Aprendiz de Assassino, A Saga do Assassino #1


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Aprendiz de Assassino”, primeiro volume da série A Saga do Assassino

Aprendiz de Assassino é o primeiro livro de uma das séries de ficção mais elogiadas pelos amantes de fantástico, o início de uma história contada pela californiana Margaret Ogden sob o pseudónimo Robin Hobb, história essa que continua, trilogia após trilogia, com novas e crípticas aventuras do personagem que ela tão bem desenvolveu: Fitz Cavalaria.

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Capa Saída de Emergência
Sinopse:

O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino.

Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino.

Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia uma das séries mais bem-amadas da fantasia épica.

Opinião:

Posso dizer que o livro me surpreendeu, para o bem e para o mal. Antes de pegar nesta saga, tinha Robin Hobb como um dos nomes mais fortes da literatura fantástica mundial, uma vez que até lhe chamam “a primeira-dama da fantasia”, mas o que encontrei nas páginas deste Aprendiz de Assassino foi um mundo bem menos sombrio e complexo do que eu imaginava. O princípio do livro foi lento, aliás, ritmo é algo que este volume só conhece nas últimas páginas. Mas conseguiu algo que poucos autores conseguem, fazer-me acreditar naquela história.

Seja na relação de Fitz com Castro, das mais verosímeis e bem descritas que já encontrei em fantástico , seja no surgimento e consistência de personagens como Veracidade ou Majestoso – pena que não tenham sido mais desenvolvidos -, ou até mesmo na ligação do protagonista com os animais, é impossível não nos afeiçoarmos de algum modo a esta história. A vivência na corte, o processo de aprendizagem de Fitz e as suas vivências foram muito bem descritas e aqui e ali, tiro o meu chapéu à autora.

No entanto, essa boa discrição dos modos de vida em Torre do Cervo foi levada a níveis extremos, ao ponto de chegarmos ao último terço do livro sem ter acontecido algo realmente interessante para a ação. A primeira visita de Fitz a Forja, o seu teste do Talento e o combate com os Forjados que o atacaram pareceram-me passagens com pouca alma, e tão superficiais quando comparados com o rico detalhe em relações humanas que Hobb imprime no restante do volume. Para os últimos capítulos estiveram reservados alguns bons momentos, como a estadia de Fitz e companhia em Jhaampe com os Chyurda. Aqui Castro e Majestoso fizeram jus aos fantásticos personagens que até aí haviam demonstrado ser, e Fitz não lhes ficou atrás.

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Fitz e Narigudo (Perplexingly & Hanyes)

Embora a qualidade do livro seja uns bons furos acima que o Ciclo da Herança de Paolini, atrever-me-ia a dizer que o público-alvo é o mesmo. A história tem o seu quê de ternurento e infantil, e passagens completamente truculentas e linguagem crua. A originalidade está presente na forma como a autora aborda as magias e no tratamento dado a uma estória por contar, embora não lhe reconheça grande mérito quer ao nível da originalidade, quer ao nível da sinopse. A grande mais valia do livro é exatamente a escrita da autora, cativante e competente, e as relações entre pessoas e entre pessoas e animais que ela nos transmite.

Ficam-me na memória personagens como Castro, Breu, Veracidade ou Majestoso, embora haja outros como Moli, que não me transmitiram nada enquanto leitor. Quanto ao Bobo, passei a gostar mais dele mas parece-me que ainda tem muito a mostrar (pessoalmente não gosto de bobos). O facto de os nomes de muitos personagens estarem ligados a características (se bem percebi características que os seus pais gostariam que ele tivessem), como Sagaz, Veracidade, Majestoso, entre outros, foi um dos motivos porque não peguei neste livro mais cedo, mas com o desenrolar da ação esse é um pormenor que se entranha e não afeta em nada a leitura, mas que ainda assim dá uma tonalidade mais infantil à obra de Hobb.

Disseram-me já que este volume inaugural é o pior da saga – e é normal que assim o seja, bem sei por experiência própria que escrever o início de uma saga é uma tarefa árdua – e é óbvio que irei continuá-la, não de imediato, mas em breve, espero. O meu volume da Saída de Emergência, edição de 2009 com 400 páginas, foi também ela uma aprendizagem. Não sou fã da premissa, e acho que existem vários autores de fantástico com muito melhores histórias, no entanto, poucos conseguem dar-lhe a consistência e fundamentação que esta Robin Hobb conseguiu.

Avaliação: 6/10

A Saga do Assassino (Saída de Emergência):

#1 Aprendiz de Assassino

#2 O Punhal do Assassino

#3 A Corte dos Traidores

#4 A Vingança do Assassino

#5 A Demanda do Visionário

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11 thoughts on “Aprendiz de Assassino, A Saga do Assassino #1

  1. Por acaso temos opinião diferente aqui, mas penso que realças o bom que a escritora tem, a sua escrita.

    Nunca vi nenhum escritor descrever um vinculo de um humano com um animal, as personagens são muito bem desenvolvidas mas sem duvida que concordo que falta aqui mais ação, mas não terás falta de ação, e mesmo o Bobo nem te passa as personagens que ainda vai desenenhar eheheh

    Uma das minhas escritoras preferidas e nada a ver com Paolini, mas avança é o que tenho a dizer 😉

    Abraço

  2. Olá Nuno,

    este livro é mais um daqueles contemplados com a divisão pela editora, se não estou em erro. Ou seja, este e o segundo são o “livro original”.

    Gostei muito desta história. Desta trilogia e da próxima, cujo final é fantástico! Mas deixemos isso para depois, que ainda tens vários livros dela pela frente.

    Para mim o Fitz é a personagem da fantasia que mais me atrai. Seja pelo seu lado de inadaptado, seja pelas atrocidades por que passa ao longo da sua história, seja pela forma como ele narra a sua história, ou pelo simples facto que simpatizei imenso com ele. E o facto de eu gostar tanto dele fez com que eu também gostasse da história, apesar de a história, só por si, ser fantástica. Todo o mundo criado de raiz está muito bem fundamentado ao longo da história. Mesmo que por vezes pareça que ficam pontas soltas, não ficam. Temos é de esperar pelos próximos livros =)

    Gostei da tua opinião.

    Boas leituras!

    1. Olá, Miss Lamora. Desculpa pela demora em responder.
      Fiquei com a sensação que este livro era isolado, o 2.º e o 3.º é que eram apenas um original, e o 4.º o 5.º o final da trilogia.
      Sim, eu vou continuar a ler a saga, porque ela promete 😀

  3. Pingback: O Punhal do Soberano, A Saga do Assassino #2 | Nuno Ferreira

  4. Pingback: A Corte dos Traidores, Saga do Assassino #3 | Nuno Ferreira

  5. Pingback: A Vingança do Assassino, A Saga do Assassino #4 – Nuno Ferreira

  6. Pingback: A Demanda do Visionário, A Saga do Assassino #5 – Nuno Ferreira

  7. Pingback: Resenha: O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1 – Notícias de Zallar

  8. Pingback: Estive a Ler: Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2 – Notícias de Zallar

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