Fala-se de: The Terror T1

The Terror é uma série de televisão antológica da AMC que estreou a 26 de março de 2018, baseada no romance homónimo de Dan Simmons. A série destaca-se desde logo pelos nomes sonantes que deram asas ao projeto, como o do britânico Ridley Scott (Alien, Blade Runner, Gladiator). The Terror surpreende o público com um roteiro magistral, direção bem executada e estética verosímil, reproduzindo um ensaio crível sobre a natureza humana e a sua capacidade de sobreviver nas condições mais limitadas.

A série é inspirada em factos reais, uma expedição marítima inglesa levada a cabo em meados do século XIX. Com o objetivo de encontrar uma passagem para a China pelo Ártico, dois navios são enviados das terras de Sua Majestade com provisões para três anos de viagem. Os navios chamados Terror e Erebus desapareceram no gelo, para serem encontrados apenas no início do século XXI. É a partir deste acidente que Dan Simmons criou a sua interpretação dos factos e adicionou-lhe uma boa dose de fantasia, inspirada nas lendas inuit.

Resultado de imagem para the terror amc
Fonte: https://www.bleedingcool.com/2018/03/29/lets-talk-amc-terror/

Com um elenco de luxo, encabeçado por Jared Harris (o incrível Moriarty de Sherlock Holmes: Jogo de Sombras), Adam Nagaitis (Houdini & Doyle), Paul Ready (Utopia, Home Front) e os quase inseparáveis Tobias Menzies e Ciarán Hinds (Game of Thrones, Rome), The Terror apresenta uma luta pela sobrevivência nas condições mais hostis, onde o sobrenatural e o visceral se fundem para nos apresentar Tuunbaq, uma criatura medonha que acaba por não ser tão horrível quanto se tornam os próprios tripulantes dos navios.

“Destaque para Francis Crozier e pelo maravilhoso ser humano que a personagem se revelou, uma homenagem digna a uma personalidade pouco reconhecida pela História.”

A atmosfera densa e asfixiante de The Terror é um dos seus maiores atrativos, bem como o trabalho de casa realizado pela equipa de produção da série. A pesquisa realizada reproduz o cenário imaginado por Simmons ao detalhe, com toda a panóplia de adereços e instrumentos utilizados na primeira metade do século XIX. A exatidão com que doenças e pormenores da natureza humana são retratados é de grande relevância para a análise à série.

Resultado de imagem para the terror amc
Fonte: https://hiddenremote.com/2018/05/29/terror-suspenseful-season/

The Terror apresenta imagens fortes sem perder a boa iluminação. Ele convida-nos a interpretar factos e imagens sem perder grande tempo com explicações, obrigando-nos a chegar a conclusões por nós próprios. É uma série imersiva, que nos leva a sentir os medos e as alegrias daqueles homens e a esperar o pior dos males que vêm do gelo. Mas Tuunbaq, por muito misterioso e horrível que seja, não é o verdadeiro terror desta série.

Aliás, as imagens mais chocantes são as que nos são transmitidas através das autópsias, dos pedaços de corpos decepados, das vísceras à mostra, dos membros a gangrenar e a inchar. Por muito que um urso gigante com um rosto anómalo (quase humanóide) possa amedrontar as criancinhas, tenho para mim que o verdadeiro horror desta série passa pelo impacto e frivolidade com que ela nos brinda com entranhas humanas a cada episódio. Sempre bem iluminadas.

Resultado de imagem para the terror amc
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=rnN7Aad3c7A

Não tenho um episódio preferido nem uma fase que julgue melhor ou pior. Achei o primeiro episódio um pouco morno, e o penúltimo com pouca ação, mas toda a narrativa foi bem estruturada e interessante. O facto de, numa fase inicial, parecer um pouco difícil a percepção de quem seria o protagonista ou os protagonistas da série foi uma mais valia, afinal a maior parte das personagens acabou por surpreender, à sua maneira. Destaque para Francis Crozier e pelo maravilhoso ser humano que a personagem se revelou, uma homenagem digna a uma personalidade pouco reconhecida pela História.

Adorei o último episódio. Ainda não li o livro, mas este final não foi igual a algumas informações com que fui spoilado. Apenas não consegui perceber muito bem o propósito da última cena da série, mas creio que seja aberta a interpretações. A luz que permeia os episódios contrasta com os tons escuros a que estamos habituados numa série de terror, mas ao fazê-lo atinge-nos com impacto ao mostrar de forma clara as cenas mais horripilantes. No final, fica a ideia que o maior monstro é a natureza humana quando se encontra no seu estado mais selvagem.

Avaliação: 9/10

Anúncios

Fala-se de: Guerra do Infinito, Vingadores #3

Após 10 anos de produção contínua, o Universo Marvel domina o mercado cinematográfico e a prova é o sucesso estrondoso que títulos como Guardiões da Galáxia, Pantera Negra ou Doutor Estranho têm conhecido um pouco por todo o mundo. Guerra do Infinito é o culminar deste trabalho incrível, numa produção Marvel Studios com distribuição pela Walt Disney Studios Motion Pictures, direção de Anthony e Joe Russo e argumento de Christopher Markus e Stephen McFeely.

Ao longo dos anos, a Marvel foi aprendendo com os erros e percebendo aquilo que mais prendia o espectador às telas do grande ecrã: ritmo elevado e humor “fora da caixa”. A Guerra do Infinito traz exatamente isso, um fanservice incrível, ao unir a grande maioria dos super-heróis com um objetivo comum, para além de coabitar atores de primeira água de Hollywood com outros que despontam de séries de grande sucesso, como é o caso de Peter Dinklage (Game of Thrones), Danai Gurira e Ross Marquand (The Walking Dead).

Resultado de imagem para infinity war poster
Fonte: http://www.empirecinemas.co.uk/synopsis/avengers_infinity_war/f6000

Pessoalmente, já fui mais aficcionado pelo Universo Marvel quando lia as BDs dos X-Men com maior regularidade, e acabaram por ser títulos mais recentes, como Deadpool ou os Guardiões da Galáxia, que me trouxeram de novo para o mundo dos super-heróis. Expectativas à parte, foi como o fanboy que vai ver as suas personagens preferidas finalmente juntas que me sentei na sala de cinema e as expectativas não foram defraudadas. Continua a ler apenas se não te importares com spoilers menores sobre o plot.

É incrível ver como o Universo Marvel se expandiu nas telas. O lucro é tanto que dá para continuar a pagar a Vin Diesel para passar um filme inteiro a dizer “I am Groot” ou custear actores incríveis como Tom Hiddleston, Idris Elba, Benicio del Toro ou Gwyneth Paltrow para uma única cena. A Guerra do Infinito traz uma estratégia incrivelmente bem delineada ao roubar ao espectador o pão da boca com cliffhangers e reviravoltas que só um hater mais inflado pode garantir já estar à espera.

Resultado de imagem para infinity war
Fonte: https://espalhafactos.com/2017/12/04/avengers-infinity-war-bate-recorde/

Thanos carrega o filme às costas. O vilão de Josh Brolin é extremamente convincente, e mesmo que compreendamos os seus motivos (bem, ele quer usar as Joias do Infinito para destruir metade da Humanidade só para eliminar a pobreza, o que é no mínimo caricato; com esse poder, ele podia simplesmente distribuir riqueza pelo mundo) é difícil deixar de o odiar. É uma personagem odiável, e a sensação com que ficamos é “quando é que alguém o mata?”

“É incrível como conseguiram dar tempo de antena a tantos e tantos personagens sem perder o fio à meada.”

Os Guardiões da Galáxia são, como seria de esperar, o alívio cómico do filme. Thor (Chris Hemsworth) cai de “pára-quedas” na nave deles e a sua interação com o grupo é tudo o que podemos esperar de melhor. Os ciúmes de Star-Lord (Chris Pratt) e a parceria entre o deus nórdico e Rocket Racoon (Bradley Cooper) é excelente, enquanto Mantis (Pom Klementieff), Drax (Dave Bautista) e o adolescente, um tanto ou quanto irritante, Groot (Vin Diesel) deliciaram-me com os seus comportamentos hilariantes.

Resultado de imagem para infinity war
Fonte: https://www.vice.com/en_us/article/9kg7pa/everything-you-should-know-before-seeing-infinity-war

Mas é Nebula (Karen Gillan) quem mostra maior potencial futuro. Era difícil que ela e Gamora (Zoe Saldana) não tivessem destaque num filme protagonizado por Thanos, o “progenitor”, e embora a Guardiã da Galáxia tenha tido o maior destaque, tudo leva a crer que Nebula venha a ter um papel fundamental na sequência do filme. É incrível como conseguiram dar tempo de antena a tantos e tantos personagens sem perder o fio à meada.

O Homem de Ferro (Robert Downey Jr), o Homem Aranha (Tom Holland) e o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) foram, na minha opinião, as figuras maiores do filme. Depois de Hulk (Mark Ruffalo) ter chegado à Terra, derrotado e com novidades trágicas sobre as façanhas de Thanos, ele contacta o Doutor Estranho para tentar proteger a Jóia do Tempo. Logo depois o Homem de Ferro junta-se ao grupo e, por “acaso”, o Homem Aranha junta-se a eles. A dinâmica do Homem de Ferro com os dois heróis foi diferente, mas funcionou muito bem com ambos.

Resultado de imagem para infinity war
Fonte: https://movieweb.com/infinity-war-tv-spot-pre-sale-tickets-announcement/

Visão (Paul Bettany) e a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) ficaram com o lado romântico do filme e não é de surpreender que sejam deles as cenas mais intensas e dramáticas. Gostei imenso da sua interação, da Humanidade em causa e da abordagem que foi feita em relação à Jóia da Mente.

“Em maio de 2019 há mais, mas a espera vai ser looooonga.

O Capitão América (Chris Evans), a Viúva Negra (Scarlett Johansen), o Falcão (Anthony Mackie) e o Máquina de Combate (Don Cheadle) acabaram por ter um papel importante neste núcleo, apesar de me parecerem ter tido pouquíssimo tempo de antena em relação aos outros super-heróis.

Imagem relacionada
Fonte: https://movieweb.com/avengers-infinity-war-trailer/

Ainda assim, protagonizaram a melhor sequência do filme, em Wakanda, quando o Pantera Negra (Chadwick Boseman) alberga Visão e prepara as tropas para resistir a Thanos. Bucky Barnes (Sebastian Stan), o velho amigo do Capitão América que se encontrava em Wakanda, junta-se à luta. Mas não é o único.

O final inclui uma cena pós-créditos com Samuel L. Jackson que lança o mote ao próximo filme e à aparição da Capitã Marvel (Brie Larsson), mas muitas foram as perguntas que ficaram por responder e a sensação final do filme é absolutamente asfixiante. Frustração pura, que não me rouba a certeza clara que este foi o melhor filme da Marvel já feito até agora. Em maio de 2019 há mais, mas a espera vai ser looooonga.

Avaliação: 8/10

Fala-se de: The Walking Dead T8

Mais um ano, mais uma temporada de The Walking Dead. Scott Gimple continuou ao volante da série, ao lado dos produtores executivos Robert Kirkman, Gale Anne Hurd, David Alpert, Greg Nicotero e Tom Luse. Com um total de 16 episódios, a oitava temporada da mais famosa série de mortos-vivos voltou a adaptar os acontecimentos da Guerra Total, o icónico conflito que culminou com um dos arcos mais populares da banda-desenhada homónima.

Continuo a assistir à série como o fanboy das primeiras temporadas, muito embora se tenha tornado evidente que a série perdeu qualidade, só ganhando para os eventos das segundas metades da 4.ª e 7.ª temporada. Melissa McBride, Jeffrey Dean Morgan e Andrew Lincoln continuaram a ser os maiores destaques, com Lauren Cohan a provar que a sua Maggie tem tudo para reclamar o protagonismo da série, assim a produção lhe renove o contrato.

Resultado de imagem para the walking dead season 8
Fonte: http://www.denofgeek.com/us/tv/the-walking-dead/259282/the-walking-dead-season-8-episode-16-trailer-season-finale-details

O grande problema das últimas duas temporadas foi quererem fazer “render o peixe”, alargando o arco da Guerra Total que, seguindo a ordem natural da série, duraria apenas uma temporada, criando barrigas desnecessárias, ainda mais forçadas do que algumas já haviam gerado em temporadas anteriores. Ainda assim, a season finale cumpriu com as expectativas dos leitores de BD, ainda que possa ter “escandalizado” alguns dos que apenas vêem a série.

“Veremos o que os próximos capítulos nos trazem.

Várias personagens foram bem exploradas, como o pequeno Henry (Macsen Lintz), Jadis (Pollyanna McIntosh), Gregory (Xander Berkeley) ou Simon (Steven Ogg), enquanto outros mereciam ter sido usados de outra forma, como Jesus (Tom Payne), Gabriel (Seth Gilliam) e Ezekiel (Khary Payton). Ainda assim, fica a sensação de que os melhores momentos da temporada coincidiram com as mortes mais impactantes, para além, é claro, do último episódio.

Resultado de imagem para the walking dead season 8
Fonte: http://whatculture.com/tv/the-walking-dead-season-8-6-reasons-to-be-excited-3-to-be-worried
!! ALERTA SPOILER !!

Foram mesmo as mortes do tigre Shiva, de Carl (Chandler Riggs), de Tobin (Jason Douglas) e de Simon (Steven Ogg) os momentos de maior destaque da oitava temporada, ainda que tenha mais uma vez sido a atuação de Jeffrey Dean Morgan como o vilão Negan a salvar a série. Rick, Michonne e companhia foram obrigados a usar estratégias militares e a agir com sangue-frio, mas acabou por ser a sua própria humanidade, realçada com a morte de Carl, a salvá-los…

… ou, pelo menos, a distingui-los daqueles com quem combatiam. Quem não parece concordar com esta asserção é Maggie, que não ficou muito satisfeita com a misericórdia de Rick Grimes. A líder de Hilltop mostrou-se uma líder fria com punho de ferro, bem ladeada por personagens como Enid (Katelyn Nacon) e Daryl (Norman Reedus). Já Dwight (Austin Amelio) e Eugene (Josh McDermitt) tiveram finalmente a oportunidade de se redimirem das atitudes cobardes do passado.

Quem vê aqui um fim – na minha opinião pouco convincente – é Morgan Jones (Lennie James), que continuou a ser uma personagem extremamente maçante, bem aquém do potencial do actor. Daqui por diante, a mesma personagem pode ser acompanhada na série Fear The Walking Dead, embora não me sinta nada inclinado em fazê-lo. E se ele não aparecer na próxima temporada, não me parece que a série tenha algo a perder.

Resultado de imagem para the walking dead season 8
Fonte: https://screenrant.com/walking-dead-death-this-week/

O que sabemos é que, se continuarem a seguir as BDs como até aqui, The Walking Dead sofrerá agora um salto temporal de dois anos, para mostrar uma evolução das comunidades para uma civilização medieval, com patrulhas de limpezas de estradas a cavalo e um avanço tecnológico visível, em boa parte graças às criações de Eugene Porter. Negan continuará aprisionado e Dwight assumirá o comando dos Salvadores, em franca entreajuda com os subordinados de Rick.

E ainda que esta temporada tenha estado longe de me satisfazer na sua plenitude, a curiosidade sobre como irão adaptar todos os próximos acontecimentos e o surgimento dos Sussurradores trazem-me todo o hype que me ligou à série em determinado momento. Felizmente, a BD continua a melhorar, o que oferece todas as oportunidades para que a adaptação também venha a ganhar qualidade. Veremos o que os próximos capítulos nos trazem.

Avaliação: 6/10

Fala-se de: Dragon Ball Super #1

Criado por Akira Toriyama e produzida pela Toei Animation, Dragon Ball Super começou a ser exibida a 5 de julho de 2015 e teve o seu ultimo episódio exibido em 25 de março de 2018 com um total de 131 episódios. Mas será mesmo o fim desta série? Estamos aqui para ver, mas duvido. O anime antecede cronologicamente os acontecimentos de Dragon Ball GT, que parece ter sido completamente descartada do cânone, para seguir as aventuras de Goku, logo após os eventos de Dragon Ball Z, onde derrotou Majin Boo e trouxe uma vez mais a paz à Terra.

Com um início pouco convincente, Dragon Ball Super demorou a engrenar e pecou pelo excesso de episódios com pouco movimento, para além de que várias personagens perderam o foco e o destaque de outrora, como é o caso de Gohan, que teve direito a poucos momentos de luta durante o show. No entanto, a saga Trunks do Futuro veio dar um novo dinamismo à série, e daí em diante, o produto foi melhorando significativamente. Significa isto que os fãs querem que a franquia continue? Eu, pelo menos, digo que sim.

Resultado de imagem para dragon ball super
Fonte: http://www.nerdtrip.com.br/series/anime/dragon-ball-super-anunciado-o-fim-do-torneio-do-poder-e-hiato-do-anime/

Com várias alusões à série Z e imensos arcos de grande qualidade, o Dragon Ball Super conseguiu trazer aos velhos fãs novas aventuras e inimigos, sem esquecer o que ficou para trás. Ainda que o final tenha deixado claro que muito há ainda por explorar, uma vez que tanto Freeza como Jiren ainda poderão ser “pedras no sapato”, esta temporada não podia terminar da melhor maneira.

“Fiquemos à espera da próxima temporada, porque muito há ainda para ver.”

Como destaque mais positivo, realço a interação sempre competitiva, embora quase fraternal, entre Goku e Vegeta, que já vinha do Z e só se tornou mais acentuada, mas também o excelente aproveitamento que fizeram a personagens como C17, C18 e Freeza, assim como as novas personagens não desiludiram: de Jiren a Kale, passando por Hitto, Beers, Champa e Zeno, o painel Super ganhou cor e um aspeto talvez mais infantil, mas o conteúdo não desiludiu. [Aviso à navegação: Daqui em diante há alguns SPOILERS]

Uma vez que a ameaça foi extinta, Goku começa a reintegrar-se na sociedade e no dia-a-dia do mundo dos humanos, graças à persuasão da esposa, Chi-Chi. Assim sendo, Goku começa a trabalhar nas terras que lhes pertencem, arando-as com o seu trator. Já Mr. Satan goza os louros da vitória sobre Majin Boo, enquanto Goten e Trunks procuram desesperadamente um presente para o casal Videl e Gohan, casados de fresco. Personagens como Piccolo, Boo ou Bulma são recorrentes destes episódios iniciais, assim como Pilaf, que transita da primeira série Dragon Ball.

Resultado de imagem para dragon ball super
Fonte: http://collectibles.paniniportugal.com/editorial/dragon-ball-super.html

A primeira parte da série revisita os acontecimentos do filme Dragon Ball Z: Battle of Gods. Uma nova e terrível ameaça surge. Ele chama-se Bills e é o Deus da Destruição, considerado a mais perigosa divindade do Universo 7. Após despertar de um longo sono de vários anos, este deus em forma de um gato lilás está ansioso para encontrar e lutar com um lendário guerreiro, o único capaz de o derrotar, como vira numa visão que tivera em sonhos. Esse guerreiro seria conhecido como o Deus Super Saiyajin. Para o derrotar e proteger a Terra, Goku consegue chegar a esse nível de evolução. Perde o embate, mas consegue convencer Bills (com a ajuda dos doces de Bulma) a poupar o planeta.

O segundo arco retrata os acontecimentos do filme Dragon Ball Z: Resurrection ‘F’. Enquanto Goku e Vegeta partem com Bills e com o seu mestre e assistente, o anjo Whis, para treinar por um ano, dois soldados de Freeza que haviam sobrevivido ao seu último confronto chegam à Terra e usam as Super Esferas de Cristal para ressuscitar o antigo mestre. O novo Freeza reúne os seus exércitos e regressa para vingar a sua morte. Para isso, atinge uma nova transformação, ficando completamente dourado, mas ainda assim Goku consegue derrotá-lo, com o apoio dos seus velhos companheiros.

Resultado de imagem para dragon ball super
Fonte: https://jerimumgeek.oportaln10.com.br/futuro-de-dragon-ball-super-ainda-e-incerto-26319/

A série começa a trilhar o seu próprio caminho com a aparição de Champa, o Deus da Destruição do Universo 6, irmão gémeo e terrível inimigo de Bills, a quem lança o repto de medir forças num torneio entre os melhores lutadores de cada universo. O campeonato chega ao fim com a impressionante derrota de Hitto, um assassino do Universo 6. Nesse momento, Bills vence o torneio e Goku conhece Zeno, uma criatura pequena e fofinha que por acaso é só o rei de todos os universos.

“Goku tem, no entanto, um adversário temível a enfrentar.

Após o fim do torneio, surge o Trunks do Futuro com notícias de um novo e poderoso inimigo no seu tempo, que havia destruído quase todo o planeta. Trata-se do próprio Goku, mais conhecido como Goku Black. Depressa descobrem que Black é um kaio-shin do Universo 10 chamado Zamasu que, após assassinar o seu mentor, pediu ao dragão das Super Esferas para trocar de corpo com o de Goku de uma diferente linha temporal, assassinando-o em seguida. Depois, rumou ao futuro para fazer uma fusão com o seu próprio eu do futuro, usando as esferas do dragão para tornar-se imortal. Com o apoio de Goku e Vegeta, Trunks consegue vencer Zamasu e o Zeno do Futuro leva Goku e os seus companheiros para o seu tempo.

O arco seguinte começa quando Zeno e o Zeno do Futuro instauram uma nova competição chamada Torneio do Poder. O torneio apresenta equipas de lutadores de cada universo por sugestão do próprio Goku, mas a competição transforma-se numa batalha pela sobrevivência quando os dois reis declaram que os universos derrotados serão extintos, com excepção daqueles em que a taxa de mortalidade é mais elevada. Goku, Vegeta, Gohan, Piccolo, Kuririn, Mestre Kame, Tenshinhan, C18, C17 e o temporariamente ressuscitado Freeza completam a equipa do Universo 7.

Resultado de imagem para dragon ball super
Fonte: http://www.sociedadedohq.com.br/site/2018/02/23/dragon-ball-super-revelado-titulos-dos-ultimos-episodios/

O facto de ter sido Goku a dar a ideia de ter equipas dos vários universos torna-o, à vista dos membros das outras equipas, como o responsável pela ideia da destruição dos planetas, tornando a raiva para consigo mais palpável. Várias personagens têm o seu destaque, como os Sayajins do Universo 6, Kyabe, Kale e Caulifla, ou o próprio Hitto. Ao longo da competição, Goku alcança uma nova forma de deus conhecida como o Ultra Instinct, com a qual aumenta tanto a sua agilidade como o poder e permite-lhe uma rapidez de movimentos maior que a do seu próprio cérebro.

Goku tem, no entanto, um adversário temível a enfrentar. O invencível Jiren, membro da Tropa do Orgulho do Universo 11, mais poderoso do que o Deus da Destruição do seu Universo. Após uma sucessão de vitórias esmagadoras, a equipa do Universo 7 só o consegue vencer quando as forças combinadas de Goku e Freeza o derrubam, ainda que venham a cair com ele. Isso deixa C17 como o único combatente em pé, logo sendo o vencedor do Torneio do Poder. Como recompensa, recebeu um desejo das Super Esferas do Dragão, que usa para restaurar todos os universos apagados. Freeza recebe o prémio de ser totalmente ressuscitado, por conta dos seus esforços, mas jura que não deixará de ser quem sempre foi. Fiquemos à espera da próxima temporada, porque muito há ainda para ver.

Avaliação: 8/10

Fala-se de: O Gerente da Noite T1

Baseada num romance de espionagem do escritor John le Carré, a minissérie britânica The Night Manager ganhou diversos Emmy e Globos de Ouro no ano passado. Editado originalmente em 1993, O Gerente da Noite é um exemplo da classe e do charme de le Carré no destrinçar do mundo pós-Guerra Fria. Na série, Jonathan Pine (Tom Hiddleston) é um ex-soldado britânico que seguiu a carreira como gerente noturno de um hotel de luxo, o Nefertiti, no Cairo.

O seu caminho cruza-se com o de Sophie (Aure Atika), uma bela mulher de origem árabe, que tem ligações com Richard Onslow Roper (Hugh Laurie), um inglês do mercado negro especializado em armas. Ela fornece a Pine documentos criminosos, que ele entrega a um amigo que pertence à diplomacia britânica. Quando Sophie aparece morta, Jonathan decide trabalhar disfarçado como parte de um plano de Angela Burr (Olivia Colman) contra Roper, para se vingar da morte da mulher.

Imagem relacionada
Fonte: conspiracy-cafe.blogspot.com

Incrível e surpreendente a cada episódio, autor, produção e elenco tiveram o mérito de contar uma história que toca nas sensibilidades do nosso mundo real e consegue assumir-se como uma narrativa tensa entre dois personagens. Jonathan Pine e “Dicky” Roper convencem pela credibilidade e pela interação, que salta entre a amizade, fictícia ou não, e a centelha da desconfiança. De menos não se podia esperar, ou não estivéssemos nós a falar de dois dos melhores atores do nosso tempo.

Dirigida pela cineasta Susanne Bier, uma das mais talentosas da escola dinamarquesa de cinema, O Gerente da Noite (2016) é uma produção conjunta entre a AMC, a BBC e The Ink Factory, gravada por diversos sítios do mundo, como Londres, Suiça, Marrocos, Egipto e Espanha, e conta com incríveis paisagens naturais, como Palma de Maiorca e Marraquexe. O primeiro episódio prende desde logo a atenção do telespectador.

Resultado de imagem para the night manager
Fonte: https://www.deadgoodbooks.co.uk/whos-who-in-the-night-manager/

São muito os elementos que perpassam a história: a embaixada britânica, a comunicação social, a Casa do Rio (MI6), e o núcleo central, que começa no Cairo. O argumento, bem gerido e doseado, chama a atenção pelo toque na problemática do tráfico de armas e pela exploração aos países de terceiro mundo, como é bem habitual nas obras de le Carré. Nesse sentido, a face de Hugh Laurie traduz na perfeição o rosto do oportunismo financeiro, passando a imagem de um pai de família exemplar.

O livro sofreu várias alterações para o argumento final. Angela Burr substitui o personagem masculino do livro como a íntegra chefe de espionagem britânica, e o desempenho de Olivia Colman como uma mulher grávida num mundo de homens não deixa margem para dúvidas de que a escolha foi acertada. O argumentista, David Farr, fez um trabalho exemplar na adaptação e reinvenção para os dias de hoje, sem deixar de lado a aura bem quente e difusa recorrente da obra de leCarré.

Resultado de imagem para the night manager
Fonte: http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-129252/

A ação da história também mudou de um iate de luxo para uma ilha paradisíaca em Maiorca. Da América do Sul e a guerra contra a droga, a série voltou-se para os países do Médio Oriente, com maior foco no Egipto, onde a democracia está em perigo. O resto está lá. Uma história cativante e intensa, com magníficas interpretações e um elenco de luxo.

Também Elizabeth Debicki cativa como Jed Mashall, o interesse amoroso dos protagonistas, e embora a sua atuação não tenha sido um dos grandes destaques da trama, a imagem de femme fatale proibida a nadar nas piscinas de Maiorca não deixa de ser uma das atrações da sequência. E o que dizer do multifacetado Tom Hollander, que vi há bem pouco tempo em Taboo? O seu Corkoran conseguiu ser uma pedra no sapato do protagonista, assim como o alívio cómico da série.

Imagem relacionada
Fonte: http://www.amc.com/shows/the-night-manager/season-1/episode-01-episode-101

Também o elenco secundário conseguiu mexer comigo. Jonathan salvou a vida ao filho de Roper, numa atuação fenomenal com o objetivo de ganhar a confiança do traficante e introduzir-se no seu meio, mas quem conseguiu ficar indiferente àqueles seguranças? O casal Langbourne, Sandy (Alistair Petrie) e Caroline (Natasha Little) foram outros dos destaques no núcleo de Roper. E o que dizer das intrigas e volte-faces no meio de Burr? Tobias Menzies volta a convencer como Dromgoole, Douglas Hodge (Rex), David Harewood (Joel) e Adeel Akhtar (Singhal) cumpriram nos seus papéis. No Cairo, sem grande tempo de tela, David Avery fez-nos odiar Freddie Hamid.

Em suma, O Gerente da Noite foi uma aposta ganha. É impossível ficar indiferente ao sorriso trémulo de Tom Hiddlestone e ao olhar gelado de Hugh Laurie, à beleza sensual de Elizabeth Debicki e à convicção dramática de Olivia Colman. Um duelo de xadrez entre duas facções inteligentes, cujo resultado final pode pender para qualquer um dos lados da balança. Uma série fenomenal de seis episódios que não deixa desiludido nenhum dos fãs do autor britânico.

Avaliação: 9/10

Fala-se de: Taboo T1

Nascida da mente de Tom Hardy e do seu pai, Edward, Taboo é uma série de drama britânica produzida pelas produtoras Scott Free e Hardy Son & Baker para a BBC One e FX e escrita por Steven Knight, conhecido pela série Peaky Blinders. Taboo teve o seu lançamento no Reino Unido, na BBC One, no dia 7 de Janeiro de 2017, estreando três dias depois nos EUA. Um mês depois do seu lançamento, foi renovada para a segunda temporada, ainda por gravar.

Kristoffer Nyholm e Anders Engrstöm foram os directores da primeira temporada, quatro episódios cada, enquanto a banda sonora pertenceu a Max Richter. Desde logo os grandes holofotes da trama focaram-se em Tom Hardy, não só por o famoso actor que estrelou filmes como Mad Max: Fury Road ou The Dark Knigh Rises ser o autor da ideia original que serviu de base à história, como também por ser o protagonista. James Keziah Delaney é uma mistura inusitada de Sherlock Holmes com Hannibal Lecter, mas é muito mais do que isso…

Imagem relacionada
Fonte: http://taboo.wikia.com/wiki/File:Community-header-background

Ambientada na Inglaterra em inícios do séc. XIX, a série de 8 episódios conta como James, que viveu 12 anos em África no meio dos índios, regressa à terra natal com 14 diamantes roubados, para o funeral do pai, Horace. No testamento, o pai deixa-lhe a sua fortuna, um terreno conhecido como Nookta Sound, tão desejado pelos Estados Unidos da América como pela Companhia das Índias Orientais, que medem forças ao longo da trama para se apoderarem dele.

“Louros para a equipa de figurinos, que esteve realmente à altura do desafio e deu credibilidade à série.

O que não esperavam era que James se revelasse um opositor tão grande aos seus planos. Imbuído de um misticismo indígena e de uma inteligência inigualável, James Delaney está sempre um passo à frente dos seus adversários, fazendo alianças e trapaceando inimigos ao seu jeito que o torna temido pela própria Coroa. Ele escapa a assassinos a soldo e deixa mensagens macabras aos seus inimigos, mas nem tudo são rosas para o protagonista.

Resultado de imagem para taboo
Fonte: https://borg.com/2017/01/13/taboo-tom-hardy-stars-in-new-british-tv-series-on-fx/

Descobre que a meia-irmã, Zilpha Geary (Oona Chaplin), havia acordado com a Companhia das Índias a venda desses terrenos, que o testamento de Horace embaraçou. Zilpha e James têm uma história antiga, aprofundada por um amor incestuoso que fomenta o lado mais animalesco e místico do protagonista. Zilpha é casada com Thorne (Jefferson Hall), um corretor de seguros que vê a chegada de James não só uma afronta às suas pretensões como , acima de tudo, estimula os seus problemas conjugais.

Não só o guião foi extremamente bem amarrado sem deixar de ser permanentemente misterioso, como as próprias interpretações dos atores foram fenomenais. O emblemático Tom Hollander brilhou como o químico Cholmondeley, amigo de James e responsável pela produção de pólvora, como Jonathan Pryde voltou a destacar-se como o presidente da Companhia das Índias Orientais e a conhecida atriz alemã Franka Potente como a meretriz Helga. E houve ainda Jessie Buckley, a excelente Lorna da série, que cresceu como personagem e reclamou grande parte do protagonismo para si.

Resultado de imagem para taboo
Fonte: https://www.pastemagazine.com/articles/2017/02/taboo-review-chichesters-plan-or-the-show-that-mig.html

Quem se destacou, apesar dos poucos momentos de câmara foi, no entanto, Mark Gatiss. Quem conhece o autor, que recentemente interpretou o emissário do Banco de Braavos em Game of Thrones, dificilmente o reconhecerá na pele do príncipe regente George IV, tal foi o trabalho de maquilhagem a que foi sujeito. Louros para a equipa de figurinos, que esteve realmente à altura do desafio e deu credibilidade à série.

“O que não esperavam era que James se revelasse um opositor tão grande aos seus planos.

Os tons escuros das ruas londrinas vieram acicatar o ambiente negro da série, cheio de misticismos e segredos. Personagens como Winter (Ruby-May Martinwood), Atticus (Stephen Graham), Godfrey (Edward Hogg), Chichester (Lucian Msamati) ou o mordomo Brace (David Hayman) foram mais valias para uma história visceral e misteriosa que mistura espionagem, estratégia, sobrenatural e História numa única série, sempre com os planos ambiciosos de um protagonista incrível ao leme.

As expectativas para a segunda temporada são enormes, mas mesmo que dificilmente se iguale à primeira em composição, criatividade e execução, Taboo entrou diretamente para o meu rol de séries preferidas. Mais do que ter um elenco de exceção e um visual de se lhe tirar o chapéu, a série traz uma história profunda e contextualizada que surpreende a cada episódio e não descura nenhum pormenor. Altamente recomendada.

Avaliação: 10/10

Fala-se de: Into The Badlands T2

A série criada por Alfred Gough e Miles Millar regressou em 2017 para uma segunda temporada, desta feita com 10 episódios. Into The Badlands é uma série do canal AMC, cuja terceira temporada deve estar para arrancar. A história é passada num mundo futurista que lembra o Japão Medieval, especialmente no que diz respeito ao regime feudal, ainda que motorizadas, carros e explosivos façam parte do dia-a-dia dos seus habitantes.

Depois de uma primeira temporada interessante, permeada de cenas de ação e de artes marciais muito bem coreografadas, a segunda série prometia imenso, especialmente com MK (Aramis Knight) a sair das Badlands em direção ao Mosteiro onde poderia encontrar respostas efectivas para o seu misterioso dom, que o faz tornar-se um assassino incontrolável de olhos negros quando é ferido.

Resultado de imagem para into the badlands season 2
Fonte: http://www.denofgeek.com/us/tv/into-the-badlands-season-2/264093/into-the-badlands-season-2-episode-6-review-leopard-stalks-in-snow

Ali, MK percebe que todos os alunos sofrem da mesma maldição, mas para além de formar uma ótima tripla com Sunny (Danie Wu) e Bajie (Nick Frost), pouco foi o que soubemos sobre o passado do rapaz ao longo da temporada. Bajie revelou-se, porém, um ótimo personagem, com todo um contexto atrás de si, para além de um manancial de truques que deixou claro tratar-se de muito mais do que o alívio cómico que sugeria ser.

Ryder (Oliver Stark) trouxe uma camada de política bem interessante à trama, mas acabou por ter um final precoce. Revelou-se uma personagem com pouca importância, assim como Jade (Sarah Bolger), que herdou dele o Baronato de Quinn (Marton Csokas). Por sua vez, Lydia (Orla Brady) teve poucos momentos de destaque, ainda que tenha vindo a assumir um papel mais efectivo após a morte do filho e o regresso de Quinn. A interpretação de Orla Brady continua, porém, a ser um dos aspectos mais positivos de toda a série.

Resultado de imagem para into the badlands season 2
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=JT37b9HhzAQ

Veil (Madeleine Mantock) teve um percurso mais apelativo, desde a tentativa de envenenamento da Viúva (Emily Beecham), que não chegou a bom termo por conta do amor de Tilda (Ally Ioanides) para com a mãe, até tornar-se a típica donzela em perigo nas mãos de Quinn. Veil não teve um desenvolvimento tão bem delineado como podia ter tido, mas penso que se redimiu com um final credível e sentenciador.

No arco da Viúva, destaque para a excelente performance de Beecham e Ioanides nas várias disputas familiares entre a Viúva e a sua filha e Regente, com a inclusão de Waldo (Stephen Lang) e Odessa (Maddison Jaizani) no núcleo. As várias cenas de artes marciais continuaram magistralmente bem coreografadas, como já vem sendo hábito na série. Pena que a relação entre MK e Tilda pareça ter arrefecido, mesmo após o reencontro.

Imagem relacionada
Fonte: http://www.amc.com/shows/into-the-badlands/cast-crew/m-k

O regresso de Sunny e MK às Badlands coincidiu com os momentos de maior ritmo da temporada. Os episódios 8 e 9 foram os meus preferidos, ainda que tenha sentido falta de maior força de presença de MK na mansão da Viúva, bem como de maior verosimilhança em algumas cenas. A busca pela cidade de Azra continuou a ser abordada muito superficialmente, quando penso que esta podia ter sido já apresentada.

O desenrolar da trama não me agradou por aí além, caindo em clichés dispensáveis e cenas expectáveis, assim como uma trama paralela envolvendo Bajie que me fez temer que a série entrasse na seara insossa de outras séries como Revolution ou Under The Dome, embora a fase final da temporada tenha dado um sentido ao todo e atado as pontas de forma coerente. De modo geral gostei da temporada, embora me pareça ter perdido em comparação com a primeira.

Avaliação: 6/10

Fala-se de: Vikings T4

A quarta temporada de Vikings foi anunciada pelo History Channel no primeiro semestre de 2015, tendo estreado a 18 de fevereiro de 2016. Ao contrário das temporadas anteriores, que contaram com 10 episódios cada, a quarta temporada teve 20 episódios, dividida em duas partes. Michael Hirst, o criador da série, continuou como showrunner e produtor executivo. A primeira metade da quarta temporada manteve-se ao nível da terceira, apesar de não conter grandes acontecimentos.

Depois de se tornar rei e senhor entre os Vikings, Ragnar (Travis Fimmel) tentara conquistar Paris, encetando alianças perigosas e ficando gravemente ferido. A quarta temporada começa com um regresso às casas de origem, com Ragnar a prometer vingança ao seu irmão Rollo (Clive Standen), que o traíra, para chegar ao final da primeira metade com uma derrota que ameaçou destruir a sua própria fama. Se não viste a quarta temporada, prepara-te para alguns spoilers.

Resultado de imagem para vikings 4 season
Fonte: https://www.sbs.com.au/guide/article/2016/11/23/what-you-need-know-return-vikings-season-4-part-2

Enquanto Ragnar recupera dos seus ferimentos, Bjorn (Alexander Ludwig) ordena a prisão de Floki (Gustaf Skarsgard) pela morte de Athelstan (George Blagden), e quando o pai acorda não parece agradado com a decisão, embora a mantenha. Bjorn decide assim enfrentar o mundo selvagem para provar o seu valor. Durante a sua estadia num ermo nevado, ele é atacado por um assassino enviado pela dupla Erlendur (Edvin Endr) e Kalf (Ben Robson), mas consegue defletir o seu ataque e matá-lo.

“A primeira metade da quarta temporada manteve-se ao nível da terceira, apesar de não conter grandes acontecimentos.”

Quando regressa, Bjorn propõe a Torvi (Georgia Hirst), a esposa de Erlendur, que o acompanhe, e esta acede quando Lagertha (Katheryn Winnick) lhe assegura que protegerá a sua criança. Os melhores momentos da primeira parte da temporada passam exactamente pelas mortes de Kalf e Erlendur e do papel que as mulheres vêm a ganhar como esposas, assassinas, mas também como líderes. É outra mulher forte, Gisla (Morgane Polansk), filha do Imperador da Frância, quem arrebata Rollo e cimenta a sua posição em Paris, quando vários esquemas são postos em prática para “seduzir” Charles (Lothaire Bluteau).

Resultado de imagem para vikings 4 season
Fonte: https://www.blahcultural.com/critica-vikings-4-temporada/

No Wessex, o Ecbert de Linus Roache continuou a surpreender-me pela positiva. Enviou o filho Aethelwulf (Moe Dunford) para resgatar a princesa Kwenthrith (Amy Bailey), acabando por apoderar-se da Mércia e do seu filho Magnus (Cameron Hogan), alegado bastardo de Ragnar Lothbrok. Também o desenvolvimento da relação de Ecbert com Judith (Jennie Jacques) rendeu ótimos momentos televisivos e um dos plots mais interessantes da série.

Mas é a adição dos irmãos Harald (Peter Franzén) e Halfdan (Jasper Pääkkönen) a revolucionar o núcleo de Ragnar Lothbrok. Harald tenciona tornar-se rei de toda a Escandinávia para conquistar uma mulher, mas para isso precisa destronar Ragnar. Ainda assim, os irmãos alinham em tornar-se meros “peões” na nova incursão do rei em terras francesas. Completamente viciado numa droga que lhe é cedida pela escrava Yidu (Dianne Doan), Ragnar organiza a investida, mas acaba derrotado às mãos do próprio irmão.

Imagem relacionada
Fonte: http://www.denofgeek.com/us/tv/vikings/251491/vikings-season-4-reviews-trailers-and-episode-guide

A segunda metade da temporada é uma tempestade de acontecimentos. Ragnar havia desaparecido, mas regressa algum tempo depois a Kattegat, na tentativa de reunir tropas para um novo ataque a Inglaterra. Ninguém parece muito disposto, no entanto, a acompanhá-lo. Os filhos cresceram, e entre Ubbe (Jordan Patrick Smith), Hvitserk (Marco Ilsø), Sigurd (David Lindström) e Ivar (Alex Høgh Andersen), só este último acede em lutar ao seu lado.

“A segunda metade da temporada é uma tempestade de acontecimentos.

Ivar, o Sem Ossos, é deficiente da cintura para baixo, mas desafia o mundo com as suas estratégias ímpares e ambição louca. Depois de assustar Margrethe (Ida Marie Nielsen), que parece gostar de rebolar nos lençóis com os vários irmãos Lothbrok, junta-se a Ragnar num pequeno grupo de vikings velhos, “comprados” por Ragnar. O navio dá à costa e Ragnar assassina os sobreviventes, chegando com o filho diante Ecbert. Ragnar é aprisionado e levado a Aelle (Ivan Kaye), uma vez que Ecbert o considera um amigo e não tem coragem para o matar.

Resultado de imagem para vikings 4 season
Fonte: http://tvline.com/2016/09/14/vikings-season-4b-premiere-date/

É a morte de Ragnar Lothbrok que vem dar maior visibilidade aos seus filhos, numa temporada atípica e impressionante em que Lagertha recupera a liderança de Kattegat ao alvejar Aslaug (Alyssa Sutherland) pelas costas, onde vemos um Bjorn mais maduro a seguir as pisadas do pai e a querer explorar o Mediterrâneo, e onde somos apresentados a Astrid (Josefin Asplun), lugar-tenente de Lagertha que se revela amante de mãe e filho.

Com poucos momentos dignos de crítica, para além da ocasional aparição de ambas as orelhas de Judith quando sabemos que uma lhe foi arrancada, Vikings tem tudo para mostrar na 5.ª temporada um novo começo, agora que a vingança pela morte de Ragnar foi consumada. Resta saber o que fará Harald agora que a sua apaixonada está morta e o irmão decidiu abandoná-lo, e como irão os filhos de Ragnar conviver após a atitude final de Ivar.

Avaliação: 9/10

Fala-se de: Vikings T3

A terceira temporada de Vikings continua a empresa do History Channel em lançar-se no mundo das séries televisivas. Anunciada em 2014 e estreada a 19 de fevereiro de 2015, Vikings mantém Michael Hirst como showrunner e diretor executivo e nomes como Travis Fimmel, Katheryn Winnick e Alexander Ludwig como protagonistas. Com o poder no centro de tudo, vemos o icónico Ragnar Lothbrok a gerir finalmente a sua posição de rei.

A série expande-se em termos geográficos. De um lado temos a Escandinávia como sede do poderio do rei Ragnar, mais concretamente o povoado de Kattegat, enquanto os núcleos do Wessex e da Mércia são extremamente bem desenvolvidos. Há ainda tempo para a série focar-se em Paris, na reta final da temporada. Se a segunda já me havia conquistado, esta terceira temporada cimentou Vikings como uma das melhores séries históricas da atualidade.

Resultado de imagem para VIKINGS SEASON 3
Fonte: https://itunes.apple.com/us/tv-season/vikings-season-3/id957906935

Mordi a língua em relação a Linus Roache. Se o rei Ecbert do Wessex me tinha parecido deslocado e completamente “fora da caixa” na segunda temporada, aqui ele revelou-se um personagem interessante e insidioso, a jogar com vários interesses em simultâneo. Da sua relação com Lagertha à forma como geriu o triângulo Athelstan (George Blagden) – Judith (Jennie Jacques) – Aethelwulf (Moe Dunford), o personagem surpreendeu e o ator foi bastante credível na sua interpretação.

“De resto, a natureza dúbia de muitos dos personagens é um dos focos de maior interesse desta série.

A temporada foi também marcada pela morte de personagens importantes, que vinham acompanhando o protagonista desde os primeiros episódios. A forma como morreram e as consequências que as suas mortes trouxeram para o restante painel de personagens foi também interessantíssimo. Assim como a adição de novos nomes ao elenco. O misterioso Harbard do famoso ator Kevin Durand veio refrescar o núcleo de Kattegat e trazer muitas suposições e teorias.

Resultado de imagem para VIKINGS SEASON 3
Fonte: https://www.tvfanatic.com/2015/03/vikings-season-3-episode-6-review-born-again/

Rollo (Clive Standen) e Floki (Gustaf Skarsgard) continuam a ser um espetáculo à parte, pertencendo a eles a grande maioria das cenas de maior profundidade dramática. Outras personagens tiveram desenvolvimentos interessantes, desde Kalf (Ben Robson), com as suas intenções relativamente a Lagertha sendo dúbias ao longo dos episódios, a Porunn (Gaia Weiss), cujos conflitos internos resultantes de um grave ferimento vieram a comprometer a sua relação com Bjorn.

“Ainda que não fossem os meus preferidos, os últimos episódios da temporada trouxeram cenas de batalha muito bem feitas

Há ainda Kwenthrith (Amy Bailey) da Mércia, uma personagem ninfomaníaca que já havia deixado a sugestão do que viria a ser na anterior temporada. A relação conflituosa com o tio e o irmão, a estranheza dos seus trejeitos e a aparência que pouco deixa adivinhar a perfídia interior vieram trazer à trama algumas das melhores cenas, entre elas uma que une os vários “reis” da série num brinde peculiar.

Resultado de imagem para VIKINGS SEASON 3 kevin durand
Fonte: https://www.pinterest.com/pin/568227677960898184/

De resto, a natureza dúbia de muitos dos personagens é um dos focos de maior interesse desta série. De Kalf a Ecbert, passando por Aelle (Ivan Kaye), Judith e Einar (Steve Wall), Erlendur (Edvin Endre) e Torvi (Georgia Hirst), e mesmo os já recorrentes Rollo, Floki e Aslaug (Alyssa Sutherland), poucos são os personagens em que nos podemos crer, e todos terão uma importância determinante no desenvolvimento da trama.

Ainda que não fossem os meus preferidos, os últimos episódios da temporada trouxeram cenas de batalha muito bem feitas, com vários planos e sequências de grande interesse, mostrando não só o modo de combate viking e a estratégia de defesa francesa, como apresentaram o núcleo da Frância, que podem ser vistas como um mote para a quarta temporada. Da debilidade emocional do Imperador Charles (Lothaire Bluteau) à rebeldia da sua filha Gisla (Morgane Polanski), somos apresentados a um novo núcleo, ao mesmo tempo que vemos Ragnar a tornar-se uma lenda, mesmo nos seus momentos mais frágeis.

Avaliação: 9/10

Fala-se de: The Last Jedi, Star Wars Episode VIII

Esqueçam as vossas noções de ciência. Esqueçam aquilo que entendem por ficção científica. Star Wars nunca foi sinónimo de credibilidade ou complexidade narrativa. Talvez por isso eu nunca me tenha considerado um fã dos mais acérrimos. Mas também nunca foi para isso que Star Wars foi feito. Ele foi feito para trazer ao público a espectacularidade dos efeitos especiais, para levar a debate a dicotomia bem contra o mal sempre na sua vertente mais simplista. Mas, como em tudo, são os planos mais simples aqueles que conseguem chegar mais profundamente ao público. E cativá-lo. Se juntarmos a isso um ritmo imparável e uma sequência de volte-faces de nos fazer pular da cadeira, então The Last Jedi cumpre na perfeição aquilo que a franquia sempre prometeu.

Com J.J. Abrams como produtor executivo e Rian Johnson no guião e direção, The Last Jedi é o terceiro filme Star Wars desde que Kathleen Kennedy tornou-se presidente da Lucasfilm e gerente da marca. Daisy Ridley, Adam Driver, Mark Hamill, Carrie Fisher, John Boyega, Oscar Isaac, Gwendolyn Christie, Andy Serkis e companhia regressam aos personagens que protagonizaram The Force Awakens, agora com a adição ao elenco de alguns nomes sonantes como Benicio del Toro e Laura Dern. As forças da Resistência são lideradas pela General Leia Organa, enquanto a Primeira Ordem é comandada pelo Líder Supremo Snoke. Neste filme, a esperança do exército rebelde em sobreviver depende muito do sucesso de Rey na aprendizagem como Jedi junto do lendário Luke Skywalker.

Sem título
Fonte: https://www.theedgesusu.co.uk/news/2017/10/12/the-edge-reacts-to-star-wars-the-last-jedi-trailer/

Factos. Rey continua com aquele ar de sonsinha e a acreditar no Pai Natal. O Lado Negro da Força é representado por um puto amuado. O cosmos de Star Wars deve ser uma coisa muito especial e fora da caixa para se ouvir toda aquela panóplia de sons. Leia tem mais vidas que o Son Goku, e até pode andar pelo espaço sem escafandro que consegue voar para a porta de uma nave e sobreviver. Del Toro definitivamente não combina com Star Wars, e embora o seu personagem tenha sido absolutamente cliché, coincidiu com as passagens mais bacanas deste filme.

“As perdas fazem-se sentir, mas o futuro está em aberto.

A Resistência rebelde leva porrada até mais não e morrem personagens importantes de ambas as fações. Temos raças super inusitadas, algumas mega fofinhas (sim, estou a falar dos porgs) e até o indício do que pode vir a ser o futuro da Resistência. The Last Jedi mostra um possível fim para as forças rebeldes, torna-o mais próximo do que alguma vez foi sentido, e, no entanto, reinventa a sua presença de um jeito peculiar e, a meu ver, muito interessante.

Sem título
Fonte: http://wegotthiscovered.com/movies/star-wars-last-jedi-fanmade-poster/

O filme vale sobretudo pelo humor. Um Yoda (Frank Oz) super irónico, um Luke Skywalker com dotes de pesca e de ordenha, um Snoke que parecia mais inteligente, um Chewie com problemas de consciência e um General Hux (Domhnall Gleeson) que apanha de todos os lados com aquela cara de quem vai explodir como uma melancia a qualquer momento. Temos ainda uma espécie de cavalos com orelhas que lembram o Falkor de Uma História Interminável, uma grande química entre as personagens Rose (Kelly Marie Tran) e Finn e os sempre cheios de recursos robots a roubarem a cena.

E vale destacar ainda Poe Dameron. Oscar Isaac tornou-se um dos protagonistas da trilogia com todo o mérito. O personagem não só se revelou um líder dentro da Resistência, como rebentou com tudo em várias cenas de ação. As cenas de Isaac com Laura Dern foram das mais carismáticas do filme. De resto, o facto de vermos o lado rebelde dividido e de não estarmos restringidos a Resistência (bons) e Primeira Ordem (maus) foi uma das mais-valias deste filme, muito embora no final tudo tenha ficado mais ou menos como no início.

Sem título
Fonte: https://www.comicbookmovie.com/sci-fi/star_wars/star-wars-the-last-jedi-plenty-of-action-and-a-familiar-line-in-this-awesome-tv-spot-a155200

Os efeitos especiais e a banda sonora continuam a ser a imagem de marca da franquia. Se aliarmos a isso o saudosismo aos velhos personagens e a uma vontade de ver vingada a vida de Han Solo (Harrison Ford), The Last Jedi tinha pouco por onde falhar. Mas para além de não falhar, surpreendeu. No humor, que quase fez parecer o filme uma paródia a Star Wars, mais do que um Star Wars, à narrativa, que conseguiu reinventar-se, ainda que tenha ido buscar várias coisas aos filmes originais e não tenha primado pela originalidade.

“É um blockbuster. É um filme para as massas. E convence.

Discutir as razões da queda dos Jedi foi um dos aspetos que mais me agradou, nesse sentido. O novo filme não se limitou a colocar os Jedi contra os Sith. Não. Os tempos são outros e o que está para vir pode fazer renascer ou morrer para sempre aqueles que mexem com a Força. The Last Jedi explicou o significado da Força, mostrou as forças e as fraquezas da Ordem Jedi e que a sua queda está muito mais ligada às suas debilidades internas do que ao talento dos seus adversários. Luke Skywalker foi muito mais do que o mentor tradicional que esperávamos. Ele conseguiu estragar tudo e depois salvar, do jeito que o espectador menos podia esperar.

Sem título
Fonte: http://www.latimes.com/entertainment/movies/93054345-132.html

Ainda assim, o debate interior de Luke acabou por ser o que menos gostei no filme, no sentido em que perdeu bastante tempo em conflito consigo mesmo, com o que ficou para trás e com o que podia vir a ser no futuro. Nesse sentido, continuamos sem saber ao certo se Rey descende de algum personagem importante, e a falta de respostas não fica por aí. Com a morte de Carrie Fisher, resta aguardar que final vão “inventar” para a personagem e quem poderá liderar os destinos da Resistência sem Leia ao leme. As perdas fazem-se sentir, mas o futuro está em aberto.

Os dados estão lançados. The Last Jedi não é o melhor filme de Star Wars, mas um dos que mais me agradaram durante a visualização do mesmo. Muito embora tenha estado muito mais empolgado com The Phantom Menace, depois da febre da primeira trilogia, os tempos são outros e a minha paixão pela franquia diminuiu drasticamente. The Force Awakens esteve longe de ressuscitar o meu amor pela série, e muito embora este filme não o tenha feito, não posso deixar de afirmar que me diverti e muito durante a sua visualização. É um blockbuster. É um filme para as massas. E convence.

Avaliação: 8/10