Estive a Ler: Rythm of War, The Stormlight Archive #4


The final step in capturing spren is the most tricky, as you must remove the Stormlight from the gemstone.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “RYTHM OF WAR”, QUARTO VOLUME DA SÉRIE THE STORMLIGHT ARCHIVE

Brandon Sanderson é conhecido essencialmente pela saga Mistborn, mas também por ter terminado a série de fantasia épica A Roda do Tempo de Robert Jordan, após o falecimento deste. Definiu também as leis da magia na ficção fantástica e criou uma rede bem estruturada de sagas passadas no mesmo universo: a Cosmere, com várias personagens e ingredientes que se cruzam e interferem, como são caso a trilogia Mistborn, Elantris, Warbreaker e a BD White Sand.

Rythm of War (2020) é mais um livro do popular escritor norte-americano de fantasia, o quarto da série The Stormlight Archive, comummente aceite como a mais ambiciosa e complexa do autor, ambientada no universo compartilhado da Cosmere e a que dá mais respostas sobre os seus mistérios. Publicado pela Tor Books, este volume tem um total de 1232 páginas.

VALE AVISAR QUE O TEXTO CONTERÁ VÁRIOS REVELAÇÕES DOS VOLUMES ANTERIORES E MINOR SPOILERS DE RYTHM OF WAR

Sucintamente, vale fazer uma pequena retrospectiva aos livros anteriores da saga, que adorei. Estamos numa guerra decorrente do assassinato do rei Gavilar de Alethkar. Os humanos são representados pelos alethi, e o inimigo pelos parshendi, que assumiram a culpa moral pelo homicídio. Se no passado os parshendi foram derrotados, sendo dominados pelos senhores feudais que os converteram e/ou escravizaram e os denominaram de parshmen, agora eles estão mais fortes.

Rythm of War não é o melhor livro de The Stormlight Archive, mas sem dúvida que confirma esta série como qualquer coisa acima da média…”

Segundo Jasnah, filha do rei morto e uma estudiosa das matérias da mitologia, não obstante o seu pensamento ateu, eles são a manifestação atual dos Voidbringers (o darkside lá do sítio), que regressaram com a Everstorm, uma tempestade gigantesca que destriu tudo por onde passou e que transformou, à sua passagem, os parshmen.

Servis e dedicados parshendi feitos escravos, os parshmen ganham instintos de vingança ao serem beijados por esta tempestade. Na verdade, eles chamam-se a si mesmos de singers e são das criações mais fascinantes de Brandon Sanderson, pelo menos em termos raciais.

O sistema de magia em The Stormlight Archive é complexo e incrível. Sucintamente posso destacar o surgebinding, a capacidade de sugar stormlights e ganhar poderes sobrenaturais, o voidbinding, que é o seu equivalente darkside, a magia antiga ainda pouco explorada ou mencionada, os spren que são os espíritos de tudo o que existe e que, quando se juntam a um humano, tomam forma, ou mesmo tecnologias como os fabrial, capazes de usar as stormlights e o seu poder.

Rhythm of War começa aproximadamente um ano após o final de Oathbringer. Os Knight Radiants continuaram a sua guerra contra os exércitos Fused e Singer de Odium, embora nenhum dos lados tenha feito progressos. Muitos novos Radiants estão a familiarizar-se com os seus poderes e com os novos vínculos. Por sua vez, os ex-parshmen, antes escravos da humanidade e agora sob a orientação do Fused, mantêm o seu ódio pelos anteriores senhores.

Nesse interim, houve avanços científicos em ambos os lados. É aqui que voltamos a reunir as perspectivas do ponto de vista de personagens como Kaladin, Shallan, Adolin e Navani. O prólogo é da perspectiva de Navani, em que ela relembra a morte do seu falecido marido Gavilar. Logo depois acompanhamos Kaladin a viajar para a sua cidade natal, Hearthstone, com o intuito de resgatar os cidadãos e capturar um general famoso, The Mink. Navani, Dalinar e muitos Radiants chegam num novo constructo voador para ajudar Kaladin a evacuar a cidade.

Enquanto a evacuação começa, os Radiants entram numa batalha com os Fused, que termina sem um vencedor definitivo. Enquanto isso, Kaladin é atraído para uma luta com seu antigo amigo Moash, que de alguma forma induz Kaladin a ter visões de experiências traumáticas. Kaladin foge para a máquina voadora e então voam, com os habitantes da cidade a bordo. Ao regressar, Navani é contactada por um estranho misterioso, que a adverte que criar os dispositivos mágicos chamados fabrials é errado, uma vez que são concebidos aprisionando um spren numa pedra preciosa.

É muito fácil perceber o que os nossos protagonistas preferidos fizeram no último ano, quais são os seus objectivos e os efeitos que a guerra repercutiu no seu bem-estar. Sanderson desconstrói a imagem elegante que a guerra costuma ter neste tipo de livros. Ele mostra como ela não traz qualquer tipo de glória, apenas desgaste e múltiplos efeitos colaterais. As personagens sofrem e lidam com doenças mentais, tentando sobreviver numa sociedade dilacerada pela guerra.

Kaladin, o herói da história, é um dos que tenta lidar da melhor forma com os problemas emocionais que as batalhas deixaram em si mesmo, abordando o stress pós-traumático que afecta veteranos de guerra. Também Shallan, a protagonista feminina, enfrenta os seus dramas, ao ter de conviver com as suas múltiplas personalidades. Eles são heróis, transformando-se não só em símbolos de resistência mas também em parte integrante da mitologia, convocam poderes incríveis, mas são tão humanos como qualquer um de nós, acusando o peso das suas responsabilides.

Desta feita, os capítulos de flashback recaem sobre as irmãs singers Venli e Eshonai, mas se à partida isso poderia suscitar um maior desinteresse por parte do leitor (e é verdade que eles obrigaram a certas travagens bruscas na narrativa), Sanderson doseia muito bem a sua oferta, acabando por saltear os capítulos de ponto de vista com muito tacto. Destaco a primeira e a quinta parte como as mais empolgantes do livro, embora as fases mais mornas tenham sido também ritmadas.

O autor tentou fazer muito neste livro, mas ele expandiu muito bem as revelações que Oathbringer tinha deixado e soube confirmar algumas especulações, guardando, como é normal, os seus maiores trunfos para a ponta final do volume. Terminei Rythm of War novamente muito entusiasmado, ainda com mais perguntas do que respostas do que o tinha iniciado, mas isso só me deixa em pulgas para o quinto volume.

Como só sairá em 2023, tenho muito que esperar, mas tudo aponta para que seja uma conclusão competente para o término da primeira metade da saga (os dez volumes serão divididos em duas séries de cinco). O epílogo de Rythm of War é mesmo um senhor bombom para o fandom, com Eshonai como figura central.

Este livro perde, na minha opinião, por ter muito menos pontos de vista de Dalinar, um dos meus protagonistas preferidos, e talvez pela parte mais arrastada e até enciclopédica em que consistiram os capítulos protagonizados pela sua esposa, Navani. As menções científicas são muitas, de aspectos físicos da luz e do som até à matemática, mas a forma como Sanderson torna credível toda esta tecnologia é brilhante.

A prosa de Sanderson continua bastante acessível, e embora ele se use de vários recursos nem a achei demasiado técnica nestas passagens; mesmo assim, a forma com que algumas crenças de Navani se desmoronam acaba por deixar uma sensação agridoce. Destaco a interacção entre Wit e Jasnah, o desenvolvimento de Taranvangian e a construção e desconstrução de Rabonial, bem como o novo papel desempenhado por Szeth, o Assassino de Branco.

A maior qualidade de Rhythm of War é, no entanto, a construção da Cosmere como um todo e a narrativa abrangente que foi inculcada no livro. A capacidade de interligar esta série com outros romances do autor é incrível e, se pode parecer complexo para um leitor que não tinha lido mais nada do escritor, é um prato cheio de emoções para quem acompanhe o trabalho de Sanderson. Ainda assim, acredito que não deixe de ser uma experiência agradável para quem só tenha lido os livros desta saga.

Os pontos de vista de Adolin e Shallan, apesar de não parecerem interferir grandemente com a trama principal neste volume, foram muito bem desenvolvidos, fazendo as personagens crescerem de forma consistente e gradual. O final de todas as personagens deixa tudo em aberto, ao mesmo tempo que oferece desfechos suficientes para um volume que prepara a conclusão e finaliza por si só arcos pessoais e a proposta deste livro.

Rythm of War não é o melhor livro de The Stormlight Archive, mas sem dúvida que confirma esta série como qualquer coisa acima da média e de tudo o que já foi feito em fantasia, um novo patamar que desafiará muitos outros autores a fazer mais e melhor. A ansiedade para o quinto volume é grande e o clima de suspense com que o livro termina só a faz aumentar.

Avaliação: 9/10

Cosmere:

The Stormlight Archive (Tor Books):

#1 The Way of Kings

#2 Words of Radiance

#2.5 Edgedancer

#3 Oathbringer

#4 Rythm of War

Mistborn Era 1 (Saída de Emergência):

#1 O Império Final

#2 O Poço da Ascensão

#3 O Herói das Eras Parte 1

#4 O Herói das Eras Parte 2

Mistborn Era 2 (Leya):

#1 A Liga da Lei

#2 As Sombras de Si Mesmo

#3 Os Braceletes da Perdição

Mistborn (Tor Books):

#1 Mistborn: Secret History

Warbreaker:

#1 Warbreaker

White Sand (Dynamite):

#1 White Sand Volume 1

#2 White Sand Volume 2

#3 White Sand Volume 3

Elantris (Leya):

#1 Elantris

#* The Emperor’s Soul

Mulheres Perigosas (Saída de Emergência)

#* Sombras Para Silêncio nas Florestas do Inferno

(*) conto incluído em antologia

21 comentários em “Estive a Ler: Rythm of War, The Stormlight Archive #4

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