Estive a Ler: The Fires of Heaven + Lord of Chaos, A Roda do Tempo #5 e #6



Storms rumble beyond the horizon, and the fires of heaven purge the earth. There is no salvation without destruction, no hope this side of death.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA OS LIVROS “THE FIRES OF HEAVEN” E “LORD OF CHAOS”, QUINTO E SEXTO VOLUMES DA SÉRIE A RODA DO TEMPO

Robert Jordan nasceu em 1948 em Charleston, Carolina do Sul. Com vinte anos foi integrado no exército dos Estados Unidos, onde realizou duas comissões no Vietname. Depois do seu regresso, licenciou-se em física e, em 1977, iniciou um percurso como escritor. O seu nome destacou-se sobretudo como autor da série de fantasia épica e bestseller mundial A Roda do Tempo, uma das séries mais importantes e mais vendidas na história da fantasia. Jordan morreu a 16 de setembro de 2007, após uma corajosa batalha contra uma doença rara.

The Fires of Heaven e Lord of Chaos são o quinto e sexto volumes da sua série A Roda do Tempo, publicados pela Tor Books em 1993 e 1994 respectivamente. O quinto volume tem um total de 901 páginas e o sexto 1024 páginas e seguem os eventos iniciados em O Olho do Mundo, a que se seguiram A Grande Caçada, O Dragão Renascido e A Sombra Alastra. Em Portugal, a colecção apenas foi até ao quarto livro, pelo que estes dois volumes ainda não se encontram traduzidos.

A leitura de A Roda do Tempo é algo ambígua para mim. As histórias são agradáveis e é de facto inegável a importância desta saga para a confirmação da fantasia como género desde os anos 80 em diante, mas por interessante que seja destrinchar estas personagens – é evidente que, apesar de parecerem arquetípicas, vão revelando nuances bem interessantes – os livros são gigantes e os acontecimentos de uma lentidão maçadora.

É uma saga para ir lendo devagar e sem grandes expectativas, desfrutando de uma das obras mais icónicas do género fantástico.

Decidi-me a ler estes dois livros de forma despretensiosa, sem esperar grandes evoluções quer na escrita quer na história, e de facto não me empolgou em nenhum desses pontos. Acho que a grande qualidade destes dois livros passa pelo desenvolvimento das personagens, assim como pelas descrições de batalha bastante imersivas e que me trouxeram aos lábios o gosto do épico que tanto me fascinou na adolescência.

Em suma, a saga apresenta mais uma história de um herói que luta contra as forças do mal. Nesta mitologia, uma divindade conhecida como o Criador criou o universo e a Roda do Tempo. A Roda não tem fim nem início, ela apenas existe e tece os dias na Terra. Ela roda graças ao Poder Único, obtido da Fonte Verdadeira, composta da energia de metades masculinas e femininas (saidin e saidar, respectivamente). Humanos que conseguem manipular essa força são chamados de canalizadores, e a principal organização mencionada nos livros capaz disso são as Aes Sedai, na atualidade apenas composta por mulheres.

O Criador aprisionou Shai’tan no momento da criação, mas uma experiência fracassada das Aes Sedai libertou acidentalmente a sua energia maligna no mundo. O Tenebroso (Shai’tan) é, portanto, o dark lord da série, prometendo poder e imortalidade para aqueles que aceitam juntar-se a ele. Um século após a sua fuga, iniciam-se guerras abertas entre as forças do Tenebroso e os seguidores da Luz, tendo estas como seu líder Lews Therin Telamon, o Dragão. Espera-se que, nas gerações vindouras, um novo dragão apareça no mundo.

ATENÇÃO! O TEXTO SEGUINTE CONTÉM MINOR SPOILERS DE THE FIRES OF HEAVEN E LORD OF CHAOS

The Fires of Heaven começa a partir dos acontecimentos com que terminou o volume anterior. Devastados pela revelação do jovem herói Rand al’Thor sobre a sua assunção como profetizado Dragão Renascido, o clã de Aiel Shaido ataca Cairhien, com o apoio do forsaken Sammael. Rand prepara-se para retaliar, mas antes passa um tempo nos desertos de Aiel Waste, treinando com o ex-forsaken Asmodean. Por sua vez, Egwene al’Vere continua os seus estudos com os Aiel. Mais tarde, Rand lidera as forças Aiel para derrotar as forças de Couladin, líder dos Shaido, na Segunda Batalha de Cairhien.

Após o golpe de Elaida a‘Roihan na Torre Branca, que a coloca no Trono de Amyrlin, nomeia Alviarin seu guardião e resolve capturar Rand. As Aes Sedai que se opõem a ela estabelecem-se em Salidar, e Min Farshaw, Siuan Sanche, Leane Sharif e Logain Ablar viajam para lá. O misterioso Gareth Bryne persegue-os, mas ao tomar conhecimento do que aconteceu na Torre Branca força uma aliança com as Aes Sedai.

Quem também se dirige para Salidar são Nynaeve al’Meara e Elayne Trakand, junto com Thom Merrilin e Juilin Sandar, fugindo da confusão em Tarabon. No caminho enfrentam vários perigos como whitecloaks, a forsaken Moghedien no mundo dos sonhos e o antigo soldado de Shienar Masema Dagar, que agora se autodenomina O Profeta do Dragão. Ao longo do caminho, a lendária heroína Birgitte Silverbow junta-se ao grupo depois de ser expulsa de Tel’aran’rhiod, e ensina Elayne a criar ter’angreal.

Por sua vez, o forsaken Rahvin, disfarçado de Lord Gaebril, controla a mente da rainha Morgase Trakand de Andor. Ao perceber o engodo, a rainha foge, mas é declarada como morta e Rahvin substitui-a como governante. Para tirar tal poder ao forsaken, Rand prepara uma pequena força de ataque Aiel com a intenção de invadir Caemlyn. Antes que possa fazê-lo, a forsaken Lanfear tenta matá-lo, mas um incidente com um ter’angreal vem mudar o rumo dos acontecimentos de forma trágica para todos.

Sem a participação de Perrin Aybara, um dos protagonistas, o quinto volume de A Roda do Tempo é mais focado em estratégia de guerra e em campanha militar, um pouco como o sexto, Lord of Chaos, que mostra o poder do mal em toda a sua largura, revelando-nos até um pouco da sua perspectiva. Perrin e o Ogier Loial estão de volta à narrativa e Rand perde algum do protagonismo dos livros anteriores, revelando-se mais cansado e maculado pelo toque do Dark One, mas ainda assim um ótimo estratega.

Depois de o Dragão Renascido invocar uma amnistia para todos os canalizadores do sexo masculino, Mazrim Taim jura lealdade a Rand al’Thor, compondo assim a Torre Negra, uma organização destinada a criar canalizadores masculinos chamados The Asha’man. Vários momentos de tensão envolvem Rand, como a tentativa de o controlar por Alanna Mosvani, que o vincula como seu guardião contra a sua vontade.

Rand conta, no entanto, com o apoio de Min Farshaw, que tinha viajado com as Aes Sedai de Salinar. Quando o Dragão descobre a localização, envia Mat para Salidar, com a intenção de recuperar Elayne para governar Caemlyn e Cairhien no seu lugar. Em Caemlyn, Rand reencontra-se com Perrin, mas é sequestrado pelas Aes Sedai de Elaida, que o levam para Tar Valon. Ao saber do sequestro, Perrin leva os seguidores de Rand à Batalha dos Poços de Dumai.

Apesar de em momento algum esta saga me prender por aí além, não deixa de vir evoluindo favoravelmente, não faltando acontecimentos de tirar o fôlego e tramas dentro de tramas, com várias conspirações para depor Rand ou roubar-lhe poder, enquanto que as jornadas vêm enriquecendo bastante o desenvolvimento das personagens. É uma saga para ir lendo devagar e sem grandes expectativas, desfrutando de uma das obras mais icónicas do género fantástico.

Avaliação: 6/10

A Roda do Tempo (Bertrand Editora):

#1 O Olho do Mundo

#2 A Grande Caçada

#3 O Dragão Renascido

#4 A Sombra Alastra

#5 The Fires of Heaven

#6 Lord of Chaos

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