Fala-se de: Into The Badlands T2

A série criada por Alfred Gough e Miles Millar regressou em 2017 para uma segunda temporada, desta feita com 10 episódios. Into The Badlands é uma série do canal AMC, cuja terceira temporada deve estar para arrancar. A história é passada num mundo futurista que lembra o Japão Medieval, especialmente no que diz respeito ao regime feudal, ainda que motorizadas, carros e explosivos façam parte do dia-a-dia dos seus habitantes.

Depois de uma primeira temporada interessante, permeada de cenas de ação e de artes marciais muito bem coreografadas, a segunda série prometia imenso, especialmente com MK (Aramis Knight) a sair das Badlands em direção ao Mosteiro onde poderia encontrar respostas efectivas para o seu misterioso dom, que o faz tornar-se um assassino incontrolável de olhos negros quando é ferido.

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Fonte: http://www.denofgeek.com/us/tv/into-the-badlands-season-2/264093/into-the-badlands-season-2-episode-6-review-leopard-stalks-in-snow

Ali, MK percebe que todos os alunos sofrem da mesma maldição, mas para além de formar uma ótima tripla com Sunny (Danie Wu) e Bajie (Nick Frost), pouco foi o que soubemos sobre o passado do rapaz ao longo da temporada. Bajie revelou-se, porém, um ótimo personagem, com todo um contexto atrás de si, para além de um manancial de truques que deixou claro tratar-se de muito mais do que o alívio cómico que sugeria ser.

Ryder (Oliver Stark) trouxe uma camada de política bem interessante à trama, mas acabou por ter um final precoce. Revelou-se uma personagem com pouca importância, assim como Jade (Sarah Bolger), que herdou dele o Baronato de Quinn (Marton Csokas). Por sua vez, Lydia (Orla Brady) teve poucos momentos de destaque, ainda que tenha vindo a assumir um papel mais efectivo após a morte do filho e o regresso de Quinn. A interpretação de Orla Brady continua, porém, a ser um dos aspectos mais positivos de toda a série.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=JT37b9HhzAQ

Veil (Madeleine Mantock) teve um percurso mais apelativo, desde a tentativa de envenenamento da Viúva (Emily Beecham), que não chegou a bom termo por conta do amor de Tilda (Ally Ioanides) para com a mãe, até tornar-se a típica donzela em perigo nas mãos de Quinn. Veil não teve um desenvolvimento tão bem delineado como podia ter tido, mas penso que se redimiu com um final credível e sentenciador.

No arco da Viúva, destaque para a excelente performance de Beecham e Ioanides nas várias disputas familiares entre a Viúva e a sua filha e Regente, com a inclusão de Waldo (Stephen Lang) e Odessa (Maddison Jaizani) no núcleo. As várias cenas de artes marciais continuaram magistralmente bem coreografadas, como já vem sendo hábito na série. Pena que a relação entre MK e Tilda pareça ter arrefecido, mesmo após o reencontro.

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Fonte: http://www.amc.com/shows/into-the-badlands/cast-crew/m-k

O regresso de Sunny e MK às Badlands coincidiu com os momentos de maior ritmo da temporada. Os episódios 8 e 9 foram os meus preferidos, ainda que tenha sentido falta de maior força de presença de MK na mansão da Viúva, bem como de maior verosimilhança em algumas cenas. A busca pela cidade de Azra continuou a ser abordada muito superficialmente, quando penso que esta podia ter sido já apresentada.

O desenrolar da trama não me agradou por aí além, caindo em clichés dispensáveis e cenas expectáveis, assim como uma trama paralela envolvendo Bajie que me fez temer que a série entrasse na seara insossa de outras séries como Revolution ou Under The Dome, embora a fase final da temporada tenha dado um sentido ao todo e atado as pontas de forma coerente. De modo geral gostei da temporada, embora me pareça ter perdido em comparação com a primeira.

Avaliação: 6/10

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Fala-se de: Vikings T4

A quarta temporada de Vikings foi anunciada pelo History Channel no primeiro semestre de 2015, tendo estreado a 18 de fevereiro de 2016. Ao contrário das temporadas anteriores, que contaram com 10 episódios cada, a quarta temporada teve 20 episódios, dividida em duas partes. Michael Hirst, o criador da série, continuou como showrunner e produtor executivo. A primeira metade da quarta temporada manteve-se ao nível da terceira, apesar de não conter grandes acontecimentos.

Depois de se tornar rei e senhor entre os Vikings, Ragnar (Travis Fimmel) tentara conquistar Paris, encetando alianças perigosas e ficando gravemente ferido. A quarta temporada começa com um regresso às casas de origem, com Ragnar a prometer vingança ao seu irmão Rollo (Clive Standen), que o traíra, para chegar ao final da primeira metade com uma derrota que ameaçou destruir a sua própria fama. Se não viste a quarta temporada, prepara-te para alguns spoilers.

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Fonte: https://www.sbs.com.au/guide/article/2016/11/23/what-you-need-know-return-vikings-season-4-part-2

Enquanto Ragnar recupera dos seus ferimentos, Bjorn (Alexander Ludwig) ordena a prisão de Floki (Gustaf Skarsgard) pela morte de Athelstan (George Blagden), e quando o pai acorda não parece agradado com a decisão, embora a mantenha. Bjorn decide assim enfrentar o mundo selvagem para provar o seu valor. Durante a sua estadia num ermo nevado, ele é atacado por um assassino enviado pela dupla Erlendur (Edvin Endr) e Kalf (Ben Robson), mas consegue defletir o seu ataque e matá-lo.

“A primeira metade da quarta temporada manteve-se ao nível da terceira, apesar de não conter grandes acontecimentos.”

Quando regressa, Bjorn propõe a Torvi (Georgia Hirst), a esposa de Erlendur, que o acompanhe, e esta acede quando Lagertha (Katheryn Winnick) lhe assegura que protegerá a sua criança. Os melhores momentos da primeira parte da temporada passam exactamente pelas mortes de Kalf e Erlendur e do papel que as mulheres vêm a ganhar como esposas, assassinas, mas também como líderes. É outra mulher forte, Gisla (Morgane Polansk), filha do Imperador da Frância, quem arrebata Rollo e cimenta a sua posição em Paris, quando vários esquemas são postos em prática para “seduzir” Charles (Lothaire Bluteau).

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Fonte: https://www.blahcultural.com/critica-vikings-4-temporada/

No Wessex, o Ecbert de Linus Roache continuou a surpreender-me pela positiva. Enviou o filho Aethelwulf (Moe Dunford) para resgatar a princesa Kwenthrith (Amy Bailey), acabando por apoderar-se da Mércia e do seu filho Magnus (Cameron Hogan), alegado bastardo de Ragnar Lothbrok. Também o desenvolvimento da relação de Ecbert com Judith (Jennie Jacques) rendeu ótimos momentos televisivos e um dos plots mais interessantes da série.

Mas é a adição dos irmãos Harald (Peter Franzén) e Halfdan (Jasper Pääkkönen) a revolucionar o núcleo de Ragnar Lothbrok. Harald tenciona tornar-se rei de toda a Escandinávia para conquistar uma mulher, mas para isso precisa destronar Ragnar. Ainda assim, os irmãos alinham em tornar-se meros “peões” na nova incursão do rei em terras francesas. Completamente viciado numa droga que lhe é cedida pela escrava Yidu (Dianne Doan), Ragnar organiza a investida, mas acaba derrotado às mãos do próprio irmão.

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Fonte: http://www.denofgeek.com/us/tv/vikings/251491/vikings-season-4-reviews-trailers-and-episode-guide

A segunda metade da temporada é uma tempestade de acontecimentos. Ragnar havia desaparecido, mas regressa algum tempo depois a Kattegat, na tentativa de reunir tropas para um novo ataque a Inglaterra. Ninguém parece muito disposto, no entanto, a acompanhá-lo. Os filhos cresceram, e entre Ubbe (Jordan Patrick Smith), Hvitserk (Marco Ilsø), Sigurd (David Lindström) e Ivar (Alex Høgh Andersen), só este último acede em lutar ao seu lado.

“A segunda metade da temporada é uma tempestade de acontecimentos.

Ivar, o Sem Ossos, é deficiente da cintura para baixo, mas desafia o mundo com as suas estratégias ímpares e ambição louca. Depois de assustar Margrethe (Ida Marie Nielsen), que parece gostar de rebolar nos lençóis com os vários irmãos Lothbrok, junta-se a Ragnar num pequeno grupo de vikings velhos, “comprados” por Ragnar. O navio dá à costa e Ragnar assassina os sobreviventes, chegando com o filho diante Ecbert. Ragnar é aprisionado e levado a Aelle (Ivan Kaye), uma vez que Ecbert o considera um amigo e não tem coragem para o matar.

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Fonte: http://tvline.com/2016/09/14/vikings-season-4b-premiere-date/

É a morte de Ragnar Lothbrok que vem dar maior visibilidade aos seus filhos, numa temporada atípica e impressionante em que Lagertha recupera a liderança de Kattegat ao alvejar Aslaug (Alyssa Sutherland) pelas costas, onde vemos um Bjorn mais maduro a seguir as pisadas do pai e a querer explorar o Mediterrâneo, e onde somos apresentados a Astrid (Josefin Asplun), lugar-tenente de Lagertha que se revela amante de mãe e filho.

Com poucos momentos dignos de crítica, para além da ocasional aparição de ambas as orelhas de Judith quando sabemos que uma lhe foi arrancada, Vikings tem tudo para mostrar na 5.ª temporada um novo começo, agora que a vingança pela morte de Ragnar foi consumada. Resta saber o que fará Harald agora que a sua apaixonada está morta e o irmão decidiu abandoná-lo, e como irão os filhos de Ragnar conviver após a atitude final de Ivar.

Avaliação: 9/10

Fala-se de: Vikings T3

A terceira temporada de Vikings continua a empresa do History Channel em lançar-se no mundo das séries televisivas. Anunciada em 2014 e estreada a 19 de fevereiro de 2015, Vikings mantém Michael Hirst como showrunner e diretor executivo e nomes como Travis Fimmel, Katheryn Winnick e Alexander Ludwig como protagonistas. Com o poder no centro de tudo, vemos o icónico Ragnar Lothbrok a gerir finalmente a sua posição de rei.

A série expande-se em termos geográficos. De um lado temos a Escandinávia como sede do poderio do rei Ragnar, mais concretamente o povoado de Kattegat, enquanto os núcleos do Wessex e da Mércia são extremamente bem desenvolvidos. Há ainda tempo para a série focar-se em Paris, na reta final da temporada. Se a segunda já me havia conquistado, esta terceira temporada cimentou Vikings como uma das melhores séries históricas da atualidade.

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Fonte: https://itunes.apple.com/us/tv-season/vikings-season-3/id957906935

Mordi a língua em relação a Linus Roache. Se o rei Ecbert do Wessex me tinha parecido deslocado e completamente “fora da caixa” na segunda temporada, aqui ele revelou-se um personagem interessante e insidioso, a jogar com vários interesses em simultâneo. Da sua relação com Lagertha à forma como geriu o triângulo Athelstan (George Blagden) – Judith (Jennie Jacques) – Aethelwulf (Moe Dunford), o personagem surpreendeu e o ator foi bastante credível na sua interpretação.

“De resto, a natureza dúbia de muitos dos personagens é um dos focos de maior interesse desta série.

A temporada foi também marcada pela morte de personagens importantes, que vinham acompanhando o protagonista desde os primeiros episódios. A forma como morreram e as consequências que as suas mortes trouxeram para o restante painel de personagens foi também interessantíssimo. Assim como a adição de novos nomes ao elenco. O misterioso Harbard do famoso ator Kevin Durand veio refrescar o núcleo de Kattegat e trazer muitas suposições e teorias.

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Fonte: https://www.tvfanatic.com/2015/03/vikings-season-3-episode-6-review-born-again/

Rollo (Clive Standen) e Floki (Gustaf Skarsgard) continuam a ser um espetáculo à parte, pertencendo a eles a grande maioria das cenas de maior profundidade dramática. Outras personagens tiveram desenvolvimentos interessantes, desde Kalf (Ben Robson), com as suas intenções relativamente a Lagertha sendo dúbias ao longo dos episódios, a Porunn (Gaia Weiss), cujos conflitos internos resultantes de um grave ferimento vieram a comprometer a sua relação com Bjorn.

“Ainda que não fossem os meus preferidos, os últimos episódios da temporada trouxeram cenas de batalha muito bem feitas

Há ainda Kwenthrith (Amy Bailey) da Mércia, uma personagem ninfomaníaca que já havia deixado a sugestão do que viria a ser na anterior temporada. A relação conflituosa com o tio e o irmão, a estranheza dos seus trejeitos e a aparência que pouco deixa adivinhar a perfídia interior vieram trazer à trama algumas das melhores cenas, entre elas uma que une os vários “reis” da série num brinde peculiar.

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Fonte: https://www.pinterest.com/pin/568227677960898184/

De resto, a natureza dúbia de muitos dos personagens é um dos focos de maior interesse desta série. De Kalf a Ecbert, passando por Aelle (Ivan Kaye), Judith e Einar (Steve Wall), Erlendur (Edvin Endre) e Torvi (Georgia Hirst), e mesmo os já recorrentes Rollo, Floki e Aslaug (Alyssa Sutherland), poucos são os personagens em que nos podemos crer, e todos terão uma importância determinante no desenvolvimento da trama.

Ainda que não fossem os meus preferidos, os últimos episódios da temporada trouxeram cenas de batalha muito bem feitas, com vários planos e sequências de grande interesse, mostrando não só o modo de combate viking e a estratégia de defesa francesa, como apresentaram o núcleo da Frância, que podem ser vistas como um mote para a quarta temporada. Da debilidade emocional do Imperador Charles (Lothaire Bluteau) à rebeldia da sua filha Gisla (Morgane Polanski), somos apresentados a um novo núcleo, ao mesmo tempo que vemos Ragnar a tornar-se uma lenda, mesmo nos seus momentos mais frágeis.

Avaliação: 9/10

Fala-se de: The Last Jedi, Star Wars Episode VIII

Esqueçam as vossas noções de ciência. Esqueçam aquilo que entendem por ficção científica. Star Wars nunca foi sinónimo de credibilidade ou complexidade narrativa. Talvez por isso eu nunca me tenha considerado um fã dos mais acérrimos. Mas também nunca foi para isso que Star Wars foi feito. Ele foi feito para trazer ao público a espectacularidade dos efeitos especiais, para levar a debate a dicotomia bem contra o mal sempre na sua vertente mais simplista. Mas, como em tudo, são os planos mais simples aqueles que conseguem chegar mais profundamente ao público. E cativá-lo. Se juntarmos a isso um ritmo imparável e uma sequência de volte-faces de nos fazer pular da cadeira, então The Last Jedi cumpre na perfeição aquilo que a franquia sempre prometeu.

Com J.J. Abrams como produtor executivo e Rian Johnson no guião e direção, The Last Jedi é o terceiro filme Star Wars desde que Kathleen Kennedy tornou-se presidente da Lucasfilm e gerente da marca. Daisy Ridley, Adam Driver, Mark Hamill, Carrie Fisher, John Boyega, Oscar Isaac, Gwendolyn Christie, Andy Serkis e companhia regressam aos personagens que protagonizaram The Force Awakens, agora com a adição ao elenco de alguns nomes sonantes como Benicio del Toro e Laura Dern. As forças da Resistência são lideradas pela General Leia Organa, enquanto a Primeira Ordem é comandada pelo Líder Supremo Snoke. Neste filme, a esperança do exército rebelde em sobreviver depende muito do sucesso de Rey na aprendizagem como Jedi junto do lendário Luke Skywalker.

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Fonte: https://www.theedgesusu.co.uk/news/2017/10/12/the-edge-reacts-to-star-wars-the-last-jedi-trailer/

Factos. Rey continua com aquele ar de sonsinha e a acreditar no Pai Natal. O Lado Negro da Força é representado por um puto amuado. O cosmos de Star Wars deve ser uma coisa muito especial e fora da caixa para se ouvir toda aquela panóplia de sons. Leia tem mais vidas que o Son Goku, e até pode andar pelo espaço sem escafandro que consegue voar para a porta de uma nave e sobreviver. Del Toro definitivamente não combina com Star Wars, e embora o seu personagem tenha sido absolutamente cliché, coincidiu com as passagens mais bacanas deste filme.

“As perdas fazem-se sentir, mas o futuro está em aberto.

A Resistência rebelde leva porrada até mais não e morrem personagens importantes de ambas as fações. Temos raças super inusitadas, algumas mega fofinhas (sim, estou a falar dos porgs) e até o indício do que pode vir a ser o futuro da Resistência. The Last Jedi mostra um possível fim para as forças rebeldes, torna-o mais próximo do que alguma vez foi sentido, e, no entanto, reinventa a sua presença de um jeito peculiar e, a meu ver, muito interessante.

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Fonte: http://wegotthiscovered.com/movies/star-wars-last-jedi-fanmade-poster/

O filme vale sobretudo pelo humor. Um Yoda (Frank Oz) super irónico, um Luke Skywalker com dotes de pesca e de ordenha, um Snoke que parecia mais inteligente, um Chewie com problemas de consciência e um General Hux (Domhnall Gleeson) que apanha de todos os lados com aquela cara de quem vai explodir como uma melancia a qualquer momento. Temos ainda uma espécie de cavalos com orelhas que lembram o Falkor de Uma História Interminável, uma grande química entre as personagens Rose (Kelly Marie Tran) e Finn e os sempre cheios de recursos robots a roubarem a cena.

E vale destacar ainda Poe Dameron. Oscar Isaac tornou-se um dos protagonistas da trilogia com todo o mérito. O personagem não só se revelou um líder dentro da Resistência, como rebentou com tudo em várias cenas de ação. As cenas de Isaac com Laura Dern foram das mais carismáticas do filme. De resto, o facto de vermos o lado rebelde dividido e de não estarmos restringidos a Resistência (bons) e Primeira Ordem (maus) foi uma das mais-valias deste filme, muito embora no final tudo tenha ficado mais ou menos como no início.

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Fonte: https://www.comicbookmovie.com/sci-fi/star_wars/star-wars-the-last-jedi-plenty-of-action-and-a-familiar-line-in-this-awesome-tv-spot-a155200

Os efeitos especiais e a banda sonora continuam a ser a imagem de marca da franquia. Se aliarmos a isso o saudosismo aos velhos personagens e a uma vontade de ver vingada a vida de Han Solo (Harrison Ford), The Last Jedi tinha pouco por onde falhar. Mas para além de não falhar, surpreendeu. No humor, que quase fez parecer o filme uma paródia a Star Wars, mais do que um Star Wars, à narrativa, que conseguiu reinventar-se, ainda que tenha ido buscar várias coisas aos filmes originais e não tenha primado pela originalidade.

“É um blockbuster. É um filme para as massas. E convence.

Discutir as razões da queda dos Jedi foi um dos aspetos que mais me agradou, nesse sentido. O novo filme não se limitou a colocar os Jedi contra os Sith. Não. Os tempos são outros e o que está para vir pode fazer renascer ou morrer para sempre aqueles que mexem com a Força. The Last Jedi explicou o significado da Força, mostrou as forças e as fraquezas da Ordem Jedi e que a sua queda está muito mais ligada às suas debilidades internas do que ao talento dos seus adversários. Luke Skywalker foi muito mais do que o mentor tradicional que esperávamos. Ele conseguiu estragar tudo e depois salvar, do jeito que o espectador menos podia esperar.

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Fonte: http://www.latimes.com/entertainment/movies/93054345-132.html

Ainda assim, o debate interior de Luke acabou por ser o que menos gostei no filme, no sentido em que perdeu bastante tempo em conflito consigo mesmo, com o que ficou para trás e com o que podia vir a ser no futuro. Nesse sentido, continuamos sem saber ao certo se Rey descende de algum personagem importante, e a falta de respostas não fica por aí. Com a morte de Carrie Fisher, resta aguardar que final vão “inventar” para a personagem e quem poderá liderar os destinos da Resistência sem Leia ao leme. As perdas fazem-se sentir, mas o futuro está em aberto.

Os dados estão lançados. The Last Jedi não é o melhor filme de Star Wars, mas um dos que mais me agradaram durante a visualização do mesmo. Muito embora tenha estado muito mais empolgado com The Phantom Menace, depois da febre da primeira trilogia, os tempos são outros e a minha paixão pela franquia diminuiu drasticamente. The Force Awakens esteve longe de ressuscitar o meu amor pela série, e muito embora este filme não o tenha feito, não posso deixar de afirmar que me diverti e muito durante a sua visualização. É um blockbuster. É um filme para as massas. E convence.

Avaliação: 8/10

 

 

Fala-se de: Vikings T2

Estreada a 27 de fevereiro de 2014, a segunda temporada da série Vikings, pelo History Channel, continuou com a história de Ragnar Lothbrok e companhia. Michael Hirst é o criador, showrunner e diretor executivo da série em mais uma temporada repleta de sangue, entranhas e muitas, muitas traições. Travis Fimmel voltou a brilhar no papel de Ragnar, ainda que o seu personagem se tenha revelado muito mais furtivo e “aparentemente” passivo nesta segunda temporada.

De “Brother’s War” a “The Lord’s Prayer”, os dez episódios da segunda temporada trouxeram maior maturidade à narrativa, atirando-nos para um salto temporal no início do ano mas sem outros declives abruptos pelo meio. O que fez desta uma temporada melhor, na minha opinião, a todos os níveis. Tal como na temporada inicial, tanto o argumento de Hirst como a interpretação dos atores foram os destaques mais positivos, embora a própria produção técnica me pareça registar melhorias.

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Fonte: https://www.blahcultural.com/critica-de-serie-vikings-2a-temporada-2/

A série pecou em alguns aspectos. A crucificação de Athelstan (George Blagden) seguida de uma quase super-heróica recuperação, o arrependimento pouco credível de Rollo (Clive Standen) e a estranha aceitação do povo de Sigvard (Morten Suurballe) a Lagertha (Katheryn Winnick), quando outros podiam reclamar o lugar dinástico, pareceram-me os pontos que deveriam ser melhorados ou ficado mais esclarecidos, ainda que tal não roube mérito à temporada.

O salto de 4 anos do primeiro para o segundo episódio trouxe boas adições ao elenco. A trindade formada por Ragnar, Jarl Borg (Thorbjørn Harr) e Rei Horik (Donal Logue) veio acrescentar excelentes momentos à trama, num jogo de cadeiras, traições e desconfianças sem precedentes, condimentados pelos movimentos sub-reptícios de uma Siggy (Jessalyn Gilsig) que não esqueceu o poder que já ostentou e de um Floki (Gustav Skarsgard) que consegue ser divertido, arrepiante e imprevisível em simultâneo.

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Fonte: http://www.immersiononline.net/television/Vikings-Season-2-Episode-2-Review

Também o crescimento de Bjorn (Alexander Ludwig) veio melhorar imenso a narrativa. Do reencontro com o pai (um dos melhores momentos de Travis na primeira metade da temporada) à sua paixão pela escrava Porunn (Gaia Weiss), ficou evidente que Bjorn tornar-se-á um dos personagens centrais da trama, até porque vários são os que já o qualificam como um inimigo terrível em combate.

A separação de Ragnar e Lagertha foi muito bem explorada, assim como o modo como as lealdades se mantiveram apesar dela. Aslaug (Alyssa Sutherland) tornou-se a esposa de Ragnar, embora fique claro que a dedicação que este lhe dedica está diretamente relacionada aos filhos que lhe deu. A princesa profeta não mostrou carisma, deixando óbvia a sua nula apetência para o combate.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=4CEgOiO54zI

Vale ainda destacar as interpretações de Jessalyn Gilsig, Clive Standen e Gustav Skarsgard. Das adições ao elenco, senti que Thorbjørn Harr e Donal Logue deram muito mais à trama do que o personagem de Linus Roache. O Rei Ecbert do Wessex poderia ser um personagem interessante, da forma como questionou o próprio Deus Cristão e se mostrou encantado pelas divindades pagãs, mas a própria interpretação de Roache não me satisfez.

Pessoalmente, gostei bastante desta segunda temporada, mais do que da primeira. Do percurso de Ragnar e Lagertha, o amadurecimento dos personagens e das relações entre si, a cenas icónicas como a Águia de Sangue, Vikings mostrou que veio para conquistar onde outras adaptações do mesmo período haviam fracassado.

Avaliação: 9/10

Fala-se de: Vikings T1

Segundo a lenda, Ragnar Lothbrok (o das Calças Peludas) foi casado várias vezes. Com Lagertha, com a bela Tora Borgarhjort, e com Aslaug. Pode ter sido parente do rei dinamarquês Godfred e filho do rei sueco Sigurd. Diz-se que foi notável no saque e na conquista, e que tornou-se rei. Foi com base nesta figura histórica de que muito pouco se sabe, para além do que foi transmitido por via oral, que o History Channel criou a série Vikings, em 2013.

Com Travis Fimmel, Clive Standen, Katherine Winnick, George Blagden e Gustaf Skarsgard nos papéis principais, Vikings distingue-se desde logo por mostrar muito mais do que a violência intrínseca à cultura (e imaginário) viking, falando também de estratégia militar e de relações humanas. É aqui que tanto o argumento bem fundamentado de Michael Hirst como as próprias interpretações dos atores ganham destaque. Plenos de ação e de reviravoltas, os nove episódios da primeira temporada mostraram um pouco do que se pode esperar desta tão elogiada produção.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=YrB5lC7icco

Mas seria um argumento coeso e um bom lote de interpretações o suficiente para suprir o orçamento e a fragilidade do figurino que o History dispôs? Na minha opinião, sem o estilismo inconfundível das produções da HBO, Vikings conseguiu ser fiel à realidade da época a todos os níveis, com coerência e verossimilhança. De facto, é um produto que mostrou ser muito bem cuidado, para uma produtora que não estava habituada a produzir séries televisivas.

Ainda assim, Vikings não está imune a algumas falhas históricas, o que pode ser perdoado se tivermos em conta que as façanhas de Ragnar enquadram-se mais no folclore do que na verdade histórica sobre o mesmo. Na primeira temporada assiste-se ao ataque a um mosteiro que ocorreu no ano 793, e no entanto diz-se que Ragnar atacou Paris em 911. A verdade sobre os feitos vikings dessa época é tão nebulosa que difícil é encontrar um autor/argumentista que consiga retratar algo sem disparidades deste género.

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Fonte: http://www.geeknode.co.za/2016/02/tv-series-review-vikings-season-1-3/

Esta primeira temporada focou-se grandemente na temática religiosa, ao mesmo tempo que mostrava Ragnar a fugir dos olhos desconfiados de um conde magistralmente interpretado por Gabriel Byrne e os primeiros sinais do que viria a ser a sua relação de amor-ódio com Rollo se faziam sentir, bem como a impetuosidade e independência da sua esposa, a audaz Lagertha. De uma assentada, conhecemos vários núcleos.

O que mais gostei nesta temporada, mais do que o manancial de fé a que cada personagem ia buscar forças para os seus empreendimentos pessoais e coletivos, foi aquilo que o personagem Athelstan introduziu na história. Inicialmente, a estranheza dos dinamarqueses para com o Cristianismo, das tonsuras dos monges ao jeito estranho com que prezavam os livros e deixavam o ouro em exposição. Depois, a relação de familiaridade com que o monge se adaptou à casa de Ragnar.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=4CEgOiO54zI

A vertente familiar também foi bastante explorada nesta primeira temporada. Ragnar, a esposa Lagertha, o filho Bjorn e o irmão Rollo formaram o núcleo duro da série, a que se juntaram irrevogavelmente o construtor de barcos Floki, arquétipo do nórdico louco que fala com os deuses (inspiração no próprio Loki?) e, posteriormente Athelstan, submetido a várias provas de fogo.

Uma delas no templo, onde conhecemos personagens tão bizarras como interessantes e as profecias relacionadas à prole de Ragnar começaram a tomar forma, assim como a relação entre o conde viking e a esposa começou a levantar os seus pontos de interrogação, culminando num final tão peculiar como, para mim, surpreendente. Em suma, não achei Vikings uma série extraordinária, mas realmente interessante e com muitos pontos a serem explorados em futuras temporadas, que deverei ver de uma assentada.

Avaliação: 7/10

Fala-se de: Blade Runner 2049

Com direção de Denis Villeneuve e argumento de Hampton Fancher e Michael Green, Blade Runner 2049 é a tão esperada sequela do clássico de 1982 dirigido por Ridley Scott, que tardiamente ganhou reconhecimento assim como tardiamente conheceu uma sequência. Falamos de um produto neo-noir passado num período pós-moderno, onde a espécie humana recorreu ao desenvolvimento de inteligências artificiais (os replicantes) para realizar os trabalhos que menos se interessavam em fazer. Uma das principais questões em debate é: onde se encontra a humanidade? Nos seres humanos ou naqueles que estes criaram?

Passado trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, Blade Runner 2049 apresenta-nos um mundo fragmentado, respaldado nas criações artificiais para sobreviver no moribundo ecossistema do planeta Terra. As colónias humanas continuam a ser exploradas pela Tyrell Corp, agora nas mãos do megalómano Niander Wallace, personagem interpretado por Jared Leto. Deste modo, a população endinheirada vive as mordomias das colónias extraterrestres, enquanto a Terra, poluída e parcialmente abandonada, é lar das classes pobres de humanos, mas sobretudo dos imensos replicantes que as habitam, ocupando posições diversas na estratificação social terrena.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=dZOaI_Fn5o4

K é um blade runner. O personagem interpretado por Ryan Gosling é um replicante subordinado a Joshi (Robin Wright) com uma tarefa em mãos. Foi descoberto que uma replicante gerou uma criança, e tal é um precedente que, mais do que ser ocultado, deve ser imediatamente apagado. A tarefa de K é matar essa criança. Muito embora a moral de K encontre reservas em relação a essa questão, o que realmente o impede de executar a tarefa é uma data que viu inscrita numa árvore, junto à casa de Sapper Morton (Dave Bautista). A mesma data que marcava a base de um cavalo de madeira, pertence de uma das suas recordações mais antigas.

O rumo dos acontecimentos leva-o a encontrar a doutora Ana Stelline (Carla Juri), uma cientista especializada em implantes de memória que se encontra enclausurada numa cela de vidro devido a problemas imunitários, mas a busca pela verdade terá uma forte opositora. Luv (Sylvia Hoeks) é uma replicante leal a Wallace, uma investigadora e guarda-costas que rapidamente vê em K um alvo a abater. Por outro lado, há Joi (Ana de Armas), a esposa de K que, muito embora seja uma mera realidade virtual sem corpo físico, é uma companheira dedicada que tenta alegrar o espírito misantropo do polícia.

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Fonte: https://nit.pt/coolt/cinema/critica-blade-runner-2049-um-tipo-magia

Blade Runner 2049 é um filme de envolvimento psicológico. Para além de debater temas como a humanidade e conter uma certa carga policial, é uma charada futurista que nos obriga a pensar em conjunto com o protagonista, e todo o ambiente de suspense e ambiente noir é um dos pontos mais positivos do conjunto. Toda a realização é muito bem executada, a linguagem visual é apelativa e segui a linha narrativa com agrado. No entanto, apesar de a crítica generalizada sobre o filme ser bastante positiva, não foi um filme que me agradou muito.

“Toda a realização é muito bem executada, a linguagem visual é apelativa e segui a linha narrativa com agrado.”

Extremamente lento para a longevidade do filme, quase três horas de exibição, Blade Runner 2049 focou-se nos ângulos da expressão facial de Ryan Gosling em grande parte do filme. Tudo bem que essa lentidão é uma das marcas da franquia e até mesmo da obra que lhe serviu de base (Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas de Phillip K. Dick), mas o que podia ter sido um filme woow! com sequências de ação bem conseguidas, e vale realçar que a performance da actriz Sylvia Hoeks, a antagonista, foi uma das mais-valias do filme, não passou de um filme insípido, onde nem sequer as emoções dos personagens foram bem transmitidas para o espetador, com a exceção da personagem Joi, obrigada a lidar com a infelicidade de não ser uma pessoa real. Ana de Armas foi das atrizes que mais conseguiu falar com o público, mais do que Harrison Ford, por exemplo.

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Fonte: https://www.agambiarra.com/blade-runner-2049-trailer-final/

E, por falar em Harrison Ford, foi uma das grandes desilusões do filme. Ao fazerem regressar o mítico Rick Deckard, esperava-se que ele fosse um dos personagens mais participativos do filme. Puro engano. Para além de entrar em pouco mais do que na última meia hora do longa-metragem, pareceu completamente alienado, como se não pertencesse àquele mundo ou não soubesse simplesmente o que fazer ou dizer. A luta no Casino foi um tanto ou quanto patética, e não acrescentou nada à trama – para além de minutos, claro está. A participação de Harrison Ford valeu pela frase “os olhos dela eram verdes” e posso até garantir que os seios generosos das IA’s tiveram mais tempo de antena do que ele.

“Extremamente lento para a longevidade do filme, quase três horas de exibição, Blade Runner 2049 focou-se nos ângulos da expressão facial de Ryan Gosling em grande parte do filme.”

Também Jared Leto e Lennie James tiveram participações pequeníssimas. Se o Morgan de The Walking Dead foi para mim uma aparição surpresa e que surgiu numa das fases mais empolgantes e bem executadas do filme, esperava muito mais (participações) do personagem de Jared Leto, que parece cotado para fazer apontamentos pequeníssimos nos filmes onde o seu nome é mais alardeado (estou a falar do Joker, sim!). Ainda assim, o personagem Wallace foi delicioso nas suas aparições.

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Fonte: http://theindependent.uk/

No geral, achei que se o filme tivesse hora e meia, duas horas, com os mesmos acontecimentos, me teria agradado muito mais. Demasiado focado no personagem de Ryan Gosling e com muito tempo gasto a mostrá-lo a pensar, Blade Runner 2049 manteve a toada da obra original, mas ganharia em adicionar mais ação e até um pouco de humor, mais ao estilo brilhantemente executado na série The Expanse. A linha narrativa, no entanto, agradou-me, assim como a revelação final que deixou claro que teremos um terceiro filme, talvez em breve.

“A participação de Harrison Ford valeu pela frase “os olhos dela eram verdes” e posso até garantir que os seios generosos das IA’s tiveram mais tempo de antena do que ele.”

Fica, no entanto, a prova de que Denis Villeneuve é um diretor talentoso e ainda que a minha opinião a Blade Runner 2049 não seja tão positiva assim, fica provado que a nova adaptação de Duna ficará bem entregue nas mãos do realizador canadiano. É um filme que vale a pena ver, para quem esteja disposto a mastigar uma história interessante e um tanto ou quanto simples, que vale pelo ambiente. E uma banda sonora com Hans Zimmer, o que é sempre um ponto a favor.

Avaliação: 5/10

Fala-se de: Game of Thrones T7

A tão aclamada sétima temporada de Game of Thrones chegou ao fim, e poucos são os que não viram os sete episódios exibidos em 2017. Emilia Clarke, Kit Harington, Lena Headey e companhia foram os rostos de uma das temporadas mais aguardadas, com uma sequência de reencontros e de confluências que a maioria dos fãs aguardava desde a primeira temporada. Nem mesmo a diminuição de episódios ou de elenco veio roubar público ao programa, que registou as melhores audiências desde o início da mesma.

David Benioff e D. B. Weiss continuam como showrunners e produtores executivos, ficando seguramente na História do pequeno ecrã pelo trabalho na série da HBO. É responsabilidade deles parte do sucesso de Game of Thrones e muito da conclusão narrativa que testemunhamos semana após semana em direção ao grande final. Contudo, há que realçar que limitam-se a trabalhar sobre a obra de um mestre literário chamado George R. R. Martin, e as escolhas que têm deliberado não são imunes à crítica. Defenda-se ou não o trabalho da dupla, é inegável que o seu cunho pessoal afastou a série do rumo que a levou ao sucesso.

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Fonte: http://wallpaperswide.com

A falta de material canónico para trabalhar (a ação dos livros já publicados compreende apenas as 5 primeiras temporadas) levou a produção a desenvencilhar-se sozinha dos vários nós cegos que a trama de Martin havia criado. A 6.ª temporada veio fazê-lo com distinção, posicionando cada personagem no local adequado para o desenvolvimento natural do enredo. A morte de Stannis Baratheon e a ridícula adaptação do núcleo de Dorne, assim como a exclusão de personagens icónicos da série literária como Victarion Greyjoy ou Arianne Martell, foram poucas das minhas críticas em relação à temporada passada.

“Provocar reencontros, eliminar alguns inimigos, fechar alguns núcleos e juntar outros é imprescindível para dar um fim à história.”

A promessa da conquista de Westeros por Daenerys Targaryen, porém, veio semear a minha curiosidade nesta temporada. Se já achava a adaptação de D&D uma fanfic (bem feita, porém), ficou notório neste novo ano que a dupla empenhou-se em agradar aos fãs. De que maneira? Dando-lhes o que desejavam, ainda que tenha sido contrariá-los, matando os personagens favoritos, agredindo outros, violando, explorando e fomentando guerras em cima de guerras, o que deu fama e sucesso a Game of Thrones. Um paradigma interessante, não?

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Fonte: http://mywebhunger.com/game-of-thrones-wallpaper-winter-is-coming-wallpaper.html

De uma certa perspetiva, compreendo as opções narrativas levadas a cabo. Tragédias em cima de tragédias só criam mais enredos e é muito por causa disso que George R. R. Martin não consegue desenrolar o novelo que criou nem caminhar para o fim da sua saga (há quantos anos mesmo esperamos pelo livro?). Provocar reencontros, eliminar alguns inimigos, fechar alguns núcleos e juntar outros é imprescindível para dar um fim à história. E proporcionar já muitos desses encontros e reencontros nesta penúltima temporada é mais positivo do que deixar tudo para o fim.

CUIDADO! A PARTIR DAQUI PODES ENCONTRAR ALGUNS SPOILERS.

Ainda assim, fica a ideia de que D&D transformaram Game of Thrones numa novela brasileira de finais tradicionais. Quase consigo imaginar o discurso debitado de Jon Snow perante a Cersei dobrado em pt-br, quando lhe garantiu que não podia ajoelhar-se perante ela porque havia já ajoelhado a outra rainha. A pelinhos prateados Daenerys Targaryen, a Non-Queimada, a Québrádôra di Correntjis. Temos os dois protagonistas a formar um casal fofinho, Cersei Lannister a ganhar contornos de “madrasta má” e os restantes personagens todos eles a fugirem aos tons cinzentos que admirava na série. Pouco me surpreenderia de ver Samwell Tarly a tornar-se Alto Septão para casar os dois.

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Fonte: http://www.rtl.fr/culture/cine-series-jeux-video/videos-game-of-thrones-saison-7-jon-snow-daenerys-le-casting-en-costumes-7788052564

A morte de Mindinho foi um dos momentos mais altos da temporada. Todos os seus podres foram postos a descoberto, e não consegui deixar de sentir um sobressalto quando o punhal com que tentara matar Bran, um dia, lhe riscou a garganta pelas mãos de uma Arya Stark cada vez mais perto do dark side (muito embora a sua expressão serena digna dos melhores memes continue igual a si mesma). No entanto, gostaria que o final de Mindinho ocorresse à vista de mais personagens importantes, mais grandiosa por assim dizer.

Tyrion Lannister foi uma das desilusões da temporada. Peter Dinklage continua a ser uma das grandes atrações da trama, mas onde estão as suas saídas inesperadas e sarcasmo refinado? Toda a temporada vimo-lo como um clarão de bom-senso para com as atitudes governativas de Daenerys, mas faltou ali algo. E, esteja ou não a ser justo, o que me vem à mente é que faltam diálogos escritos por Martin para adaptar. Os diálogos, na verdade, foram o grande destaque negativo desta temporada. As frases de efeito foram escassas.

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Fonte: https://winteriscoming.net/2017/07/10/rory-mccann-the-hound-snowy-violent-season-7-game-of-thrones/

A falta de lógica temporal registada no episódio 6 quando Daenerys chegou ao norte em tempo recorde não me merece grande destaque, até porque ver Cão de Caça a montar um dragão, o passado de Jorah Mormont a ser explorado e um dragão a ser morto e transformado por um White Walker compensaram os aspetos negativos. Neste último episódio, porém, senti a falta de uma batalha épica estilo “Hardhome” que precedesse a queda da Muralha. Acompanhámos aquela Muralha durante tantas temporadas, e nem um último vislumbre àqueles cenários onde “pertencemos” tivemos direito. Se Tormund morreu ali, merecia ao menos uma última frase épica.

“Os diálogos, na verdade, foram o grande destaque negativo desta temporada. As frases de efeito foram escassas.”

A revelação sobre a paternidade de Jon Snow foi outra desilusão. Na temporada anterior, já tinhamos ficado esclarecidos que ele era filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark. A invenção do “divórcio” entre Rhaegar e Elia Martell para legitimar Jon como Aegon Targaryen vem apenas pôr mais achas na fogueira e indignar o fandom dos livros. Quanto ao próprio Jon Snow, continuou sem saber de nada, como sempre. Apesar de acabar na cama com a rainha dos dragões, o que já é qualquer coisa.

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Fonte: https://www.theverge.com/2017/8/20/16176916/game-of-thrones-lore-night-king-white-walkers-history-explainer

Não fico, porém, com má memória da temporada, no seu todo. A evolução de Sansa Stark, o reencontro entre os irmãos, os jogos estratégicos de Daenerys e Cersei Lannister e os debates internos de Jaime foram marcas de qualidade da série. O ataque naval de Euron Greyjoy à frota de Yara, a morte épica de Olenna Tyrell, a batalha do contingente Lannister contra o dragão de Daenerys e a cavalaria dothraki assim como o avanço do wight capturado em direção à Cersei no Fosso dos Dragões foram, para mim, alguns dos melhores momentos. Segundo consta, em novembro de 2018 há mais.

Avaliação: 7/10

Fala-se de: Baywatch

Verão é sinónimo de praias e corpos despidos, como tal Baywatch é um dos filmes que gerou maiores expectativas para esta estação. Pelas mãos da Paramount Pictures, a adaptação para o cinema de uma das séries de maior sucesso da TV mundial tem direção de Seth Gordon, responsável por filmes como Identify Thief e Pixels, e argumento de Damian Shannon e Mark Swift. Não sei se o filme consegue recuperar a mística da série televisiva, mas é, na minha opinião, delicioso. Baywatch é uma adaptação que, parecendo quase uma mistura de Velocidade Furiosa e American Pie, consegue reverter a imagem da série televisiva e até satirizá-la.

Baywatch narra o trabalho de uma equipa de nadadores-salvadores e a forma como eles se conectam e relacionam, ao mesmo tempo que tentam salvar a praia e os veraneantes dos inúmeros perigos que ali se podem encontrar, de afogamentos e animais marítimos a larápios e cartéis de droga. Uma das marcas da série televisiva que popularizou o produto entre os finais dos anos 80 e o início do atual milénio foi a progressão de imagens em slow-motion, quando os nadadores, homens e mulheres, corriam na areia para proceder aos salvamentos. O filme, na minha opinião, é mais hilariante que a série, recorrendo ao absurdo e ao ridículo para gozar com o próprio produto. Surpreendentemente, de forma bem sucedida.

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Fonte: youtube.com

Utilizando uma receita de grande sucesso, o mesclar de uma narrativa de ação com uma sequência de momentos de humor de ponta a ponta, Baywatch conquista essencialmente pela boa disposição e espírito leve, que se vai tornando mais emocional à medida que a narração apela aos sentimentos e aos laços que se vão formando entre os personagens. A sequência de acontecimentos é bastante previsível e o final é o esperado, desde os primeiros momentos da trama.

“Baywatch conquista essencialmente pela boa disposição e espírito leve, que se vai tornando mais emocional à medida que a narração apela aos sentimentos e aos laços que se vão formando entre os personagens.”

Um dos principais motivos para que o filme me tenha agradado foi, claramente, a prestação de The Rock. Dono de um carisma enorme, Dwayne Johnson carrega a trama às costas. Ainda que ele interprete o mítico Mitch Buchannon, papel desempenhado por David Hasselhoff por mais de uma década, é difícil observá-lo sem o colar a outros personagens de sucesso do ator. Ainda assim, a ligação entre o personagem de Johnson e o de Zac Efron acabou por ser uma das que revelou maior evolução ao longo da narrativa. Jon Bass foi outro dos atores que mais se evidenciou, como o hilariante Ronnie. Alexandra Daddario e Kelly Rohrback herdaram papéis femininos de vulto na série televisiva sem grande desafio, enquanto Priyanka Chopra não me convenceu como grande vilã.

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Fonte: slate.com

Se algumas atuações não me encheram as medidas, podemo-nos perguntar se um enredo hilariante e a participação de grandes nomes do cinema são suficientes para fazer deste filme um sucesso. Não sei responder a isso. Posso dizer que, não sendo um filme brilhante, entreteu-me imenso e fez-me rir em grande parte do mesmo. Gostei sobretudo das relações entre os personagens, das inúmeras referências a outros produtos e do registo despretensioso. Não é um filme de guardar no coração, mas é um ótimo entretenimento de domingo.

Cuidado com os spoilers! Não faço grandes revelações, mas o plot principal está aqui.

O filme começa quando a equipa liderada por Mitch Buchannon começa a recrutar estagiários. Os candidatos são muitos, mas só estão abertas três vagas. Uma delas está previamente destinada a Matt Brody, antigo atleta olímpico que havia ganho duas medalhas de ouro antes de estragar a carreira quando, na véspera de uma prova, se entregou ao álcool, o que o fez vomitar dentro da piscina. Numa tentativa de o “reabilitar”, cordelinhos são mexidos para o incluir na equipa de Mitch, o que vai contra a ética do tenente.

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Fonte: screenrant.com

Desde logo, a relação entre Mitch e Matt é difícil, vindo a passar por várias etapas ao longo da trama. Para além de Matt, também Summer e Ronnie passam nas provas e são adicionados à equipa, como estagiários. Enquanto Summer é uma jovem dedicada que desperta a atenção de Matt, Ronnie é um rapaz gordinho e atrapalhado que, completamente arrebatado pela bela nadadora C.J., não consegue falar na sua presença, acabando frequentemente envolvido em situações embaraçosas e hilariantes.

“Posso dizer que, não sendo um filme brilhante, entreteu-me imenso e fez-me rir em grande parte do mesmo. Gostei sobretudo das relações entre os personagens, das inúmeras referências a outros produtos e do registo despretensioso.”

A praia parece mais movimentada do que nunca e Mitch não se sente nada confortável com os invólucros de droga que são encontrados junto ao mar. A bela Victoria Leeds, a nova proprietária do clube noturno, parece estar ligada ao incêndio num barco e à aparição de corpos dados à costa, uma situação inusitada numa praia considerada tão segura. Mitch esforça-se por fazer justiça e resolver os vários problemas pendentes, quando nem os seus superiores nem a polícia parecem fazer nada quanto a eles e criam obstáculos à sua ação.

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Fonte: br.pinterest.com/pin

Seguindo a nova tradição de sucesso, o filme conta com cenas pós-créditos. Para além de alguns bloopers, há ainda uma cena protagonizada por The Rock e David Hasselhoff que deixa a sugestão de uma sequência. De resto, tanto as participações de Hasselhoff como a de Pamela Anderson, sem qualquer interferência na trama, vieram reforçar a intenção de um filme que, longe de maravilhar, consegue revelar-se um ótimo entretenimento.

Avaliação: 7/10

Fala-se de: Prison Break T5

É o ressuscitar de uma série que parecia morta e enterrada, desde que o final da quarta temporada, em 2009, desvendou a morte do personagem principal. Mas Michael Scofield não morreu e regressou oito anos depois, para mais uma série plena de perseguições, cartas na manga e planos de fuga. Para mim, a temporada pecou por curta e alguns episódios mostraram o protagonista muito mais reativo e sobrevivente do que previdente. Os últimos episódios, porém, trouxeram o antigo Scofield mais badass do que nunca, com uma série de planos secretos e subterfúgios de contingência.

Ao seu lado, Lincoln Burrows, Sara Tancredi, T-Bag, C-Note e Sucre voltaram a mostrar a cara numa cabala misteriosa que envolveu a CIA e o Daesh. Produzido pela 20th Century Fox Television, a season 5 de Prison Break não supera as anteriores, mas faz o espectador matar saudades dos seus personagens preferidos, assistir a umas quantas sequências de ação de tirar o fôlego e ver o triste final da quarta temporada devidamente vingado. Posso afirmar que nove episódios não chegaram para reacender a chama, mas foram nove episódios frenéticos que deixaram o público a “chorar” por mais.

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Poster promocional (Fonte: theedgesusu.co.uk)

Pessoalmente, senti a falta de um vilão poderoso ou, pelo menos, carismático. O personagem escolhido para enfrentar os irmãos-eternamente-em-fuga revelou-se sonsinho do princípio ao fim, e sem sal é uma das características com que o podemos qualificar. Na verdade, acho difícil sentir pavor ou preocupação real para com o proclamado Poseidon, se bem que o ator soube passar para o público um olhar arrepiante de psicopata em vários momentos da série. Um pouco à imagem do Don Self da quarta temporada, mas nada comparado a figuras como Krantz, Gretchen, Lechero ou Mahone.

“Na verdade, acho difícil sentir pavor ou preocupação real para com o proclamado Poseidon, se bem que o ator soube passar para o público um olhar arrepiante de psicopata em vários momentos da série.”

A adição de Paul Kellerman, personagem importante do início da série, desapontou-me. Fora um dos meus personagens preferidos, pelo que as minhas expectativas para o seu retorno estavam lá em cima. O seu personagem revelou-se nesta sequência pobre, sem real importância e de pouca duração. T-Bag também pareceu andar um pouco à deriva durante a maior parte da temporada, com ligação direta aos principais acontecimentos mas sem uma participação ativa nos mesmos. Paralelamente a isso, o personagem de Robert Knepper revelou-se demasiado bonzinho para o que nos habituou em temporadas anteriores.

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Michael Scofield (Fonte: elsieisy.com)

Os grandes elogios vão para a dupla Wentworth Miller e Dominic Purcell. A química entre os dois “irmãos” continua imbatível e tanto as cenas de ação como os diálogos entre ambos são marcas inconfundíveis da série. Sarah Wayne Callies foi sempre o vértice da ligação. A atriz regressou ao papel que a tornou célebre, mas confesso que o encanto que senti por ela em Tarzan e Prison Break se quebrou com a sua participação pouco convincente em The Walking Dead. Amaury Nolasco e Rockmond Dunbar fizeram a sua parte e Inbar Lavi foi um excelente reforço, como a prestável Sheba.

ATENÇÃO: HÁ AQUI ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE O ENREDO, MAS NADA DE GRANDES REVELAÇÕES!

A temporada começa com as pistas deixadas a T-Bag, recém libertado da prisão, sobre a possibilidade de Michael Scofield estar vivo. Desde logo ele contacta com Lincoln, que se mostra inconformado com essa remota possibilidade. As pistas, porém, apontam diretamente para ele. Sara encontrou em Jacob um pai perfeito para o filho que concebeu de Michael, ainda que a ideia de que o seu amor esteja vivo seja tão aliciante como perigosa. Movendo os seus contactos, Lincoln consegue perceber que o irmão está mesmo vivo. Ou, pelo menos, alguém com o seu rosto.

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Lincoln e Sara (Fonte: ew.com)

Kaniel Outis é um terrorista famoso, cativo em Ogygia, uma prisão de alta-segurança no Iémen, e diz-se que foi o responsável pelo assassinato de um membro da CIA. Recorrendo a velhos e a novos amigos, como C-Note, Sucre e Sheba, Lincoln chega à prisão de Ogygia e vê o irmão com os seus próprios olhos. Mas as poucas palavras de Michael deixam claro que ele não quer ser reconhecido como seu irmão. As tatuagens que ele revela no corpo, principalmente os dois olhos nas palmas das mãos, desvendam o contrário.

A partir daí, Lincoln faz de tudo para tentar recuperá-lo, enquanto Michael move-se no interior da prisão para planear uma rota de fuga e escapar a um grande motim. Ambos envolvem-se no meio de um conflito armado que explode com a fuga de um importante terrorista, Abu Ramal, e com várias perseguições em território do Daesh. Entre os companheiros de fuga de Michael encontra-se Dave “Whip” Martin, que se revela um personagem mais importante para a trama do que inicialmente sugere. Nos E.U.A, a T-Bag é oferecida uma mão artificial, operação financiada por Outis, para que este siga as pistas que ele lhe deixou.

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Fugitivos no Iémen (Fonte: denofgeek.com)

Dos confrontos bélicos no Médio Oriente, com Cyclops no seu encalço, à perseguição armada de A&W e Van Gogh, dois membros de um apêndice da CIA chamado 21-Void nos E.U.A., os irmãos Michael e Lincoln têm ainda que lidar com os afectos e pôr à prova o instinto de sobrevivência e perspicácia. Michael pretende recuperar a família e Poseidon não o poderá parar. Uma temporada quase excelente que deixa claro que o tempo passa quando os filhos de Michael, T-Bag e John Abruzzi ganham destaque na trama.

Eu gostei bastante, e vocês?

Avaliação: 8/10