Fala-se de: Blade Runner 2049

Com direção de Denis Villeneuve e argumento de Hampton Fancher e Michael Green, Blade Runner 2049 é a tão esperada sequela do clássico de 1982 dirigido por Ridley Scott, que tardiamente ganhou reconhecimento assim como tardiamente conheceu uma sequência. Falamos de um produto neo-noir passado num período pós-moderno, onde a espécie humana recorreu ao desenvolvimento de inteligências artificiais (os replicantes) para realizar os trabalhos que menos se interessavam em fazer. Uma das principais questões em debate é: onde se encontra a humanidade? Nos seres humanos ou naqueles que estes criaram?

Passado trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, Blade Runner 2049 apresenta-nos um mundo fragmentado, respaldado nas criações artificiais para sobreviver no moribundo ecossistema do planeta Terra. As colónias humanas continuam a ser exploradas pela Tyrell Corp, agora nas mãos do megalómano Niander Wallace, personagem interpretado por Jared Leto. Deste modo, a população endinheirada vive as mordomias das colónias extraterrestres, enquanto a Terra, poluída e parcialmente abandonada, é lar das classes pobres de humanos, mas sobretudo dos imensos replicantes que as habitam, ocupando posições diversas na estratificação social terrena.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=dZOaI_Fn5o4

K é um blade runner. O personagem interpretado por Ryan Gosling é um replicante subordinado a Joshi (Robin Wright) com uma tarefa em mãos. Foi descoberto que uma replicante gerou uma criança, e tal é um precedente que, mais do que ser ocultado, deve ser imediatamente apagado. A tarefa de K é matar essa criança. Muito embora a moral de K encontre reservas em relação a essa questão, o que realmente o impede de executar a tarefa é uma data que viu inscrita numa árvore, junto à casa de Sapper Morton (Dave Bautista). A mesma data que marcava a base de um cavalo de madeira, pertence de uma das suas recordações mais antigas.

O rumo dos acontecimentos leva-o a encontrar a doutora Ana Stelline (Carla Juri), uma cientista especializada em implantes de memória que se encontra enclausurada numa cela de vidro devido a problemas imunitários, mas a busca pela verdade terá uma forte opositora. Luv (Sylvia Hoeks) é uma replicante leal a Wallace, uma investigadora e guarda-costas que rapidamente vê em K um alvo a abater. Por outro lado, há Joi (Ana de Armas), a esposa de K que, muito embora seja uma mera realidade virtual sem corpo físico, é uma companheira dedicada que tenta alegrar o espírito misantropo do polícia.

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Fonte: https://nit.pt/coolt/cinema/critica-blade-runner-2049-um-tipo-magia

Blade Runner 2049 é um filme de envolvimento psicológico. Para além de debater temas como a humanidade e conter uma certa carga policial, é uma charada futurista que nos obriga a pensar em conjunto com o protagonista, e todo o ambiente de suspense e ambiente noir é um dos pontos mais positivos do conjunto. Toda a realização é muito bem executada, a linguagem visual é apelativa e segui a linha narrativa com agrado. No entanto, apesar de a crítica generalizada sobre o filme ser bastante positiva, não foi um filme que me agradou muito.

“Toda a realização é muito bem executada, a linguagem visual é apelativa e segui a linha narrativa com agrado.”

Extremamente lento para a longevidade do filme, quase três horas de exibição, Blade Runner 2049 focou-se nos ângulos da expressão facial de Ryan Gosling em grande parte do filme. Tudo bem que essa lentidão é uma das marcas da franquia e até mesmo da obra que lhe serviu de base (Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas de Phillip K. Dick), mas o que podia ter sido um filme woow! com sequências de ação bem conseguidas, e vale realçar que a performance da actriz Sylvia Hoeks, a antagonista, foi uma das mais-valias do filme, não passou de um filme insípido, onde nem sequer as emoções dos personagens foram bem transmitidas para o espetador, com a exceção da personagem Joi, obrigada a lidar com a infelicidade de não ser uma pessoa real. Ana de Armas foi das atrizes que mais conseguiu falar com o público, mais do que Harrison Ford, por exemplo.

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Fonte: https://www.agambiarra.com/blade-runner-2049-trailer-final/

E, por falar em Harrison Ford, foi uma das grandes desilusões do filme. Ao fazerem regressar o mítico Rick Deckard, esperava-se que ele fosse um dos personagens mais participativos do filme. Puro engano. Para além de entrar em pouco mais do que na última meia hora do longa-metragem, pareceu completamente alienado, como se não pertencesse àquele mundo ou não soubesse simplesmente o que fazer ou dizer. A luta no Casino foi um tanto ou quanto patética, e não acrescentou nada à trama – para além de minutos, claro está. A participação de Harrison Ford valeu pela frase “os olhos dela eram verdes” e posso até garantir que os seios generosos das IA’s tiveram mais tempo de antena do que ele.

“Extremamente lento para a longevidade do filme, quase três horas de exibição, Blade Runner 2049 focou-se nos ângulos da expressão facial de Ryan Gosling em grande parte do filme.”

Também Jared Leto e Lennie James tiveram participações pequeníssimas. Se o Morgan de The Walking Dead foi para mim uma aparição surpresa e que surgiu numa das fases mais empolgantes e bem executadas do filme, esperava muito mais (participações) do personagem de Jared Leto, que parece cotado para fazer apontamentos pequeníssimos nos filmes onde o seu nome é mais alardeado (estou a falar do Joker, sim!). Ainda assim, o personagem Wallace foi delicioso nas suas aparições.

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Fonte: http://theindependent.uk/

No geral, achei que se o filme tivesse hora e meia, duas horas, com os mesmos acontecimentos, me teria agradado muito mais. Demasiado focado no personagem de Ryan Gosling e com muito tempo gasto a mostrá-lo a pensar, Blade Runner 2049 manteve a toada da obra original, mas ganharia em adicionar mais ação e até um pouco de humor, mais ao estilo brilhantemente executado na série The Expanse. A linha narrativa, no entanto, agradou-me, assim como a revelação final que deixou claro que teremos um terceiro filme, talvez em breve.

“A participação de Harrison Ford valeu pela frase “os olhos dela eram verdes” e posso até garantir que os seios generosos das IA’s tiveram mais tempo de antena do que ele.”

Fica, no entanto, a prova de que Denis Villeneuve é um diretor talentoso e ainda que a minha opinião a Blade Runner 2049 não seja tão positiva assim, fica provado que a nova adaptação de Duna ficará bem entregue nas mãos do realizador canadiano. É um filme que vale a pena ver, para quem esteja disposto a mastigar uma história interessante e um tanto ou quanto simples, que vale pelo ambiente. E uma banda sonora com Hans Zimmer, o que é sempre um ponto a favor.

Avaliação: 5/10

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Fala-se de: Game of Thrones T7

A tão aclamada sétima temporada de Game of Thrones chegou ao fim, e poucos são os que não viram os sete episódios exibidos em 2017. Emilia Clarke, Kit Harington, Lena Headey e companhia foram os rostos de uma das temporadas mais aguardadas, com uma sequência de reencontros e de confluências que a maioria dos fãs aguardava desde a primeira temporada. Nem mesmo a diminuição de episódios ou de elenco veio roubar público ao programa, que registou as melhores audiências desde o início da mesma.

David Benioff e D. B. Weiss continuam como showrunners e produtores executivos, ficando seguramente na História do pequeno ecrã pelo trabalho na série da HBO. É responsabilidade deles parte do sucesso de Game of Thrones e muito da conclusão narrativa que testemunhamos semana após semana em direção ao grande final. Contudo, há que realçar que limitam-se a trabalhar sobre a obra de um mestre literário chamado George R. R. Martin, e as escolhas que têm deliberado não são imunes à crítica. Defenda-se ou não o trabalho da dupla, é inegável que o seu cunho pessoal afastou a série do rumo que a levou ao sucesso.

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Fonte: http://wallpaperswide.com

A falta de material canónico para trabalhar (a ação dos livros já publicados compreende apenas as 5 primeiras temporadas) levou a produção a desenvencilhar-se sozinha dos vários nós cegos que a trama de Martin havia criado. A 6.ª temporada veio fazê-lo com distinção, posicionando cada personagem no local adequado para o desenvolvimento natural do enredo. A morte de Stannis Baratheon e a ridícula adaptação do núcleo de Dorne, assim como a exclusão de personagens icónicos da série literária como Victarion Greyjoy ou Arianne Martell, foram poucas das minhas críticas em relação à temporada passada.

“Provocar reencontros, eliminar alguns inimigos, fechar alguns núcleos e juntar outros é imprescindível para dar um fim à história.”

A promessa da conquista de Westeros por Daenerys Targaryen, porém, veio semear a minha curiosidade nesta temporada. Se já achava a adaptação de D&D uma fanfic (bem feita, porém), ficou notório neste novo ano que a dupla empenhou-se em agradar aos fãs. De que maneira? Dando-lhes o que desejavam, ainda que tenha sido contrariá-los, matando os personagens favoritos, agredindo outros, violando, explorando e fomentando guerras em cima de guerras, o que deu fama e sucesso a Game of Thrones. Um paradigma interessante, não?

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Fonte: http://mywebhunger.com/game-of-thrones-wallpaper-winter-is-coming-wallpaper.html

De uma certa perspetiva, compreendo as opções narrativas levadas a cabo. Tragédias em cima de tragédias só criam mais enredos e é muito por causa disso que George R. R. Martin não consegue desenrolar o novelo que criou nem caminhar para o fim da sua saga (há quantos anos mesmo esperamos pelo livro?). Provocar reencontros, eliminar alguns inimigos, fechar alguns núcleos e juntar outros é imprescindível para dar um fim à história. E proporcionar já muitos desses encontros e reencontros nesta penúltima temporada é mais positivo do que deixar tudo para o fim.

CUIDADO! A PARTIR DAQUI PODES ENCONTRAR ALGUNS SPOILERS.

Ainda assim, fica a ideia de que D&D transformaram Game of Thrones numa novela brasileira de finais tradicionais. Quase consigo imaginar o discurso debitado de Jon Snow perante a Cersei dobrado em pt-br, quando lhe garantiu que não podia ajoelhar-se perante ela porque havia já ajoelhado a outra rainha. A pelinhos prateados Daenerys Targaryen, a Non-Queimada, a Québrádôra di Correntjis. Temos os dois protagonistas a formar um casal fofinho, Cersei Lannister a ganhar contornos de “madrasta má” e os restantes personagens todos eles a fugirem aos tons cinzentos que admirava na série. Pouco me surpreenderia de ver Samwell Tarly a tornar-se Alto Septão para casar os dois.

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Fonte: http://www.rtl.fr/culture/cine-series-jeux-video/videos-game-of-thrones-saison-7-jon-snow-daenerys-le-casting-en-costumes-7788052564

A morte de Mindinho foi um dos momentos mais altos da temporada. Todos os seus podres foram postos a descoberto, e não consegui deixar de sentir um sobressalto quando o punhal com que tentara matar Bran, um dia, lhe riscou a garganta pelas mãos de uma Arya Stark cada vez mais perto do dark side (muito embora a sua expressão serena digna dos melhores memes continue igual a si mesma). No entanto, gostaria que o final de Mindinho ocorresse à vista de mais personagens importantes, mais grandiosa por assim dizer.

Tyrion Lannister foi uma das desilusões da temporada. Peter Dinklage continua a ser uma das grandes atrações da trama, mas onde estão as suas saídas inesperadas e sarcasmo refinado? Toda a temporada vimo-lo como um clarão de bom-senso para com as atitudes governativas de Daenerys, mas faltou ali algo. E, esteja ou não a ser justo, o que me vem à mente é que faltam diálogos escritos por Martin para adaptar. Os diálogos, na verdade, foram o grande destaque negativo desta temporada. As frases de efeito foram escassas.

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Fonte: https://winteriscoming.net/2017/07/10/rory-mccann-the-hound-snowy-violent-season-7-game-of-thrones/

A falta de lógica temporal registada no episódio 6 quando Daenerys chegou ao norte em tempo recorde não me merece grande destaque, até porque ver Cão de Caça a montar um dragão, o passado de Jorah Mormont a ser explorado e um dragão a ser morto e transformado por um White Walker compensaram os aspetos negativos. Neste último episódio, porém, senti a falta de uma batalha épica estilo “Hardhome” que precedesse a queda da Muralha. Acompanhámos aquela Muralha durante tantas temporadas, e nem um último vislumbre àqueles cenários onde “pertencemos” tivemos direito. Se Tormund morreu ali, merecia ao menos uma última frase épica.

“Os diálogos, na verdade, foram o grande destaque negativo desta temporada. As frases de efeito foram escassas.”

A revelação sobre a paternidade de Jon Snow foi outra desilusão. Na temporada anterior, já tinhamos ficado esclarecidos que ele era filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark. A invenção do “divórcio” entre Rhaegar e Elia Martell para legitimar Jon como Aegon Targaryen vem apenas pôr mais achas na fogueira e indignar o fandom dos livros. Quanto ao próprio Jon Snow, continuou sem saber de nada, como sempre. Apesar de acabar na cama com a rainha dos dragões, o que já é qualquer coisa.

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Fonte: https://www.theverge.com/2017/8/20/16176916/game-of-thrones-lore-night-king-white-walkers-history-explainer

Não fico, porém, com má memória da temporada, no seu todo. A evolução de Sansa Stark, o reencontro entre os irmãos, os jogos estratégicos de Daenerys e Cersei Lannister e os debates internos de Jaime foram marcas de qualidade da série. O ataque naval de Euron Greyjoy à frota de Yara, a morte épica de Olenna Tyrell, a batalha do contingente Lannister contra o dragão de Daenerys e a cavalaria dothraki assim como o avanço do wight capturado em direção à Cersei no Fosso dos Dragões foram, para mim, alguns dos melhores momentos. Segundo consta, em novembro de 2018 há mais.

Avaliação: 7/10

Fala-se de: Baywatch

Verão é sinónimo de praias e corpos despidos, como tal Baywatch é um dos filmes que gerou maiores expectativas para esta estação. Pelas mãos da Paramount Pictures, a adaptação para o cinema de uma das séries de maior sucesso da TV mundial tem direção de Seth Gordon, responsável por filmes como Identify Thief e Pixels, e argumento de Damian Shannon e Mark Swift. Não sei se o filme consegue recuperar a mística da série televisiva, mas é, na minha opinião, delicioso. Baywatch é uma adaptação que, parecendo quase uma mistura de Velocidade Furiosa e American Pie, consegue reverter a imagem da série televisiva e até satirizá-la.

Baywatch narra o trabalho de uma equipa de nadadores-salvadores e a forma como eles se conectam e relacionam, ao mesmo tempo que tentam salvar a praia e os veraneantes dos inúmeros perigos que ali se podem encontrar, de afogamentos e animais marítimos a larápios e cartéis de droga. Uma das marcas da série televisiva que popularizou o produto entre os finais dos anos 80 e o início do atual milénio foi a progressão de imagens em slow-motion, quando os nadadores, homens e mulheres, corriam na areia para proceder aos salvamentos. O filme, na minha opinião, é mais hilariante que a série, recorrendo ao absurdo e ao ridículo para gozar com o próprio produto. Surpreendentemente, de forma bem sucedida.

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Fonte: youtube.com

Utilizando uma receita de grande sucesso, o mesclar de uma narrativa de ação com uma sequência de momentos de humor de ponta a ponta, Baywatch conquista essencialmente pela boa disposição e espírito leve, que se vai tornando mais emocional à medida que a narração apela aos sentimentos e aos laços que se vão formando entre os personagens. A sequência de acontecimentos é bastante previsível e o final é o esperado, desde os primeiros momentos da trama.

“Baywatch conquista essencialmente pela boa disposição e espírito leve, que se vai tornando mais emocional à medida que a narração apela aos sentimentos e aos laços que se vão formando entre os personagens.”

Um dos principais motivos para que o filme me tenha agradado foi, claramente, a prestação de The Rock. Dono de um carisma enorme, Dwayne Johnson carrega a trama às costas. Ainda que ele interprete o mítico Mitch Buchannon, papel desempenhado por David Hasselhoff por mais de uma década, é difícil observá-lo sem o colar a outros personagens de sucesso do ator. Ainda assim, a ligação entre o personagem de Johnson e o de Zac Efron acabou por ser uma das que revelou maior evolução ao longo da narrativa. Jon Bass foi outro dos atores que mais se evidenciou, como o hilariante Ronnie. Alexandra Daddario e Kelly Rohrback herdaram papéis femininos de vulto na série televisiva sem grande desafio, enquanto Priyanka Chopra não me convenceu como grande vilã.

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Fonte: slate.com

Se algumas atuações não me encheram as medidas, podemo-nos perguntar se um enredo hilariante e a participação de grandes nomes do cinema são suficientes para fazer deste filme um sucesso. Não sei responder a isso. Posso dizer que, não sendo um filme brilhante, entreteu-me imenso e fez-me rir em grande parte do mesmo. Gostei sobretudo das relações entre os personagens, das inúmeras referências a outros produtos e do registo despretensioso. Não é um filme de guardar no coração, mas é um ótimo entretenimento de domingo.

Cuidado com os spoilers! Não faço grandes revelações, mas o plot principal está aqui.

O filme começa quando a equipa liderada por Mitch Buchannon começa a recrutar estagiários. Os candidatos são muitos, mas só estão abertas três vagas. Uma delas está previamente destinada a Matt Brody, antigo atleta olímpico que havia ganho duas medalhas de ouro antes de estragar a carreira quando, na véspera de uma prova, se entregou ao álcool, o que o fez vomitar dentro da piscina. Numa tentativa de o “reabilitar”, cordelinhos são mexidos para o incluir na equipa de Mitch, o que vai contra a ética do tenente.

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Fonte: screenrant.com

Desde logo, a relação entre Mitch e Matt é difícil, vindo a passar por várias etapas ao longo da trama. Para além de Matt, também Summer e Ronnie passam nas provas e são adicionados à equipa, como estagiários. Enquanto Summer é uma jovem dedicada que desperta a atenção de Matt, Ronnie é um rapaz gordinho e atrapalhado que, completamente arrebatado pela bela nadadora C.J., não consegue falar na sua presença, acabando frequentemente envolvido em situações embaraçosas e hilariantes.

“Posso dizer que, não sendo um filme brilhante, entreteu-me imenso e fez-me rir em grande parte do mesmo. Gostei sobretudo das relações entre os personagens, das inúmeras referências a outros produtos e do registo despretensioso.”

A praia parece mais movimentada do que nunca e Mitch não se sente nada confortável com os invólucros de droga que são encontrados junto ao mar. A bela Victoria Leeds, a nova proprietária do clube noturno, parece estar ligada ao incêndio num barco e à aparição de corpos dados à costa, uma situação inusitada numa praia considerada tão segura. Mitch esforça-se por fazer justiça e resolver os vários problemas pendentes, quando nem os seus superiores nem a polícia parecem fazer nada quanto a eles e criam obstáculos à sua ação.

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Fonte: br.pinterest.com/pin

Seguindo a nova tradição de sucesso, o filme conta com cenas pós-créditos. Para além de alguns bloopers, há ainda uma cena protagonizada por The Rock e David Hasselhoff que deixa a sugestão de uma sequência. De resto, tanto as participações de Hasselhoff como a de Pamela Anderson, sem qualquer interferência na trama, vieram reforçar a intenção de um filme que, longe de maravilhar, consegue revelar-se um ótimo entretenimento.

Avaliação: 7/10

Fala-se de: Prison Break T5

É o ressuscitar de uma série que parecia morta e enterrada, desde que o final da quarta temporada, em 2009, desvendou a morte do personagem principal. Mas Michael Scofield não morreu e regressou oito anos depois, para mais uma série plena de perseguições, cartas na manga e planos de fuga. Para mim, a temporada pecou por curta e alguns episódios mostraram o protagonista muito mais reativo e sobrevivente do que previdente. Os últimos episódios, porém, trouxeram o antigo Scofield mais badass do que nunca, com uma série de planos secretos e subterfúgios de contingência.

Ao seu lado, Lincoln Burrows, Sara Tancredi, T-Bag, C-Note e Sucre voltaram a mostrar a cara numa cabala misteriosa que envolveu a CIA e o Daesh. Produzido pela 20th Century Fox Television, a season 5 de Prison Break não supera as anteriores, mas faz o espectador matar saudades dos seus personagens preferidos, assistir a umas quantas sequências de ação de tirar o fôlego e ver o triste final da quarta temporada devidamente vingado. Posso afirmar que nove episódios não chegaram para reacender a chama, mas foram nove episódios frenéticos que deixaram o público a “chorar” por mais.

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Poster promocional (Fonte: theedgesusu.co.uk)

Pessoalmente, senti a falta de um vilão poderoso ou, pelo menos, carismático. O personagem escolhido para enfrentar os irmãos-eternamente-em-fuga revelou-se sonsinho do princípio ao fim, e sem sal é uma das características com que o podemos qualificar. Na verdade, acho difícil sentir pavor ou preocupação real para com o proclamado Poseidon, se bem que o ator soube passar para o público um olhar arrepiante de psicopata em vários momentos da série. Um pouco à imagem do Don Self da quarta temporada, mas nada comparado a figuras como Krantz, Gretchen, Lechero ou Mahone.

“Na verdade, acho difícil sentir pavor ou preocupação real para com o proclamado Poseidon, se bem que o ator soube passar para o público um olhar arrepiante de psicopata em vários momentos da série.”

A adição de Paul Kellerman, personagem importante do início da série, desapontou-me. Fora um dos meus personagens preferidos, pelo que as minhas expectativas para o seu retorno estavam lá em cima. O seu personagem revelou-se nesta sequência pobre, sem real importância e de pouca duração. T-Bag também pareceu andar um pouco à deriva durante a maior parte da temporada, com ligação direta aos principais acontecimentos mas sem uma participação ativa nos mesmos. Paralelamente a isso, o personagem de Robert Knepper revelou-se demasiado bonzinho para o que nos habituou em temporadas anteriores.

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Michael Scofield (Fonte: elsieisy.com)

Os grandes elogios vão para a dupla Wentworth Miller e Dominic Purcell. A química entre os dois “irmãos” continua imbatível e tanto as cenas de ação como os diálogos entre ambos são marcas inconfundíveis da série. Sarah Wayne Callies foi sempre o vértice da ligação. A atriz regressou ao papel que a tornou célebre, mas confesso que o encanto que senti por ela em Tarzan e Prison Break se quebrou com a sua participação pouco convincente em The Walking Dead. Amaury Nolasco e Rockmond Dunbar fizeram a sua parte e Inbar Lavi foi um excelente reforço, como a prestável Sheba.

ATENÇÃO: HÁ AQUI ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE O ENREDO, MAS NADA DE GRANDES REVELAÇÕES!

A temporada começa com as pistas deixadas a T-Bag, recém libertado da prisão, sobre a possibilidade de Michael Scofield estar vivo. Desde logo ele contacta com Lincoln, que se mostra inconformado com essa remota possibilidade. As pistas, porém, apontam diretamente para ele. Sara encontrou em Jacob um pai perfeito para o filho que concebeu de Michael, ainda que a ideia de que o seu amor esteja vivo seja tão aliciante como perigosa. Movendo os seus contactos, Lincoln consegue perceber que o irmão está mesmo vivo. Ou, pelo menos, alguém com o seu rosto.

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Lincoln e Sara (Fonte: ew.com)

Kaniel Outis é um terrorista famoso, cativo em Ogygia, uma prisão de alta-segurança no Iémen, e diz-se que foi o responsável pelo assassinato de um membro da CIA. Recorrendo a velhos e a novos amigos, como C-Note, Sucre e Sheba, Lincoln chega à prisão de Ogygia e vê o irmão com os seus próprios olhos. Mas as poucas palavras de Michael deixam claro que ele não quer ser reconhecido como seu irmão. As tatuagens que ele revela no corpo, principalmente os dois olhos nas palmas das mãos, desvendam o contrário.

A partir daí, Lincoln faz de tudo para tentar recuperá-lo, enquanto Michael move-se no interior da prisão para planear uma rota de fuga e escapar a um grande motim. Ambos envolvem-se no meio de um conflito armado que explode com a fuga de um importante terrorista, Abu Ramal, e com várias perseguições em território do Daesh. Entre os companheiros de fuga de Michael encontra-se Dave “Whip” Martin, que se revela um personagem mais importante para a trama do que inicialmente sugere. Nos E.U.A, a T-Bag é oferecida uma mão artificial, operação financiada por Outis, para que este siga as pistas que ele lhe deixou.

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Fugitivos no Iémen (Fonte: denofgeek.com)

Dos confrontos bélicos no Médio Oriente, com Cyclops no seu encalço, à perseguição armada de A&W e Van Gogh, dois membros de um apêndice da CIA chamado 21-Void nos E.U.A., os irmãos Michael e Lincoln têm ainda que lidar com os afectos e pôr à prova o instinto de sobrevivência e perspicácia. Michael pretende recuperar a família e Poseidon não o poderá parar. Uma temporada quase excelente que deixa claro que o tempo passa quando os filhos de Michael, T-Bag e John Abruzzi ganham destaque na trama.

Eu gostei bastante, e vocês?

Avaliação: 8/10

Fala-se de: The Walking Dead T7

A temporada terminou há quase dois meses, mas só agora tive disponibilidade para ver os episódios que me faltavam. Como sabem, sou fã de The Walking Dead desde o início, e achei as temporadas 2, 5 e 6 as melhores de toda a série. Para aqueles que, como eu, vibram com as aventuras de Rick, Carl, Michonne, Daryl e Maggie, a adaptação da famosa banda-desenhada de Robert Kirkman atingiu o seu zénite com a aparição do terrível vilão Negan. Ainda assim, ao acompanhar a banda-desenhada, não pude deixar de sentir algum desapontamento com esta temporada.

Talvez temendo que ocorresse uma situação similar à que a série Game of Thrones vivencia, em que a adaptação ultrapassou a publicação do material canónico, os acontecimentos que deviam pautar a primeira metade da temporada (a chamada mid-season que corresponde aos primeiros oito episódios), prolongaram-se por todo o ano. Tal medida levou à inclusão de mais comunidades inexistentes na banda-desenhada – a de Oceanside e o grupo do ferro-velho – mas também a um debate ostensivo de questiúnculas e episódios sem conteúdo ou ritmo que na minha opinião fez decrescer, em muito, a qualidade da série da AMC.

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Promocional (Fonte: AMC)

Se os ocasionais momentos de ternura e pesar entre os personagens de Andrew Lincoln e Danai Gurira, para além da interpretação magnífica de Jeffrey Dean Morgan como o sádico portador do bastão de basebol farpado Lucille trouxeram alguns dos momentos de maior qualidade cénica, as constantes hesitações dos personagens Carol, Morgan e Ezekiel, o “vai-não-vai” de Rosita e as deambulações de Tara enfraqueceram o espírito que se exigia a esta temporada.

Não vi aquilo que Melissa McBride mostrou em temporadas anteriores, não vi a tão aclamada união que o grupo de Rick sentiu em momentos passados, tão dramáticos como este, e posso dizer que em alguns momentos me senti tentado a torcer pelo grupo dos Salvadores. Se alguém se destacou pela positiva, destaco Dean Morgan e Lincoln, com os seus face-to-face lendários, Lauren Cohan com uma Maggie derruída a tentar fazer algo com a tragédia que lhe bateu à porta, e Chandler Riggs e Tom Payne a ganharem o merecido destaque numa temporada atípica.

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Ezekiel e Shiva (Fonte: theindependent.co.uk)

Se a falta de protagonismo e irregularidade dos personagens não está diretamente ligada ao profissionalismo e qualidade dos intérpretes, a verdade é que a sétima temporada deu poucas oportunidades a atores como Seth Gilliam, Katelyn Nacon ou Christine Evangelista. Não que Gabriel, Enid ou Sherry tenham sido afastados do foco ou perdido importância, sendo deles algumas das cenas que mais me marcaram ao longo da temporada, mas para além desses momentos, foram quase esquecidos.

“Se a falta de protagonismo e irregularidade dos personagens não está diretamente ligada ao profissionalismo e qualidade dos intérpretes, a verdade é que a sétima temporada deu poucas oportunidades a atores como Seth Gilliam, Katelyn Nacon ou Christine Evangelista.”

Seria impossível dar o mesmo espaço de antena a todos, mas a quase desconhecida Holly conseguiu mais impacto na banda-desenhada, do que a Sasha de Sonequa Martin-Green na adaptação da mesma cena para a season finale. Daryl Dixon continua a ser um personagem “querido” que pouco mais faz do que chorar em cada episódio. Preciosismos de um leitor de banda-desenhada que gostava de ver cada cena retratada fielmente ao ecrã? Talvez.

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Promocional (Fonte: AMC)
A PARTIR DAQUI PODES TROPEÇAR EM ALGUMAS REVELAÇÕES

Começamos a temporada com um episódio de altíssima tensão, com a morte de Glenn e Abraham e a tortura psicológica de Negan a Rick. Se gostei do episódio? Não, mas achei-o importante para o desenvolvimento da série. Os episódios seguintes não me desiludiram, mas achei a passividade de Rick para com a liderança de Negan levada ao limite, de certa forma exagerada. Foi só no fechar do pano que Rick se decidiu insurgir, quando Olivia e Spencer foram eliminados numa cena icónica que não ficou nada a dever ao material original… mas que pecou por tardia. Não é uma cena de mid-season finale, mas sim para ter sido apresentada no quarto ou quinto episódio.

“Os episódios seguintes não me desiludiram, mas achei a passividade de Rick para com a liderança de Negan levada ao limite, de certa forma exagerada.”

Logo se adivinhava que, ou a Guerra Total aconteceria muito rapidamente, ou a temporada chegaria ao fim sem haver uma guerra sequer. E foram as hesitações de Ezekiel, Carol e Morgan, as intrigas disparatadas de Richard e a adição da comunidade do ferro-velho, para além do regresso a Oceanside que, ainda na primeira metade servira para mostrar que Tara e Heath estavam vivos, quando poucos se lembravam já deles, o que deu barriga a esta segunda metade da temporada, que valeu essencialmente pelo núcleo de Hilltop e pela traição de Dwight. A série terminou com o início da guerra em si, mas nem mesmo o final me agradou. Foram muitos tiros, um tigre pouco convincente e uma Michonne demasiado débil. No fim, tudo ficou na mesma.

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Promocional (Fonte: itechpost.com)

Ainda assim, continuo um fã da série e mesmo sabendo que a próxima temporada terá muitas “invenções” por parte da produtora, para fazer durar a guerra até ao fim, irei continuar a acompanhar, não só por gostar da temática e do produto, mas também porque as interpretações de atores como Andrew Lincoln e companhia valem muito a pena.

Avaliação: 6/10

Fala-se de: Velocidade Furiosa 8

Poucos são os que não sabem o que acontece quando se junta Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Jason Statham, Dwayne Johnson, Tyrese Gibson e companhia. A popular franquia Velocidade Furiosa conquistou os amantes de velocidade em todo o mundo, mas também não passa indiferente a todos os que gostam de um bom filme de ação. Nem mesmo a morte de Paul Walker, o ator que desempenhava um dos papéis principais, veio retirar público ou qualidade ao produto.

Velocidade Furiosa 8 é mais um exemplo do que a equipa dirigida por F. Gary Gray e Chris Morgan é capaz de fazer, pegando em meia-dúzia de super-estrelas do cinema, um outro tanto de “veículos-à-prova-de-tudo” e uma boa trama. A Universal Studios é a companhia responsável por trazer à luz do dia uma das séries cinematográficas de maior impacto mundial, usando nada mais, nada menos, que uma vasta gama de cenários e um rol de perseguições de tirar o fôlego.

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Poster do filme (Fonte: canoticias.pt)

Mas usar caras bonitas e corpos musculados não chega para esticar o sucesso de um produto até ao oitavo filme. É necessário incluir-lhe uma trama atrativa e inovações, umas após as outras. Se Velocidade Furiosa 8 pode ser acusado de não inovar muito em termos de plot, pessoalmente surpreendeu-me em vários momentos, desde a suposta traição de Dominic Toretto aos seus companheiros, às ligações de sangue que a vilã lhe apresenta, até à simulação de uma morte e aos movimentos sub-reptícios dos personagens. Foi isso, acima de tudo, que me deixou ligado ao ecrã até ao último instante.

“Mas usar caras bonitas e corpos musculados não chega para esticar o sucesso de um produto até ao oitavo filme. É necessário incluir-lhe uma trama atrativa e inovações, umas após as outras.”

Ainda assim, boa parte da índice de sucesso desta sequência está diretamente ligada à qualidade do elenco. Vin Diesel assume o protagonismo por inteiro, desde o falecimento de Paul Walker. Ao seu lado, jorram nomes como Jason Statham, Helen Mirren, Kurt Russell, Dwayne “The Rock” Johnson, Tyrese Gibson, Luke Evans, Chris Bridges, Michelle Rodriguez, a terrível vilã de Charlize Theron e ainda Nathalie Emmanuel e Kristofer Hijvu, a Missandei e o Tormund da série Game of Thrones. Se a maioria já são presenças repescadas de filmes anteriores, cada nova adição acrescenta sempre o seu contributo sem que fique a sensação que estão a trazer “mais do mesmo”.

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Michelle Rodriguez e Vin Diesel (Fonte: mag.sapo.pt)
CUIDADO! NÃO HÁ GRANDES REVELAÇÕES MAS ALGUNS SPOILERS.

Velocidade Furiosa 8 é, assim, mais um upgrade da franquia. Somos apresentados a um Dom Toretto mais sofisticado, como sempre emocional sem deixar de ser duro como uma pedra, com a lealdade e o sentido de família a serem testados até aos limites por uma vilã que planeia controlar o mundo. A corda é esticada quando ele é obrigado a ceder, quando a relação de extremo afeto que Dom tem por Letty se vê constrangida por algo mais pessoal e sensível. Uma outra família. O fruto de algo. O dealbar de um sonho antigo, nascido de uma relação fugaz.

O conceito de família também é explorado através de Luke Hobbs, o personagem de Dwayne Johnson. O antigo agente da DSS tornou-se treinador de futebol feminino, e não parece muito entusiasmado com a ideia de ser novamente chamado para os grandes palcos de ação. É o amor pela filha que o leva a hesitar, ainda que ser levado para uma prisão de alta-segurança e voltar a enfrentar Deckard Shaw lhe mexa com as vísceras de um modo que não consegue controlar. É Luke o primeiro a compreender a traição de Dom, quando este rouba o dispositivo EMP em Berlim. Da mesma forma que tenta levar o grupo a um novo nível de união, vê-se obrigado a trabalhar com Deckard e a inimizade visível para com o personagem de Statham acaba por se aplacar com o tempo.

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Hobbs na prisão (Fonte: cinepop.com.br)

É com Letty, a personagem de Michelle Rodriguez, porém, que o público mais vive os sobressaltos deste filme. De uma lua-de-mel em Havana até a uma traição que lhe é incompreensível em Berlim, ela não duvida por um momento que Dom a ama e é a última a aceitar o volte-face. Graças ao Olho de Deus controlado por Ramsey, o grupo descobre a localização de Dom, tardiamente. Uma surpresa cronometrada por Cipher, a poderosa pirata cibernética, leva à neutralização do grupo e à revelação dos seus planos.

“De uma lua-de-mel em Havana até a uma traição que lhe é incompreensível em Berlim, ela não duvida por um momento que Dom a ama e é a última a aceitar o volte-face.”

Nova Iorque torna-se então o palco de um caótico incidente de trânsito. Cipher pretende recuperar os códigos nucleares guardados pelo ministro da defesa russo, e não se coíbe a controlar todos os veículos da cidade a seu bel-prazer para consegui-lo. Dom é usado como um peão, mas Cipher devia conhecê-lo melhor. Uma estratégia que envolve a família Shaw revela que Dom tem ainda uma palavra a dizer e uma sequência de perseguições antecipam o encontro com Letty, onde as dúvidas que ela nutriam se dissipam quando ele lhe salva a vida.

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Imagem promocional (Fonte: showbizz.liputan6.com)

Invasões de segurança, chuvas de automóveis e até fugas a mísseis e a submarinos sobre o ténue gelo de uma base russa marcam um filme repleto de cenas de ação, coroado por um final que não surpreende mas deixa bem registado o sentido de família a que o grupo de Toretto se vinculou. A homenagem ao personagem de Paul Walker foi a cereja no topo do bolo.

Avaliação: 8/10

Fala-se de: Guardiões da Galáxia Vol. 2

É o filme do momento e não podia deixar de falar dele. Para muitos, Guardiões da Galáxia é apenas mais uma franquia da Marvel, transportada dos quadradinhos para o cinema. Para aqueles que acompanham as aventuras de Star Lord, Rocket Racoon, Gamora, Drax e Groot desde o primeiro filme, é uma das melhores sequências desde que a Marvel se lançou no mercado cinematográfico. Para mim, Guardiões da Galáxia é, a par de Deadpool, dos poucos filmes baseados em bandas-desenhadas Marvel que valem realmente a pena assistir. Vou explicar porquê.

Numa galáxia distante, cinco mercenários são obrigados a juntar forças para fugir da prisão, e acabam por enredar-se num conflito à escala universal. Com argumento e direção de James Gunn, Guardiões da Galáxia apresenta uma narrativa cheia de ritmo e cenas de ação cósmica de fazer inveja aos melhores filmes Star Wars, ao mesmo tempo que usa e abusa do sentido de humor, o seu maior trunfo. Se muitos julgariam difícil superar o primeiro filme nesse campo, é quase unânime que Guardiões da Galáxia se superou. Neste segundo volume, James Gunn voltou a surpreender.

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Poster do filme (Fonte: jamovie.it)

Guardiões da Galáxia é uma das bandas-desenhadas menos famosas da Marvel, se a compararmos a celebridades como Homem de Ferro, Capitão América ou X-Men, mas a popularidade dos filmes parece ter agigantado a curiosidade em torno de Gamora e companhia. Dificilmente a banda-desenhada conseguirá ombrear com os filmes em qualidade, e muito por culpa do trabalho incrível de uma equipa coesa que já percebeu bem que o humor é o maior trunfo para conquistar a nova geração de consumidores Marvel.

“Dificilmente a banda-desenhada conseguirá ombrear com os filmes em qualidade, e muito por culpa do trabalho incrível de uma equipa coesa que já percebeu bem que o humor é o maior trunfo para conquistar a nova geração de consumidores Marvel.”

Tudo bem, o sucesso não se faz apenas de conteúdo. Digamos que o chamariz para o primeiro filme passou por pagar a Vin Diesel para estar um filme inteiro a dar voz a uma árvore falante que apenas diz I am Groot!, o que se repetiu no segundo volume, mas também colocar uma estrela em ascensão vinda do WrestlingDave Bautista – no elenco fixo, juntando-o a novos nomes do cinema como Zoe Saldana, Chris Pratt e Karen Gillan, já para não falar do inigualável Bradley Cooper como o mais tagarela dos guaxinins. Participações mais do que pontuais, como as de Michael Rooker, famoso pela participação em The Walking Dead, Sylvester Stallone, Glenn Close, Benicio Del Toro, Djimon Hounson e Kurt Russell vieram dar visibilidade e impacto à versão cinematográfica dos guardiões mais tresloucados da galáxia.

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Poster do filme (Fonte: comicbook.com)

Mas terá sido isso o suficiente para fazer de Guardiões da Galáxia um sucesso? Definitivamente não. James Gunn e a sua equipa são, muito provavelmente, os principais “culpados” do sucesso. A trama de Guardiões da Galáxia conquistou pela irreverência, e Guardiões da Galáxia Vol. 2 superou o primeiro filme em qualidade. A história começa com o grupo unido e estabelecido como uma equipa, ainda que revelem, porém, alguns problemas de comunicação.

Cuidado com os spoilers! Não faço grandes revelações, mas o plot principal está aqui.

O grupo entrega à raça Soberana umas baterias como moeda de troca pela irmã de Gamora, Nebula, mas Rocket acaba por roubá-las, o que despoleta o ódio de Ayesha, a mulher dourada que lidera os lesados. É quando são salvos pelo pai de Peter Quill, que este nunca conhecera, que o grupo acaba por fraturar-se. Ego é um celestial, uma espécie de deus, que criou um planeta para si mesmo. Ele acolheu e cuidou de Mantis, uma jovem com duas antenas capaz de ler os sentimentos das pessoas ao toque. O grupo divide-se. Enquanto Rocket e Groot recuperam a sua nave – caída num planeta desconhecido – e vigiam Nebula, que fizeram prisioneira, Gamora, Quill e Drax acompanham Ego até ao seu planeta.

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Baby Groot (Fonte: io9.gizmodo.com)

Se a liderança de Yondu Udonta, o pai de criação de Quill, é posta em causa no seio dos Saqueadores, o seu grupo mais restrito é contratado por Ayesha para dar caça aos Guardiões da Galáxia. Udonta encontra a nave e depois de ver muitos dos seus homens abatidos por Rocket, tenta chegar a um acordo que seja benéfico para ambos; afinal, Udonta não tem grande inimizade pelos Guardiões. Isso, porém, vem inflamar a fação que contestava a sua liderança e Udonta é feito prisioneiro, assim como Rocket e Groot. Nebula chega a acordo com Taserface, o novo líder do grupo, tendo em vista assassinar a sua irmã e vingar-se pelo pesadelo que foi a sua infância. O tema “família” é explorado em todas as suas vertentes, tornando-se o foco de todo o filme.

“O tema “família” é explorado em todas as suas vertentes, tornando-se o foco de todo o filme.”

A humana inocência de Baby Groot é a cereja no topo de um bolo que mescla momentos de grande humor protagonizados por Drax e Mantis, de romance entre Quill e Gamora e de empatia entre Rocket e Udonta. É quando os grupos voltam a convergir que as histórias se entrelaçam, resultando num terço final de forte tensão e melancolia. O combate tradicional contra o inimigo comum é pautado por diálogos divertidos e ridículos, como a busca por um pedaço de fita adesiva, mas também pela epicidade evocada pela extraordinária banda-sonora, que dá ritmo à história sem que, muitas vezes, demos por ela. As referências são uma constante, de Mary Poppins a David Hasselhoff.

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O passeio de Rocket e Udonta (Fonte: digitalspy.com)

As cenas pós-créditos são um bónus. O personagem de Stallone revela o rosto dos Guardiões da Galáxia originais, que inclui Michelle Yeoh, Ving Rhames, Michael Rosenbaum e Miley Cyrus, ainda que alguns não estejam “em pessoa”. Os Soberanos prometem mais problemas e o despertar de Adam… Vemos ainda Stan Lee irreverente como sempre e um Groot com distúrbios juvenis a sugerir um Volume 3 ainda mais incrível. Fala-se de Guardiões da Galáxia por alguma razão.

Se não o viram, do que estão à espera?

Avaliação: 10/10

 

Fala-se de: Salem T3

Quem acompanha este blogue sabe que desde 2014 sou fã da série Salem. Apesar do tema “bruxaria” nunca me ter agradado muito, a forma crua e violenta com que foi abordado e a riqueza dos personagens prenderam-me a esta série de ficção inspirada em factos verídicos. A série foi cancelada este ano e, assim sendo, a terceira temporada foi a última. Como não podia deixar de ser, aqui deixo a minha opinião, COM ALGUNS SPOILERS, à temporada final.

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As bruxinhas (logotipo)
Pontos fracos:

1 – A temporada começou com tudo. Inúmeros acontecimentos sucederam-se e prometeram um ritmo vertiginoso. Tal como nas temporadas anteriores, isso só se verificou mesmo nos primeiros e últimos episódios.

2 – O potencial de Mercy foi completamente desperdiçado. Isaac deixou de ser o “coitadinho” da história e ganhou popularidade ao trazer os refugiados para dentro da cidade, mas Mercy – a sua eterna inimiga e uma das personagens mais interessantes da trama – passou muito tempo sem se decidir avançar para uma luta que seria interessante, agora que tinha um lugar de poder com Hathorne ao seu lado. Tanto Isaac como a dupla Mercy/Hathorne acabaram por ter finais decepcionantes.

3 – Sim, eu shippei Anne e Cotton durante a maior parte da série. A história de amor foi destruída nesta temporada com a instabilidade dela; ainda que Anne se tenha tornado o melhor dos últimos episódios.

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A terrível Mercy

4 – Falta de credibilidade na tomada e perda de poderes ao longo da temporada. Mary Sibley foi o exemplo máximo. Morreu e voltou.  Ganhou e perdeu poderes. Para credibilidade podem existir n argumentos por parte da produção. Mas uma coisa é certa, a temporada foi confusa e os finais pareceram feitos à pressa. A partir do episódio 6 então, a trama central foi completamente desfragmentada.

5 – Sebastian tinha tudo para ganhar destaque e ter outra expressão nesta temporada. Os primeiros episódios foram o exemplo disso. Registou-se uma perda progressiva da sua personalidade e voltou a ser refém das saias da mãe à primeira oportunidade (ainda que esta não seja agora mais que um morto-vivo num caixão).

6 – Quando soube que Marilyn Manson ia ter um papel recorrente na história, fiquei em pulgas. De facto, o cantor não esteve mal e o personagem foi interessante. No entanto, este Thomas Dinley, um barbeiro/curandeiro/assassino, poderia ser melhor explorado.

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Marilyn Manson é Thomas Dinley

7 – Tivemos mortes de personagens importantes completamente banalizadas. Já falei em Mercy, não já? Não consigo deixar de voltar a falar sobre ela. A personagem mais badass da história morreu assim com tanta facilidade?

8 – Os namoradinhos da série terminaram juntos, é verdade, mas tudo pelo que lutaram foi pelo esgoto. John Alden pouco acrescentou à história nesta temporada. Mary foi um caos de peripécias. Até conseguiu transferir-se para o corpo de uma defunta, para regressar e quebrar uma maldição (algo que só foi percebido, não explicado). Resumindo, perderam o filho, foram obrigados a sair de Salem para não mais voltar e bye bye poderes.

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Separador promocional
Pontos fortes:

1 – A atuação de Tamzin Merchant. A menina que gravou o piloto de Game of Thrones como Daenerys Targaryen e foi dispensada mostrou aqui um papel à sua altura. A atriz esteve excelente e a personagem surpreendeu. Anne Hale dominou tudo e todos e tornou-se a The Queen of the Night, embora a herança da sua mãe – a Condessa de Marburg – não pareça muito aliciante.

2 – O facto de o plot inicial ser completamente desconstruído não é propriamente um ponto fraco. Salem surpreendeu bastante nesta temporada final e as surpresas são sempre bem-vindas.

3 – O regresso de Gloriana, ainda que pouco tenha acrescentado à trama, agradou-me. Fez relembrar as cenas icónicas da primeira temporada, quando Cotton e Anne eram pessoas bem diferentes do que se vieram a tornar. A cena em que a gravidez de Gloriana é transferida para Anne foi das minhas preferidas.

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Anne Hale, a surpresa da temporada

4 – As cenas chocantes e explícitas. Sangue e terror não faltaram nesta temporada final. E afinal, para que é que vemos esta série mesmo? Nesta última temporada, tivemos ainda direito a anjos caídos, um Diabo que morreu facilmente, e cenas ótimas como um corpo de homem a sair de dentro de uma criança. Tivemos a Condessa de Marburg em modo zombie e um Inferno literalmente à porta.

5 – Tituba, apesar de ter prometido mais do que cumpriu – acumulou as funções de um outro personagem – é destaque positivo. Foi sempre uma personagem relevante em todas as suas aparições.

6 – A ironia da cena final. Começou a série como um padre que frequentava diariamente um bordel e foi um dos personagens que mais sofreu ao longo da série. Termina sozinho e vivo no Inferno. Pobre Cotton…

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John Alden: num mundo de bruxas, de que vale ser cowboy?

7 – Zombies índios (este guilty pleasure não exige descrição, right?)

8 – A promessa de uma nova geração de bruxas agradou-me bastante– a série Salem foi só o início. Ainda que não exista uma continuação para a história, nada nos impede de sonhar.

Avaliação: 7/10

Fico com a sensação de que a ideia para esta terceira e última temporada foi genial, mas na prática não funcionou muito bem. Os novos personagens não acrescentaram muito e os protagonistas perderam o vigor que antes haviam demonstrado. Mercy, Anne, Isaac e Cotton levaram a série às costas. Assim como Mary, que tinha tudo para revelar-se a The Queen of the Night. Apesar do final meio decepcionante, Janet Montgomery interpretou uma personagem excepcional. Em jeito de balanço, Salem, da WGN America, foi original e irreverente do primeiro ao último momento.

Fala-se de… Westworld T1

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Westworld (HBO)

Entretanto, os amigos William e Logan chegam a Westworld como visitantes, mas enquanto Logan se entrega aos prazeres do bordel, William mostra-se leal à esposa, não encontrando um divertimento legítimo, até conhecer Dolores e encantar-se por ela. Maeve, uma meretriz, torna-se personagem de relevo na trama a partir do momento em que acorda numa maca, numa sala do complexo laboratorial onde os “hosts” são programados.

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Teddy (James Marsden) e Dolores (Evan Rachel Wood)

Pontos Fracos:

1 – A confusão causada pelas várias tramas sem nexo causal aparente. Ao fim de alguns episódios, o mistério deixou de surtir o efeito desejado e a vontade de deixar a série imperou. Nada parecia fazer sentido e tudo parecia cada vez mais emaranhado.

2 – As várias linhas temporais. Só percebemos que estávamos a ver mais do que uma linha temporal na segunda metade da temporada, o que veio dar sentido às tramas.

3 – Seguramente, quem visualizar apenas os primeiros episódios irá achar a trama extremamente confusa, e se não tiver especial gosto no tema não verá motivos para prosseguir.

Pontos Fortes:

1 – Os únicos pontos fracos encontrados tornaram-se um ponto forte ao assistir aos últimos 3, 4 episódios. A forma como as pontas são amarradas e as linhas temporais são compreendidas, vêm conferir genialidade à conceção do argumento da série.

2 – O elenco excepcional. Thandie Newton, Anthony Hopkins, Jeffrey Wright, Ed Harris, James Marsden, Evan Rachel Wood, Ben Barnes, Rodrigo Santoro, entre tantos outros. As interpretações trouxeram um clima de paixão e mistério à série que poucas têm.

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Hector (Rodrigo Santoro)

3 – O cruzamento de temas. O western e a ficção científica andam de mãos dadas nesta série da HBO. Chamada por muitos como a nova Game of Thrones, Westworld é uma série completamente diferente, mas igualmente bem feita. A surpresa de uma prostituta de saloon ao descobrir que é uma andróide foi um dos motivos que mais me segurou a ver a série.

4 – O mistério em torno de Arnold. Durante toda a temporada, ouvimos falar de um Arnold sem saber quem ele era. As revelações finais agradaram-me.

5 – Os paradigmas e questões levantadas sobre a inteligência artificial.

Avaliação Final: 8/10

Durante muitos momentos perdi a vontade de seguir a série. Felizmente não o fiz e achei os três últimos episódios excelentes. Espero que a segunda temporada siga o mesmo ritmo.

Fala-se de… Game of Thrones T6

A sexta temporada de Game of Thrones chegou ao fim e a vontade de continuar a ver esta grande produção só aumentou. Se no ano passado ficamos todos com a ânsia de perceber se Jon Snow tinha, de facto, morrido, esta season finale deixou um cheiro a desfecho, com a convergência de vários núcleos e personagens. Abaixo deixo a minha opinião, COM SPOILERS, ao sexto ano de produção.

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D&D não são George R. R. Martin.

O facto de a série alcançar e ultrapassar os livros só a prejudicou. Embora alguns elementos (como o mistério em volta de Hodor) tenham sido indicados por George R. R. Martin, a trama original é bem sinuosa e com muitos amargos de boca para os protagonistas. Como bons fãs, David Benioff e D. B. Weiss criaram uma temporada “previsível“, com todos os personagens “bons” a saírem-se bem e a vingarem-se de tragédias passadas. Puro fanservice, que embora tenha agradado a muitos, mostrou que não era obra de Martin. A asfixia, a agonia, os volte-faces inesperados não pautaram nesta temporada, e todos sabemos porquê. D&D não são George R. R. Martin.

Nem é suposto sê-lo.

Ainda assim, demonstraram ser guionistas muito competentes, enchendo dez episódios de uma forma equilibrada com acontecimentos para todos os gostos. Nesse quesito, esta temporada foi superior à anterior, em que o único episódio de destaque para além do season finale teria sido o fantástico Hardhome. O destino dado ao núcleo de Dorne não agradou a todos, mas tendo em conta a péssima adaptação desse núcleo, a opção agradou-me. A ressurreição de Jon Snow era expectável, assim como o regresso de Dany a Meereen à frente dos dothraki, mas apesar da previsibilidade, foram sequências positivas que vieram desenrolar o novelo que Martin, nos seus livros, apenas tende a enrolar mais e mais e mais.

O fim de Ramsay Bolton e a adição de uma personagem inexistente no material canónico, a “grande” Lyanna Mormont, foram importantes para o sucesso da temporada, e apesar de assistirmos a um Tyrion Lannister mais discreto, fomos recompensados com um Varys cada vez mais badass, uma Cersei devastadora e uma Sansa mais adulta, finalmente junto ao seu irmão. Arya Stark também mereceu um ótimo desenvolvimento e os Homens de Ferro tiveram o destaque há muito merecido (embora o Euron da série ainda não me tenha convencido e o Victarion dos livros faça muita falta).

As visões de Bran e a adição de Mãos Frias como Benjen Stark foram ótimas. A revelação da paternidade de Jon Snow deveria ser mais explícita, porque muitos dos que não acompanham a saga literária e desconhecem a teoria R+L = J não perceberam que a cena visionada por Bran na Torre da Alegria revelou Jon Snow como filho de Rhaegar Targaryen, ou seja, sobrinho de Daenerys por parte do pai e sobrinho de Ned Stark por parte da mãe.

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Concluindo, esta temporada desagradou-me em muitos aspetos, nomeadamente a previsibilidade dos acontecimentos, a mudança estranha de personalidades como a de Jaime e a falta de personagens basilares dos livros (Arianne, Jovem Aegon, Victarion, Moqorro), mas continua ótima e a desenvolver a narrativa como as séries são obrigadas a fazer para manter o público fiel, algo que já não se exige com os livros de Martin (todos sabemos a sua complexidade e lenta evolução desde o início, o que só lhe confere credibilidade). Fico a aguardar pela próxima temporada, quando só faltam 15 episódios para o final da série.

Nota: 8/10