos episódios sem saber metade da história. Aliás, chegamos ao fim da primeira temporada e apenas uma pequena ponta do icebergue foi revelada.
4 – As cenas de ação: é uma série que mostra as artes marciais ao seu melhor nível. Aparte a fantasia, vemos sequências de ação dignas dos melhores filmes.
5 – Drama vs ação: é nos momentos mais calmos da série que assistimos ao desenvolvimento das personagens. Todos os personagens têm um passado dramático e em todos os episódios sabemos mais, de uma forma gradual, sobre cada um deles. Ainda assim, todos os episódios têm uma grande dose de ação, que impede a série de cair em tempos mortos.

Nota Final: 7/10
É uma série ao nível de Revolution. Surpreendeu-me sobretudo ao nível da evolução dos personagens. Fiquei também surpreendido pelos acontecimentos do último episódio, onde assassinaram um dos personagens principais e outros personagens foram levados para muito longe, o que sugere que a segunda temporada veja este universo expandido. Fica a curiosidade e, claro, a minha recomendação. Não esperem nada de genial, não será das melhores séries, mas vê-se muito bem.