As Escolhas de 2020


Viva! 2020 chega (finalmente) ao fim e embora tenha sido um ano atípico a todos os níveis, acabou por não me prejudicar o ritmo de leitura. Este ano não cheguei às 100 publicações, como em anos anteriores, mas fiquei lá perto, como podes confirmar na minha lista anual de leituras. 2020 foi mais um ano em que conheci novos autores, desbravei clássicos e continuei a acompanhar alguns dos meus preferidos, sendo a fantasia, o terror e a distopia os géneros que mais visitei. Jeff Lemire (6 BDs), Stephen King (5 livros), Mark Millar (5 BDs) e Brandon Sanderson (2 livros e 2 BDs) foram os autores que mais li.

Terminei várias séries e a maioria irá deixar-me saudades. Na BD, Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook, Descender de Jeff Lemire e Dustin Nguyen, Druuna de Paolo Eleuteri Serpieri e Deuses Americanos de Neil Gaiman, P. Craig Russell e Scott Hampton. Na fantasia, a trilogia Mundos Paralelos de Philip Pullman, As Crónicas da Companhia Negra de Glen Cook e The Liveship Traders de Robin Hobb. Na FC, terminei a trilogia Fundação de Isaac Asimov e ainda li, no policial, a trilogia Millennium de Stieg Larsson.

Fiquem com as minhas escolhas de 2020:

MELHOR LIVRO

Oathbringer, The Stormlight Archive #3, Brandon Sanderson

aqui a opinião.

Foi das primeiras leituras do ano e sem dúvida a mais completa. Se o ano passado já me tinha sentido tentado a elevar os dois primeiros volumes da saga a melhor leitura de 2019, este ano não tive grandes dúvidas em apostar neste livro. Para além da escrita de Brandon Sanderson parecer cada vez melhor, a complexidade da Cosmere e todas as sub-tramas apresentadas e desenvolvidas em The Stormlight Archive estão num mundo à parte.

Outros livros estiveram bem perto do grau de satisfação que obtive com esta leitura. O quarto volume da BD Monstress e o romance de Stephen King O Intruso foram experiências incríveis que me encheram as medidas na reta final de 2020. Que o próximo ano me traga sensações tão maravilhosas quanto estes me trouxeram num ano tão estranho.

MELHOR FANTASIA

Oathbringer, The Stormlight Archive #3, Brandon Sanderson

aqui a opinião.

Boas fantasias não me faltaram em 2020. Oathbringer foi claramente a melhor de todas, mas destaco também o segundo e terceiro volumes das Crónicas da Companhia Negra de Glen Cook publicados pela Saída de Emergência, o segundo e terceiro volumes de The Liveship Traders de Robin Hobb, ou os dois primeiros de Terra Fraturada de N. K. Jemisin. Foram leituras bastante interessantes e que me deixaram com vontade de ler mais destes autores.

Num patamar ligeiramente inferior, The Witcher de Andrzej Sapkowski é uma série que nunca desilude, mas cujo sétimo volume não me arrebatou tanto quanto os anteriores; a primeira parte de A Vingança Serve-se Fria de Joe Abercrombie e o segundo volume de A Guerra da Rainha Vermelha de Mark Lawrence, A Chave de Loki, foram outras leituras interessantes dentro deste género fantástico.

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA

Fundação e Império, Fundação #3, Isaac Asimov

aqui a opinião.

Apesar de já ter lido também o terceiro volume da trilogia, Segunda Fundação, preferi Fundação e Império, no seu todo. Bastante completo, imersivo e imprevisível, esta jornada intergalática que narra a procura pela Segunda Fundação e a luta contra o mutante chamado Mula foi a minha melhor leitura no âmbito da Ficção Científica. Publicada pela Saída de Emergência, esta série continua a ser um marco no género nos dias de hoje.

Houve outros livros de FC que marcaram o meu ano. Uma Coisa Absolutamente Incrível de Hank Green surpreendeu-me bastante pela positiva e a BD Descender de Jeff Lemire e Dustin Nguyen chegou ao fim de forma aparatosa e convincente. Decidi catalogar aparte as chamadas distopias, uma vez que várias que li não se enquadram no género FC.

MELHOR HORROR

O Intruso, Stephen King

aqui a opinião.

Dos livros de terror que li, e mesmo entre os cinco de King que conheci este ano, O Intruso de Stephen King foi a minha maior surpresa. O livro começa com uma investigação policial bastante densa e perturbante, mas sem quaisquer sinais de sobrenatural. Quando ele aparece, porém, surpreende e muito, pela positiva. Tive a ideia de ver a série em simultâneo, mas percebi rapidamente que a adaptação não lhe chegava aos calcanhares. Do autor li também Carrie, Elevação, Firestarter e O Instituto. Destaco ainda A Canção de Kali de Dan Simmons, O Exorcista de William Peter Blatty, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson ou as BDs Harrow County e Gideon Falls, de grande qualidade.

MELHOR ROMANCE HISTÓRICO / THRILLER

O Tango da Velha Guarda, Arturo Pérez-Reverte

aqui a opinião.

Este ano junto estas duas categorias, porque os livros que mais gostei neste género acabam por ter um pouco dos dois. O Tango da Velha Guarda de Arturo Pérez-Reverte é mais uma história de amor do que outra coisa, mas também tem muito de romance histórico e de thriller. O mesmo posso dizer de outra leitura que me entusiasmou, Clube de Patifes de Dan Simmons. Os dois livros que li de Bernard Cornwell, O Trono Vazio e Guerreiros da Tempestade, também foram ótimos, mas inferiores em comparação quer ao antecessor das Crónicas Saxónicas, quer a este romance em que recai a minha escolha. O Boneco de Neve de Jo Nesbø, a trilogia Millennium de Stieg Larsson, O Gerente da Noite de John le Carré e O Livro dos Baltimore de Joël Dicker foram outros thrillers que me entusiasmaram.

MELHOR DISTOPIA

Os Testamentos, Margaret Atwood

aqui a opinião.

Este ano li várias distopias, o que justifica a inclusão desta nova categoria. Os Testamentos de Margaret Atwood foi uma leitura maravilhosa, ainda que tenha achado a sua conclusão algo preguiçosa. Apesar de ter gostado do livro original, A História de Uma Serva, tinha-o considerado muito insípido e nesta sequela consegui sentir mais empatia pelas personagens. Outras distopias interessantes que li foram A Peste de Albert Camus, A Quinta de Joanne Ramos, O Armazém de Rob Hart ou Vox de Christina Dalcher.

MELHOR CLÁSSICO

A Quinta dos Animais, George Orwell

aqui a opinião.

Foi mais um ano em que me decidi a ler clássicos, mas nem todos eles me agradaram da mesma maneira. Gostei imenso deste A Quinta dos Animais de George Orwell, também conhecido como O Triunfo dos Porcos. Outras leituras interessantes foram As Vinhas da Ira de John Steinbeck, Germinal de Émile Zola, A Metamorfose de Franz Kafka e O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald. Em oposição, achei bem fracos clássicos como A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera ou Lolita de Vladimir Nabokov.

MELHOR ANTOLOGIA / COLETÂNEA

The Book of Swords, Vários Autores

aqui a opinião.

2020 foi um ano em que não li muitos contos, tendo lido apenas uma antologia e uma coletânea. História Universal da Infâmia de Jorge Luís Borges foi uma coletânea sobre vilões da História que sinceramente não me impressionou. Já este The Book of Swords, organizado pelo malogrado Gardner Dozois foi mais uma boa surpresa na área da fantasia. Para além de poder revisitar autores que gosto imenso como Robin Hobb, Scott Lynch, George R. R. Martin ou Daniel Abraham – nenhum deles me cativou sobremaneira nesta antologia – tive oportunidade de conhecer novos escritores muito promissores. “The Hidden Girl” de Ken Liu foi o meu conto preferido da antologia, inspirado na mitologia chinesa.

MELHOR BD

Os Escolhidos, Monstress #4, Marjorie Liu e Sana Takeda

aqui a opinião.

Foram muitas as BDs incríveis que eu li este ano. Destaco Descender e Harrow County, séries que terminei e que me ficarão na memória pelos melhores motivos. Mas Descender não foi o único trabalho de destaque de Jeff Lemire. Dele li também obras de arte como Roughneck, Berserker ou Gideon Falls (qual deles o melhor?). Destaco também Mark Millar, que de O Círculo de Júpiter a A Ordem Mágica, passando por Kick Ass: A Miúda Nova, deixou uma série de bons apontamentos nas publicações da G Floy Studio em 2020. Mas há uma BD que se destaca de todas as outras nas minhas preferências, e não há um único ponto em que Monstress me desiluda, com todos os elementos que mais me agradam no género fantástico. Marjorie Liu e Sana Takeda estão entre as minhas queridinhas deste formato.

MELHOR LANÇAMENTO

Os Escolhidos, Monstress #4, Marjorie Liu e Sana Takeda

aqui a opinião.

Dos quatro livros a que dei pontuação máxima este ano, este foi o único lançado em 2020, pelo que fica fácil a escolha. O volume 4 de Monstress foi um maravilhoso lançamento da Saída de Emergência, que ainda nos brindou com dois volumes de A Vingança Serve-se Fria de Joe Abercrombie, dois de The Witcher de Andrzej Sapkowski, dois das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell e ainda outros dois das Crónicas da Companhia Negra de Glen Cook.

Mesmo em tempos de pandemia, a editora continua a publicar excelentes livros de fantasia e isso é algo que precisamos destacar. Nomeio ainda dois lançamentos dignos de relevo: Os Testamentos de Margaret Atwood pela Bertrand e Kingsbridge: O Amanhecer de Uma Nova Era de Ken Follett (que já tenho para ler) pela Presença. Dito isto, só espero que o próximo seja tão bom como este, a nível de lançamentos.

MELHOR NACIONAL

Equador, Miguel Sousa Tavares

aqui a opinião.

Este ano li alguns autores nacionais. Enquanto Jesus Cristo Bebia Cerveja de Afonso Cruz e O Arquipélago da Insónia de António Lobo Antunes se revelaram leituras medianas, Cemitério de Pianos de José Luís Peixoto ficou muito aquém das expectativas. Já este Equador de Miguel Sousa Tavares, que tinha ideia de ler há já vários anos, acabou por ser um livro de grande qualidade, cumprindo com o que de melhor podia esperar dele. Fica a esperança que o próximo ano me traga outras leituras de qualidade em bom português.

Fiquem com os meus votos de um Santo Natal e que 2021 seja um ano muito melhor do que este foi, em todos os sentidos!

Um comentário em “As Escolhas de 2020

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