Estive a Ler: O Fado da Sombra + Oblívio, Crónicas de Allaryia #6 e #7


Pela primeira vez em anos, nevara no vale de Asmodeon.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA OS LIVROS “O FADO DA SOMBRA” E “OBLÍVIO”, SEXTO E SÉTIMO VOLUMES DA SÉRIE CRÓNICAS DE ALLARYIA

Filipe Faria nasceu em 1982, em Lisboa. Frequentou a Escola Alemã de Lisboa desde o jardim de infância até completar o 12º ano de escolaridade. O contacto e convívio com aquela cultura de origem germânica, tão diferente da nossa, possibilitou a abertura de novos horizontes. Impulsionado pelo forte interesse demonstrado pelo período negro da Idade Média, e pela descoberta algo fortuita de uma verdadeira relíquia na biblioteca escolar – a Tolkien Bestiary -, cultivou, desde cedo, a paixão pela literatura fantástica. As Crónicas de Allaryia assinalam a sua estreia no mundo literário.

Uma obra que nasceu de uns esboços de uma aventura, que lentamente ganharam corpo e forma e evoluíram para um livro de quase 600 páginas. Em 2001 foi o vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e Jornal Expresso. Em 2002 ganhou o Prémio Matilde Rosa Araújo – Revelação na Literatura Infantil e Juvenil. Em 2018 publicou a banda-desenhada Dragomante com arte de Manuel Morgado e em 2021 regressou a Allaryia com A Oitava Era. O Fado da Sombra tem um total de 536 páginas e Oblívio 608, ambos publicados pela Editorial Presença.

A última vez que mergulhei nas Crónicas de Allaryia foi há mais de dez anos, com o quinto volume, Vagas de Fogo. Foi esta saga que me fez querer ser escritor e que me fez maravilhar pela literatura fantástica, tinha eu dezassete anos. Mas, algures na faculdade, este tipo de literatura perdeu-me e nunca concluí a saga literária que mais marcou a minha juventude. Este ano, algo estimulado pelo lançamento de novas aventuras em Allaryia e pela releitura da saga por parte do Marco Lopes do blogue O Senhor Luvas, decidi terminar a primeira série destas aventuras.

Crónicas de Allaryia é uma saga com muitas lacunas mas são também muitas as suas virtudes, e sem dúvida levá-la-ei para sempre no coração.

Por incrível que pareça, não precisei de ler nenhum resumo para me relembrar de onde deixara as personagens e continuei a leitura como se tivesse terminado o volume anterior há pouco mais de um ano. Uma das diferenças mais significativas que encontrei na leitura foi a maturidade; talvez a minha, talvez a do autor. Quinze anos antes, precisava ter um dicionário por perto para conhecer as palavras que Filipe Faria debitava no texto; hoje em dia foram pouquíssimas as palavras desconhecidas que encontrei.

Estes últimos volumes concluem a história de Aewyre Thoryn, o filho mais novo do saudoso rei de Ul-Thoryn, que regressa a casa depois de uma jornada de grande sofrimento para encontrar a corte corrompida por Dilet, o bobo da corte que se revelou ser um servo do mal. Depois de descobrir que a espada do pai, Ancalach, seria a verdadeira morada de Seltor, o terrível Flagelo, Aewyre reencontra os seus velhos amigos bem como velhos inimigos com quem precisa rivalizar antes do despique final, pois Seltor, agora livre, coloca as suas cartas em jogo.

Inicia-se uma corrida contra o tempo, em que o palácio é invadido por Culpa, o pai do Flagelo, por hordas de thuragar corrompidos por Dilet, e pelo próprio bobo, para além de o drahreg Kror continuar a não colaborar. Para possuir a Essência da Lâmina, Kror e Aewyre, que partilham o “tendão”, precisam fazer com que o outro morra em combate ou por suicídio, o que não se afigura tarefa fácil.

Uma grave revelação abala Lhiannah, a bela princesa arinnir que não dispensa a companhia do seu tutor Worick, o veterano thruagar sempre mordaz, mas a chegada do traquina Taislin e do mago Allumno virá trazer mais harmonia ao grupo. Por sua vez, Quenestil entrega-se ao Fragor, reencontrando um velho amigo e um velho inimigo no que se revela o início de uma jornada alucinante do que virá a ser um grande embate contra os tanarchianos, que se haviam ajuramentado ao Flagelo. A Era do Volverino chegou, mas a fé do eahan é posta à prova.

Enquanto isso, Slayra sente-se dividida entre o papel de mãe, o receio de reencontrar Tannath e imiscui-se nas intrigas que surgem entre o povo dos Fiordes. Os inimigos são muitos e nem tudo é o que parece. Depois de Fado da Sombra ser um volume de reunião, que antecipa o fim apoteótico, Filipe Faria surpreende no último volume, Oblívio, com desfechos em abertos, mas que ainda assim honram a jornada heróica de Aewyre Throyn e dos seus companheiros.

De modo geral gostei bastante da história e da forma como ela foi conduzida. Realmente identifico-me bastante com a forma de contar histórias do Filipe e talvez tenha sido ele a inculcar isso em mim. Ainda que o cenário e a caracterização das personagens seja uma manta de retalhos de muito do que já foi feito na fantasia, Filipe Faria soube montar as peças de uma maneira criativa e empolgante. Nem sempre somos justos ao avaliar a sua saga pelo primeiro volume, que mesmo sendo um dos meus capítulos preferidos da saga, revela uma escrita mais fraca.

Como pontos menos positivos, destaco a quantidade excessiva de páginas que o autor perdeu a narrar combates ocasionais, para depois as viagens das personagens parecerem rapidíssimas. Há alguma falta de credibilidade no tempo em que distâncias são percorridas, mas também na forma com que certas cenas discorrem. Crónicas de Allaryia é uma saga com muitas lacunas mas são também muitas as suas virtudes, e sem dúvida levá-la-ei para sempre no coração.

Avaliação: 7/10

Imagem de capa: https://www.allaryia.com/pearnon/cronicas-de-allaryia/o-fado-da-sombra/ (Reprodução)

4 comentários em “Estive a Ler: O Fado da Sombra + Oblívio, Crónicas de Allaryia #6 e #7

  1. Viva,

    Tambem gostei muito desta saga que me deixava super ansioso por ler os livros seguintes, mas com o tempo acabei por não ler os ultimos volumes e tenho pena, pois adorava esta saga.

    Abraço

    Fiacha

    1. Eu também, mas decidi ler os últimos agora. 😊😊 Até porque ele está a continuar a saga.

      Abraço e obrigado pelo comentário amigo.

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