Fala-se de… Salem T3

Quem acompanha este blogue sabe que desde 2014 sou fã da série Salem. Apesar do tema “bruxaria” nunca me ter agradado muito, a forma crua e violenta com que foi abordado e a riqueza dos personagens prenderam-me a esta série de ficção inspirada em factos verídicos. A série foi cancelada este ano e, assim sendo, a terceira temporada foi a última. Como não podia deixar de ser, aqui deixo a minha opinião, COM ALGUNS SPOILERS, à temporada final.

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As bruxinhas (logotipo)
Pontos fracos:

1 – A temporada começou com tudo. Inúmeros acontecimentos sucederam-se e prometeram um ritmo vertiginoso. Tal como nas temporadas anteriores, isso só se verificou mesmo nos primeiros e últimos episódios.

2 – O potencial de Mercy foi completamente desperdiçado. Isaac deixou de ser o “coitadinho” da história e ganhou popularidade ao trazer os refugiados para dentro da cidade, mas Mercy – a sua eterna inimiga e uma das personagens mais interessantes da trama – passou muito tempo sem se decidir avançar para uma luta que seria interessante, agora que tinha um lugar de poder com Hathorne ao seu lado. Tanto Isaac como a dupla Mercy/Hathorne acabaram por ter finais decepcionantes.

3 – Sim, eu shippei Anne e Cotton durante a maior parte da série. A história de amor foi destruída nesta temporada com a instabilidade dela; ainda que Anne se tenha tornado o melhor dos últimos episódios.

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A terrível Mercy

4 – Falta de credibilidade na tomada e perda de poderes ao longo da temporada. Mary Sibley foi o exemplo máximo. Morreu e voltou.  Ganhou e perdeu poderes. Para credibilidade podem existir n argumentos por parte da produção. Mas uma coisa é certa, a temporada foi confusa e os finais pareceram feitos à pressa. A partir do episódio 6 então, a trama central foi completamente desfragmentada.

5 – Sebastian tinha tudo para ganhar destaque e ter outra expressão nesta temporada. Os primeiros episódios foram o exemplo disso. Registou-se uma perda progressiva da sua personalidade e voltou a ser refém das saias da mãe à primeira oportunidade (ainda que esta não seja agora mais que um morto-vivo num caixão).

6 – Quando soube que Marilyn Manson ia ter um papel recorrente na história, fiquei em pulgas. De facto, o cantor não esteve mal e o personagem foi interessante. No entanto, este Thomas Dinley, um barbeiro/curandeiro/assassino, poderia ser melhor explorado.

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Marilyn Manson é Thomas Dinley

7 – Tivemos mortes de personagens importantes completamente banalizadas. Já falei em Mercy, não já? Não consigo deixar de voltar a falar sobre ela. A personagem mais badass da história morreu assim com tanta facilidade?

8 – Os namoradinhos da série terminaram juntos, é verdade, mas tudo pelo que lutaram foi pelo esgoto. John Alden pouco acrescentou à história nesta temporada. Mary foi um caos de peripécias. Até conseguiu transferir-se para o corpo de uma defunta, para regressar e quebrar uma maldição (algo que só foi percebido, não explicado). Resumindo, perderam o filho, foram obrigados a sair de Salem para não mais voltar e bye bye poderes.

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Separador promocional
Pontos fortes:

1 – A atuação de Tamzin Merchant. A menina que gravou o piloto de Game of Thrones como Daenerys Targaryen e foi dispensada mostrou aqui um papel à sua altura. A atriz esteve excelente e a personagem surpreendeu. Anne Hale dominou tudo e todos e tornou-se a The Queen of the Night, embora a herança da sua mãe – a Condessa de Marburg – não pareça muito aliciante.

2 – O facto de o plot inicial ser completamente desconstruído não é propriamente um ponto fraco. Salem surpreendeu bastante nesta temporada final e as surpresas são sempre bem-vindas.

3 – O regresso de Gloriana, ainda que pouco tenha acrescentado à trama, agradou-me. Fez relembrar as cenas icónicas da primeira temporada, quando Cotton e Anne eram pessoas bem diferentes do que se vieram a tornar. A cena em que a gravidez de Gloriana é transferida para Anne foi das minhas preferidas.

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Anne Hale, a surpresa da temporada

4 – As cenas chocantes e explícitas. Sangue e terror não faltaram nesta temporada final. E afinal, para que é que vemos esta série mesmo? Nesta última temporada, tivemos ainda direito a anjos caídos, um Diabo que morreu facilmente, e cenas ótimas como um corpo de homem a sair de dentro de uma criança. Tivemos a Condessa de Marburg em modo zombie e um Inferno literalmente à porta.

5 – Tituba, apesar de ter prometido mais do que cumpriu – acumulou as funções de um outro personagem – é destaque positivo. Foi sempre uma personagem relevante em todas as suas aparições.

6 – A ironia da cena final. Começou a série como um padre que frequentava diariamente um bordel e foi um dos personagens que mais sofreu ao longo da série. Termina sozinho e vivo no Inferno. Pobre Cotton…

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John Alden: num mundo de bruxas, de que vale ser cowboy?

7 – Zombies índios (este guilty pleasure não exige descrição, right?)

8 – A promessa de uma nova geração de bruxas agradou-me bastante– a série Salem foi só o início. Ainda que não exista uma continuação para a história, nada nos impede de sonhar.

Avaliação: 7/10

Fico com a sensação de que a ideia para esta terceira e última temporada foi genial, mas na prática não funcionou muito bem. Os novos personagens não acrescentaram muito e os protagonistas perderam o vigor que antes haviam demonstrado. Mercy, Anne, Isaac e Cotton levaram a série às costas. Assim como Mary, que tinha tudo para revelar-se a The Queen of the Night. Apesar do final meio decepcionante, Janet Montgomery interpretou uma personagem excepcional. Em jeito de balanço, Salem, da WGN America, foi original e irreverente do primeiro ao último momento.

Fala-se de… Westworld T1

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Westworld (HBO)

Entretanto, os amigos William e Logan chegam a Westworld como visitantes, mas enquanto Logan se entrega aos prazeres do bordel, William mostra-se leal à esposa, não encontrando um divertimento legítimo, até conhecer Dolores e encantar-se por ela. Maeve, uma meretriz, torna-se personagem de relevo na trama a partir do momento em que acorda numa maca, numa sala do complexo laboratorial onde os “hosts” são programados.

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Teddy (James Marsden) e Dolores (Evan Rachel Wood)

Pontos Fracos:

1 – A confusão causada pelas várias tramas sem nexo causal aparente. Ao fim de alguns episódios, o mistério deixou de surtir o efeito desejado e a vontade de deixar a série imperou. Nada parecia fazer sentido e tudo parecia cada vez mais emaranhado.

2 – As várias linhas temporais. Só percebemos que estávamos a ver mais do que uma linha temporal na segunda metade da temporada, o que veio dar sentido às tramas.

3 – Seguramente, quem visualizar apenas os primeiros episódios irá achar a trama extremamente confusa, e se não tiver especial gosto no tema não verá motivos para prosseguir.

Pontos Fortes:

1 – Os únicos pontos fracos encontrados tornaram-se um ponto forte ao assistir aos últimos 3, 4 episódios. A forma como as pontas são amarradas e as linhas temporais são compreendidas, vêm conferir genialidade à conceção do argumento da série.

2 – O elenco excepcional. Thandie Newton, Anthony Hopkins, Jeffrey Wright, Ed Harris, James Marsden, Evan Rachel Wood, Ben Barnes, Rodrigo Santoro, entre tantos outros. As interpretações trouxeram um clima de paixão e mistério à série que poucas têm.

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Hector (Rodrigo Santoro)

3 – O cruzamento de temas. O western e a ficção científica andam de mãos dadas nesta série da HBO. Chamada por muitos como a nova Game of Thrones, Westworld é uma série completamente diferente, mas igualmente bem feita. A surpresa de uma prostituta de saloon ao descobrir que é uma andróide foi um dos motivos que mais me segurou a ver a série.

4 – O mistério em torno de Arnold. Durante toda a temporada, ouvimos falar de um Arnold sem saber quem ele era. As revelações finais agradaram-me.

5 – Os paradigmas e questões levantadas sobre a inteligência artificial.

Avaliação Final: 8/10

Durante muitos momentos perdi a vontade de seguir a série. Felizmente não o fiz e achei os três últimos episódios excelentes. Espero que a segunda temporada siga o mesmo ritmo.